Breaking the Rules
25 Um
Notas iniciais
Capitulo 25 — Um

Lucy
O despertador tocou. Eu o desliguei e respirei fundo, me espreguiçando na cama. Ter uma cama de casal sendo uma pessoa solteira é a melhor coisa do mundo, pois lhe sobra espaço. Sentei na cama respirando fundo novamente.
— Vamos lá.
Levantei-me e fui até o banheiro começar minha rotina. Tomei banho, escovei os dentes, tomei café, arrumei meu cabelo, vesti meu uniforme, escovei os dentes novamente e fui para o trabalho.
— Bom dia. – falei a todos os colegas de trabalho que encontrei no caminho. – Bom dia, Capitã. – disse assim que vi a Sarah, prestando continência.
— Bom dia, Lucy. Poderia me acompanhar até a minha sala?
— Sim, senhora.
Assim que adentramos a sala, Sarah se jogou em sua cadeira, suspirando alto.
— Alguma novidade? – ela perguntou.
— Eles praticamente sumiram do mapa. Não está havendo nenhuma venda, nenhum tráfico, e nem drogas leves eles estão comercializando.
— Até as drogas cortaram?
— Sim. Tanto é que está havendo um surto de dependentes no bairro onde era o maior foco de venda.
— Por que ele está recolhendo todas as peças dele... – ela disse pensando alto.
— Acredito que ele esteja planejando algo. Algo grandioso e de larga escala. – falei.
— Com toda certeza ele está planejando algo... Mas o que...? – ela disse com dúvidas — Lucy, como vai a procura pelo Gajeel?
— Continuo não tendo a mínima idéia de onde ele esteja.
— Bom... Isso é muito bom! Significa que estou conseguindo escondê-los com sucesso!
— Eu consegui localizá-los até Hargeon, mas não achei vestígios deles por lá. Depois tive pistas de que eles pegaram um trem até Warth Woodland, mas parei por aí.
— Continue assim. É bom saber que não está conseguindo achá-los. Hoje eu acordei com uma sensação ruim, mas deve ser nervosismo.
— Já faz três meses que eles se foram, certo?
— Mais ou menos isso...
— Então significa que faz três meses que a Senhora não dorme direito. Acha que não notei suas olheiras, a alimentação ruim e o alto consumo de café? A Senhora deveria descansar um pouco. Toda essa preocupação não ajuda em muita coisa.
— Você está certa... Acho que vou voltar para casa na hora do almoço e comer algo decente. E tenho duas coisas para você fazer.
Assim que ela disse isso, eu arrumei minha postura e fiquei a espera de suas ordens.
— Primeiro – ela começou – Pare com toda essa formalidade e de me chamar de senhora quando estivermos a sós. – ela se levantou e veio até mim, balançando meus ombros — Você já é praticamente da família, me incomoda ver toda essa postura séria.
— Desculpe... – falei constrangida.
— Não precisa se desculpar. Gajeel as vezes me chama de tia, você pode me chamar pelo nome quando estivermos a sós. Tudo bem?
— Tudo bem, Sarah.
— Ótimo! A segunda coisa que quero que faça é que dê uma observada nas meninas, Juvia e Kana. Certifique-se que elas estão bem.
— Certo. Mais alguma coisa?
— Não, dispensada. Vou tirar algumas horas de folga...
— Aproveite bem, Sarah.
— Pensando melhor, não sou a única que merece uma folga. Não precisa vir aqui amanhã. E hoje, assim que terminar a tarefa que lhe pedi, estará dispensada. Terá folga também!
— Mas...
— Sem mas! Você também merece uma pausa. Está dispensada por hoje.
— Certo... Tenha um bom dia.
— Você também, Lucy!
Saí da sala dela indo em direção ao estacionamento. Peguei meu próprio carro já que deveria passar despercebida. Amanhã teria um dia de folga, o que eu poderia fazer? Gostaria de aproveitar meu dia, e passar ele dormindo e comendo não me parecia um bom jeito de aproveitá-lo.
Dirigia calmamente pelas ruas de Magnólia. Passei pela casa de Juvia e pude ver que ela estava aparentemente bem. Usava o uniforme da escola, uma saia não muito curta nem tão comprida. Depois de ver que ela estava bem segui caminho. Virei na rua onde se encontrava a lanchonete e bar de Kana Alberona. Ela estava logo na entrada, colocando mesas para fora e as limpando. Usava uma blusa que ficava acima do umbigo, e um shorts jeans. Realçando suas curvas.
— Bem, ela pode usar essas coisas, Lucy. Tem apenas dezessete anos, é jovem, e ainda tem curvas femininas. Não é você que tem o abdômen quase trincado por conta das artes marciais, que faz com que os homens fujam, vinte e cinco anos, solteira.
Respirei fundo passando reto pela lanchonete, me perguntando quando foi que eu comecei a me sentir tão velha. Meu celular toca, me tirando dos meus pensamentos. Vejo que é uma ligação da minha melhor amiga. Recuso a ligação porém logo em seguida ela tornou a ligar. Essa ruiva é muito insistente. Atendi rapidamente quando parei em um trecho com uma leve lentidão apenas para dizer que não poderia atender.
— Erza, não posso conversar agora. Estou trabalhando e estou no trânsito — Porém, antes que eu pudesse desligar, Erza me disse algo que me deixou preocupada.
— Lucy, eu preciso que venha aqui urgentemente! A Wendy—
— Estou indo agora mesmo! — A interrompi e desliguei em seguida.
Wendy era minha sobrinha, afilhada, e a coisa mais linda e fofa da minha vida. Quer dizer, ao menos seria em breve. Erza estava grávida de pouco mais de 8 meses, então qualquer coisa relacionada à gravidez me deixava extremamente eufórica e preocupada. Não é como se eu me tornasse irracional e impulsiva, querendo fazer de tudo. Mas é que Erza era muitas vezes irracional e impulsiva, e isso me preocupava. Tirei a pequena sirene que guardava no porta luvas, liguei-a no carro e aos poucos os outros veículos foram dando passagem. Exceto por um. Era um carro bem… excêntrico, pra não dizer estranho. Na verdade, era uma verdadeira banheira. Não estava mal cuidado, mas convenhamos: um fusca laranja metálico com adesivo de chamas escrito “Come On!” na traseira não é algo que se vê todo dia. O carro ao seu lado me deu passagem e finalmente pude seguir até a casa da Erza. Dei uma espiada no retrovisor e vi vagamente uma cabeleira rosada que me parecia familiar, mas ignorei e segui meu caminho.
