Breaking the Rules
24 Dois
Notas iniciais
Capítulo 24 — Dois

Kana
Voltar para a escola foi um saco. Não que eu a detestasse, mas eu detestava estudar. Preferia mil vezes trabalhar no bar, junto com meu pai, assim como foi nessas férias. Que a propósito foram ótimas. Exceto por fazer pouco mais de dois meses e meio que não via minha amiga. A preocupação reinava, e a Juvia parecia estar preste a ter um ataque de nervos. Além da preocupação com a Levy, os primos dela haviam voltado e dessa vez para ficar. Havia visto eles poucas vezes, de quando vinham passar as férias em família. Lyon me pareceu um pouco arrogante, e Gray... Bem, ele é quieto demais. Juvia acha que ele está com problemas, mas eu não sei o que pensar. Para mim, ele não fede e nem cheira.
Nesse pouco mais de um mês e meio que se passou desde a volta as aulas, o que mais me fazia falta era sair com minhas amigas para alguma balada e beber a noite toda. Levy não estava, então teria que me divertir por ela.
— Juvia, por favor. Eu preciso de uma festa para animar esses ossos enferrujados das férias! – falei enquanto saímos da sala de aula.
Hoje Fairy Tail ia ter um Dj muito foda e eu não poderia perder isso.
— Já disse que não dá Kana, não posso deixar os meninos, eles mal se instalaram. Faz tanto tempo que eles não vêem aqui, que mal sabem ir ao mercado sozinhos.
— Uma noite não vai matar eles. É só deixar água, comida e um jornal pras necessidades.
— Haha, muito engraçadinha você. – disse Juvia com tom sarcástico.
— E você, Droy? Vai furar também?
— Eu estou dentro, desde que eu possa levar meu paquera.
— Que paquera?! – disse Juvia e eu ao mesmo tempo.
— Ai meninas, vocês estão tão desatualizadas. É um menino novo ai que chegou esse semestre. Começamos a conversar, e estamos nos dando super bem.
— Você é rápido, hein. – falei rindo.
— Levy vai ficar doida quando souber que você esta de namorico e ela não está sabendo. – disse Juvia.
— Eu contaria para ela – começou Droy – Mas vocês não deixam eu entrar em contato! Eu sei que ela mudou de numero, já liguei para o celular dela mil vezes. Por que a estão escondendo de mim?!
Juvia e eu nos entreolhamos. Não poderíamos falar nada, para ninguém. Nem mesmo para o Droy. Apesar de eu achar injusto ele não poder saber de nada.
— É complicado Droy... – disse Juvia.
— Eu sei, eu sei. Vocês não podem falar nada por ordem da mãe dela, e blábláblá. Tenho quase a certeza que a pequena se envolveu em alguma encrenca e está de castigo.
— Quase isso. – falei rindo, para amenizar o clima.
— Bem, tenho que ir. Divirtam-se e juízo! – disse Juvia indo até os primos para voltar para casa. Nos despedimos, e eu e Droy combinamos de nos encontrar na porta da Fairy Tail.
Assim que cheguei em casa já fui a procura de uma roupa para usar hoje a noite. Separei uma calça jeans preta com detalhes em prata, um cropped de crochê todo preto e meu tênis prateado. Simples e sexy. Estava perfeito.
Passei o resto do dia ajudando meu pai no bar e por volta das seis e meia da tarde, fui me arrumar para a balada. Após o banho, me vesti e passei apenas um rímel e um batom rosa claro. Prendi meus cabelos em um rabo de cavalo alto e fui me despedir do meu pai.
— Aonde vai? – ele perguntou quando lhe dei um beijo na bochecha.
— Balada com o Droy. Tchau!
— Espera – ele disse segurando meu braço – Droy é aquele amigo novo seu e das meninas?
— Sim! Eu chamei a Juvia mas ela não quis ir, então vamos só eu e o Droy, e provavelmente um paquera dele.
— Tome cuidado. – ele disse soltando meu braço.
— Vou tomar!
— E Kana... – ele falou quando eu estava na porta – Por favor, filha, nada de bebidas.
Hesitei um pouco antes de respondê-lo. Acabei dando um sorriso simpático e dizendo que ficaria bem. Fui andando até Fairy Tail. Minha casa não ficava muito longe do centro e valia mais a penas andar do que pegar ônibus.
Assim que cheguei Droy já me esperava na entrada. Ele conversava animadamente com um cara, que eu suspeitava ser o tal paquera. Já que ele sorria bobamente sempre que o cara falava.
Droy usava uma camiseta simples e branca, com um pequeno decote em V e uma calça jeans. Seu novo penteado, onde ele mantinha as laterais cortadas e o topo com bastante cabelo, combinava com o seu visual.
