Breaking the Rules
23 Três
Notas iniciais
Capitulo 23 — Três

Juvia
As férias chegando na metade e eu não pude fazer nada com as minhas amigas. Não sei do paradeiro de Levy desde a conversa com a Sarah. Isso já faz cerca de duas semanas. Parece que elas foram para alguma casa que a policia disponibilizou e depois disso Levy iria para alguma outra cidade que eu não poderia ficar sabendo. Muita injustiça isso! Levy não deveria ficar sozinha em um lugar desconhecido com aquele lolicon pervertido que só quer o corpo dela nu!
Kana vai trabalhar com o pai no Bar e eu estou sozinha. Ou quase. Hoje receberei visitas em casa. Minha tia Ur, estará retornando para passar as férias com a família junto com seus filhos – e meus primos – Ultear e os gêmeos Gray e Lyon. Os três são patinadores artísticos profissionais. Competiram em varias categorias e passavam mais tempo fora por causa de alguma competição do que em casa. Praticamente moravam em um trailer e tia Ur cuidava dos três. Se tornou a empresaria deles.
Depois de algumas horas, vi o trailer simples e familiar estacionar em frente a minha casa. Eu estava a beira de um ataque de ansiedade. Fazia algum tempo que não via meus primos. A mais velha se chamava Ultear, tinha 20 anos e era tão calma quanto a mãe. E depois vinham os gêmeos, Lyon e Gray. O que os diferenciavam era o cabelo. Lyon havia descolorido o seu até chegar à tonalidade branca. Disse que odiava ser confundido com o irmão. Diferentes na aparência, diferentes na personalidade, idênticos no pavio curto. Ambos tinham seus 17 anos de idade. E os três seguiam o mesmo sonho: Patinação artística.
— Família! Cheguei! – disse tia Ur completamente animada.
Indo abraçar os pais, vovô Makarov e vovó Porlyusica, e logo após, Juvia. Ultear vinha atrás, fazendo o mesmo gesto da mãe.
— Senti tanta falta, Juvia! – falou Ultear.
— Juvia também sentiu saudades!
— Ainda falando em terceira pessoa? Achei que havia perdido essa mania...
De fato eu perdi. Mas sempre voltava quando ficava extremamente nervosa ou ansiosa. E no caso, Juvia sentia os dois.
— Olá, querida, como vai!
— Olá, tia Ur – disse abraçando-a fortemente.
— Você cresceu.
— Impressão sua...
— Não, você cresceu mesmo! Mas só no peito, de altura continua a mesma. – disse Ultear.
— E você não mudou nada. Continua com a mesma cara de velha.
— Haha, muito engraçadinha você! – ela bagunçava meus cabelos.
Todos riam da palhaçada, e felizes pela chegada da família Fullbuster. Até que ouvimos uma pequena discussão.
— Você é um inútil! Eu consigo carregar mais malas que você.
— As minhas estão muito mais pesadas!
As vozes iam aumentando, conforme se aproximavam da porta de entrada. E meu coração palpitava cada vez mais rápido.
— Você acha que estão pesadas porque você é um fracote!
— E você parece uma calopsita com esse cabelo ridiculamente branco.
— É platinado! Mas é claro que você não vê a diferença com esses olhos de peixe morto!
— Como se você enxergasse muito com esse olho puxado!
Lyon e Gray falavam alto, e só não partiam um para cima do outro por que ambos carregavam bagagens.
— Será que dá para os dois pararem!? – disse tia Ur, extremamente irritada — Acabamos de chegar e já estão brigando?!
— Deixe-os Ur, esses dois não têm jeito... – falou vovó Porlyusica.
Ultear se aproximou dos gêmeos, praticamente arrancando as malas deles.
— Cumprimentem ao menos seus avós, idiotas. – ela disse baixinho.
Os dois se aproximaram, com cara emburrada, abraçando cada um dos anciãos.
— Olá vovô, oi vovó. – disseram juntos.
— Vocês realmente não mudam... – disse Makarov rindo — Espero que tenham feito uma boa viagem.
— Ah sim, a viagem foi tranquila... – tia Ur começava a dizer os detalhas da viagem.
Ultear já havia seguido o corredor para depositar as bagagens. Eu esperava ansiosamente os gêmeos virem me cumprimentar. Em especial o moreno, que olhava irritado para o irmão. Eles vinham se debatendo e se xingando. Assim que chegaram a minha frente, meu coração quase explodiu. Minha voz saiu em completo entusiasmo...
— Gray...!
Porém, eu fui completamente ignorada.
