Brincando com Segredos
13 Os três porquinhos.
Notas iniciais
Edward se inclina rapidamente para frente depois de uma breve discussão com a garota dos piercings. Ele ergue a tesoura que carrega e corta as cordas que prendem os meus pés e as minhas mãos. Estou livre. Penso em chutar os dois e correr para fora do lugar, mas percebo, mesmo com o olhar atravessado e descontente da garota, que estamos do mesmo lado.
— Nós não estávamos botando fé nas ameaças dela! Isso não é uma brincadeira, não é? — O garoto se vira para o meu lado, aparentemente nervoso, como se esperasse que eu soubesse o que fazer a partir dali.
Respondo negativamente com a cabeça, sentindo uma sensação ruim em minha barriga. De repente, a amida de Edward liga o interruptor do recinto. O pequeno cômodo é iluminado e percebo imediatamente que estamos em um porão. Uma pequena escada de madeira se eleva para uma porta antiga de aço, que provavelmente dá acesso ao interior da casa.
— Vocês são realmente uns babacas. — Digo para descontar o medo e a incerteza que eu estou sentindo. Ambos estão usando roupas negras. Realmente devem ter planejado tudo para o meu sequestro.
— Madison, o que você está fazendo? — O garoto pigarreia para a garota, Madison é o seu nome. Ela passa correndo por mim, agarra sua tesoura, deixa a máscara de ghostface de lado e caminha sorrateiramente pelos degraus, virando-se apenas para respondê-lo.
— O que acha? Ficar aqui parada é que eu não vou! Aliás, falei com o Alex para ficar no quarto e não sei do que esse ou essa SS é capaz. — As duas pontas da tesoura se abrem, formando lâminas consideravelmente perigosas. — Vocês não vêm?
Deixo escapulir um misto venenoso de risada e suspiro. Esses dois não sabem como SS age, nunca lidaram fisicamente com ele/ela. O que essa Madison acha que está fazendo? Apesar de tudo, ela estava certa em uma coisa: Não poderíamos ficar ali parados. Edward me entrega um martelo enferrujado com um ar um tanto desconfiado.
Nós três caminhamos para fora do lugar aos tropeços. Atravessamos um corredor estreito e sujo até chegarmos a uma sala mais espaçosa e bem iluminada. A parede acumula grandes teias de aranha, fincadas entre o descascamento da tinta alaranjada. O piso de madeira é frágil e cada passo soa como o choro de algum animal ferido. O lugar fede a mofo.
Os móveis estão acabados e não muito distante de mim há uma janela arrombada. Consigo ver, através dela, a escuridão do céu daquela noite. Uma ventania friorenta varre os cacos de vidros quebrados e, bem distante, faz os galhos de uma árvore chacoalharem.
Do nosso lado, uma porta range levemente. Levanto o martelo em minhas mãos vorazmente, mas Madison abaixa o meu braço e corre na direção do meu alvo. Um garoto de mais ou menos dez anos empurra a porta e abraça a garota, tentando esconder o choro em seus ombros.
— Tá tudo bem? — Ela se afasta, verifica se o garoto tem algum ferimento e beija-lhe a testa com carinho. — O que aconteceu? — Enquanto pergunta, lança um olhar alerta para a janela.
— Tô bem sim, mana. — Cabelos pretos e escorridos, olhos claros e corpo rechonchudo. Se não estivéssemos naquela ocasião, apertar a bochecha de Alex (como Madison havia se referido a ele) seria a primeira coisa que eu faria. Ele continua. — Foi tudo muito rápido! Eu estava no quarto, como você mandou que eu ficasse. Quando a janela foi quebrada, corri para dentro do guarda-roupa imediatamente! O que está acontecendo?
— Isso não te interessa, mano. Volte para o seu esconderijo e só saia quando eu voltar para buscá-lo. — Madison o empurra para o quarto escuro mais uma vez, ignora o rosto amedrontado do pequeno e tranca a porta do cômodo, guardando a chave no seu sutiã.
Um barulho incômodo surge na direção de Edward. O garoto se assusta com o ruído, enfia a mão no bolso e puxa o que é, claramente, o meu aparelho celular. Ele fita Madison com o ar de incerteza, mas puxo-o antes que ele possa considerar se deve ou não me entregar.
Uma sensação de náusea preenche o meu peito. Não é uma mensagem anônima, mas sim uma ligação. Meu dedo hesita em aceitá-la, mas não demora muito em pressionar o visor e confirmar aquele convite de conversar com a pessoa que eu mais odeio no mundo. Ergo o aparelho até o ouvido, com determinação, digo:
— Oi, SS. — Madison e Edward se calam, chocados.
— Oi, vagabunda. — Novamente escuto a voz adulterada que escutei no Winston. Estou tremendo. — Você provavelmente já sabe sobre o vídeo. Eu deveria ter agido antes, ter cortado a garganta desses dois, mas todos erram, certo?
