Breaking the Rules
11 Desafios
Desafios.

Gajeel
— Alô? Ah, oi mamãe...
Sarah já havia me dito que ninguém ligava para aquele número, a não ser ela ou cobranças de cartão de crédito. E a julgar pelo horário, só poderia ser ela no telefone. Eu estava louco! O que diabos deu em mim para beijar a pirralha daquele modo?! Sabia que havia feito algo irreversível, não poderia simplesmente pedir para que ela esquecesse. Eu estava e não estava arrependido. Estava porque agora eu havia falado com todas as letras que gostava dela, e se ela me rejeitar e contar para a mãe eu vou me ferrar bem bonito e posso ser preso por assédio! Mas ela correspondeu ao beijo, então não acho que vá me denunciar... E claro, eu não estava arrependido pois foi uma das melhores sensações que já tive.
Mas a idéia de “cara você fez merda” agora apossava do meu ser. Só queria poder saber o que ela sentiu... O que ela vai fazer depois... O que eu vou fazer depois que ela desligar o telefone?!
— Ah entendi... Vou arrumar as coisas para você então. Hm... Como daquela vez? Mamãe eu posso dormir na casa das meninas hoje? Por favor! Na Juvia... Obrigada mamãe! Okay, tchau. Até daqui a pouco...
Após Levy desligar o telefone, ela simplesmente virou as costas e se dirigiu para um dos quartos. Ótimo! Acho que agora ela está com raiva de mim por eu ser racional! Coloquei minha camisa de volta e arrumei os moveis da sala. Depois segui pelo mesmo caminho que Levy a achando no quarto de Sarah.
— Levy? Não vai falar mais comigo, Pirralha?
— Só... Dê-me um tempinho... Estou pensando numas coisas agora... – ela falou abrindo o armário de Sarah e retirando sua farda que estava num cabide.
— O que sua mãe queria?
— Ela vai trabalhar hoje à noite. Pediu que eu arrumasse suas coisas, pois não terá muito tempo de enrolação.
— Ela falou sobre o que era?
— Não... Apenas disse que você terá que passar o turno da noite me vigiando...
— Já suspeitava disso...
A Pirralha andava para lá e para cá. Já havia pegado o uniforme, as botas, o colete, o coldre e colocado tudo sobre a cama.
Após isso ela ficou um tempo encarando o chão, até que olhou para mim novamente.
— Eu entendi...
— Entendeu o que?
— Qual é o problema...
— Ah, você entendeu...
— É eu entendi...
Silêncio.
Isso estava começando a irritar...
— Gajeel...
— Hm?
— Dorme comigo essa noite?
— O que?!
Antes que eu pudesse raciocinar direito aquela pergunta, escutamos a porta da sala se abrir, era Sarah chegando. Levy saiu correndo para a sala e eu fui para o banheiro com o pouco de lucidez que eu ainda tinha. Eu ouvi bem ou ela pediu para que eu dormisse com ela?! Ou a Pirralha é uma menina precoce e pervertida e eu não sabia, ou eu preciso de remédios para loucura e perversão! Por que eu não pude evitar em não pensar em coisas sexualmente explícidas.
— Obrigada por arrumar as coisas para mim querida. Onde está o Gajeel?
— Não sei, acho que no banheiro...
Respirei fundo antes de sair. As duas estavam no corredor.
— Estou aqui.
— Oi Gajeel, não sei se Levy te explicou mas você vai ter que passar a noite com ela.
Passar... A noite... Com ela? Hm... Interessante...
Ah droga! Estou pensando besteira de novo!
— Ah é... Ela avisou sim!
— Você está bem Gajeel? Está pálido! – disse Levy se aproximando e colocando a mão em meu pescoço – era o lugar mais alto que ela conseguia alcançar – e ela tinha um sorriso travesso nos lábios.
Aquela maldita estava fazendo de propósito! Mas com certeza eu não vou a deixar ganhar!
— Eu estou muito bem! Nunca estive melhor... – falei agarrando a mão de Levy e a retirando de mim, sem que Sarah percebesse minha intenção assassina.
— Nesse caso eu vou me trocar, tenho que sair logo! – ela disse entrando no quarto e fechando a porta.
