Broken

24 A Moment Like This


A Moment Like This – John Mayer

O Natal foi lindo e mágico. Fizemos fornadas de biscoitos e Ethan pode comer alguns além dos de dentição. Cozinhei doces com Rosalie e Alice para a sobremesa da ceia. Esme e Charlotte fizeram questão de preparar cozidos e acompanhamentos, enquanto os homens tomaram conta das aves e outras carnes. Tinha comida para um batalhão de gente e tive a ideia de ter nossos funcionários conosco. Demetri não tinha família. Ana só a filha que morava distante. Eles eram responsáveis pelo nosso bem estar durante todo o tempo, eram amigos e de confiança.

Tentei me controlar em não pular em Edward quando cozinhava no balcão a minha frente. Emmett depois de fazer Rosalie cortar o dedo, foi banido de cozinheiro a provador oficial. Não que ele reclamou sobre isso. Peter apenas cuidou de Ethan, que pareceu agitado demais para quem viajou de avião na noite anterior. Ele não dormiu, se rastejou entre nossas pernas, provou quase tudo, conversou em sua língua de bebê com Edward, deixando meus ovários em um estágio perigoso.

Rosalie fez incríveis croissants de chocolate e doce de leite. Alice faltava pular da ponte de tão nervosa, afinal de contas, no dia seguinte, Ian iria almoçar conosco pela primeira vez. Finalmente chegou a hora do jantar. Todos estavam ansiosos e felizes com o nosso natal. Carlisle me fez chorar com o brinde e a oração agradecendo especialmente por mim e por Rosalie.

Eu comi. Muito. Principalmente tudo que Edward fez. Estava tão bom que me senti cheia antes da sobremesa. O vinho não fez muito efeito em mim, como fez em Edward. E bom, toda vez que eu via vinho, chocolate, morango e Edward, minha mente mergulhava em um dado momento da nossa lua-de-mel.

- Perdida em memorias, amor? – Edward sorriu torto apertando minha coxa com força.

Nós saímos da mesa e nos espalhamos pela sala. Deitei no chão, colocando a cabeça na perna de Edward, que ainda tomava seu vinho com Emmett. Alice deitou do meu lado e dividimos um pote de bombons. Rosalie veio com mais vinho para os rapazes e sentou conosco. Ethan vendo que tinha doces, sentou na minha barriga enquanto dava a ele minúsculos pedaços de chocolate, mas o suficiente para se misturar com sua baba e lambuzar todo.

- Bee!

- Calma criança! Eu vou te dar – sorri dando um beijinho de esquimó nele.

- Essa paixão de Ethan por Bella está passando da platônica. – Peter provocou Edward que só revirou os olhos.

Chegou à hora da troca de presentes. Foi engraçado porque esse ano demos tudo que o outro não gosta. Ganhei CD’s de musicas eletrônicas, dei a Alice uma saia xadrez de prega, um sapato plataforma a lá Spice Girls a Rosalie e um avental a Charlotte. A surpresa da noite foi o presente de Edward. Enquanto dei a ele uma gravata de cobra escrito “minha mulher manda em mim”, ele me deu um carro.

Não um carro como o primeiro. Eu nem sabia que fim levou aquele outro carro. Eu ganhei a porra de um carro esportivo, reluzente e caro. Uma Ferrari vermelha maravilhosa. Eu não sabia que gostava de carros caros até dirigir aquele. Eram mais de meia noite e um sorriso estupido brotou no meu rosto ao correr pelos arredores da cidade. Eu não consegui nem ficar enjoada.

Nós comemoramos meu agradecimento no banco traseiro com aquele cheiro de couro novo, mais o perfume de Edward e minhas unhas afundando o estofado. Ótima noite de natal.

Edward me acordou cedo no dia vinte e cinco porque estava com fome. Esse nós decidimos não comparecer a nenhum evento natalino que ocupasse demais ou nos fizesse ficar longe um do outro. O baile de Ano Novo era tradicional, portanto, só iria me preocupar em parecer sofisticada nesse dia. Ian chegou para almoçar conosco e Edward quase teve um infarto do miocárdio. Eu tive que chutar seu tornozelo várias vezes, mas o menino era seguro demais. E uma boa coisa de se ver. Alice precisa mesmo de alguém determinado ao seu lado.

Emmett e Edward não enxergaram isso, claro. Soltaram piadinhas e levaram repreensões durante todo o dia. O rapaz pareceu não se importar e Alice estava nas nuvens. Que desse certo, dessa vez.

