Notas iniciais
Deixo um rápido agradecimento as minhas queridas leitoras
Sakura Haruno Gata e eleinad, obrigada espero que gostem desse capítulo.
Boa leitura!

Voltei ao quarto de Kurenai e fiquei olhando para ela, o desconhecido tinha razão é uma pena deixa-la dormir com um vestido tão bonito e caro foi uma luta, mas conseguiu tirá-lo. Cobri minha madrasta e pendurei o vestido no armário lembrando da zombeteira oferta de ajuda que ele tinha feito, devia estar acostumado a despir mulheres, estivessem elas inconscientes ou não.

Pelo menos tinha tido a decência de trazê-la para casa, mas pensando bem para onde mais poderia levá-la? Nas condições em que ela estava o máximo que ele ia conseguir era bancar o enfermeiro o resto da noite.

Normalmente consigo dormir feito uma criança, mas dessa vez me debati na cama a noite toda sem encontrar posição nem pegar no sono. Soquei o travesseiro com raiva de mim mesma por estar sendo tão ridícula.

Droga! Por que fiquei tão perturbada? Apenas conheci um homem atraente não é o primeiro e nem será o último, como todos os outros ele mal percebeu a minha existência. Se a situação fosse outra duvido muito que sequer tivesse falado comigo.

Nada havia mudado muito menos minha própria aparência o espelho me mostrou isso poucas horas antes. Continuo a mesma magricela sem graça de sempre. Aquele homem tinha quase o dobro de minha idade e era experiente, só me olhou com insistência por curiosidade, depois de me analisar chegou à mesma conclusão que todos chegam que eu não passo de uma criança.

Talvez eu seja isso mesmo. De que adianta me preocupar se meus hormônios se recusam a me transformar em mulher? Aos dezenove anos pareço uma menina com seios medianos a pequenos, magra e sem muitos atrativos.

O jeito é me conformar em ser o patinho feio e tentar dormir acabei adormecendo de puro cansaço, mas foi um sono agitado por pesadelos daqueles que a gente não consegue lembrar no dia seguinte, mas que deixam uma dor de cabeça como lembrança.

Felizmente é sábado e eu não tenho aula, mas não posso me dar ao luxo de ficar deitada até mais tarde as compras de fim de semana precisam ser feitas e há uma montanha de livros para devolver à biblioteca.

Devorei uma xícara de café com duas torradas e fui até o quarto de Kurenai ver se ela precisa de alguma coisa, mas ela ainda está dormindo profundamente.

Na volta da biblioteca comprei legumes e frutas. Parece que finalmente o inverno terminou me sinto mais animada agora que cheguei em casa, que estranho o sr. Gai o senhorio parado diante da porta do meu apartamento.

— Bom dia. O senhor deseja alguma coisa? Se for por causa do aluguel...

— Já recebi o aluguel, vim saber sobre a mudança, sinto muito que estejam nos deixando não é sempre que se encontra inquilinas tão boas.

— Não entendo se não tem queixas de nós, por que está nos mandando embora?

— Eu? Pelo contrário srta. Haruno por mim vocês nunca sairiam daqui, foi sua madrasta quem me disse pessoalmente que as duas vão se mudar no fim do mês.

— Não, deve haver algum engano. Por favor, sr. Gai não anuncie o apartamento ainda minha... minha madrasta não tem estado muito bem ultimamente e...

— Não tenho dúvida de que ela não anda bem, mas não houve nenhum engano a sra. Haruno já rescindiu o contrato é melhor a senhorita conversar com ela sobre o assunto.

Estava sem fôlego quando entrei em casa, encontrei minha madrasta ajoelhada no chão procurando alguma coisa na prateleira debaixo do armário.

— Você viu aquele inventário que o velho Gai nos entregou quando mudamos para cá? Não consigo lembrar onde guardei você sabe o que é. Aquela lista com todas as coisas que já estavam no apartamento não quero levar nada dele, mas também não vou deixar nem uma colherzinha de chá nossa neste buraco.

— Então... é verdade? Você rescindiu mesmo o contrato? Por quê? Sei que o apartamento não se compara com o que a gente morava antes, mas é limpo, calmo e barato e o sr. Gai não se mete na nossa vida...

— Não precisa ficar me lembrando das dúbias vantagens desta porcaria é claro que é barato, mas infelizmente até este aluguel é mais do que podemos pagar no momento.

— Desde quando?

— Desde ontem à noite.

Kurenai sentou-se me encarando estava muito pálida e apertava os olhos como se a luz a incomodasse deu um sorrisinho malicioso ao perceber minha angústia.

— Mas não se preocupe queridinha nós não vamos dormir embaixo da ponte, ainda, temos outro buraco parecido com esse para ir.

