Brincando com Segredos
9 Ódio entre irmãs.
Notas iniciais
SERPENTES SANGUINÁRIAS
M.i.a saiu do grupo
SS2: Você acha que ela sabe de algo?
SS1: Provavelmente já deduziu que eu sou uma SS por causa da facada.
SS2: Não estou me referindo apenas ao ferimento. Você acha que ela não viu algo?
SS1: Seja mais específico.
SS2: Preste mais atenção quando olhar para o vídeo da câmera em seu quarto. Parece-me que alguém espiou você. De qualquer forma, você foi descoberta. A brincadeira no Winston não me satisfez, agora que ela sabe, precisaremos agir primeiro ou ela terminará com toda nossa diversão :(
SS1: Não se preocupe, minha agenda está completamente livre.
***
Continuo olhando pela porta do quarto pelos minutos que se seguem. Adelaide se vira abruptamente para a minha direção, puxa um revólver de dentro do seu lençol e dispara três vezes contra o lugar onde eu estou. Nesse instante, acordo tremendo em minha cama. Meus olhos lacrimejam e eu percebo que era mais um pesadelo.
Apesar da escuridão no meu quarto, sei que já é manhã. Três dias se passaram desde o acontecimento no Winston. Só saio do quarto quando vejo Adelaide caminhando para fora da casa. Tem sido assim desde aquela noite. Minha mãe também não falou comigo desde a briga que tivemos e tem saído, todos os dias, com a minha irmã. Pelo que parece, Adelaide inventou um suposto assalto para justificar seu esfaqueamento.
Não demoro muito para me arrumar. Tass e eu decidimos fazer uma pequena reunião em uma cafeteria no centro de Oakland hoje. O sol estava bem forte e o céu com certeza era o mais limpo dos últimos dias.
— Depois da nossa briga, eu realmente passei a evitá-la por um tempo. Não reclame, você precisava ser isolada. A polícia estava sempre ao meu encalce. Querendo ou não, a Mia aparentava ter poucos inimigos, e na noite em que ela morreu, nós duas lutamos. Aquele soco que eu dei na vadia me fez ser a principal suspeita do assassinato. — Ela levou o café à boca com rapidez, depois cruzou os braços, apressada. — Fui sequestrada por SS no sábado. Levaram-me para a quadra, onde fui obrigada a fazer aquela ligação para você...
A garota estava usando uma trança bem simples e parecia um pouco revoltada com algo.
— E aí eu te salvei. — Interrompi com uma timidez no rosto. — Tass, me perdoe pela briga que tivemos na casa da Jenna... — Dessa vez foi a garota que me cortou.
— Vamos esquecer isso, ok? Temos um problemão em nossas mãos agora. SS voltou com o blog, falou sobre nós duas ontem, dizendo que teria um vídeo. Isso me assusta, Emma. — Enquanto falava, apertava os dedos com calma, visivelmente incomodada.
— Está nos chantageando. Conseguimos sobreviver ao ataque no colégio, estão pirados por isso. — Ponho a mão no ombro da garota. — Nós somos fortes, e sabem disso.
Ela parou de olhar para baixo e me encarou por um tempo.
— Você está certa. — Sussurrou.
Na minha mochila, meu celular apitou. O visor brilhou e mostrou: “Nova postagem no blog Serpentes Sanguinárias”. Pressionei o link e a página redirecionou para o layout rosa enjoativo da página. Era mais um escândalo sobre um aluno aleatório do Winston, nada muito bombástico.
— Continuam postando sobre outras pessoas, o que significa que os não somos exclusividades para os nossos rivais. — Sorrio para Tass. —Temos sorte que estou trabalhando com o clube de natação, assim posso ficar de olho na movimentação da escola também...
— Nós estamos ferradas! — A garota bateu com o copo de café na mesa e abaixou a cabeça, chorosa. — Não podemos fingir que tentaram nos matar de verdade, Emma! De verdade!
Concordei devagarinho com a cabeça. Não contei para Tass sobre a minha irmã ser a SS. Na verdade, eu ainda não queria admitir isso, estava ignorando a imagem tenebrosa dela em seu quarto, limpando o ferimento que eu provocara em sua barriga. Eu quase matei a minha irmã. Aquele pensamento me devorava aos poucos, mas eu decidi deixá-lo para lá naquele momento e contar o restante das coisas que eu sabia para a minha amiga.
— Como se uma SS não fosse o suficiente, estamos enfrentando duas... — Ponho a mão na testa, sentindo o corpo pesar. — Antes eram três. Digo, Mia fazia parte do time deles.
Tass deixa um filete de café escorrer pela sua boca, surpresa.
— Como você sabe? — Ela se estica pra frente, interessada mais do que nunca no que vou dizer.
