Breaking the Rules
13 Confusão
Confusão.

Levy
Acordar de manhã foi um sacrifício. Eu estava com uma ressaca enorme, e Kana com uma maior ainda! Quase que não conseguimos acordá-la. Juvia estava bem, e como sempre cuidou que quando acordássemos tivesse um copo d’água e uma cartela de remédios nos esperando.
Assim que nos arrumamos para o colégio, o avô de Juvia nos esperava na sala, tomando uma xícara de café e lendo jornal.
— Bom dia Juvia. Meninas! Dormiram aqui hoje?
— Sim vovô Makarov. – falei dando-lhe um beijo na bochecha.
— Não avisamos pois foi em cima da hora e não quisemos acordá-lo. – disse Juvia abraçando o avô logo em seguida.
— Sem problemas! Sabem que são bem vindas aqui. Venham tomar café. – ele se levantou do sofá e nos levou até a cozinha. Onde havia café fresco e um bolo de cenoura nos esperando.
Sentamos a mesa e falávamos de coisas variadas sobre escola e família, até que o Vovô Makarov tocou naquele assunto...
— Juvia querida, sua tia ligou logo cedo. Disse que talvez nas férias eles retornem para a casa!
— Com “eles” você quer dizer a tia Ur e... – Juvia estava pálida, sempre ficava assim quando recebia essa noticia.
— Seus primos, é claro. Estou tão orgulho deles! Ganharam duas medalhas de prata e uma de ouro na ultima competição. Vocês assistiram meninas? – perguntou Makarov totalmente animado.
— Sim, estávamos com a Juvia e vimos todas juntas. – falei
— Oh é verdade! Estou com muita saudade da minha filha e meus netos... Não vejo a hora de chegarem!
Juvia focava o nada, com certeza estava em outro mundo, e sabia que isso era o modo como ela dizia: Tirem-me daqui agora antes que alguém repare!
— Bem, obrigada pelo café vovô, mas temos que ir. – falei me levantando e puxando Kana, que nem sequer tocou no café, apenas dormiu.
— Ah sim, boa aula queridas.
— Obrigada!
Juvia se levantou junto comigo e formos pegar nosso material. Ela estava automática. Seus olhos sem um foco aparente. E foi assim o caminho todo para o colégio. Contive-me em dizer algo, pois sabia que ela queria o seu espaço. E sabia que quando quisesse falar, ela falaria.
Assim que chegamos, ainda restavam uns dez minutos para o inicio das aulas, achamos Droy e ficamos a conversar.
— Você está horrível gatinha! O que fez ontem à noite? – ele perguntou olhando para Kana, que basicamente dormia em pé.
— Acho que bebi demais... – ela resmungou quase inaudível.
— Bebeu é? – ele disse rindo.
— De vez em quando fazemos umas noitadas em lugares por ai, geralmente é só final de semana, mas ontem foi exceção. – falei.
— Poxa! E nem me chamaram?!
— Não sabíamos que gostava de noitadas. – e essas foram as primeiras palavras de Juvia, acompanhadas de um singelo sorriso. – Mas como Levy disse, ontem foi uma pequena exceção e precisava ser só nós, garotas. Mas na próxima a gente promete que te chama!
— Saíram para esquecer os problemas não é?
— Pode se dizer que sim.
— Por favor, da próxima não se esqueçam de mim! Ando me sentindo sozinho ultimamente, é complicado se mudar para uma cidade nova onde não se conhece nada e nem ninguém.
— Não se preocupe Droy, você se acostuma. Magnólia não é tão grande assim, logo a conhecerá como a palma da sua mão. E você tem a gente, então não se sinta sozinho! – falei o abraçando.
Estávamos distraídos na conversa, e não ligamos quando o sinal dizendo que as aulas começariam havia tocado, e continuamos nos corredores, enquanto alguns entravam em sala, e outros não se importavam com isso.
— Vamos lá! Todos para a sala! Não quero ninguém no corredor! – disse uma voz ao fundo. Pela reclamação dos alunos parecia ser uma nova inspetora.
— Bem meninas, vou indo para minha sala. Vejo vocês no intervalo! Até.
— Até Droy. – falei assim que saiu.
— Tchau! – disse Juvia acenando.
— Hum... – foi o som que ouvimos de Kana.
— Eu falei para você controlar a bebida! Agora aguente. – disse Juvia começando seu caminho para sala.
Kana levantou a cabeça e andou até chegar a frente de Juvia, onde se virou para ela e colocou o dedo indicador em seus lábios. Pedindo silencio. E voltou a caminhar em direção a sala de aula.
— Essa menina está pedindo umas palmadas! – disse Juvia inconformada. E eu apenas ria.
