Notas iniciais
Olá de novo pra vocês que deixaram review e vocês que estão acompanhando em modo BBB.
Espero que esse capítulo incentivem vocês a comentarem ^-^'
Esse é o penúltimo capítulo, então aproveitem :D
Peguem seus lencinhos e boa leitura.

Mais uma vez o dia havia começado cinza, mas não como no dia anterior. Nada estava monótono, pelo contrario, tudo parecia vivo demais tanto nas pessoas lá fora quando em mim por dentro.

Aquele muro que eu havia construído em voltas dos meus sentimentos, muro o qual achei que fosse indestrutível, agora estava em pó aos meus pés. Porque agora? Por que aqui? Após a morte dos meus pais eu passei um longo tempo me reerguendo, mas ainda assim me relacionava com outros homens. Passei alguns anos em busca de alguém que me compreendesse, que me entendesse e me puxasse de volta do poço de tristeza em que eu estava afundada, mas só encontrei quem me decepcionasse e me afundasse ainda mais. Pessoas vazias, falsas e interesseiras que deixaram suas máscaras caírem antes de conseguirem colocar as mãos na empresa do meu pai. Empresa que eu defendia com unhas e dentes, sem nem mesmo saber porque. Sempre acreditei que meu pai fosse querer que eu seguisse seus passos, mas ele gostaria mesmo que isso me deixasse infeliz? O que minha mãe diria se visse no que me tornei? Não é difícil de deduzir que ambos ficariam tristes. Os dois me amavam e queriam o melhor para mim e foi preciso um estranho me dizer isso com todas as letras pra que eu parasse pra pensar na ideia.

Balanço a cabeça em desgosto de mim mesma. Eu poderia ao menos ter pensado sobre isso antes, mas me agarrei a primeira lembrança viva dos meus pais e me afundei cada vez mais no passado chegando ao ponto que eu nem ao menos sabia o que me mantinha nele. Eu era jovem demais, estava triste demais para continuar sonhando e me agarrei a primeira vida que julguei ser a certa para mim. Sempre amarei meus pais, sempre sentirei falta deles, mas se eu tivesse a oportunidade de escolher eu não escolheria isso de novo. Meu pai trabalhava naquela empresa porque gostava, não por obrigação. Ele não iria querer isso para mim.

Uma vida sem amigos, sem família, sem qualquer relacionamento que não fosse profissional, sem sentimentos... Sem vida. Eu precisei ter um ataque de insanidade, viajar para um lugar desconhecido e passar um dia ao lado de um estranho para perceber isso.

Olho para trás e o vejo. Está como estava ontem, se possível, ainda mais lindo. Volto meu olhar para as pessoas lá embaixo, mas dessa vez não penso sobre elas. Não quero saber sobre elas, seus problemas, suas vidas e como são desprezíveis. Olho, mas não as vejo.

Sinto pela primeira vez que estou onde deveria estar e com quem deveria estar. Estou envolta por um lençol, nas mãos um cigarro, na cama a única pessoa desde meus pais que se importou comigo e no peito a sensação de estar de volta a vida. Há dor, sim, muita. Deixar Edward para trás e seguir minha vida não vai ser fácil, mas sinto algo.

A fumaça de desfaz no vento frio que me faz estremecer, mas braços fortes envolver meus ombros, me puxam de encontro peito largo e estou aquecida de novo.

–Bom dia — Disse a voz rouca de Edward ao meu ouvido seguida de um beijo no ombro. Sua voz não tinha o ânimo e a alegria do dia anterior.

–Bom dia. — Respondi forçando-me a sorrir, me virei e lhe dei um breve beijo nos lábios. — Quer? — Ofereci meu cigarro. Ele olha nos meus olhos e nega. — Tentando parar? — Pergunto dando o último trago e jogando-o pela varanda. Edward suspira profundamente e seus olhos estão desfocados, perdidos na paisagem ao longe.