— Na casa da Jenna, eu a ouvi no celular com as outras SS. Mia deveria fazer algo comigo, mas ela não conseguiu. Provavelmente as outras Serpentes Sanguinárias ficaram com medo que Mia comprometesse a identidade delas, por isso a mataram, fazendo parecer um suicídio, mas a policia sabe muito bem que não foi um. — Meus olhos se perdem na movimentação corriqueira das garçonetes ao meu redor.
Teria Adelaide matado Mia?
Tass começa a falar sobre isso, mas eu realmente não estou dando muita atenção. Meu coração acelera quando lembro-me da matéria que dizia sobre o celular desaparecido de Mia, que aparentemente teria alguma evidência. Minutos depois, eu já estava estacionando o carro em minha casa mais uma vez. Senti-me culpada por abandonar Tass, mas era realmente uma oportunidade que eu não poderia perder. Quando desci do veículo, um dos nossos porteiros me olhou com desconfiança.
— Voltou cedo, senhorita Thompson... — Murmurou.
Concordei com a cabeça e passei correndo pela entrada. Subi as escadas da frente e empurrei a porta. A sala está vazia e acredito que o restante dos cômodos também. Acelero os passos e vou para o andar de cima. No corredor, viro-me na direção do quarto de Adelaide. Giro a maçaneta da porta e entro.
O lugar me deixa nauseada, mas continuo. Não há nada grandioso nele: As paredes brancas não possuem decoração e o piso de madeira está bem polido. Uma estante de livros fica ao lado direito da cama bem forrada e de um closet. A janela por onde eu vi a garota entrar estava fechada, mas os raios de sol atravessavam o vidro e iluminavam bastante o lugar. Eu não podia perder tempo.
Abri várias gavetas do seu armário, olhei no closet e em meio mundo de outros lugares. É claro que o celular não estaria ali. Provavelmente estaria na casa da segunda SS. Adelaide não cometeria esse erro. Quando estou prestes a sair do lugar, algo apita. Olho para trás apressada, vendo um pequeno brilho avermelhado piscar por baixo dos travesseiros na cama. Era um laptop.
Cerro os punhos e atravesso o quarto mais uma vez. Agarro o laptop com pressa, ponho-o no chão e me sento ali. O que eu tinha nas mãos podia ser uma mina de ouro tanto quanto o celular. Abro-o angustiada, mas sinto a decepção brotar no meu peito quando vejo a barra de senha surgir.
— Que porra essa vadia colocaria como senha? — Sussurro com brutalidade para mim mesmo, passando uma mecha dos meus cabelos para trás da minha orelha. Tentei inúmeras vezes, mas nada permitia meu acesso ao conteúdo do laptop. Nesse instante, ouvi o barulho do motor do carro de minha mãe. Corri para cima da cama de Adelaide e olhei para a garagem através da janela.
Minha irmã abriu a porta do banco de carona e saiu do veículo com calma, trazendo em suas mãos um envelope médico. O exame já havia terminado? Coloquei o laptop onde estava e corri para fora do quarto. Desci a escada com pressa para o andar de baixo e, na mesma hora em que abri a porta, Adelaide apareceu.
Nossos olhos se encontraram e eu senti que estava tremendo. Coloquei as mãos no bolso da jaqueta que estava usando e sorri cinicamente para a garota. Ela apenas me olhou e passou por mim com uma normalidade horrenda. Cristal foi a segunda a passar pela porta. Sua expressão estava séria e ela apenas me ignorou, seguindo para a cozinha.
— Como foi no médico? — Falo com Adelaide, que agora está no meio da escada.
Ela me olhou por cima do corrimão e respondeu sombriamente:
— Foi rápido. O médico disse que eu ficarei bem e que os pontos ainda vão continuar por um tempo... — Sua voz mudou drasticamente, possuindo um ar muito mais sutil e doce agora, como normalmente era. — Não posso me movimentar muito, por isso vou apenas ficar deitada.
Fiz que sim com a cabeça e me virei para um espelho do lado da porta. Meu rosto apresentava um ar cansado. Ao redor dos meus olhos, uma olheira se estendia acinzentada. Subitamente, meus olhos lacrimejaram e eu tranquei o choro. Adelaide não podia ser a Serpente Sanguinária.
— Vou ao departamento policial hoje à noite. — A voz de Cristal desliza até os meus ouvidos e eu me espanto. — Preciso assinar um documento para o crime contra a Adelaide.
Ainda com o nó na garganta, levanto o rosto e olho-a com frieza.