Quando deu o horário do intervalo, eu e as meninas fomos buscar Droy em sua sala, mas quando chegamos, ela já estava vazia.
— Que estranho, se ele já saiu para o intervalo, era para termos cruzado com ele no caminho. – disse Juvia.
— De repente ele está pelos corredores e... – escutamos um pequeno choramingo, e silenciosamente formos ver.
— Você é novo aqui não é? – disse uma voz um pouco rouca vinda na direção do banheiro masculino.
— Sim senhor... – falou outra voz, que aparentemente parecia ser o Droy.
Colamos nossas orelhas na porta e ficamos a escutar a conversa.
— Veio da onde?
— O-Oshibana...
— Por que veio estudar aqui?
— E-Eu...
— Será algum aluno valentão? – sussurrou Juvia.
— Não sei... Sinto que conheço essa voz... – sussurrei de volta.
— Qual seu nome completo?
— Professor... O senhor está me assustando...
— Professor? – sussurrou Juvia indignada.
— Acho que sei exatamente quem é! – falei fervendo de raiva.
— Eu não perguntei o que você estava sentindo! Qual o nome de seus pais?!
— Eles...
— No que eles trabalham?
— Eu...
— Percebi que você esta muito amiguinho de certas meninas, por que fez amizade com...
— Professor Dracon Slayer! Aterrorizando novatos? Que eu saiba você também é um. – disse escancarando a porta do banheiro masculino.
Juvia estava logo atrás de mim, ela tentou me segurar. Um belíssimo gesto inútil para o momento. Droy estava encostado na parede, olhava aterrorizado para o Gajeel que partia pra cima dele com perguntas. Lógico que eu não ia deixar isso acontecer.
Gajeel parou o interrogatório e me encarou. Pude sentir sua aura de raiva pairando no ar.
— Estava apenas fazendo umas perguntas amigáveis para o nosso amigo. Não é mesmo Djan?
— É-É Droy, senhor...
— Tanto faz. E você pirralha, não deveria estar lanchando?
— Sim, deveria. Mas preciso conversar com o senhor sobre a Educação Física...
— Acho que podemos deixar isso para outra hora! Por que não vamos todos para o intervalo?
— Eu acho que... – fui interrompida por uma voz que vinha da porta do banheiro, e que eu adoraria não escutar tão cedo...
— Olha, eu não estou nem ai para o que estão tentando esconder, mas é proibido meninas no banheiro masculino, e é proibido alunos nos corredores da sala na hora do intervalo, então, vazem daqui!
Acho que todos, exceto Droy, se indignaram com a presença loira que acabava de nos dar um sermão.
— Bunny...
— Você?! – falei exaltada — Mas o que está...
— Desculpe o incomodo – disse Juvia me lançando um olhar feio — Você seria?
— A nova inspetora, Michelle Lobster.
Já havia entendido a situação, e adoraria churrasquinho de mãe neste momento.
— Inspetora Michelle... – começou Gajeel — Bem, pivetes vão para o intervalo, Pirralha você fica. Queria falar comigo não é mesmo? E já que é sobre a matéria a inspetora não se incomodaria certo?
— Acredito que não.
Os dois ficaram se encarando por longos segundos, e juro que vi faíscas saltarem.
— O que estão esperando? Um convite formal? Vazem daqui! – disse Gajeel irritado.
— Sim senhor!
Juvia, Kana e Droy saíram correndo para o intervalo, e nos ficamos ali.
— Eu vou matar a Sarah... – falou o senhor resmungo assim que tivemos a certeza de não ter ninguém por perto.
— Por favor, não. Deixe que eu faça isso. – eu disse me sentando no chão.
— Inspetora? Sério mesmo?
— Encosto, lembra quando ela nos separou?
— Como esquecer...
— Bem, você recebeu o trabalho de cuidar da...
— De babá, é, eu sei. E daí?
— Eu ainda estou aqui caso não tenha percebido... – falei cruzando os braços.
— Você esta sem moral, fica calada. Continua Bunny Girl.
— A questão é que, eu recebi o trabalho de me infiltrar em algumas escolas que estava tendo trafico de drogas. Em uma eu me fingi de aluno, em outra foi de professora...
— Por que sempre fica com a melhor parte?!
— Porque sou melhor que você, agora quer que eu continue ou não?
— Prossiga.
— Bem, eu iria para a terceira escola, porem aconteceu o que aconteceu com a senhorita Levy, e meu trabalho foi mudado. Agora vim para cá, como inspetora, para procurar alunos que não são alunos, e que querem te pegar.
— Ela esta exagerando...
— Até entendo, se coloque um pouco no lugar dela, se fosse seu filho correndo perigo e você tivesse varias maneiras de protegê-lo, você não o faria?