Nós dormimos cedo naquele dia, todos íamos trabalhar e eu fiquei feliz em não ter aula nenhuma na faculdade ou ia surtar.

- Bom dia meninas! Tudo bem? – sorri para minha assistente e a de Edward, que fofocavam um pouco antes de começar a trabalhar. Assistente... Eu tinha uma agora.

Eu era chefe de mais três mil e quinhentos funcionários... Isso em um só prédio. Aqui em Nova Iorque. Eu não queria pensar no resto das empresas espalhadas pelo país... E mundo. Ângela me trouxe um café e conversamos um pouco sobre o natal e afins, e nos preparamos para uma pequena reunião com funcionários. A primeira que eu ia fazer sozinha. Sem Edward ou Emmett. Cinquenta funcionários me olhando. Me analisando.

Ângela esteve do meu lado, mas eu tremia feito vara verde e mantive em silencio. Observei os projetos de alguns funcionários, cálculos de outros, fiz anotações e comentários como Edward me instruiu a fazer. Alguns eu neguei sem chance de revisão e outros deixei como pendente para simplesmente analisar com alguém mais experiente.

Acabada a reunião, soltei uma respiração pesada e tinha uma dor de cabeça irritante gritando na minha cabeça. Sem querer entornei café na minha roupa e entrei no banheiro mais próximo daquele andar.

- Quem ela pensa que é? – rosnou uma das mulheres que vi na reunião – Só porque casou com o poderoso chefão, pensa que pode dizer que meu projeto é ruim? Eu tenho duas faculdades, mestrado, pós-graduação e doutorado. Essa vadia deve ser muito boa de foda para Edward Cullen fazer o que ela bem entende.

- Aqueles olhinhos doces e inocentes não enganam ninguém. Por favor, ela está usando a sala ao lado dele. Agora vai querer mandar em mim? Eu não aceito isso. Fazendo de pobrezinha, sem família, casou com o ricaço e ouvi dizer que ela tem conta conjunta com a dele. Ela pode mexer em todos os bens da família. Não dou uma sorte dessas...

- Assim é mole. Alpinista social. Ela deve ter conquistado com a boca...

Não aguentei mais e sai do banheiro, com lágrimas querendo sair, mas não ali na frente de todo mundo. De todos os funcionários apressados, querendo voltar para salas ou cubículos. Ângela ainda me esperava, perguntou se eu estava bem, mas apenas fiquei em silencio, assentindo pacificamente.

Emmett estava no hall da presidência quando cheguei. Ele conversava com Aro e ambos abriram lindos sorrisos que não correspondi perfeitamente. Pareceu uma careta. Emmett iria vir atrás de mim, por isso entrei na sala quase correndo e tranquei a porta. Dor de cabeça, claro. Tomei duas aspirinas e evitei pensar no que ouvi.

Os papeis a minha frente não faziam sentido.

Nenhuma ligação foi passada. Só interna. Três vezes Emmett, cinco Rosalie e quinze de Edward. Eu não atendi nenhuma e estava literalmente trancada na sala. Deixei de lado tudo sentindo a cabeça pesar. Talvez duas aspirinas tivessem sido demais. Deitei no sofá e fechei os olhos. Alpinista social... Boa de cama... Olhos doces que não enganam ninguém... O que eu fiz para merecer tudo isso?

Finalmente as lágrimas caíram, tirei os sapatos de qualquer jeito e puxei uma almofada para meu rosto. O telefone tocou mais uma vez e até que a porta interna abriu de uma maneira meio brusca, mas não me movi. Eu sentia o cheiro do seu terno bem lavado, o perfume masculino e a loção pós-barba do meu marido se aproximar de mim.

- Resolveu ignorar o mundo hoje? Ângela disse que você provavelmente não estava se sentindo bem... – sussurrou ajoelhando do meu lado – Baby, tire a almofada, o que você tem? – Edward puxou do meu rosto e provavelmente o viu molhado – O que há?

Pensei em contar o que ouvi, mas ele ia demitir as duas, mesmo que eu estivesse com vontade de fazer isso. Só que não seria justo. Iria me comparar a elas e simplesmente dar razão ao comentário. Eu não era nenhuma alpinista social ou usei minha boca para Edward casar comigo. Eu queria descer e gritar com elas. Ou mandar Rosalie descer várias planilhas de planejamento só para a super pos-doutorado-do-mestrado-de-merda resolver e parar de falar de mim no banheiro.

