Bring Me Back My Sanity
2 Capítulo 2: Positivo.
Notas iniciais
— Como diabos ele fez isso? – eu disse pontuando cada palavra. Minha boca secava. O cheiro do cadáver me causava náuseas.
— O comparsa dele não foi identificado, não? Ele pode estar recebendo as ordens. – Oliver disse, envolvendo seus braços em minha volta. – De qualquer jeito, vamos ligar pro Aaron.
Concordei com a cabeça.
— Sim. Vamos emitir o alerta vermelho para cadáver.
...
— Então... – Aaron começou, vindo até nós. Um cientista forense cuidava da cena do crime. – O que vocês estavam fazendo quando acharam o bilhete?
— Estávamos na cama. – Oliver disse. – Ouvi um barulho na sala então me levantei pra ver o que era e só havia o bilhete e a cápsula de bala.
— É sempre assim, não é? Vocês sempre ouvem algo e quando vão ver tem uma ameaça na sala.
— Acho que sua escolta não está fazendo um bom trabalho. – Oliver comentou. Dei uma cotovelada em suas costelas em repreensão. – Ai! O que foi? É a verdade!
— Nós pedimos desculpa. – Aaron disse. – Vamos fazer o possível pra que isso não aconteça de novo.
Oliver assentiu com a cabeça, observando Aaron com os olhos baixos, como se ele fosse algum inimigo.
— Assim espero.
— Bem, já acabamos nosso trabalho por aqui. Vamos fazer o melhor possível. Perdoe-nos o transtorno.
Aaron pegou o saco com a cápsula de bala e o bilhete e saiu, fechando a porta atrás de si.
— Pelo amor de Deus, qual é o seu problema?! – disparei para Oliver.
Ele me olhou com uma sobrancelha levantada.
— Não sei do que você está falando. – saiu andando de volta ao quarto.
— Como assim não? Você está gozando com a minha cara?!
— É sério amore mio, não sei do que você está falando. – disse e tirou as calças, atirando-se nos lençóis.
— Por que você o trata com tanto desprezo, Oliver?!
— Eu já te expliquei.
— O quê?! Aquela explicação vazia de que ele me olha como um pedaço de carne?
— Exato Sarah! Exato! — ele elevou a voz, levantando o tronco da cama e me surpreendendo. – Você não vê o jeito como ele te olha porque está fissurada com o fato de que ele é praticamente o único que pode nos salvar desse inferno, e eu não te culpo nem um pouco por isso porque se eu estivesse no seu lugar eu estaria do mesmo jeito! Mas eu percebo, Sarah! E é nojento o jeito que ele te olha porque já vi conhecidos meus olhando para outras mulheres do mesmo jeito, e eu tinha de ouvir os comentários nojentos deles e não quero ninguém pensando algo tão baixo e asqueroso sobre você.
Sentei-me na beirada da cama e beijei seu maxilar, fazendo um cafuné no seu cabelo.
— Você é o melhor noivo que eu poderia pedir. Eu te amo muito, entendeu? Obrigada por sempre me proteger, desde que a gente se conheceu.
Ele sorriu e me abraçou.
— Não precisa agradecer. Faço isso porque te amo e porque quero te ver bem.
— Mesmo assim. Obrigada.
Ele sorriu.
— Vamos estudar? Deus não será tão bom pra nos fazer passar pra faculdade sem nenhum esforço.
Sorri.
— Tudo bem.
Pegamos os cadernos e os livros e fomos até a cozinha, nos sentando no balcão para estudar.
Tentei me concentrar ao máximo, pois percebi que Oliver estava se esforçando demais para estudar. Eu sabia que ele tinha dificuldade e não seria eu que o atrapalharia.
...
Oliver fechou o livro com força.
— Eu vou me matar! – ele disse desesperado.
— O que foi amor? – perguntei preocupada.
— Como diabos eu vou tirar uma nota boa no SAT se eu não entendo porra nenhuma de Física?!
— Oliver, se acalme.
— Eu não posso repetir de novo, Sarah! Não posso ter vinte anos e estar no terceiro ano. Como vou dar um futuro pra gente sem a faculdade?
Dei a volta no balcão e segurei seu rosto, beijando seus lábios.
— Oliver, por favor, não entre em pânico. Você vai conseguir. Eu acredito em você. Eu sei que você consegue.
— Eu não tenho certeza...