— Por isso que não terei filhos... Pirralhos dão trabalho.
— Então quer dizer que alem de ter um cara rodando minha casa 24 horas por dia, e ter que aturar o Gajeel no colégio e em casa, agora também serei vigiada por você?! – disse me levantando e indo até eles.
— É o que parece. – disse Lucy simplesmente.
— Avise suas amigas para não fazerem escândalo... E fique longe daquele moleque!
— Ah sim, falando nisso, qual o seu problema?! – fiquei cara a cara com Gajeel... ou quase. — Droy não é ninguém suspeito!
— Como pode ter certeza? Ele chegou logo após seu quase sequestro, e já fez amizade com você? Vai me dizer que não tem nada suspeito nisso?
— Você está me dizendo que...
— Não tenho certeza de nada, mas qualquer pessoa que se aproxime inesperadamente de você será suspeito pra mim!
— Tenho certeza que Droy é inocente.
— Para o bem dele, espero que esteja certa.
— Estava aterrorizando o menino?! – disse Lucy indignada.
— Conversando! Aterrorizar é uma palavra muito forte.
— Ele estava quase chorando! – falei em defesa.
— Não tenho culpa se é sensível!
— Meu deus Gajeel... Você não tem jeito! Para o bem dos alunos, deixa a parte interrogativa comigo.
— Hum. – ele fechou mais a cara, se é que era possível.
— Enfim... Já que o assunto acabou, eu vou embora. – falei indo em direção a porta.
— Nem pensar. Não te liberei ainda mocinha. – Gajeel foi até mim, me segurando pela cabeça e virando meu corpo, fazendo-me encarar aqueles olhos vermelhos de raiva — Precisamos ter uma conversa não acha?
— Não sei do que...
— Por que saiu ontem a noite? Por que mentiu para mim?
— Eu não menti.
— Disse que se comportaria.
— Que eu saiba não cometi nenhum crime.
— Só pra lembra, usar documento falso é crime. – disse a outra pessoa presente na sala.
— Lucy... Poderia nos deixar a sós? – disse Gajeel, sem desviar os olhos de mim.
— Não. Também estou envolvida. Eu concordei em mentir e proteger sua namorada.
— Nós não...
— Não estou nem ai para o que vocês sejam, só digo uma coisa mocinha, não sei quais são as suas intenções ou o que você pretende fazer da vida, mas esse cara me implorou que não dissesse nada e ajudasse a te levar para casa, e se conheço bem esse Encosto, uma coisa que ele nunca faria é implorar para encobertar alguém, ou implorar qualquer coisa, a não ser que seja a mãe dele. E se você chegou ao nível dela, então sugiro que da próxima vez meça a suas atitudes, pensa no que vai fazer, pois se eu te pegar na rua de novo não vai ser para a casa que vou te levar, e sim diretamente para a sua mãe. Você me entendeu?
O silencio se instalou no lugar. Não havia parado para pensar no motivo de Gajeel ter me acobertado. No começo pensei que ele havia feito isso para que minha mãe não reclamasse com ele. Mas Lucy não tinha nada a ver com isso. Pelo o que eu sabia, eles não eram a dupla mais unida. E mesmo assim ele...
— Eu entendi.
— Ótimo. E você, vai trabalhar! Não quero mais ver os dois discutindo relação aqui. Se for para ter uma DR, que seja fora dessa escola! – logo após isso ela foi embora.
Gajeel já havia me soltado, e ambos permaneciam de cabeça baixa. Não sabia bem como continuar aquela conversa, então optei por fugir...
— Vou... Vou encontrar as meninas...
O encarei rapidamente e desviei o olhar em seguida, o arrependimento me consumia. Gajeel não disse nada, então virei às costas e fui em direção a porta, mas ele me chamou antes que a alcançasse.
— Pirralha... É... – ele me olhava, e percebi que estava vacilando em dizer seja lá o que fosse.
— Sim...?
— Tome cuidado com o Darian. – demorei um estante pra saber de quem falava.
— É Droy – disse dando um pequeno sorriso — E tomarei cuidado.
— É, espero que você esteja certa.
— Eu sei que estou.
— Então é melhor estar mesmo...
Silencio novamente. E eu odiava o silencio com o Gajeel.
— Gajeel...
— O que?
— Me desculpe por ontem... Fui imatura. Sei que deveria estar me precavendo e tomando cuidado. Mas entenda que eu precisava daquilo, eu estava... Estava...
— Foi tão ruim assim? – ele perguntou com seu sorriso sacana.
— O que? – perguntei confusa e ele levantou uma sobrancelha me encarando incrédulo desta vez. Demorei um tempo para entender do que falava.. — Ah! O beijo! Não, não. Não foi tão ruim, quero dizer, foi legal... É só que, eu estava meio...