Eles passaram reto. Era como se eu não existisse, ou simplesmente fizesse parte da mobília. Pelo visto, minhas férias serão bem “divertidas”.
Após todos se acomodarem e comerem algo, ficamos na sala conversando e sabendo mais como havia sido a viagem e a competição. Porém, uma pessoa não se encontrava naquela roda.
Levantei-me e fui até o quarto que os gêmeos dividiam. E lá estava ele. Totalmente desleixado na cama, usando apenas uma bermuda azul e fones de ouvido. Uma brisa entrava pela janela e balançava seus cabelos negros e bagunçados.
Eu me culpava por ter me apaixonado pelo meu primo. A família nunca aceitaria algo assim. Desde que notei que era apaixonada por ele, eu sabia que nosso amor era impossível. Não porque ele não me notava, mas sim porque, infelizmente, éramos parentes.
Entrei no quarto e me sentei na cama. Ele pareceu notar mas não se importou, nem fez questão de abrir os olhos. Levantei a mão para acariciar seus cabelos, mas fui interrompida pela sua voz inebriante.
— O que quer, Juvia? – ele disse sem nem abrir os olhos.
— Como sabia que era a Juvia? – perguntei, porém ele permaneceu em silêncio – Estavam sentindo sua falta, Juvia achou melhor ver se Gray estava bem.
— Por que está nervosa? – ele falou finalmente abrindo os olhos.
— Juvia não está nervosa. – falei com um sorriso claramente falso.
Porém, sabia que era mentira. Sempre fico nervosa na presença de Gray.
— Você fala em terceira pessoa quando fica nervosa. – ele disse tocando uma mecha do meu cabelo.
Sentia meu coração palpitar. Ele sabia que era eu, mesmo sem ter aberto os olhos. Sabia da minha mania de falar em terceira pessoa. E agora, tocava meu cabelo com um olhar sereno.
— Desculpe não ter falado com você quando cheguei. – ele disse ainda tocando meu cabelo — Lyon havia me irritado muito.
Era só o que faltava para meu coração explodir. Ele havia notado minha presença, e pedia desculpas por ter me ignorado.
— Tudo bem, Juv... eu não me importo.
Ele sorriu perante a minha tentativa de auto correção. Um sorriso mínimo e singelo. Ouvimos passos no corredor e rapidamente Gray soltou meu cabelo, seu sorriso sumiu e ele voltou a fechar os olhos.
— Gray! – disse Lyon adentrando o quarto.
— O que é? – Gray disse sem voltar a abrir os olhos.
— Mamãe está te chamando. Ela quer que a gente conte pro vovô e pra vovó como foi nossa competição.
— Você também estava lá, conte você. Sei que adora falar como você ganhou o ouro.
— Gray... – comecei – Acho que deveria ir, vovô e vovó sente falta de vocês.
Ele respirou fundo e se levantou da cama, acompanhando Lyon até a sala. Fiquei no quarto pensando nesses cinco minutos com Gray. Por que ele fazia isso comigo? Muitas vezes parecia que eu nem existia para ele e em outras ele simplesmente era gentil e atencioso. Não conseguia o entender. E nem o deveria. Eu deveria apenas o esquecer, era o melhor a se fazer. Mas nem se eu quisesse conseguiria enganar o que eu sinto.
Levantei e ia voltar para o meu quarto, pensar mais o quanto a vida era injusta comigo. Havia perdido meus pais cedo, mal conhecendo-os. Era apaixonada pelo meu primo. E não consigo nem me comunicar com a minha melhor amiga, que está correndo perigo.
Assim que passei pela porta do quarto, esbarrei em algo e quase fui ao chão, se alguém não tivesse me segurado antes.
— G-Gray... – ele já havia voltado? Por quanto tempo fiquei divagando?
— Sempre tão desastrada... – ele disse calmamente.
Só então notei como estávamos próximos. Minhas mãos estavam apoiadas em seu peito nu. E Senhor! Como ele era quente. Sentia seu hálito bater na ponta do meu nariz. E sua mão ainda me segurava firmemente.
— Me desculpe... – falei desnorteada.
Ele não me soltou, continuou me encarando descendo os olhos, como se me analisasse.
— Seu cabelo cresceu – ele disse depois de um tempo.
— S-Sim, não o corto a bastante tempo.
Estava difícil me concentrar com ele tão perto e tão observador.
— Está bonito... – ele disse.
Seu comentário me pareceu sem pensar. Pois ele hesitou, me soltou e foi entrando no quarto. Sem falar mais nada. Resolvi voltar para o meu quarto antes que tivesse um ataque cardíaco. Ultear e Ur já estavam lá, conversando animadamente. Dividiríamos o mesmo quarto enquanto estivessem aqui. Eu não me importava, na verdade adorava quando a casa estava cheia. Essas duas sempre davam uma alegria a mais.
