Uma longa noite.

Levy

— Então, como fazemos para sair? Você disse que não dava para ser pela porta, mas não explicou o porque. – falou Juvia assim que adentrou o quarto, após verificar que o resto da casa estava em silencio total.

— É uma historia complicada, e eu não posso falar muito. Mas resumindo, existe um policial disfarçado que ronda a sua casa para garantir sua segurança.

— E porque isso? – disse Kana.

— Depois do ocorrido comigo, minha mãe achou melhor proteger vocês de alguma forma. Afinal, são minhas melhores amigas... E a propósito Kana, a sua casa também é vigiada.

— Está falando sério?

— Acha que eu brincaria com uma coisa dessas? Mas não se preocupe, eu já planejei tudo. Juvia, enquanto você tomava banho eu observava nosso alvo lá fora. Aparentemente ele dá uma volta no quarteirão e demora cerca de seis minutos. Quando ele passa na frente e atrás de sua casa ele passa mais devagar, demora mais ou menos dois minutos. Então teremos cerca de três minutos para sair pela janela do seu quarto e irmos até o jardim vizinho. E assim por diante até chegarmos num lugar seguro.

— Me deixa vê se entendi, vamos invadir o jardim dos meus vizinhos?

— Isso ai.

— Beleza! Quando começamos? – disse Juvia empolgada.

— Irei cronometrar o tempo dele, assim que ele vira a esquina nos partimos. Agora apague a luz. Vamos ficar dez minutos no escuro para ele pensar que formos dormir.

— Sério, se eu não te conhecesse diria que faz parte de alguma máfia. – disse Kana apagando a luz e nos deixando no escuro.

Ficamos uns quinze minutos no escuro, apenas observando o carro indo e voltando. Na sua ultima volta esperamos ele virar a esquina, e assim que o fez, abrimos a janela e a pulamos.

— Vamos! – falei e começamos a correr.

Pulamos o gramado do vizinho e se escondemos atrás de uma moita. O carro novamente passou, e aparentemente não notou nada estranho. Estávamos com vantagem.

Cada vez que ele virava a esquina, nós nos movíamos. E foi assim até sairmos completamente do quarteirão da casa da Juvia.

— Você é demais Levy! – disse Kana animada.

— Eu disse que conseguiríamos.

— Agora pode começando a falar sobre o beijo! – falou Juvia já com os braços cruzados. Isso significava que eu não conseguiria fugir das suas perguntas.

— Que beijo? – perguntou Kana.

— O que ela deu no Gajeel.

— Você beijou o Gajeel e não me contou?!

— Mas aconteceu tudo hoje! Estou tendo tempo pra contar agora!

— Então comece a falar, e tudo nos mínimos detalhes...

Não tinha como fugir, e elas saberiam de qualquer jeito, então resolvi contar tudo de uma vez. Contei tudo o que aconteceu, ocultando apenas a parte que ele fala que estou sendo procurada por bandidos. Não queria preocupá-las mais.

— E foi isso que aconteceu!

— Pervertida.

— Tarada.

— Eu não sou pervertida! E nem tarada! Era apenas um teste.

— E você gostou? – perguntou Kana.

— Pra caramba... – respondi abaixando a cabeça. Sentia meu rosto queimar por revelar isso. — Ele é muito... Ah! E seu beijo é... Sem explicação! E eu não conseguia raciocinar, então deixei as coisas acontecerem.

— Eu sabia que ele gostava de você. – disse Juvia totalmente convencida.

— Como pode ter tanta certeza?

— Era fácil notar. O modo como ele te olhava nos últimos dias, não parecia que estava apenas te observando, ele parecia tentar entender algo. Como se estivesse confuso com os sentimentos. Aposto que ele descobriu que gostava de você recentemente.

— Enfim... Queria poder experimentar mais dele...

— Quem é você e o que fez com a Levy?! – disseram as duas ao mesmo tempo e me encarando assustadas.

— Que é? Não posso mais sentir vontade de querer beijar alguém?!

— Ah querida, sinta a vontade que quiser. Mas você entende de quem estamos falando certo? E sobre as consequências desse romance.

— Não viaja Juvia! Não chega a ser um romance. A gente só se beijou!