Chegando lá, mal encostei e já fui desligando tudo e entrando na casa. Assim que cheguei no quarto me surpreendi com a cena.
— Lucy, você chegou rápido! — disse uma Erza totalmente nua, barriguda, que se esticava pra pegar algo na prateleira de cima do guarda roupas.
— Mas… que…?
— Tudo bem com você? – ela disse me mandando um sorriso.
— O que houve com a Wendy, Erza? — perguntei sem entender nada.
— Oh, nada demais. Firme e forte, ainda me fazendo querer comer o mundo.
— E eu posso saber por qual motivo você está se esticando assim com essa barriga?!
— Lembrei que escondi uma caixona cheia de chocolates aqui em cima. Opa! Achei!
— E porque está nua?! — me exaltei um pouco.
— Está calor, mulher! — ela disse um tanto indignada, abrindo a caixa e comendo um bombom.
Em seguida, Jellal, seu marido, passa pela porta do quarto.
— Bom dia, Lucy. Bom dia, meu amor. Está sempre gostosa, mesmo com esse barrigão — disse na maior naturalidade do universo, seguindo adiante no corredor.
— Todo mundo te vê pelada nessa casa, não é? – perguntei.
— Todo mundo me vê pelada nessa casa! — falou com orgulho.
Algumas horas depois eu ainda estava na casa da Erza. Resolvi ficar lá pelo resto do meu dia, afinal não tinha mais o que fazer. Foi bom para colocarmos o papo em dia. Erza me falava dos dilemas de ser quase mãe e eu ficava babando com cada nova história. Com certeza vou ser a tia mais babona da face da terra. Percebi que era quase seis e meia da tarde. Eu estava preparada para ir pra casa quando Erza me solta uma pérola.
— Já está tarde. Hora de tomar banho, pois hoje nós vamos para a Blue Pegasus!
— O que? Blue Pegasus? A balada Blue Pegasus perto da minha casa? Você está louca?!
— Vamos lá, sem drama. Eu estou cansada de ficar em casa sem fazer nada. E eu bem sei que você não transa tem alguns meses, bebê. Hora de passar a vassoura e tirar as teias de aranha dessa gruta!
— Você consegue ser bem inconveniente quando quer.
— Obrigada. Agora vai pro banho que eu vou logo em seguida.
— Não inventa Erza. Você não pode sair com essa barriga de alien!
— Relaxa Lucy. Confia em mim. Enquanto minha alienzinha estiver aqui dentro, não tem problema nenhum! E se você não vai pro banho agora, eu vou! — e seguiu para o banheiro do quarto.
Enquanto Erza tomava banho, me peguei pensando no que ela disse. Realmente era verdade, já fazia uns meses que eu não transava mesmo. Eu nunca me importei muito com isso, mas ver a energia jovem de Kana fez eu me sentir velha, e quando a Erza falou, aquilo me cutucou um pouco. Fez eu me sentir encalhada. Ainda mais depois da conversa de mais cedo, sobre o conhecimento divino das posições sexuais confortáveis para transar na gravidez. Me senti iluminada. E por mais que eu estivesse relutante, não seria má idéia arrumar um homem só por uma noite. Eu estava precisando me soltar um pouco.
Erza voltou do banho. Sem usar ao menos uma toalha, que fique claro.
— Anda logo, pode entrar.
— Eu não sei, Erza… Não quero que você corra o risco de se machucar ou machucar a Wendy.
— Olha, se eu, gravidíssima, com uma barriga maior que uma melancia, ainda tenho aquele pênis maravilhoso de 20cm entrando em mim, não é uma noite de farra que vai acabar comigo.
— Sério, você é extremamente inconveniente!
— E, além do mais, é entrada franca pra nós. Ajudei o dono da balada com um BO judicial um tempo atrás e ele está me devendo um favor.
— Parece que dá pra conseguir muitos benefícios sendo uma advogada de sucesso. O que diabos eu ainda estou fazendo na polícia? – perguntei para mim mesma.
— E então, vamos? — mesmo relutante, decidi aceitar.
— Tudo bem, vamos! — e então fui pro banheiro
Não deu nem um minuto de chuveiro ligado e a Erza veio ser inconveniente novamente
— Esqueci de te falar. Tem uma gilete extra na prateleira de cima do box pra fazer a limpa na “Amandinha” para o homem que você vai arrumar hoje a noite!
— Pare de dar nome para as minhas partes intimas, Erza! — respondi toda envergonhada.
Um tempo depois, Erza usava um vestido preto que chegava até seus joelhos e um salto baixinho combinando. Mesmo que seja baixo, ela é louca de usar salto com aquela barriga. Já eu estava usando um vestido mais curto, com toques de preto e vermelho. Erza insistiu muito para que eu o usasse com o pretexto de que é o equilíbrio perfeito entre “classudo” e “piranhona”. Pegamos meu carro e fomos para a Blue Pegasus. A balada gay mais requisitada de Magnólia. O que me fez lembrar de um detalhe.
— Se estamos indo para uma balada gay, como quer arrumar um homem para mim?
— Balada gay é o melhor lugar para se achar caras Bi, que conhecem o melhor dos dois mundos e sabem fazer um ótimo oral. Você vai ver! Homens bi sabem chupar divinamente.
— E como você sabe disso? Perdeu sua virgindade com o Jellal e está com ele até hoje!
— Eu tenho meus contatos, bebê. Confia em mim, mamãe sabe o que está dizendo.
— Deixando claro que quando minha afilhada nascer, não vou deixar você transmitir suas inconveniências para ela! Eu vou educar a Wendy.
— Querida, ela vai sair pela minha vagina. Ela já vai nascer inconveniente. Inconveniência é questão de genética nessa família!