— Jujuba! – disse Ultear – Que bom que chegou, precisamos conversar.
— Precisamos? – perguntei confusa.
— Sim – disse Ur – É um assunto sério, mas não precisa se preocupar.
— Bem, me contem logo. Estou ficando curiosa. – falei sentando-me na cama.
— Juvia, depois dessas férias, sabe que sempre voltamos para a turnê de competições – começou Ultear – Porém dessa vez, será um pouco diferente.
— Vocês não vão competir?
— Não, ainda vamos competir. Porém só a Ultear. Gray e Lyon vão ficar.
— Como assim? – falei perplexa – Aconteceu alguma coisa?
— Aconteceu – disse tia Ur – Os dois vivem brigando, até de mais para irmãos. E o Gray, eu não sei, ele me parece muito triste ultimamente. Acho que fiz errado em ter tirado deles uma vida normal, frequentar uma escola fixa, ter amigos... Eles não são mais os mesmos.
— Bem, eu realmente notei que o Gray anda distante, e o Lyon... Bem, estou achando ele um pouco arrogante ultimamente.
— Se você os vê assim saiba que durante a ultima turnê foi muito pior. Agora eles estão comportados. – disse Ur.
— Entendo... Então Gray e Lyon vão ficar aqui, e apenas a Ultear vai competir...
— Sim, querida. Não os inscrevi em nenhuma competição decorrente de um ano e meio.
— Tanto tempo assim? – perguntei surpresa.
— Eles precisam disso. Precisam de um descanso para descobrir quem eles são e o que eles querem ser de verdade.
— Bem, farei de tudo então para cuidar deles aqui, tia.
— Eu sei que vai – ela disse apertando minhas bochechas.
— Creio que eles ainda não sabem – perguntei.
— Talvez, mas isso é problema para depois.- disse Ultear — Agora conte-nos, como anda sua vida?
Ficamos conversando por horas a fio naquela noite.
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Após duas semanas de férias, e fazendo as malas para a próxima viagem, tia Ur finalmente contou para os gêmeos a novidade de que eles não iriam juntos. As reações deles foram totalmente diferentes.
Gray não esboçou gosto e nem desgosto. Ele simplesmente ficou calado, como se refletisse a decisão de Ur. Desfez as malas sem fazer comentários. Sem questionar. Essa reação – ou a falta dela — deixou Ur preocupada. De acordo com ela, Gray estava assim a algum tempo. Sem emoção, sempre sério.
Enquanto isso, Lyon, foi completamente o oposto. Ele não aceitou a decisão. Discutiu, gritou, brigou, implorou. Chegou até a correr atrás do trailer quando as duas foram embora. Quando voltou para dentro de casa, ele tentou brigar com o Gray. Dizia que a culpa era dele que não fazia as coisas direito, e nem implorou a mãe que mudasse de idéia. A resposta de Gray foi o seu total desinteresse a tudo o que Lyon dizia. O que o deixou mais furioso, mas resolveu desistir de brigar.
De acordo com Ur, desde que estavam aqui ela já os havia matriculado na escola, eles iriam voltar junto comigo.
Foi estranho ir para escola e não ter a Levy. Fazia cerca de dois meses e meio que não a víamos. A última vez foi na lanchonete da Kana, após sairmos do hospital. A única noticia que eu tinha era as que Kana me dizia, que foram ditas pelo pai dela, transmitidas pela Sarah. E tudo se resumia em “ela está bem”.
Sentia falta da minha amiga. Ao menos Kana ainda estava comigo. Não estava sendo fácil conviver com os gêmeos em casa e no colégio. Principalmente com o Gray. Havia algo de errado com ele. Sempre se isolando, não conversava e não fez questão de fazer amizades. Ele vivia de fones de ouvido e o mais distante que podia.
Depois da birra, Lyon ficou entusiasmado de ir para o colégio. Sempre gostou de conhecer gente nova, e agora eles teriam uma rotina comum de colegial, algo que eles não tinham a muito, muito tempo.
Eu, Kana, Droy, Gray e Lyon passamos a sentar juntos no intervalo. O Gray era obrigado, eu tentava evitar o máximo deixá-lo sozinho. Não me parecia bem. Ele estava com algum problema, eu sentia isso. Nunca havia sido desse jeito, mesmo fazendo certo tempo que não o via, eu ainda conhecia o meu Gray.