— O seu descanso passou do ponto. Agora é tarde, e eu... — Meu estômago se comprime com a ideia que surge em minha cabeça. Eu não tinha muito o que pensar em relação ao vídeo, e se tinha alguém em quem eu poderia confiar para entregá-lo, esse alguém era Samantha.
— Eu só vou te dizer uma coisa, piranha! Se você usar esse vídeo para safar aquela vadiazinha... — Enquanto a voz estranhamente modificada de SS me atormenta pelo celular, tampo o microfone do meu aparelho e sussurro para Edward me enviar a gravação. Ele não reclama e o vídeo chega ao meu celular antes que SS pare de me xingar.
Envio o arquivo para o contato de Samantha e retorno, com todo o ódio no peito, para a conversa com o assassino.
— Chega! — Grito para o celular, fazendo SS se calar. — O vídeo foi parar em boas mãos, filho da puta. Não me importa mais se você nos matar, porque Tass será solta e se eu não estiver mais aqui para poder falar toda a verdade, ela estará! Aceite, o jogo terminou para você.
Espero mais ofensas, mas no lugar disso, apenas uma risada psicodélica atravessa os fones. Pela careta de Madison, aposto que ela a ouviu. Então ele/ela torna a falar:
— O jogo está apenas começando, Emma. Não fique tão contente, você marcou o seu primeiro ponto, mas eu estou “ok” para situações como essa. — SS fala como se ainda estivesse sorrindo. Dessa forma, encerra a ligação.
Segundos depois, o amontoado negro da roupa esfarrapada de SS passa correndo pela janela, pousando exatamente na frente do mais próximo do centro do cômodo, que é Edward. Nenhum de nós tem uma reação imediata, já que tudo acontece muito rápido. Quando se levanta, a máscara esverdeada de serpente parece sorrir, e em meio ao terror da presença do assassino, o garoto berra.
Sem demora, vejo o brilho prateado da faca de SS. A lâmina desce violentamente na direção do seu ombro, onde encontra carne o suficiente para se afundar e mergulhar em uma poça de sangue. Ele tenta socar a barriga do inimigo, mas a tentativa o fez cair de joelhos, gritando de dor. A lâmina continua o perfurando, cavando ainda mais o seu corpo.
Madison estremece e corre para perto do amigo, socando com força a máscara de SS, sem ao menos movimentá-la. Ela também tenta acertá-lo com a tesoura, mas as mãos do seu rival são mais rápidas e acabam derrubando o objeto cortante.
Os olhos avermelhados do sanguinário se fixam na garota, que recebe uma joelhada brutal na barriga. Ela cambaleia desnorteada até um sofá rasgado, choramingando. Do outro lado da sala, Edward se arrasta para uma parede, tentando não olhar para o seu ombro ensanguentado.
— Por favor, pare... — Madison sussurra.
A figura diabólica em minha frente finalmente me enxerga, desafivela o começo de sua capa e puxa uma outra lâmina de dentro das suas vestes. Os dedos cobertos por uma luva dedilham lentamente a arma, enquanto o olhar mortífero me encara, deliciando-se sadicamente com toda a situação. O maníaco fita as outras vítimas, considerando matá-las, mas eu o impeço.
— Você não os quer. Venha me pegar. — Pela primeira vez não me decepciono com o meu tom de voz. Transpasso uma imagem segura, apesar de não ser o que eu realmente estou sentindo. Aperto o cabo do martelo e lanço-o exatamente onde SS está. A ferramenta trisca na máscara, arrancando-lhe um pedaço inútil na lateral.
— Minha vez. — A lâmina de SS zuni pela sala com um rodopio veloz. Jogo o meu corpo para baixo, escutando o barulho assustador da arma grudando na parede. Antes de me levantar, vejo SS em minha frente. Dou uma cambalhota para o lado, fugindo do seu pontapé. Trêmula, levanto-me com o oponente em meu encalce, pronto para me acertar com uma faca de cozinha. Quantas armas esse demônio carrega?
Passo correndo pelo corredor, deixando para trás a porta de aço do porão. Tudo acontece em questões de segundos. No fim da passagem estreita, uma porta antiga surge ao meu lado esquerdo. Pulo para dentro do cômodo, empurrando a porta no momento exato em que a mão de SS tenta me agarrar. Passo o trinco com dificuldade.
Estou em um banheiro de azulejos sujos. O vaso sanitário está todo empoeirado e ao seu lado há um espelho rachado. Assusto-me quando me vejo através dele: Estou mais imunda que aquela casa. O vestido agora estava todo rasgado, os meus cabelos negros bagunçados e agradeço profundamente por não estar mais com aqueles saltos terríveis. A porta sacode.
