Brincadeira Perigosa

13 Capítulo 13 Passeio


Notas iniciais
Quero agradecer a todos vocês passamos dos cem reviews e devo isso aos leitores fiéis que comentam e acompanham a fic, mesmo eu demorando a postar, quero agradecer por me entenderem.
Meu muito Obrigada pela recomendação maravilhosa e pelo review SakuraLiz.
Agradeço também a
jusamurai
Roquira Marani
dinani
Sakura Uchiha Redfield
Kina Kim
carolzinhaaruno
ThaisFru
sasales
Poiison
Relsanli
Obrigada por estarem sempre presente.

— Bem-vinda ao banquete. Posso lhe oferecer uma bebida e um sanduíche de queijo? (ele sorria, mas havia raiva em seus olhos)



Como de costume eu vou levar a culpa pela falha alheia.



— Sinto muito. Se tivesse avisado que vinha teria deixado o jantar pronto.

— Onde está Kurenai?

— Não sei. Pode não acreditar, mas não sei mesmo.

— Me dê uma boa razão para acreditar.

— Não consigo pensar em nenhuma.

— Foi o que pensei. (Pegou a xícara e despejou o café na pia) — Tem certeza de que não quer um pouco dessa bebida deliciosa? ( perguntou irônico)

— Não quero nada.

— Não a culpo.



Sasuke falou devagar, os olhos vagando pelas prateleiras empoeiradas e a pia gordurosa. Depois, fez uma careta.



— É incrível! Duas mulheres em casa e veja o que encontro. Pelo menos você poderia fazer um trabalho melhor do que este. O resto da casa não está diferente. Com exceção do meu estúdio e do seu quarto, porque eu olhei.

— Você esteve no meu quarto? (perguntou indignada)

— O acordo era você ficar longe do meu, lembra? Além disso não é a primeira vez. Ou esqueceu?

— Não esqueci nada.

— Estava tudo em ordem a não ser por um caderno jogado em cima da cama.

— Você não o leu, ou leu?

— Por que? Não me diga que era o seu diário?

— Não é da sua conta, você não tem o direito de invadir o meu quarto.

— Seu quarto? Essa é minha casa e eu entro onde quiser.

— Déspota!

— Se eu soubesse teria lido, quem sabe assim aprenderia mais sobre você.

— Não acho que tenha muito a aprender sobre mim.

— Não acha? Bem, você deve saber melhor do que eu.



Sasuke levantou-se espreguiçando-se e estendeu a mão para mim.



— Vamos deixar essa conversa para depois. Agora quero levar você para dar um passeio pelo atalho.

— Agora?

— Por que não?



Pensei em dar uma desculpa qualquer, porém razoável para não me trair.



— Você... disse que eu não devia andar pelo atalho sem roupas adequadas. Ainda não tenho nenhuma.

— Estou convidando para um passeio rápido e não para uma escalada de quilômetros. O tempo está bom e mesmo que mude de repente posso trazê-la de volta para casa rapidamente, não quero que você se aventure a sair sozinha e acabe se perdendo. Comigo não há perigo. Então, vamos?



Sasuke segurou minha mão, porém não o segui imediatamente seu rosto endureceu.



— Isso não é um convite Sakura, é uma ordem. Preciso de companhia, já fiquei por muito tempo sozinho hoje.

— E acha que sou tão disponível?

— Se é assim que quer encarar a coisa... De qualquer forma, você vem comigo.



Seria um tormento sair com ele. Será que Sasuke não compreende? Não faz a menor ideia de como me sinto?

Resisti novamente e um pesado silêncio caiu entre nós. Sasuke aproximou-se de mim e por um instante tive medo de que ele me agarrasse e levasse para fora à força. Só em pensar nisso minhas pernas enfraquecerem.

Respirei fundo e passei por ele saindo para o jardim. Depois de um instante Sasuke me seguiu. Caminhamos lado a lado, no entanto tentei manter o máximo possível de distância.

Seguimos sob as copas baixas das árvores, num silêncio gostoso quebrado apenas de vez em quando pelo canto de um passarinho. Pouco depois do portão uma árvore tinha caído bloqueando a passagem. Sasuke tentou removê-la sem resultado tivemos que passar por cima e recusei sua ajuda.



— Aquele quadro da ninfa podia dar certo. (ele disse, de repente) — Tem certeza de que não quer posar para mim.

— Absoluta. Como já disse, acho que você não terá dificuldades para encontrar outros modelos.

— Mas nenhuma outra ninfa igual a você. Sabia que seu cabelo brilha como as pétalas das flores da cerejeira quando o sol bate nele? Talvez esse seja o motivo de ter recebido esse nome bela Sakura.

— Não. Nem estou interessada.

— Quanta modéstia! Muitas meninas de sua idade ficariam encantadas de ter a sua aparência. Você, não. Você prefere cozinhar e vender cristais. Que outros segredos e talentos está escondendo?

— Nenhum. E não gosto desse tipo de conversa pessoal.

— Conversa pessoal... Você raramente age como uma pessoa de carne e osso, Sakura, cada vez que nos encontramos está sempre bancando a heroína de um conto de fadas. Agora é Bela Adormecida. Só espero que não pretenda dormir cem anos e deixar sua vida passar.

— Até que não seria má ideia, as pessoas parariam de me atormentar.

— E o que eu faço? Gostaria que fosse gentil com você? O problema é que nossas ideias sobre o que é gentileza podem não ser exatamente as mesmas.

