Brincadeira Perigosa

18 Capítulo 18 "Culpada"


Notas iniciais
Oi espero que gostem.

O choque foi tão grande, que ela mal conseguiu falar:

— Coisas que... peguei? Do que estão falando? O que sou acusada de ter roubado?

— Alguns castiçais, uma caixa de música, estátuas de marfim... enfim, você sabe o que falta melhor do que eu. Pensou que Chiyo não notaria? Ou estava contando que não voltaria mais para casa e seu roubo nunca seria descoberto?

Era um pesadelo e logo acordaria. Tinha que ser.

Olhei para Chiyo que estava sentada em uma cadeira e tão abatida que parecia ainda mais franzina.

— Chiyo eu nunca peguei nada seu. Eu não faria uma coisa dessas... Não poderia! Tem que acreditar em mim.

— Não adianta fingir (Sasuke interrompeu) — Talvez nós até acreditássemos na sua inocência, se eu não tivesse encontrado os objetos de prata escondidos no seu armário.

— Você procurou no meu quarto? Por quê?

— Porque você tinha livre acesso aqui. Era a única que tinha as chaves de Chiyo (Sasuke respondeu calmamente) — Seu extrato do banco chegou hoje de manhã Sakura. Acho que, considerando as circunstâncias, tenho o direito de pedir para ver.

Uma sensação de náusea tomou conta de mim, mas tentei a todo custo manter o controle.

— Veja, se quiser. Não vai descobrir nada, porque não há nada a descobrir. Eu vinha aqui fazer a limpeza e não roubar. Não tinha motivo para roubar.

— Nenhum motivo... exceto, seu desejo obsessivo de voltar para Nuvem. Eu teria dado tudo o que você quisesse para poupar esse desgosto a Chiyo.

Quando Kurenai voltou com o envelope do banco, Sasuke mandou-a abrir e verificar. Só o que queria saber era o saldo.

O ódio e o orgulho ferido fizeram com que eu arrancasse o papel das mãos de Kurenai e jogasse na cara dele.

— Não tenho nada a esconder. Vamos acabar logo com isso!

No entanto a reação de Sasuke não foi a que eu esperava. Depois de ver o saldo, sua expressão foi de surpresa.

— Economias do seu salário na cerâmica? Sinto muito, mas não posso acreditar Sakura. (disse arrasado)

Espantada peguei o papel e constatei a enorme quantia do saldo. Fiquei confusa por um momento. Só então lembrei que tinha dado ordem para o advogado depositar em minha conta as últimas mesadas que não recebi. Kurenai sabia disso. Levantei os olhos para minha madrasta pedindo ajuda, mas não encontrei nem sombra de apoio. Ela não diria uma palavra para me salvar.

De repente a verdade surgiu à minha frente com incrível clareza. Confiante de que Chiyo não voltaria mais para casa Kurenai tinha roubado suas coisas e vendido para pagar as dívidas de jogo e nas lojas. Eu sabia que ela faria qualquer coisa, até pior do que isso, para que nada atrapalhasse seus planos de casamento com Sasuke.

Todos os mistérios estavam esclarecidos. Toda aquela pressa de Kurenai para me mandar de volta para Nuvem estava explicada. Eu sou a única pessoa que podia perceber os roubos e incriminá-la. Quanto às miniaturas, talvez não tivesse tempo de se livrar delas e colocou-as em meu quarto de propósito para levantar suspeitas. Em seguida deixou que Sasuke fosse buscar as chaves do apartamento de Chiyo para encontrar as peças. É um plano diabólico e muito simples, que dera certo.

Estou presa na armadilha e não sei como me libertar. Os dois homens que mais amei na vida gostavam dessa mulher sem escrúpulos. Revelar a verdade não pode mais ferir meu pai, mas machucaria Sasuke profundamente. E não quero machucá-lo. Não tenho coragem de destruir as ilusões dele sobre a futura esposa.

Com dificuldade tomei a decisão mais difícil e dolorosa de minha vida.

— Sinto muito Chiyo, você nunca deveria ficar sabendo. (ela me encarou com hostilidade)

— Posso saber o que fez com as minhas coisas? Só estou perguntando por que talvez seja possível recuperar algumas. Gente velha é muito apegada a objetos.

— Não tenho ideia de onde estão agora (respondi humilhada)

— Não se preocupe Chiyo, vamos dar um jeito de encontrar. Você quer dar parte à polícia?

— Não Sasuke, acho que não. Devido às circunstâncias, é melhor manter isso em família. Mas quero que essa moça vá embora daqui imediatamente.

— Sim, é o mínimo que ela pode fazer.

Evitei olhar para Kurenai para não ver o triunfo em seus olhos. Por mais penoso que me seja preferi encarar Sasuke.

— Sinto muito. (murmurei)

— Eu também. Você nunca saberá o quanto sinto. Agora, vá. Pegue apenas o indispensável. Providenciarei para mandar suas coisas quando estiver estabelecida na Nuvem.