O homem com quem ele conversava, parecia usar uma camisa roxa de botões, calça jeans e tinha os cabelo ruivos na altura dos ombros. Ele era mais alto que o Droy, e da onde eu os observava, parecia que combinavam bastante.
Me aproximei e logo Droy me notou, sorrindo e acenando conforme eu chegava mais perto.
— Até que enfim chegou! Deixe-me lhes apresentar, Kana este é o...
— Jet? – falei ao reconhecer aquela cabeleira ruiva.
— Kana? Não acredito! – ele disse e nos abraçamos.
— Vocês já se conhecem então... – Confirmou Droy, ele parecia receoso.
— Sim, estudamos alguns anos do ensino fundamental juntos! – disse Jet, bastante animado. – Até que tive que me mudar com a minha família e cortamos contato.
— Foram bons tempos esses no fundamental... – falei rindo entrando na fila da balada.
— Ah! E a Levy? Ainda tem contato com ela?!
— Conhece a Levy também... — disse Droy novamente receoso.
— Não só a conheço, como já gostei dela! – ele disse rindo.
Percebi Droy se encolher e se afastar um pouco.
— Se me lembro bem, nós demos nosso primeiro beijo juntos, não foi?
— Ah, sim. – falei rindo, porém, notei Droy se sentir desconfortável.
— Era muita ingenuidade... Mas me conta, como está Levy? Continuam amigas?
— Desde sempre! Só que ela... Está fazendo uma viagem agora, então não estamos nos falando muito...
— Essa fila está demorada, não é? – disse Droy, aparentemente irritado por estar fora da conversa.
— É a programação. – disse Jet – Dizem que o DJ de hoje é realmente bom.
Ficamos em um silencio desconfortável. Droy parecia ainda estar incomodado com a conversa de antes. Jet parecia ter notado e estava sem saber o que dizer. E eu me perguntava o porquê de tal reação de Droy. Seria possível que ele estivesse com ciúmes?
— E então... – comecei chamando a atenção dos dois – vocês estão juntos?
— É... – disse Jet sorrindo e olhando para Droy, que retribuiu o olhar e corou quando Jet roçou as pontas de seus dedos. – Estamos nos conhecendo. – ele disse voltando a olhar para mim, ainda sorrindo.
Depois disso a conversa voltou a ficar agradável. Entramos na Fairy Tail e ela estava realmente lotada. Não pensei duas vezes e fui direto pro bar. Minha garganta estava seca e eu precisava de uma cerveja bem gelada!
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Em algum momento eu estava alegre o suficiente para dançar em cima do balcão do bar. Entendam, eu estava apenas alegre, não bêbada. Nunca fico bêbada. Mas acontece que quando começa a tocar Rihanna, não dá para ficar parada.
Lembro de começar a dançar perto do balcão do bar, e quando viram minha empolgação abriram uma roda. Mas não lembro como que da roda eu fui parar em cima do balcão...
Quando a musica acabou, alguém me ajudou a descer, e ganhei um canecão de chopp do barman.
— Obrigada, Linus! Você é o melhor barman do mundo!– gritei para ele virando minha caneca de uma vez.
— Então é assim que você faz para ganhar bebida de graça? – perguntou alguém no meu ouvido.
Olhei para o individuo. Era um homem bem bonito por sinal. Ele era alto, parecia que seus cabelos eram um pouco compridos já que eles estavam presos em um coque alto. Sua blusa de botão estava totalmente aberta, mostrando um belo tanquinho no qual eu não me incomodaria de lavar minhas calcinhas. E para ajudar, ele sorria para mim.
— Não preciso fazer nada para ganhar bebida de graça, pago minhas contas. – disse sorrindo de volta e dando uma piscadela.
— Sabe... – ele disse se encostando do meu lado no balcão. – Às vezes eu gostaria de ser mulher...
— Fique uma semana menstruando que tu desiste dessa idéia. – falei rindo.
— É claro, tudo tem suas desvantagens – ele disse rindo também – Mas um dos lados bom que eu vejo, é que vocês mulheres bebem pouco. Então, mesmo que, por exemplo, você gosta de chopp, não deve passar de três canecos.
— Como é que é? – perguntei indignada.
— Mesmo que você goste de beber, sua conta não vai ser tão cara. Por que mulheres não aguentam beber muito.
Apenas cruzei os braços e o encarei com uma sobrancelha arqueada.
— Eu por outro lado – ele continuou — Devo aguentar de uns dez canecões para cima. E quando quero me divertir, acabo deixando uma enorme conta no bar. Por isso às vezes gostaria de ser mulher, para consumir menos, entende?
Finalmente ele me encarou e pareceu não entender minha cara de indignação. Pois ainda teve a cara de pau de perguntar “O que foi?”.
