Bringing Hope (interativa)
12 Capítulo Doze
Notas iniciais
Nádia encava Cadu. A mulher tinha uma expressão inconfundível; sentia lástima pelo garoto.
– Onde está a minha irmã? – voltou a questionar, mas desta vez com firmeza. – Onde está a Sofia? – os gritos do garoto ecoavam por toda a sorveteria atraindo a atenção de todos.
– Não te interessa! – Nádia usava o mesmo tom que Cadu. – Você foi covarde o suficiente para fugir, não foi? Pois bem, esqueça-a da mesma forma que se esqueceu de quão bem estava conosco!
– Bem? –indignou-se.
– Acalme-se Cadu. – pediu Carol tocando-lhe o ombro.
– Não Carol, eu não posso me acalmar. – disse suavemente, voltando-se para Nádia. – Eu estava bem com vocês? Estava? – gritou mostrando o braço machucado, onde uma cicatriz enorme se formara. – Então por que você fez isso comigo? Por quê?
A mulher iria responder algo, mas Cadu fez sinal para que ela ficasse quieta.
– Não responda nada. – disse pausadamente. – E esteja ciente de que irei buscar minha irmã e ela viverá comigo no orfanato! Seremos felizes bem longe de você.
– Isso é uma ameaça? – desafiou.
– Não – sorriu perversamente. – É uma promessa.
O garoto decidiu que já era suficiente, não aguentaria aquela mulher por nem mais um segundo. Saiu da sorveteria pisando duro e esbarrando em um rapaz. Em nenhum momento olhou para trás, não queria que a Medusa o transformasse em pedra.
A maioria o seguiu, enfurecendo Nádia. Anie e Emma foram as únicas a ficarem. As garotas se entreolharam e, logo em seguida, digiram olhares reprovadores à Nádia.
– Vá se tratar senhora. No seu caso é necessária a ajuda de um psiquiatra! – zombou Emma deixando o local sem esperar por uma resposta.
Nádia e Anie se encararam por alguns instantes. A loira aproximou-se da madrasta de Cadu e fuzilou-a com os olhos.
– Maltrate-o mais uma vez e eu mesma farei seu cadáver aparecer nas margens do Tietê – ameaçou. – Ele é muito especial para que você lhe cause mal!
– Atrevida! – retrucou Nádia.
– Não mais que que você, dama, eu nunca machuquei uma criança – sorriu. Havia ironizado a palavra dama.
Finalmente a última moradora do orfanato retirou-se da sorveteria. Correu um pouco para alcançar o grupo que estava a alguns metros de distancia.
Ninguém disse uma só palavra até chegarem ao orfanato. Cadu caminhava o mais rápido que podia, parecia estar fugindo de algo. Mas, na verdade, estava tentando afastar os pensamentos ruins; o que Nádia teria feito com sua irmã?
– Me desculpem. – pediu Cadu repentinamente. – Eu fiz vocês todos passarem vergonha! – havia receio em sua voz.
– Não precisa se desculpar Cadu! Eu teria feito a mesma coisa – Junior brincou, tentando quebrar o clima desagradável.
– Todos teriam – riu Carol.
– É mesmo. – os adolescentes confirmaram.
– Valeu pessoal – o garoto sorriu fracamente.
– Você está sendo forte! Poucas pessoas conseguem sê-lo em situações como a sua. – Emma tentava dar ânimo ao amigo.
– Não estou não. – contestou.
Todos ficaram em silêncio. Caminharam mais um pouco até chegarem ao orfanato. Carol e Junior se despediram. Todos menos Cadu entraram, o garoto queria respirar um pouco de ar fresco. Emma decidiu acompanhá-lo, não queria que o amigo cometesse alguma loucura.
– Eu não vou me afogar no chafariz, se é o que está pensando. – riu fracamente.
– Não estava pensando nisso. – sorriu. – Era coisa mais improvável.
– Improvável como? – questionou.
– Improvável no estilo de impossível. – justificou.
– Entendi.
Aproximaram-se do chafariz. Cadu submergiu uma das mãos na água. Fitava o reflexo da lua.
– Você gosta dela? – Emma finalmente atreveu-se a fazer essa pergunta.
– Hã? Da lua? – estava tão perdido em seus pensamentos que não entendera o sentido da pergunta. – Claro! Quem não gosta?
– Não Cadu. Da Anie!
Encarou-a. Era como se lhe houvesse dado um mini-enfarto. Qual era o objetivo da pergunta e por que naquele momento?
– Deveríamos entrar! – disse indo em direção à porta.
– Me responda Cadu!
– Não gosto! Vamos entrar! – respondeu friamente.
Emma seguiu-o. Não estava nem um pouco convencida com o não que Cadu lhe dissera.
– Parece que você gosta dela sim.
– Só parece então! – retrucou subindo as escadas. – Boa noite Emma, durma bem!
E assim a conversa foi encerrada.
**
Lucas deu uma olhada rápida no relógio. Três e meia da madrugada. Suspirou, não conseguia dormir. Levantou-se da cama cautelosamente, não queria acordar os colegas. Atravessou o corredor receoso de acordar alguém. Sua garganta estava seca decidiu tomar um copo de água.
Acabou esbarrando em alguém após descer as escadas. Ambos caíram. A escuridão não o permitia ver quem havia derrubado.
– Droga! Desculpe-me! – disse tateando o chão. Seus dedos tocaram os da pessoa em quem havia esbarrado. Dedos finos. Era uma das garotas. – Te machuquei?
– Não. – respondeu docemente. – E você, se machucou?
– Marina? – espantou-se.
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