— Ai meu Deus, Erza! Por que eu ando com você?!
— Por que você me ama!
Assim que chegamos à balada, passamos por toda a fila que havia do lado de fora chegando até o segurança, que barrou a gente dizendo que teríamos que ir para o final da fila. Erza respirou fundo e tirou da carteira um cartão VIP dourado, com a imagem de Ichiya e os dizeres: Erza Scarlet, Advogada.
— Senhorita Scarlet! Desculpe o incomodo. Por favor, entre. – disse o segurança dando passagem.
— Ela está comigo. Venha, Lucy. – falou Erza pegando na minha mão e entrando.
A balada estava bem agitada. A música era contagiante. E o bom de balada gay, é que a música era realmente contagiante. E não música de sofrência hétero.
— O que você vai beber, Lucy? – perguntou Erza no meu ouvido.
— Por enquanto vou ficar sóbria, obrigada.
— Certo... — Erza olhou na direção do jovem bartender e foi abrindo caminho na pequena multidão no balcão — Licença, bebê à bordo!
— Desculpe, moça — disse uma voz familiar que deu passagem pra nós. Não demorou muito pra que essa mesma voz se dirigisse a mim — ...Michele?
— Hm…? — me perguntei brevemente de onde conhecia essa voz.
— Oh Michele! — olhei e me deparei com alguém que até recentemente eu via com certa frequência.
— Natsu! Oi, como vai?
— Me recuperando aos poucos, pra ser sincero. Estou um pouco enjoado. – disse dando uma risada.
— Mas que tipo de professor já está bêbado a essa hora? – falei tirando sarro.
Natsu era professor de história na escola em que eu trabalhei disfarçada junto com Gajeel.
— Na verdade eu— — começou Natsu, mas foi interrompido por Erza.
— Lucy, vem beber logo!
— Lucy…? – ele perguntou confuso.
Obrigada por estragar meu disfarce, Erza. Minha cara de tacho foi evidente quando Natsu se perguntou sobre meu verdadeiro nome.
— Sim, Lucy. – respondeu Erza – Minha amiga solteira e gatíssima! – ela disse apontando para mim como se eu fosse un peixe a ser vendido.
— Ern… eu te explico sobre isso em outra ocasião, tudo bem? – respondi – Já volto!
Fui até o balcão com a Erza sem saber o que fazer. Aquela louca tinha transformado meu disfarce em migalhas em menos de 5 segundos. Enquanto pensava à respeito, Erza tentava descolar bebida grátis pra gente.
— Hey, Eve! Você vai fazer o coquetel mais alcoólico que tiver no menu para mim e para minha amiga aqui!
— Oi? Eu vou? — disse o bartender envergonhado.
Eve parecia ter menos de dezoito anos, loiro e bem andrógeno. Uma graça.
— Ah, vai sim. – disse Erza — Ichiya me deve um favor por causa daquele problema com a balada!
Erza se referia a uma vez em que Ichiya, dono da Blue Pegasus, foi acusado de distribuir lança perfume para menores na sua balada. Eram falsas acusações em que os envolvidos diziam que ele se aproximava de meninas menores perguntando se “elas queriam ‘parfum’ ”. No fim, Erza conseguiu provar no tribunal que era apenas uma estratégia para fechar a balada de Ichiya com intuito de transformá-la em outra chamada Tartaros, porém hétero. Como Ichiya não tinha condições financeiras decentes na época, Erza fez um trato com ele devido sua amizade: o trabalho seria de graça, mas ela teria passe livre e consuma livre, e o mesmo para os seus convidados, como quitamento da divida.
— Ahn… eu preciso falar com o Ichiya antes, Erza… — disse o bartender Eve.
— Não precisa e nem dá tempo, estou com pressa!
— M-mas você está grávida, não pode beber álcool — Eve disse relutante.
— Detalhes. Eu me viro com isso! Agora anda logo, rapaz
— T-tudo bem… — era possível ver a agonia nos olhos do garoto. – Aqui está Erza, é a especialidade da casa.
— Valeu, Eve — Erza disse depois de pegar as duas doses. Aparentemente era uma bebida muito forte que levava o nome da casa, “Blue Pegasus”. Uma mistura de Absinto com Askov de blueberry e duas folhas de hortelã em cima, parecendo um par de asas.
Ela me levou pra lateral do balcão e ficou observando Natsu.
— Será que ele é gay? – perguntou Erza.
— Se é, nunca aparentou lá na escola.
— O cabelo dele é rosa. Que hétero tem o cabelo colorido?
— Seu marido tem o cabelo azul!
— Beleza, vou perguntar.
— O que—
— Hey! Do cabelo rosa! – disse Erza acenando e chamando-o para perto de nós.
— Oi... – ele disse quando se aproximou.
— Então você é professor, não é?
— Bem, sim. Me chamo Natsu Dragneel, muito prazer.
— O prazer é todo meu. – ela disse aceitando o aperto de mão de Natsu. – É professor de que, Natsu?
— Eu sou professor de história na escola em que a Michele trabalhava. Não… é Lucy, certo?
— Isso — eu disse sorrindo — É meu verdadeiro nome.
— Desculpe, estou confuso! Hahaha.
Ri e notei Erza fazendo algum sinal para Eve.
— É uma longa história. Não se preocupe, eu ainda te explico sobre algum dia — respondi sorrindo.
— Que fofos. – disse Erza se intrometendo mais uma vez. – Mas a pergunta que não quer calar Natsu, você prefere banana ou morango?
— O que? – ele disse surpreso.
— Erza! Isso é pergunta que se faça?!
— Bebê, só perguntando que você descobre se ele prefere só um ou os dois!
— Me desculpe! – falei para Natsu. Aparentemente ele estava tão envergonhado quanto eu. – Não precisa responder isso.
— Tudo bem – ele disse rindo sem graça – Tirando a dúvida de vocês, eu prefiro um.
Ah... Ele é gay...
— Morango. – ele disse ficando tão rosa quanto seu cabelo.
— Você é hétero?! – berrou Erza – Então tomem aqui! – disse ela dando uma dose para ele e outra para mim – Não desperdicem, foi de graça!
