Bring Me the Mermaids
31 New Beings
Notas iniciais
~Novos Seres
— Em primeiro lugar, como a fada foi parar dentro da Erza?
Uma simples pergunta desencadeou uma conversa sem fim. O deck inferior dialogava sobre as possibilidades. As perguntas variavam, e independente da dúvida, não tinham a resposta. Como a pequena fada foi parar dentro da vice capitã? Teria acontecido um ritual? Será que a Heartfilia havia usado seu poder lendário? Ou, na pior das hipóteses, a ser se prontificado para entrar na ruiva com objetivos maldosos?
Realmente não havia como saber. Eles não estavam na ilha e, desde quando Erza acordou, o assunto não foi comentado, apenas observaram os líderes levarem a vice capitã para seu quarto descansar. O dia tinha sido difícil. De tanta dúvida, os tripulantes acabaram por apostar o que teria ocorrido na ilha e como a fada teria entrado no corpo da ruiva. Pequenas apostas finalizaram com brigas por partes dos tripulantes.
Os que não sabiam brigar, se afastaram e passaram a realizar novas apostas, porém o objetivo desta era saber em quem ganharia na briga, torcendo animadamente em seu campeão. Embora tivesse um grande número de pessoas lutando, ainda era possível ver homens e mulheres trocando chutes e murros, sem demonstrar indícios de fadiga, capazes de ter energia até o dia seguinte. Em questão de segundos, o que parecia ser uma luta sem fim, passou a ser um espaço imobilizado. Os piratas tiveram seus movimentos interrompidos, seus braços e pernas foram parados no ar, incapazes de se locomover.
Bocas escancaradas e olhos desafiantes, passaram pelo difícil processo para fechá-los. Com alguns piratas fora da bagunça, e aparentemente se movendo, não era difícil saber o que eles poderiam fazer consigo.
Ficaram parados por um período de segundos, o que para eles, durou uma década. Quando pareceu que poderiam se mover, seus corpos caíram no chão. Em silêncio, se olharam perguntando-se o que teria acontecido. Não foi combinado, e havia apenas duas pessoas dentro do navio que são capazes de realizar esse feitio. Teria sido Juvia, com seu controle da água? Ou teria sido a Heartfilia, utilizando seus olhos dourados para pará-los?
Hesitantes, olharam para a escada esperando encontrar ambas, porém se surpreenderam com o vazio. As sereias quando utilizavam magia, principalmente com eles, estavam presentes nos mesmos ambientes. Se elas não estavam lá, quem teria feito isso? Talvez uma criatura nova e carregando um poder absurdo? Em um lampejo, a lembrança da pequena fada se fez presente, teria ela capacidade de pará-los? Ainda mais quando estava dentro de outra pessoa?
Eram muitas perguntas, e todas elas sem respostas. Não haviam quem consultar, além do mais, Laxus era bem capaz de matar qualquer um que adentrasse nos cômodos dos líderes sem permissão. Ninguém tinha coragem de enfrentar Laxus, ainda mais quando poderia acordar na madrugada bem mais estressado que normalmente.
Devagar, os piratas se levantaram do chão e se dirigiram para suas redes de dormir. Não havia mais motivos para brigar, portanto concordaram silenciosamente sobre dormir. Mesmo no silêncio, seus pensamentos estavam interligados com duas certezas.
Primeiro: certamente perguntariam as sereias sobre o ocorrido.
Segunda: algum novo ser se aproximava, e isso queria dizer que novos perigos estavam para acontecer.
[…]
O dia seguinte foi silencioso demais. Perturbadamente, silencioso. Sequer brigas costumeiras foram feitas. Se um pirata esbarrava no outro, esperava pela pancadaria, porém isso não ocorria. Mirajane, que ocupava o lugar de Erza naquele dia, achou estranho o comportamento. Curiosa, resolveu ler os pensamentos, acreditando que poderia entender o motivo.
Para sua tristeza, seus pensamentos não explicavam a causa pela conduta, não faziam sentido nenhum e tinham tantas perguntas que ela se viu nervosa. Resolveu deixar para lá e continuar observando. Ficou olhando os piratas até por decidir que deveria se preocupar com outra coisa, como em saber quando subiriam para a superfície novamente. Desde a chegada de Erza e Hearfilia, o navio não emergiu.
