Bring me to life
12 Move on -->
Notas iniciais
Eu me sentira sozinha todos os dias, depois que eles partiram. E ninguém pode me ajudar. O que estava errado agora? Muitos, muitos problemas. Eu não sei onde pertenço. Eu quero ir pra casa, mas ninguém está em casa. Estou machucada por dentro. Sem nenhum lugar pra ir. Abri os olhos e olhei para fora, encontrando as razões pelas quais tenho sido rejeitada. E agora não consigo achar o que deixei para trás.
"Seja forte, seja forte agora."– pensei.
Meus sentimentos escondo. Meus sonhos não consigo encontrar. Estou perdendo a cabeça. Estou caindo para trás. Não consigo encontrar meu lugar. Estou perdendo a fé. Eu estou perdida por dentro.
Fazia apenas uma semana depois da tragédia. Eu não era mais aquela garotinha que radiava alegria e distribuia sorrisos por toda a vizinhança da pequena Mystic Falls. Ainda lembrava dos passeios às escondidas para as belas cachoeiras que existiam na floresta com a minha irmã do meio, Alison, ela era um pouco arrogante e até mimada, mas poderia dar a vida por mim. Eu Também lembro de meu pai chegando em casa, depois de um longo e cansativo dia de trabalho, não tinha muito tempo para a família, mas sempre dava um jeito. Lembrava de minha mãe invadindo o meu quarto pela manhã chamando-me para o café. Lembrava do meu irmão, Rick, que se formou em medicina e mudou-se para uma cidadezinha sulista. O mesmo morreu em uma acidente de carro, deixando pra trás uma esposa, Mary. Era uma pessoa boa, mas quando soube da morte de seu amado, entrou em uma grande depressão, até hoje não tive mais notícias dela. Não havia restado ninguém. As chamas levaram tudo e todos. As únicas coisas que sobraram eram a minha correntinha com um anel usado como pingente e... o meu diário, que não sei como, mas se salvou das chamas.
Estou na casa de Shane, era o amigo mais próximo da família. Ele ofereceu sua casa para mim até eu encontrar um tutor. Agradeci pela hospitalidade, ele e sua esposa eram em gentis e legais.Olhei para o criado-mudo ao lado da "minha" cama, observei com interesse o caderninho que tinha encima dele, para ser mais exato era meu diário. Fazia tempo que não escrevia ali. Pensei que o meu diário podia ser meu melhor amigo desde então. Eu precisava das minhas amigas naquele momento, mas queria um tempo sozinha, porém queria desabafar com alguém, ou até mesmo algo. Estendi meus braços ao alcance do caderno com capa preta que tinha bordado delicadamente em dourado as siglas de meu nome, levantei-me indo em direção ao sofá que tinha na janela do quarto acomodando-me ali, abri o diário e o folheei, li apenas as partes mais interessantes. Procurei por folhas limpas e por uma caneta, logo já estava escrevendo em meu antigo e esquecido melhor amigo.
"Querido diário"
Eu não poderia estar mais errada, eu achei que poderia sorrir e seguir em frente, fingir que está tudo bem. Eu tinha um plano, eu queria mudar quem eu era e levar a vida como uma pessoa nova, sem passado, sem a dor de alguém que viveu, mas não é tão fácil. Todos falam que, quando você cai, você precisa aprender a se levantar, mas nunca me disseram que depois de se levantar, você precisa andar como se não sentisse nenhuma dor. As coisas ruins ficam com você, elas seguem você. Não dá pra escapar, por mais que se queira. Só podemos mesmo nos preparar para o bem, e quando ele chegar podemos aceita-los, por que precisamos dele. Eu preciso. Eu sobrevivi ao dia. Devo ter dito “Eu estou bem, obrigada” pelo menos 40 vezes, e eu não quis dizer isso uma vez sequer. Mas eu notei, quando alguém diz “Como você está?”, eles realmente não querem uma resposta. Depois que eles partiram, me deixando, até pensei em suícidio. Mas o suicídio é a mais alta forma de egoísmo. É improvável que um covarde que tira a própria vida tenha coragem de ver a própria morte. Na hora lembrei das palavras de minha mãe, as que me fizeram desistir do ato egoísta.