— Você não precisa dizer isso. Sei que vai transar com o nosso advogado, o Gabriel. Aliás, qual a necessidade de andar sempre esse vestido branco sofisticado? Você foi só fazer um exame... — Deixo-a pra trás e não espero por uma resposta. Sinto um ódio crescente fulminar no meu peito. Até o sentimento de pena que eu estava tendo por Adelaide morreu naquele momento. “Vou ao departamento policial hoje à noite”. Estava ali uma ótima chance de eu brincar um pouco com a minha irmã. Fiquei a tarde inteira no meu quarto pensando no que fazer, elaborando um plano. Na parede ao lado, pensei que Adelaide poderia estar fazendo o mesmo. Então, quando a tardezinha chegou, eu estava pronta para ser a Serpente Sanguinária mais uma vez.
***
Já tinha tudo armado quando Cristal me chamou na sala. Estava usando uma blusa azul e um jeans apertado. Seus cabelos soltos não chegavam ao ombro e, apesar da briga que tivemos, a mulher não me parecia irritada.
— Eu ouvi o seu conselho. — Ela apontou para o visual diferenciado e eu não contive um risinho. Era estranho vê-la assim. — Emma, eu fico feliz que saiba do Gabriel...
Coloquei a mão em seu ombro, aproximando-me dela.
— Tudo bem, mãe, eu entendo. — Sussurrei no pé do seu ouvido enquanto a abraçava, esperando que ela notasse a minha sinceridade. Quando nos afastamos, notei que os seus olhos estavam lacrimejando. — Me desculpe por tudo e... Boa sorte com ele.
Adelaide passou por mim silenciosamente. Meu coração voltou a disparar e eu senti a lâmina gelada da faca roçar no meu calcanhar, a calça escondendo-a. A garota também se despediu de mamãe e ficamos paradas ali, lado a lado. Ela sabia que eu sabia. A porta se fechou, o som do carro de Cristal foi ficando distante, até que finalmente um silêncio torturante nos aterrou. Não havia mais empregado nenhum na mansão, então poderíamos virá-la ao avesso sem ninguém escutar nada.
Do lugar em que estávamos, vi a televisão ligar subitamente, mostrando um vídeo sem áudio e sem cor. Na gravação, eu atravessava o quarto de Adelaide de canto em canto, procurando por algo. A minha espinha gelou. A vagabunda tem uma câmera no quarto?
Virei-me para ela com cautela. Aconteceu bem rápido e toda a cena foi fotografada por mim como tomadas de um filme: O rosto queimado de Adelaide sorria maniacamente pra mim, dei um passo pra trás e vi a garota, lenta e perigosamente, puxar um revólver – muito parecido com o do meu sonho -, e apontá-lo firmemente contra o meu peito. Pulei na direção da sala no mesmo tempo em que toda a casa mergulhou na mais profunda escuridão. Alguém cortara a energia.
Arrastei-me para trás do sofá e puxei o cabo da faca furiosamente. Continuei engatinhando silenciosamente pela beirada enegrecida da sala, atenta. Adelaide teria coragem de me matar?
— Você é uma estúpida, Emma. — A voz rude da garota serpenteou até onde eu estava. — Tão burra que só descobriu que eu era a SS por causa de uma falha minha...
Queria falar algo, insultá-la e até rir da baboseira que acabara de dizer. Sinto que agora não estou mais tão próxima da sala e que, se quisesse, poderia levantar. E é o que eu faço. A voz estava distante, provavelmente no topo da escada. Sinto a beirada da mesa de jantar com as mãos. Agarro um copo com cautela e lanço-o na direção da cozinha. O objeto se parte em vários pedaços de vidro. No instante seguinte, vejo o vulto de Adelaide mancar até o local do barulho. Aproveito a distração e caminho atrás dela, vendo perfeitamente a silhueta de suas costas.
Percebo que ela está abaixada, tateando o chão como se estivesse procurando por mim.
— Não precisa se esconder. — Diz em voz alta.
Sem medo, eu respondo:
— Não estou me escondendo. — Meus pés acertam sua cabeça e eu jogo meu corpo sobre o seu. Meu ombro bate em um caco de vidro, mas eu ignoro a dor. Estou tão focada em mantê-la presa que ficaria surpresa se algo pudesse me impedir.
Com as mãos, sinto que ela ainda está com o revólver, mas seria arriscado atirar, já que estamos muito próximas. Adelaide se debate com violência.
— Me largue, sua imunda! — Ela joga o corpo para trás, arremessando-me para o lado com tremenda força. Bato minha cabeça contra a parede e fico atordoada. Não posso ficar parada. Corro para o lado, buscando as portas dos fundos. — PARE AGORA OU METO UMA BALA NA SUA CABEÇA! — Ela esbraveja, sua voz furiosa me enchendo de medo. Eu obedeço.
As luzes voltam abruptamente. Tudo ao meu redor toma uma definição mais apropriada. O que eu mais tenho medo de ver é Adelaide. A garota se mantém parada em minha frente, com a arma realmente apontada contra mim. Seus cabelos loiros estão suados e caem como uma cortina molhada em seu rosto avermelhado. Uma boa quantidade de sangue escorre de sua cabeça e uma poça também se forma em sua blusa. Seus pontos devem ter se soltado. Ela é a ira em pessoa.