─Um que podemos pagar?

— Sem aluguel, vamos pagar com o nosso trabalho só que não é aqui na Vila da Nuvem.

— Não é aqui? Mas Kurenai você sabe que não posso sair daqui. Não posso!

— Não fazia ideia de que era tão apegada a esta cidade sempre tive a impressão de que preferia morar em Konoha.

— Bem, eu prefiro é para lá que vamos? Não seria tão mau assim eu poderia...

— Sinto muito decepcioná-la Sakura nosso destino fica a centenas de quilômetros de Konoha, vamos para um lugar chamado Vila oculta do Som você nunca deve ter ouvido falar é uma cidade tão pequena que nem está no mapa.

— Não acredito você detestava Konoha e agora vem me dizer que quer ir para uma cidade de interior menor ainda?

— Eu não quero nada simplesmente não tenho outra escolha vou para lá e você vai comigo.

— Não posso tenho que terminar meu curso e prestar os exames, caso você tenha esquecido.

— Não me esqueci de absolutamente nada você é que parece ter se esquecido daquela cláusula superimportante, aliás, do testamento de seu pai temos que morar juntas até você fazer vinte e um anos.

— Só o que temos que fazer é procurar o advogado de papai e explicar que é absolutamente impossível cumprirmos essa exigência.

— Não vamos fazer nada disso não vou abrir mão desse dinheiro e garanto que você ia se arrepender amargamente se desistisse da herança.

— Eu posso me virar e você também, se resolver trabalhar para valer podemos dizer ao sr. Gai que mudamos de ideia e...

Kurenai agarrou meu braço me sacudindo pensei que ela teria uma de suas explosões de birra, mas em vez disso ela disse em tom de derrota:

— Infelizmente, não é tão simples assim, lembra-se de todo o problema que eu e Anko tivemos quando fechamos a butique?

— O que há para lembrar? O negócio não deu certo como eu já esperava, mas tive a impressão de que vocês duas saíram da aventura sem grandes prejuízos.

— Não foi bem assim. Como sabe arranjei um empréstimo para entrar na sociedade, pensei que meu financiador estava preparado para bancar os prejuízos, mas acontece que ele não estava e agora começou a exigir que eu pague o que lhe devo.

— Esse tempo todo você não parecia preocupada. Quando foi que ficou sabendo disso?

— Ontem à noite. A propósito quem foi que me colocou na cama?

— Eu, claro.

— Não há nada de claro nisso, não seria a primeira vez que Sasuke me vê sem roupa. Acho que ele me trouxe para casa, não? Não acredito que tenha me colocado sozinha num táxi.

— Havia um homem aqui ontem à noite.

— Havia? Conheço Sasuke há anos a mãe dele e a minha eram primas afastadas ou algo assim, um parentesco muito complicado para explicar nem lembro direito nós dois nos víamos bastante chegamos até a ficar noivos ele era doido por mim.

Tentei imaginar aquele homem másculo e orgulhoso perdido de amor por alguém, mas não consegui, sem pensar no que dizia perguntei:

— Como foi que ele conseguiu aquela cicatriz?

— Meu Deus! Você prestou mesmo atenção no homem, hein?

Kurenai não parecia muito contente com isso...

— Para falar a verdade não faço a menor ideia do que é aquela cicatriz, deve ter sido coisa de alguma mulher, mas não fique com a cabeça cheia de fantasias menina, Sasuke é um homem de verdade não é para você.

— Não diga besteira nem pensei numa coisa dessas foi só curiosidade, de qualquer modo é muito pouco provável que nos encontremos novamente melhor esquecer o assunto.

— Aí você se engana é para o querido primo Sasuke que estou devendo e como não posso pagar em dinheiro ele insiste em que tem que ser com trabalho. Sasuke tem essa casa na Vila do Som onde mora uma tia velha, mas ela sofre de artrite então a ideia é eu ir para lá como uma espécie de governanta.

Não posso acreditar só pode ser brincadeira, o silêncio se tornou tão grande e demorou muito até que eu conseguisse recuperar a fala.

— Oh, meu Deus! Essa não! É sério isso?

— Claro que é sério esse foi o nosso acordo. Vou para aquele buraco com ele e fico lá o tempo necessário para pagar a minha dívida. Sasuke também se ofereceu para acertar as minhas contas com aquela emproada da Tsunade Senju ninguém pode dizer que foi uma proposta desonesta.

— Não é esse o problema você não entende nada de trabalhos domésticos como é que vai dirigir uma casa? Ele já sabe disso?

— Nem tocamos no assunto Sasuke pensa que dirigi a casa de Konoha e o apartamento. Naturalmente não imagina de que a coisa não era bem assim, ele quase não ia lá em casa, porque seu pai minha querida morria de ciúme.

