Brincadeira Perigosa
3 Capítulo 3 Ninho dos Falcões
Notas iniciais
Boa Leitura!
Enquanto Kurenai dirige eu posso apreciar com calma a paisagem e o que vejo é de tirar o fôlego.
Nunca estive na Vila do Som e não podíamos ter escolhido um dia melhor para chegarmos o céu está de limpo e ensolarado, os últimos resquícios de neve desaparecem das encostas das montanhas e as flores desabrocham por toda a parte.
Jamais imaginei que houvesse realmente toda essa beleza, tive vontade de rir alto e o desânimo que me perturbava nos últimos dias sumiu como por encanto.
Adoraria ter com quem partilhar toda essa beleza, mas Kurenai deixou bem claro que não é do tipo que se comove com flores e uma bela paisagem.
As últimas semanas foram difíceis, foi com o coração pesado que avisei na escola que não voltaria às aulas depois do feriado, os professores não gostaram da notícia tentaram me convencer a desistir da ideia de largar o curso, mas expliquei que estava com problemas familiares.
Não vi Sasuke Uchiha outra vez, ainda que tivesse certeza de que ele visitava minha madrasta, o cheiro dos charutos que fumava ficava no pequeno apartamento por muito tempo depois de ele sair.
Sempre que faço perguntas a respeito da casa onde vamos morar minha madrasta é vaga e indiferente.
— Mas você devia saber se vai cozinhar e tomar conta de tudo.
— Não faço a mínima ideia, vou me preocupar com isso quando chegar a hora.
— Mas você não sabe cozinhar. Será que seu primo não percebe que não vai dar certo?
— Se ele percebe ou não, não é problema meu. A ideia foi dele e não minha. De qualquer forma se a velha Chiyo conseguiu dar conta do trabalho esse tempo todo, tenho certeza de que também podemos.
— Nós? Me deixe fora disso Kurenai, estou indo para o Som sob protesto. Só para você não perder a sua parte na herança.
— Eu sei queridinha. Você jamais permitiria que eu ficasse em apuros, não é? Mas sei que é orgulhosa demais para se transformar num peso morto e não aceitaria ser sustentada por Sasuke e morar na casa dele sem pagar de alguma forma. Isto é para você.
Um cheque. Quando olhei para a quantia e para a assinatura senti o sangue ferver de indignação.
— Para que é isso?
— Para você fazer umas comprinhas Sasuke dá muitas reuniões em casa, recebe gente importante e não vai querer você por perto vestida feito um espantalho.
— Entendo...
Isso é um desaforo que não vou tolerar. Ia despedaçar o cheque, mas Kurenai percebeu e arrancou-o de minhas mãos.
— Ficou maluca? Tudo bem que não ligue pra dinheiro, mas não pode passar o resto da vida de jeans e suéter, dê um jeito no cabelo, vá cuidar dessas unhas horrorosas...
— Quer que eu aparente a idade que tenho?
— Não é bem isso, mas também não precisa parecer um bicho do mato. Você não tem nem um pingo de vaidade? Deve existir alguma coisa que queira comprar.
Kurenai não disse mais nada, na verdade seu humor piorou muito à medida que a viagem se aproximava do fim, agora, dirigia com um ar abatido, perdida nos próprios pensamentos.
Imagino que essa melancolia seja por causa do Uchiha. É claro que minha madrasta teria preferido viajar com ele, naquele carro esporte que vi da janela, em vez de na caminhonete que comprara para nós, mas eu dou graças a Deus por não estarmos em um carro mais potente. Kurenai não é má motorista, mas distraída demais e sua desatenção aumenta na mesma dimensão em que seu bom humor diminuía.
— Enfim eis a Vila do Som. Que lugar morto! Que fim de mundo! Bela droga!
A vila parece muito pitoresca. Parece ser pequena, sem dúvida. Poucas casas um bar, uma loja, uma mercearia e o correio, porem tudo limpo e bem cuidado, com muitos jardins floridos.
Pena que seja o lugar onde Sasuke Uchiha mora.
— A casa de seu primo fica na cidade?