Demitir era errado. Dar trabalho... Minha função. Um sorriso diabólico nasceu na minha mente. Aquele era destinado a pessoas que tocavam meu coração de forma profunda. Só para especiais.

- Só dor de cabeça. Acho que foi porque não comi direito. – dei os ombros. A expressão de Edward ficou confusa. Ele sabia que estava mentindo.

- Então, quer me acompanhar em um almoço?

- Claro. Só deixe-me fazer uma coisinha antes. – sorri cinicamente. Edward ficou mais confuso ainda e não falou nada.

Mandei Ângela despejar no andar delas todas as planilhas que não fiquei satisfeita e mais um monte de coisas desnecessárias. Ela vai colocar os cursos delas em prática com tudo aquilo. O problema era reconhecimento? Ótimo, estou reconhecendo. Edward estava sentado na minha cadeira, ouvindo atentamente o que falava, mas nem sendo o presidente ia me impedir.

Nós raramente saíamos para comer e Rosalie e Emmett se juntaram a nós em uma pequena cantina italiana ali perto. A comida não era das melhores, mas matou quem me matava. Minha dor de cabeça tinha sumido e o sorriso idiota não deixava meu rosto. Dessa vez não era por estar andando na rua com meu marido lindo ou rindo como uma hiena com as palhaçadas sem limites de Rosalie e Emmett. Eles não paravam em momento algum e o filho deles seria um comediante.

Assim que chegamos à empresa novamente, Edward estava vermelho como Emmett, quando eu e Rosalie apertamos a bunda deles. Isso foi uma pequena vingança pelas risadas ruidosas em um lugar tão pequeno quanto o que almoçamos. Eles acabaram rindo, mas estavam com vergonha.

Assim que chegamos ao saguão encontrei as duas filhas de uma lambisgoia saindo para o almoço.

- Oh, queridas! Espero que não tenham se incomodado com as coisinhas que enviei esta manhã. Depois dessa reunião cansativa, imaginei que vocês não tinham nada a fazer. Bom, qualquer coisa é só usar a boca e ir falar com seu gerente de setor, ok? – sorri docemente e as duas congelaram no lugar, assentindo minimamente. Eu ainda nem comecei a brincar, estupidas.

Um ano com Edward estava me fazendo ficar tão arrogante quanto. Foda-se. Eu aprendi a cuidar de mim mesma.

- O que foi exatamente isso? – Rosalie perguntou confusa como os dois.

- Ensinando que eu sei usar a boca muito bem quando eu quero. – respondi e eles ficaram em silencio

Eu sentia o olhar de Edward me penetrando na nuca, mas não tive coragem de olhá-lo.

Seguimos em silencio para minha sala, onde abusadamente sentou a mesa e me puxou para ficar a sua frente.

- O que aconteceu... De verdade.

- Nada demais, amor. Eu juro.

- Bella...

- Ok. – bufei irritada – Elas falaram umas coisas inconvenientes e eu as coloquei em seus devidos lugares.

- Bella, o que exatamente elas fizeram?

- Não vou te contar – bati o pé enfezada. – Vou resolver isso sozinha, Edward. E você não vai querer se meter nisso. – falei bem séria olhando em seus olhos.

- Ok. Você resolve... Certo. – disse hesitante. – Ok. Você decide.

- Agora, vai para sua sala trabalhar que eu tenho algumas coisinhas para fazer. – ralhei puxando-o pela gravata e automaticamente ele me puxou forte, me dando aquele beijo desfalecedor de calcinhas, imprensando bem seu corpo ao meu, mostrando o quão animado e forte ele era.

Fiquei meio mole e gemi contra seus lábios. Foi nesse momento que ele se afastou, dando um tapa forte na minha bunda.

- Dois podem jogar o mesmo jogo. – dizendo isto, saiu da sala pela porta adjacente.

Filho de uma mãe adorável. Eu amava tanto minha sogra que não tinha coragem de xingá-la com facilidade. Ainda meio mole, liguei para o departamento das duas, já enchendo o saco do gerente de setor, querendo respostas. Fiquei assustada com a risada maléfica que saiu dos meus lábios, mas quem mandou dizer que paguei serviços sexuais para estar onde estou?

Comportando como duas velhas azedas que nunca iriam chegar a um bom lugar. Satisfeita por atazaná-las demais, voltei ao meu trabalho, cheio de papeis com propostas, cálculos e despesas. Alice gastava demais, pelo amor de Deus. Edward não fazia nada. “Tudo que minha princesa quiser”. E detalhe, como será se tivermos uma menina?