A sereia lendária tinha a vaga sensação de que não seria seguro estar ao ar livre, ainda mais quando uma legião de fadas estavam procurando por elas. Dormiram com a sensação de morte, podendo a qualquer momento, entrar em contato com o deus de que tanto ouvem.
Os passos calmos e receosos dos tripulantes, faziam com que a albina tivesse uma absurda vontade de jogar algo neles. Olhou em volta, não havia nada que pudesse jogar e isso a deixou mais nervosa. Sentou na proa, queria descansar por ter feito nada. Jogou sua cabeça para trás, observando em como a luz chegava até eles. Não sabia que embaixo do mar, a iluminação poderia ser tão estranha e tão hipnótica. Será que as Juvia e a Heartfilia percebiam isso enquanto sereias?
Os feixes de luz formados, eram fascinantes. De acordo com a movimentação do mar, os traços mudavam. Oras estavam a sua frente, oras estavam dançando junto com os tripulantes. Sem perceber, pensou em como seria maravilhoso continuar observando a luminosidade que era criada. Não se importaria com o mundo, apenas com a beleza que era mostrada a si.
Absorta da realidade, apercebeu-se da companhia que sentou ao seu lado. Quase chegou a dormir, porém o contato de seu amante a acordou. Virou para a direta espantada, sequer sentiu sua presença. Laxus, diferente do que imaginava, não a observava. O loiro olhava para o mesmo local que Mirajane, todavia, com sentimentos diferentes. Não parecia que queria conversar, mas também demonstrava que estar longe dela não era uma opção. Deixou-se levar pelo momento, encostou a cabeça no ombro dele, querendo curtir o valioso minuto que tinha com o Dreyar.
— O velho tem tido suas memórias de volta. – Ela o olhou surpresa pela fala. – Achei que deveria te contar.
— Ele continua a dizer coisas absurdas?
— Um pouco. – Passou seu braço pelos ombros de Mirajane, a trazendo próximo. – Deveria visitar ele.
— Não tenho esse direito, Laxus. Sabe muito bem disso. – Fechou os olhos.
— Ele não se lembra, e mesmo que lembrasse, já teria te perdoado. – Apoiou sua cabeça na dela. – Não precisa se torturar assim, Mira. Eu sei, mais do que qualquer um, que se arrepende daquele dia.
— Laxus…
— Só tenha a chance de conversar com ele, vai perceber que, ele continua a te ver como uma filha.
Mirajane assentiu levemente, considerando a possibilidade de ir conversar com aquele a quem mais viu como pai, porém que teve a ousadia de pecar contra. Com pensamentos ruins, aconchegou-se mais ainda nos braços fortes de seu amado, que aceitou de bom grado.
— Está tão carinhoso hoje. O que aconteceu?
— Nada, apenas fiquei encantado por você. – Beijou a cabeça dela. – Mais uma vez.
Laxus, naquele dia, sentia que estar dentro do quarto o deixaria estressado. Mais do que geralmente é. Depois de avaliar alguns papéis, resolveu dar por fim seu trabalho e saiu do quarto. Passou primeiro em seu avô, na qual não o tinha visitado devido os acontecimentos dos dias anteriores. Surpreendeu-se com as memórias novas que vinham aparecendo, finalmente o trabalho da sereia estava fazendo real efeito. Conversou por pouco tempo, desejava estar ao ar livre, embora não fosse ficar realmente. Desta vez, ansiava tanto por terra quanto os outros tripulantes.
Saiu do corredor dos líderes visualizando a pior cena que imaginou existir. Jamais pensaria que veria os marujos, incluindo o trio demoníaco, tão pensativos. Chegou a crer que a bolha de água romperia, tamanho milagre. Observou a situação por tempo o suficiente para acreditar que, até o dia seguinte, voltariam a ser os mesmos retardados de sempre. Deu de ombros e subiu para o deck superior.