''Nunca desista, nunca se renda. Não importa onde você parou, em que momento da vida você cansou, o que importa é que sempre é possível e necessário Recomeçar".
Nem percebi que peguei num sono profundo e sem sonhos, ou pesadelos. Era a primeira vez depois de tudo, que eu conseguira dormir em paz.
. . .
Abri os olhos, logo voltando a fechá-los quando a luz clara do sol feriu minhas pupilas. Ainda estava encolhida em um canto do sofá, abraçando minhas pernas unidas em posição fetal. Lembrava-me que na noite anterior havia apenas sentado um segundo para escrever em meu diário e parei para descansar, mas tudo parecia uma folha em branco desde de que tinha desistido de vencer a luta contra minhas pálpebras pesadas.
Eu estava com frio. Minha bunda estava gelada, e eu com preguiça de pegar o cobertor caído pelo chão. Juntei todas as forças que tinha para abrir meus olhos e levantar daquele sofá. Fiquei olhando pro nada de olhos entre abertos por alguns segundos até ter coragem de ir ao banheiro escovar os dentes.
Minha cara estava amassada, com uma aparência nenhum pouco bonita. Depois de escovar os dentes decidi tomar um banho. Naquela manhã, minha mãe não invadiu meu quarto, não vi meu pai sentado à mesa lendo as notícias do dia e não ouvi as reclamações da minha irmã. Eu sentia falta. De tudo. De todos. Fechei os olhos, pensando que quando os abrisse, tudo aquilo passaria. Que era só um terrível e cansativo pesadelo. Deixei a água tocar meu corpo e vagarosamente comecei a me esfregar, relaxei e deixei aqueles pensamentos todos de lado, dando o lugar ao prazer de ter a água quente escorrendo em mim. Gostaria de ter memória seletiva e esquecer todas as lembranças ruins. A única coisa que gostaria de me lembrar era dos feriados ensolarados em que me divertia com minha família, na verdade gostaria de lembrar como é ter uma família.
Não queria me lembrar de tanto, mas a noite do incêndio é inesquecível.
Flashback on:
Eu e minha irmã conversávamos alegremente sentadas no chão da sala, enquanto meu e pai e minha mãe assistiam ao noticiário na TV.
– Então, você sabe que o Shane tem uma esposa certo?- murmurei, nossos pais não podiam ouvir aquela conversa, Alison me falava sobre sua paixão platônica pelo Shane. Ela rolou os olhos como se o que eu dissesse fosse a coisa mais óbvia do mundo.
– Mas é claro maninha, mas você acha que ele vai preferir aquela mulher do que a mim?- Eu simplesmente não acreditei no que ela disse, era muito incrédulo da parte dela. Eu ia responder algo, mas fui interrompida pela repórter do jornal local da cidade, informando sobre a morte de alguém. O mais estranho de tudo é que o corpo foi encontrado sem um pingo de sangue, eu não acreditei muito que fosse um ataque de animal, mas deixei de lado. Meus pais se olharam por alguns instante, um clima frio estava. Eles discutiam muito baixo, era como se minha mãe falasse algo e meu pai negasse, até que eles perceberam que nós os olhávamos e minha mãe deu um pequeno sorriso vindo em nossa direção.
–Olhem queridas- minha mãe nos puxou do chão e começou a nos puxar para a cozinha. -, vocês vão lá pra cima, eu e seu pai vamos ter que sair, houve um imprevisto, não abram a porta pra ninguém e não convidem estranhos tudo bem?- eu tratei de buscar a mão da minha irmã. Nós olhamos a mamãe como se estivéssemos esperando algo, uma explicação, mas nada aconteceu. Ela simplesmente nos olhos e passou sua mão por nossos cabelos. Nos olhou por alguns instantes e eu e minha irmã colocamos uma mão em cada bochecha dela. Ela sorriu e nos abraçou.