— Eu não quero, obrigado. Ainda estou me recuperando de um enjôo, vou deixar pra depois.
— Nada disso, vamos logo! Vocês precisam beber no meu lugar porque estou grávida e se não beberem minha filha vai nascer com cara de quem queria beber mas não tinha amigos lindos e legais pra dar um empurrãozinho.
Tomamos nossa dose de Blue Pegasus e assim que terminamos Erza nos aguardava com outra dose.
— Eve, você vai servir esses dois até que eles comecem a se pegar!
Eu e Natsu nos encaramos envergonhados e tomamos mais uma dose. Erza saiu de perto, porem eu sentia que estava sendo observada. Ficamos conversando por um bom tempo. Eve seguiu as ordens de Erza e assim que terminávamos uma dose, outra já estava servida.
— Sério – disse Natsu rindo – Eu aparento tanto assim ser gay? Por que a surpresa da sua amiga?
— É por causa do ambiente.
— Ah, sim. Fazia um tempo que eu não vinha para baladas, e me surpreendi quando vi tantos LGBT’s aqui. As baladas melhoraram bastante desde da minha ultima vez em uma. Até a música está mais agradável.
— Natsu... – chamei-o e ele me olhou sorrindo – Sabe por que tem tantos LGBT’s aqui?
— Representatividade?
— Aqui é uma balada LGBT!
Seu sorriso sumiu por um tempo e a ficha parecia finalmente ter caído. Ele olhou ao redor e chegou a conclusão que provavelmente era o homem mais hétero ali.
— Bem... Isso explica muito coisa! – ele disse caindo na gargalhada.
— Você não sabia? – falei rindo com ele.
— Não! Hahaha! Eu estava querendo sair havia um tempo. Porque, convenhamos, sou professor e isso não é nenhum atrativo para as mulheres. Quando falo da minha profissão muitas se desinteressam. Até que decidi me dedicar na minha profissão e aos meus alunos. Porém recentemente notei que todos os meus amigos estavam tendo uma vida amorosa plena e feliz e eu estava ficando para trás. E essa semana escutei umas alunas minhas comentarem sobre esse lugar e que havia muitas mulheres interessantes que o frequentavam, e resolvi vir.
— Bem, para começar, suas alunas são lésbicas. – rimos e tomamos mais uma dose – E bem, eu entendo você. Meus amigos também estão me deixando para trás. Até meu colega de trabalho, que eu achei que seria a ultima pessoa a ter um relacionamento, está em um.
— A propósito, por que Michele? Você não é fugitiva da polícia, ou é? Por que você é uma mulher muito divertida e bonita e seria um desperdiço se fosse uma criminosa!
Ambos coramos e disfarçamos o constrangimento com mais uma dose.
— Na verdade eu sou a própria polícia.
— Você é policial? – ele perguntou surpreso.
— Sim. Na escola eu estava fazendo um trabalho disfarçada. Não posso te dar os detalhes sobre, mas a verdade é que me chamo Lucy Heartfilia e sou uma policial que também preferiu dedicar seu tempo à profissão ao invés de relacionamentos.
— Bem, deve ter sido difícil para você. Muitos homens não respeitam quando a mulher não está a fim de relacionamentos.
— Na verdade, muitos homens não se interessam por mim. – ele me olhou confuso e eu continuei – Ao que parece não sou feminina o suficiente. Sabe, sei lutar varias artes marciais por conta do trabalho. E não ligo muito para estética. Não que eu não seja vaidosa! Eu sou, mas não o suficiente para agradar os homens.
— Bem, sendo homem, e com certeza hétero – ele disse rindo e pegando na minha mão – Devo lhe dizer que esses caras são uns idiotas.
Ficamos nos encarando ao que parece por longos minutos. Natsu parecia ser uma pessoa doce e amável. Ele sorria para mim de uma forma tão encantadora que fiquei tentada a beijá-lo. E assim o fiz. Como o peguei de surpresa, o beijo começou calmo. Mas logo Natsu segurou em minha nuca e me puxou mais para si. Em nossa conversa, notei que ele não estava forçando um flerte, era do seu natural ser simpático, e muitas vezes tímido. Então cheguei a conclusão de que ele não era muito bom com mulheres. Porém, ao beijá-lo, ao sentir suas mãos apertando minha nuca e segurando firmemente minha cintura, tive a certeza de que eu estava enganada. Natsu era muito mais que um homem doce e amável.
Nos afastamos em busca de ar e eu fiquei impressionada, me perguntando se eu havia realmente beijado o mesmo homem com quem fiquei conversando nos últimos minutos. E Natsu parecia levemente envergonhado. Nos encaramos por mais alguns segundos até que Natsu quebrou o silêncio.
— Oi – ele disse rindo.
— Oi – respondi rindo junto com ele.
Conversamos por mais um tempo e descobri que ele tinha um carro mas odiava dirigir por ser muito fraco a transportes e só o usava por conveniência. Era esse o motivo do dito enjôo de mais cedo. E ele morava a poucas quadras de mim. Erza passou pela gente e mexeu na minha bolsa por alguns segundos, sumindo novamente. Como não falou nada, não lhe dei muita atenção e continuei a observar Natsu falando. Em algum momento nossas mãos voltaram a se entrelaçar, e assim ficamos.
— Então seu gato é pervertido? Hahaha
— Estou te falando! Ele saiu correndo pela porta do meu apartamento e escalou a vizinha até chegar ao decote dela. E para tirar ele de lá? Foi uma briga! Por que se ela tentava, ele ameaçava mordê-la, e se eu tentava ela me batia por que eu tinha que literalmente enfiar minha mão no meio dos seios dela! Foi muito constrangedor. Fiquei um mês evitando pegar o mesmo elevador que ela.
— Hahaha Isso é hilário! E o seu cabelo rosa? Sabe, isso dificultou um pouco para descobrir se você era hétero ou não.