Imaginou ver Mirajane junto ao leme, olhando tediosamente os piratas abaixo tão calmos quanto o mar atualmente. Riu baixo quando percebeu que a amante olhava para a bolha. A albina estava sentada na proa, com suas mãos no meio das pernas, que estavam livres e pouco abertas. Os cabelos brancos soltos, com exceção da franja, estavam tampando parte superior do corpo, deixando as madeixas embranquecendo ainda mais o corpo branco. O rosto parecia de uma criança quando ouvia histórias de fantasia, com os olhos abertos e serenos, e a boca avermelhada entreaberta, esperando por mais informação que lhe agradasse. Não parecia que pararia de observar o cenário a sua frente. A visão era encantadora.
Portanto, decidiu não estragar seu momento de passividade. Aproximou-se furtivamente, tomando cuidado para não fazer barulho, tanto físico quanto mental. Sentou ao seu lado com cautela, porém não o suficiente para fazer com que ela acordasse de seu transe. Em primeiro momento, sentiu-se terrível por quebrar a concentração de Mirajane, mas o carinho que houve em seguida, o tranquilizou.
[…]
Era tentador estar debaixo d'água e ser incapaz de voltar ao seu habitat. Juvia, por ser uma sereia e ser uma criatura da água, sentia falta do contato íntimo que tinha com o elemento. Meses antes, podia apenas pensar que era capaz de criar uma tempestade, o que de fato ainda poderia acontecer, mas constatava que a cada dia, tem se tornado frágil.
Preocupava-se com a facilidade que tinha para ficar fraca, ainda mais por não ter contato com água. Desde a aventura que Erza e a Heartfilia tiveram, foi necessário o uso de seu poder para permanecerem abaixo d'água. Não era cansativo, visto que era preciso apenas manter o navio envolto numa barreira protetora. Mas, não sentir a água em seus dedos, fazia Juvia se perguntar quando poderia voltar a ser sereia novamente.
Para o azar dos tripulantes, Juvia começara a ficar tão ameaçadora quanto o primeiro dia que apareceu. Qualquer movimento poderia ser preocupante. Até a respiração dos humanos passou a ser irritante. Não aguentava ficar próximo, portanto, passou a ficar na popa observando os demais. Os olhos azulados transpassava por cada um, como se esperasse que algo acontecesse.
Ao passar por Kana e Gajeel, ficou surpresa por vê-los tão quietos, não deveriam ser eles os primeiros a arrumarem uma confusão?
— Gray, sua respiração te expõe. – Disse fixando seu olhar nos dois amigos. Olhou de soslaio o moreno aproximar-se de si. – Por que não está com eles?
— Não estou muito afim. – Deu de ombros. – Além do mais, Mira tá numa paz com Laxus, e Erza tá descansando, posso ficar sem fazer nada.
— E eles não vão reclamar? – Apontou com a cabeça para os marujos a sua frente. Em resposta, Gray negou com a cabeça.
— Ninguém tá nem aí, estão se movendo para não lembrar de ontem. – Cruzou os braços. – Cada um tá pensando no que poderia ter acontecido.
— Brigaram novamente e perderam alguma aposta? – Olhou para ele sorridente. – Visitei vocês duas vezes para saber que fazem isso bastante. – Gray riu em resposta.
— Não dessa vez… Juvia, por acaso tem o poder de parar uma pessoa? – A azulada o olhou confusa. – É, você pode parar uma pessoa?
— Para mim, é impossível. No máximo, posso limitar os movimentos ou fazer com que movimentem da forma como quero. – Virou seu corpo em direção a ele. – O que aconteceu ontem?
Em poucas palavras, o Fullbuster explicou os acontecimentos. Disse o quão assustador foi ficar, em poucos segundos, parado como se o tempo estivesse congelado. A dificuldade de movimentar os olhos e sentir sua respiração parar ao ponto de sentir seu peito explodir. Por fim, finalizou dizendo as possíveis suposições dos marujos. Com muita angústia, disse que chegaram a pensar que talvez uma das sereias teriam sido as causadoras, mas não fazia sentido se elas não estavam nas escadas para o deck inferior.