— Deixar as luzes apagadas não é um beneficio para nenhuma de nós duas. — Sussurro.
Ela apenas concorda com a cabeça, mas sei que está prestes a falar.
— Eu tenho o direito de fazer isso. Tenho o direito de torturar você até que não sobre mais osso nenhum para roer. — Ela parece meio embriagada, mas sei que só é raiva. Conversar com ela é a melhor oportunidade para me manter viva. — O meu problema mental? Bom, tenha certeza de uma coisa Emma: ele não tem nada haver com isso.
— O que você quer dizer? — Minha voz soa como a de uma criatura fraca. Meus joelhos tremem, assim como as mãos. No meu ombro, um pequeno filete de sangue escorre de um pequeno ferimento.
— Quero dizer que o meu problema mental não influenciou nada nisso tudo. Não estou fazendo isso por nada, Emma. Eu tenho motivos e sei exatamente o que estou fazendo. — Ela demonstra um pequeno sinal de choro, mas continua. — Durante todo esse tempo você vem me tratando como lixo, me taxando apenas como uma criança defeituosa. Você tirou tudo de mim! Tirou a minha infância, a minha mãe, tirou a minha vida! — As lágrimas romperam vorazmente dos seus olhos. — Ela escolheu salvar você! Ela escolheu ter dar tudo que tinha! Emma, eu sou queria ser amada!
— Eu nunca quis...
— Cale essa merda de boca. — Ela apertou o gatilho e disparou contra um conjunto de pratos que estava ao meu lado. Encolhi o corpo no chão, perto do armário, soltando um grito verdadeiro de horror. — Daí veio aquele papo de mudar, como se eu realmente pudesse esquecer tudo que você fez no passado e engolir facilmente? Eu não podia aceitar, eu tinha que me vingar por tudo.
— Como você descobriu que eu era a dona do SS? — Pergunto com calma, procurando maneiras de distraí-la para fugir.
Ela deu um risinho agudo.
— Não foi difícil. Eu sempre fui invisível para você, não? Entrava no seu quarto com uma facilidade tremenda, e você apenas me mandava ir me maquiar ou coisa do tipo, sem nem ter o cuidado de fechar o seu laptop... — Ela se aproximou de mim. — Primeiro, eu contei para o nosso querido irmão, mas ele não teve tempo de se juntar aos planos. Que pena, morreu te odiando. Depois, contei para outros... — Riu mais uma vez.
— Então tudo isso é pra se vingar de mim?
— Você é o modelo falso de sonho juvenil. Eu sempre quis ser como você: ter amigos, ter um rosto bonito, todas essas coisas que eu nunca tive, sabe? Eu verdadeiramente tentava gostar de você, mas não tem como apagar o que você fez ao meu rosto. Todas as humilhações que você me fez passar! — Ela tocou o próprio rosto com carência, chorando mais ainda. Ela se ajoelhou ao meu lado e pôs a arma em minha testa suada. — Se eu te matar, Cristal olhará pra mim, não? Serei filha única, então, finalmente, teria a atenção dela.
Vi algo passar devagarinho por trás de Adelaide, mas eu sabia exatamente quem era.
— Se você estivesse no meu lugar, faria a mesma coisa que eu estou fazendo. — Sua mão gelada agarrou o meu pulso e, com a unha, Adelaide começou a apertar-me. — Eu tenho o direito de fazer isso.
Antes que disparasse, uma frigideira acertou o lado queimado do rosto da garota com força. Seu corpo tombou para o chão, a arma despencou para meu colo e eu vi Tass sorrir pra mim.
— Vamos amarrá-la em algum lugar e descobrir o que deve ser descoberto. — Murmurei sem paciência, olhando sem dó para o rosto ensanguentado da minha irmã desmaiada.
Levamos a garota até o sótão, amarramos os seus pulsos e os pés com uma corda e a colocamos em uma cadeira. Ainda desacordada, fitei-a por alguns instantes, depois virei-me para Tass, que estava chocada. Comecei a explicá-la tudo o que havia acontecido, incluindo como e quando eu descobri que SS era Adelaide. Quando estava terminando, o meu celular tocou.
— Deve ser a segunda Serpente. — Tass sussurrou, segurando a arma de Adelaide.
— Eu já esperava por isso. — Digo para Tass, atendo o celular e espero ansiosamente pela voz psicodélica do inimigo.
— Oi, Emma. Só queria dizer que vocês não são muito boas nisso. A polícia está indo e Adelaide e eu temos uma boa história para contar sobre um assassinato. O que acha que eles vão fazer com vocês quando descobrirem que Emma Thompson tem um cadáver no quintal?
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