— E, hipoteticamente falando, dependendo de você, lembrando que é apenas uma hipótese, qual a porcentagem de isso, seja lá o que vocês têm, virar um romance? De acordo com você.

— Eu diria que... 85%.

— E os outros 15? – perguntou Kana.

— É orgulhoso demais para querer admitir.

— O orgulho pode ser sua ruína, não se esqueça disso.

— Eu sei, eu sei... Mas ele também é orgulhoso!

— Você é mais. – disseram as duas.

— Não comecem! E ainda tem a aposta que basicamente eu criei...

— Que aposta?! – falaram juntas novamente.

— Odeio quando falam assim.

— Desculpe! – e novamente.

— Enfim... Tecnicamente, quem dizer “Eu te amo” primeiro perde, e terá que realizar um desejo.

— Hm... – disse Kana com ar pensativo.

— Quando você diz “hm” e para pra pensar, significa que é coisa perigosa! – falou Juvia.

— O que está tramando Kana?

— Nada demais, apenas imagino que tipo de pedido o Gajeel vai fazer quando a Levy perder essa aposta.

— Haha! Como se eu fosse o deixar ganhar!

Depois disso as duas começaram a rir. Chegamos em frente à boate que Juvia havia pesquisado. Por fora era uma estrutura grande de três andares, a parede era de tijolos e havia um sino na parte mais alta do prédio. Quem passasse em frente à boate, pensaria que é apenas algum monumento da idade média, devido sua estrutura lembrar um castelo. Ninguém imaginaria que aquele seria uma das maiores e melhores baladas aqui em Magnólia.

Logo acima do portão havia escrito Fairy Tail em letreiros grandes e laranja, com luzes iluminando. Já havia ido a Fairy Tail várias vezes. Era uma ótima boate, com boa música e bebidas afrodisíacas. E o melhor é que era solo conhecido, então saberia escapar facilmente se algo acontecesse.

— Você não poderia ter escolhido lugar melhor Juvia! – falei

— Eu sei que sou demais. E isso não é tudo, hoje quem está no bar é a nossa queridíssima amiga!

— Você é perfeita Juvia!

— Não tente me elogiar achando que vou te liberar facilmente, Kana.

— Para de ser chata! Viemos aqui para encher a cara, me deixe beber em paz!

— Viemos aqui porque nossa amiga precisa de um tempo!

— Meninas parem de falar e andem logo, a fila já se mexeu! Juvia, menos instinto protetor de mãe hoje, okay? E Kana, não estamos a fim de te levar para o hospital por causa de coma alcoólico, então controle-se!

— Hum... – disse pela milésima vez o segurança da boate.

Ele já deveria estar olhando minha identidade a uns cinco minutos. Juvia e Kana entraram facilmente, mas eu continuava lá parada. Pelo menos ele era bonitinho. Alto, extremamente musculoso, loiro e com uma cicatriz no olho direito que o deixava com um ar amedrontante e sedutor ao mesmo tempo. Mas nada muda o fato de que já estava irritada de tanto esperar.

— Você tem dezoito anos né?

— É o que diz ai!

— Hum...

— Quanto tempo mais eu terei que ficar aqui?!

— Até eu ter certeza de que isso aqui não é falso, senhorita Sarah.

Pois é, na identidade falsa está escrito Sarah. Na verdade ela não é tão falsa assim. É simplesmente a identidade da minha mãe de quando ela tinha minha idade. Éramos muito parecidas, a não ser pelo cabelo. O dela é preto e o meu é naturalmente azul, puxei a genética do meu pai. Mas fora isso poderíamos ser confundidas como irmãs. Meu único trabalho foi mudar algumas datas para que pareça uma identidade recente, fora isso, até a foto era a da minha mãe.

— Quer saber, entra logo garota!

— Muito obrigada!

O segurança abriu espaço para eu passar. Juvia me esperava perto da entrada, Kana já havia sumido. Mas eu não me importava, agora que entrei minha única preocupação era tentar não acordar com uma ressaca muito forte.

Gajeel

— Eu não sei o que você fez, mas tem um cara te esperando na recepção, e eu acho que ele vai secar de tanto que já chorou! – disse Lucy assim que estacionei a moto.