Então chegaram a conclusão de que talvez, a fada faria isso, mas a risada de Juvia provou a Gray que isso era impossível. A última solução plausível era a existência de um novo ser, e isso fez a azulada ficar séria. Gray foi incapaz de continuar, os olhos azuis passaram a ficar claros e o mar a sua volta, começara a ficar agitado. Seus pensamentos diziam para fugir daquele espaço, mas a imagem dos olhos azulados claros em conjunto com o cabelo azulado, o fazia ficar encantado.
— Gray, corra o mais rápido que puder para onde Makarov está, e vá chamar minha irmã. Diga a ela que temos invasores. – O Fullbuster não pensou duas vezes, correu em direção ao corredor dos líderes. – Se for quem estou pensando, é bom ele não estar para onde iremos. – Sussurrou para si mesma.
Nervosa, andou pesadamente para o centro do navio. Olhou para cima, pensando em qual parte teria uma falha grande o suficiente para fazer com que o invasor tentasse algo. Infelizmente, não estava conseguindo achar. A bolha protetora estava boa o suficiente para proteger todos, deveria ser impossível a entrada de qualquer coisa, incluindo magia. Se pertencia a magia de um ser, então teria de ser rejeitada, e não integrada ao ambiente.
Liberando uma fração de seu poder, procurou por diferentes presenças. Poderia ser que, quem fez a brincadeira na noite anterior, ainda esteja próximo. Pelo menos esperava por isso. Sentiu-se decepcionada com o resultado, sentia apenas três presenças fortes, porém pertencentes ao navio. As outras, pertenciam a seres marítimos. Ouviu os passos apressados próximos a si, desviando seu olhar para as quatro pessoas que se aproximavam.
As feições eram um tanto curiosas. Tanto Mira quanto a Heartfilia, pareciam estar legitimamente preocupadas, já Erza e Gray, demonstraram estar curiosos com algum fato, não entendendo o motivo de precisarem estar ali. Com exceção da albina, as outras duas aparentavam estar cansadas.
— O que está acontecendo, para liberar tanta energia assim? – A loura aproximou-se da azulada e encostou suas cabeças. – Køl ned, Juvia.
— Isso que sentiu se chama energia, energia da Juvia. – Separou-se apontando para a azulada e a loura. – Todos ser humano carrega uma energia, e isso significa que está vivo. Lembra quando estávamos procurando pela ilha das fadas? – Erza assentiu. – Essas duas liberaram energia para procurar o local, e foi isso que Juvia fez agorinha.
— A líder humana está bem-sabida ultimamente. – Comentou Juvia, atraindo os olhares ao seu redor.
— Bem… Com a telepatia, preciso saber, não é? – Sorriu. – Então, o que achou com isso?
— Nada, tivemos um invasor ontem a noite, e ele passou pela barreira. Tão rápido como apareceu, fugiu, mas tenho uma pequena ideia sobre quem é. – Esticou os braços para o alto. – Irei para o quarto de Makarov, apenas ele conseguirá me acalmar.
Curiosos, o pequeno grupo redigiu o olhar para a Heartfilia, que assustou-se com os pares de olhos. Diferente deles, a loura também imaginava quem era o autor da brincadeira. Com uma breve explicação de Gray, ficaram sabendo o que tinha acontecido na noite anterior. Assim como Juvia, as três mulheres riram das possibilidades que foram pensadas, deixando o pobre marujo envergonhado.
— Então é por isso que estão chatos! – Mirajane colocou a mão no queixo. – Heartfilia, acha que pode falar para todos eles o que está acontecendo? Levarei Erza de volta para seu quarto, precisa de mais um dia de descanso.
— Acredito que isso não será possível, Mirajane. – A loura foi até Erza. – Temo ter que correr contra o tempo agora. Acredito que, quem realizou magia, tenha nos lançado um aviso, portanto, a partir de agora, Erza terá que nos levar de um mundo para o outro. – Virou-se para a albina. – Mas, chame os outros tripulantes, sinto que será interessante para eles ver o que ocorrerá.
— Inclusive os outros dois?
Em resposta, a loura apenas assentiu. Não era problema os marujos assistirem, mas sentia a necessidade dos outros líderes também participarem. Laxus estava se tornando incrivelmente amigável, e fazia tempo que Natsu não dava as caras, talvez seja uma boa ideia fazer ele sair um pouco de sua cabine e ver a beleza que existe em volta dela. Embora esperasse que ele saísse nervoso e decidisse se trancar novamente.