–Sabe, Bella, eu fumo desde os quinze anos. — Ele ri consigo mesmo — Acho que foi a primeira coisa que aprendi na pré-adolescência. Minha mãe, Esme, nunca gostou e sempre me pedia pra parar. Uma vez tivemos uma briga séria, nada que nos afastasse, mas ainda assim séria e ela perguntou: "Será que não vê que isso vai te matar?" e eu respondi "Pelo menos vou morrer fazendo as coisas que eu gosto." Sabe o que ela respondeu? — Era uma pergunta retórica, mas neguei com a cabeça mesmo sabendo que ele não podia ver. Debaixo eu olhava seu belo rosto que estava perdido em memórias distantes. — Ela respondeu: "Você pensa que gosta, meu filho, mas na verdade você depende. É um vício. Um dia você vai encontrar algo que você realmente goste e vai esquecer essa droga." — Ele fez uma pausa e voltou-se para meus olhos num olhar cheio de significados. Um sorriso triste brincava no canto de seus lábios — Quem diria que Dona Esme tinha razão, não é? — Senti meu peito se inflar de tal maneira que achei que fosse asfixiar.

–Não faz isso. — Minha voz um sussurro sofrido– Por favor.

–Fazer o que, Bella? — Sua testa estava franzia e os olhos cerrados. Ele sabia exatamente do que eu estava falando e parecia sentir dor. Encostou sua testa na minha, a boca perigosamente perto.

–Se despedir. — Eu começava a ser sufocada pelas lágrimas, mas não deixaria que caíssem agora. Me virei de modo que seus braços ficassem na minha cintura e eu de frente para ele. Segurei seu belo rosto entre as mãos e olhei em seus olhos verdes que agora sofriam — Não se despeça, não agora.

–Mas é isso que faremos no final das contas. — Disse ele com a voz amarga.

–Sabíamos disso desde o começo, não foi? Quando nos conhecemos sóbrios aqui, nessa varanda? — em obriguei a manter a voz firme e forte. — Não vamos passar o tempo que temos nos lamentando. Eu não me arrependo de ter te conhecido, foi a melhor coisa que já me aconteceu, Edward, mas eu vou ter que voltar.

–Você é tão mais forte que eu. — Ele disse com admiração. — Eu sei que você sente o mesmo, seja lá o que isso for.

–É, eu sinto, mas não posso deixar isso afetar minha vida. — A cada palavra que eu dizia me sentia queimar por provavelmente estar o magoando.

–Vida? — Ele ri com escárnio, seus braços caem em volta de si e meu corpo sofre com a perda de contato. Também solto seu rosto, mas ainda nos encaramos. — Como pode chamar aquilo de vida? Eu vi como você estava, Isabella. Naquele bar bebendo até não aguentar mais, ninguém que goste da vida bebe daquele jeito. — Agora não sou mais Bella, souIsabella. Ele está com raiva. E me deixa também.

–Não vou negar, Edward, eu não gosto. Mas tenho responsabilidades! O que você quer que eu faça?

–Fique comigo. — Ele diz como se fosse a coisa mais fácil do mundo e fico atônita olhando para ele.

–O que? — Tento dizer, mas não sei se minha voz sai. Ele não responde, me olha impassível e não posso deixar de rir, mas sem achar a mínima graça de nada.– Quer que eu simplesmente dispense meu motorista e mande um recado pra minha empresa dizendo que não vou voltar porque acho que me apaixonei por um cara que conheço há 24h? — Seu rosto se retorce quase imperceptivelmente.

–Não fala como se isso não fosse nada, Bella. — Diz passando as mãos pelos cabelos — Não precisamos de todo aquele dinheiro que você tem... Bom, talvez um pouco. Você viu como fica feliz aqui, como esse lugar muda você. Fique e veja como se inspira. Foi assim comigo. Nenhum lugar me inspirou mais em pintar do que esse e foi seguindo meu sonho que eu fiquei aqui, pode ser assim com você. Seu sonho não é escrever?