Só em pensar que chegamos fico nervosa, com as mãos úmidas de suor. Queria estar a salvo, de volta no velho apartamento, queria ter ignorado as choradeiras e as chantagens emocionais de Kurenai.
Por que assenti em vir de tão longe para fazer parte dessa maluquice? Naturalmente compreendi a resposta. Senti uma onda de calor invadir meu corpo e não tem nada a ver com o dia agradável de primavera. Sou mesmo muito ingênua!
— A casa se chama "Ninho dos Falcões". Abra a janela e pergunte a algum desses caipiras, está ficando tarde e não quero dirigir à noite por essas montanhas.
Não tem nenhuma pessoa próxima para perguntar então Kurenai parou o carro e me pediu para ir até a mercearia e aproveitar para comprar cigarros para ela.
Apesar de pequena, a loja tem uma variedade surpreendente de mercadorias especialmente bebidas nunca vi tantas marcas.
Uma adolescente de avental branco atrás do balcão me atendeu.
— Pois não?
É muito azar! Com tanta variedade não tem justamente a marca de cigarro que Kurenai fuma, comprei outra sabendo que vou ouvir uma série de lamentos quando voltar para o carro, em seguida perguntei onde é o Ninho dos Falcões, a menina olhou para mim de alto a baixo sem esconder a curiosidade.
— Você quer dizer a casa do sr. Uchiha? Bem, tem que pegar a estrada de baixo e depois dobrar à direita. Então siga sempre em frente é uma subida e tanto. Cuidado.
O guizo da porta tocou quando sai e voltei para o carro, olhei para trás e vi que a menina estava me observando pela vitrine, uma mulher mais velha se juntara a ela e também parecia muito interessada em mim.
Franzi a testa. Fato que o Som fica fora do trajeto habitual dos turistas, mas não é provável que os moradores estejam assim tão pouco habituados a ver pessoas estranhas. Ia comentar isso com Kurenai, mas o escândalo que ela fez por causa dos cigarros me impediu.
— Que porcaria! Este lugar é um lixo! A vontade que me dá é voltar agora mesmo para a Nuvem.
— Bem, por que não? Esse trato com o seu primo nunca vai dar certo. Você jamais dirigiu uma casa na vida. Sempre teve alguém para fazer isso por você.
— Não, queridinha, vamos ficar. Meu astuto primo Sasuke pode estar com a faca e o queijo na mão agora, mas essa situação não vai durar para sempre, de governanta para dona da casa não é um passo tão grande assim.
Kurenai deu partida no carro e saiu cantando pneu.
— Você pretende casar com ele?
— Ainda não sei se ele é do tipo que casa, mas isso não faz muita diferença hoje em dia. O importante é que sempre houve uma ligação entre nós. Na Nuvem existem muitas distrações, mas aqui, neste fim de mundo não será difícil enlaçar o homem e manobrar do jeitinho que quero.
— Entendo.
Minha madrasta lançou-me um olhar malicioso.
— Espero que entenda mesmo, queridinha estou contando com sua discrição e diplomacia. Também conto com você para tirar Chiyo do meu caminho.
Fosse qual fosse o plano de minha madrasta compreendi que preciso abandonar as fantasias e sonhos. O que desejava, afinal? Cenas com Sasuke caindo aos pés de uma menininha que ele acredita ter dezesseis anos, sem um pingo de experiência e sofisticação? Quando ele desejar uma mulher evidentemente será alguém como Kurenai. Que papel me é reservado nessa história toda?
Quando esse verão terminar terei que recolher os cacos e tentar recomeçar tudo de novo.
— Que estrada desgraçada! Mais parece um atalho. Você consegue ler o que está escrito naquela placa?
— Diz que a estrada é muito perigosa no inverno.
— Graças a Deus! Pretendo estar muito longe daqui antes do próximo inverno.
— Mas você falou...
— Nenhum dos meus planos inclui viver neste fim de mundo. Nem Sasuke costuma passar muito tempo por aqui, mas onde diabos fica essa maldita casa?
— Lá em cima. Só pode ser aquela.
Mas prefiro que não seja é imponente demais. Uma casa construída com enormes blocos de pedras esculpidos em forma de falcões.
Kurenai manobrou o carro e passou pelos portões pegando um caminho margeado por árvores.