Erza Scarllet
Não demorou muito para que todo mundo ficasse quieto. Foi preciso apenas uns gritos de Laxus para que não houvesse tanta falação. Depois do que Mira falou, sinto como se cada um liberasse um pouco da vida deles, sentindo cada parte. Alguns demonstravam medo, outros, curiosidade, e havia até mesmo aqueles que queriam estudar. Não me impressionei ao saber que a pessoa que mais queria aprender, era Levy, ela sempre foi uma pessoa esperta. Diferente do estúpido de seu companheiro.
Como pedido pela sereia, todos estavam sentados virados para nós, enquanto ficávamos na proa. Por enquanto, ela disse que ficaríamos sozinho enquanto tentava, junto com Juvia, trazer Makarov com elas. Disse que se quisesse, poderia levar um dos marujos, ou até mesmo Laxus, para buscá-lo, mas ela dispensou sorrindo e correu para o quarto dele. O motivo de querer trazer o velho, era um mistério para mim.
Junto comigo, estava Laxus, Mira e, incrivelmente, Natsu. Mesmo que ele não parasse de reclamar a todo momento e se recusasse a sentar no chão. Não esperamos menos de um nobre. Mira, aparentemente lendo meus pensamentos, olhou para mim rindo. Bem, sabia que ela não falaria alguma coisa, então não me incomodei.
Demorou um tempo, mas finalmente veio as duas sereias, só que sem o antigo capitão. Disseram que Makarov aparentava estar muito cansado, e não o forçariam a estar em uma situação que o pudesse cansar mais ainda. Enquanto elas se preparavam, comecei a sentir um leve incômodo no meu estômago, olhei para ele curiosa, não era fome, então o que seria?
"É estranho estar perto de outro ser lendário assim, em paz." Me aliviei ao perceber que era só a fada querendo falar. Aparentemente, sempre quando ela sente ou quer falar algo, se movimenta ou me faz sentir algum desconforto. Aprendi a ignorar um pouco, dessa forma não vou precisar estar preocupada o tempo todo.
— Então conseguiu trazer os outros dois, Mirajane. – A albina sorriu em resposta e apoiou sua cabeça em Laxus. Natsu apenas bufou. – Gentil como sempre, Dragneel.
— Corte a faladeira Heartfilia, estou aqui apenas para ver isso, se vai ficar conversando, voltarei para meus trabalhos.
— Não consegue largar a grosseria… – Suspirou e sentou na minha frente. – Erza, quando estou perto de você, desse jeito, o que sente?
— Inquietação. – Me movimentei desconfortável. – É como se precisasse fugir logo, sabe?
— Sim. – Pegou minhas mãos. – Isso significa que está diante a um ser lendário, mas eu sinto o mesmo. Sabe, escondi uma pequena informação de vocês, a fada que está dentro de seu corpo, ela não é somente uma fada anciã e sim, uma das poucas lendárias existentes. Sua forma e poder, são completamente diferentes das outras fadas.
— Assim como você. – Afirmei.
— Sim. Por acaso, tem conversado com a fada que existe em você? – Balancei a cabeça negando. – Deveria Erza, é ela quem te salvará quando necessário, não nós. Afinal, está se tornando um ser.
— O que quer dizer com isso, Heartfilia? Ela será como você?
— Hum, não. Erza se tornará algo, mas não um ser lendário. Ela teria que nascer com alguma habilidade incrível, e ser filha de seres, mas ela é apenas uma humana que roubou a existência de um lendário, isso fará com que ela passe por modificações, visto que vai absorver os poderes e essência da fada. – Moveu-se para sentar entre mim e Mira.
— Mas, Mira-chan recebeu alguma coisa desse tipo também, não é loirinha? Isso não a faria passar por essas transformações, não?
A pergunta tinha sido deveras interessante, e eu não sei quem perguntou, mas conseguiu fazer a pergunta que estávamos querendo fazer. Sorrindo, a Heartfilia negou.