Subi em direção ao meu quarto rapidamente derramando algumas lágrimas de ódio, frustração e mágoa, entrei no mesmo e fui até o armário abrindo-o, retirei uma mala pequena e uma maleta de mão, peguei algumas roupas, calçados e produtos pessoais guardando-os dentro das malas, enquanto realizo essa tarefa ouço a porta abrindo, olho na direção da mesma e me deparo com olhos zombeteiros.

─ Eu lhe avisei que era melhor ter partido, mas você não quis me ouvir. (sorri ironicamente)

─ Como pôde? Eu não mereço isso. (falei indignada)

─ Eu fiz o que tinha que fazer. Se você tivesse me emprestado o dinheiro, talvez isso não tivesse acontecido. (falou observando as unhas compridas e vermelhas)

─ E a culpa é minha? (proferi incrédula)

─ Agora é tarde. Arrume suas coisas e vá, não cause mais aborrecimentos, o Sasuke não vai gostar. (pronunciou impertinente)

─ Causar aborrecimentos? Eu não fiz nada! E você sabe disso! (disse irada)

─ Eu não sei de nada. A única coisa que sei é que Sasuke a quer bem longe daqui e se de por satisfeita. Poderia ir pra cadeia sabia? (sorriso irônico)

─ Sua víbora! Nunca imaginei que fosse me apunhalar desse jeito. Você sabe que posso contar tudo pro Sasuke e acabar com essa sua felicidade. (disse cuspindo as palavras)

─ Faça isso. Vamos ver em quem ele vai acreditar. Em mim ou em uma ladrazinha barata. Por que espero que não tenha se esquecido, as provas apontam diretamente pra você queridinha. (sorri vitoriosa) ─ Além do mais, acredito que não vai querer magoa-lo contando tudo. Não é?

Fechei as malas pegando-as e passei por Kurenai sem proferir uma palavra, ela tem razão eu jamais poderia magoar ou ferir os sentimentos do Sasuke, eu o amo demais para fazer algo assim, desci as escadas e passei pela porta cabisbaixa.

Depois daquela cena de pesadelo fui procurar abrigo e consolo nos braços de Kushina lhe contei toda a história e toda a sórdida mentira desde o começo. Tive dificuldade para impedir que Kushina indignada corresse até o Ninho dos Falcões para desmascarar minha madrasta e revelar a Sasuke com que espécie de mulher vai casar.

Kushina me hospedou em sua casa e fiquei muito agradecida e reconfortada.

— Você é muito ingênua querida. Kurenai só lhe criou problemas, nunca se importou com seus sentimentos. Não merece o seu sacrifício. Não acha que, mais cedo ou mais tarde Sasuke vai mesmo descobrir tudo?

— Talvez. O importante é que não vai descobrir por mim. E ela pode mudar... quando conseguir o que quer.

— As pessoas não mudam tanto assim.

Passamos a noite toda e boa parte da madrugada conversando, desabafar toda essa sujeira me fez sentir um pouco melhor, embora saiba que nunca me sentirei completamente limpa, não enquanto o Sasuke acreditar nessas mentiras.

O dia amanheceu ensolarado, mas o meu humor é negro, a dor e o peso que sinto no coração são enormes. Levantei, pois tinha que partir, queria sair da vila do Som o mais rápido possível, ficar o mais longe possível do Sasuke e da víbora da Kurenai, não sei como meu pai foi capaz de amar essa mulher, sem falar do Sasuke, parece que ela tem o dom de enfeitiçar os homens.

Tomei um banho rápido, vesti um vestido preto, calcei um sapato preto, amarrei os cabelos em um rabo alto e fui à cozinha, ao entrar no recinto encontrei Kushina.

─ Bom dia querida, espero que se sinta melhor.

─ Um pouco. Obrigada Kushina por me receber em sua casa.

─ Ora, é o mínimo que posso fazer. Agora venha vamos tomar nosso café da manhã. (abraçou Sakura pelos ombros)

Após o café Minato foi para a fábrica, Naruto para a escola e Kushina e eu ficamos em casa.

─ Sabe Sakura, estive pensando e cheguei à conclusão que você não precisa ir embora agora, pode ficar um pouco mais.

─ Agradeço, mas quero partir logo. Se eu ficar aqui o Sasuke, ou até mesmo a Kurenai irão saber e não quero mais problemas.

─ Ora, eles não precisam saber e além do mais você não pode simplesmente ir embora sem ter um lugar pra ficar. Isso seria loucura.

─ Mas...

─ Nada de mais. Não vou deixar, não sairá daqui até que encontremos um lugar seguro para você ficar. (falou obstinada com os olhos brilhando)

─ Então prometa que o Sasuke não saberá que ainda estou aqui.

─ Eu prometo. O Minato e o Naruto também não falarão nada, fique tranquila.

Enquanto Kushina foi para a loja eu fiquei em casa e aproveitei para cuidar de mesma assim me distraio um pouco.

