Bring Me the Mermaids
32 King of Flame, Igneel
Notas iniciais
~Rei da Chama, Igneel.
As ruas frias de Nápoles faziam com que seus moradores resolvessem ficar em casa. Na área urbana, havia poucas lojas abertas, era comum ver que alguns donos não abandonavam a chance de ganhar dinheiro, mesmo que o clima gélido fosse cruel. As poucas pessoas que ousavam desafiar o frio, torciam para que fosse tão rápido como veio. Em meio a brancura da neve, era possível os passantes se assustarem com o albino que, despreocupadamente, andava na avenida sem procurar abrigo.
Seus cabelos brancos não condiziam com sua postura e rosto jovem, deixando com que os passantes imaginassem que ele é alguém banhado por um demônio. Ignorando os olhares medrosos, o albino continuou a andar pela cidade. Durante alguns momentos, olhava para os lados e para trás, absorvendo a beleza da cidade. As construções não lhe eram estranhas, estava na Itália já fazia algum tempo, a arquitetura da cidade não o surpreendia, mas o deixava fascinado.
Algumas boutiques tinham dois andares, percebendo que as casas ficavam em cima. Imaginar que nessas casas, os moradores estariam confortáveis, fez com que Elfman agilizasse seus passos para chegar em seu destino. Torcia para que as portas das tavernas estivessem abertas, caso contrário, faria uma viagem apenas para a base da Fairy Tail. E isso ele era incapaz de fazer, não naquele frio. Suas roupas eram simples, o tecido era tão fino, que não o protegia de nenhuma rajada que vinha. Torcia amargamente que não chovesse, não seria capaz de andar pela cidade, caso ocorresse.
Não dava para perceber qual era o período do dia, talvez a noite começara a fazer seu momento, talvez o dia sequer tenha chegado na metade, com o céu nublado, fazia com que o albino apenas suspirasse. Estava acostumado com climas quentes e, na maioria das situações, tempestades que assolavam parte do navio da Fairy Tail, aquela temperatura fria que Nápoles carregava fazia com que Elfman se enchesse de ódio. Quem, em sã consciência, manda um ser humano sair da Austrália para ir no fim do mundo da Itália? Natsu era mesmo maluco, e o Strauss não conseguia acompanhar suas ideias, no entanto, foi graças a esse pedido que pôde realizar suas tarefas.
Se fosse pensar, retirando os líderes da contagem, nenhum outro ser humano conseguia entender o capitão da frota. Não sabia se deveria ficar feliz com o pensamento, estava chamando a si mesmo de burro. Deus, como ele queria chegar no local e ir embora. Os ventos estavam piores, e a cada passo, Elfman amaldiçoava o clima frio que se estabeleceu.
Mas precisava continuar, mesmo que isso o congelasse. Deu mais alguns passos, virou numa rua e, finalmente, chegou ao seu destino. Olhando o ambiente, o albino teve a certeza que lugares assombrados não lhe eram preferidos. A rua em que encontrava era sem saída e sem muita luminosidade, causando arrepios assustadores no Strauss. As pequenas casas que ocupavam os lados da calçada, tinham cercas que separavam uma casa da outra, deixando o albino a imaginar que estavam dividindo os territórios. As paredes eram de barro, desgastados pelo tempo, e o telhado de palha. Elfman imaginou que as pobres famílias passariam por frio e, talvez, fome.
Queria poder ajudar, mas sua situação também não era a melhor.
Balançou a cabeça, se forçando a esquecer dos sentimentos solidários que começaram a preencher seu coração, precisava achar a casa para o encontro que teria. De acordo com as descrições que recebeu, seria uma casa igual as outras, porém haveria duas características que a diferenciaria. Esperava que esses aspectos fossem percebidos com facilidade, não aguentaria ficar mais tempo na rua fria. Caminhou analisando atentamente cada casa, algumas tinham animais pequenos, outras plantações, mas Elfman não achou que essas seriam as diferenças.