— Mirajane, lembra quando recebeu o dom, sentiu-se diferente? – A albina assentiu. – Posso usar isso como exemplo. Mirajane recebeu apenas o dom, ela não se alimentou de nada, assim como não mesclou nada. Ela apenas recebeu um dom dos anjos. – Apontou a mão para a Mira, e depois apontou uma para mim. – Erza, no entanto, absorveu a fada e, assim, a fada tem seu corpo dentro dela. São resultados diferentes. O máximo que Mirajane poderá fazer, é controlar o pensamento e memórias do outro. Erza, com a fada em seu corpo, poderá fazer mais do que a Bluecap jamais fez.
— Mas, Heartfilia, ela sequer começou o treinamento. – A loura olhou para Natsu, que tinha se encostado na borda. – Como poderá fazer?
— Bem, ela não poderia antes, porque está em momento do corpo dela aceitar o estranho.
— E por qual motivo tem que fazer isso agora? Não vai fazer nenhum mal?
— Sua preocupação é louvável, Dragneel. – O rosto de raiva do Natsu, foi tão engraçada, que nem eu e nem Laxus, seguramos a risada. – Mas, desde alguns acontecimentos, infelizmente não podemos esperar.
— Loirinha, tenho uma pergunta. – Olhamos para os marujos, identificando a voz de Kana. – Já fomos atacados aqui por uma criatura que a gente não sabe o que é, não é perigoso ficar debaixo do mar, não? Assim, podem atacar a gente.
O que Kana falou, lembrou o momento que fomos atacados por uma criatura tão estranha. Não sabíamos o que era, e sua voz não era nada legal. A sensação daquele dia ainda existia, até porque, jamais ocorreu de sofrermos um ataque igual aquele, ainda mais de uma criatura que pensávamos que era um simples mito.
As imagens daquele dia me vieram a memória. Os olhos dourados da Heartfilia, o corpo estranho no navio, Juvia sofrendo de dor e ambas com sangue em suas roupas. Imagino que tipo de criatura teria feito isso.
"Quem as atacou foi um Cirein Cròin, Erza." Arregalei meus olhos diante a voz dentro de mim. “Não consegue me silenciar para sempre, ainda é fraca pra isso. Embora sua força de vontade seja enorme.” Ouvi sua risada.
— Vocês estavam sem proteção, por isso foram atacados tão fácil. – Juvia respondeu, atraindo a atenção de todos. – Não acredito que com a minha proteção, isso seja possível.
— Mas ontem, ontem…
— Kana, um ser que é bem mais forte que eu, invadiu as barreiras e achou apropriado brincar com vocês. Foi isso que aconteceu.
“A proteção dela, é formidável. Se tivesse feito na época em que ocorreu o ataque, Harag não teria percebido suas presenças.” Como sabe o nome do monstro? “Ele já tentou atacar minha ilha antes, foi bastante conhecido por arrumar problemas com todos os seres, simplesmente para ter poder.”. Disse desgostosa, incrível que até no estado em que se encontra, poderia se sentir dessa forma.
— Discutir o que ele fez, não é apropriado agora, Juvia. – A Heartfilia atraiu a atenção, olhando para Juvia perigosamente. – Agora, precisamos fazer com que a fada entre em contato conosco. – Antes que eu abrisse a boca, a loura olhou para mim. – Por enquanto, Erza, você não sabe nos levar de um mundo para o outro, e não temos tempo para ensinar, portanto, precisamos da fada aqui, em seu lugar.
Em resposta, suspirei. Olhei para cada tripulante antes, para em seguida os líderes. Não dava para saber o que pensavam, diferente de Mira, não acredito que seja possível fazer tal coisa. É estranho pensar que, a qualquer momento, posso conversar com a pequena fada dentro de mim. Naquele momento, minha barriga começava a sentir desconforto, e talvez devesse começar a acreditar que isso representava perigo. Mas, em vez de pensar nisso, decidi ignorar e escutar tudo que a Heartfilia precisava falar.
Narradora
Não houve muito que os piratas da Fairy Tail pudessem fazer, o máximo que podiam, era ouvir cuidadosamente o que a Heartfilia explicava. Tentavam não ter que pedir por mais explicação, mesmo que a sereia estivesse esclarecendo da forma mais simples que podia. Alguns, no entanto, demonstravam compreender cada palavra que a sereia falava, inclusive, perguntavam quando a lógica não fazia sentido.