Ramal interno tocou.

- Amor nós podemos sair para jantar hoje com Alice e Ian?

- Sério Edward? Não passou os ciúmes?

- Ciúmes? Eu? Só quero conhecer mais o rapaz... – falou meio baixo.

- Fala sério, seu bobão. Por mim, tudo bem. Seja dócil com o menino, ele é bom.

- Só quero certificar que minha princesa está em boa companhia.

- Baby, é um namoro e não casamento. – cortei-o

- Só quero saber se minha princesa está em boa companhia. – insistiu irritadiço.

- Ok. Escolha um bom restaurante.

- Será que ele...

- Tchau.

Deus me ajude. Minha filha nunca vai casar com um pai desses.

.~.

O ano novo passou rápido. Além de trabalhar a semana inteira, me preparei psicologicamente para o baile, lotado, cheio de foto, jornalistas e muitas outras pessoas. Victória estava presente e nós conversamos mais do que fizemos ultimamente. Edward implicou com meu vestido desde momento que me viu experimentando. Ele só parou quando disse que estava sem calcinha e tinha mudado de ideia quanto a uma brincadeirinha em uma das salas vip’s. Eu não tinha planejado nada, só era justo que ele parasse de reclamar no meu ouvido.

É curto, é justo, todos os homens vão te olhar, olha o decote, olha a perna. Ah, irritante.

Ele não me soltou. Nem quando quis ir ao banheiro. Aproveitamos à pista de dança, jantamos com amigos e família. Foi nada comparado ao ano passado. Foi muito mais divertido, eletrizante e apaixonante. A virada foi cheia de fogos que me fizeram chorar, mais um ano. O me segundo ano novo com meu Edward. Será que essa sensação iria existir quando fosse o vigésimo?

Alice e Ian eram o casal fofo da noite. Ele puxou a cadeira para sentar, serviu sua bebida, dançou com ela, Esme, comigo e Rosalie. Edward estava a ponto de jogá-lo do salão de dança, morrendo de ciúmes e dizendo que ele era forçado, enjoado e cheio de manias estranhas. Disse que ele se vestia moderninho demais. Ele só tinha 20 anos e Edward é quem tem alma velha.

Fiquei rindo, porque obviamente, isso era um ciúme beirando ao doentio.

- Bella! Você poderia nos contar como é estar casada com Edward Cullen? – perguntou-me a jornalista dos famosos, Irina.

O que ela quis dizer com isso? Fofoqueira.

- É maravilhoso. Não existe homem melhor do que Edward. – sorri o mais docemente possível e segui Demetri, enquanto Edward me ajudava com o casaco.

- Eu sou maravilhoso, é?

Como estávamos em uma limusine sozinhos, fechados e com aquela tela levantada, nos separando de Demetri e o motorista, Edward veio com aquelas pontas de dedos gelados, tirando meu casaco do meu colo, provocando arrepios na minha perna. Estava frio demais esse ano, não nevou, mas eu odiava o frio. Talvez porque os invernos sempre foram muito ridículos pra mim.

Eu nem sequer reparei que estava frio. Edward fazia questão de sempre deixar o ambiente quente. Talvez ele não quisesse que eu lembrasse nada relacionado ao passado, não sei dizer, sei que era lindo demais sua proteção para comigo.

Olhei para meu marido tentando me seduzir e ri bobamente pensando que ele precisava sorrir que tinha vontade de arrancar a calcinha pela cabeça.

- Bella?

- Quê?

- Onde você estava?

- Rindo de você me seduzindo. – respondi beijando-o – Como se você precisasse fazer muita coisa.

.~.

O casamento de Rosalie e Emmett foi perfeito. Digno de contos de fadas da Disney. Tudo ocorreu bem, no seu devido lugar e na hora certa. A festa foi menor que a minha, mas não foi intima. Acho que nós não conseguiríamos ter algo do tipo, nunca. Eles iam passar a lua-de-mel na Grécia e dessa vez quem pegou o buque foi Alice. Emmett ia jogar a liga e Edward puxou antes que caísse em Ian. Foi um estouro de gargalhadas, mas ele não se importou.

Eu sai do casamento meio bagunçada de tanto chorar. Só teve musicas românticas, baladinhas e beijinhos de namoradinhos. Edward estava extremamente feliz pelo irmão e isso me encheu de alegria. Eles definitivamente voltaram a ser Batman e Super-Homem.

