Breaking the Rules
10 Você Nunca Vai Me Ouvir Dizer
Você nunca vai me ouvir dizer.

Levy
— O que você quer falar Gajeel? – perguntei me sentando na cama.
Ele permaneceu parado a porta e evitava me olhar.
— Fala logo! – disse sem paciência.
— Você está sendo jurada de morte.
Ainda estava irritada pelo ocorrido hoje de manhã e... Espera ai... O que?!!?
— Oi?! Como assim sendo jurada de morte?!?
Ele respirou fundo e entrou no meu quarto, fechando a porta logo atrás de si.
— Eu não deveria dizer isso, era para manter segredo de você só que é mais fácil para mim se você souber.
— Explica isso direito, Gajeel! – falei exaltada.
— No dia que aquele carro te perseguiu, não foi uma tentativa de sequestro relâmpago aleatório, eles estavam com intenção de pegar você, e provavelmente haviam planejado tudo, só que não esperavam por mim.
— Mas por que? O que eu fiz para estar na lista negra de alguém?!
— Você nada, mas sua mãe prendeu uma certa pessoa, então vieram atrás de vingança.
— Minha mãe?
— Lembra daquela noite, quando sua mãe teve uma missão, e eu tive que ficar com você. Então te levei para minha casa e você conheceu minha mãe.
— Eu me lembro desse dia...
— Naquele dia, Sarah havia recebido uma denuncia em anônimo dizendo que sabiam a hora e o local que aconteceria uma venda de armas para o exterior, e que quem faria essa venda seria um traficante muito... Perigoso. E que estamos a procura dele a anos, só que nunca tivemos provas o suficiente para pega-lo. A denuncia estava certa, só que erraram em dizer que quem estaria lá era o traficante que procuramos, ao invés dele quem faria a venda seria outro cara, que era seu braço direito. Como conseguiram o pegar de surpresa, ela o prendeu e apreendeu as armas, tentaram um interrogatório com o cara, mas foi em vão...
— Ainda não entendi onde eu me encaixo nisso!
— É porque eu ainda não terminei! – ele fechou os olhos e respirou fundo antes de continuar – O traficante líder não gostou muito de termos atrapalhado seus planos. – ele disse irônico. – E é agora que você entra. Acreditamos que ele planejou te sequestrar com o intuito de fazermos uma troca e liberarmos o prisioneiro. Acontece que eu os interrompi nesse plano, e eles ainda tiveram uma perda. Infelizmente no final nosso prisioneiro conseguiu fugir, porem ainda estamos com a mercadoria apreendida. Por isso meu trabalho mudou de te vigiar e impedir que fuja de casa, para te proteger e impedir que você morra.
Eu olhava assustada para ele, desacreditando em tudo o que ele dizia.
— Não entrei na escola para te vigiar 24 horas por dia, ou perturbar a sua paz... – senti um pesar vindo de sua voz quando ele disse isso, e a culpa me apossou. – Fui encarregado de vigiar seu colégio, e interrogar qualquer suspeito que tente se aproximar. Eles sabem onde você estuda, e agora sabem onde você morra também. E sabem onde sua amiga mora, pois te viram a deixando em casa antes de te perseguirem, certo?
— C-Certo... A Kana também esta sendo perseguida?! Por minha causa?!
— Não sabemos se ela se tornou um alvo, mas tomamos as devidas providencias. Acha que estamos sozinhos? Existem dois carros disfarçados rondando da sua rua até a rua da casa da sua amiga. E um que ronda seu colégio quando esta estudando.
— Eu ainda não entendo uma coisa... Por que eu? Se queriam soltar o capanga deles, por que me usaram como isca?
— Para atingir sua mãe.
— E não tinham outra forma de fazerem isso?!
— É mais complicado do que parece... Os motivos não são apenas esses, existem outros... Os quais eu não posso falar.
— Gajeel, você me contou até aqui, agora termine!
— Eu não posso.
— Gajeel! – fui até ele e o prensei na parede, da melhor forma que pude – Por favor...
Ele respirou fundo e tirou gentilmente minhas mãos que prensavam seu corpo.
— Agora não... Deixa pra outro dia, tudo bem?
Eu havia perdido de qualquer jeito. Não importa o que eu fizesse, ele não diria nada!
— Temos muita coisa para fazer hoje, então sugiro que coloque alguma roupa mais confortável. – ele disse virando as costas e saindo do meu quarto.
— Como assim “temos”? – falei seguindo-o.
— Eu quis dizer que eu e você ‘temos’ muita coisa para fazer.
— Tipo?
— Treinamento.
Já havíamos chegado à sala. Ele encarava-me com os braços cruzados diante o peito e um semblante sério.