Me virei para o balcão dando um tapa bem forte, chamando a atenção de alguns outros indivíduos para mim.
— Linus! – gritei para o barman. – Prepara os canecões de chopp. Vamos ter uma competição aqui!
Assim que falei, muitos loucos e bêbados começaram a gritar e abriram espaço para eu e aquele cara.
— O perdedor paga a conta. – falei olhando-o desafiadoramente.
— Bacchus. – ele disse estendendo a mão.
— Kana. – respondi aceitando o seu cumprimento.
— Vamos às regras! – disse Linus já com oito canecões cheios. Ele separou quatro para cada e começou a ditar as regras da competição. – Vocês terão dez minutos para virar o máximo de canecões que puderem. Não se pode atrapalhar o outro competidor. Após dois canecões consumidos, irei preparar mais dois e esses dois irão para a conta. Se no final dos dez minutos, um dos participantes estiver muito alterado, mesmo tendo consumido a maior quantidade, ele perde. Ou seja, para ganhar vocês devem consumir o máximo de chopp que puderem, e não terminar bêbado. Se der empate, ganha o que estiver menos alterado. O perdedor paga a conta. Estão de acordo com as regras?
— Sim! – respondemos juntos.
— Peço que deixem algo de valor comigo para caso de fraude do perdedor.
Ambos deixamos nossos celulares com Linus, que os guardou no bolso.
— Preparados? Comecem!
Após a largada virei o primeiro canecão tão rápido, que mal senti o gosto do chopp. Após o primeiro, virei logo o segundo, o terceiro... O quinto... O oitavo... Depois do décimo eu perdi as contas.
As pessoas em nossa volta gritavam, berravam e torciam. Nos últimos segundos, todos começaram a gritar “Vira! Vira! Vira!”. Eu não sabia quantos chopps havia tomado, mas me sentia confiante.
— Tempo esgotado! – disse Linus puxando os canecões que tomávamos naquele momento – De acordo com a contagem, a garota ganha por um canecão a mais! — uivos e gritos se seguiram após isso – Esperem! Precisamos ter certeza de que ela não está bêbada.
Linus pegou uma caneta e um bloco de notas, e mandou eu escrever meu nome três vezes e depois andar em linha reta.
— Bem, para quem tomou 15 canecões e meio de chopp, você está muito bem. Pode comemorar!
— Thank you, Linus! – gritei e o abracei, pegando meu celular de volta – Eu ganhei! – gritei o mais alto que pude para as pessoas que estavam em nossa volta.
Todos gritaram e em algum momento me vi em cima deles sendo jogada para cima. Se antes eu já estava alegrinha, agora eu estava extremamente feliz. Ganhei mais bebida e bebi muito mais ao longo da noite. Dancei em cima de algumas mesas, em cima do balcão do bar do outro lado da balada, dancei com algumas pessoas que nunca vi, dancei em cima da tampa da privada quando fui ao banheiro. E quando encosto no balcão do bar novamente, eis que vejo meu desafiante ainda ali.
— Não conseguiiiiu pagar a conconta é? – falei meio enrolada.
— Você está bêbada. – ele disse e riu – Até que aguenta bem o álcool, mas parece que chegou no seu limite.
— Eu naum istou... – pausa dramática por que virei para o outro lado e vomitei.
Vomitei horrores. Senti até meu estômago doer. Alguém segurava meu cabelo e me segurava, pois eu sentia que poderia cair a qualquer momento. Alguém me ofereceu água e eu aceitei. Quando me recompus, me virei para o balcão novamente.
— Mim dá mais uuuma ai, Linus! – gritei para o meu barman favorito.
— Chega de bebidas para ela, Linus. – escutei alguém dizer e me segurar para não cair no chão.
Depois disso, não me lembro de mais nada.
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Acordei com uma dor de cabeça extremamente horrível. E já me arrependi só de ter acordado. Me arrependi mais ainda quando abri os olhos. Meu quarto não estava tão claro quanto eu imaginava que estivesse, mas a pouca claridade que tinha chegou a aumentar a dor de cabeça.
Minha cortina não protege muito a claridade do sol e eu já me preparava para a luz do dia. Até que finalmente notei que aquela cortina preta não era a minha. Que as paredes azuis escuro não eram a do meu quarto. Que a cama grande e espaçosa que eu notei estar dormindo, não era a minha de solteiro que mal cabia eu, e que com certeza não caberia outra pessoa. Outra pessoa essa que eu sentia estar pesando o outro lado da cama, bem atrás de mim.
Respirei devagar com medo de que a outra pessoa, que eu não tinha a mínima idéia de quem fosse, notasse que eu estava acordada. Fechei os olhos e forcei a minha mente a tentar lembrar do que aconteceu ontem. Tudo terminava em eu sendo retirada da balada, praticamente carregada, por alguém que eu não sei quem é! Acho que exagerei um pouquinho ontem...