–Não há mais tempo para os meus sonhos, Edward! — Minha voz sobre alguns tons. — Nem todo mundo tem a sorte de conseguir o que quer, mas eu tenho que me contentar com o que consegui. As coisas não são fáceis pra mim desde o começo e não vão começar a ser agora, só vão piorar!

– Nada é fácil pra ninguém, Bella! — Sua voz se eleva e percebo que nossa conversa evoluiu para uma discussão.

– ENTÃO PORQUE PARA NÓS SERIA DIFERENTE? — Eu grito perdendo o controle sobre minha voz, sobre meu corpo e sobre minhas lágrimas. — EU TENHO UMA VIDA, EDWARD! QUERENDO OU NÃO! E INFELIZMENTE ELA NÃO É AQUI! — Meu corpo começa a tremer em efeito dos soluços agora descontrolados. Quando menos percebo, os braços de Edward estão a minha volta, me apertando contra seu peito e eu retribuo apertando-o desejando que não precisasse solta-lo.

– Shhh... Me desculpe, me desculpe. — Ele repetia distribuindo beijos pelo meu rosto segurando minha cabeça entre as mãos.

– Não posso ficar, Edward. — Choramingo contra ele. Meu peito dói tanto...

– Eu entendo, minha Bella. — Ele suspira profundamente e penso ter ouvido um soluço. Me corpo se arrepia ao ouvir "minha Bella" — Nos conhecemos por um dia, isso não devia ser tão difícil... — Seu comentário para si mesmo é tão verdadeiro e sai de forma tão melancólica em sua voz que é quase insuportável ouvir. Não respondo. Só me aperto contra ele e permanecemos ali. Abraçados, na varanda, envolto por lençóis e imersos nos próprios pensamentos e conclusões enquanto termino de chorar anos de sentimentos reprimidos.

Algum tempo, não sei quanto, já estou calma. O choro está controlado e o vento frio seca as lágrimas no meu rosto, mas não saímos dali.

– Depois de eu ter chorado tanto deve ter mudado de ideia sobre a minha força. — Tento melhorar o clima e funciona. Ele solta um risinho e meu coração de alivia com o som.

– Você é forte o suficiente pra fazer o que é certo. — Ele beija minha testa.

– Não sou forte o suficiente pra me fazer feliz.

– Você sabe o que faz, Bella. Não duvido disso. Você merece ser feliz e vai ser. Não depende só de você, não carregue o peso de tudo sozinha.

– Onde você estava quando eu tinha dezessete? — Pergunto voltando a olhar em seus olhos que agora tem um traço de humor.

– Bom... Provavelmente paquerando a Srtª Denali, minha professora de artes. — Mesmo com a tristeza ali presente, nós rimos como o Edward e a Bella de ontem. — Então, vamos tomar café? — Assenti ainda em seu peito — Onde quer ir? — Suspirei repassando em minha mente os lugares onde estivemos juntos. Só um me convenceu.

– Vamos ficar por aqui.

–x-

Edward e eu abusamos um pouco do serviço de Jacob e pedimos que nos trouxesse uma caixa de donnuts e cafés do Starbucks. Estava vestindo a camisa de Edward da noite anterior, o que foi ótimo já que ele precisou ficar sem camisa e eu poderia apreciar a vista. Sentamos um ao lado do outro na cama nos encostando na cabeceira e esticamos as pernas. Conversamos sobre filmes, músicas, livros, artes... Discutimos quando disse à ele que a melhor banda atualmente era Kings Of Leon e ele disse que nenhuma banda moderna poderia ser considerada boa pelo simples fato de não serem os Beatles. Estávamos rindo e nos divertindo como ontem, ou até mais.

– Você devia pagar um extra à seu motorista. — Comentou Edward comendo como se não o fizesse há anos.