— Como assim treinamento? – perguntei confusa. Gajeel revirou os olhos antes de continuar.
— É isso mesmo que você ouviu!
— Já não basta o treinamento que você deu na escola?!
— Aquilo? Gihihi! Aquilo foi só aquecimento.
Ele riu maldoso e eu comecei a temer aquele treinamento... Acho que vou me arrepender de não ter me aquecido bem na educação física...
— Então... Que tipo de treinamento é esse?
Perguntei já com uma roupa mais confortável. Vestia um conjunto de shorts e um top amarelo. Amarrei uma faixa vermelha na cabeça para impedir que meu cabelo atrapalhesse e estávamos na sala. Gajeel havia retirado o sofá e as poltronas do lugar, dando mais espaço para seja lá o que vamos fazer.
— Vou te ensinar alta defesa. Você precisa aprender a se meter numa briga caso necessário.
— O certo não seria “sair de uma briga”?
— Se um bandido tentar te pegar, você não vai conseguir fugir sem correr o risco de ser perseguida caso não nocauteie ele.
— Acho que entendi...
— Ótimo. Agora... – ele disse retirando uma pistola da sua cintura. — Me desarme.
— Tem mesmo necessidade de você está armado?!
— Relaxa, não vou atirar em você.
— Descarregue isso pelo menos!
— Tá tá! Que chata!
Ele abriu a pistola e retirou as munições. Não acredito que aquilo estava carregado de verdade?!
— Pronto, agora me desarme. – ele disse apontando a arma em minha direção.
— Não vai nem me ensinar algum golpe?
— Primeiro quero observar, depois ensino alguma coisa. E se eu fosse um bandido, enquanto você está ai falando eu poderia ter te matado.
— Cala a boca! – falei e avancei em cima dele.
Logo de primeira ele me derrubou.
— Lição número um: Nunca ataque de frente sem ter a certeza de que vai conseguir escapar de um golpe. Atacando primeiro e de frente você deixa sua guarda praticamente escancarada, qualquer golpe e eu te derrotaria.
Ele rodava a pistola enquanto falava, e isso me irritava pois ele olhava-me com um ar debochado. Após isso ele voltou a posição inicial e apontou a arma na minha direção;
— Pode vim pirralha!
Avancei para cima dele novamente. E ele novamente me derrubou. E foi assim em todas as tentativas seguintes.
— Assim não dá! Essa é a décima vez que você me derruba!
— Décima quinta, e sim eu estou contando. Você é péssima.
— Grande gênio você por ter descoberto isso sozinho!
Eu gritava irritada e ofegante. Depois de quase meia hora nesse treinamento, em nenhum momento consegui sequer encostar a mão na pistola do Gajeel.
— Já que você caiu quinze vezes então seu numero será quinze. Agora pague quinze flexões.
— O que?!
— O treinador aqui sou eu! Pague quinze! E sem mimimi soldado! – ele disse alto e autoritário.
Sua voz soou tão grossa e onipotente, que não tive como não fazer o que ele mandou. Então me abaixei e comecei a fazer as flexões.
— Vamos lá! Um! Dois... Dois e meio... Não acredito que nem flexão você consegue! – ele disse indignado.
— É difícil! – falei irritada. — E com você gritando eu não consigo me concentrar!
— É com pressão que a gente aprende.
Ele ofereceu a mão para que eu levantasse e aceitei de bom grado. Mas quando me puxou para cima ele deu uma leve tapa no meu bumbum antes de retornar a fala.
— Começa a correr vai.
— Hey! Qual o problema de vocês com o meu bumbum?!
Eu estava correndo até Gajeel me puxar pelo braço e me prensar no sofá.
— Como assim vocês? Quem são “vocês” e o que seus glúteos tem a ver com isso?! – ele perguntou sério.
Isso me assustou.
— Quando disse “vocês” eu quis dizer você, as meninas e a minha mãe... Ultimamente parece que meu bumbum virou o assunto da semana!
— Ah! Bem... – ele começou a se afastar, parecia tão confuso quanto eu. – Seu bumbum é macio e gostosinho de apertar...
Gajeel
Ela me encarava com os olhos arregalados. Entendia aquilo tanto quanto eu... Sei que deveria ter começado aquela conversa com um pedido de desculpas e falando de meus sentimentos, assim como mamãe disse. Mas na hora... Eu... Não consegui. Meu orgulho não deixou que eu dissesse o que queria, então mudou o assunto para outra história.
Agora eu havia acabado de falar coisas que deveriam ficar apenas na minha mente, e não sabia como encará-la. Então simplesmente encarei qualquer outro ponto que não fosse ela e novamente mudei de assunto.
— Sem reclamar vai! Quero quinze voltas! – dei minhas ordens e sentei no chão.
