Breaking the Rules
14 Telecine
Telecine

Juvia
— Juvia, tenta de novo! – falou pela milésima vez a pessoa ao meu lado.
— Já tentei Droy, mas parece que o celular dela está desligado!
— Será que ela está bem? – disse ele.
— Eu espero que sim...
Havia finalizado minha quarta ligação para o celular da Levy, mas ele continuava desligado. Não a vimos mais desde a hora do intervalo, quando a deixamos com o Gajeel e a senhorita Lucy... Kana permanecia no quinto sono, e eu e Droy estávamos explodindo de preocupação. Custava-a ter deixado um aviso?!
— Já tentou ligar pra casa dela? – perguntou Droy.
— Já. Eu ligava para o celular e depois para a casa, mas ninguém atende.
— Olha! É a inspetora Michelle, vamos perguntar pra ela! – ele disse e saiu correndo.
Essa escola está virando uma loucura. Primeiro Gajeel se torna professor, e agora a senhorita Lucy como inspetora. Isso está ficando estranho, e esperava que Levy me dissesse o que está havendo, mas ela sumiu.
— Inspetora Michelle, desculpe incomodar, pode nos dar uns minutos? – disse Droy assim que chegamos perto dela.
— Claro, o que querem?
— Senhorita Lu...Michelle, você viu a Levy? – quase que estrago o disfarce, vai ser difícil se acostumar a isso.
— A ultima vez que a vi foi na hora do intervalo.
— Bem, nos não a vimos desde que deixamos o banheiro. – falei.
— Como assim? Ela disse que encontraria vocês.
— Pelo visto isso não aconteceu. – disse Droy.
Ficamos nos encarando por alguns segundos, até Lucy nos encarar com uma expressão nada agradável.
— Vocês não deveriam estar na sala? – perguntou Lucy.
— Eu estou de aula vaga. – falei.
— E eu apenas estou fora da sala mesmo. – disse Droy.
Lucy o encarou com uma sobrancelha levantada, e parece que Droy entendeu o recado.
— Bem... Até mais Juvia. Me dê noticias quando achá-la!
— Pode deixar. – nos despedimos e fiquei a observar Droy indo para sala de aula. Até sentir meu braço sendo puxado para um dos cantos do corredor.
— Onde está o encosto?! – disse Lucy num sussurro. Mas era possível sentir a raiva em sua voz.
— Não sei onde o Gajeel está. Parece que também sumiu. – sussurrei de volta.
Lucy deu um soco na parede, assustando-me. Depois começou a andar de um lado ao outro. E a reclamar.
— Aquele filho de uma mãe esquecida! Canalha! Preguiçoso! – ela dizia.
— Senhorita Lucy... – eu a seguia tentando acalmá-la.
— Irresponsável! Lesado! Ameba Negra!
— Lu... – tentativas inúteis...
— Retardado! Parasita! E ainda por cima é o maior Lolicon!
— Loli... O que? – ela finalmente havia parado.
— Não sabe o que é um Lolicon? – disse Lucy se virando e encarando-me.
— Não...
— Tecnicamente é um cara pervertido e que tem uma certa tara por garotas pequenas e fofinhas que são muito lindas e meigas e que dizem “Titio Gajeel, vamos tomar sorvete!”.
Fiquei parada por um tempo, ainda recebendo aquela informação.
— Sinceramente, o que essa juventude sabe de coisas indecentes? Ei, garota? – disse passando a mão em frente aos meus olhos — Ainda está ai?!
— Porque pensa que o Gajeel é um Lolicon? – perguntei após despertar de meus pensamentos.
— Pelo simples fato de sua amiga ser pequena, fofa, lindinha e meiga. E também porque ele está caidinho por ela.
— Então o único motivo de ele está com a Levy é por que ele quer abusar dela?!
Então Gajeel era Lolicon?! Ainda não sabia exatamente o que era isso, mas não havia gostado nada dessa idéia.
— O que? Não garota! Eu estava brincando. – Lucy tentava me acalmar, pois naquele momento eu fervia de raiva.
— Ele quer que ela se sente em seu colinho e o chame de titio Gajeel?! – falei furiosa.
Lucy segurou em meus ombros, impedindo que eu fosse até o portão de saída.
— Garota, se acalme! – ela disse alto.
— Eu vou matar aquele pervertido! – gritei, fazendo com que todos do refeitório me encarassem.