– Jacob tem sido um bom colega. As vezes ele me dá conselhos sobre o trabalho, não sei como aprendeu todas aquelas coisas. Nunca conversamos muito. — Dei de ombros relembrando as vezes em que eu gritava no celular com alguma assistente, me descabelava analisando papéis dentro do carro e falava sozinha perguntando-me onde estavam os erros. Jacob perguntava gentilmente "Posso dar uma olhada, Srtª Swan?" e eu lhe dizia dado por dado das contas que não batiam enquanto ele dirigia sem desviar sua atenção da estrada. Então ele me dava um conselho de ouro e dizia "Mas é só um palpite, Srtª Swan" e no final das contas ele estava certo. Talvez eu devesse conversar mais com ele.

[ música: http://www.youtube.com/watch?v=pkVfANH5Zrc ]

Um silêncio agourento se instala no quarto, a tensão no ar é palpável.

– Que horas você precisa ir? — Ele não escondia sua tristeza, nem na voz nem no olhar. Seu belo rosto novamente estava triste e sem nenhum resquício de bom humor. Dou uma checada rápida no celular que marcam 11h45 da manhã. Solto um suspiro triste sentindo meu peito voltar a queimar.

– Tenho mais duas horas. — Nos olhamos por alguns segundos até Edward jogar a caixa de donnuts no chão, segurar meu rosto entre as mãos e me beijar. Nossos lábios estavam urgentes, nos segurávamos de forma tão firme como se quiséssemos nos fundir para nunca termos que nos separar. Era um beijo ardente, triste, desesperado. Delicadamente, Edward nos ajeitou na cama ficando sobre mim.

– Fique comigo, por favor. — Ele disse com a voz arrastada, sua boca nunca deixando a minha. Meus dedos estavam tão presos aos seus cabelos que os nós das minhas mãos doíam.

– Não posso, Edward. Entenda... — Seus lábios me silenciaram, voltando a me beijar.

– Eu sei... — Sua boca passou para meu pescoço, mordendo, lambendo, chupando e mandando ondas prazerosas por todo meu corpo. — Eu entendo, mas não consigo deixar de pedir, me desculpe...

– Shh. — Puxei seu rosto para o meu para que eu pudesse olhar em seus olhos. Estavam marejados, como os meus. — Não diz nada, não se desculpe. Faz amor comigo essa última vez, só isso. — Seu queixo trincou, seus lábios numa linha fina de tensão. Quando seus olhos se fecharam apertados, uma lágrima pendeu em seus longos cílios, soltando e escorregando por meu rosto unindo-se as minhas.

Ele fez como eu pedi. Edward me tocou da forma que nunca ninguém foi capaz de fazer, me deu sensações que nunca senti e desconfio que nunca sentirei novamente. Estávamos além do sexo, fazíamos amor como se nos conhecêssemos há anos. Estávamos, definitivamente, nos despedindo.

–x-

– Me diz mais uma vez quantas pessoas ficariam desempregadas caso você largasse tudo e ficasse comigo. — Estávamos abraçados no aeroporto enquanto a voz eletrônica ecoava por todo local dizendo que o vôo para Nova Iorque sairía em cinco minutos.

– Mais de duas mil pessoas. — Ele suspira em rendição depois de me pedir para dizer isso pela terceira vez.

– O que eu não faço pelo bem dos outros? — Comenta com um humor triste e ambos rimos. Estamos testa a testa, mas não conseguimos nos olhar. Apenas sentimos nossas respirações de olhos fechados. — Nunca vou esquecer você, Bella.

– Você foi a melhor coisa que já me aconteceu, Edward. Mesmo que só por um dia e meio. — Talvez exista um limite imaginário que determine o quanto uma pessoa pode usufruir da verdadeira felicidade. Consegui esgotar essa cota em um dia, mas não me arrependo.

– Não vai mesmo me dar seu telefone?

– Não seria justo com você, Edward. Não vou conseguir voltar aqui por anos, não vou fazer com que você se sinta preso à mim. — Ele respirou fundo e o ouvi reprimir um riso.

– Você é tão teimosa. — Sorrio também sem vontade e abro os olhos me deparando com os seus já abertos.

