Bring Me Back My Sanity
1 Capítulo 1: O Retorno do Anjo.
Notas iniciais
Três meses haviam se passado desde que minha prima se fora. Eu tinha pesadelos com ela todas as noites e aquela não foi diferente.
Acordei no meio da madrugada arfando e chorando. Oliver já havia parado de ficar desesperado por conta do meu desespero e simplesmente me abraçou, apoiando meu rosto em seu peito e fazendo carinho no meu cabelo.
— Amore mio, acalme-se. Eu estou aqui com você.
— Desculpa fazer isso com você. – desculpei-me ainda em prantos. – Não sei como você ainda me suporta.
Ele segurou meu rosto e beijou minha testa.
— Estou com você há quase dois anos. Eu amo você mais do que qualquer outra pessoa e jamais vou te deixar, a não ser que você me queira longe. Você é muito importante pra mim Sarah e não vejo minha vida sem você.
Dei um sorriso fraco.
— Você é muito bom pra ser de verdade, Oli.
Ele riu fraco.
— Só me importo demais com as pessoas que amo, bella raggazza. Você não vai conseguir dormir, não é?
Neguei com a cabeça, secando lágrimas que ainda insistiam em escorrer de meus olhos.
— Quer assistir um filme?
Assenti.
— Sim. Posso fazer pipoca?
Ele sorriu.
— A essa hora da madrugada, mia principessa?
Fiz um bico.
— Estou com vontade.
Oliver franziu o cenho.
— Você não estava com enjoo e tontura quando a gente foi se deitar?
— Estava, mas agora estou com desejo de comer pipoca.
— Desejo?
— É. Por quê?
— Sarah, há alguma pequena possibilidade de você estar grávida?
Suspirei. Aquele assunto estava sendo um pouco recorrente entre nós dois. Acontece que nos últimos dias eu estava tendo enjoos fortes a todo tempo e também tinha muita tontura. Tudo bem, nós esquecíamos a camisinha de vez em quando, mas eu sempre tomava a pílula. Não tinha como eu estar grávida... Não é?
— Não Oliver. Eu não estou grávida.
— Você tem certeza? Você sabe que não é porque eu não quero filhos, porque você sabe que eu pretendo me casar, só estou esperando o seu tempo. Agora, ter um filho aos dezenove anos, sem nem ao menos ter terminado o ensino médio ainda... Eu não tenho certeza.
— Querido, eu não estou grávida. Não vamos ser pais tão cedo, ok? Não se preocupe.
Encarou-me por um momento e depois me beijou.
— Scusa me. É que pensar em ser pai me deixa nervoso.
— Então não pense. – disse acariciando a nuca dele e vendo os pelos de seus braços arrepiarem-se. – Pare de pensar nisso, ok? – sussurrei em seu ouvido e mordi o lóbulo da orelha dele.
Ele envolveu minha cintura com o braço e beijou meu pescoço.
— Tem certeza que quer assistir filme? Podemos ficar aqui... Posso te cansar um pouco. – sorriu malicioso e mordeu minha clavícula.
Sorri com a proposta e depois suspirei.
— Mas eu ainda quero pipoca...
Ele riu e baixou a cabeça.
— Ok então. Vamos fazer pipoca.
Fomos até a sala e pegamos um pacote de pipoca de microondas com manteiga. Enquanto a pipoca estourava ligamos o notebook na TV e acessamos o Netflix.
— Que filme você quer ver? – perguntei.
— Qualquer um está bom.
— Pode ser O Silêncio dos Inocentes?
Ele me olhou como se eu fosse louca.
— A essa hora da madrugada?! Quer me deixar sem dormir, mulher?
Eu ri e o beijei.
— Olha o seu tamanho, Ollie! E outra você lutava!
— E daí? Posso ter 1, 93, mas você sabe que sou medroso com filmes.
— Então Á Espera de Um Milagre?
Ele concordou com a cabeça.