Três segundos depois que Sarah fechou a porta, Levy saltou em meu colo enlaçando suas pernas em minha cintura e me beijando antes que eu pudesse reclamar! Se eu não tivesse forças nas pernas teria caído para trás. Antes que alguma merda acontecesse, comecei a caminhar para a sala, com ela ainda em meu colo. A joguei no sofá com o intuito de largá-la de mim, mas ao invés disso ela me puxou pela camisa fazendo com que eu caísse por cima.
— Tentando fugir de mim Gajeel? – ela falou manhosa.
— Quem é você e o que fez com a pirralha?!
— Eu avisei para você não me subestimar... – ela falou passando a língua em meu pescoço.
— Está brincando com fogo garota! – falei com a voz rouca.
Antes que eu pudesse fazer algo, escutamos a barulho da porta do quarto sendo aberta e rapidamente Levy se jogou do sofá, rolando no chão até chegar perto da estante e pegando um livro qualquer. E eu fiquei sentado como se nada tivesse acontecido.
— Já estou indo querida. – Sarah disse dando um beijo na cabeça da pirralha. — Vai dormir na Juvia?
— Ah eu ainda não falei sobre isso com o Gajeel...
— Falar sobre o que? – perguntei calmamente.
— Levy quer dormir com as amigas hoje. E se ela for você pode voltar pra casa e fazer o turno da noite na delegacia, mas se ela ficar você ficara também.
— Eu vou pensar, ainda não decidi.
— Tudo bem, se você for o Gajeel te leva.
— Okay, tchau mamãe!
— Tchau...
— Tchau querida, Gajeel, até mais.
Assim que Sarah fechou a porta eu encarei a Pirralha, mas ela continuava a ler o livro como se tivesse feito isso o dia todo.
— O que pensa que está fazendo?!
— Lendo. Minha parte favorita é quando...
— Você ficou maluca! – falei puxando o livro de sua mão e a forçando me encarar. – O que pensa que estava fazendo me agarrando daquela forma com sua mãe do outro lado da casa?!
— Como se você não tivesse gostado... – ela disse se levantando e se dirigindo para cozinha, me ignorando completamente!
— Acha que está falando com quem, Pirralha? – disse a impedindo de continuar e a prensando na parede. – Se acha que tem algo sobre controle, eu diria que esta completamente enganada!
— Eu estava te testando.
— Me testando?
— Você disse que minha mãe era o maior problema, mas não pensou duas vezes em me beijar mesmo sabendo que ela estava em casa. Isso tudo foi um teste. Eu queria saber até onde você estava disposto a ignorar o ‘problema’ e percebi que minha mãe na verdade não é um problema, apenas um empecilho que você ignoraria sem hesitação nenhuma.
Após essa declaração, fiquei parado encarando a parede enquanto Levy voltava seu caminho para a cozinha. Um teste? Ela estava me testando?! Tudo aquilo... Foi... Encenação? Apenas um teste?! Desde quando ela aprendeu a ser tão ardilosa assim?!
— Estou com fome... – escutei Levy falando da cozinha.
Fui até ela antes que botasse fogo na casa tentando cozinhar algo.
— Quer que eu faça algo pra comer? – falei já abrindo os armários a procura de comida.
— Não está com raiva?
— Por que eu estaria? – disse pegando a farinha de trigo e o óleo. Já tinha uma ideia do que fazer.
— Por que... Eu ganhei a discussão? – Levy ficou o tempo todo parada no meio da cozinha, apenas me observando ir para lá e para cá.
— Ah sobre isso? Relaxa, esse foi só o primeiro round! Acha mesmo que vou deixar você ganhar simplesmente?
— Não custa nada sonhar... Mas então, o que você vai fazer para eu comer?
— Não interessa. Você anda muito folgada ultimamente... Vou adicionar mais essa malcriação na minha listinha.
— Você tem uma listinha?
— Sim, é uma listinha mental, mas é uma lista de vezes que eu devo punir você por cada malcriação que fizer comigo!
— E que tipo de punição vai ser?
— Se eu contar não vai ter graça... – disse dando um beijinho em seu nariz.
— Então... – ela falou sentando em cima da mesa, enquanto eu batia uma massa no liquidificador. – Como a gente fica?
— Boa pergunta... O que você sugere?