– Eu sou realista, Edward. Você sabe que não vai ser saudável para nós mantermos contato. — Dou um beijo casto em seus lábios, mas sua mão em minha nuca me prende e o beijo se torna mais profundo. Quando nos soltamos estamos ambos ofegantes.

– Eu vou esperar por você, Isabella. — Sua voz e olhar firmes não deixam brechas pra discussão.

– Edward...

– Não. Não há nada que você fale que vai tirar isso de mim. Eu não tenho dinheiro e nem posso largar minhas coisas aqui para ir com você. Aliás, é por isso que te entendo e não prendo sua perna com uma corrente na cama daquele hotel. — Estamos rindo de novo, mas já estou entregue às lágrimas. — Mas um dia vamos nos encontrar de novo e não importa quantas vezes eu tenha que dizer adeus à você, eu sempre vou me agarrar à esperança do dia que não vou precisar dizer.

Aperto meu rosto contra o peito de Edward, que me abraça com toda a força. Meus soluços estão incontroláveis e já não me reconheço mais. Cadê a Isabella forte, decidida, que controlava as próprias emoções? Bom... Essa Isabella vazia e gélida deu lugar a Bella viva, emotiva e apaixonada por um britânico encantador.

"Ultima chamada para o vôo de Nova Iorque" disse a voz mecânica. Passei as mãos pelo rosto secando desastradamente minhas lágrimas. Edward estava com os olhos marejados quando se inclinou e me beijou a testa.

– Adeus, Edward. — Minha voz quase sumindo.

– Até a próxima, minha garota americana. — E deixando Edward com seu sorriso lindo e suas lágrimas para trás, peguei minha mala e me encaminhei para outra vida, enquanto deixava minha vida fantasiosa aqui em Londres.

De repente, o momento está aqui

Eu abraço os meus medos

Tudo pelo que eu venho desenvolvendo todos esses anos

Eu arriscaria tudo?

Vir até aqui só pra cair?

[fim da música]

–x-

EDWARD

Já faz um ano desde que Bella se foi. Como o prometido, eu esperei e espero por ela embora o resto da minha vida continue. Toda manhã e tarde vou ao Hyde Park e desenho rostos enquanto penso no dela, às noites de segunda à sexta trabalho de garçom no Luna Nouva onde jantei com Bella. Agora, preso à parede ao lado da mesa em que jantamos aquela vez, está um dos quadros que pintei há meses atrás. É uma linda mulher com cabelos castanhos e um belo sorriso. Isabella.

Mantenho-me focado no trabalho, e nas noites livres saio com meu melhor amigo Emmett. Contei-lhe sobre Bella e ao contrário do que achei que fosse acontecer, ele compreendeu e me ajudou de forma madura. Me aconselhou a seguir em frente e esquecer "a garota americana", mas quando viu que não seria assim tão fácil, me ajudou a focar em outras coisas. Me recuperou o emprego naquele restaurante, convenceu o dono a comprar minha pintura de Bella por um ótimo preço e nas noites livres não me deixava em paz por mais que eu pedisse.

Estávamos sentados num pub qualquer que Emmett me obrigou a ir e eu já havia tomado uma ou cinco cervejas.

– Ah, não, Edward. Vai se embebedar de novo e dessa vez eu não vou carregar você. Me dá essa porra aqui! — E daquele jeito delicado de ser, arrancou a cerveja da minha mão quase levando um dos meus dedos.

– Emmett, eu paguei pela cerveja, eu vou beber. Agora devolve! — Disse calmamente como se falasse com uma criança teimosa, o que por trás de todo aquele tamanho, ele era.

– Cara, eu não aguento mais ver você assim. Já se olhou no espelho? Já vi filmes de terror com zumbis em melhor condições que você. Cadê o Edward que fazia as turistas caírem aos seus pés só pra não pegar nenhuma? — Passei a mão pelos cabelos já me irritando com o sorriso idiota dele.