Já no final da rua, avistou uma casa que chamava sua atenção. Não tinha cerca em volta, sua porta de madeira estava aberta e, para confirmar as suposições do albino, a casa não tinha cobertura no telhado. Parece que seu anfitrião gostaria que ele passasse frio e, na pior das hipóteses, morresse. Desejava que não, afinal de contas, não foi para isso que viajou pelo oceano. Se fosse morrer, que não fosse pelas condições climáticas.
Uma rajada de vento passou por Elfman, o lembrando do frio. Apertou o passo e entrou da casa. Seja com cobertura ou não, pelo menos estaria protegido do vento. Dentro dela, havia uma mesa simples com duas cadeiras, e em cima dela, uma vela decorava o ambiente. A vela estava apagada, e acendê-la era o sinal de sua chegada. Pegou no bolso a embalagem de fósforo, abriu e riscou o fósforo na lixa, acendendo fósforo e, logo após, a vela.
Ouviu a porta fechando, e se não fosse os passos em seguida, imaginaria ter sido a força da ventania.
— Achei que faria me esperar a noite toda.
Em desdém, Elfman virou para o dono da voz e sorriu sarcasticamente. Queria poder responder, mas perderia tempo caso fizesse. Saindo das sombras, o homem apareceu diante a fraca luz da vela, sentando em uma das cadeiras. Apontou para a cadeira a sua frente, convidando o albino a sentar.
— Poderia ter escolhido um lugar mais perto, senhor Dragneel.
Sentou exausto, além de ter ido para um país distante, teve que andar bastante, estava cansado.
— Pare de reclamar e me conte as novidades. – James cruzou as pernas e olhou para o albino desinteressado. – Ouvi dizer que encontraram algo fantástico.
Sem delongas, Elfman passou a contar tudo o que soube. A última vez que viu a frota, estava na Austrália vendo a sereia utilizando um poder grandioso, e agora distante, só sabia o que conseguia ler das cartas que Natsu mandava. Obviamente era escondido, mas ninguém sabia desse seu segredo, portanto não havia perigo.
De todas os acontecimentos, o albino não soube informar o que ocorria com a tripulação naquele momento, visto que as bases da Fairy Tail não recebiam cartas de Natsu há um tempo. James, impaciente, pediu para que se informasse rápido, pois algumas medidas precisariam ser tomadas. No fim do relado, o Dragneel depositou um pequeno bornal na mesa, que com o contato, produziu barulho metálico. Música para o ouvido do pirata.
Sem mais assuntos para conversar, James se retirou da casa, deixando o Strauss sozinho contanto seu dinheiro. Aproveitando o local abandonado, Elfman pensou no que tem feito ao longo dos anos. Se orgulhava de seus movimentos apagados, ato que o fazia obter quaisquer informações que quisesse. Por ser um pirata como qualquer outro, jamais seria vigiado pelos líderes, e por conta disso, abriu o sorriso. Ele não sentia culpa do que tinha acabado de fazer.
Elfman Strauss era o traidor da Fairy Tail.
Universo Elementar
Mundo Dreki
Em um estalar de dedos, os tripulantes se encontraram em um ambiente diferente. Já não estavam debaixo do mar, e sim sobre ele. O céu, com sua cor alaranjada, fazia os humanos admirarem o local novo na qual se encontravam. Diferente do mundo na qual estavam acostumados, este tinha o céu coberto com uma infinidade de ilhas no ar, parecia ser surreal.
Receosos, os tripulantes levantaram e começaram a olhar em volta a novidade que estavam tendo. Alguns exclamaram surpresos ao perceberem outros arquipélagos que preenchiam o oceano, em suas percepções, as ilhas terrestres aparentavam ser próximas, sendo possível atravessar andando. Os piratas admiravam o ambiente e, dentro de seus corações, agradeciam por serem capazes por olharem algo tão bonito.
— Podíamos conhecer esse mundo, não?
— É, olha, só pegarmos um bote e remar até outro local.
Sem tomarem consciência de suas falas, os piratas passaram a se mover em direção aos botes. A ideia parecia ser fantástica, ainda mais para humanos como eles. Estavam acostumados a andar pelos mares, encontrar algumas ilhas e populações estranhas e, na maioria das vezes, cidades. Se tornava compreensível suas curiosidades e anseios para visitar o local, mas eles não pareciam ter cuidado com o mundo em que se encontravam.