— Bem melhor.
Balancei a cabeça e sorri.
— Você não existe.
— Existo sim. Quer uma prova?
— Aham. – respondi distraída enquanto procurava o filme.
Senti seus lábios em minha nuca e descendo pelo meu pescoço, depois subindo de novo pelo meu queixo e chegando em meus lábios.
— Cara! Como eu te amo! – eu disse depois que ele nos separou.
Ele riu e me deu um selinho rápido.
— Eu também te amo.
Coloquei o filme para carregar e Oliver foi buscar a pipoca. Trouxe junto com ele dois copos com restos de café do Starbucks que havíamos comprado naquela noite. Ele esquentara o café no microondas e agora as bebidas estavam em condições de serem tomadas novamente.
— Aqui. – entregou-me meu café.
— Obrigada amor.
Ele apagou as luzes e se sentou ao meu lado, me abraçando. Dei play no filme e beberiquei meu café.
Viramos a madrugada.
...
Pela manhã organizamos um pouco da bagunça que havíamos feito na sala e fomos nos aprontar para a escola. No outro mês teríamos SAT e não podíamos nos dar ao luxo de faltar.
— Está ficando quente de novo. – comentei.
— Graças a Deus! – Oliver respondeu do banheiro.
— Você não gosta do frio, amor? – perguntei vestindo uma antiga camiseta branca do Metallica que eu roubara de Oliver e transformara num vestido.
— Mais ou menos. Prefiro o calor porque gosto de ir à praia.
Ele apareceu na porta do quarto enquanto eu calçava meus coturnos detonados por cima da meia-calça arrastão.
— Sei lá, prefiro o frio. Gosto de usar bastante roupa.
Ele sorriu e me beijou, envolvendo-me pela cintura.
— Prefiro você assim. Te acho bem mais bonita usando minhas camisetas como vestidos, meias sexys e coturnos.
Sorri torto.
— Fala a verdade, você gosta mesmo é de me ver com pouca roupa.
— Também. – respondeu. – Vou me vestir. Acho que não posso ir só com uma calça de moletom pra escola.
— Acho que não. E se pudesse eu não deixaria.
Ele levantou as sobrancelhas.
— Você não era ciumenta assim.
— A sua ex ainda estuda naquela escola e não gosto do jeito que ela te olha. Como se estivesse arrancando a sua camiseta com os olhos.
Ele riu e tirou as calças.
— Você ainda se lembra do motivo de eu ter terminado com ela, não?
— Ela te traiu, não foi?
Ele concordou com a cabeça, dirigindo-se até o armário.
— Você acha que vou querer ficar com ela depois dela ter me traído e depois de ter descoberto que você é a mulher da minha vida?
Travei, ficando surpresa diante daquilo. Às vezes ele joga essas coisas no meio da conversa muito repentinamente e eu fico sem reação.
— O que você disse?
— Que eu não voltaria com alguém que me traiu. – disse colocando uma camiseta preta.
— A outra parte.
Ele se virou, se agachando para fitar meus olhos e sorriu, beijando-me a testa.
— Que você é a mulher da minha vida.
Sorri acanhada.
— Você solta essas coisas do nada...
— É que eu amo ver sua cara de surpresa. – colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha e me beijou. – Eu te amo, e não é a primeira vez que falo esse tipo de coisa.
— Não, não é. Eu também te amo. E você é o homem da minha vida.
Sorriu satisfeito e beijou-me o maxilar.
— Vamos indo?
Fiz que sim e peguei minha mochila. Ele me deixou ir na frente e me surpreendeu dizendo.
— Jesus! Não consigo parar de olhar pras suas pernas!
Eu ri e me virei, pegando em sua mão e entrelaçando nossos dedos.
— Você realmente não tem jeito.
— E sei que você ama meu jeito.
Descemos pelas escadas e demos um bom dia simpático ao porteiro, que correspondeu com a mesma simpatia.