— Por favor, não briga comigo, Juvia! – choramingou Kana.
— Como não brigar? Você acaba de me falar que foi para a cama com um estranho! E se eu não tivesse raciocinado e falado alguma besteira pro seu pai quando ele me ligou?
— Eu sabia que você me cobriria.
— Olha, Kana, sou sua amiga, gosto muito de você, e me preocupo também! Esse homem poderia ser perigoso! Com que cara você acha que eu chegaria no seu pai quando uma matéria dizendo que encontraram o seu corpo passasse na TV?
— Não é pra tanto...
— Escute... – falei respirando fundo e parando de caminhar– Nunca mais faça isso! Não digo de mentir pro seu pai e me usar como álibi, mas nunca mais fique bêbada em uma festa e vai pra cama com um estranho! Você sabe o quanto isso é perigoso. – ela não me respondeu, apenas abaixou a cabeça – Da próxima vez me liga!Nem que seja de madrugada! Me liga e me diga onde você está que eu vou atrás nem que seja no inferno!
— Obrigada, Juvia! – ela disse me abraçando — Desculpa ter metido você nisso. Irei tomar mais cuidado...
— Assim espero! – falei devolvendo seu abraço — Agora tenho que ir, até amanhã! – me despedi e segui pelo meu caminho, enquanto Kana ia pelo oposto junto com Droy.
— Gray! Lyon! – gritei correndo atrás deles.
Apenas Lyon parou e me esperou se aproximar. Porem não disse nada, e seguimos nosso caminho de volta para casa.
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Mais umas duas semanas haviam se passado e eu estava agoniada em relação a Gray. Não aguentava vê-lo daquele jeito então decidi que de hoje uma conversa não passaria.
Fui até o quintal, onde ele costumava passar as tardes ouvindo música debaixo da ipê azul que havia ali. Aproximei-me e sentei ao seu lado. Ele estava deitado e totalmente relaxado. Parecia até que estava dormindo, mas eu sabia que era só fingimento.
Passei a mão em seus cabelos negros e por um momento pensei que ele havia prendido a respiração. Continuei o carinho por um tempo e então parei. Não demorou e ele abriu os olhos. Aqueles olhos me encaravam fixamente, e sentia que a qualquer momento eu poderia derreter.
— Queria conversar com você, Gray. – falei calmamente, mas ele não me respondeu. – Quero saber o que está acontecendo.
Ele bufou e virou de costas para mim.
— Não adianta fugir da Juvia, Gray! Juvia conhece você desde sempre... Juvia sabe que não está bem! – desta vez, fui eu quem bufou.
Tentava controlar, mas as vezes o nervosismo falava mais alto.
— Eu sei que algo está acontecendo. Você nunca foi fechado assim, eu quero apenas ajud...
Antes que eu pudesse terminar de falar, algo inusitado aconteceu. Não tive tempo de raciocinar, de pensar, de esquivar. Quando notei, os lábios do Gray tocavam o meu em um selinho simples. Ele se afastou e não pareceu demonstrar arrependimento. Na verdade, ele pareceu não se importar com o que havia acabado de fazer.
Eu não sabia como reagir. O que dizer, o que fazer, se deveria fazer algo ou não. Fiquei estática. A única coisa que eu sabia era que se eu abrisse a boca para falar, não iria apenas falar em terceira pessoa, mas gaguejaria tanto que nem um gago iria entender. Então apenas fiquei ali, parada, olhando pasma para um Gray totalmente tranquilo. Sentindo meu coração quase pular para fora e meu rosto queimar.
— Desculpe! – ele falou depois de um tempo – Mas você ia ficar me enchendo de perguntas... Mas se quer tanto saber, eu falo qual é o problema. – ele respirou fundo e soltou — A verdade, é que eu não quero mais patinar.
— Como assim? – falei enfim me recuperando do choque para entrar em outro logo em seguida – Não quer mais patinar? Mas você ama patinar!
— Não sei mais se realmente amo... – ele disse pensativo.
— O que aconteceu para você mudar de idéia? – falei me acomodando ao seu lado.
Ele respirou fundo mais uma vez. Parecia incerto se falava ao não, mas não se conteve.
— Você sabe que patino desde que me conheço por gente. E sempre amei isso. Eu me sentia livre, era como voar. Patinar sempre foi uma alegria inexplicável. Porém, de uns tempos para cá eu percebi que essa alegria havia acabado faz tempo. Basta olhar para Lyon. Ele só pensa em vencer, segundo lugar é inaceitável para ele! A Ultear patina apenas por conveniência. Ela sempre foi boa. E eu, que antes fazia por prazer, me peguei odiando a pista de gelo. Há muito tempo que não tenho mais prazer nisso. Eu simplesmente cansei...