Lucy me empurrou para longe daquele ambiente, para evitar atrair mais atenção. Porem minha raiva estava em um nível, em que atrair atenção era o menor dos problemas.
Gajeel
— Atchin! Desculpe... – esse era meu quinto espirro em 3 minutos!
— Tudo bem? – perguntou Levy, se sentando na cama.
— Sim, acho que seu cabelo incomodou meu nariz. – falei a deitando novamente.
— Oras! Você que tem cabelo de Rapunzel e é o meu que incomoda?! – ela disse fingindo indignação.
— Gihihi, apenas me beije, okay?
Não sei o que deu em mim para chegar a este ponto, mas até agora eu não havia me arrependido de nada. Estávamos deitados em minha cama, eu por cima dela. Mas não fazíamos nada demais, estávamos apenas... Curtindo. Em certos momentos Levy demonstrava um lado que eu desconhecia. Como por exemplo, no momento em que ela praticamente arrancou minha camisa. E quando ela deu um chupão no meu pescoço. Não imaginava que ela fizesse essas coisas. Mas ela fez.
— Gajeel... – disse Levy em um suspiro enquanto eu beijava seu pescoço.
— Hum...
— Eu acho que escutei um barulho. – ela falou se afastando. A impedi voltando a beijar seus lábios.
— Não é nada... – disse mordiscando seu lábio inferior a fazendo suspirar alto.
Já havia confessado a mim mesmo que gostava dela, não sei se poderia dizer que a amava, mas estava apaixonado. Essa garota me deixava louco, em todos os sentidos. Mas mesmo assim, ela continuava sendo uma menina de dezessete anos, filha da minha chefa, e meu trabalho era protegê-la. Apenas isso. Então era lógico que eu jamais faria algo que ela não quisesse. Talvez ela esteja pensando que não tenho muita atitude, já que deixei que apenas ela tomasse a iniciativa até agora. Mas isso é um pensamento que ela perderá rapidinho quando eu soltar minhas rédeas.
Continuaríamos naquele momento de prazer inocente, até que escuto barulhos de alguém subindo as escadas.
— Droga!
Saio de cima de Levy e visto minha blusa rapidamente. A maçaneta da porta já estava virando, porem fui mais rápido e abri a porta primeiro.
— Mãe! – fechei a porta logo em seguida, impedindo-a de ver algo a mais — Oi mãe! – falei sorrindo forçadamente.
Ela tinha que chegar logo agora?!
— Oi filho, você está em casa! – ela me abraçou sorrindo — E com uma garota? – disse assim que se afastou do abraço.
— O que? Não! – como ela descobriu?! — Eu não... Não estou com nenhuma garota...
— Gajeel.
— Oi?
— Sua camisa está do avesso.
Olhei para baixo torcendo para ser mentira. Infelizmente não era.
— Nova moda? – perguntei cinicamente.
— Você está com um chupão no pescoço. – ela disse cruzando os braços.
— Eu bati? – tentei, mas os fatos não me davam escolha. E minha mãe me encarando seriamente não ajudava na minha tentativa de mentir.
— Tá você me pegou! Estou com uma pessoa sim, mas é que ela está morrendo de vergonha no momento, então poderia só dar um tempo pra ela se acalmar? – falei derrotado.
— O que estavam fazendo? – ela disse.
E pude sentir uma animação em sua voz grande demais pro meu gosto...
— Nada demais mãe... Só assistindo filme.
— Gajeel você esta em casa! – disse Mira assim que terminou de subir as escadas.
— É, eu estou. – falei desanimado. E me preparando psicologicamente para a bomba que viria em 3...
— Por que sua camisa está do avesso? – perguntou Mira.
2...
— É porque ele está com uma garota! – disse Kim.
1...
— Uma garota?! – Mira praticamente berrou.
— É! Uma garota! Dá pra acreditar! – falou Kim e as duas começaram a pular animadamente.
— Ai senhor...
— Usaram camisinha pelo menos? – perguntou Mira assim que pararam de pular.
— O que?! – falei assustado, não esperava por essa.
— Eu ia perguntar isso agorinha. – disse Kim — Me surpreendi de não ter escutado barulhos quando cheguei.
— Mãe nós não...
— Será que terei netinhos? – ela disse com olhinhos brilhantes.
— Mãe, a gente só...
— Não precisa falar! Eu sei como se faz bebês.
— Não acredito que estou ouvindo isso... – abaixei a cabeça, derrotado. Eu só queria entrar naquele quarto e nunca mais sair!
