Brida

6 A livraria


Notas iniciais
desculpem o sumiço daqui, faz muito tempo que não atualizo a fic por uma falta de tempo. dessa vez vai dar certo e vou tentar postar toda semana a fic.

No centro de Dublin existe uma livraria especializada em tratados de ocultismo mais avançados. É uma livraria que jamais fez qualquer publicidade em jornais ou revistas – as pessoas só chegam lá indicadas por outras, e o livreiro fica contente, porque tem um público seleto e especializado.

Mesmo assim, a livraria está sempre cheia. Depois de ouvir falar muito dela, Brida finalmente conseguiu o endereço com o professor de um curso de viagem astral que estava freqüentando. Foi lá certa tarde, após o trabalho, e ficou encantada com o lugar.

Os livros eram mais seguros. As estantes continham reedições de tratados escritos há centenas de anos atrás – muito pouca gente arriscava dizer algo de novo nesta área. E a sabedoria oculta parecia sorrir naquelas páginas, distante e ausente, sorrindo do esforço dos homens em tentar desvendá-la a cada geração.

Certa tarde, Brida tomou coragem para fazer a mesma coisa. Estava voltando do trabalho, onde tudo dera certo. Achou que devia aproveitar o dia de sorte.

— Sei que existem sociedades secretas – disse ela. Achou que era um bom começo para a conversa. Ela “sabia” de alguma coisa.

Mas tudo que o livreiro fez foi erguer a cabeça das contas que estava fazendo, e olhar espantado para a moça.

— Estive com o Mago de Folk – disse uma Brida já meio desconcertada, sem saber como continuar. – Ele me explicou sobre a Noite Escura. Ele me disse que o caminho da sabedoria é não ter medo de errar.

Reparou que o livreiro já estava prestando mais atenção às suas palavras. Se o Mago ensinara alguma coisa a ela, é porque ela devia ser uma pessoa especial.

— Se você sabe que o caminho é a Noite Escura, então por que buscar os livros? – disse ele finalmente, e ela entendeu que a referência ao Mago não tinha sido uma boa idéia.

— Porque não quero aprender daquela maneira – emendou ela.

O livreiro ficou olhando para a menina a sua frente. Ela possuía um Dom.

—- Tenho visto você sempre por aqui – disse. – Entra, folheia tudo, e nunca compra livros.

— São caros – disse Brida, pressentindo que ele estava interessado em continuar a conversa. – Mas já li outros livros, freqüentei vários cursos.

— O que você sabe fazer bem? – perguntou ele.

— Ir atrás do que acredito. – Não havia outra resposta. Vivia correndo atrás do que acreditava.

O problema é que cada dia acreditava em uma coisa diferente.

O livreiro escreveu um nome no pedaço de papel onde estava fazendo suas contas. Rasgou o pedaço onde havia escrito, e ficou segurando nas mãos.

— Vou lhe dar um endereço – disse. – Houve uma época em que as pessoas aceitavam as experiências mágicas como coisas naturais. Naquela época não havia sequer sacerdotes. E ninguém saía correndo atrás de segredos ocultos.

Brida não sabia se ele estava se referindo a ele.

— Você sabe o que é magia? – perguntou ele.

— É uma ponte. Entre o mundo visível e invisível.

O livreiro estendeu um papel para ela. Ali estava um telefone e um nome: Wicca.

Brida agarrou rapidamente o papel, agradeceu, e saiu. Ao chegar na porta, voltou-se para ele.

— Obrigado pela ajuda, você não sabe o quanto que isso é importante.

O livreiro interrompeu suas contas, e ficou olhando a própria loja. “O Mago de Folk ensinou estas coisas para ela”, pensou.

Já estava na hora de fechar. O livreiro estava notando que o público de sua loja começava a mudar. Estava cada vez mais jovem como diziam os velhos tratados que atulhavam suas estantes, as coisas começavam finalmente a voltar para o lugar de onde partiram.

Notas finais
enjoy xx