— Eu tenho. Vem, eu te ajudo. O que você não entendeu?
Ele respirou fundo e me puxou para que eu sentasse em seu colo.
— Basicamente não entendi nada.
— Ok... Vamos do começo então.
...
A primavera já era no fim de semana e haveria um baile na escola. Nunca fui há um baile no colégio, pois não queria ir sozinha e Oliver era tão preguiçoso que a mínima ideia de ter de se arrumar e sair já o fazia querer dormir.
— E então, meus alunos e noivos favoritos. – Yasmeen disse para Oliver e eu, sorrindo com seu jeito meigo. – Vocês irão ao baile de primavera?
— Como em todos os nossos outros anos, não. – respondi. – Achamos melhor ficarmos estudando.
— Vocês realmente estão se esforçando, não é? – assentimos. – Não é pecado se divertir um pouco. Façam uma pausa nos estudos e nas ameaças e vivam um fim de semana como os jovens da idade de vocês.
— Ok, Yasmeen. – Oliver sorriu. – Vamos vir e tentar curtir um pouco.
O sinal bateu e saímos, colocamos nossas coisas em nossos armários e fomos embora para casa.
— Você sabe que esse baile é de máscaras, não? – falei para Oliver quando chegamos.
— Eu sei. – ele disse. – E acho que você vai ficar maravilhosa com a máscara que eu comprei pra você.
Olhei pra ele surpresa e ele me pegou pela mão, me guiando até o quarto e abrindo a gaveta da mesa de cabeceira, onde ele guardava as camisinhas. De lá ele retirou uma linda máscara branca italiana, tão delicada que parecia que ao mais leve toque poderia se partir, com traçados como se tivesse sido costurada por fadas, com toques de pedras um pouco amareladas para que o destaque ficasse todo na delicadeza dos arabescos.
— Que linda! Você já queria ir? – eu disse, pegando a máscara na mão.
— Sim. Ia falar com você quando chegássemos, mas a Yasmeen me poupou. E então, gostou?
— Eu amei! Ela é linda! E você vai com qual?
— Não vou de máscara.
Pude sentir minha expressão se entristecendo levemente. Não queria ser a única de máscara, mesmo sabendo que praticamente todos estariam mascarados.
— Não consegui achar nenhuma. É difícil achar máscaras masculinas. – ele disse vendo a minha expressão.
— E por que eu tenho que ir mascarada?
— Por causa disso.
Ele pegou a máscara gentilmente da minha mão e foi atrás de mim, ajeitando meu cabelo e amarrando a peça levemente no meu rosto, de modo não incômodo. Repousou a mão em meus ombros e guiou-me até em frente do espelho.
— Seus olhos conseguem se destacar mais ainda desse jeito. Comprei pra você só por causa disso. Você vai ser a mulher mais linda daquele ginásio.
Sorri meio sem jeito. Meus olhos conseguiam parecer mais azuis ainda com metade do meu rosto coberto pela máscara.
— Não tenho um vestido. – eu disse.
— Você não pode emprestar um da Laila?
Encarei-o como se ele estivesse brincando.
— Amor, a Laila é minúscula. Qualquer vestido dela me servirá de camiseta.
— Não tem ninguém que você possa emprestar?
Pensei um pouco. Em qualquer outra situação eu emprestaria de Helena e estaria tudo certo. Mas agora eu não tinha mais essa opção.
— Espera um minuto.
Peguei meu celular e disquei o número.
— Alô, Tabitha? – eu disse apreensiva. – Oi, tudo bem com você?
Oliver me observou enquanto eu jogava conversa fiada com Tabitha, afim de saber como ela estava e de ganhar tempo.
— Hm, sei que não nos falamos muito desde que eu saí da clínica, mas estou precisando de um vestido pro fim de semana e não tenho nenhum. Você por acaso não poderia me emprestar? Tudo bem, então eu passo aí por volta das seis. Tchau, beijo.
— E então? – Oliver perguntou desamarrando a máscara do meu rosto e guardando-a na gaveta.
— É pra eu passar no apartamento dela mais tarde, pra ver se ela tem algum.
— Vou ir trabalhar daqui a pouco, amore mio. Não quero que você fique andando pela rua sozinha depois daquele dia.
Sorri com sua preocupação e dei um beijo em seus lábios.
— Não precisa se preocupar, ela mora no andar de baixo.
Ele suspirou e beijou meu cabelo.
— Melhor assim.