Essa historia estava me deixando louco já! Sentia um calor subir em meu peito quando estava perto dela. E isso era bom e perturbador ao mesmo tempo. Era bom porque eu me sentia confortável e... Completo... Mas era perturbador pois eu sabia que qualquer relação a mais com a pirralha seria impossível... Arf! Tenho a impressão de que hoje vou ter um dia longo...
— Vamos parar por aqui. – falei após ter uma sessão se exercícios.
— Ah! Graças a Deus! – disse Levy se jogando no chão.
— Amanhã terá mais.
— O que?!
— Isso mesmo.
— Eu vou morrer...
Ambos estávamos ofegantes e cansados, obviamente ela estava mais do que eu. Já estava de noite, havíamos passado a tarde treinando. Resolvi retirar a camisa para refrescar um pouco e escutei um suspiro alto de Levy. De inicio pensei que fosse pelo cansaço, mas quando olhei para ela, minha Pirralhinha praticamente me devorava com os olhos...
— Por que não assume de uma vez? – perguntei me aproximando dela, que se assustou ao perceber que eu havia a notado.
— A-Assumir o que? – ela disse quase sem voz e completamente vermelha.
— Algo obvio, é claro! – me ajoelhei em sua frente e peguei em sua pequenina mão. – Você é louca pelos meus quadrinhos! – falei enquanto passava a mão dela em meu abdômen trincado.
Não sei se era possível, mas com certeza ela ficou mais vermelha do que já estava!
— E-Eu... Eu... Hã... Quero dizer... Eu...
— Relaxa, eu não mordo... – falei dando um sorriso de lado — A não ser que você peça Gihihi!
Levy estava numa coloração impossível de identificar. E internamente eu me xingava por não estar controlando minhas falas e meus gestos. Droga Gajeel! Não vá dizer coisas desnecessárias e que depois vá se arrepender!
— Você... Você anda bastante atrevido hoje!
— Talvez seja porque... Ah! Esqueça! Apenas quero que você assuma e para de suspirar pelos cantos cada vez que eu tiro a camisa!
Levantei-me com um sorriso zombeteiro deixando minha Pirralha com as sobrancelhas curvadas e bico de irritação. Fofamente linda!
— Não seja tão convencido! – ela disse se levantando. – Você nunca vai me ouvir dizer que eu te acho... — ela deu uma pausa antes de falar decidida — Gostoso pra caramba! Porque eu sei que é isso que você adoraria que eu disesse!
— Hã... – “Você acabou de dizer...”— Pois é! Acho melhor eu desistir!
— Com certeza!
— Eu também nunca diria que te acho muito linda e extremamente fofa! Com certeza eu nunca diria isso!
— Hm... E eu nunca diria que também te acho muito bonito... E atraente, mas nego isso até para minhas amigas devido ao meu orgulho! É, você nunca vai me ouvir dizendo isso!
— E você nunca vai me ouvir dizer que um dos meus passatempos favoritos é te observar, isso desde que entrei aqui... Mas negava a mim mesmo por achar loucura. Eu realmente nunca que vou dizer isso!
Essa “brincadeira” estava divertida... Porem cada vez que falávamos nos aproximávamos mais e uma luz grande e vermelha dizendo “Perigo!” piscava na minha mente.
— E eu nunca diria que apesar de te achar insuportável, às vezes, me sinto solitária quando não esta por perto!
— E eu nunca diria que, tirando o da minha mãe, o seu colo é o mais reconfortante de todos...
— E eu jamais diria que sua voz me arrepia, que seus olhos me deixam hipnotizada e que seu cheiro é viciante! Você nunca vai me ouvir dizer isso!
Nesse momento já estávamos cara a cara, e a luz de perigo brilhava mais forte, mas eu não conseguia a notar... Meus olhos se prenderam no de Levy, e os delas se prenderam nos meus.
— E você nunca vai me ouvir que... – não consegui terminar a frase e notei a inquietação dela.
— O que? – ela perguntou vacilante. – O que eu nunca vou te ouvir dizer?
Estávamos tão próximos que eu sentia sua respiração, e estava tão silencioso que conseguíamos ouvir a batida acelerada de cada coração. Nesse momento o sinal de perigo não me importava mais. A merda já estava feita mesmo...
— Você nunca vai me ouvir dizer, mesmo eu estando dizendo agora, que hipoteticamente falando há uma pequena chance que talvez eu esteja... Hm... Apaixonado por você... Você, é claro que estou ironicamente falando, nunca vai me ouvir dizendo isso...
Por um momento ambos prendemos a respiração. Eu por ter acabado de falar aquilo que eu havia dito a mim mesmo que não falaria, e ela pela surpresa. Mas depois, um pequeno sorriso, quase imperceptível, surgiu em seus lábios.