Fomos até a caminhonete e acendemos um cigarro. Oliver tragou e depois passou pra mim, que dei uma tragada longa e abri a janela para baforar a fumaça. Passei a fumar mais depois que Helena morrera. Tinha sido só um cigarro daquela vez, só para experimentar, mas agora eu fumava cerca de três cigarros por dia.
— Você tem fumado demais. – Oliver comentou.
— Olha quem fala! – rebati, puxando o cigarro de sua boca e dando uma última tragada antes de jogar a bituca pela janela. – Você parecia uma chaminé quando nós éramos só amigos.
— Mesmo assim. Você tem que dar uma maneirada.
— Eu só fumo três cigarros! Você fumava o maço inteiro, Ollie!
— Você quer que eu te lembre daquele incêndio? Passei a fumar menos depois daquilo, lembra? Agora só fumo de vem em quando.
Suspirei.
— É, eu me lembro disso. Vou tentar maneirar. Para na Starbuck, por favor? Quero pegar um café.
— Ok.
Liguei o rádio e coloquei o cd Suicide Season do Bring Me The Horizon. Mudei para Chelsea Smile e do nada meu namorado começou a gritar junto com a música, assustando-me.
— Ai caramba! – dei um pulo. – Quer me matar do coração?
Ele riu.
— Desculpa, não queria te assustar.
— Tá bom. Escuta, quando você aprendeu a cantar assim?
Deu de ombros.
— Sei lá. Mas machuca a garganta.
— Deve ser o cigarro. – comentei.
— Provavelmente.
A música acabou, tirei o cd e conectei meu celular no rádio do carro, colocando Arabella do Arctic Monkeys.
— Decida-se, amore mio. Ou você fica no screamo ou no indie.
— Não posso ficar nos dois? – fiz um bico fofo com um olhar de filhote.
Ele parou no farol e quando viu meu rosto sorriu, dando-me um selinho.
— Com essa cara você pode fazer qualquer coisa.
Sorri.
— Vou pensar num jeito de me aproveitar de você com isso, então.
Ele riu e pôs a velha picape em movimento novamente, parando no estacionamento da Starbucks.
— Pode me pedir qualquer coisa que eu faço.
— Incluindo pedir pra você entrar lá e pegar o café expresso pra mim?
— Tudo bem. Mas vou cobrar depois.
Arqueei a sobrancelha.
— Cobrar como?
Ele apenas me deu um sorriso malicioso e saiu do carro.
— Safado... – falei baixinho. – Isso vai ser interessante.
...
Era minha última aula do dia. Redação. O professor continuava usando suas camisas sociais, gravatas, calças jeans pretas e Converses. Era sempre divertido ver as roupas que ele escolhia, pois misturava as de um adulto sério com um jovem despreocupado e isso combinava completamente com sua personalidade.
— Então Sarah... – sentou-se na minha carteira depois que todos haviam guardado o material e haviam ido cada uma para seu canto conversar. – Como está o namoro?
— Está bem. – respondi. Sempre conversávamos antes da aula acabar. – O Oliver realmente é o cara certo pra mim, sabe? Não consigo imaginar minha vida sem ele.
Ele sorriu.
— Vocês são um casal lindo e dá pra ver na cara dele que ele te ama muito.
— Obrigada. – sorri. – Mas e você e a Yasmeen? Vocês também são uns fofos.
— Estamos mais do que bem. Vamos nos casar.
Arregalei os olhos e fitei-o de boca aberta.
— Você pediu ela em casamento?
— Na verdade foi ela quem me pediu em casamento.
Fiquei mais de boca aberta ainda.
— Ela te pediu em casamento?! Como foi isso?!
— Eu tinha chegado em casa e a sala estava cheia de velas e ela estava lá, sentada no chão. Eu me sentei junto com ela e ela abriu uma caixa com alianças e começou a chorar de emoção, disse que nunca achou que fosse ter a sorte de se apaixonar pelo melhor amigo, e que me queria pra sempre e me pediu em casamento.