Abri os olhos novamente e tentei raciocinar. Vi em uma poltrona um pouco mais adiante, uma calça jeans preta, um cropped e um tênis prata bastante familiar. Familiar até demais!
Não bastava eu estar com uma dor de cabeça terrível, não me lembrar de nada de ontem, pelo menos nada importante que me desse alguma dica de onde eu estou. Eu ainda tinha que estar deitada em uma cama desconhecida, em um quarto desconhecido, com um desconhecido bem atrás de mim. Semi nua! Pois só então percebi que eu vestia apenas minha calcinha de estampa de alienígenas e uma camiseta que eu nunca vi na vida.
Mas tentem olhar pelo lado bom. A pessoa dona daquela camiseta era bem cheirosa.
Eu precisava me levantar e encarar quem quer que estivesse atrás de mim. Fui tirando o lençol devagar e já escorregando meu corpo pela cama, fazendo o mínimo de barulho e movimento que eu conseguia.
Escorreguei todo o meu corpo e fiquei agachada no chão por alguns segundos. Fui levantando a cabeça devagar e vendo a silueta do meu parceiro de cama se formar. Era um homem bonito e com um corpo bem definido. Tinha os cabelos castanho escuro jogados um pouco no rosto. Agora com eles soltos, dava para notar que batiam em seus ombros.
Ah sim, era alguém conhecido. Ou pelo menos era alguém que eu lembrava do rosto. Meu companheiro de cama também era meu companheiro de canecão de chopp. Bacchus, ou alguma coisa assim.
Me levantei do chão devagar e fui até as minhas roupas, vestindo-as logo em seguida. A julgar que Bacchus estava deitado sem camisa, e eu estava dormindo com uma camiseta dele, cheguei à conclusão de que passamos a noite juntos muito mais do que bebendo.
O que era triste. Ter sua primeira relação amorosa com um quase Deus grego, não só pelo nome, e não se lembrar para contar a história era extremamente, excessivamente, profundamente, imensamente triste. Não por ter tido a minha primeira relação amorosa com um estranho, até porque eu nem era virgem. Perdi com o dedo. Mas ele era muito gato! E eu ao menos gostaria de me lembrar das coisas.
Após conseguir me vestir sem acordá-lo, sai do quarto e agradeci por ser um apartamento simples e não cheio de portas onde eu poderia me perder. Rapidamente saí pela porta de entrada e peguei o elevador. Descobri uma coisa nada importante mas que pode me ajudar a lembrar da noite de ontem: Ele mora no quarto andar, no apartamento 44, e bem perto do centro da cidade. Levaria uns quinze minutos a mais para chegar em casa.
Ao caminhar passei em frente a uma farmácia e lembrei de uma coisa muito importante dessa vez. Eu não me lembrava da noite de ontem. E se transamos, eu não tenho a mínima idéia se foi protegido ou não. Optei por comprar uma pílula do dia seguinte e um remédio para dor de cabeça. Pelo menos uma gravidez eu evitaria. E assim que chegasse em casa e voltasse a raciocinar logicamente, correria atrás de algo para evitar DST’s. Mas no momento, meu maior desejo era tomar um banho e dormir. E claro, recordar as merdas do que eu fiz ontem. Por sorte, hoje era sábado.
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— Por favor, não briga comigo, Juvia! – choraminguei
Na segunda feira, fugi o máximo que pude das perguntas de Juvia e Droy, mas eles acabaram me pegando na saída.
— Como não brigar? – disse Juvia irritada. — Você acaba de me falar que foi para a cama com um estranho! E se eu não tivesse raciocinado e falado alguma besteira pro seu pai quando ele me ligou?
— Eu sabia que você me cobriria. – falei sorrindo para ela.
— Olha Kana, sou sua amiga, gosto muito de você, e me preocupo também! Esse homem poderia ser perigoso! Com que cara você acha que eu chegaria no seu pai quando uma matéria dizendo que encontraram o seu corpo passasse na TV?
— Não é pra tanto... – falei abaixando a cabeça.
Pelo o que entendi, meu pai ligou para Juvia quando viu que eu não havia voltado para casa. Mesmo preocupada, ela me encobriu dizendo que acabou decidindo ir para a balada comigo e no final dormimos na casa dela. Ele acreditou e não fez mais perguntas.
O problema foi que meu celular acabou a bateria e eu não vi as 5 ligações e 3 mensagens do meu pai. As 8 ligações e 7 mensagens de Droy. E as 17 ligações e 32 mensagens da Juvia. O que me fez ouvir um enorme sermão da azulada.