Por cima da banheira, encontro uma pequena janela. É a minha única chance de fuga. Escancaro o vidro e passo metade do meu corpo para o lado externo da casa. Nesse instante, a porta é derrubada. Meu coração dispara como nunca. Consigo sair a tempo de não ser morta, mas sei que o psicopata conseguiu levar um pedaço do meu dedo, avaliando a quantidade de sangue que sai do meu pé.
Quero gritar de dor, mas levanto-me depressa. A noite escura me engole com sopros gélidos. Agachada, trilho um caminho tortuoso até os fundos do casebre.
Meus sentidos estão deslocados, mas vejo mato em todos os cantos. Chego ao que parece ser um pequeno celeiro em ruínas. Atrás de mim, a casa mantém-se silenciosa. Teria SS voltado para matar Edward e Madison?
Paro subitamente, contente com o que acabo de ver. A Ferrari de Edward está em minha frente, convidando-me para entrar. Pulo para o forro do veículo, animada com a ideia que acabei de ter.
— Vai, vai. — Sinto a adrenalina subir quando encontro as chaves do automóvel. Os faróis acendem e eu aperto a buzina com força, fazendo com que o barulho saia estrondoso para todos os lados. Sem demora, acelero para fora do celeiro, raspando os pneus na mata. A porta traseira da casa se abre e eu vejo SS segurando um machado. O assassino parece perceber o que eu estou fazendo.
Piso ainda mais forte no acelerador. O carro voa por cima de três degraus e sobe na varanda do casebre, quebrando as pilastras de madeira que sustentam o local. A figura enegrecida com a máscara tropeça para a direita, escapulindo por pouco da lateral fumegante da Ferrari. O capô bate contra a parede com uma força tremenda, minha cabeça vai pra frente, bate no painel do volante e tudo se apaga.
***
— Quer dizer que você queria me matar da mesma forma que eu matei a sua irmã... — Acordo lentamente. A primeira coisa que eu vejo são os olhos avermelhados da máscara de SS. Sinto os meus pés doerem, seguido por pontadas brutais em minha cabeça. — Você enviou o vídeo para uma prostituta, salvou duas pessoas que não confiam em você e tentou destroçar o meu crânio com um pneu! — A voz adulterada grita em meus ouvidos.
A minha visão clareia e eu percebo que estou amarrada, sentada em uma cadeira de madeira, nos fundos do celeiro em ruínas. Não muito distante, consigo ouvir o crepitar de chamas.
— Mas eu não vou castigá-la, Emma, pelo menos não agora... Ainda precisa descobrir uma coisa sobre mim, sobre a verdade. — Ele caminha pela mata, segurando ameaçadoramente um machado. — Até lá, eu machucarei todos ao seu redor, e se não souber agir da forma correta, até o final do ano não haverá mais ninguém para eu cortar ao meio.
Descobrir sobre a verdade? O que ele queria dizer com aquilo? Talvez estivesse tentando me contar algo.
— Essa é uma das partes que eu mais gosto em tudo isso, sabe? Quando rola sangue, quando eu tenho que usar as minhas crianças. — Ele golpeia o ar com o machado, saltitando para frente. De repente, meus olhos se encontram com os da paisagem obscura diante de mim. Seria uma clareira normal se não fosse os três corpos que estavam amarrados e de joelhos enterrados na relva profunda.
Deixo um guincho de terror escapulir pela minha boca. SS rodopia de um lado para o outro, contente com o seu novo joguinho. O psicopata fica entre mim e os corpos, aguardando sombriamente o momento em que eu tenho que perguntar o que está acontecendo, mas eu não o faço. Irritado, ele/ela começa a explicar.
— Esse é o típico momento em que a sobrevivente principal, protagonista e responsável por tudo, terá que escolher algum desses três para ser morto! — Agora ele está gritando, pulando feito criança. — E então Emma, qual dos porcos será abatido?
Quero fugir daquele manicômio, ignorar as palavras medonhas daquele doente e acertá-lo com uma bala no meio da boca, mas SS faz questão de me trazer para a realidade novamente, pressionando-me para escolher um. Nervosa, começo a chorar.
— Você não pode fazer isso, por favor, pare!
— Ótimo, ótimo... — Ele se inclina para os três corpos, que começam a se debater. Concluo que dois deles é Madison e Edward. — Enfim, o seu tempo está passando, se não escolher um, Cristal morrerá afogada. — Meu corpo congela. SS levanta um celular comum, onde vejo uma gravação bizarra. Minha mãe está presa em um tanque de vidro, totalmente desesperada. Isso só pode ser brincadeira.
Sem hesitar, escolho, pedindo para que tudo dê certo.
— O do meio. — Eu acabei de matar uma pessoa.