Conseguia entendê-lo. Gray sempre amou andar sobre o gelo, e resolveu seguir carreira nisso. Mas patinação artística não passava de uma competição entre pessoas que eram boas no gelo, mas não sabiam apreciá-lo. Diferente de Gray, que além de ser bom, ele também gostava de apreciar cada momento. Ele nunca patinou apenas para vencer. Lembro que foi Ultear que lhe ensinou os primeiros passos, e Lyon só foi atrás por que viu que Gray era bom naquilo, e ele queria ser melhor que o Gray em tudo. Lyon sempre foi assim.
— E por que não falou para pra tia Ur? Tenho certeza que ela entenderia. Você anda preocupando a gente com suas atitudes, Gray.
— Eu não queria preocupar! É que agora eu não tenho mais um propósito na vida. Tudo para mim sempre se resumiu em gelo. Agora eu não tenho mais nada para fazer, para correr atrás...
— Por que você não para de procurar algo para fazer, e simplesmente vive aquilo que você nunca teve? – falei sorrindo — Escola por exemplo. Posso te ensinar a ser um estudante normal.
— E você vai ficar do meu lado? – ele disse com um discreto sorriso lateral.
— Sempre! – falei o abraçando.
Gray estava triste por que a única coisa que ele amava já não fazia mais sentido para ele. As vezes um abraço pode ser uma grande solução. Ele retribuiu meu gesto e ficamos um tempo assim. Sentia seu cheiro suave e o calor que seu corpo exalava, e como sempre ele estava apenas de bermuda.
— Juvia... – ele disse se afastando, porém nossos rostos continuaram próximos — O que você pensa sobre relacionamento entre primos?
— C-Como assim? – gaguejei ao notar Gray se aproximando mais.
— Me pergunto se seria pecado... – ele disse segurando em meu queixo — Roubar mais um beijo seu...
— Gray...
Tentei argumentar, mas perdi totalmente a linha de raciocínio ao sentir seu hálito bater em meus lábios. Estávamos tão próximos que nossas respirações se fundiam. Fechei os olhos pronta para sentir aqueles lábios que eu achava tão convidativos.
Seu beijo era calmo. Calmo demais levando em conta nossa relação. Eu estava tão eufórica com a possibilidade da nossa família nos pegar, mas ao mesmo tempo eu queria mais. Meu dilema me fez beijá-lo mais rápido sem nem perceber, e Gray avançou em cima de mim com um pouco mais de intensidade. A adrenalina continuava a subir enquanto as mãos de Gray desciam pela minha cintura. Ele levantou meu uniforme e colocou as mãos por dentro da minha saia, apalpando minha bunda repentinamente. Segurei um suspiro de surpresa. Meu corpo sentiu prazer, mas minha mente me dizia para parar antes que me arrependesse. Gray moveu sua mão esquerda ainda de baixo da saia, circulando minha calcinha. Eu não conseguia pará-lo, na verdade, eu não queria pará-lo! Queria que ele continuasse. E esse meu pensamento estava me deixando assustada. Apesar de está gostando do caminho que isso estava levando, sabia que não era o certo. Meu telefone tocou e a gente se afastar rapidamente.
— Desculpe... – falei pegando o celular e vendo o numero da pessoa que ousou atrapalhar aquele momento — É só a Kana – neguei a ligação.
— Esses dias eu estava pensando sobre religião – disse Gray sorrindo sacanamente para mim — E cheguei a conclusão de que sou ateu. Então não ligo muito para o que as pessoas consideram pecaminoso. – ele disse voltando a segurar em meu queixo e me puxar para mais perto — E você?
— E-Eu... – antes que eu pudesse responder, meu celular tocou novamente — Droga...
Nos afastamos novamente e eu estava pronta para jogar aquele celular longe.
— Atende. – ele disse suspirando — Pode ser importante.
Resolvi atender e mandar a Kana ir à merda.
— Kana, eu não posso... – fui interrompida por uma voz agitada e nervosa do outro lado da linha – Espera, fala com calma. Não estou entendendo.
Ela respirou fundo e voltou a falar, ainda em um tom nervoso. E as palavras que ela disse, eu gostaria de nunca ter ouvido.
— Como assim? A Levy o que?!
Sentia meu coração falhar uma batida. A voz sumir e as lagrimas caírem pelo meu rosto. Gray me olhava assustado. Senti seus braços ao meu redor e sua voz preocupada perguntar o que havia acontecido.
— L-Levy... E-Ela...
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