Ela estava no estacionamento de funcionários, e aparentemente irritada. Mas quando é que essa Bunny Girl não está irritada?! É mais chata que a pirralha!

— Não me lembro de bater em ninguém nas ultimas 24 horas. – falei trancando a moto.

— Vai logo e vê se não demora. – ela disse cruzando os braços.

— Tenho algum compromisso?

— Sim. Sarah nos ordenou que fizéssemos patrulha hoje.

— Eu dirijo! – falei animado. Adorava fazer patrulha. Saiamos de viatura pela cidade a procura de delinquentes.

— Continue sonhando! – ela disse irritada.

— Se você continuar chata desse jeito, nunca vai arrumar um namorado, Bunny Girl!

— Como se eu precisasse de um para sobreviver!

— Não sei você, mas sua ‘peludinha’ deve estar com teia de aranha já!

— Sai daqui seu desgraçado!!! — sai correndo antes que ela me ameaçasse um tiro.

Entrei pela porta dos fundos da delegacia, indo até a recepção. Havia poucas pessoas lá, algumas prestavam queixas de roubo ou desaparecimento, e enquanto isso, no canto da sala havia um homem sentado e de cabeça baixa. Pelo pouco barulho que havia no local, era possível escutar seu choro. Com certeza esse deve ser o fã que me espera.

— Com licença senhor, algum problema? – perguntei assim que me aproximei, pondo uma mão em seu ombro.

— S-Senhor Policial!! – disse o homem de cabeleira loira e cheiro de álcool.

— Stefan, o que você faz aqui?

Ele me abraçou fortemente e começou a chorar mais.

— Me desculpe! Eu sei que fui horrível! Eu tentei ignorar tudo, mas é impossível! Eu nunca consegui ignorá-lo completamente, e agora o perdi pra sempre!!! – ele dizia me apertando e chorando.

— Tudo bem, tudo bem. Mas me largue! – tentei me afastar, pois o cheiro de falta de banho dele me incomodava. Mas ao invés de se afastar, ele me apertou mais.

— Ele era meu filho! Meu único filho! E fui um pai horrível não correndo atrás para trazê-lo pro caminho certo de novo!

O arrependimento de ter ignorado a morte do filho tinha que bater justo hoje?! Sem esperança de conseguir me soltar dele, fui o arrastando até chegar perto da recepção, onde pedi o endereço do lugar onde havia sido o enterro de Zancrow.

— Toma.

— O que é isso? – ele disse finalmente me soltando!

— E o endereço da sepultura do seu filho.

— Muito obrigado! Muito obrigado Senhor Policial! – e ele me abraçou novamente. — Eu não sei como agradecê-lo por tudo que tem feito por mim!

— Agradeça tomando um banho e não me abraçando novamente!

— Me desculpe... Enfim, agora eu vou...

— Para a casa.

— Na verdade eu ia dizer que ia...

— Eu sei o que você ia dizer, mas você vai para a casa. Já é quase meia-noite e eu não quero ser o responsável caso te sequestram para vender seus órgãos. Por que é isso que você encontra num cemitério há essa hora. Venha. – falei segurando em seus ombros e o puxando em direção a saída dos fundos. – Eu vou levar para casa, e amanhã você visita ele.

— Obrigado, muito obrigado!

— Tudo bem, tudo bem. Só não me abrace de novo.

— Já entendi. Hahaha. Não sou o ser mais cheiroso do mundo.

— Você está longe de ser o mais limpo.

— Vou tentar parar com a bebida...

— Seria uma boa idéia para recomeço. Hey Lucy!

— O que quer encosto?

— Sempre tão receptiva. Bem, teremos um acompanhante. – falei essa ultima frase quase num sussurro.

— E eu com isso? – ela também sussurrou.

Olhei em volta e Stefan esperava perto da viatura, estava completamente desligado apenas olhando o papel em suas mãos.

— Me deixe dirigir!

— Nem pensar! E por que estamos sussurrando?

— Precisamos levar esse cara para casa, e ele acha que tenho moral então deixa eu dirigir!