— Ah isso foi um acidente que deu certo, na verdade. Foi a uns anos atrás. Meu cabelo é naturalmente castanho claro, e um dia fui tentar pintar ele de vermelho. Só que errei na água oxigenada e ele ficou rosa! Eu não trabalhava ainda, e não tinha dinheiro sobrando para comprar uma nova tinta. Por coincidência do destino, naquela semana eu tinha minha entrevista de emprego para o Colégio. Fui com ele rosa mesmo e fui contratado por conta da minha excentricidade. Rosa se tornou minha cor da sorte e no final acabei gostando de como ficou em mim. Faz tanto tempo que tenho o cabelo dessa cor, que não me vejo de outro jeito!
— Hahaha Natsu, você é tão fofo!
— Nossa, que elogio repentino... – ele disse rindo sem graça.
— Não gosta de receber elogios?
— Não sei bem como reagir a eles, na verdade...
— Não importa muito como reaja, só precisa reagir! — respondi com um sorriso malicioso.
Estava pronta para dar outro beijo nele, até que fui interrompida pelo bartender.
— Desculpa atrapalhar vocês – disse Eve timidamente — Mas é que eu vi que vocês se pegaram mais cedo. Devo parar com as doses?
Nos encaramos e rimos novamente.
— Sabe, eu estou bêbado o suficiente para não me sentir envergonhado por estar flertando com uma mulher extremamente bonita. Então para mim já chega!
— Hahaha! E eu estou bêbada o suficiente para rir de tudo! Hahaha. Obrigada pela atenção Eve, mas pode parar.
— Tudo bem, vou dar a saideira para vocês então.
Assim que Eve nos serviu, brindamos nossos copos e bebemos de uma vez. Aquela ultima dose parece que acendeu um fogo interno. Ou foi o jeito sedutor que Natsu me encarava? Antes que eu pudesse tomar uma atitude, Natsu o fez e agarrou minha cintura encostando seu corpo no meu e minhas costas no balcão do bar.
No começo fiquei sem ar, devido ao jeito fogoso com que ele me beijava. Mas logo me recuperei e correspondi aquele beijo com a mesma intensidade. Natsu não ultrapassava o limite, e não descia sua mão de minha cintura. Então eu mesma a peguei e a direcionei para a minha bunda. Onde sem hesitação ele apertou, o que me fez ofegar.
— Natsu… — falei em meio aos beijos – Gostaria de ir pra minha casa?
Ele se afastou, mas sem desgrudar nossos corpos.
— Seria um prazer, Lucy – ele disse sorrindo maliciosamente.
Segurei em sua mão e saímos daquele lugar. Nos aproximamos de onde deveria estar meu carro, porém ele não se encontrava em lugar nenhum.
— Que droga, não acredito que fui roubada!
— Acho que sua amiga foi embora com ele. Vi ela pegando umas chaves da sua bolsa.
— Ai, Erza... – falei procurando por minhas chaves que realmente não se encontravam ali.
— Tudo bem Lu, podemos ir no meu carro.
Senhor ele me chamou de Lu! Quero ouvir isso a noite toda. Natsu me pegou pela mão e fomos até seu carro. Que para a minha surpresa era um fusca laranja metálico com adesivo de chamas escrito “Come On!” na traseira.
— Então era você que não me deu passagem hoje!
— Eu? – ele perguntou destravando o carro.
— Sim! Eu passei de carro com a sirene ligada hoje e você não me deu passagem.
— Ah, era você! Bem, você poderia cancelar a minha multa? – ele perguntou rindo.
— Só se você me deixar dirigir!
— Fique a vontade. – ele disse abrindo a porta do carro para mim.
No caminho até minha casa, que não durou nem cinco minutos, Natsu ficou extremamente enjoado. Até pensei que a noite estava perdida. Porém, assim que saímos do carro e eu fui abrir a porta de casa, Natsu me agarrou por trás com força e começou a beijar e mordiscar meu pescoço. Tive dificuldade em trancar a porta, e assim que consegui trancar as chaves e os saltos já foram logo jogados em algum lugar da casa. Natsu havia me tirado do chão e eu entrelacei minhas pernas em sua cintura.
Nos beijávamos com intensidade, fogo e desejo. No caminho até meu quarto, Natsu me sentou em cima de uma bancada e apoiou as mãos na parede.
— Ai! – ele disse se afastando.
— O que foi?
— Tem alguma coisa aqui. – ao passar a mão por de baixo do espelho, ele achou a faca que eu mantinha escondida.
— Desculpe – falei rindo – Se machucou?
— Não, mas... Fica parada.
Natsu então passou a faca pelas minhas costas, rasgando o vestido. Ele deslizou suavemente pelos meus ombros, seios, e caindo no chão.
— Bem melhor – ele disse sorrindo maliciosamente e voltando a me beijar.
Não me importei com o vestido da Erza rasgado. Eu queria que ele me possuísse com todo esse fogo com que me beijava. Ele tirou meu sutiã e eu puxei seu corpo para mais perto. Pude sentir seu volume por cima da minha calcinha, e agradeci mentalmente Erza por me convencer a colocar uma calcinha sexy.
Natsu me tirou de cima da bancada e no caminho até meu quarto, ele foi perdendo sua blusa e a calça já se encontrava desabotoada. Ele me jogou na cama com força e foi descendo a calça.
— Lucy, você é muito gostosa dessa visão – ele disse subindo em cima de mim.
Natsu estava pegando fogo. Beijava meu pescoço e ombros com muito desejo. O olhar dele sobre mim era tão penetrante que me deixou realmente excitada. Ele passou a mão por debaixo do meu travesseiro e se afastou após pegar o objeto lá encontrado.
— Uma arma? – ele perguntou surpreso.
— É... – falei apreensiva, talvez isso fosse um balde de água fria na noite.
— Sabe, eu espero de verdade dormir com você hoje. Quero poder ter o orgulho de dizer que dormir com uma mulher tão foda que tem uma arma debaixo do travesseiro.
— Hahaha, cuidado com isso, garanhão! Me dê aqui. – falei pegando minha pistola e passando o cano gelado em seu pescoço.
Encostei a arma em sua boca e o beijei. Misturando a saliva com um leve gosto de ferro.
— Por favor, diz que você tem algemas guardadas nessa escrivaninha... – ele disse rouco.
— Hoje não. Mas se você fizer direitinho, deixo você me algemar... Um dia. – falei rindo e botando a arma embaixo da cama. — Agora Natsu… Venha de uma vez…! – implorei ao meio de um gemido.