O irônico disso, era que o trio de idiotas, que mais bagunçava no navio, era o que mais prestava atenção. Algumas vezes, Gajeel ou Gray perguntavam sobre magia e outros seres. Dúvidas que eram sanadas rapidamente pela Heartfilia. Apesar disso, essas questões não eram tão priorizadas pelos líderes, que pensavam em como iriam para outros mundos, quando Erza não sabia fazer, e qual seria a recepção dos seres.
Cansado do que estava acontecendo, Natsu fizera os tripulantes calarem, para ele, aquele momento não era para isso.
— Heartfilia, como iremos para outro mundo? – O rosado sentou na borda. – Erza, pelo que fala, ainda não sabe utilizar os poderes, então como?
— É mais simples do que imagina, Dragneel. – Sorriu a sereia. – Erza pode não saber, mas a fada sabe.
— Então, traremos ela a nós. – Completou a azulada.
— Faremos com que a fada posse-se do corpo de Erza, para que assim, nos leve para o mundo do Rei. Portanto, – virou-se para a ruiva ao seu lado. – deixe com que ela seja a dona, pelo menos, por um momento. – Sorriu querendo tranquilizar a vice capitã.
Nos ouvidos dos humanos, esse tipo de pedido era provido com uma consequência muito ruim, mas diferente do que eles imaginavam, Erza não estava querendo pensar nesse tipo de coisa. Portanto, foi impressionante vê-la cair lentamente, enquanto deixava com que um ser tomasse conta de seu corpo.
Demorou menos do que eles imaginava, em questão de segundos, a vice capitão levantou-se, mexendo levemente os braços e olhando cuidadosamente para o próprio corpo. Simples movimentos os fizeram acreditar que, a tentativa de trazer a fada, não tinha dado certo. No entanto, no momento em que Erza começou a falar, eles pensaram que, talvez, a vice capitã tivesse sumido.
— E então, pelo que ouvi, tu e os humanos precisam de mim. – Calmamente, a ruiva, cujo corpo pertencia a fada naquele momento, deitou no espaço vago que tinha no navio. – É deveras interessante estar neste corpo, os olhos dela captam mais do que imaginei.
— Sim, Erza tem uma capacidade incrível, e por isso fora escolhida para tê-la. – A ruiva sorriu em resposta.
— Vejo que sua proteção está perfeita, sereia da água. Sequer eu ou as Bluecap seriam capazes de destruir. Se fossem corajosas de entrarem no mar, talvez quem sabe. – Deu de ombros.
— Seriam mortas se entrassem, eu faria questão de matá-las.
— Juvia!
— Tudo bem, como te chamam?… Hearfilia. – Sentou-se novamente, porém com uma perna esticada e a outra cruzada. – Não a culpo por pensar dessa forma, ainda mais pelos sentimentos causados no passado.
Era assustador observar alguém falar e agir com o corpo de Erza, parecia a vice capitã, mas a forma de falar era diferente. O olhar, era diferente. Parecia que a ruiva tinha envelhecido bastante, com apenas a troca de corpo. Sem ter o que fazer, os piratas aguardavam pacientemente a conversa finalizar. O que não foi muito, em questões de segundos, o rosto risonho de Erza mudou para um sério.
— Então, o que queres? Não me trarias apenas para mostrar a esses humanos quem está ocupando o corpo de Erza.
— Não seria tão estúpida a esse ponto. Quero que nos leve para onde o fogo foi criado.
— E diz que não é estúpida. – Queixou-se. – Sabes que sou proibida.
— Se estivesse como fada, mas como não está… – Deixou a frase sem completar, fazendo com que a fada sorrisse abertamente.
— Está bem. – Ficou de pé e colocou as mãos na cintura. – Os levarei para aquele que fez da lava, um elemento de poder. Quem governa o fogo sobre suas asas, e demonstra em suas escamas, a cor viva de seu poder. Irei guiá-los ao Imperador do Fogo, Igneel.
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