— Bem... Não vou negar que foi legalzinho até...
— Qual o seu problema de admitir as coisas? – falei desligando o aparelho e a encarando.
— Como assim? Eu estou admitindo! Foi legalzinho, nada mais que isso...
— Legalzinho? Sério?
— É, sério.
Fui em sua direção na mesa, e antes que pudesse escapar agarrei suas coxas a puxando para mais perto de mim.
— Tem certeza?
— A-Absoluta...
— Você me agarrou e me puxou pro sofá apenas por um teste? E isso foi só legalzinho? Deveria parar de negar tanto e se render aos seus instintos. – falei ao pé de seu ouvido.
— M-Mas... Não... Não foi eu quem disse que estava apaixonado...
Após isso eu fiz questão de largá-la. É por isso que não queria me ‘declarar’. O amor é uma fraqueza, e agora ela estava usando isso ao seu favor.
— Pelo menos eu não nego as coisas. – disse me afastando. Porem, eu não poderia deixá-la ganhar novamente.
Dei meia volta e me aproximei novamente da onde ela estava sentada. Só que desta vez eu me debrucei na mesa, o suficiente para que ela se desequilibrasse e deitasse.
— Você pode estar ganhando a discussão mocinha, mas você ainda vai engolir suas palavras. E sabe por que? Porque eu vou fazer você se apaixonar por mim, e será apenas uma questão de tempo.
— Como se você fosse conseguir... – ela disse desafiante me empurrando para trás para se levantar.
— Quer apostar? – falei retribuindo seu olhar desafiante com um sorriso.
— Quem se declarar primeiro, perde. – ela sugeriu.
— E qual seria o prêmio?
— Um desejo. Quem perder, terá que realizar um desejo. Aceita a aposta? – ela disse esticando a mão em minha direção.
— Aceito. – falei segurando em sua mão e a puxando para um beijo. – E agora esse desafio está selado.
Levy
Eu não sei onde estava com a cabeça ao sugerir aquilo, mas estava muito entusiasmada e empolgada, e louca para ver até onde ele seria capaz de ir. Nunca imaginei que um dia eu me encontraria nessa situação... Vamos rever os fatos:
1 — Eu estava sendo jurada de morte por um traficante perigoso.
2- Meu “segurança pessoal” estava apaixonado por mim. Porem foi eu quem pediu por um beijo.
3- Nos pegamos loucamente na sala.
4 — Nos pegamos loucamente quando minha mãe estava em casa.
5- O provoquei e ganhei duas discussões.
6- E agora sugeri um desafio, quem falasse “Eu te amo” primeiro, iria perder. E teria que realizar um desejo.
Não sei de onde tirei essa idéia, é como se um ser interior meu que desejasse aquilo tivesse dominado minhas palavras e dito tudo o que falei. Não havia percebido o que havia dito até eu terminar de falar. Quando vi já estava feito, e o que mais me surpreendia é que eu não queria voltar atrás com as minhas palavras. Eu queria ir adiante.
Minha mente borbulhava idéias e pensamentos direcionados ao Gajeel, eu não tinha certeza de nada. A única certeza que eu tinha é que precisava beber! E aproveitando que ele estava ocupado cozinhando, fui até meu quarto para mandar uma chamada de socorro para as meninas.
— Alô?
— Oi Juvia, sou eu. Aguarde um pouquinho que vou colocar a Kana na linha.
— Okay.
— Hello people!
— Olá Kana.
— Hey! Oi Juvia. Tudo bem?
— Sim, e você como vai?
— Ei meninas! Levy precisando de socorro aqui!
— O que houve Levy?
— Preciso de um resgate! PDEB!
— Entendi! Vamos dormir na casa de quem?
— Na sua Juvia, já avisei minha mãe.
— Ei gente, o que significa PDEB mesmo?
— Ah Kana... Você nunca decora...
— Vocês acham que é fácil, é?
— PDEB é “Eu preciso desabafar e beber”, não é tão complicado assim...
— Obrigada Levy! Agora entendi a gravidade. Na casa da Juvia então?
— Sim.
— Vou preparar as coisas aqui então.
— Obrigada meninas! Não sei o que seria de mim sem vocês. Agora preciso desligar, o Gajeelzila está me chamando. Até.