– Afinal, que merda você tá falando? Eu nunca fui de chegar em ninguém. — Na verdade eu era patéticamente tímido. Só Deus sabe onde arrumei forças para falar com Bella aquele dia. Mas é só me lembrar do seu rosto e o modo engraçado como bebia e parecia deslocada naquele local que me lembro porque consegui. Ela era encantadora e eu estava encantado por ela. Simples.

– Isso não impedia a mulherada a ficar suspirando pelo menino inglês do olho verde. — Tive que rir quando ouvi sua gargalhada estrondosa. — Até quando vai ficar se lamentando por aquela garota, cara? Você tem uns três quadros dela, fotos guardadas na gaveta... O que vai fazer? Alugar outro quarto e montar a própria galeria de fotos dela pra quando quiser sofrer só ir pro quarto ao lado? Nunca te vi assim. Daqui a pouco eu vendo meu carro, compro uma passagem e arrasto essa garota de volta pelos cabelos até aqui! — Ele riu alto fazendo minha cabeça doer. Mas algo que ele havia falado chamou minha atenção. Fiquei algum tempo fitando o rosto do meu melhor amigo retardado que tinha um gênio interior que dava pequenos sinais de vida. — Edward... Por que tá me olhando com essa cara?

– Emmett... Estaria mesmo disposto a vender seu carro?

–x-

BELLA

Já faziam dois anos desde que voltei de Londres. Ao contrário do que eu havia planejado, minha vida não voltara a ser como antes. Nada era como antes. Por mais que eu ainda fizesse meu trabalho da mesma maneira, qualquer pequeno erro era motivo para que eu surtasse e até chorasse de raiva. Não estava mais sendo fácil ignorar sentimentos, tudo agora era vívido: a raiva, a alegria, a ansiedade... A saudade. Eu tentava ao máximo abster Edward dos meus pensamentos, mas deitada em meu quarto à noite ficava impossível. Quantas vezes me peguei cantarolando Beatles e sorrindo para o nada lembrando daquele sorriso torto... Tão lindo. Seu rosto ainda estava tão claro em minha mente que era só fechar os olhos e eu podia vê-lo com todos os detalhes. Mesmo depois de dois anos. O primeiro foi o mais difícil, passava noites em claro, chorando até a exaustão. Mas me obriguei a retomar minha compostura, pois já estava afetando no meu trabalho e eu não podia permitir isso. Eram quase dois maços de cigarro por dia e Jacob sempre pedia licença para me aconselhar a parar.

Hoje estava sendo um dia particularmente difícil. Tive uma séria discussão com um dos meus sócios, havia uma papelada imensa cheia de erros para eu analisar e hoje... Exatamente hoje completavam dois anos que eu havia deixado Edward. Estava sentada no banco de trás do meu carro e quase arrancava os cabelos.

– POR QUE É TÃO DIFÍCIL AS COISAS SAÍREM CERTAS PELO MENOS UMA VEZ? — Gritei jogando os papéis no chão do carro e enterrando o rosto nas mãos.

– Srtª Swan, posso ajudá-la em algo? — Perguntou Jacob de modo cauteloso. Respirei fundo algumas vezes antes de responder. Uma coisa que não faço, em hipótese alguma, era destratar Jacob.

– Claro, Jacob. São só... Algumas contas que não estão batendo. O de sempre.

– Se a Srtª quiser eu posso analisá-las depois de deixar a srtª em casa. — Meu peito se aliviou de imediato, quase chegando a doer. Eu precisava de uns minutos de descanso, mesmo que seja regado de lembranças. Eu estava me enterrando no trabalho ao máximo para poder reprimir qualquer sentimento indesejável, mas eu estava no meu limite.

– Oh Jacob, muito obrigada. Mesmo, não sei como te agradecer.

– Não precisa, Srtª Swan, eu gosto disso. — Franzo a testa para seu comentário.

– Não sabia que se interessava por contabilidade, Jacob. — Vejo um sorriso contido em seu rosto pelo retrovisor. Imediatamente o estresse é substituído pela curiosidade e interesse.

