Brincadeira Perigosa
10 Capítulo 10 Ironia: palavras que ferem.
Notas iniciais
Boa leitura!
No dia seguinte levantei com uma enorme dor de cabeça, já que dormi muito pouco, fui ao banheiro, abri o armário e peguei dois comprimidos para dor e tomei-os, liguei o chuveiro e tomei um banho rápido, voltei para o quarto e escolhi uma saia longa vermelha e uma blusa de manga comprida branca, calcei uma bota marrom de salto, fiz um coque nos cabelos, fiz uma maquiagem bem leve na tentativa de amenizar minha aparência, vesti o casaco e desci, na cozinha tomei um café forte e sem açúcar e sai para trabalhar sem que ninguém me visse, Kushina notou meu desânimo e perguntou se estava sentindo alguma coisa, dei uma resposta evasiva e fui para a loja.
Felizmente houve muito movimento na loja e fiquei muito ocupada para ter tempo de pensar em meus problemas. Estava almoçando quando Naruto chegou.
— Acho que sou capaz de gritar se vir outro livro didático pela frente (disse ele sentando-se ao meu lado).
— Você vai passar nas provas.
— Adoraria que os professores tivessem o seu otimismo. Vamos dar uma festinha antes das provas. Não quer vir comigo?
Apesar de já esperar por um convite assim há muito tempo hesitei sem saber o que responder. Naruto ficaria triste se eu recusasse, e como eu estou precisando me divertir um pouco ou pelo menos tentar, aceitei.
— Obrigada. Gostaria muito.
— Ótimo! Maravilha. Vou pedir o carro do papai emprestado, a festa é no sábado. Vou pegar você às oito horas. Não tem problema? Quer dizer, não precisa pedir pra ninguém?
— Ninguém.
Pensei nos comentários irônicos que Kurenai faria por eu sair com um garoto tão mais novo.
Naruto parece disposto a ficar conversando, mas senti-me aliviada quando vi dois casais entrarem na loja. Corri para atendê-los, hoje o movimento está grande, pois assim que os casais saíram ouvi a sineta da porta tilintar novamente. Virei-me para cumprimentar o cliente e Sasuke estava parado junto à porta me observando.
Ele usava casaco e calça preta, camisa azul e cachecol vinho, eu estava tão acostumada a vê-lo de jeans e suéteres velhos que tinha me esquecido de como era elegante.
Apreensiva comecei a torcer a ponta do avental. Por sorte Kushina chegou naquele momento.
— Olá estranho. O que o traz aqui?
— Queria dar uma palavrinha com Sakura, pensei que fosse hora do almoço, mas pelo que vejo estão ocupados.
— Tudo bem posso me virar sozinha. Leve-a com você, essa menina bem que precisa de um pouco de ar puro. Chegou tão pálida hoje.
— Mas eu já almocei...
— Tolice! Não temos regulamentos tão rígidos aqui. Ande vá pegar o casaco não deixe Sasuke esperando...
Kushina falava num tom severo, como se eu ainda fosse uma criança desobediente.
O carro de Sasuke está estacionado diante da loja.
— Entre (ele disse segurando meu braço).
— Aonde vamos? (perguntei tentando me soltar) — Eu devia estar trabalhando.
— Kushina disse que você precisa de ar puro. Vou levá-la até o lago, vamos de carro, porque não tenho muito tempo.
Sentei-me ao lado dele em silêncio. Sasuke manobrou e desceu pela rua estreita.
— Não posso demorar. Kushina precisa de mim.
— Ela não vai morrer só por causa de alguns minutos. Você está parecendo uma daquelas personagens desbotadas dos filmes de vampiro.
— Muito obrigada.
Sasuke sorriu.
— Pelo menos quando fica zangada aparece um pouco de cor nesse rosto.
Saímos da cidade por uma estrada que eu não conhecia e circulávamos o lago. Sasuke parou o carro, desligou o motor e tirou a chave da ignição. Abri a porta do carro e saí sentindo a brisa suave no cabelo e tentando relaxar fui até a beira da água. O lugar é muito calmo, não tem muita pessoas por perto, só alguns casais com crianças fazendo piquenique a vários metros de distância.
Sasuke me seguiu, ele não se aproximou muito, mas sua simples presença me perturba quase tanto quanto como se estivesse nos braços dele. Estremeci.
— Está com frio?
— Não. O sol está gostoso hoje. Como... vai Chiyo?
— Passou bem à noite e está melhorando. Foi o que disseram hoje pela manhã. Aquele telefonema de ontem... (ele franziu a testa) não era da clínica.
— Isso é muito bom.
— Não foi assim que eu me senti ontem à noite. Apesar de que acho que foi melhor termos sido interrompidos, tenho certeza de que você concorda.
Não respondi e ele continuou:
— Foi por isso que não voltei para casa, depois de passar na clínica achei que você tinha tido tempo suficiente para pensar melhor e lembrar-se de todos os seus preconceitos e eu não estava disposto a encontrar portas trancadas.
— Não estava trancada (eu disse impensadamente e depois corei).
— Não? Então essa é uma falha que terá que ser corrigida de agora em diante. Porém você estará a salvo nos próximos dias, tenho que ir a Konoha, já devia ter partido, mas quis falar com você primeiro.
