Bringing Hope (interativa)
11 Capítulo Onze
Notas iniciais
– Obrigada. – murmurou Marina.
– Não há o que agradecer – Lucas sorriu alegremente. –, não disse nada além da realidade!
Os olhos de ambos se encontraram por alguns segundos.
– Ei! – chamou Ernestina. – Querem bolo?
– Ah, claro! – o garoto sorriu agradecido. – Obrigado... Ernestina, não é?
– Não, a bruxa do setenta e um! – ironizou a zeladora, seguindo em direção à Carol.
– Ah – Guilherme aproximou-se de Marina e Lucas. –, nunca pensei que a dona Clotilde tivesse uma irmã gêmea. – sussurrou. –, mas, pensando bem, são iguaizinhas!
Os três não puderam conter o riso.
**
– Hora de acordar! – Ernestina batia a mão contra a porta para que o ruído acordasse os garotos.
– Não Ernê! É muito cedo! – resmungou Guilherme.
– Cedo nada! Já são dez horas! – retrucou a zeladora. – Vamos, levantem!
Os garotos levantaram-se contrariados. Sonolentos, arrumaram-se e desceram para tomar café da manhã. Ernestina dirigiu-se ao quarto das meninas.
Ao chegar ao local a zeladora, certificando-se de que todas estavam em um sono profundo, bateu a palma da mão contra a porta, causando um estrondo.
– Socorro, socorro! – gritou Larissa assustada.
– É melhor pedir socorro mesmo, ou a bruxa do setenta e um vai te transformar em leão. – murmurou Marina esfregando os olhos e esboçando um sorriso.
– Que engraçado. – ironizou Ernê. – E vocês, tentem pedir socorro quando eu as transformar em cachorros!
– Se me transformar em um Lulu da Pomerania para mim está bom! – Anie sorriu orgulhosa do próprio comentário.
A zeladora fuzilou a garota com o olhar e logo retirou-se.
– Melhor nos arrumarmos – comentou Emma levantando-se. –, os meninos já devem estar devorando todo o café da manhã!
– É mesmo! – concordou Clara.
– Se eu conheço bem o Guilherme, tudo acaba três segundos após ele começar a comer! – Gabriela riu.
Arrumaram-se e desceram as escadas para tomar café da manhã. Na cozinha encontraram um Guilherme risonho e Lucas, Cadu e Chico com expressões cômicas de perplexidade. Ao reparar nas expressões dos colegas, Guilherme arregalou os olhos.
– Galera, não é nada disso! Eu só disse que seria legal, mas nunca fiz isso!
Os três suspiraram aliviados. Cadu encostou sua xícara em seus lábios, tomando um gole de café.
– Mas não seria legal? – sorriu.
Os garotos arregalaram os olhos. Cadu engasgou-se com o café e começou a tossir.
– Não! – gritaram em uníssono.
– O que seria legal? – questionou Marina.
– N-nada! – gritou Gui notando a presença das garotas.
As garotas se entreolharam. Serviram-se e cada uma sentou no lugar de sua preferência.
– Ah... Sei! Esse “nada” deve ser interessante! – ironizou Emma.
– Pode acreditar Emmita, não é nem um pouco interessante! – afirmou Cadu enquanto mordia seu sanduíche de presunto e queijo.
– Não é nada tão absurdo assim, Cadu! – contestou Guilherme.
– Chega gente! Seja o que for não queremos saber. – Larissa encarou-os brava.
Assim que terminaram o café da manhã os garotos e Clara decidiram jogar alguns jogos de tabuleiro. Emma optou pela leitura, Marina e Gabriela optaram por navegar na internet e Lari e Anie por ficar no pátio e jogar conversa fora.
Junior e Carol chegaram ao orfanato por volta das onze da manhã. Almoçaram junto às crianças, Chico havia preparado mais uma de suas deliciosas receitas especiais.
Algumas horas após o almoço todos decidiram jogar futebol; Cadu, Lucas, Marina, Emma e Carol contra Clara, Guilherme, Anie, Larissa e Junior. Gabriela seria a juíza.
O time de Cadu e Lucas ganhou com uma clara vantagem; tinham feito três gols enquanto o outro time tinha feito apenas um.
Como o jogo havia terminado tarde, os adolescentes tomaram banho e arrumaram-se; Carol e Junior levariam todos do orfanato para tomar sorvete após o jantar.
Dito e feito, após o jantar – que estava maravilhoso – todos seguiram em direção à sorveteria mais próxima, que não ficava distante do orfanato.
Cada um escolheu um sabor diferente de sorvete. Sentaram-se ao redor das mesas que ficavam na calçada, já que a brisa noturna era aconchegante.
– Pessoal, semana que vem começam as aulas de vocês, temos que aproveitar essa semana ao máximo! – comentou Junior com um sorriso.
– Poxa, tinha me esquecido desse detalhe. – Larissa franziu a testa. – Por isso dizem que felicidade dura pouco!
Todos riram do comentário da garota.
– Veja pelo lado bom Lari, conheceremos meninos bonitos! – comentou Anie.
– O quê? – questionou Cadu com uma voz aguda e extremamente cômica, arrancando risadas de todos. – E nós não somos bonitos por acaso?
As garotas se entreolharam.
– Mais ou menos. – responderam juntas.
– Nossa – o garoto de cabelos pretos fingiu uma expressão triste. –, não é necessário magoar! – cobriu o rosto com as mãos. – Caduzinho vai chorar. – o garoto tentou parecer sério, mas não pôde conter o riso.
– É mentira. – Carol sorriu. – Vocês são lindos!
– E eu? – perguntou Junior aproximando-se de sua esposa e roubando-lhe um beijo. – Eu sou lindo?
– Claro amor! – deu-lhe docemente outro beijo. – Mais que lindo, é maravilhoso, perfeito!
– Eu já sabia – o herdeiro dos Almeida Campos sorriu. –, só queria te ouvir dizer!
– Bobão! – a moça deu um leve tapa no braço do marido e todos riram levemente.
Por volta das nove da noite, depois de muitos sorvetes, decidiram voltar para o orfanato. Quando estavam saindo da sorveteria, Emma esbarrou numa mulher alta, magra e dona de belos cabelos castanhos.
– Desculpe! – pediu a garota.
– Não foi nada... – desviou o olhar, a mulher parecia ter visto um fantasma. – Ca...Carlos?
O garoto, quem estava de costas para a mulher, virou-se bruscamente. Espantou-se ao ditá-la. Sabia muito bem quem ela era e o que poderia fazer. Queria mata-la por haver causado-lhe tanta dor.
– Nádia? – o horror tomou conta do garoto.
– Quem é ela Cadu? – Anie pousou a mão sobre o ombro do amigo.
O garoto desvencilhou-se do toque da amiga e deu alguns passos para frente, enfrentando a senhora – ou senhorita – que estava à sua frente.
– Onde está a minha irmã? – gritou sem se importar quantos olhares atrairia. – O que você com ela sua bruxa? – era possível ver a raiva nos olhos do garoto.
Fale com o autor