— A crueldade é tão mais fácil, não? Ainda mais quando o alvo é alguém que não pode se defender.

— Acha que sou cruel? Não me conhece direito garota. E se eu lhe disser que ainda nem comecei?

— Então, Deus ajude... as pessoas de que você não gosta.



Sentia-me perigosamente perto das lágrimas.



— Acho que já andamos demais.

— Dando para trás? Você realmente não gosta de ficar sozinha comigo, não é, Sakura?

— Preciso mesmo responder?

— Talvez não. Será que tornaria as coisas mais fáceis se eu dissesse que não tenho nenhuma segunda intenção? Que percebi que estava indo pelo caminho errado? E que é injusto pressionar você ou exigir coisas que não tem idade nem maturidade suficientes para enfrentar.

— Obrigada! (falei um tanto irritada)

— Oh, pelo amor de Deus! Não me venha agora dar uma de ofendida. Será que nunca consigo acertar? O que quer, afinal? Não estou acostumado a lidar com garotas, já lhe disse isso. Muito menos com garotas que acham que podem tomar atitudes de mulher, estou tentando fazer um favor a nós dois, porque não há o menor futuro para um homem da minha idade e uma menina da sua.



Ouvi aquilo sentindo uma enorme agonia crescer dentro do peito, queria correr para os braços dele e dizer que só o presente importava e que o amor não era compromisso que valia a pena enquanto durasse, mas controlei as emoções. Sasuke podia me rejeitar e é provável que o fizesse e isso eu não suportaria. Limitei-me a dizer:



— Você pensa que sabe tudo, não é? Mas neste caso em particular está certo. Meus planos não o incluem também.



Tentei passar por ele sem olhá-lo, porém Sasuke barrou o caminho e segurou meu queixo obrigando-me a encará-lo.



— De que planos está falando?

— Nada que seja de sua conta.

— É claro que é da minha conta. Não consegue entender que por enquanto, sou responsável por você?

— Mas não quero que seja. Posso passar muito bem sem a figura de um pai, mesmo que não pudesse você seria o último homem do mundo que eu escolheria. Também não quero viver às suas custas. Essa nunca foi a minha intenção, acredite.

— Acho que compreendo e com quem você gostaria de estar? Com os Uzumaki? Será que esses planos de que falou incluem o jovem Naruto?

— Gosto de Naruto sim. Por que não deveria? Aliás, ele é da minha idade.

— Ele nunca será da sua idade. Vá devagar com Naruto, sakura. O rapaz sempre foi superprotegido pela família, não tem maturidade. Você pode ser demais para ele.

— Saberemos isso amanhã de manhã.

— É uma maneira sutil de me dizer que vai sair com ele esta noite?

— Vamos a uma festa. Por quê? Eu devia ter pedido permissão a você?

— Não. Mas pediu à sua madrasta, não? Ela tem todo o direito de decidir o que é bom para você.



Como ele é cego! Kurenai não se importa nem se estou viva ou morta, mas não posso dizer a verdade.



— Minha madrasta não fez nenhuma objeção.

— Então, não há problema. Agora, vamos admirar a vista que foi o motivo do nosso passeio.



Saímos da sombra das árvores para uma pequena plataforma, lá embaixo via-se o vale com sua vegetação selvagem e suas rochas cinzentas, à direita um pequeno atalho que levava a uma cachoeira, a esquerda o precipício da montanha que descia quase em linha reta. Era uma linda vista e com o dia tão claro descortinava-se o vale até a linha do horizonte.

Um pássaro voou por sobre nossas cabeças e voou na direção do vale com um grito estridente que ecoou pelas rochas, dei um passo atrás assustada.



— Ele a assustou?



Sasuke estava parado a meu lado e aquela proximidade me fazia desejá-lo ainda mais.



— Um pouco. O que era? Um falcão? Uma águia?

— Por aqui há várias espécies de aves de rapina, sabe? Agora estamos no fim da estação de procriação e muitos dos filhotes mais novos estão aprendendo a voar. Esse que passou por nós era um falcão adulto. Provavelmente nos avisando de que não devemos chegar muito perto dos ninhos.

— Entendo. Gostaria de velos mais de perto, são animais lindos.

— É verdade.



Sasuke sorriu aparentemente a tensão entre nós havia diminuído.

— São pássaros interessantes. Na última primavera em que estive aqui passei horas observando-os. O ritual do acasalamento merece ser visto. Eles realizam uma série de rituais de cortejo, o macho oferece uma presa a fêmea que é deixada em uma plataforma ou é entregue em pleno voo. Já as águias e os gaviões machos fazem acrobacias incríveis enquanto as fêmeas se esquivam fingindo que não querem nada com eles. (Fez uma careta) — Parecem até humanos. (fez uma pausa e continuou) — Preste atenção na festa hoje à noite e veja se não estou certo.

— Vou prestar. Mas tenho que voltar para casa, agora. Preciso me trocar.

— Está certo. Acha que consegue encontrar o caminho sozinha? Vou ficar aqui mais um pouco.

— Sim, claro que consigo.



Afastei-me devagar não querendo demonstrar pressa nem medo. Quando alcancei as árvores me virei para trás, Sasuke estava no mesmo lugar em que o havia deixado, ele possui um físico vigoroso e sólido que parecia parte da rocha à sua volta. Parado ali na beira da plataforma dava uma sensação de solidão tão grande que fiquei abalada. Abafando um soluço, continuei a descer por entre as árvores em direção a casa.

Notas finais
agora acredito que tenha ficado bem melhor, bjs e até daqui a pouco.