Com Emmett e Rosalie fora, Carlisle quis comemorar seu aniversario esse ano de qualquer jeito. Ano passado ele não quis. Fazer 53 anos estava mexendo com ele. Esme insistia dizer que era menopausa masculina. Ele também andava rabugento com Alice e Ian, em um ciúme do namoro recente ser tão forte. Mais forte que Jasper. A diferença que ela estava madura, independente. Se Ian não fosse e ela quisesse ir, ela ia. E ele também não se importava.

Carlisle não estava pronto para ver sua garotinha grande. Ela não era mais aquela menininha frágil. Continua mimada, dramática e um verdadeiro furacão. Só que, havia algo diferente no seu olhar. Algo que só conseguíamos encontrar quando saíamos da fase adolescente para mulher. Sorte dela fazer isso aos 19 anos de idade e não como eu, aos 23.

Foi decidido um jantar. Com amigos próximos. Cinquenta pessoas influentes e ricas estavam espalhadas pela casa dos meus sogros, em uma noite fria. Tendas foram colocadas com sistema de aquecedores. Um enorme buffet, banda, garçons e todas aquelas parafernálias chatas de festa.

Edward estava um saco. Para não falar outra palavrinha feia. Antes de sairmos de casa, estávamos muito bem nos agarrando feito adolescentes hormonais quando Alice ligou gritando que estávamos atrasados. Ele, dizendo que eu estava sexy como um inferno dentro do meu vestido tubinho justo e vermelho, ficou com uma ereção obvia até chegarmos à festa, onde eu pedi que ele pensasse na avó dele nua. Frustração sexual não era algo saudável na vida dele.

Emburrado e com poucas palavras, ficou a festa sentado, bebendo um pouco mais do que o normal.

- Baby, diminuía o ritmo, por favor. – pedi antes que começasse a falar arrastado. – Por que você está tão mal humorado?

- Sinceramente? – perguntou emburrado e assenti querendo saber a verdade – Eu estou com uma puta tesão do caralho fora do normal hoje. Todos meus pensamentos são aqueles que terminam com você gritando meu nome. – respondeu deitando a cabeça no meu ombro. Eu já sabia o que era, mas ouvi-lo falar era muito melhor.

Eu estava oficialmente me tornando uma má pessoa.

- O que ele tem? – Victória perguntou aceitando uma taça de champanhe.

- Mal humor. – dei os ombros me contendo para não rir.

- Olha ali. Eu quero tanto a conta daquele cara. – murmurou e saindo sorrindo docemente a um senhor grisalho, com cara que tinha mais dinheiro que soubesse calcular.

- Então... O que você faria comigo? – perguntei sedutoramente no seu ouvido. Edward gemeu e beijou meu ombro, tomando uma respiração profunda.

- Vem, Isabella. Eu vou te mostrar o que eu faria com você. – disse com aquele tom de voz cortante que eu tanto amava quando me dominava.

Eu sorri satisfeita e o segui até nosso destino misterioso. Seja lá onde fosse, eu sabia que meu sorriso não ia desgrudar da orelha até o fim da noite.

.~.

Quase chorei quando as aulas da faculdade voltaram. Os dias ficavam sempre curtos, corridos e cansativos. Principalmente que tênis não fazia mais parte do meu armário. Eu tinha saltos, calças, terninhos, conjuntos, vestidos, bolsas completamente diferentes do que sempre estive acostumada. Uma correria sem fim e estava pegando o jeito na empresa.

Até gritar com Edward porque ele fez algo errado, eu gritei. O engraçado depois foi que pensei que ele ia ficar chateado, mas ao ser puxada para sua sala e a porta trancada no segundo seguinte, percebi o efeito foi bem diferente.

Por mais cansada que pudesse ficar no fim do dia, um sentimento de realização me dominava sempre que na cama, compartilhava com Edward os assuntos recorrentes. Era como se estivéssemos na mesma página, pela primeira vez, no mesmo mundo. Uma fusão da Bella que um dia fui, com a Bella que hoje sou. Não mais uma menina frágil, medrosa e teimosa. Ok, teimosa sim, só que mais determinada. Segura. Coisas que antes, só Edward enxergava em mim e agora, meu reflexo no espelho era totalmente adorável.

O namoro de Alice e Ian estava estampado em todos os jornais, mas ninguém se pronunciou em relação a isso e eu quase quis ver a cara de Jasper. Dizem que ele havia terminado com a Maria, nós não procuramos confirmar porque não interessava mais. Na faculdade, depois do meu estresse com o professor, eu fiz mais amigos. Tinha Tyler, Heidi, Camila, e o próprio Jonathan, o menino da xerox, como ele mesmo se apresentava. Nós sentávamos juntos e fazíamos trabalhos. Nenhum envolvimento em vidas pessoais. Apenas uma relação amigável na faculdade e ponto final. Eu tinha certo receio de me envolver com alguém. Relações de confiança não podem ser baseadas com julgamentos precipitados.