— Ai que lindo!
Ele riu.
— Sim. Você e o Oliver estão convidados para o casamento, ouviu?
Sorri.
— Nós com certeza vamos.
— Será depois da formatura de vocês. E por falar nisso senhorita Jackman, vocês estão estudando para o SAT?
Cocei a nuca, olhando para baixo.
— Então, é meio difícil se concentrar nos estudos, com tudo que aconteceu.
Ele me olhou sério.
— Você está bem? Por causa da sua prima? Vocês estão precisando de alguma coisa?
— Não, nós estamos bem. Mas é difícil, sabe, depois de tudo aquilo. E também...
— O quê?
— Quando Derek foi preso, ele me olhou nos olhos e disse que não acabou. Não sei, mas isso tem rondado a minha cabeça nesses últimos dois meses e sinto que alguma coisa vai acontecer.
— Sarah, — ele me olhou sério. – Não deixe que uma incerteza atrapalhe seus estudos. Você e o Oliver tem um futuro brilhante e tenho certeza que aquele desgraçado disse isso da boca pra fora.
Sorri.
— Obrigada. – o sinal bateu. – Bem, tchau. Vou contar ao Ollie sobre o seu casamento!
— Tudo bem, tchau. E trate de estudar!
Peguei meu material e saí pelos corredores, encontrando com Oliver em seu armário.
— Vamos loirinho? – eu disse enquanto ele tirava alguns livros do armário e depositava em sua mochila.
— Vamos amore mio. Não pense que eu esqueci de te cobrar daquele favor.
Eu ri.
— Ok. Você me cobra lá em casa.
— Até porque seria ilegal se eu cobrasse num lugar público... – ele comentou. Dei um tapa leve no seu ombro.
— Safado!
Ele sorriu, fechou o armário e passou o braço pelos meus ombros.
— Vamos.
— Ei. – eu disse quando chegamos no carro. – Sabia que o Patrick e a Yasmeen vão se casar?
— Ele pediu ela em casamento é?
— Na verdade ela o pediu.
Ele sorriu.
— Que legal. Quando vai ser?
— Depois da nossa formatura. Ele falou que estamos convidados.
— Nós vamos com certeza. Mas e aí? Quando vamos convidar eles pro nosso casamento?
— Oliver...
— Tá bom, desculpa.
Suspirei e depois sorri.
— No fim do ano.
Meu namorado freou bruscamente. Graças a Deus já estávamos na frente do estacionamento onde deixávamos a picape então ele não causou nenhum acidente.
— O quê?!
Sorri e o beijei.
— Quer se casar comigo no fim do ano?
Ele sorriu e me abraçou o mais forte que já havia me abraçado antes.
— Dio Mio, você não sabe quanto tempo eu esperei! Eu te amo tanto! – disse e me beijou intensamente. – O que te fez mudar de ideia? – perguntou depois de me soltar.
— Você. – respondi. – Depois que você me disse hoje de manhã que eu sou a mulher da sua vida eu meio que percebi que eu não aguentaria um dia longe de você. E que eu nunca me separaria de você porque você antes de tudo é meu melhor amigo e que eu quero ficar com você o resto da minha vida.
Ele sorriu.
— O anel está no porta-luvas. – disse e esticou o braço para pegar uma caixinha de veludo vermelho. Dentro havia um anel de noivado de prata com uma grande safira azul rodeada por pequenos diamantes.
Arquejei maravilhada e comecei a chorar de emoção.
— Oliver, você é louco! Isso deve ter custado uma fortuna!
Ele deu o sorriso mais lindo que já o vi dar e me colocou o anel, depositando um beijo carinhoso na minha mão.
— Ficou lindo em você.
— Eu te amo. Eu te amo, eu te amo, eu te amo! – o abracei forte, ainda chorando.