— Escute... – ela disse respirando fundo e parando de caminhar– Nunca mais faça isso! Não digo de mentir pro seu pai e me usar como álibi, mas nunca mais fique bêbada em uma festa e vai pra cama com um estranho! Você sabe o quanto isso é perigoso. – continuei de cabeça baixa, eu sabia que estava errada – Da próxima vez me liga!Nem que seja de madrugada! Me liga e me diga onde você está que eu vou atrás nem que seja no inferno!
— Obrigada, Juvia – falei abraçando ela.
Amiga igual a essa, não existem muitas por ai. Eu precisava guardá-la para mim para sempre!
— Desculpa ter metido você nisso. Irei tomar mais cuidado.
— Assim espero! – ela disse me abraçando de volta — Agora tenho que ir, até amanhã! – nos despedimos e cada uma seguiu seu caminho.
Exceto Droy, que permaneceu calado e sorrindo bobamente olhando para o celular na maior parte do tempo. Mesmo estando preocupado comigo e curioso para saber o que havia acontecido, após o meu relato ele voltou a sonhar e sorrir enquanto digitava mensagens.
— E então... – falei chamando sua atenção, o que não adiantou muito – Vai me contar como terminou sua noite depois que sumi?
Ele me ignorou e continuou olhando para o celular.
— Olha, é o Jet ali? – falei alto para ele escutar e finalmente chamando sua atenção.
— Onde?! – ele disse exasperado e olhando para todos os lados a procura do ruivo.
— O que vocês fizeram naquele dia? – perguntei olhando diretamente em seus olhos, evitando que voltasse a atenção para o celular.
— N-Nada! – ele disse ficando levemente corado.
— Me conta! Agora! – falei animada e pulando ao redor dele como uma menininha.
— Tudo bem. Eu conto! – ele disse rindo — Mas só se você parar de passar vergonha.
— Impossível para mim, mas pode começar a falar!
Ele então começou a relatar como foi seu final de noite.
“- É sério Jet, eu não acho a Kana em lugar nenhum!
— Será que ela está no banheiro feminino? – ele disse ainda olhando as milhares cabeças a procura de uma morena conhecida.
— Você não entrou lá?! – perguntei exasperado.
— Não!
— E por que não?! Ela poderia estar lá o tempo todo! – falei indo em direção ao banheiro feminino.
— Olha para mim, D! – parei e o encarei – Posso ser bissexual, mas a maioria das mulheres ainda acha que sou 100% hétero! Se entro no banheiro feminino, sou acusado de tarado e provavelmente retirado daqui a socos!
— Tudo bem! – falei rindo – As mulheres acham que sou 90% gay, então eu entro.
— 90%? – ele perguntou.
— 10% delas são religiosas, acreditam que ainda tenho cura. Meu Edí*, viu.
Revirei todo o banheiro feminino, e nada da Kana estar lá.
— E agora?! – falei sentindo minha preocupação à mil. – Eu deveria ter parado ela! Ela estava dançando em cima do balcão do bar! Você viu, não viu?!
— Vi, mas eu não acho que...
— Ela subiu em mesas, Jet! E aquela hora que ouve a gritaria e ela sendo jogada para o alto?! Eu deveria tê-la parado! Que tipo de amigo eu sou?
— D, se acalm—
— Se alguma coisa acontecer a ela eu nunca vou me perdoar! E se ela foi levada a força por algum cara?! Se ela estiver bêbeda vão fazer o que bem entenderem e... e... Não quero nem pensar!!
— Droy...
— Alguém tirou ela daqui, Jet! – falei sentindo minha garganta apertar e discando o numero de novo – Ela não pode ter saído daqui sozinha! E ela não atende o celular! – senti as lagrimas querendo se formar — Meu Deus, eu preciso achar essa garota! Eu sou um péssimo amigo. Eu devia tê-la parado quando a vi subindo na mesa! Devia ter confiscado a carteira dela para não beber mais! A Juvia nunca vai me perdoar por ter perdido a Kana! E se alguma coisa acont... – então, fui forçado a calar a boca.
Mas foi um forçado muito agradável. Jet segurava meus braços impedindo que eu saísse do lugar e parasse de gesticular, enquanto pressionava seus lábios nos meus. No começo foi só um selinho, mas antes que ele se afastasse, o puxei para um beijo que foi muito bem retribuído. E ficamos assim por longos minutos, até termos que nos afastar por falta de ar.
— Só assim para você calar a boca – ele disse sorrindo.
— Aff, isso é tão clichê! – respondi e seu sorriso sumiu. – Mas eu adoro clichê! – falei o puxando para um novo beijo.
— Não temos que procurar a Kana? – ele perguntou assim que nos afastamos e eu o puxava para mais um beijo. – D... A Kana... – ele disse entre os beijos e nos afastamos.