E por saber disso, Juvia, Heartfilia e a Erza, levantaram-se rapidamente e se dirigiram a borda do navio, subindo nele. O movimento era suspeito, ainda mais por saberem que a fada ainda estava falando pela vice capitã. As três observavam os humanos com diferentes sentimentos. Juvia claramente transpirava nervosismo, a qualquer momento poderia matar alguém. Os olhos azuis, embora não estivessem em tons mais claros, lembravam os humanos dos momentos iniciais que tinham com a azulada.
A Heartfilia aparentava estar alheia desses sentimentos, tanto que sorria abertamente. De tanta felicidade, parecia que o ambiente ao seu redor brilhava. O que não poderia ser apenas uma ilusão, de tanto tempo com a sereia, eles acreditavam que ela realmente poderia brilhar, mesmo se em seus olhos não transparecessem isso.
O mais incrível das três era Erza, que era e, ao mesmo tempo, não era a Erza. O corpo, cabelo e estética era os mesmos, até mesmo a voz, porém a forma de falar era diferente. Enquanto Erza Scarllet, sua voz transmitia norma, coragem e força. Enquanto Fada, transmitia sabedoria, inocência e mistério. Eram extremos diferentes, os piratas sabiam que de inocente, a vice capitã não tinha nada.
— Se saírem desse local, serão mortos. – A voz de Erza era delicada e firme. Os piratas, assustados, olharam para o trio. O mais assustador não era a voz da ruiva, e sim o sorriso que estampava o rosto. – Se pularem nesse mar, – Apontou a mão para a água. – serão mortos pelos seres daqui.
— Bem, não precisa assustar. – A Hearfilia riu sem graça. – Diferente do mundo Terra de vocês, aqui não podem ter o descuido. Se caírem no mar, seres perigosos podem aparecer. – Virou de lado e apontou para a ilha a sua frente. – Dentre todas as ilhas, iremos apenas para esta. Igneel se encontra no meio dela, junto ao vulcão. – Virou novamente para a tripulação. – Por enquanto, vamos descansar, muitos acontecimentos ocorreram nestes últimos tempos. Além do mais, – Dirigiu-se sorrindo para a ruiva ao seu lado. – está na hora de trazer Erza de volta, não acha?
— Ah, mas gostei tanto de estar no corpo dela. – A ruiva reclamou e depois sorriu. – Apenas espero que ela me escute mais, ou possa me trazer mais vezes, o mundo dos humanos é divertido.
Desceu da borda, indo para o mesmo local que estava antes. Sentou cruzando suas pernas e fechou os olhos. Respirou fundo, quando abriu os olhos novamente, a fada já não se encontrava. Contudo, por seu corpo não suportar a possessão, a vice capitã desmaiou de cansaço. Utilizando o cansaço de Erza, os tripulantes foram para o deck inferior, preparando-se, tanto fisicamente quanto mentalmente, para a nova aventura que encontrariam.
No deck mediano, as sereias e os líderes observavam a ilha a sua frente. Para os seres místicos, a ilha lhes dava sentimentos agradáveis e prazerosas, onde elas encontravam antigos amigos e se divertiam em meio a contos e brincadeiras antigas. Os líderes, não sabiam o que deveriam sentir. Mirajane se encontrava ansiosa, o encontro com o Gilin fez com que a albina abrisse sua mente e estivesse preparada para novos desafios. Esperava que isso fosse sentido pelos outros dois, pois seria uma aventura nova e incomum.
Todavia, Laxus e Natsu se viam no meio de contradições. Não sabiam, ao certo, qual sentimento se apoderava. Poderiam dizer que não sentiam medo, mas isso era algo incerto. Certamente, já estiveram em diferentes locais e em situações, que faria qualquer outro homem humano não querer ir para o mar novamente, mas não se adequava ao momento atual. É interessante destacar, Fairy Tail sempre teve seu ar de mistério, e eles, como tripulantes da frota, sentiam que a sensação de que episódios anormais ocorreriam uma vez ou outra em suas vidas. Não imaginavam a ocorrência de fatos excêntricos seria maior que o desejado.