— Eu também estava confuso.
— Pois é, acho que nossa relação sempre foi meio confusa.
— E depois daquela confusão, ficou mais confusa ainda.
— E acho que meu momento confuso de criar uma aposta vai atrair mais confusão.
— É natural você criar confusão?
— É natural você sempre atrair uma?
— Isso foi confuso... Vamos parar de repetir essa palavra.
— Eu topo.
Fui até ele e o abracei. Senti seu corpo paralisar diante minha atitude, e dei risada. O sinal anunciando o fim do intervalo toca, e eu me afasto dele.
— Você perdeu seu intervalo. – disse Gajeel.
— Você também.
— Não tenho mais aulas para dar.
— Não tenho mais aulas para assistir. Minha professora de filosofia faltou.
Um sorriso malicioso começou a crescer no rosto de Gajeel.
— Esta passando um filme legal no telecine...
E acho que entendi suas intenções.
— Eu adoro telecine.
— Acho que vamos ter que ir pra casa...
— Eu adoro ficar em casa.
— Que bom, pois não pretendo deixá-la sair tão cedo.
Agora eu também mantinha um sorriso malicioso no rosto. Voltei pra minha sala para pegar meu material, poucos alunos haviam retornado e não vi mais as meninas ou o Droy conforme fui saindo do colégio. Ele foi na frente para que ninguém nos visse saindo juntos. Quando cheguei no estacionamento, Gajeel já me esperava em cima da moto, e dessa vez havia dois capacetes.
— Resolveu ter segurança agora?
— Preciso dar um bom exemplo de professor.
Ele me ajudou a subir na moto, coloquei meu capacete e fomos embora. No meio do caminho notei que não era o caminho de casa.
— Gajeel.
— Oi.
— Não estamos indo pra minha casa?
— Não, estamos indo pra minha.
— Porque?
— Por que não estou a fim de ver os vigias que nos ronda.
— Finalmente você disse algo inteligente!
— Sempre digo coisas inteligentes gatinha, sua mente infantil que não consegue acompanhar.
— Oh sim! Suas palavras são tão pícaras que um dia acabará exaurindo irrevogavelmente sua sentença e não terá mais como desdizer-se.
— O que?!?
— E depois eu é que não consigo acompanhar...
— Isso não foi inteligente, foi um monte de palavras complicadas juntas numa frase. De onde tirou isso?
— Li o dicionário uma vez, existe coisas bastante interessantes lá.
— Leu o dicionário todo?!
— Sim.
— Você é estranha...
— Sei disso. Ainda posso te surpreender gatinho, então sugiro que não me subestime.
— Tudo bem, tudo bem, retiro o que eu disse!
— Como eu disse antes, você exauriu irrevogavelmente sua sentença e não adianta desdizer-se...
— Quer parar de dizer coisas difíceis?! — ele disse dando risada.
Eu ria junto e fui o caminho todo com um sorriso bobo no rosto.
— Tem gente em casa? — falei assim que chegamos.
— É o que vou descobrir agora.
Assim que entramos o celular do Gajeel começou a tocar, ele rapidamente digitou uma sequencia de senhas no painel que havia logo na entrada, e o barulho do celular cessou.
— Alarme eficiente...
— Eu disse que ela não corria riscos.
— Onde consegue essas coisas?
— Sabe, quando se trabalha na policia, você apreende vários brinquedos interessantes. E quando seu pai é responsável por isso, então você ganha alguns de graça.
— Ou seja, vocês roubam material apreendido. — andávamos pela casa a procura de alguém enquanto conversávamos.
— Não é roubar. Não temos o que fazer com eles, e seria uma pena jogar fora. Então pegamos para nós.
— Nada mais justo.
— Isso mesmo. Parece que está vazia. Mira deve ter levado minha mãe pra passear.
— Não é problema?
— Contanto que não veja noticiários, e dependendo da memória do dia ela não saiba em que ano estamos, então não é problema algum. Então, telecine?
— Pensei que sua casa não tinha televisão... – falei sorrindo maliciosamente.
— Mas meu quarto tem. – ele disse sorrindo e dando uma piscadela.
— Então telecine! – segurei em sua mão e subimos as escadas em direção ao seu quarto.
Não deixei que chegássemos na porta, assim que terminamos os degraus eu pulei em seu colo entrelaçando minhas pernas em seu corpo. Gajeel mantinha uma mão em minha cintura enquanto a outra tentava achar a maçaneta da porta. Assim que a ouvir bater e senti Gajeel me colocando em sua cama, tive a certeza que o filme teria que esperar um pouquinho...
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