— Já procuramos em tudo, tem alguma idéia nova?
— De fato ela não está aqui, então deve ter ido embora. Pensei em perguntar para o segurança. Se ela estava muito louca, deve ter chamado a atenção na saída.
— Você é um gênio, ruivinho! – falei dando um selinho e logo o puxando para a saída.
O segurança era um cara alto, muito alto e loiro. Com uma tatuagem de raio no olho direito e uma terrível cara fechada.
— Licença. – disse Jet – Nós perdemos nossa amiga, e estamos muito preocupados por que da ultima vez que a vimos ela estava muito bêbada. Porém já procuramos em todos os lugares e não a achamos. Queríamos saber se você não a viu saindo por aqui com alguém.
— Como ela estava vestida? – ele disse.
— Ela é mais ou menos dessa altura – falei – Tem cabelos castanhos escuros que estavam em um rabo de cavalo. Usava uma calça preta e um... – ele não tem cara de que sabe o que seja um cropped... – Um biquíni preto de crochê!
— E tênis prata. – completou Jet.
— Olha, é difícil eu lembrar de alguém por que são muitas pessoas que passam por aqui. Mas acho que vi sua amiga sim, e se for a mesma pessoa, ela já foi embora há algum tempo.
— Já foi embora?! – falei preocupado – Sozinha?!
— Não, ela estava acompanhada... Na verdade, estava sendo carregada por um conhecido meu.
— Ela saiu daqui com um cara?! — disse Jet.
— Ai, Meu Deus... – falei imaginando o pior – Para onde ele a levou? Por favor, me diga que caminho seguiram! Ele estava de carro?
— Calma, eu conheço o cara. – falou o segurança – Ele não é ninguém com má índole, mas posso ligar para ele trazer ela de volta.
O segurança discou um numero e esperou que alguém atendesse. Ninguém atendeu e ele discou de novo. E discou uma terceira vez. Minha preocupação só aumentava. Se ela saiu daqui carregada por um cara, ele poderia fazer o que bem quisesse com ela.
— Ele não está atendendo. – disse o segurança – Acho que o celular está desligado.
— Onde esse cara mora? A gente a busca. – disse Jet.
— Olha, eu não conheço vocês e não vou passar o endereço do meu amigo. Mas posso garantir que ele não vai fazer nada com ela. O nome dele é Bacchus, e como eu disse ela saiu daqui carregada. Parecia muito mal. Mas o conhecendo, ele só vai cuidar dela. Ele é um cara legal.
— Colega – falei – Se você não confia na gente, acha que vamos acreditar em você?
— Eu entendo... então façamos assim. – ele disse pegando o celular e me mostrando um numero. – Anotem meu telefone, se o Bacchus fizer alguma coisa com a amiga de vocês, eu testemunho a favor dela.
Eu e Jet nos entreolhamos e anotamos o telefone dele. Mas Jet teve a idéia de gravar um vídeo, onde ele dizia aquelas palavras.
— Eu, Laxus, deixo claro nesse vídeo, que se meu amigo Bacchus fizer alguma coisa contra a garota... Qual o nome dela mesmo?
— Kana!
— Se ele fizer alguma coisa contra a Kana, eu vou ficar do lado dela.
— Obrigado, Laxus.
Depois disso, fomos embora cada um para sua casa...”
— Espera ai! Não dormiram juntos?
— Não! Kana! Estamos nos conhecendo ainda.
— Você estava todo sonhador hoje, pensei que havia visto a garrafa de Fanta e sentido a potência do gás ruivo.
— Ai, Mamãe... Adeus Kana! Nos vemos amanhã! – disse Droy acelerando o passo.
Ri de seu constrangimento e fui indo para casa. Hoje eu passaria a tarde no bar. Assim como no resto da semana...
— Pai! Precisamos de mais empada de frango! – gritei do balcão do bar para a cozinha logo atrás.
— Já está saindo!
— Opa! Tive sorte, vou pegar a empada quentinha! – disse a cliente.
— Teve mesmo. – falei sorrindo para ela e fui atender outro cliente. – Posso ajudar? – falei enquanto pegava meu bloquinho e a caneta.
— Vou querer 200 gramas de pão de queijo...
— Algo para beb... Bacchus? – falei ao reconhecer o homem em minha frente.
Ele abaixou o cardápio e me encarou surpreso.
— Kana! – ele disse animado.
— O que faz aqui? – falei sussurrando quando vi meu pai vindo para o balcão.
— Comprando pão de queijo – ele sussurrou de volta – Por que estamos sussurrando?
— Por que meu pai não sabe o que aconteceu naquele dia... Vai querer algo para beber? – falei mais alto, quando papai passou por mim.
— Anh... Não... – ele falou.