E saber disso, apenas fazia com que os dois não soubessem o que estariam sentindo naquele momento. Seria remorso? Receio? Ou excitação por estarem vendo algo que, para além de humanos normais, nenhuma outra tripulação da Fairy Tail jamais viu?
Não sabiam, e esperavam encontrar respostas no segundo em que pisassem na ilha.
[…]
A ilha demonstrava ser diferente desde o início da viagem. Em primeiro ponto, no centro dela era possível ver um vulcão, aparentemente ativo, na qual os tripulantes rezavam para que não explodisse. O segundo era o mar, a água não era de tons escuros, e sim em tom rosa mais claro, deixando os piratas surpresos, chegaram a imaginar que, talvez, era influência do vulcão. O terceiro, o céu limpo com as estrelas, deixava os humanos delirantes de tamanha beleza.
O quarto, e acreditaram ser importante, era a areia incrivelmente macia e sua alta temperatura. Por serem proibidos de utilizarem sapatos, os tripulantes acabaram por vivenciar diferentes temperaturas. Oras aparecia quente, oras morna, mas nunca em uma temperatura fria ou próxima dela.
— Que lugar diferente. – Makarov observava o mundo ao seu redor com fascínio. – Olhe Laxus, como o mar é bonito. – Apontou para a água. – Será que não posso me banhar?
De todos do navio, as sereias acreditavam que, o mais merecedor de ver o novo mundo, era Makarov. Seria injusto deixá-lo em seu quarto, com paredes de madeira e um local ilimitado, quando tinham um universo a explorar. Não precisaram pedir aos líderes, Natsu viera a falar com elas que queria o antigo capitão junto com eles. Ele poderia não dizer, mas gostaria que Makarov construísse memórias novas com eles.
Como o Dreyar não conseguia andar direito, precisou de Laxus para tirá-lo da cama e carregar, a todo momento, pela ilha. Não foi difícil, o antigo capitão era leve, e a passagem foi feita pela Heartfilia e Juvia, que juntaram seus poderes e criaram uma ponte feita de gelo.
— Não acho que seja seguro, velho. – Depositou Makarov no chão.
— Como a areia é quente, será que é por conta do vulcão? – Olhou para as sereias. – Por que a areia é quente?
— Igneel faz com que a ilha permaneça quente, exceto a água, todo o local é quente. – Juvia, percebendo que os piratas começavam a suar. – Acredito que vocês queiram algo frio.
A frota, acreditando que seria uma bênção da azulada, assentiu sorrindo para ela, eles apenas não visualizaram o sorriso diabólico. Em um simples movimento, uma quantidade exorbitante caiu em cima deles, causando susto nos humanos. O ato, não tão inocente, acabou por causar risada nos tripulantes. Não imaginavam que a sereia faria isso, no máximo, que ela jogasse água de uma forma mais delicada.
Os únicos que se salvaram, foram Natsu, Makarov e Laxus, que estavam andando pela praia. Erza e Mirajane, que andavam junto com os outros, foram pegas de surpresa pela sereia.
— Juvia, você é um demônio em forma de sereia. – Kana, torcendo a blusa, começou a se aproximar dela. – Como pôde fazer isso com a gente? Olha para o Gajeel, o cabelo dele vai ficar uma coisa horrorosa. – Começou a arrumar o próprio cabelo.
A azulada olhou para o moreno, e começou a rir diante a cena. Gajeel tentava, falhadamente, formar um penteado que pudesse deixar o cabelo arrumado. No entanto, sequer ele ou sua amante estavam conseguindo, visto que Levy mais ria do que ajudava. Não aguentando, aproximou do casal, querendo, ao menos, brincar com o moreno.
Os três salvos observavam a cena com estranhamento. Ver Juvia se divertindo com os piratas era algo inovador, sempre que a via, parecia que poderia matá-los a qualquer momento. Para Laxus, não chegava a ser incomum, visto que já a viu com os tripulantes antes, apenas não imaginava que estaria em um nível maior de intimidade.