— E com que roupa você vai?
Ele deu de ombros.
— Provavelmente camisa, uma calça jeans escura e tênis preto.
— Simples assim?
Ele assentiu e beijou a pele atrás da minha orelha.
— Simples assim. – sussurrou.
— Queria ser assim.
— Eu prefiro você do jeito que você é. Adoro seu jeito complicada.
— Eu sou uma bagunça, Ollie.
— Você já viu meu quarto quando eu morava sozinho? Eu me acho na bagunça, amore mio.
Sorri.
— Eu te amo. Agora vai se arrumar, não quero que você chegue atrasado.
Deu-me um beijo e foi até o banheiro. Ouvi o registro sendo aberto e os canos estalando até que a água chegou até o chuveiro.
Peguei meu violão e sentei-me na cama. Fiz um nó no cabelo para prede-lo e estralei os dedos. Passei os dedos pelas cordas e senti o som vibrando pelo corpo do instrumento. Limpei a garganta e comecei a tocar Home da Gabrielle Aplin.
Oliver apareceu no quarto com uma toalha enrolada envolta de sua cintura. Eu ainda tocava a música e ele sorriu para mim e deu um beijo na minha testa.
Terminei a música e ele retirou a toalha, agachando-se na frente do guarda-roupa para pegar uma cueca.
— Eu poderia ficar ouvindo a sua voz o dia todo. – ele disse e vestiu a cueca, fazendo o elástico estalar em sua cintura.
— E eu poderia ficar te admirando assim o dia todo. – sorri maliciosa.
Ele caminhou até a cama em passos lentos, olhando-me com o olhar baixo. Retirou o violão do meu colo e o colocou no chão, depois se deitou por cima de mim, deixando seus lábios a centímetros dos meus, porém não me beijou. Tentei beijá-lo e ele afastou a cabeça, dando um sorriso torto.
— Não me tortura assim. – eu disse, praticamente implorando.
— Peça. – ele disse.
— Por favor.
— Por favor o quê?
Mordi o lábio.
— Por favor Oliver, para de me torturar e me beija logo.
Ele sorriu e foi beijando meu pescoço, descendo até o colo dos meus seios e dando uma mordida. Depois seus lábios subiram até a minha orelha, desceram pela minha mandíbula e finalmente chegaram aos meus lábios. Gemi baixinho de encontro à sua boca e cravei minhas unhas em seus ombros.
Oliver mordeu meu lábio inferior de leve e depois deu um chupão no meu pescoço. Saiu de cima de mim e foi até o guarda-roupa pegar uma calça.
— Oliver. – falei decepcionada. – Volta aqui.
— Acabei de tomar banho, amore mio. Não vou transar agora pra ficar todo suado.
— Você me atiça e depois me deixa assim? Quer me deixar louca? – reclamei.
Ele sorriu e passou o cinto pela calça.
— Como se você não fizesse isso comigo direto.
Levantei uma sobrancelha.
— Então isso é vingança?
Ele sorriu lindamente e assentiu com a cabeça.
— Você vai se arrepender. – eu disse.
Ele sorriu e beijou minha bochecha.
— Não fique brava comigo, mia principessa. Só não quero me atrasar pro trabalho. Vou receber no próximo fim de semana e não quero motivos pra que meu chefe corte um centavo sequer do meu salário.
— Tudo bem... Mas ainda estou chateada com você.
Ele riu.
— Prometo te compensar mais tarde. Tchau, já vou indo.
— Tchau amor. – me levantei e o beijei. – Bom trabalho.
— Obrigado. Fica bem, qualquer coisa me ligue, ok?
— Ok. – o beijei novamente e quando ele se virou dei um tapa em sua bunda.
— Ei! – ele disse rindo. – O que é isso?
Dei de ombros, sorrindo.
— Fui uma péssima influência pra você. – beijou minha testa e saiu.
Suspirei e me larguei no sofá, zapeando pelos canais e esperando até que chegasse a hora de eu ir até o apartamento de Tabitha.
...
Toquei a campainha do apartamento e Tabitha me recebeu. Seus cabelos de canecalon estavam presos num rabo de cavalo e ela vestia uma camisa de algodão branca com calças jeans de lavagem clara.
— Oi. – falei.
— Oi Sarah, entra aí. – ela disse, abrindo espaço para que eu passasse.