— Até!
— Pirralha vem logo! – gritou Gajeel da cozinha.
Fui correndo antes que ele desconfiasse de algo.
— O que é isso? – falei olhando para o meu prato, onde continha uma massa enrolada com algum recheio dentro e coberta de molho vermelho.
— Panqueca de carne. – ele disse enquanto colocava o prato dele em cima da mesa, onde continha panquecas, mas diferentes da minha as deles não estavam enroladas.
— E por que a sua é diferente?
— Por que a minha é de groselha. Agora coma. – Gajeel jogava o melado de groselha em cima das panquecas.
— Você gosta de doce?
— Eu adoro doce.
— Eu detesto doce. Só gosto de alguns, chocolate é um deles.
— Contanto que não tenha jiló, eu também gosto de chocolate.
— Idiota... – falei dando uma mordida na minha panqueca. Tive que controlar minha animação ao experimentar aquilo.
— E então? O que achou?
— Está... Bom...
— Bom?
— Gostoso...
— Gostoso?
— Maravilhosamente delicioso!! Onde aprendeu a cozinhar assim?!
— Já disse, na época que morei sozinho.
— E que época foi essa?
— Você não vai calar a boca enquanto eu não responder né?
— Você me conhece muito bem! – ele respirou fundo antes de começar a falar.
— Meu pai sempre quis que eu entrasse para a policia, e minha mãe queria que eu fizesse faculdade. Para evitar brigas entre os dois, decidi que dava para juntar as duas coisas. Comecei a fazer um estágio na policia e ao mesmo tempo entrei na faculdade de Direito. Meu estágio não demorou muito, com a influência do meu pai, que mandava em tudo, aos dezenove anos eu já estava na policia, e fui subindo de cargo rapidamente. Isso gerava alguns conflitos dentro do departamento. As pessoas não gostavam de mim por eu ter... Privilégios. Mas eu não me importava. Quando cheguei a cargo de tenente já estava com um bom salário, então decidi ir morar sozinho. Fim da história.
— Naum pare atim do nada! Queru sabe que houve pois! Pur que saiu da faculdade?
— Primeiro, pare de falar de boca cheia!
— Desculpe... Então, por que saiu da faculdade?
— Por que não dava mais para continuar...
— Pare de enrolar e conta logo!
— Ah está bem! Fiquei um ano e meio morando sozinho, trabalhava de dia e estudava a noite. Mas então meu pai morreu. Minha mãe ficou doente e tive que voltar para casa. Sua saúde piorou e ela não suportava ficar dentro de casa, então vim para Magnólia e...
— De que cidade você veio?
— Cidade de Oak.
— Hm... Não é onde tem o museu do lorde fantasma ou sei lá o nome...
— É Phantom Lord, e sim, é em Oak que fica esse museu.
— Ele é legal?
— Só lembro de ir no museu uma vez, acho que é legal...
— Eu sempre quis ir nesse museu! Dizem que é amedrontante.
— É um museu fantasma, você queria que tivesse flores e corações?
— Haha, muito engraçado você, mas voltando ao assunto. Você veio para Magnólia e?
— Vim para cá e tranquei a faculdade. Não haveria como eu continuar sendo que ela seria em outra cidade. Meu plano era transferir para uma faculdade daqui, mas minha mãe começou a piorar e precisava de remédios e tratamento. Já terminou? – ele disse apontando para o meu prato.
— Deixa que eu lavo! – peguei nossos pratos e me dirigi a pia – Continue a história.
— Bem... Comecei a trabalhar na delegacia da sua mãe, mas ela rebaixou meu cargo. Sabia que eu havia tido ajuda do meu pai e achou injusto, então de Segundo Tenente eu cai para Cabo, que são cinco posições abaixo, e só subiria de cargo apenas com meu próprio esforço. Para conseguir manter as despesas eu aumentei minha carga horária e isso me fazia não ter tempo de cuidar da minha mãe. Por sorte encontrei a Mira nessa cidade e a contratei.
— Hm. – falei séria. A historia estava legal até ele citar a tal Mira.
— Que foi?
— Nada.
— Você costuma falar mais.
— Hm.
— O que deu em você?
— Parece que você conhece a Mira a bastante tempo... – falei cruzando os braços e o encarando.