— Espera. – disse Kim, fazendo-me olhá-la novamente — Por que ainda está bloqueando a passagem?
— Por que você está constrangendo certa pessoa mãe. – falei forçando um sorriso.
— Mas o que eu fiz?
— Chegaram em um momento importuno!
— Sabia que vocês estavam transando! – novamente, berrou Mira.
— Mira! Não!
— Tem um chupão no seu pescoço. – ela disse apontando pro meu lado esquerdo.
— Isso pode ser explicado. – falei cobrindo o chupão e as duas ficaram me encarando esperando por uma resposta — Um mosquito me picou. — respondi.
— Ah sim! – disse Mira — Um mosquito com peitos, bunda e...
— Não termine essa frase. – falei tampando sua boca com a minha mão — Já disse que não estávamos fazendo nada de mais, apenas assistindo filme.
— Que filme?
— Isso não interessa agora. Poderiam descer e esperar na sala? Por favor. – tentei mais uma vez...
— Assume de uma vez seus atos Gajeel! – falou mamãe.
— Querem saber o que estávamos fazendo?!
— Sim! – disseram as duas ao mesmo tempo.
— Okay. Estávamos nos pegando loucamente na minha cama, trocando salivas e chupões, mas não fazendo sexo. E vocês chegaram assustando nós dois. Não queria constranger ninguém e por isso estou a impedir que entrem!
Fechei os olhos e respirei fundo assim que terminei de falar. Sentia-me constrangido com a situação, e evitei ao máximo ter que falar da minha vida pessoa, mas essas duas não me deixariam em paz enquanto eu não falasse. Quando abri os olhos novamente, ambas me encaravam com um sorriso sacana no rosto.
— O que foi? – perguntei confuso.
— Filho, você já enrolou demais, acho que deu tempo dela terminar de se vestir.
— Mãe! Qual foi a parte do 'não estávamos fazendo nada demais' que você não consegue entender?!
— Mas estavam fazendo alguma coisa que poderia dar outra coisa... – começou Kim.
— E empacamos a foda deles. – disse Mira.
— Que lastima... – falaram as duas em uníssono.
Virei-me para a porta batendo minha testa na mesma.
— Pelo amor de Deus, sumam.
Não sabia mais o que fazer, e provavelmente Levy estava escutando tudo.
— Mira, eu estive pensando... – disse Kim — Ele está muito nervoso, será que...
— Que o que? – falei confuso.
— Você acha isso mesmo?! – disse Mira.
— É uma explicação! – falou Kim.
Virei novamente encarando as duas, essa conversa estava estranha demais...
— O que estão pensando?
— Filho, eu entendi tudo. Não precisa mais ficar nervoso. – mamãe disse com o seu adorável sorriso.
— Entenderam?! Ah que ótimo!
— Vamos te amar mesmo assim! – falou Mira, também sorrindo meigamente.
— Não importa sua preferência, eu não me incomodo. Só quero que seja feliz.
As duas me abraçaram. Mas, como assim “não importa sua preferência”?!
— Espera... Do que estão falando? – falei me afastando.
— Ah filho, eu já entendi tudo! Ela é ele, certo?
— Ai meu Deus!
Era só o que me faltava...
— Mãe! – a segurei pelos ombros e olhei em seus olhos – Não!
— Não?
— Não.
— Mas eu tive quase a certeza que...
— Esteve errada. Na verdade, não sei por que chegou a pensar isso.
— Sei lá, sempre pensei que por você gostar de ter sempre o cabelo comprido, poderia ser um desejo reprimido de ser uma garota. – disse a branquela.
— Mira... Sai da minha frente antes que eu arranque seu aplique!
— Ai, que malvada! Eu não preciso de aplique tá! – ela virou de costas jogando o cabelo na minha cara.
— Ei ei ei. Parem crianças! – disse Kim rindo — A gente vai descer pra sala.
— Finalmente Deus me ouviu! – falei erguendo as mãos pro céu.
— Mas antes uma pergunta. – disse mamãe.
— Diga. – falei aliviado. Era só uma pergunta.
— Ela te satisfez bem?
Eu não tinha um espelho em minha frente para conferir. Mas aquela pergunta, misturada com o sorriso malicioso que minha mãe dava, mas a risadinha e o olhar sacana de Mira foi o suficiente para sentir minhas bochechas queimarem.
Não respondi, apenas abri a porta do quarto e a fechei logo que entrei.