O Ninho dos Falcões parecia uma extensão da montanha rochosa. Acima, uma plataforma imensa sustentava um terraço com telhado e paredes de vidro, dominando todo o vale abaixo, degraus de pedra levavam à entrada.
Olhava meio hipnotizada.
— Que lugar fantástico!
— Espero que haja alguém para carregar as nossas malas.
— A vista, pelo menos não tem. Não é melhor subir e tocar? Kurenai estacionou o carro e acendeu um cigarro.
— Que ideia brilhante! Não sei o que faria sem você, queridinha — disse azeda.
Subi os degraus dois a dois feliz por poder esticar as pernas depois da viagem. Não achei nenhuma campainha, mas tem uma aldrava de ferro maciço, em forma de corvo. A batida ressoou dentro do casarão e foi seguida por um longo silêncio.
Parece que passou uma eternidade até que ouvi passos se aproximando e um farfalhar de tecido, a porta foi aberta e me vi diante de uma senhora elegante de cabelos muito brancos. Ela se apoiava numa bengala e tinha olhos castanhos muito vivos.
— A porta não estava trancada, mocinha. Vocês eram esperadas. — ela me analisou de cima a baixo, não deixando escapar nenhum detalhe. — Onde está Kurenai? Por que não veio com você?
— Ficou lá embaixo, no carro. Será que tem alguém para ajudar com a bagagem ?
— Acho que vocês terão que se arrumar sozinhas. Não há mais ninguém na casa. Se me dá licença tenho que entrar agora, não posso ficar muito tempo de pé. Talvez queiram tomar um chá comigo estarei na sala de visitas, à direita. — Sorriu para mim e retirou-se.
Voltei para o carro já profetizando a cena que Kurenai vai fazer, para acalmá-la fui logo dizendo que tem chá à nossa espera, minha madrasta me respondeu que necessita de algo bem mais forte do que chá depois de um dia desses.
Kurenai carregou a menor das malas deixando o resto da bagagem pra mim, tive que subir e descer a escada duas vezes para levar tudo até a sala, mas não me importei, pelo menos tive a oportunidade de admirada a casa. Entrei na sala de visitas onde a senhora disse que seria servido o chá, era muito ampla e clara com uma das paredes de vidro e enormes portas de correr que davam para o terraço. Um lindo tapete persa forrava o chão, tem três sofás em tom pastel e uma mesinha baixa onde estava arrumado o aparelho de chá de prata e louça finíssima.
Kurenai já estava lá.
— Espero que você tome um pouco de chá para agradar a velha, eu já entrei para a lista negra de Chiyo por ter preferido saquê, ela está muito estranha, quando perguntei sobre os empregados da casa fingiu não entender e desconversou. Claro, porque ela não vai querer me enganar que faz tudo sozinha, já reparou como a casa brilha de tão limpa?
— Fale baixo. Ela vai ouvir.
— E daí? Ela nunca me aprovou mesmo nem quando eu era criança.
Chiyo aproximou-se e tentei ajudá-la, mas ela me agradeceu dizendo que ainda não está inválida nem senil. Depois, virou-se para Kurenai.
— Assim que terminar sua... seu refresco — frisou bem a palavra —, quero mostrar-lhes a casa.
É óbvio que nós duas não somos bem-vindas aqui. Será que Chiyo se sente ameaçada em perder o seu lar? Se estiver intimidada com o futuro não demonstrou, pois continua no mesmo tom de dona da situação.
— Não tenha dúvida de que levará um ou dois dias para vocês se familiarizarem com o esquema da casa, vão notar que foi desenhada para tirar o máximo proveito da luz, no primeiro andar há uma galeria central e duas alas, partindo dela você e Sakura ocuparão os quartos da ala leste e dividirão o banheiro, os aposentos de Sasuke são na ala oeste e seu estúdio fica bem em cima, lá seus serviços não serão necessários, sasuke cuida sozinho do estúdio e ninguém entra sem ser convidado. Quando ele não está aqui a sala é mantida fechada.
Kurenai acendeu um cigarro e não parecia nem um pouco perturbada por ser tratada praticamente como uma empregada.