— Já pego seu pão de queijo! – me virei e preparei o pedido dele. – Precisamos conversar, vai para a rua atrás do bar. – sussurrei quando entreguei o pacote para ele.
Enquanto ele foi pagar, eu tirava meu avental e me preparava para ir para a cozinha.
— Vou tirar o lixo, pai!
— Não precisa, já tirei. Entrega essas cervejas na mesa três... Por que tirou o avental?
— Então... Posso ir para casa? Está me dando uma cólica muito forte... – falei fazendo uma falsa cara de dor.
— Por que não falou antes? Claro que pode ir. Tem remédio?
— Tenho assim, quando passar a cólica eu volto pra ajudar – falei beijando a bochecha dele e pegando as duas cervejas.
No caminho as deixei na mesa do cliente e fui correndo para a saída dos fundos do bar assim que sai pela porta.
Cheguei lá e Bacchus estava encostado na parede comendo pão queijo.
— E aí, você foi embora e nem falou tchau!
— Desculpe por isso... Bacchus, preciso te perguntar uma coisa muito importante... – falei receosa.
Depois daquela noite, duas semanas haviam se passado. E apesar de eu não me importar em ver ele de novo, reencontrá-lo me fez lembrar de uma coisa muito importante que eu não fiz, e que agora a preocupação predominava.
— Manda – ele disse quando demorei para falar.
— Por favor, seja o mais sincero possível, juro que não ficarei com raiva, mas eu preciso saber... – ele parou de mastigar e me encarou sério – Você tem DST?
Os minutos seguidos se resumem em Bacchus se engasgando com o pão de queijo que ele tinha na boca e eu batendo em suas costas implorando por uma resposta.
— Eu. Preciso. Saber! – falei dando tapas enquanto ele ainda tossia – Eu tomei a pílula do dia seguinte, mas esqueci das outras precauções! – falei dando um tapa mais forte.
Ele segurou meu pulso com força. Seu rosto estava vermelho e ele parava de tossir.
— Do que você esta falando, garota?! – ele disse rouco.
— Eu não me lembro de nada daquela noite! Não sei se nos protegemos ou não, e quando te vi eu lembrei que não fui atrás dos remédios para prevenir DST! Então eu preciso saber se você tem ou não! – falei eufórica, quase em um fôlego só.
— Primeiro... cof... Não se chega em um cara de boa e pergunta se ele tem DST. – ele disse calmo – Isso assusta. E muito. E segundo... – ele largou meu pulso – Nós não dormimos juntos naquela noite.
— O-O que?! – senti meu rosto corar.
Um pouco pelas acusações, e um pouco porque fiquei as duas semanas inteiras pensando no que a gente teria feito, como teríamos feito, e como era o corpo dele nu.
— Nos não dormimos juntos naquela noite. – ele repetiu. – Bem, na verdade dormimos na mesma cama. Mas não transamos, nem trepamos, não nos comemos e muito menos fizemos amor. Apenas dormimos.
— M-Mas... Eu estava só com a sua camiseta! E minha calça... Ela estava na poltrona, e...
— Isso tem uma explicação muito simples. – ele disse calmo – Você não sabe beber. – o olhei sem entender e ele começou a explicar. – Depois da competição, você não sossegou. Vi você comemorando e continuando a beber tudo o que fosse alcoólico e que aparecesse na sua frente. Porra Kana, você havia bebido quinze fucking canecões de chopp! Sem contar o que você bebeu antes. E continuou bebendo! Olha, você pode ter uma boa resistência ao álcool, mas precisa aprender a ter limites. Você já é anormal por ter bebido quize canecões de chopp. Mas continuar bebendo depois disso? Não tem quem aguente. E foi ai que você deu PT.
— Eu... Nunca dei PT antes... – falei absorvendo a história dele.
— Há uma primeira vez para tudo, morena. E para sua sorte, seu primeiro PT foi comigo. Você chegou no bar querendo mais bebida, mas antes que pudesse fazer o pedido você vomitou. Eu te tirei de lá e como não sabia se estava acompanhada, te levei para minha casa. Você foi vomitando o caminho todo, e vomitou mais quando chegou na minha casa. Tive que te dar um banho. E coloquei suas roupas para lavar enquanto tentava fazer com que você me deixasse lavar seu cabelo.
— Que vergonha... – sentia meu rosto queimar.
— Calma, tem mais. Depois que consegui te dar banho, te vesti uma camiseta minha e te coloquei na cama. Fui tirar suas roupas da máquina e por na secadora. Quando voltei você não estava mais na cama. Você havia saído do meu apartamento e entrado no elevador, apertou todos os botões e ainda me deu tchauzinho quando a porta fechou. Você subiu cinco andares cantando Viva La Vida alto o suficiente para o prédio inteiro ouvir. Se essa não fosse a melhor música do Coldplay, eu teria ficado puto. Bem, subi as escadas atrás de você, mas só fui conseguir te pegar no nono andar. E você estava desmaiada no elevador. Depois dessa você dormiu direto. Eu não pretendia dormir na mesma cama contigo, mas estava tão cansado, e um pouco bêbado também, que quando me deitei, capotei.