SS gira o corpo brutalmente, puxando o véu negro que cobre o rosto da pessoa que eu escolhi. Sinto um aperto doloroso no peito quando a venda dos olhos do homem é tirada, seguido por uma mordaça. Gabriel olha pra cima no exato momento em que o machado do assassino desce violentamente na direção de sua cabeça. O barulho faz com que eu grite.
Mesmo na escuridão, vejo o sangue do homem sendo espirrado para todos os lados. Seu urro me atormenta, mas SS continua rindo e rasgando-o. Pernas, braços, barriga, tudo era alvo da lâmina vermelha, que lhe mordia fatalmente.
Depois de dez minutos ouvindo ossos sendo quebrados, SS para o seu ritual e levanta o rosto em minha direção. Sua máscara manchada possui um ar muito mais amedrontador agora. O namorado de minha mãe parou de agonizar a um tempo e agora se resume a um saco de carne humana, totalmente dilacerado.
O assassino levanta o dedo indicador contra a boca de serpente da máscara, fazendo o sinal de silêncio. Os dois corpos sobreviventes estremecem no chão, trêmulos. Os restos mortais de Gabriel são jogados em um saco preto e sem cerimônia, SS desaparece, deixando-me sozinha com a culpa torturante de ter escolhido alguém.
***
Convencer Edward e Madison a ficarem calados foi uma tarefa árdua. O ferimento no ombro do garoto mostrou-se ser algo mais simples do que esperávamos e ele se recuperou rapidamente. Não posso dizer o mesmo de sua Ferrari. Pobre veículo de luxo.
Preciso contar que a semana que se seguiu foi, mesmo que isso seja um tanto egoísta, uma das melhores. Descobri que SS tinha interrompido o jantar de minha mãe e Gabriel naquela noite, sequestrando-os. Cristal ficara presa em uma espécie de galpão abandonado, trancada dentro de um tanque de vidro. Gabriel não teve tanta sorte. A polícia coletou o depoimento de minha mãe para ajudar no caso do desaparecimento do advogado, já que não sabiam sobre a sua morte. Ela falou sobre um homem com máscara de serpente, mas fora isso, as autoridades não sabiam de muita coisa, com uma exceção:
Contei tudo para Samantha, desde o período em que eu era a SS até a noite passada, tudo isso, é claro, girando ao redor de muitas condições, como não agir precipitadamente e não contar a história real para sua equipe. Bom, essa foi a parte difícil, que exige detalhes. Felizmente, a parte mais fácil foi com o caso da Tass.
Samantha contatou os advogados da garota, fez com que Edward ajudasse como testemunha, entregou o vídeo da Tass bêbada para o juiz e eu tive a ideia de olharem as filmagens nas câmeras do condomínio da minha amiga.
SS havia desligado algumas, mas era impossível fazer isso com os aparelhos de todas as casas, então não demorou a encontrarmos um vídeo que mostrava o/a vagabundo/a perambulando pelo lugar, carregando uma sacola. Pela minha interpretação, o filho da puta estava carregando um taco de beisebol e o celular de Mia Huldy. Provas implantadas, mais um ponto pra mim.
Por fim, quando a investigação começou a tomar proporções maiores, todos os jornais, grupos de fofocas e seres inúteis em Oakland já estavam comentando sobre Tass ser a pessoa errada.
O desaparecimento de Gabriel, o depoimento de minha mãe, a filmagem de SS tentando incriminar Tass e a morte de Adelaide. As pessoas não eram burras, todos já estavam ligando pontos e de uma hora pra outra todos comentavam sobre a figura doentia e mascarada. Começaram a chamá-lo de Veneno. Tsc, eu prefiro mil vezes Serpente Sanguinária.
***
O sol nasce no horizonte, arranjando espaço entre a penitenciária e eu. Ao meu lado, centenas de repórteres, amigos e familiares de Tass a esperam. A barulheira não me incomoda, para ser sincera, estou nervosa pra caralho. Quando o portão se abre, a primeira coisa que eu vejo da garota são os seus cabelos longos. Meu coração dispara. Ela está tão pálida, caminhando ao lado de sua mãe com pressa, como um gatinho tímido.
Tass levanta a cabeça, tentando evitar a multidão. Aleatoriamente, seus olhos se fixam nos meus. Ela me entrega um sorriso torto, cheio de incertezas. Sou eu quem ando até ela. Ando não, quero dizer, corro. Estamos tão próximas agora. Meus braços correm desajeitadamente pelo seu ombro, abraçando-a com uma força tremenda.
Sinto a sua testa roçar em meu pescoço. Ela está chorando. Minha mão trêmula suspende o seu rosto, nós nos encaramos por um longo tempo, e apenas por um momento, sei que nada pode me entristecer ou tirá-la de mim.
No momento em que nos beijamos, todo o resto do mundo se silencia. Todos os meus medos morrem. Pela primeira vez, sinto-me tão segura quanto SS. Sinto-me viva.
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