— E os outros quartos?
— Quartos e banheiros de hóspedes, Sasuke recebe muitos amigos, espero que ele tenha avisado vocês duas disso.
— A propósito, onde ele está? Esperava encontrá-lo aqui à nossa espera.
— Sasuke foi para Suna e mesmo que se encontrasse em casa duvido que se envolvesse em assuntos domésticos. Dessas coisas cuido eu. Pensei que ele tivesse deixado bem claro a sua posição nesta casa.
— Oh, está claro. Até demais. Você pode se considerar parte dos criados Chiyo, mas eu não. Vim para cá, pois me pareceu conveniente para ambos no momento, se Sasuke se diverte fazendo você acreditar que sou mesmo apenas uma governanta eu não acho isso nada engraçado, não ache que vai ficar vigiando o que faço, estou certa de que é a última coisa que nós duas queremos.
— Não tenho qualquer intuito de bancar a vigia, mas receio que você também não tenha entendido o motivo da minha presença nesta casa. Tenho um pequeno apartamento no andar térreo. Este é o meu lar e sempre será.
— É um acordo então Chiyo, você sai do meu caminho e garanto ficar fora do seu.
— Como quiser. Quer um pouco de chá minha criança? Receio que não foi uma boa acolhida essa que lhe demos, tem alguns bolos fresquinhos na cozinha se quiser fique a vontade.
Agradeci e aceitei mais uma xícara de chá.
— O que você vai fazer o dia inteiro menina? Pelo que entendi só tem dezesseis anos. Vai continuar os estudos?
— Deixei a escola.
— Deixou? É uma pena, será que posso convencê-la a continuar, Kurenai?
— Oh, Sakura faz o que quer, nunca foi muito interessada pelos livros. Não é queridinha? — Sorriu provocadora, acendendo outro cigarro.
— Nunca mesmo — falei, tomando um grande gole de chá para ajudar a engolir a raiva.
— Realmente não precisa se preocupar com ela Chiyo, os jovens de hoje sabem tomar conta de si mesmos.
A senhora esticou o corpo indignada.
— Se a mocinha não se interessa por coisas mais sérias talvez seja capaz de pelo menos ajudar você no trabalho da casa. Agora vou mostrar os seus quartos.
Essa foi a melhor parte do dia, meu quarto é encantador o papel de parede é lilás e branco e a colcha da cama em uns tons de roxo, as cortinas são brancas com flores minúsculas em tons de lilás, roxo e verde, as janelas dão para o vale e é possível ver o brilho das águas do rio a distância.
Kurenai ficou no quarto ao lado mais sóbrio e em tons de marrom e ouro. Assim que fiquei a sós com minha madrasta fui direto ao ponto.
— Por que quis dar a Chiyo a impressão de que sou uma irresponsável meio abobalhada? Qual é a sua intenção?
— Se ela não for com a sua cara talvez a deixe em paz e não fique fazendo milhões de perguntas. Esse é um dos grandes defeitos da velha.
— Não vejo qual é o problema, não tenho nada a esconder, a ideia de dizer que sou três anos mais jovem foi sua. Aliás, até agora, não entendi o motivo disso.
— Ah, não? É bem simples. As pessoas tratam uma criança de um jeito e uma mulher adulta de outro completamente diferente. Além do mais, Sasuke não sabe tudo a respeito do testamento de seu pai, tive que dizer que você estava sob meus cuidados, ele não teria acreditado nisso se eu contasse a sua idade. Então...
— Está bem, está bem. Não vou estragar os seus planos, desde que não estejamos mais nesta casa daqui a dois anos, quando vou fazer vinte e um. Senão, caio fora Kurenai e você vai ter que contar qualquer outra história para o primo Sasuke.
— Não se preocupe querida. Se eu ainda estiver aqui dentro de dois anos, será como esposa dele. Quando esse dia chegar você estará livre para ir onde bem entender.
— Então tenho o melhor motivo do mundo para querer que esse dia chegue logo, pode contar com a minha ajuda.
— Que bom. Vamos precisar mesmo nos unir Chiyo disse que deixou frango e salada na geladeira para nós, mas a partir de amanhã estaremos literalmente por nossa conta, os poucos empregados foram dispensados, o que significa que teremos que dividir todo o trabalho da casa, minha queridinha.