Suas mãos percorreram minhas coxas me fazendo gemer baixinho. Seu toque era realmente magnetizante. Retribuí suas carícias com minhas mãos em suas costas, arranhando-as apenas para ouvir Natsu gemer. Continuamos prosseguindo com caricias fortes, ambos ficando mais excitados do que nunca.
Ele passou a traçar um caminho pelo meu corpo com seus beijos e mordidas, passando pelos meus ombros, meus seios, meu ventre, indo cada vez mais baixo. Ele dava tantos chupões que eu tinha certeza que ficaria toda roxa. Abri as pernas involuntariamente e agarrei o lençol, aguardando aos suspiros o que estava por vir. Quando Natsu chegou próximo de minha intimidade eu já estava ficando louca de excitação esperando por sua boca.
Ele agarrou minhas coxas, se aproximou ainda mais e então deu uma lambida por cima da minha calcinha, arrancando um alto gemido de mim. Esse foi o início do meu prazer e também da minha sina. Ao ouvir meu gemido, Natsu sorriu maliciosamente e subiu suas mãos por meu corpo, arrepiando ele por completo. Ele agarrou meus seios enquanto distribuía beijos lentos por minha barriga. Apertou meus mamilos de leve, me fazendo gemer novamente. Outra vez ele sorriu. Era como se o Natsu tivesse se tornado um sádico que sentia mais prazer toda vez que me ouvia gemer. E eu sabia que aquilo não era nada. Uma noite selvagem estava por vir, e eu estava pronta para me entregar aos prazeres dela.
Me levantei rapidamente e me joguei em cima dele. Rocei minha virilha em seu membro sentindo o quanto ele estava excitado. Sem demora, retirei a roupa de baixo do Natsu, jogando-a em um canto qualquer. Toquei seu membro ereto e cheio de excitação com minha mão. Reparei que Natsu agarrou o lençol, ansiando por minha boca nele. Usei minhas duas mãos para acariciá-lo, provocando-o e o deixando ainda mais excitado. Não demorou muito até que eu mesma desistisse de brincar e decidisse partir logo pro serviço. Eu queria senti-lo em minha boca, provar da sua excitação, fazê-lo se derramar. Lambi desde a base do seu pênis até a ponta, colocando-o na boca em seguida. Comecei com movimentos suaves de vai e vem enquanto acariciava sua barriga com as unhas e ouvia-o gemer alto. Acho que havia sido contagiada por ele, pois cada gemido me deixava mais molhada. Presenteei-lhe em seguida com uma espanhola que o fez se curvar pra trás.
— Ahn... Lu...
Resolvi então aumentar o nível de prazer e o chupei com mais vontade. Fui com minha boca até a base com dificuldade e voltei à ponta, repetindo o processo algumas vezes. Natsu agarrou meus cabelos fortemente, fazendo eu ir mais fundo. Alguns minutos depois o senti ficando mais tenso. Não demorou até que se derramasse. Eu nunca havia feito alguém gozar ainda durante o oral e devo admitir que é muito bom sentir o líquido quente na boca.
Ouvi meu celular vibrar na bolsa devido a uma mensagem, que eu com certeza não estava disposta a ler tão cedo. Sem demora, Natsu me afastou e me deitou na cama. Em um súbito pico de energia ele rasga minha calcinha e a joga para longe.
— N-Nats— tentei falar algo, mas ele me calou com um beijo voraz.
Afastamo-nos quando perdemos o fôlego. Com força, ele me agarrou na cintura e me puxou para seu encontro, me fazendo sentir seu membro ainda pulsando sobre minha intimidade extremamente excitada. Então passou a brincar comigo, roçando muito lentamente, arrancando gemidos e suspiros profundos. Eu mexia meus quadris em sua direção, implorando para que ele me penetrasse de uma vez, mas ele estava sádico demais. Quando decidi agarrar seu membro, ele segurou meus braços com força e os levantou acima da minha cabeça, me impedindo de acabar com aquela tortura. Isso foi crueldade demais.
— N-Natsu... Lembre-se das algemas... — falei tentando não gemer, sem sucesso.
— Se me quer tanto… — Ele disse se aproximando do meu ouvido — vai ter que me implorar com jeitinho…
— Ahn… N… — me calou com um beijo
Eu nunca fui muito submissa no sexo, mas esse cara... Ele me deixava louca! Naquele momento eu estava totalmente entregue. Tudo que eu queria era sentir ele me possuindo com tudo.
— Natsu... Me torne sua... Agora mesmo!
Não deu pra segurar o volume do gemido seguinte. Natsu me atravessou com força, balançando a cama com o impacto, me fazendo soltar junto dele os gemidos mais gostosos da noite. Não tive tempo de me recompor, pois ele começou as estocadas logo em seguida. Ele me fazia gemer alto cada vez que acertava minha intimidade, fazendo meus olhos lacrimejarem de tanto prazer. Por um breve momento imaginei o que minha chefe pensaria de mim. Uma policial exemplar, enlouquecendo daquela forma por estar com os braços presos enquanto era possuída com selvageria.
O prazer só aumentava junto do ritmo, até que me contorci e cheguei no meu ápice, sem poder ter um segundo sequer de descanso. Percebendo que me fez gozar tão rápido e sem esforço, Natsu soltou meus braços e me virou de lado. Levantou minha perna esquerda e voltou com as fortes estocadas que tornavam minha noite maravilhosa. Eu estava quase tendo o segundo orgasmo da noite quando Natsu resolveu me colocar de quatro na cama. Eu nunca havia sentido tanto prazer, mas ainda não era o bastante. Quando a gente prova do melhor doce sempre queremos mais, não é?
— Natsu... Me bate...! — implorei agarrando o travesseiro. Natsu acatou meu pedido com uma palmada, arrancando um leve suspiro de susto. Deus, como era bom! — … Haah… mais forte... Mais forte! — senti minha bunda ardendo conforme Natsu batia com cada vez mais força.