— Está querendo impressionar quem? Por acaso ele tem alguma filha que você está pegando?

— Não diga besteiras! Não é a filha dele que estou pegando... Quero dizer, não quero impressionar ninguém! Apenas quero manter minha reputação.

— Que reputação? E como assim não é a filha dele? Ta pegando a filha de quem?!

— Se você me deixar dirigir, prometo não te encher o saco o resto da noite.

— Só a sua presença já me enche o saco!

— E se eu só abrir a boca quando for extremamente necessário?

— Feito. – ela disse jogando as chaves na minha mão.

O caminho foi completamente silencioso. Deixei Stefan na entrada do terreno de trailers e segui com a viatura de volta para o centro da cidade. Ficaríamos fazendo ronda por ai até encontrar algo suspeito. E sou eu quem dirige!

— Então... Está pegando a filha de quem? – começou Lucy.

Achei que havia conseguido fazê-la esquecer deste assunto, e como ela concordou que eu ficasse em silencio, não imaginava que seria a primeira a falar. Porem me mantive em silencio, estava cumprindo a minha promessa.

— Isso é extremamente necessário! Está pegando a filha de quem, Gajeel?! – ela disse irritada.

— Eu sabia que cedo ou tarde você iria requerer ao lindo som da minha voz!

— Babaca... Responde logo.

— Eu sei que você adora quando eu falo. Deve amar ainda mais quando eu canto! O que acha? “Shooby Doo Bop!”

— Quer parar de tentar mudar de assunto?!

— Okay, okay. O que você quer saber?

— Não vou perguntar de novo.

Ela respirou fundo. E eu também. Conhecia Lucy a pouco mais de um ano, e desde que entrei para a policia daqui, trabalhamos juntos todos os dias. Então, apesar de ainda ser pouco tempo, a conheço o suficiente pra saber que não ira desistir tão fácil.

— Não estou pegando a filha de ninguém.

— Está mentindo!

— Como pode saber que estou mentindo?

— Você mexe o nariz quando mente.

— Não mexo não!

— Acabou de mexer.

E ela me conhece o suficiente também...

— Às vezes os piercings incomodam.

— Você usa isso desde os treze anos, já deveria ter acostumado!

— Mas fiquei um bom tempo sem usar.

— Não tente fugir o assunto. Fala logo quem é!

— Já disse que não é ninguém!

— Se não quer me falar é porque eu conheço!

— Depois reclama que eu sou chato, você é cem vezes pior!

Fala muito. É insistente. E está irritada um minuto sim e o outro também. Como eu posso ser considerado o mais chato?!

— Eu conheço a pessoa. – ela disse parecendo ter certeza disso. — Mas conheço a filha ou os pais?

— Já disse que não é ninguém!

— Não consigo acreditar que você está namorando!

— Ela ainda não é minha namorada.

Gajeel, você é muito burro cara.

— AHA! Confessou que tem alguém.

— Ta legal! Tem alguém! Mas você não conhece!

— Está mentindo.

— Não sei por que estou falando, era para eu ficar em silencio, e é isso que vou fazer!

Calei minha boca antes que falasse o que não devia. Lucy me encarava e depois olhava para a rua e as poucas pessoas que ainda se encontravam na ativa. Passamos por uma rua onde havia varias baladas e casas noturnas. Acho que esse foi meu maior erro, pois como um estalo uma luz se acendeu na cabeça da loira.

— Não creio! – ela berrou subitamente. Olhei assustado para ela. — Está pegando a filha da chefa! – ela confirmou. Não foi uma pergunta, foi uma confirmação. E ela tinha certeza de que estava certa.

— É lógico que não! – tentei fugir do assunto, mais sabia que era inútil.

— Você mexeu o nariz, não olhou nos meus olhos e apertou o volante! Claramente está mentindo!

— Olha a situação que você está me colando! Acusando-me de pegar a filha da Chefa!

— Ainda não acredito nisso... Isso é pedofilia Gajeel!

— Primeiro que só é pedofilia se o individuo tiver menos que quartoze anos. E não pode ser considerado nem abuso se for com consentimento.

— Esta me dizendo que ela consentiu?!