— Eu não mereço isso... – me escorrei na porta escorregando até o chão.
Olhei para cama, e Levy se encontrava estática. Ela estava sentando olhando para o nada, e sua pele estava em um tom novo de vermelho. Ou será que era púrpura?
— Ainda estou em duvida... – ela disse calmamente. — Não sei se me jogo da janela, ou se corto os meus pulsos...
— Estamos no segundo andar, se jogar da janela talvez não te mate. – falei sorrindo.
Depois dessa cena, até eu queria me matar para não ter que encarar aquelas duas novamente.
— Cortar os pulsos então. – ela me olhou sorrindo.
— Me empreste a lâmina depois... – disse me levantando.
— Sabe, eu realmente fiquei constrangida por ela ter chegado enquanto estávamos aqui, mas aquilo não era nada em comparação do meu constrangimento agora, depois das coisas que ouvi.
— Elas não mordem. Só te matam de vergonha.
— Não sei qual o pior...
— Você se acostuma. – estendi minha mão a ela — Vamos antes que a situação piore.
— Gajeel... – ela disse se levantando — Sua camisa ainda está do avesso.
Soltei um rosnado de raiva. Essa camisa me irritou muito hoje!
— Relaxa – disse Levy rindo — Ela não morde!
.
— Viu, eu disse que era uma garota! – disse Kim assim que entramos na cozinha — Olá querida! – ela abraçava Levy fortemente.
— O-Oi senhora Kim.
— Que gracinha você é. Veja Mira, ela está morrendo de vergonha. Com certeza escutou tudo o que dissemos. — mamãe arrastou a pirralha até que ela se sentou a mesa de jantar.
— Ela está ficando mais vermelha! — falou Mira se aproximando.
— Não precisa se envergonhar querida. — disse Kim — Você parece tão jovem, me pergunto como se conheceram...
— Ele é... — Levy começou, mas eu a interrompi.
— Amigo de uma amiga. Conhecemo-nos assim. Uma amiga minha, que trabalha comigo apresentou ela.
— É, foi isso mesmo!
— Entendi. Seu pai vai adorar conhecê-la! Ah você tem que conhecer meu marido! Metalicana é como o Gajeel, um brutamonte! Mas eu sei como o constranger e isso é incrível! — ela falava animadamente — Você tem que aprender a arte de constranger o Gajeel! Ele envergonhado é tão fofo!
— Mãe, menos...
— Vou te mostrar umas fotos e... — ela parou de falar e ficou encarando a pirralha assustada.
— O que foi mãe? — falei preocupado.
— Eu me esqueci de perguntar o nome dela.
Acabei rindo. O que me rendeu um tapa no ombro dado por Mira, e uma cara emburrada de Kim.
— Meu nome é Levy, e não se preocupe senhora Kim, a culpa é do Gajeel de não me apresentar à senhora. — disse a pirralha, acabando por rir também.
— Ela culpou você. Gostei dessa garota! Venha Levy, irei lhe mostrar umas fotinhas do bumbum dele quando pequeno. — ela pegou na mão da pirralha e a puxou escada acima.
— Ei! Esperem! Isso é arquivo confidencial! — Mira bloqueava minha passagem — Sai da frente branquela.
— Não mesmo! Irei te constranger na frente da sua namorada.
— Ela não... Ah esquece! Sai da frente.
— Não!
— Não?
— Não.
Ela me encarava desafiante. Então a peguei no colo e a joguei em meu ombro. Subindo enfim as escadas.
— Eu te odeio... — foi o que Mira disse quando percebeu que não tinha como escapar.
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— Você era tão bonitinho! Não sei por que fez tanto drama.
— Calada.
Estávamos eu e Levy na moto, voltando para a casa dela. Após minha mãe mostrar todos os meus álbuns de bebê, as duas ainda ficaram conversando. Já era por volta das seis da tarde.
— Você é muito chato... Não acredito que realmente sejam mãe e filho, a Kim é tão legal! — falou a Pirralha.
— Hm.
— Gajeel, não vire monossílaba!
— Hm.
— Você é realmente chato!
— Você ama esse chato.
— É, eu... Idiota. Você não vai me enganar, não vou me declarar primeiro!
— Mas foi quase.
— Sorte de principiante.
Quando chegamos, não havia muito que se fazer. Perdemos uma tarde de treinamento, então optamos por assistir um filme do Telecine. Mas desta vez, assistimos a um filme de verdade.
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