Ele apertou minha cintura com força, com certeza deixando marcas. Gozei novamente e senti minhas pernas fracas. Novamente mudamos de posição, ficando de frente um para o outro. As estocadas ficavam cada vez mais fortes, deixando minha mente em branco. Perdi a noção do tempo que gastamos enquanto Natsu me penetrava e apertava meu pescoço, arrancando sorrisos e gemidos de puro prazer. Um bom tempo depois eu estava no meu limite e senti Natsu ficando mais duro dentro de mim. Me derramei por completo e, por alguns segundos podia jurar que não sentia minhas pernas. Logo em seguida senti que ele também havia chegado ao seu limite, se derramando dentro de mim. O ritmo frenético então decaiu rapidamente enquanto ambos estávamos completamente extasiados e suados. Meu corpo estava leve como uma pluma e fraco demais para que eu me levantasse. Nosso prazer foi tanto que acabamos por desmaiar na minha cama logo em seguida.
O despertador tocou. Tentei me erguer para desligá-lo mas estava com uma preguiça bem chata e ao mesmo tempo gostosa naquela manhã. Minhas pernas estavam um pouco fracas. Quando consegui me esticar depois de muito esforço desliguei-o. Maldito seja o momento em que esqueci de desligar o despertador quando soube que teria o dia de folga. Percebi em seguida que minha folga não era a única coisa diferente naquele dia. Minha cama, usualmente tão espaçosa, abrigava outro corpo naquela manhã. Minha mente tinha acabado de despertar e ainda estava funcionando a base de manivela, mas eu sabia bem quem era aquele homem. Natsu Dragneel. Vários flashes passaram na minha cabeça, me fazendo lembrar-me dos detalhes da noite anterior. Não pude conter uma mordida nos lábios ao recordar, foi realmente a melhor transa de todos os tempos. Rolei e me aproximei de Natsu. Fechei os olhos em um sorriso bobo e me surpreendi quando ele fez o mesmo gesto de se rolar ao meu encontro, me deixando com o rosto no peitoral nu dele.
— Seu cabelo tem um cheiro bom, Lu. Não tinha reparado antes porque estávamos ocupados.
— Não diga isso! — falei encabulada.
— O que foi?
— O jeito que você falou foi constrangedor, palerma.
— Não mais do que “Natisuuu, me bate!” — ele disse imitando de forma escrachada minha voz.
— Ai, idiota! — me sentei completamente vermelha
— Aaaahh, vem cá, Lu! — me desvencilhei do abraço e acabei caindo da cama — Lu, você tá legal?! – perguntou preocupado.
— Eu estou — disse com minha pistola na mão e um olhar sombrio — Você eu não garanto — Natsu engoliu seco pelo susto.
— Eu ficaria mais relaxado se você guardasse essa arma... Haha… ha…
Segurei o pênis dele com força, prestes a começar a esmagar.
— É o seguinte, professor: nós não nos protegemos de maneira alguma ontem, mas eu tomo anticoncepcional. Porém, se você me passou alguma doença, eu juro que dou um tiro no seu lindo amigão.
— Não tenho doenças. — disse Natsu com um fio de voz.
— É bom mesmo — soltei o pênis dele e notei que estava com indícios de que ficaria ereto, então me agachei e dei uma lambida, arrancando um gemido surpreso de Natsu.
Respirei fundo, guardei a arma na gaveta e voltei para a cama, tendo de me apoiar nela devido as minhas pernas estarem fracas. Ficamos alguns minutos em silêncio, até que decidi quebrar o gelo
— Do que você lembra da nossa noite, Natsu?
— Deixa eu ver... Eu rasguei seu vestido com uma faca na bancada da sala, brincamos com a arma, depois você mandou ver. Aliás, mandou muito bem. Então eu mandei ver. E então nós mandamos ver. Acho que de basicamente tudo.
— Foi gostoso — eu disse no embalo da conversa — Digo… Você é muito bom…
— Ah… Obrigado! Hahaha — ele sorriu sem graça.
— Eu vou tomar banho. Me espere aqui.
Assim que entrei no banheiro Natsu me chamou
— Lu!
— Oi — falei aparecendo na porta do quarto.
— Obrigado por dizer que o “Jorge” é lindo! — disse sorrindo maliciosamente. Peguei a primeira coisa que estava ao meu alcance e joguei nele.
Que por coincidência era a minha faca. Mas ela passou reto por sua cabeça caindo no chão. Natsu me olhou assustado, porém havia um pequeno sorriso querendo aparecer em seu rosto.
Após tomar meu banho, foi a vez de Natsu. Enquanto me trocava e procurava algo casual, peguei meu celular e vi uma mensagem de Erza.
"Espero que você tenha trepado gostoso e que o professor saiba fazer historia com a “Amandinha”! Não precisa agradecer, sei que sou uma amiga maravilhosa. Eu e Wendy estamos bem. A propósito, aranhei a porta do seu carro, mas não se preocupe que você paga depois. Beijos, te amo."
— Maldita... Me abandona na balada e ainda aranha meu carro! — pensei enquanto mandava uma resposta.
"Sim, ele soube fazer história com ela. E como soube. Seu vestido já era, então estamos quites. Se cuida."
Eu havia acabado de enviar a mensagem quando meu celular toca. Era Sarah me ligando.
— Bom dia, Chefe. Algum problema?
— Lucy... Não teremos folga hoje. Preciso de você aqui imediatamente.
— Chegarei o mais rápido que puder! – falei correndo até o guarda roupa para pegar meu uniforme – Qual o problema?!
Sarah ficou tão muda ao telefone que até pensei que havia desligado.
— Sarah?
— Eles os acharam.
Eu estaquei enquanto Sarah relatava a ligação que havia recebido. E parece que o Encosto do Gajeel estava com grandes problemas. Natsu saiu do banho vestindo as mesmas roupas de ontem. E eu terminava de passar o cinto na minha calça.
— Pensei que estava de folga, Lu. Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou preocupado.
— Sim! Um problemão! Desculpe Natsu, queria poder ter uma manhã pós sexo mais divertida!
— Uma manhã pós sexo com mais sexo? – ele disse sorrindo divertido.
— Muito engraçado você! — falei jogando um travesseiro enquanto terminava de me vestir e pegava as coisas necessárias para um dia no trabalho.