— Acha que tenho cara de quem ia agarrar uma mulher sem consentimento?! Eu tenho critérios ta legal!

— Não é isso que eu quero dizer... Adolescentes hoje em dia só gostam do estereotipo capa de revista, colírio da Capricho. Que tem o abdômen definido e magro, com sovacos depilados e olhos verdes! E você parece um armário maromba de cabelos de diva!

— Obrigado pela parte que me toca...

— Não consigo acreditar que uma adolescente possa ter gostado de você.

— Serio, não sou tão horrível assim...

— Não to dizendo que você é feio. Mas também não é bonito.

— Há quem goste do meu cabelo de diva.

— Tem certeza que ela consentiu?

— Acho que quando a pessoa agarra você e te joga no sofá, então começa a te beijar como se o mundo estivesse acabando, é uma mensagem clara de consentimento.

— Sarah vai ficar louca quando descobrir!

Freei o carro subitamente. Se não estivéssemos com o cinto seriamos arremessados para frente.

— O que você...!

— Ela não vai descobrir. – falei extremamente sério.

— E por que não? – disse Lucy cruzando os braços e me olhando desafiante.

— Por que você é a única que sabe de alguma coisa. E você não vai contar. – falei a encarando profundamente

— E por que eu não iri... – ela parou no meio da frase, suavizando o olhar. — Está apaixonado por ela.

Virei para frente, liguei o carro e voltei a dirigir. Não tinha necessidade de respondê-la, até porque novamente não foi uma pergunta, foi uma confirmação. Eu e Lucy não damos muito bem juntos em relação ao trabalho, mas somos completamente compatíveis quando o assunto é em relação a amizade.

Tínhamos um vinculo amigável. Ela era uma das poucas amizades que eu tinha e que sabia poder confiar cegamente. E visse versa. Provocações e perturbações fazem parte do pacote de amizade.

— Do que estávamos falando? – ela disse depois de um longo tempo em silencio.

— Esqueci...

— Eu também... Ah lembrei! Você deveria ficar em silencio!

— Como posso calar a boca quando você adora me ouvir cantar?! Vou cantar aquela que você adora, Best Friend!

“Colorful, colorful... Shooby Doo Bop!”

Ver a cara de desespero misturado com tortura da Lucy me faz muito feliz!

Levy

A falta de iluminação atrapalhava a visão. O som alto impedia qualquer conversa civilizada. O cheiro de bebida, cigarro, suor, entre outras coisas, se misturava deixando o ar inebriante. Corpos se esbarravam e se esfregavam de acordo com a música. Era tudo permitido naquele lugar sem regras.

Eu balançava meu corpo no meio da pista de dança, segurando um copo que continha uma bebida colorida, totalmente absorta do que acontecia em minha volta. Queria apenas dançar, curti o momento e esquecer-me de qualquer coisa preocupante. Meus cabelos grudavam em minha testa por conta do suor.

Em outro canto da balada, sentada numa mesa qualquer, se encontrava Juvia, era a única ainda racional. Não gostava de beber muito, e preferia observar as pessoas dançando a se enfiar no meio da orgia indireta. Estava apenas a apreciar um pouco de vodka enquanto observava tudo. Às vezes prestava atenção em mim, para ter a certeza de que ninguém mexeria comigo. Mas também desviava sua atenção para Kana, que se encontrava sentada perto do bar conversando com nossa amiga que é barwoman.

A sensação de loucura possuindo o corpo me deixava em outro mundo. Alem de bêbada estava um pouco drogada, não que tivesse consumido alguma droga, mas isso não era proibido lá, e o ar, principalmente o da pista de dança, estava tomado pelo cheiro de maconha. A adrenalina percorria em minhas veias e liberava outra personalidade minha. Liberava meu lado insano e despreocupante. Mexia meu corpo ao ritmo da música, até que senti meu corpo sendo puxado e me tirando do meio da confusão de corpos.

— Juvia? O que houve?

— Já são 3 horas da manhã Levy, precisamos voltar!

— Nossa, o tempo passou tão rápido... Bem, amanhã temos aula... Vamos buscar a Kana então.

Fomos até o bar, onde nossa querida bêbada conversava alegremente.

— Olá Kinana. Ela está dando muito trabalho?