— Interessante... Bem... – ela abaixou a cabeça e começou a passar timidamente a mão em meu abdômen e subiu até chegar a meu pescoço. – Nesse caso... – ela me encarou novamente. — Me sinto mais confiável em dizer que, eu nunca diria que estou morrendo de vontade de... Beijar você neste momento...
— Caramba... – falei com um sorriso de lado e a sobrancelha levantada. Está ai uma coisa que eu não esperava! – Sabe, isso é uma coisa que realmente você nunca vai me ouvir dizer! De verdade.
Levy me olhou assustada e tentou se afastar, mas a segurei forte enlaçando sua cintura e a puxando para mais perto.
— É que para esses assuntos eu não costumo falar muito, é perda de tento! – disse dando uma piscada.
E antes que ela pudesse me responder ou fazer alguma coisa, eu a beijei.
Levy
Loucura! Isso era uma grande loucura! Quando foi que isso aconteceu mesmo?! Em um momento estávamos praticamente declarando coisas que nunca diríamos um ao outro, e agora eu estava beijando-o! Beijando-o!
Seu hálito fresco invadia minha boca e quando pediu passagem com a língua eu não fiz questão de relutar. Estava tão bom que involuntariamente agarrei em seus cabelos e o puxei para mais perto. Minha maldita falta de altura fazia com que eu ficasse nas pontas dos pés, o máximo que pudesse e isso estava me cansando rápido. Acho que Gajeel notou meu esforço e sem parar o beijo ele segurou em minhas coxas e me tirou do chão. Caminhou para perto do sofá que ainda estava afastado do meio da sala e me sentou nas costas deste. E assim continuamos sem problemas.
Seu beijo era quente, inebriante e... Mais do que perfeito.
Não sabia explicar a sensação que Gajeel me transmitia, mas posso dizer que ele estava necessitado daquele beijo devido a forma intensa e desejada que ele me agarrava. Suas mãos acariciavam minhas costas e as vezes descia para minhas coxas onde ele as apertava e me puxava mais para si. Eu agarrava seus cabelos dando leves arranhados em sua nuca. O ar começou a faltar então Gajeel mudou o lugar do beijo, de meus lábios para o meu pescoço, mas parou quando chegou em meu ombro, escondendo seu rosto ali mesmo e abraçando meu corpo.
— Sabia que você cheira a morango com baunilha?
— Que mistura estranha... Não deve ser um cheiro muito bom... – falei o abraçando, sua respiração batendo em meu pescoço me transmitia uma sensação gostosa.
— Não, mistura estranha é o que você faz quando tenta cozinhar. – não aguentei e acabei rindo, mesmo achando que ele estava errado – E eu gosto muito da mistura do seu cheiro, ele é doce e suave ao mesmo tempo.
— Seu cheiro me lembra ferro por algum motivo... Mas é um cheiro forte e reconfortante, então eu gosto...
Segurei em seu rosto e o puxei para outro beijo. Começou devagar mas a intensidade foi aumentando, quando percebi já estávamos nos agarrando como da primeira vez. Num ato desesperado de querer mais de Gajeel, o puxei para mais perto. Porem isso fez eu me desequilibrar das costas do sofá e caísse para trás, puxando Gajeel juntos. Caímos um ao lado do outro, acabamos cessando o beijo e começando a rir.
— Pelo menos foi no sofá e não no chão! – falei rindo e o encarei.
Gajeel estava vermelho e com os olhos arregalados. E então a ficha caiu em mim também, e entendi o porquê dele estar daquele jeito...
— O-O que acabou de acontecer...? – ele falou se levantando e se afastando de mim.
— Eu não sei... Apenas... Aconteceu. – me arrumei no sofá e o observei andando pra lá e pra cá. – Gajeel, você está...
— Me desculpe! Eu não deveria ter feito isso!
Foi o que pensei... Ele estava arrependido.
— Sério que você vai dizer isso mesmo? – disse indignada e me dirigindo até ele.
— Você não entende não é? Sabe o que acabou de acontecer certo? – ele perguntou me encarando.
— Sim, eu sei o que acabou de acontecer! Mas diferente de você eu não estou arrependida! – estávamos falando quase gritando.
— Arrependido?! Acha que estou arrependido?
— É o que parece!
— Eu não estou arrependido! Nunca me sentiria arrependido por ter beijado você! Você não tem noção do quanto desejei esse momento, então não coloque palavras em minha boca!
— Então qual o problema?!
Antes que ele pudesse responder, o telefone de casa tocou. Respirei fundo e fui atendê-lo. Não acreditando que depois daquele maravilhoso momento, estávamos brigando!
— Ela é o problema.
Ele disse assim que peguei no telefone.
— Alô? Ah, oi mamãe...
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