Estava pronta para ir, porem lembrei de uma coisa. Peguei meu celular e disquei um numero que havia salvado. Ele tocou duas vezes e a pessoa do outro lado atendeu.
— Alô?
— Kana, é a Lucy.
— Quem é Lucy?
— Parceira do Gajeel...
— Ah sim, do Gajeel... Como conseguiu meu número?
— Isso não é importante agora, escute...
— Na verdade é muito importante saber como você conseguiu—
— É sobre sua amiga!
E então relatei o que Sarah havia me contado. Achei justo contar a elas, não sabia em que isso poderia ajudar, mas elas precisavam saber.
— Ligue para Juvia. – falei e desliguei o telefone.
Natsu estava sentado na cama olhando ao redor, esperando que eu acabasse a ligação.
— Podemos ir agora? – falei chamando sua atenção.
— Por mim tudo bem! – ele disse se levantando.
Ao passar pelo corredor e ver Natsu pegando suas chaves do chão, lembrei que eu não me encontrava com meu carro.
— Droga! Natsu, espere aqui.
Voltei correndo para o meu quarto, e após pegar o objeto desejado sai em disparada pela porta, puxando Natsu comigo.
— Vou ter que usar teu carro – falei assim que chegamos a garagem – Não se preocupe vai ser só até eu chegar na delegaci—
Fui cortada repentinamente por um beijo de Natsu. Apenas um beijo calmo de poucos segundos.
— Você pode usar meu carro. Desde que respire enquanto estiver falando.
— Estou muito eufórica, não é?
— Extremamente!
Enquanto Natsu entrava no lado do passageiro, eu instalava o objeto que havia pego no quarto na parte de cima do carro.
— Você não tem noção da merda que aconteceu! – falei entrando no carro. – Está pronto?
— Vamos pegar uns bandidos! – ele disse animado.
— Isso se você não vomitar antes. – falei ligando o carro e logo em seguida a sirene portátil que eu havia instalado.
Sai com tanta pressa, que não deu tempo de Natsu pensar em ficar enjoado. Ele apenas se encostou no banco, abraçando o cinto de segurança, enquanto eu corria e costurava pelas ruas de Magnólia. Em menos de dois minutos cheguei no meu destino.
— Espere aqui! – falei saindo apressada e entrando no estabelecimento.
— Urgência policial! Dêem passagem, por favor! – falei alto enquanto mostrava meu distintivo e atravessava a fila enorme.
— Bom dia Lucy, o dê sempre?
— Sim! Só que para dois. E rápido, por favor!
Em questão de minutos a atendente volta com meu pedido.
— Aqui está, dois cappuccinos de caramelo com bastante leite, e dois sanduíches naturais de peito de peru.
— Valeu! Põe na conta! – disse correndo pegando meu pedido e voltando para o carro.
Assim que entrei Natsu me olhava indignado.
— Sério? Toda aquela pressa era para passar no Café Mania?
— A pressa era para ir trabalhar mesmo, mas pelo o que eu entendi meu dia será longo e não terei tempo para almoçar. Não sabia do que gostava, então trouxe o mesmo que o meu. – falei entregando seu café da manhã.
— Agradeço, Lu.
Voltei a correr pelas ruas de Magnólia, dessa vez tirando minhas mãos do volante às vezes para comer. Natsu se agarrou novamente ao banco, sem poder dar uma única mordida em seu lanche.
Assim que cheguei em frente a delegacia, com uma freada bem suave, chegando a cantar pneu, olhei para Natsu e pela primeira vez fiquei sem saber o que dizer. Ele me encarava sorrindo e tive vontade de acelerar com aquele carro novamente e voltar para o meu apartamento. Abri a boca para falar, porém nenhum som saiu. Natsu riu e passou a mão em meu rosto.
— Não há de que Lu, foi realmente emocionante participar dessa aventura policial. Tudo bem, eu não vou me preocupar com as multas de excesso de velocidade que provavelmente ganhei. Obrigado pelo lanche, acho que temos gostos parecidos por que também gosto de cappuccino de caramelo. E não se preocupe, eu ligo para você para saber se vou poder ganhar o bônus das algemas.
Rimos e ele me deu um beijo na testa, saindo do carro e dando a volta para abrir minha porta.
— Vai lá salvar o dia, policial. – ele disse estendendo a mão para que eu saísse.
— Obrigada, professor. – falei aceitando sua mão.
Natsu partiu assim que subi na calçada, em uma velocidade comicamente lenta. Mas não tinha tempo para rir. Dei uma ultima golada no meu cappuccino, jogando o copo no lixo e entrando rapidamente. Sem pensar, fui em direção a sala de Sarah. Tudo estava movimentado demais, e minha certeza de que Gajeel estava com problemas só aumentava.
— Que bom que chegou, estava a sua espera. – disse Sarah assim que adentrei a sala. – Não vamos poder levar os nossos soldados, a policia de Hargeon irá investigar, mas me deixaram participar do caso.
Sarah vestia sua farda completa. Ela saiu da sala e se dirigiu rapidamente para a garagem. Entramos em seu carro sem dizer uma palavra. Mas antes de ligá-lo, Sarah respirou fundo e me encarou pela primeira vez. Pude ver pesar e dor nos seus olhos. E naqueles segundos de troca de olhares, transmitimos uma à outra a aflição que estávamos sentindo.
— Eu vou te deixar no hospital de Hargeon. – ela disse já saindo da garagem. – Faça o que for preciso para—
— Esperem!!
Sarah deu uma freada brusca e fez com que olhássemos assustadas para a moça ofegante e de cabelos brancos que estava parada na frente do carro.
— Eu... – ela disse tentando puxar o ar – Eu vou com vocês! – ela falou alto e ofegante.
— É a empregada do Gajeel. A que cuidava da mãe dele. – falei respondendo a duvida no olhar de Sarah.
Ela nada disse, apenas destravou a porta de trás do carro e a branquela entrou rapidamente. Em poucos minutos já estávamos na estrada em direção para Hargeon. Armadas e prontas para bater de frente com quem se atreveu a se meter com os nossos.
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