— Nem um pouco. Estou acostumada a conversar com bêbados, e é sempre um prazer quando vocês vem. Deveriam aparecer mais vezes.

— Tive um problema recente, estou retornando aos poucos.

— O quanto ela bebeu? – perguntou Juvia preocupada.

— Não se preocupe! Não deixei beber nada forte, e controlei seus copos. Só está um pouco alegre demais. – disse Kinana.

— Menos mal. – disse Juvia aliviada.

— Temos que ir Kinana. – falei dando-lhe um abraço.

— Mas já?! – ela disse triste.

— Sim, temos que ‘acordar’ cedo.

— Ah que pena, se cuidem meninas!

— Você também! Voltaremos assim que der!

Fomos saindo da Fairy Tail, o segurança loiro ainda estava lá, ele me encarou por breves segundos e depois voltou ao trabalho. Estava acostumada com isso, não era sempre que me deixavam entrar facilmente. Mesmo minha ‘identidade’ sendo bem realista, meu rostinho de bebê me denuncia. Mas no final eu sempre conseguia!

Começamos a andar de volta para casa. Com as ruas quase vazias, nós três tiramos os saltos e fomos descalças mesmo. Kana ia saltitante na frente, cantando algo não identificável. Juvia apenas a observava, pronta para segura-la caso caísse. E eu andava despreocupada logo atrás das duas. Essa noite eu tinha consigo desestressar. Precisava muito disso. Do ar pesado, a música alta, um pouco de álcool. Era meu melhor remédio.

As ruas estavam calmas e pouco luminosas. Quase nenhum carro passava por ali, e você via apenas pessoas um pouco cambaleantes e que provavelmente também tinham acabado de sair de alguma festa. Estava tão distraída, que não percebi quando um carro se aproximava, e meu coração gelou quando notei ser uma viatura. Aproximei-me das meninas que estavam paradas, e já fui pegando sutilmente meu spray de pimenta.

— Se preparem caso precisem correr. – sussurrei para elas.

Mas assim que a viatura parou na nossa frente e o vidro da janela desceu, vi apenas o rosto irritado de Gajeel e a policial loira completamente em silencio. Ela olhava para frente como se temesse o que veria a seguir. E eu entendi seu olhar assim que tentei falar algo e fui interrompida subitamente pela voz rouca e cortante do Gajeel.

— Entrem! Agora!

Sem demora, entramos as três na viatura.

Eu estava com o coração na mão. Na primeira vez eu conseguiria enganar minha mãe, mas uma segunda seria impossível ela cair na mesma conversa. Eu precisava tentar amenizar a situação, ele não poderia fazer isso comigo de novo, não é? Não depois do que aconteceu...

— Gajeel eu... – tentei começar, mas ele foi novamente curto e grosso.

— Cale a boca. – disse simplesmente sem tirar os olhos da rua.

A policial do seu lado o repreendeu com o olhar, lhe dando um beliscão. O que fez Gajeel olhar para ela irritado. E ela o encarou ainda mais irritada. E eles ficaram conversando através de olhares irritados e múrmuros não identificáveis. Até que Gajeel suspirou e voltou a olhar para frente.

— Olá. – disse a policial loira. – Ainda não me apresentei. Me chamo Lucy, e sou parceira do seu namorado.

Depois do que ela disse, só lembro de que pela primeira vez eu vi Gajeel vermelho.

— Cala a boca, Bunny Girl!

— Não começa com esse apelido encosto!

— Bunny Bunny Bunny Girl!

— Bunny é a tua bunda! Encosto de merda!

Se eu não estivesse vendo aquilo com meus próprios olhos, e não estivesse escutando tudo com meus próprios ouvidos, diria que era mentira.

— Serio mesmo? Parecem duas crianças...

— Fica quieta que você não tem moral aqui, Pirralha! – falou Gajeel.

— Pirralho é você! – rebati.

— E é mesmo! Sua mãe chama direto ele de Pirralho! – disse Lucy.

— Se você abrir a sua matraca de Bunny Girl novamente para falar coisas desnecessárias, eu juro que te jogo da viatura!

— Quero só ver!