Em tese, era para eles irem em direção ao Igneel, ignorando o ambiente, mas ao que parecia, o espaço na qual se encontravam, chamava mais atenção que a missão. A Heartfilia, percebendo que os três estavam longe, andou até eles.
— O que fazem tão longe? – Olhou para Makarov. – Não siga sua curiosidade, seria horrível se não conseguisse nos achar novamente.
— Ora, não estou seguindo minha curiosidade!
— Está sim, velho. Se não fosse por nós, – Laxus apontou para ele e Natsu. – você estaria dentro do mar.
— Makarov!
— O que é? Me deixa curtir minha vida!
Nervoso, saiu de perto do trio e se aproximou dos demais. A Heartfilia observava todos com singelo carinho, estranhamente, os considerava como parte de sua família, mesmo que fossem criaturas de origens diferentes. Imaginava como estaria sua vida, se não fosse por seu desastroso encontro com a frota.
— Eles são tão estranhos. – A Heartfilia assustou com a voz de Laxus. – E pensar que fazem parte da mesma frota.
— Makarov continua a mesma pessoa de sempre. – Natsu comentou, apontando depois para o grupo. – A diferença é que está velho.
— Bem, ele continua teimoso. – O louro deu de ombros e os dois se puseram a rir. – Imagina como ele deve se sentir vendo isso tudo.
— É, tão estranho como é para a gente, a diferença é que ele, realmente, está encantado.
— E não deveriam estar? – A sereia andou para frente deles. – Este é um mundo maravilhoso, Natsu. Deveria aproveitar também.
— E já estou. – Apontou para os próprios pés. – Sinto essa areia queimando os meus pés, e queimando tanto, que estou considerando ir na água.
Laxus acabou por concordar também, fazendo a sereia franzir o rosto. Isso era um acontecimento estranho. A temperatura da areia jamais subia ao ponto de queimar, permanecia sempre quente, a tornando um local de descanso para muitos outros seres. Curiosa, abaixou e colocou suas mãos praia. Para ela, não estava tão quente, mas por ser uma criatura mística, não sentia a diferença. Olhou para os demais piratas, e se preocupou ao vê-los saltando de um pé para o outro, tentando se salvar.
— Svetlo, acredito que agora é o momento. – Juvia gritou para a loura. – Caso contrário, eles morrerão com os pés queimados.
— Isso seria interessante. – Gritou de volta, resposta que fez os piratas a olharem estranho. Devido a reação, a sereia riu um pouco. – Bem, um Rei gosta de saber quem são seus convidados.
Com um aceno, pediu para que todos se juntassem. Diferente do local onde Mira esteve antes, este não tinha tantas regras a serem seguidas, no entanto, as que existiam jamais deveriam ser quebradas. No mais, eles não poderiam cortar nenhuma árvore sem conhecimento do Rei e não deveriam tentar atacar outro ser que aparecesse para eles. Por esse motivo, a sereia pediu para que todos deixassem as armas no navio. O fato de estarem desarmados e não poderem lutar, deixaram os tripulantes receosos.
Ou pelo menos, parte deles. Kana, Gray e Gajeel ansiavam por encontrar criaturas diferentes, dessa vez podendo serem vistas. Já estavam cansados de observarem as sereias e, mesmo com a recente novidade da Erza com a fada, queriam algo novo.
Sem pressa, a Heartfilia os guiou para dentro da floresta. A fauna não era tão diferente da Terra. As árvores e folhas eram verdes, com apenas seu tronco marrom. Em alguns momentos, os piratas sentiam-se observados, acreditavam que era delírio, pois estavam debaixo do sol quente há poucos minutos. Eles olhavam para a Heartfilia, esperando que ela se movesse, mas a loura apenas continuava a subir sem se importar com o ambiente alheio.
Era uma sensação estranha, e estava em um ponto onde poderiam começar a achar que estavam loucos. E de loucura, eles esperavam que apenas Makarov ficasse, visto que era o mais velho.
— Ora, pessoas novas por aqui.