– Na verdade sou formado em Ciências Contábeis e Administração de Empresas. — Ele não contém o orgulho em sua voz.

– Meus Deus, Jacob. O que faz como meu motorista? Aliás, quantos anos você tem? — Ele parecia muito jovem para isso e muito inteligente para trabalhar no que faz. Ele sorri, mas parece tímido.

– Tenho 35, Srtª. Eu fui estagiário de seu pai, mas quando... o Sr. Swan faleceu, não havia mais o que fazer. Eu não sabia muito o que fazer e me ofereceram o emprego de motorista. Trabalhei para seu tio e agora trabalho para a Srtª. Não posso reclamar do salário. — Ele ri enquanto fico pasma ouvindo toda a história — Sem querer desrespeitar, a Srtª é muito melhor que ele. Tanto em ser minha chefe quando no que faz. Admiro muito a Srtª. — Sinto meu rosto corar.

– Obrigada, Jacob. Mas... Não posso deixar você continuar assim. A partir de amanhã, será meu braço direito dentro da empresa. — O carro freia bruscamente e quase caio do banco.

– A... O que... A Srtª está falando sério? — Ele se vira para me olhar com os olhos brilhando. Não posso deixar de sorrir com a cena.

– Jacob... Você já me ajudou tanto. Acho que é o mínimo que posso fazer, principalmente agora que soube que trabalhou para meu pai. — Ele me encara por um tempo e depois sorri um sorriso enorme e lindo.

– Srtª Swan... Não sei como agradecer. Quer dizer, muito obrigada...

– Ok, Jacob. Seu primeiro trabalho será me arrumar um novo motorista. — Ele assente de forma efusiva e volta a dirigir enquanto eu olho pela janela com uma sensação feliz no peito. Seria ótimo ajudar Jacob a fazer algo que ele goste, a seguir seu sonho... A linha de pensamento me entristece, mas por mim mesma. Era um tanto gratificante dar essa alegria a Jacob, já que não fui capaz de dar a mim mesma.

–x-

Faz um mês que Jacob trabalha como meu assistente e eu não poderia ter escolhido melhor. Ele era tão eficiente, tão inteligente que lembrava meu pai. Havíamos nos tornado melhores amigos, ou tão amigos quando meu muro recém construído o permite ser. Eu confessava a ele o quanto Edward me fazia falta e ele me dizia para me acalmar que tudo daria certo. Claro que nossa amizade não incluía sair para beber já que Jacob tinha uma esposa, Leah, e uma filha de cinco anos, Claire. Então eu saía sozinha mesmo, procurando por entre os rostos tipicamente americanos os traços britânicos de Edward. Nunca o achei e nunca estive com ninguém depois dele. "Eu vou te esperar" ele disse. Não sei se está mantendo sua promessa, mas minha mente inconscientemente está esperando por ele.

– Com licença, Isabella — Jacob bate a porta e entra com um sorriso estonteante. O convenci, com muito custo, a largar a mania de "Srtª Swan".

– O que houve, Jake? Aconteceu algo? — Me levanto já preocupada, para não dizer assustada.

– Chegou uma carta. — Pego o envelope comum de suas mãos e o observo. Não reconheço o endereço, mas quando leio o nome do remetente minhas pernas falham e eu desabo na cadeira, o sangue sumiu de meu rosto. É de Edward.

– Isabella, você está bem? — Faço que sim com a cabeça embora não tenha certeza. Meu coração parece que vai sair pela garganta. Abro o envelope com todo cuidado e de lá sai um papel cartão. É um convite branco com detalhes em dourado nas bordas em alto relevo e letras bem desenhadas ao centro.

"Edward Cullen te convida para a exposição:

American Girl Lost In London

Uma galeria com as fotografias, quadros, alma e coração de um jovem

artista britânico."

Notas finais
BOM... Espero que tenham gostado.
Comentem e até o próximo ♥