Estava bom assim.

- Senhora Cullen, você me acompanharia em um almoço especial de emergência na residência oficial dos Cullen? – Edward invadiu minha sala, com aquele sorriso torto adorável.

- Não. Prefiro ficar aqui e almoçar um biscoito qualquer. – revirei os olhos pegando minha bolsa.

- Espertinha.

- Qual ocasião? – perguntei confusa. – Nós estávamos juntos ontem.

- Emmett e Rosalie acabaram de chegar e tem algo a informar. – deu os ombros e seguimos adiante conversando sobre banalidades.

Assim que pisei na sala de estar, a minha ficha caiu. Rosalie passando mal no natal, enjoada na volta da minha lua-de-mel. Rosalie engordando e não cabendo direito no vestido. As escolhas dos canapés... Ela só podia estar grávida! Meu sorriso abriu tão estupidamente que voei no seu pescoço e ela começou a chorar. Hormônios estúpidos, sejam bem vindos.

- O que está acontecendo, gente? – Alice perguntou confusa.

- Quanto suspense... Por que elas estão chorando? – Carlisle coçou a cabeça, tal como Edward fazia. Emmett ria feito um idiota enquanto continuava abraçando minha amiga.

- Então...

- Ai! Eu serei vovó? – Esme gritou com sua ficha caindo. Emmett assentiu positivamente, ainda olhando bobamente para Rosalie que agora, tinha mais braços ao seu redor.

Foi uma verdadeira festa! Durante a viagem ela enjoou muito e teve desejos. Eles resolveram fazer um exame e deu positivo. Ela estava com quase três meses ou três meses, precisavam detalhar ainda, porque tudo em grego ficou complicado entender. Foi um almoço emocionante, cheio de planos, suspiros e gargalhadas. Nós ligamos para Peter e Charlotte. O primeiro herdeiro Cullen estava a caminho.

Carlisle mal conseguia tirar a mão da barriga de Rosalie. Não tinha nada ali ainda, mas ele estava lá. Conversando com seu neto ou neta. Cada hora chamava de uma coisa. Esme já pensava na decoração do quarto do bebê e Alice não parava de falar! Como sempre.

Minha alegria murchou quando olhei para Edward. Seu sorriso era sincero. Ele realmente estava feliz pelo irmão... Só que o brilho vacilante no seu olhar me mostrou outra coisa. Foi então que eu percebi que profissionalmente nós estávamos na mesma página, mas existia ainda, uma pequena parte, como casal que nós não estávamos. Eu sentia, que de algum modo, ele queria ser o pai do momento. Isso me doeu. Doía não saber corresponder isso.

Também sabia que ele não iria me dizer isso. Edward era tão cavalheiro que ia guardar sua angustia com medo que interpretasse mal seu desejo. Novamente, estava presa em uma sinuca de bico no qual queria desesperadamente realizar o desejo de Edward só porque ele queria e não porque estava pronta para ser mãe.

O que iria fazer?

- Está tudo bem, Bella? – Esme perguntou docemente.

- Sim. Fiquei perdida nos planos... – sorri voltando a comer. Eu sabia que Edward estava me olhando e quando senti sua mão tocar a minha, meu celular tocou – Preciso atender.

Era Ângela. Seja lá o que fosse, estava feliz em ter uma desculpa para sair da mesa.

- Oi, Âng.

- Oi, Senhora Cullen. Desculpe incomodar seu almoço, mas a esposa do Sr. Volturi passou mal e ele pediu para cancelar sua reunião. Então, você está livre esta tarde.

- Certo. Obrigada. – murmurei desanimada. Trabalhar seria uma boa opção para esquecer esse assunto. – Talvez eu vá a faculdade... – suspirei cansada. Não era bem isso que queria fazer.

- Está tudo bem?

- Âng, você tem quantos anos de casada? – perguntei baixo. – Desculpe, responda se quiser.

- Dois anos e meio, por quê? – respondeu docemente.

- E você e Ben pensam em ter filhos? – sussurrei

- Sim, pensamos sim... Inclusive, nos próximos meses entraremos para o time dos tentadores. – sorriu docemente e pude saber que seus olhos estavam brilhando.