— Com licença. Cara, obrigada por me salvar. Oliver me apareceu com essa ideia de última hora e não tenho nada que combine com essa máscara. – mostrei a máscara pra ela. Eu havia levado pra que ela tivesse uma ideia e me ajudasse.
— Meu Deus, que obra de arte! Foi seu namorado que comprou? – ela levantou os olhos amendoados até mim e assenti. – Ele tem muito bom gosto.
— Tem. Mas sabe me provocar como ninguém.
— É ai que o relacionamento fica mais interessante. – ela disse e me pegou pela mão. – Vem. Vamos ver o que eu tenho.
Guiou-me até seu quarto. Ele era inteiramente branco e possuía um mural cheio de fotos dela e de algumas artistas famosas como Beyoncé e Katy Perry.
Ela abriu o armário. Inúmeras peças pretas e brancas apareceram no meu campo de visão e ela começou a remexer nos cabides.
— Vamos ver... Algo bonito, não muito chique porque é uma festa de colegial, não muito casual porque tenho certeza que tem uma garota lá que você precisa fazer inveja porque convenhamos você é linda e deve ter alguma mina que não vá com a sua cara. Tem que combinar com a máscara, com o seu colar...
— E com meu anel de noivado. – eu disse sorrindo, esperando para ver sua reação.
Ela se virou lentamente e olhou para minha mão. Sua boca se escancarou quando viu meu anel.
— Ai meu Deus você vai se casar! – ela gritou e me abraçou.
— Eu sei! – gritei junto. – E você está mais do que convidada, ouviu? Não sei a data ainda, mas provavelmente depois que Oliver e eu nos formarmos.
Ela me soltou e sorriu.
— Eu vou com certeza. Meu Deus, estou tão feliz por você! Você vai ser uma noiva tão linda! Agora vou achar um vestido maravilhoso pra você que deixe esse anel mais lindo do que ele já é.
Ela se virou para o armário novamente e foi remexendo nos cabides até puxar um vestido branco curto com bordados prateados no corpete e um decote profundo nas costas.
— Aqui, experimenta esse. Vou te esperar na sala. – entregou-me o vestido e saiu fechando a porta.
Tirei a roupa e coloquei o vestido, arrumei um pouco o cabelo com os dedos e coloquei a máscara. Olhei-me no espelho de corpo inteiro atrás da porta. Observei minhas costas desnudas e o cumprimento do vestido, que não era dos maiores.
Oliver ficaria maluco.
Abri a porta e fui até a sala. Tabitha estava sentada no grande sofá bege e quando me viu abriu a boca.
— Dá uma volta. – ela disse e a obedeci. – Meu Deus! Não tem discussão, é esse mesmo! Seu noivo vai ficar doido!
Eu ri.
— Vai mesmo, não vai?
— E o sapato? – perguntou. – Acho que você não calça meu número.
— Eu tenho um salto prateado.
— Então usa e arrasa! Você vai ser a garota mais linda daquela festa, tenho certeza.
Sorri e a abracei.
— Obrigada Tabitha.
— Não há de quê. Ah, antes de você ir, lembrei que ia te falar que tem uma vaga de garçonete lá no Burger. Se você estiver procurando emprego, pode tentar lá. Seria legal ser sua colega de trabalho.
— Vou passar lá na semana que vem então. Obrigada. Estou precisando ajudar Oliver.
— Ok. Vou falar com meu chefe e depois falo com você. E depois quero saber como foi o baile, viu?
— Vou te mandar uma mensagem com todos os detalhes. Tchau.
— Tchau.
Saí e subi até meu andar. Guardei o vestido de Tabitha com cuidado no guarda-roupa e fui tomar um banho.
Decidi me permitir o luxo de tomar um banho de banheira e apaguei a luz, iluminando o banheiro com velas aromáticas. Enchi a banheira e joguei os sais de banho na água, vendo-a tomar uma cor azul. Despi-me e fiz um coque no cabelo, depois entrei na água quente.
Devo ter dormido no banho, pois acordei com o toque de Oliver subindo pela minha perna.
— Ei, acorda. – ele disse e sorriu. – Você fica tão sexy na luz baixa.
— Até porque estou nua.
— Olhando por esse lado... Vem, vamos dormir.
Saí da banheira e ele me envolveu com uma toalha e foi comigo abraçado até o quarto.
— Estava com saudades? – perguntei.
— Sim. Não havia a hora de chegar em casa e dormir agarrado com você a noite inteira.