A estranha voz os fez parar subitamente. Olharam para os lados procurando o dono, mas apenas quando levantaram a cabeça conseguiram enxergar, causando confusão nos demais. A frente deles, estava um ser humano, um homem especificadamente, com vestes estranhas, assim como seu rosto. Os cabelos carregavam a cor azul, levando os tripulantes a comparar a tonalidade com os cabelos de Levy e Juvia. Em seu rosto, havia uma marca estranha que cortava seu olho direito.
Não poderia ser um selvagem, posto que sabia falar. Suas roupas eram estranhas, vestindo apenas uma manta gigante sobre seu corpo e, em sua mão esquerda, segurava um cajado. Imaginavam que, agora, um perigo estava a caminho, e o fato das sereias não se moverem os deixavam cada vez mais apreensivos.
Diferente do que imaginavam, não foram as sereias a darem o primeiro passo, e sim Makarov. Parte de sua memória poderia estar perdida, mas ele sabia que conhecia o estranho homem. Sua voz e aparência eram idênticas a um homem a quem conheceu quando jovem. Passo a passo, o Dreyar ultrapassou os tripulantes e chegou a ficar do lado das sereias, e, ao encontrar o homem, não poupou espanto.
Sem pensar duas vezes, ajoelhou diante o homem, demonstrando aparente respeito a ele.
— É um prazer conhecê-lo, Capitão Mystogan.
Choque poderia ser um sentimento que explicaria a feição do azulado. O silêncio era absoluto, todavia, depois da interpretação das palavras de Makarov, os demais tripulantes imitaram o comportamento do Dreyar. O rosto do homem era um misto de surpresa e choque, e ficou assim durante muito tempo, até lembrar de fatos de seu passado.
O convidado, comovido pela ação dos tripulantes, sorriu gentilmente e andou até Makarov, o levantando do chão. Limpou o joelho dele, para depois pedir para a tripulação levantar também, precisava dar explicações. Com todos em pé, voltou para seu lugar, ficando acima de todos.
— Fico bastante tocado quando me veem como Mystogan, mas, na verdade, sou o irmão gêmeo dele. – Fechou os olhos e tocou em seu peitoral. – É uma honra saber que meu irmão está em suas memórias e é lembrado de forma tão respeitosa. – Abriu os olhos e os dirigiu para Makarov. – Meu nome é Jellal, Jellal Fernandes, acho difícil saber de minha existência. Agradeço por manter as memórias de meu amado irmão em seu coração.
— É tão parecido com ele, mas carrega uma diferença tão grande. – Colocou a mão no queixo.
— Deixarei o senhor pensando qual seria esta a diferença. – Olhou para a frota. – Percebo que vieram procurar por Igneel. Mas… Hum… Juvia, querida, por qual motivo está com essa carranca?
Juvia, até aquele momento calada, observava a cena com nenhum entusiasmo. A tarde já não era mais divertida. De todas as pessoas, encontrar Jellal era a última coisa que desejava. A carranca era bastante conhecida pela tripulação, em diferentes níveis de raiva, e eles chegaram a acreditar que ela sorriria naquela viagem, se não fosse a presença do azulado.
— Te juro Jellal, se não fosse por Sestra, você era um homem-morto. – A azulada cruzou os braços. – Como pôde manter essa cara tão falsa?
— Oh não, em nenhum momento estou sendo falso. – Andou em direção a ela. – Estava esperando por vocês, porém não sabia que encontraria alguém que lembra de meu irmão. Esta é uma memória que jamais esquecerei. – Tocou nos cabelos de Juvia. – Vamos, sei que quer perguntar.
— Por qual motivo atacou os humanos?
— Achei que seria divertido mexer com eles. Não é todos os dias que vemos uma convivência tão harmoniosa entre os seres místicos e os humanos. – Deu de ombros e virou para a Hearfilia. – É normal ver Juvia com alguma veste, no entanto tu é a novidade. – Abriu os braços. – Quando tirará essa feição e vir me abraçar? Já fazes séculos que não nos vemos.
— Não seja estúpido, Jellal.
A voz embargada era uma surpresa para os demais. A última vez em que a sereia chorou, foi quando Juvia estava próxima deles, afora isso, sequer deu notícias. Para o espanto de todos, a loura correu em sua direção e o abraçou. O azulado, recebendo o carinho, a girou e a abraçou forte.