- E como você soube que era o tempo certo?

- Bom, eu e Bem trabalhamos para a mesma empresa tem mais de dois anos, temos metade da hipoteca da casa salva e dois quartos sobrando em casa. Estamos naquela fase que simplesmente precisamos não dormir no meio da noite porque temos um bebê. – respondeu – Eu apenas acordei um dia, olhei para ele dormindo e pensei no quanto queria uma miniatura dele.

- Certo... – falei lentamente.

- Tudo tem seu tempo, Senhora Cullen. Vai chegar o momento que você irá olhar para o Senhor Cullen e simplesmente sentir a barriga meio vazia.

- Eu espero, Âng. Obrigada.

- Sempre que precisar. Até amanhã!

Sai do escritório de fininho e olhei para Edward que estava no bar da sala, servindo uma dose de whisky para seu pai e irmão. Era óbvio que eu queria uma miniatura dele, mas faltava ainda muita coisa que queria antes disso.

O que, por exemplo? Perguntei-me e não tive a resposta.

Fui em direção ao meu quarto sem me importar em descer novamente. Tirei os sapatos, meia calça e deitei na cama, aproveitando que tinha tarde livre, ia dormir antes que minha mente pegasse fogo por muito uso.

Depois de muito pensar conclui que tinha medo de ser mãe. O que eu tinha de bom para ensinar um bebê? Se alguma coisa acontecesse comigo e ele ficasse sozinho? Se eu não soubesse ter paciência para ensinar, cuidar, dar banho, trocar fraldas...

E se eu falhasse como mãe? Pior! Se não conseguisse simplesmente engravidar?

O que me impedia agora de dar um filho a Edward?

A faculdade. Que terminava em onze meses e três dias e meio.

Ouvi a porta ser aberta em um clique suave. A cama afundou logo em seguida e Rosalie começou a cutucar meu nariz. Eu sorri porque ela era insistente.

- Você sabe que ele está feliz, não sabe? – Rosalie perguntou docemente – E que ele beija o chão que você pisa. Ele vai respeitar seu tempo...

- Só não vai deixar de desejar ter um bebê. – completei.

- Sim. Exatamente isso. Edward sabe dos seus pensamentos e nesse momento está afundando no álcool achando ter te magoado de alguma maneira.

- Eu sinto muito deixá-lo triste. Muito mesmo. Eu só quero entender por que não acho que serei boa mãe? Por que eu não quero um bebê?

- Oh, Bella bobinha. – apertou meu nariz, deitando bem a minha frente – Até descobrir que estava grávida, eu também não queria. Só que quando o rapaz disse que estava positivo, descobri que ele era tudo que mais queria na vida. Você não pode saber até sentir. É como uma lâmpada que ascende na cabeça.

- Eu não sei... Só a faculdade me impede de engravidar hoje... E quando não tiver mais a faculdade? O que vou sentir? Vamos entrar ao time dos tentadores, como Ângela e Ben?

- Cada caso é um caso. Você tem medo, não tem?

- Muito. Eu sou um desastre!

- Ethan não acha isso... Ele ama seus banhos, suas histórias, suas brincadeiras...

- Ethan não mora comigo. Não saiu de dentro de mim. – rebati secamente

- Justamente. Agora imagine um bebê que terá uma ligação natural com você? Eu também não sei ser mãe, Bella. Mas vou aprender.

- Você tem razão... – murmurei envergonhada – O que eu falo com Edward? Devo conversar com ele sobre isso?

- Não. Edward é um menino mimado. Grande, mas mimado. Ele está acostumado a ter tudo o que quer na hora que bem entende. E ultimamente você tem ditado as regras como esposa, dentro de casa com Carmelita e como esposa do presidente, dentro da empresa. Ele ama isso em você e por isso não vai falar nada, porque sabe que o dia que você quiser engravidar, nada no mundo vai te segurar.

- E se ele desistir e procurar outra?

- Cadê a Bella Cullen, determinada que colocou duas vadias em seu devido lugar semanas atrás? Cadê a Bella que está dando uma lição em Victoria Pedra de Gelo? – perguntou-me rindo – Edward nunca faria isso. Acredite em mim. O modo que ele olha pra você é muito forte. Ele quer ter filhos com você e não apenas ter filhos. Entende a diferença?

- Entendo... Rosie, obrigada por me ouvir. – sussurrei abraçando-a.

- Cunhadas são para isso, não? Se Alice não estivesse dormindo agora, estaria aqui mandando a La Perlla descer toda nova coleção pra você seduzir Edward.