Sorri e me virei para beijá-lo.
— Eu te amo.
— Eu te amo mais.
Sorri e me soltei de seu abraço, vestindo-me. Ele também trocou de roupa e deitou-se junto comigo, me abraçando e me puxando para tão perto, preenchendo um espaço entre nós que não pensei que existia.
Encostei a cabeça em seu peito e relaxei e logo havia adormecido.
...
— Anda Sarah! Vamos nos atrasar! – Oliver gritou do quarto. Terminei de me arrumar no banheiro, pois queria surpreendê-lo e fui até onde ele estava.
Ele ficou boquiaberto quando me viu com o vestido de Tabitha.
— Meu Deus, você está maravilhosa! – ele disse. Estava sentado na cama com um sapato social preto, calças jeans de lavagem escura e camisa social branca.
Dei uma volta e mostrei o decote ousado nas costas.
— Eu vou enfartar! – ele disse, pondo a mão no peito.
Ri e fui até ele. Suas mãos repousaram na minha cintura e desceram até as minhas coxas.
— Se eu não tivesse prometido à Yasmeen que nós iríamos eu arrancaria esse vestido de você agora mesmo.
Sorri e me inclinei para sussurrar em seu ouvido.
— Espere até o final da festa.
Senti uma de suas mãos entrando pela saia do vestido e afastando minha calcinha para o lado. Seu dedo médio me acariciou e soltei um gemido baixo. Ele se levantou e seu dedo escorregou para dentro e suspirei apertando seu ombro.
— Fico louco só de pensar que vou ter que esperar sei lá quantas horas pra poder fazer isso de novo.
— Só tente não fazer isso no meio do ginásio.
Senti sua respiração em meu pescoço e ele sussurrou em meu ouvido.
— Prometo tentar me controlar.
Ele retirou o dedo de mim, ajeitou a saia do meu vestido e segurou minha mão.
— Vamos?
Coloquei a máscara e o olhei decidida.
— Vamos.
...
O ginásio havia sido iluminado com várias lanternas coloridas e havia vários arranjos de flores para enfeitar o lugar. Reconheci vários rostos por de baixo das máscaras, incluindo o de alguém que eu não queria muito que viesse.
— Sua ex está aqui. – comentei com Oliver.
Ele olhou ao redor e viu a figura baixinha de cabelos platinados completamente desfiados por navalha e os olhos verdes como os de um gato.
— Está mesmo. – ele disse indiferente.
— Ela está bonita.
Seus olhos desviaram-se para mim e ele sussurrou no meu ouvido.
— Não tanto quanto a minha futura esposa. Você com certeza é a mulher mais linda da escola inteira. E é a mais linda do mundo pra mim. – ele beijou a pele atrás da minha orelha e pegou minha mão.
Sorri e o puxei até a pista.
— Dança comigo. — pedi.
— Nem precisa perguntar.
Éramos os únicos dançando. O Dj tocava uma música do Maroon 5 e eu e Oliver acompanhávamos o ritmo. Eu dançava de costas pra ele e suas mãos envolveram a minha cintura, deslizando pelo meu corpo.
— Contenha-se. Não esqueça que estamos na frente da escola inteira. – eu disse. Vi um sorriso sacana preencher seus lábios.
— Então é melhor se virar de frente pra mim. – disse.
Virei-me e agarrei sua camiseta, ainda dançando. Ele me puxou pela cintura para mais perto e senti sua mão descendo pelo decote das minhas costas, me arrepiando.
A música acabou e quando olhei ao redor novamente havia vários casais na pista.
— Acho que nós abrimos a festa. – sorri e lhe dei um selinho.
— E olha que a gente nem queria vir.
Dei de ombros.
— A gente arrasa sem nem precisar ser popular. – eu ri.
— Graças a Deus. Sou um merda jogando futebol.
— E eu não seria boa líder de torcida.
— Discordo. Você ficaria incrível com o uniforme.
The Light Behind Your Eyes começou a tocar. Sorri e Oliver me abraçou.
— É a nossa música. – eu disse.
Ele sorriu e me deu um beijo, então quando o violão começou a tocar ele começou a dançar comigo.
— Sim, é a nossa música.
O abracei e enterrei o rosto em seu peito, sentindo o cheiro maravilhoso de seu perfume. Ele me abraçou forte e repousou o queixo no topo da minha cabeça.