Eu tampava meu rosto indignada e morrendo de vergonha. Eu nunca bebi tanto ao ponto de dar PT. E o pior, dei PT estando sozinha com um estranho.
— Sei nem o que dizer... – falei tentando encarar ele, mas o constrangimento não deixava – Me desculpe... Me perdoe pelo trabalho que eu dei... Eu nem imaginava! Não me lembrava de nada disso...
— Ei... – ele disse segurando meu queixo e me obrigando a olhar em seus olhos castanhos que estavam acompanhados de um sorriso lateral muito sedutor.
Mamãe me segura que eu vou cair.
— Não precisa ficar com vergonha. Loucuras acontecem, não é mesmo? – ele disse rindo – Mas você tem que tomar mais cuidado. Não é qualquer pessoa que te veria mal e te ajudaria. Precisa ter mais cuidado, Morena.
Não consegui responder apenas balancei a cabeça concordando.
— Você é uma moça muito bonita, e tenho certeza que muito alegre estando sóbria...
Mamãe me acuda, está muito quente aqui. E ele não precisa olhar tão diretamente nos meus olhos.
— Tem muita gente de má índole por ai. Todo mundo pode ficar bêbado um dia, mas você que tem uma boa resistência, tem que aprender a achar o teu limite. Fazer o que você fez pode ser muito perigoso. Não sei como que você não teve um coma alcoólico!
— Eu... – falei tentando me concentrar em algo que não fosse os olhos dele – Sei que exagerei. Me desculpe...
— Ah não, não peça desculpas para mim. – ele disse se afastando – Peça desculpa a você mesma. – disse dando um peteleco na minha testa – Por ser inconsequente.
— Obrigada – falei rindo a passando a mão no lugar do peteleco.
Mamãe, o que está acontecendo aqui? Como esse cara conseguia ser um adulto responsável, aparentemente com um emprego fixo, estabilidade emocional, controle sobre si mesmo, um homão da PORRA e ainda assim tão fofo? Por favor, pergunta se eu quero casar contigo!
— Quer ser minha amiga?
— Aceito... – e só então notei que ele estendia a mão para mim – Ah sim! Quero ser sua amiga! – falei apertando a mão dele o mais forte que eu podia – Quero muito ser sua amiga! Se tem uma coisa que eu quero, é ser sua amiga!
— Okay! – ele disse rindo – Pode parar de sacudir minha mão agora.
— Foi mal... – disse me afastando. – Espera um instante... – falei estacando e recapitulando novamente o que ele disse daquela noite — Você me deu banho, certo?
— Precisamente. – ele falou transformando o seu sorriso lateral em um sorriso sacana.
— Ou seja, você me viu pelada. – confirmei sentindo meu rosto esquentar só de imaginar ele me vendo nua.
— Exato. – ele respondeu ainda sorrindo – A propósito, achei super fofa sua calcinha de alienígena. Muito mais sexy que fio dental! E eu também achei legal a forma como você se depila... Sabe... Tudo.
Ele me viu de calcinha de alienígena e ainda achou sexy. E pra piorar ele realmente me viu completamente nua! Deus, me segura! Porém antes que eu pudesse passar mais vergonha, meu telefone tocou. Vi um número desconhecido e atendi.
— Alô? Quem é Lucy? Ah sim, do Gajeel... Como conseguiu meu número? Na verdade acho muito importante saber como você conseguiu... O... que..?
Meu mundo por um minuto parou. Nada se movia. Eu não conseguia respirar. Senti algo quente escorrer pelo meu rosto, mas eu não podia raciocinar. Uma voz distante me perguntava o que havia acontecido. Mas eu não conseguia ouvir mais nada depois do que Lucy disse. Nem notei quando o telefone foi desligado.
— Kana, o que foi?! – Bacchus me sacudia e me fazia voltar a realidade.
— Juvia...
— O que?
— Preciso ligar para a Juvia! – disquei rapidamente o numero dela, que foi ignorado na primeira chamada.
Liguei novamente e ela me atendeu irritada.
— Kana, eu não posso...
— J-Juvia m-me e-escute! – minha voz tremia e saia alta, respirei fundo e tentei falar o mais claro possível. – Lucyacaboudemeligaraconteceuumacoisa!!
— Espera, fala com calma. Não estou entendendo.
— É a Levy... – falei sem conseguir conter o soluço e o choro que se seguiu.
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