– Deus... Como eu amo vocês...
O cheiro da mãe era bom. Muito bom. Ela tinha seus cabelos cumpridos e cacheados de uma cor amendoada que eram presos em rabo de cavalo alto. Seus olhos castanhos claros tinham a íris verde, deixando ela com uma beleza exótica. Ela tinha o sorriso mais lindo do mundo, todo mundo dizia isso. O pai era extremamente apaixonado por ela, e vivia dizendo isso, “o sorriso da sua mãe é o mais lindo!”. Eu, minha irmã e meu irmão- quando ainda era vivo- não discordávamos com ele.
Eu tinha puxado a minha mãe, tanto na aparência quanto no temperamento. Quando alguém me dizia que eu estava errada, teimava até o final que estava certa, mesmo não estando. Quando estava com uma ideia na cabeça, ninguém tirava.
Meu pai tinha costume de dizer que Deus se esqueceu que eu não era filha só da minha mãe, que ele esqueceu-se de carimbar os seus traços em mim. Meu pai era alto, forte, de ombros largos e tinha uma barba cerrada, tipo ator de Holly Woody. Eu sempre me orgulhava de dizer que ele era meu pai, não só pela aparência, mas também pelo o que ele tinha por dentro. Apesar do corpo e aparência forte, ele era a pessoa mais doce que eu conhecia. Parecia que ele não teria coragem de machucar nem uma formiga. Eu gostava de ficar deitado no peito dele fazendo carinho nos cabelos lisos e sedosos que ele tinha. Muitas vezes eu brincava e dizia que ele estava ficando velho, pois ficava arrancando seus cabelos . Ele não era velho, não muito, não pra mim.
Meu irmão Rick, tinha puxado ao meu pai. Cabelos negros e lisos, pele branca e olhos pretos como piche. Não gostava de admitir, talvez seja coisa de irmãos, mas ele era muito bonito também. Quando éramos mais novos e Rick ainda era vivo, ele adorava incomodar e chatear eu e minha irmã, mas eu amava Rick, mesmo ele sendo um pé no saco, afinal, somos irmãos e eu também revidava. Acho que esse é por isso que gostava tanto dele. Todas as implicâncias e brincadeiras não passavam de uma forma de dizer o quanto nos importávamos um com o outro.
Eu e minha irmã tínhamos uma relação bem diferente. Nós éramos como unha e carne. Às vezes nem precisávamos dizer com os lábios o que queríamos uma da outra, era como se nossas mentes estivessem ligadas e pudéssemos ler uma à outra. Quando éramos crianças e eu tinha pesadelos, era a ela que eu recorria, diferente das outras meninas que corriam pro pai ou pra mãe.
Depois de um abraço gostoso e quentinho, a mãe deixou a mim e a minha irmã sozinha para conversarmos.
– Que tal a gente fazer as unhas, hein?
– Você pega as coisas.- disse e sai correndo depois de protestar. Fui para o andar de cima da casa e procurei desesperadamente pelos esmaltes e as outras coisas que precisaríamos. Pensei que estivesse em meu quarto, mas não lembro de ter pego os esmaltes essa semana, então passei direto dele e entrei no quarto da mãe e do pai e adivinhe também não estava lá. Resolvi ir para o lugar mais óbvio da casa, o quarto de Alison. Olhei para todos os móveis do quarto, mas não estava.
– Alison!- Gritei.
– O que?- respondeu também gritando.
– Onde estão as coisas?
– Não sei, procura aí.- bufei irritada. "O que você acha que eu tô fazendo vaca?".
Resolvi procurar mais, até que achei. Imagina aonde? Embaixo da cama! Agora me diz, como aquela caixa de esmalte foi parar lá? Tinha que ser a Alison. Rolei os olhos com o pensamento. Fui em direção a porta que mágicamente se trancou. De repente o som baixo da televisão que podia ser ouvido de onde eu estava e os passos corridos da minha irmã. Olhei pelo buraco da fechadura e, tentando escutar algo, encostei o ouvido na porta, mas nada. Silêncio total. Acomodei-me para observar melhor. Não via nem escutava nada ainda. Empurrei a porta, mas ela não abria. Empurrei com mais força, mas nada.