— Está bem. Você não tem que se desculpar ou explicar nada. Eu entendo.
— Acho que não, não tenho a menor intenção de me desculpar. Arrependo-me do que aconteceu, mas não me desculpo. Quanto à explicação... sou homem e você é mulher. Isso é tudo a ser dito.
— Compreendo (respondi com amargura).
— Duvido. Em todo caso não dê a isso mais importância do que realmente tem. Está tudo bem, não fui bem-sucedido no meu "desejo estranho", como você disse e talvez nós dois devêssemos estar agradecidos por isso.
— Oh, sim. Em outras palavras seus preconceitos também levaram a melhor.
— Acho que pode chamar assim, não tenho tempo agora para discutir meus padrões morais. Vamos deixar essa conversa para quando eu voltar.
— Não, obrigada. Não há nada para discutir, não tenho ilusões sobre o motivo do seu comportamento, de alguma forma acho que eu o provoquei, minha curiosidade juvenil era um tanto óbvia, mas você a curou completamente. O que, aliás, foi o objetivo da ceninha que tivemos.
Esperei por alguma reação, talvez protesto ou raiva, mas como não veio continue;
— Acho que devo ficar realmente grata, poucas garotas da minha idade têm a oportunidade de uma aula de amor com um especialista, mesmo que tenha parado na primeira lição, mas foi o suficiente para me ensinar uma coisa muito importante, a ficar no meu lugar, de agora em diante. Não sei se sabe como pode ser envolvente, quando quer. Fiquei... fiquei impressionada! (estava sendo irônica).
— Então escondeu muito bem. (era a vez de Sasuke ser irônico) — Essa foi a última coisa que pensei ter incitado em você, mas uma coisa eu sei, fui muito mais longe do que esperava, só queria dar um beijo de boa noite.
— Um carinho paternal distorcido?
— Não banque a boba, se quer mesmo a verdade, eu queria apenas confortá-la e também achei que você desejava ser beijada. Fui tão errado assim?
— Não. Você estava absolutamente certo. Eu quis... e agora não quero mais, não quero mais ter esse tipo de fantasia a seu respeito Sasuke, é muito perigosa. Posso não estar muito bem no seu julgamento, mas acho que não mereço ser seduzida só porque você está aborrecido ou frustrado.
Minha voz falseou e morreu. Quando ousei olhar para Sasuke dei um passo para trás e tropecei, imediatamente ele me ajudou, impedindo que eu caísse.
— Não me toque!
— Uma reação instintiva, não vai acontecer outra vez, minhas frustrações podem revelar meu lado pior e quando me sentir assim novamente não vou tentar seduzir você. Vou lhe dar a surra que seu pai nunca deu.
— Você não pode negar (eu disse o desafiando) que tudo isso faz parte do joguinho sujo de gato e rato que você e Kurenai estão fazendo. Como não pôde ir para a cama com ela tentou castiga-la através de mim. Bem, não funcionou, de agora em diante adoraria que restringisse suas atenções a ela... e me deixe fora disso.
Sasuke de repente ficou muito pálido.
— Obrigado pela brilhante conclusão que tirou da situação, a partir de hoje prometo que nem você nem Kurenai terão nada do que reclamar. Agora é melhor levá-la de volta ao trabalho.
Sasuke virou-se e foi para o carro, eu o seguiu sentindo uma enorme vontade de morrer, ele já estava sentado ao volante quando me aproximei vacilante.
— Se preferir vou a pé...
Sasuke virou-se para mim muito frio.
— Preferia que você saísse da minha vida de uma vez por todas Sakura, mas não podemos ter tudo o que queremos. Agora entre no carro e vamos embora.
— Eu quero sair da sua vida. (minha voz era um sussurro) — Você nem imagina o quanto eu quero, mas não precisa se preocupar. Assim que puder, irei embora. Não importa o que tenha que fazer para conseguir isso.
— Então está ótimo para mim.
Sasuke deu partida no carro e parecia que toda a sua raiva estava concentrada na direção. Parou em frente da loja e virou-se para mim dizendo com voz gelada e o rosto inexpressivo:
— Considerando que ainda vai ficar algum tempo por aqui talvez possa dar algum auxílio a Chiyo, um telefonema diário será suficiente. Não precisa se aborrecer.
— Gosto de Chiyo, pode contar comigo.
— Ela também gosta de você, mas até Chiyo pode se enganar ao que parece.
Muito depois que o carro desapareceu eu ainda estava olhando para a rua vazia. Pensei desesperada: Oh, meu Deus, o que foi que eu fiz?
Senti-me física e emocionalmente exausta nessa tarde. A loja esteve cheia de fregueses o tempo todo o que me impediu de pensar em meu sofrimento e impediu Kushina de me fazer perguntas que teriam sido muito indiscretas, mas na primeira oportunidade que ela teve comentou que aquele passeio não parecia ter feito muito bem a mim.
Voltei para casa com uma dor e um peso enorme no coração, mas o que foi feito já estava feito ou pior dito, agora é enfrentar os dias que estão por vir.
Notas finais
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Deixe seu comentário ficarei muito feliz, bjs e até o próximo.
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