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Ainda não acredito que Sakura foi capaz de tanta sujeira, mentir descaradamente e ainda roubar Chiyo, nunca pensei que me enganaria tanto com uma pessoa como me enganei com ela. Agora o que quero saber é o quanto Kurenai está envolvida nessa mentira toda.

─ Vou descobrir isso agora.

Saí do estúdio e fui atrás de Kurenai, a encontrei sentada a mesa tomando o café da manhã.

─ Kurenai, precisamos conversar.

─ Sasuke querido, bom dia, venha tome café comigo. (voz melosa)

─ Eu não quero café. O que quero é conversar sobre as coisas que aconteceram nessa casa desde que você e Sakura chegaram aqui. (disse autoritário)

Kurenai levantou-se e veio em minha direção com semblante de triste.

─ O que quer sabe querido? (voz chateada)

─ Por que mentiu pra mim?

─ Você fala sobre a idade de minha enteada?

─ Sim. Por que não disseram a verdade? Sabe que odeio mentiras.

─ Eu sei, mas a Sakura pediu que eu dissesse que ela era mais nova. (baixou os olhos resignados)

─ E por que ela pediria uma coisa dessas? (olhando direto para Kurenai)

─ Ela estava com medo de você não a querer aqui, afinal ela tem dezenove anos e também tem o testamento do meu falecido marido, ele exigiu que permanecêssemos juntas. E eu quis cumprir sua última vontade. A Sakura sempre foi como uma filha pra mim. (voz embargada pelo choro) ─ Nunca imaginei que ela fosse capaz de roubar, mas a verdade é essa. Graças aos céus meu querido Satoru não está mais aqui pra ver isso, seria uma tremenda infelicidade para ele. (derrama lágrimas)

─ Vocês deviam ter falado a verdade desde o inicio. (proferiu zangado)

─ Me perdoe querido. (abraçou Sasuke encostando a cabeça em seu peito) ─ Prometo nunca mais mentir pra você, mesmo que minhas intenções tenham sido apenas ajudar.

─ Assim espero. Vou sair. Não me espere.

Fui caminhar um pouco, adentrei a trilha que leva a montanha e cheguei ao lugar onde havia estado com Sakura observando os pássaros, senti uma pontada no coração, ainda é muito difícil acreditar em tudo isso, mas as provas apontam o contrario. Quando voltei para casa era noite, fui conversar com Chiyo que ainda encontra-se muito abalada, ela afeiçoou-se muito a Sakura.

─ Chiyo como está? (Sasuke perguntou preocupado com a senhora)

─ Ainda não acredito que aquela doce menina tenha me roubado, não acredito que me enganei dessa forma. Sempre consegui ver quando uma pessoa é boa ou não. (disse abatida)

─ Também não consigo acreditar, mas nós vimos às provas. Elas não mentem. (Sasuke caminhava na sala com olhos tristes)

─ Será mesmo? (Chiyo segurou a mão firme de Sasuke o fazendo olhar para ela) ─ E se estivermos enganados?

─ Sinto muito Chiyo, mas não há engano. Nós é que fomos enganados. Agora durma. Eu vou viajar e devo voltar somente no final de semana.

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Dois dias se passaram e Kushina conseguiu hospedagem provisória na casa de uma tia de Minato na Nuvem. A única condição que impus foi não contar a ninguém no Ninho dos Falcões onde eu estaria.

— Pode ficar tranquila, eu prometo. (Kushina olhou para meu rosto abatido) ─ Mas está certa de que é isso o que quer? Não sou cega, sabe? Posso ter prometido ser muda, mas cega eu nunca fui.

Forcei um sorriso.

— É o que eu quero.

A senhora Maya tia de Minato é uma mulher simpática, de muito senso prático. Gostei de sua personalidade e companhia.

Pouco tempo depois de chegar a Nuvem consegui emprego em um pequeno restaurante próximo ao apartamento. O salário não é dos melhores, mas com a mesada que papai me deixou dá para me sustentar, enquanto não aparece coisa melhor.

Kushina é um amor de pessoa, uma mulher romântica e as antigas em algumas questões, recebi duas cartas dela contando mil novidades sobre a família, a cidade, a loja. Sobre Sasuke e Kurenai nem uma palavra. Talvez já estivessem até casados.

Respondi a carta pedindo que Kushina fizesse o favor de mandar minhas coisas de volta.

Duas semanas se passaram desde que cheguei à casa de Maya e certa noite ela bateu à porta de meu quarto, avisando que havia uma visita para mim.

— Desço já. Deve ser o advogado de papai. Telefonei dando meu endereço.

Imagino que deve haver algum problema com a herança, já que Kurenai e eu não estamos mais morando juntas.

No entanto ao chegar à sala parei petrificada.

Notas finais
Só estou postando por que prometi, o avô do meu marido faleceu hoje então não estou com cabeça pra nada, responderei os reviews quando puder bjs