Ficaram nesse momento selene, até Juvia se sentir estressada e continuar a subir em direção ao vulcão. Subira a colina sozinha, os humanos imaginaram que se estivessem próximos, talvez não conseguissem viver por muito tempo. Era uma situação curiosa, visto que o estranho azulado era o culpado pelo ataque há alguns dias. Os que pareciam que tinham algum interesse em sua companhia, estavam praticamente colados a eles. Enquanto Makarov o olhava admirado, a Heartfilia estava de braços cruzados com Jellal, demonstrando que era amigos íntimos.
Esse comportamento era inovador para os tripulantes. Alguns chegaram a apostar que Jellal seria um par romântico da loura, ainda mais pela sereia se demonstrar tão interessada nele. O sorriso radiante que ela carregava, apenas afirmava cada vez mais as teorias formadas. Todavia, nenhum dos piratas estavam tendo coragem para se aproximar deles.
— Mas vocês só me enchem o saco.
O grito de Mirajane, em meio ao silêncio, assustou os demais. Até mesmo os três, que lideravam a subida, olharam para trás espantados. A Strauss, nervosa diante tanto pensamentos contraditórios, moveu-se rapidamente em direção ao trio. Ninguém era capaz de parar, e de tanto medo, apenas se afastaram para dar espaço a albina.
— Ela é tão explosiva assim? – Jellal apontou para Mirajane, que se aproximava cada vez mais deles. – Vejo, então ela carrega a telepatia, por isso agiu de forma tão explosiva. Ela ainda não sabe controlar o poder que tem. – Colocou a mão no queixo. – Qual o nome dela? – Perguntou por alto.
— Mirajane Strauss. – Makarov o respondeu. – Uma das pessoas mais confiáveis que existe nesta frota.
— É uma pena ela não achar isso.
O sorriso enigmático deixou o Dreyar mais velho confuso, fazia anos que conhecia Mirajane, desde sua adolescência, não existiam motivos para que ela achasse que não era confiável. Pelo menos, era o que acreditava.
— Bem, uma hora conversarei com melhor com ela, parece ser uma criatura impressionante. – Jellal falou movendo a cabeça positivamente. – Precisamos chegar logo, um Rei não gosta de esperar.
Sem esperar com que a albina chegasse a eles, o trio voltou a se mover. A colina parecia ser alta, mas não cansativa. Os piratas tiraram essa conclusão com o fato de não conseguirem se cansar com o exercício. Sequer sentiam sua respiração mudar.
Chegaram pouco tempo depois, encontrando Juvia sentada em frente a criatura cuja existência consideravam impossível. Com cautela, os tripulantes foram se aproximando do ser, formando uma meia lua. Seus olhos e bocas continuavam escancarados diante tal imponência, não eram capazes de tirar sua atenção para outras existências.
A criatura era majestosa.
O tamanho do ser ocupava quase todo o espaço da clareira, e com o vulcão atrás de si, dava-lhe uma aura mais poderosa do que já continha. Seu corpo era envolto por escamas tão vermelhas, que os tripulantes pensavam se não era o fogo vivo em torno deste. As patas enormes carregavam garras tão afiadas, que poderia ser possível cortar o próprio ar. E não havia dúvidas de que ele conseguisse realizar tal ato. Era interessante em como as cores se contrastavam, pois enquanto havia o vermelho vivo em suas escamas, a parte de baixo de seu corpo consistia em cores claras, aumentando sua beleza.
A intensidade de seu olhar deixava os tripulantes emergidos em magia, mesmo que não houvesse uma. Haviam a sensação de que os olhos dele eram amarelos, sendo que a pupila que se encontrava nessa coloração. De longe, pensavam olhar para alguma estrela, e o fato de estarem distantes, apenas lhes davam a impressão de que estavam sendo julgados, e dependendo da resposta em que o ser chegasse, eles conheceriam os dentes afiados que a criatura carregava.
E como se estivessem hipnotizados, os humanos diminuíam a distância que havia entre eles.
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