– Alison, é você?- Passei a chutar a porta com força para ver se ela abria- Alison, isso não tem graça, eu não estou brincando com você. Me solta agora. Comecei a gritar desesperadamente por minha irmã. A raiva que estava sentindo foi tomada pela angustia e medo.
Minutos se passaram, até que a porta é aberta pelo chute do meu pai, eu o abraço e pelo ombro dele posso ver Alison triste, mas se não me engano posso ver raiva também. Meu pai me levou para o quarto, me beijou e saiu. Tomei um banho rápido, mas agustiante. Algo dentro de mim me dizia que iria acontecer uma tragédia. Deixei esse pensamento de lado, vesti meu pijama e fui descer as escada até que ouvir meu pai brigando com Alison.
"Você tem noção do que fez Alison? Você sabe com Amy é frágil, ela poderia ficar com trauma."– meu pai gritava a todo vapor, ele nunca falou assim com a Ally. Na verdade ele sempre foi mais carinhoso com ela do que comigo. Minha mãe tentava interferir na discussão, até que meu pai se acalmou e subiu. Me escondi, pra que ele não me visse, depois que ele passou fui descendo as escadas lentamente. Pude ver Alison chorando, meu pai foi muito duro com ela. Eu sei que aquela brincadeira foi de mal gosto, mas é o jeito da Alison, já tava até acostumada.
. . .
Acordei com um cheiro de fumaça invadindo meus pulmões, eu me via sufocada. A primeira coisa que eu pensei foi em meus pais e minha irmã. Me levantei em um pulo, ainda com um pouco de dificuldade. Não enxergava quase nada e a cada segundo me faltava ar. Abri a porta do meu quarto e comecei a chamar por meus pais, o problema é que não havia resposta. O desespero tomou conta do meu corpo, a cada passo que eu dava eu tinha medo de não os encontrar.
– Mãe...- Ninguém respondia- Pai, Alison.- Mais uma tentativa falha. E lágrimas inundavam o meu rosto. A única coisa que eu consiguia escutar era o som das sirenes do carro dos bombeiros. Mortos. Estavam todos mortos.
Flasback off
Sai do chuveiro quando estava prestes à criar rélgas, meus dedos já estavam enrugados. Me sequei e depois vesti roupas leves e confortáveis. Me deitei e fiquei ali. Eu sempre precisei ficar um pouco sozinha, nunca pensei que precisaria deles quando chorasse. E os dias parecem anos quando se está sem ninguém. Quando eles foram "embora" , os pedaços de meu coração sentiram a falta deles. Nunca me senti assim antes, tudo que fasso lembro deles. . Eu lembro quando éramos " juntos até o fim", agora estou sozinha.
Nunca passou pela minha cabeça que haveria uma época para dizer adeus. Que grande surpresa! Mas não estou perdida, pelo menos não ainda. Não esqueci dos sentimentos dos qual não pode se livrar, esses sentimento estão caíndo pela porta, posso senti-los caírem. Os sentimentos que não aguento mais, o vazio no fundo da gaveta, pra mim é difícil fingir que nada aconteceu, mas sei que tenho que seguir em frente
"Por onde começo?".–pensei.
Chorei um pouco, mesmo tentando afastar as tão odiadas lágrimas. Mas, simplesmente não aguentei o nó que estava formado em minha garganta. O quarto agora está obscuro depois de ter fechado as cortinas. É sábado, e não estou com vontade de comer e nem de descer. Só queria ficar ali deitada ouvindo o tic tac do relógio. Não queria parecer a Elena Gilbert, que ficou deprimida depois da morte dos pais, mas não pude resistir, afinal ainda é a primeira semana depois da tragédia, eu tinha que ficar de luto, certo? Até porque minha vida virou de cabeça para baixo em poucos dias.
Fale com o autor