- Essa menina me deixa de cabelos brancos. – resmunguei rindo.

- Agora, você quer ser a madrinha do meu bebê? – perguntou-me baixo.

- Eu pensei que já era! – respondi ofendida – Claro que sim, sua boboca. Bom que vou treinando...

- Sei que cuidar do meu bebê vai ser sua maneira de treinar... Coelhos.

.~.

- Você quer comer alguma coisa? – Edward perguntou depois que o filme acabou. Nós ficamos na casa de Esme e Carlisle até o fim da tarde. Surpreendentemente, estávamos bem um com o outro. Rosalie tinha razão. Edward era apenas um menino mimado quando outra criança ganhava o brinquedo que ele queria.

Deitamos para ver um filme, namoramos um pouco e eu meio que adormeci embolada com ele. Abri os olhos e os créditos estavam subindo. Meu estomago roncou alto e ele riu.

- Que tal uma pizza?

- Excelente ideia. – beijou-me antes de sair da cama.

Bella boba. Você quase entrou em uma crise paranoica por conta de uma besteira. Edward sabia do meu tempo e estava aproveitando nossos momentos. Idiota, deixei minhas inseguranças falarem mais alto quando tenho um marido tão adorável, que me ama e respeita acima de tudo.

- Quer qual sabor, preguiçosa? – perguntou voltando para o quarto com o telefone no ouvido.

- Uma pizza havaiana cairia bem.

Edward fez os pedidos de pizza e voltou a deitar comigo na cama, eu estava com sono e com preguiça de levantar. Trilhando com as pontas dos dedos nas minhas costas ficou mais impossível ainda querer sair da cama.

- Rosalie vai fazer a vida de Emmett um inferno. – Edward comentou – Ela já tem tendências dramáticas normalmente...

- Ele vai sobreviver, qualquer coisa tem nosso quarto de hospedes. – sorri contra seu peito.

- Emmett veio com uma proposta hoje... – comentou fazendo uma massagem na minha nuca – Existem duas casas a venda nas proximidades da casa dos meus pais... Ele esteve pensando se pudéssemos fazer uma visita.

- Você quer se mudar, Edward?

- Bom, você mesmo diz que o apartamento um dia vai ficar pequeno...

Eu sabia que uma hora isso iria vir. Calculista maldito que pensa que me engana.

- Se você for comigo, Edward. Veremos a casa... Só não entendo muito. – respondi sorrindo tranquila. – Além do mais... Eu acho uma boa ideia morar perto dos seus pais.

- Tudo bem. Nós vamos amanhã na hora do almoço. – beijou meu templo satisfeito consigo mesmo.

Uma coisa sobre o casamento é óbvia. A gente sempre tem que deixar que eles pensem que mandam. Edward estava achando... Só achando. Quem define, sou eu e ponto final.

What if i told you it was all meant to be?

Would you believe me? would you agree?

Its almost that feeling that we've met before

So tell me that you don't think I'm crazy

When I tell you love has come here and now

E se eu te dissesse que tudo estava predestinado?

Você acreditaria em mim? Você concordaria?

É quase como aquele sentimento que nós já nos conhecemos antes

Então me diga que você não acha que eu estou louco

Quando eu te digo que o amor é aqui e agora

~x~

N/A Fofuchas do meu coração saudável! Mais um capítulo, ein. Bom, eu fico muito feliz com cada review. Cada uma mesmo! Nathy, por causa de algumas de vocês, eu vou postar minha nova fanfic aqui sim. E em breve abro as páginas, ok? E quanto a algumas reviews relacionadas a amizade de Bella e Victória, espere e verá. Quem NUNCA ficou chateada com alguma atitude de sua amiga, atire a primeira pedra! Beijoquinhas e até sexta-feira!

N/B: Já disse que fico com pena do Edward com isso dele querer ter um filho logo? Mas é só esperar Edward só esperar... e bem eu vi algumas reviews e eu queria comentar uma coisa sobre a Victoria, a Bella NÃO está sendo injusta com ela, pois se fosse comigo e uma amiga minha faltasse ao meu casamento sem antes vir conversar comigo e falar seus motivos eu ia ficar magoada sim e com raiva também. A Victoria em nenhum momento antes do casamento chegou para a Bella e disse que não iria, apensa faltou. Não importa o que ela fez pela Bella no tempo do ronca, faltar ao casamento sem se explicar antes pra mim é falta de consideração. Enfim, é isso. Beijos. xx LeiliPattz