— Eu também te amo. Muito. Mas vamos sair desse carro agora?
Concordei com a cabeça.
— Vamos.
Ele segurou meu queixo e limpou uma lágrima que escorria pela minha bochecha.
— Você é a mulher da minha vida, bella raggazza. Jamais se esqueça disso.
Sorri e o abracei. Ele retribuiu, virando a cabeça e beijando-me o pescoço.
— Agora vem, vamos subir. – disse.
Saímos e fomos até a portaria. Jack, o porteiro estava lá e nos cumprimentou.
— Boa tarde. Como vocês estão?
— Muito bem. – Oliver respondeu. – Digamos que acabamos de noivar ali no carro.
— O quê? – Jack disse e eu o mostrei meu lindo anel de noivado. – Parabéns! Que ótimo! Mas, espera, você não está grávida, não é?
Oliver e eu rimos.
— Não, não estou. E fui eu quem o pedi em casamento.
Jack franziu o cenho.
— Você?
— Longa história. – Oliver disse. – Te contamos depois. Temos que subir, Sarah está me devendo algo. Tchau.
Puxou-me pela mão e subimos as escadas correndo.
— Seu maluco! – eu ri. – Será que você só pensa nisso?
Ele abriu o apartamento e me puxou pra dentro, fechando a porta e me prendendo contra ela.
— Queria sentir o cheiro da sua pele... – ele disse, dando-me um beijo apaixonado na clavícula.
— O que é isso? Está com abstinência de cigarros e eu estou cheirando tabaco? – brinquei.
Ele me olhou nos olhos. Seus belos olhos castanhos me hipnotizaram, parecendo que me despiam.
— Estou com abstinência de você.
Pegou-me no colo e me levou até o quarto, jogando-me em nossa cama. Deitou-se por cima de mim me dando um beijo voraz e apertou minha coxa.
— Vamos adiantar a lua de mel. – disse.
...
Estávamos deitados na cama. Eu lia um livro de poemas e ele ouvia música ao meu lado.
— Oliver, olha que bonito. – o chamei cutucando-o. Ele retirou os fones.
— O que foi?
— Um soneto de Shakespeare. Olha, é lindo.
— Vem aqui e recita pra mim.
O olhei e sorri, subindo em cima dele e me inclinando, apoiando-me em meu cotovelo e quase encostando meus lábios nos dele.
Suspirei e comecei:
De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
Oliver sorriu e retirou o livro da minha mão, colocando-o encima do criado-mudo. Alisou minhas costas nuas e então me beijou.
— Eu amo esse soneto. Você recitando assim foi melhor ainda.
— Por que estou encima de você? –sorri torto.
— Porque você é perfeita.
Beijou-me e foi me colocando de volta para o meu lado da cama, ficando por cima de mim. Aproveitei para passar os dedos por seus cachos loiros.
Ouvimos um barulho da sala. Oliver saiu de cima de mim imediatamente.
— Fique aí. – disse para mim. Saiu da cama e vestiu uma cueca, depois pegou um taco de baseball.
Deslocou-se vagarosamente e ergueu o bastão acima de sua cabeça, pronto para rebater qualquer ameaça que encontrasse. Permaneci na cama, cobrindo-me com os lençóis e os apertando com força. Senti um calafrio me subindo quando Oliver derrubou o taco no chão e agachou-se em frente da mesinha de centro.
— Filho da puta... – murmurou.
Enrolei-me nos lençóis e fui até a sala. Encima da mesa deparei-me com uma cápsula de bala e um bilhete.
“Put a gun to my head and painting the walls with my brains. Olhe no corredor. Estou de volta, vadia.” — Anjo da Morte.
Eu e Oliver levantamo-nos juntos e abrimos a porta para o corredor.
Havia um cadáver de uma garota jovem já começando a se decompor encostada na parede enfrente ao nosso apartamento. Encima dela havia escrito em sangue: Eu vou te arrastar pro inferno.
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