Fechei os olhos para ouvir as batidas de seu coração junto com a música. Naquele momento pra mim só existia nós dois.
Quando a música acabou Oliver me puxou até uma das mesas com bebidas e me serviu com um copo de refrigerante.
Ouvi uma vozinha fina por trás do meu noivo.
— Oi Oliver, tudo bem? – Eleanor disse, assustando Oliver que deu um pulo fazendo o refrigerante saltar do copo.
— Ai que susto garota! – esbravejou. – Oi. O que foi?
— Só vim te cumprimentar. – ela disse, mexendo no cabelo incessantemente. – E então, como está a vida?
— Muito bem. – ele disse. – Vou me casar. No fim do ano, provavelmente.
Eleanor ficou sem reação.
— Você vai o quê?! – ela disse num grito agudo.
— Vou me casar. Encontrei a mulher da minha vida e não quero deixá-la escapar, então vou me casar com a mulher mais linda do mundo.
— Você nunca me disse que tinha intenção de se casar quando a gente namorava.
— Eu te namorei por dois meses até que você traiu. Não tive como me apaixonar por você de tal forma que me fizesse querer passar o resto da minha vida com você. Com a Sarah é diferente.
— Por quê?
— Porque ela me fez uma pessoa melhor. Me faz me sentir bem sendo quem eu sou, por mais que eu seja uma bagunça. E ela é a minha melhor amiga. Nunca vou olhar pra ela e me perguntar se fiz a decisão certa porque sei que além do amor a nossa amizade vai nos manter unidos.
Sorri diante da declaração de Oliver e meus olhos encheram-se de lágrimas. Vi Eleanor morder o lábio e suspirar.
— Bem, parabéns a vocês dois. Espero que vocês sejam muito felizes. Sarah?
— Sim? – inclinei-me para vê-la melhor, já que Oliver estava na frente dela.
— Não faça besteira como eu fiz. Você nunca vai achar um cara que te trate tão bem quanto ele te trata.
Fiz um maneio de cabeça para ela e sorri levemente.
— Pode deixar.
Vi a baixinha virar-se e seguir para o outro lado do salão. Oliver se virou para mim e eu fiquei na ponta dos pés para beijá-lo.
— Você disse coisas tão lindas. Eu te amo.
— É tudo verdade.
— Vai ter que se superar nos votos do casamento, ouviu?
— É melhor eu começar a escrevê-los, então.
Sorri e o beijei. Puxei-o de volta pra pista.
...
Chegamos em casa e tratei de tirar os saltos dos meus pés rapidamente e levá-los para o quarto. Ouvi a porta rangendo e senti as mãos de Oliver afastando gentilmente meu cabelo e beijando meu pescoço. Sorri e me virei, passando os braços por sua nuca. Ele foi me empurrando até os meus joelhos encontrassem o colchão e vacilassem, fazendo-me cair de costas na cama. Ele esticou o braço e abriu a gaveta da mesa de cabeceira, vasculhando lá dentro. Senti seu corpo se retrair por cima do meu.
— Acabou a camisinha.
O puxei para mais perto e o beijei.
— Eu tomo a pílula amanhã, não se preocupa.
Ele sorriu e tirou a camisa.
Na manhã seguinte acabei me esquecendo da pílula. ...
Três semanas depois eu estava na aula de Patrick, escrevendo uma redação. O professor pareceu notar meu nervosismo e veio falar comigo.
— Sarah, está tudo bem?
— Sim. – respondi não soando convincente.
— Sarah, o que foi? – tornou a perguntar.
— Eu estou bem. Só estou um pouco enjoada.
— Quer ir lá fora tomar um ar?
Assenti com a cabeça.
— Obrigada.
Peguei minhas coisas e saí da sala, indo direto ao banheiro. Abri a primeira cabine e de lá tirei a sacola da farmácia.
— Acalme-se Sarah, é só um enjoo...
Alguns minutos depois, que pareceram séculos, saí de dentro da cabine e fui até a pia. Joguei um pouco de água no rosto e percebi que eu parecia mais pálida do que antes.
Chloe, uma das líderes de torcida com quem eu me sentava nas aulas de Matemática entrou no banheiro e foi depressa até mim.
— Sarah, você tá bem?!
Segurei-me na pia e vi os olhos da garota de cabelos cor de rosa indo até o pequeno teste que eu me esquecera de jogar no lixo.
— Ai meu Deus Sarah! Você está grávida!
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