Kurenai deu uma risada que me fez sentir enojada.

— Não totalmente sem motivo, devo dizer.

Tentei controlar a raiva antes que ela me dominasse e eu acabasse agredindo ela.

— Se é assim a última coisa que você vai querer é me ter por perto sinto muito que esteja metida nessa complicação, mas é problema seu e não há nada que eu possa fazer. De agora em diante vai cada uma para um lado.

— Ficou maluca? Era só o que me faltava! Minha querida não tenho a menor intenção de cumprir o trato com o meu adorado primo e menos ainda ficar sem um centavo por sua causa. Além do mais falei com ele sobre a última vontade de seu pai e ele foi muito compreensivo.

— Mas que bonzinho! Não quero ser um peso para ninguém e prefiro não me afastar da Vila agora posso muito bem dar um jeito de me sustentar nos próximos dois anos e...

— E quanto a mim? Seu pai queria que ficássemos juntas não pode me deixar Sakura!

— Isso é chantagem barata, e você sabe.

Ela está chorando de verdade. Não acredito.

— Sakura você tem que vir comigo será só por seis meses no máximo pode continuar seu curso depois e fazer o que quiser de sua vida se não vier comigo não poderei cumprir o trato não entendo nada de organização de uma casa e Sasuke vai me levar à falência ele me ameaçou ontem à noite, por que pensa que bebi tanto?

— Mas ele mal sabe que eu existo...

— É lógico que sabe e há outra coisa também.

Kurenai está nervosa demais, ela está rodando a aliança no dedo e isso não é bom.

— Eu... eu deixei que ele pensasse que você é mais moça, você não aparenta mesmo a idade que tem não seria difícil fingir por algum tempo, não é Sakura? Só por um tempinho.

— Quantos anos ele pensa que eu tenho?

— Dezesseis.

— Dezesseis?! Você é mesmo incrível! Não podia fazer uma coisa dessas comigo. É inacreditável!

— E você pode fazer o que quiser comigo? Sabe o que acontece quando a gente vai à falência? Tiram até o nosso último centavo, metem o bedelho em tudo. Depois que seu pai morreu houve comentários sobre certos negócios que andou fazendo não sei direito, se Sasuke me processar essa história que foi abafada pode recomeçar. Você quer ver o nome Haruno arrastado na lama?

— É lógico que não, mas não acho que seu primo leve as coisas a esse ponto.

— Oh, pode apostar que sim por um único motivo Sasuke nunca me perdoou por eu ter casado com seu pai. Quando me ofereceu o empréstimo para a butique pensei que era um gesto de amizade, mas depois percebi que ele queria me prender de algum jeito, parece que sabia que a butique não tinha muito futuro.

— Bem ele não precisava ser nenhum gênio financeiro para saber disso. Quem ele é? Alguém conhecido? Acho que já o vi em algum lugar.

— Garanto que não foi na seção de economia dos jornais é mais provável que tenha sido nas colunas sociais já deve ter ouvido falar dele, claro. O nome todo é Sasuke Uchiha.

— O pintor?

Será possível? Não da para acreditar e o mais incrível é Kurenai ser aparentada com um dos maiores retratistas de Konoha e nunca ter mencionado isso.

— O próprio. Notou como está bronzeado? Passou muito tempo fora, num desses países do petróleo, fazendo o retrato de um Hokage os milionários são praticamente os únicos no mundo que podem pagar os preços dele. Obviamente Sasuke não precisa de dinheiro os pais lhe deixaram uma fortuna e ele ainda controla os negócios da família. A pintura sempre foi um hobby quando criança e todos se espantaram quando Sasuke resolveu levar a arte a sério. Quem disse que você precisa passar fome num porão imundo para ser um artista de sucesso?

E que sucesso ele é! Um de seus últimos retratos o Hokage recebera críticas entusiasmadas. O homem é talentoso e importante e um ex-amante de Kurenai ao que tudo indica.

Fui até a janela e olhei para a rua lá embaixo de repente me senti presa em uma armadilha.

— Então? Posso dizer a ele que está tudo bem? Posso dizer para nos esperar?

— Diga o que quiser é o que tem feito até agora, não é? Irei por causa de papai, não por você.

A última coisa que quero é ficar perto de Sasuke Uchiha novamente ainda sinto o efeito daquele olhar perturbador. Não que eu tenha algo a temer ele vivi em um mundo onde só existi lugar para mulheres ricas e elegantes. Para Sasuke não passo de uma criança tola, tão atraente como um saco de batatas. Esse poderá ser o verão mais difícil da minha vida terei que tomar cuidado. Muito cuidado mesmo.

Notas finais
Deixe seu reviw, obrigada!
Beijos até o próximo.