Gajeel se encontrava na mesma posição que eu, só que com as sobrancelhas levantadas. Aos poucos um sorriso perverso surgia em seus lábios.
— Está com ciúmes de mim?
— É lógico que não!
— E se eu disser que conheço a Mira desde que eu tinha quinze anos? Ela estudou o colegial comigo.
— Hm.
— Não vai dizer mais nada?
— Não tenho nada a dizer.
— Bem... Nesse caso eu vou arrumar minhas coisas para voltar pra casa. Mira deve estar me esperando!
— Hm...
— Gihihihi! Não sabia que era tão ciumentinha!
— Eu não sou ciumenta!
— Se você diz...
— E você vai me levar até a casa da Juvia.
— Decidiu dormir lá?
— Sim.
— Então arrume logo suas coisas.
Coloquei o mínimo que precisava na minha mochila, alem do material e uniforme da escola, eu levava objetos de higiene pessoal e a roupa que usaria esta noite. Levaria meu pijama, mas não caberia, então vou usar um da Juvia mesmo.
Antes que o Gajeel me visse, fui correndo para o banheiro tomar um banho. Eu precisava disso, minhas pernas ainda estavam cansadas por causa do treino.
— Pirralha! – escutei Gajeel gritar do outro lado da porta do banheiro.
— Estou tomando banho!
— Eu sei! E já são nove e vinte e cinco!
— Sua querida Mira não vai se importar se você se atrasar um pouquinho!
— Arg!! Não demore!
— Vai cagar Gajeel!
— Tudo bem, abre a porta então pra mim! Gihihi.
Parabéns Levy, parabéns! Você mesma criou sua própria situação constrangedora. Antes que isso piorasse resolvi terminar o banho. E por ironia do destino eu não havia levado uma roupa pro banheiro, apenas a toalha. E Gajeel ainda estava na porta. Novamente, parabéns Levy!
Assim que abri a porta, dei de cara com o Sr. Armário. Que deu apenas um pequeno passo para trás e analisou-me da cabeça aos pés.
— Belas curvas. – ele disse sorrindo. E se eu não tivesse que segurar a toalha, teria dado um belo soco naquela carinha de canalha!
— Pervertido! – falei e voltei o mais rápido que pude pro meu quarto.
Vesti uma calça jeans escura e uma camiseta branca com desenhos de coelho, coloquei uma sapatilha preta e deixei o cabelo solto mesmo. Peguei minha mochila e fui até a sala.
— Vamos? – perguntei parando em frente ao Gajeel, que estava com uma cara visivelmente de tédio.
— A princesa já terminou de se embelezar? – ele disse se levantando.
— A princesa precisava de um banho! E o sapo também precisa de um... – disse fazendo uma falsa cara de nojo. Gajeel então levantou o braço e começou a assoprar seu sovaco.
— Você é nojento!
— E você é fresca.
Fazia trinta e cinco dias que eu convivia com o Gajeel, e eu acredito que um dia a tecnologia irá evoluir, então, meu eu do passado poderá viajar no tempo e contatar meu eu de agora e avisá-lo dos desafios que a vida ainda vai me dar. Se me parassem e me perguntassem qual seria meu maior desafio neste momento, eu responderia que meu maior desafio é não me apaixonar pelo grande homem de cabelos negros e que momentaneamente cheirava a suor. Se meu eu do passado pudesse me avisar, ele diria que isso são meras palavras de uma adolescente que está aos poucos descobrindo os males e os amores da vida. De certa forma minha resposta não passa de palavras inocentes e sem conhecimento. Por que foi ao sair pela porta de minha humilde casa, que pude percebe qual seria meu maior desafio neste momento.
Quando você enfrenta a morte uma vez, dizem que na segunda o sentimento de insegurança já não é o mesmo, e predomina o sentimento de que eu irei conseguir de novo! Porem, ao ficar cara-a-cara com meu desafio, senti minha espinha tremer e meu sangue gelar. Existem coisas na vida que não podemos simplesmente fugir, pois elas estão destinadas a acontecer. E neste momento, meu destino travesso quis brincar com minha vida e desafiá-la novamente. Pois aqueles olhos brancos a me encarar e a iluminar minha alma, demonstrava que apenas me queria ver no chão. Mas desta vez eu não fugiria! Pegaria toda a coragem que me resta para enfrentá-la!