Havia ironia em seus olhos, estou começando a acreditar que talvez tivesse sido preferível a falência, se eu tinha alguma ilusão de que Kurenai conseguiria realmente manobrar Sasuke Uchiha tudo mudara agora, ele não usou as dívidas da prima como uma simples desculpa para levá-la para sua casa, esperava mesmo que ela tomasse conta da mansão e ainda por cima, cozinhasse e eu que não tenho nada com isso é que vou acabar me matando de trabalhar, será um completo desastre deixar Kurenai à frente de tudo. Ainda mais quando tiver hóspedes.
Aquela maldita butique! Kurenai devia estar atolada até o pescoço, devendo uma fortuna. Estou tentando não pensar mais no assunto, não quero estragar minha primeira noite no Ninho dos Falcões, mas basta andar pela casa para perceber que os próximos meses serão penosos.
Com o passar dos dias percebi que as paredes de vidro que tanto admirei perdiam todo o encanto quando se tem que mantê-las limpas e brilhantes. Kurenai reclama o tempo todo o que me deixa mais irrita, já que o trabalho da minha querida madrasta se limita a tirar o pó, arrumar as flores e, de vez em quando ir fazer compras na cidade grande mais próxima.
Uma das desvantagens mais evidentes da minha falsa idade é que para todos os efeitos não posso dirigir, apesar de ter carteira de motorista. Quando Kurenai vai à cidade raramente me levava, já que nós duas temos opiniões muito diferentes sobre o que comprar, ela nunca traz as verduras e frutas que peço em compensação os armários estão repletos de comida enlatada, muito mais prática na opinião dela.
Não quero discutir com ela já que só temos a companhia uma da outra. Chiyo cumprira a promessa de não se meter e faz isso de uma forma tão aberta que fico pouco à vontade, às vezes gostaria de procurar-la para conversar um pouco, mas o constrangimento me impede é muito incômodo o papel de adolescente desmiolada que Kurenai inventou para mim, as explicações que ela deu para ter mentido sobre minha idade não me convencem ela está indo longe demais para conservar a imagem da eterna juventude, é óbvio que Kurenai não me tem como uma ameaça a seus planos para o futuro, não uma magricela desajeitada como eu.
Futuro... Essa é outra coisa que me preocupa cada vez mais, se os projetos da minha madrasta derem certo, ficarei absolutamente sozinha no mundo, desejo minha independência, mas solidão é bem diferente. Na realidade sempre vivi protegida pelo dinheiro de papai, sei que essa cláusula absurda do testamento é uma atitude equivocada que ele achou para continuar me protegendo e a Kurenai também, mas nos obrigar a um convívio não resolverá o problema de nenhuma das duas, em vez de nos apoiarmos e nos fazermos companhia, estamos presas por essa cláusula.
O problema com Sasuke Uchiha só piora a circunstância, se Kurenai tivesse recebido a sua parte na herança não precisaria ter apelado a ele, mesmo que apelasse e perdesse todo o dinheiro não teria nenhum motivo para me envolver, cada uma estaria cuidando da própria vida.
É notável a ansiedade de Kurenai ela cresce a cada dia, esperando por uma carta ou mesmo um cartão do primo, mas o carteiro traz apenas correspondência para Sasuke e as contas de costume, o telefone continua mudo, nas poucas vezes em que toca é no apartamento de Chiyo.
Será que Kurenai não acreditou demais em si mesma? Será que não cometeu um grande erro ao pensar em Sasuke como o mesmo rapaz que se apaixonara por ela anos atrás? As pessoas costumam mudar, não consigo imaginar Sasuke como homem cativo do amor de uma mulher, com aquele charme e aquele fascínio, rico e famoso ele pode ter tudo o que quiser da vida.
Senti um repentino aperto no coração, é uma louca ter vindo pra cá, eu deveria ter ficado na Nuvem e arrumado um emprego de dia e continuado os estudos à noite. E agora mais essa de ser considerada apenas uma criança idiota!
Vem tempestade por aí, isso não vai dar certo!
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