Gajeel parou o carro e abriu a porta do passageiro. E ia tirar o cinto de segurança da Lucy até que ela lhe deu um soco na cabeça.

— Ai!!

— Faça isso de novo e eu vou socar outro lugar! Babaca! – a porta bateu fortemente e Gajeel voltou a dirigir.

O silencio caiu novamente. Tentei pensar no que eu poderia dizer para convencer Gajeel a não me levar para minha mãe. Mas ele interrompeu meus pensamentos voltando a falar.

— Qual o seu problema? – ele soltou a pergunta do nada, e não era preciso ser adivinha pra saber que era comigo que ele estava falando. – Você... Você sabe o que anda acontecendo e mesmo assim resolve sair a noite pra beber com as amigas?! Vou perguntar novamente. Qual o seu problemas?!

— Não me julgue, eu precisava disso! É a única forma que encontro para me sentir em paz!

— Correndo perigo?! É assim que você se sente em paz?

— Não estava correndo perigo! Eu já estava voltando para casa, se você não tivesse aparecido no meu caminho.

— Tem sorte de ter sido eu! Sabe quantas pessoas conhecem você e conhecem sua mãe? Queria ver o que você faria se fosse um assaltante a enquadrar vocês!

— Eu teria dado um jeito!

— Que jeito? Com seu sprayzinho de pimenta?! Sabia que isso não é um colete a prova de balas?

— Dá pra vocês calarem a boca! – berrou Lucy – Discutem a relação outra hora, temos problemas maiores aqui!

Assim que ela falou, percebi que estávamos parados a uma quadra de distancia da casa da Juvia. Eu podia ver o outro vigia a rondar.

— Se abaixem. – disse Gajeel.

Kana estava dormindo no ombro de Juvia que permanecia em silencio. Abaixamos nos três e tentamos ficar o menos visível possível.

Gajeel buzinou para o outro carro se aproximar, e pararam paralelos um ao outro.

— Eai cara, está tranquilo a rua? – perguntou Gajeel.

— Sem problema algum. O que fazem por aqui? – perguntou o outro cara.

— Estamos rondando a cidade. – disse Lucy. – Está afim de dar uma pausa? Há uma lanchonete aberta a uma quadra mais pra traz. Você vai ficar a noite toda aqui, se quiser pode ir tomar um café e ficamos dando as voltas.

— Poxa, sério mesmo? Agradeço muito! Estou com vontade de ir ao banheiro. Hahaha.

— Haha, vai lá cara, a gente cuida aqui!

— Valeu. Demoro no máximo 10 minutos.

— Sem pressa. – disse Gajeel.

O carro seguiu outro caminho e Gajeel começou a dirigir lentamente, até o outro sair de sua visão. Então ele estacionou em frente a casa da Juvia.

— Saem antes que eu me arrependa de acobertar vocês. — ele falou sério.

Sem mais enrolação ajudei Juvia a tirar Kana do carro.

— Muito obrigada Gajeel e Lucy. — disse Juvia.

— Tudo bem menina, só não enrole muito pois ele já vai voltar! — disse Lucy.

— Tchau. — falei, mas apenas Lucy respondeu.

Estávamos prestes a entra quando Gajeel chamou Juvia novamente. Como eu estava com Kana escorada em mim devido ao sono, não pude acompanhá-la. Não consegui ouvir o que ele disse, pois disse baixo o suficiente para apenas ela poder ouvir. Juvia sorriu e concordou com a cabeça, e depois veio correndo de volta, e eles voltaram a 'rondar' a casa.

— O que ele disse? — perguntei assim que entramos.

— Apenas palavras.

— O código de amizade diz que amigas não devem esconder nada uma das outras!

— A não ser que seja um segredo de outra pessoa! E ele me pediu para não contar, então não conto!

— Está se aliando a ele?!

— Shhh! Meus avós ainda estão dormindo! Vamos levar essa garota pro quarto e tomar um banho pra dormir. Temos poucas horas de sono.

— Traíra...

— Apenas estou sendo uma boa amiga para os dois.

Não adiantava insistir, não com Juvia. Mas eu vou descobrir o que eles fofocaram, ou eu não me chamo Levy McGarden!