Minha querida K1300 S, eu não tenho mais medo de você!
— Pirralha! Será que dá pra você subir logo na moto?!
— Certo! Eu estou pronta! – falei convicta montando naquele monstro.
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— Gajeel eu vou morrer!! – falei alto agarrando o corpo do motorista.
— Não vai não, e pare de gritar!
— Se eu não gritar você não escuta! Pare a moto, eu quero descer!
— Relaxa Pirralha, não vou deixar você morrer.
— Qual seu problema com capacetes?!
— Eles marcam meus fios, por isso não uso.
— Prefere morrer do que ter os fios marcados?!
— Acha que é fácil deixar neste penteado estiloso?!
— Vai a merda Gajeel! Vai a merda!
Gajeel então começou a inclinar a moto e a andar em zig-zag.
— Por favor pare! – falei quase chorando por causa do vento batendo em meus olhos.
Quando paramos em um semáforo eu pude puxar um pouco de ar. Gajeel apenas ria da minha cara.
— Por mais que isso seja chato, comece a falar pois você acaba ignorando o medo.
— Está bem... – o semáforo abriu e Gajeel começou a andar com a moto, desta vez mais devagar. — Então... Voltou a usar piercing? – foi a primeira coisa que me veio a mente.
— É o que parece.
— Você fica melhor assim... – de certa forma isso era verdade. Gajeel tinha um ar naturalmente amedrontante e os piercings apenas ressaltavam isso.
— Você acha é? – pude notar uma insinuação em sua voz, mas ignorei isso.
— Sim... Combina mais com a sua cara de canalha.
— Se isso foi uma ofensa, sinto-lhe dizer que não deu certo.
— Tento outra da próxima vez!
De vingança, ele inclinou a moto mais que o necessário numa curva.
— Pare de fazer isso!
— Gihihi! Relaxa, já chegamos. – ele disse estacionando a moto em frente a casa da Juvia.
Desci o mais rápido que pude daquele monstro de duas rodas. Como eu amo a terra firme!!
— Se comporte em baixinha!
— Idiota! – comecei a andar em direção a porta mas fui interrompida por Gajeel me chamando novamente.
— Esqueci de te dizer um coisa. Venha cá! – assim que me aproximei, ele me puxou para perto de si e segurando em meu queixo, juntou nossos lábios para mais um beijo naquela noite. – Sonhe comigo! – ele disse dando uma piscada e me soltando.
Aposto que meu rosto está em uma nova coloração não identificada pela ciência, de tanta vergonha que sentia naquele momento. E o pior é que o desgraçado apenas ria!
— Boa noite gatinha! Gihihi. – ele ligou a moto e saiu em disparada, nem fez questão de me deixar responder.
— Como se eu fosse conseguir...
Voltei a caminhar em direção a porta da casa de Juvia, e não foi necessário bater ou tocar a campainha, pois assim que me aproximei mais, Juvia abriu a porta e me encarava com um sorriso e um olhar travesso no rosto. E eu sabia que aquilo significava que ela havia visto algo.
— Então...
— Eu prometo explicar tudo depois! Por enquanto só me dê um pouco de água...
— Nossa... Está até sem fôlego!
— Acho que minha cabeça ira explodir de tanta confusão!
— Por isso a ligação?
— Eu preciso de um tempo no meu mundo sem limites...
— A Kana está lá em cima se arrumando, e eu já vi um lugar que abre hoje. Vamos nos trocar e então poderá dar suas ordens de fuga!
— Obrigada por me entender nessas horas...
— Só faço isso por que quero saber de tudo o que aconteceu!
— Bela amiga você!
— Meus avós estão dormindo, por isso não faça muito barulho. Você sabe onde é a cozinha, se quiser água vai buscar. Irei tomar um banho então, vai preparando como vai contar as coisas, okay anjo? – ela disse com um sorriso cínico me dando um beijo na testa.
Não sei se agradeço pelas minhas amigas da onça, ou se mando elas irem tomar naquele lugar obscuro... Só sei que as amo, e que essa noite serei estuprada pelas perguntas da Juvia.
Mas pelo menos terá tequila.
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