Breaking the Rules
6 Perseguição
Perseguição.

Levy
Eu não sentia minhas pernas. Não sentia meu corpo. As lagrimas não me deixavam enxergar direito. Mas mesmo assim eu não parava de correr.
Corria tão desesperadamente que não sabia como ainda me aguentava em pé. Chorava tão compulsivamente que sentia as lagrimas molharem meu corpo. Mas não entendia o porquê daquilo está acontecendo... Porque comigo?
"— Então amanhã depois do colégio vocês vão pra minha casa, para fazermos o trabalho. – disse Kana.
— Tudo bem. Agora vou indo. Tchau meninas! – falou Juvia enquanto se distanciava acenando.
A manhã havia sido entediantemente normal. Estávamos nos despedindo na saída do colégio. Juvia seguia por um lado, enquanto eu e Kana íamos juntas pelo mesmo caminho por um determinado tempo. Íamos a pé, pois o caminho não era tão longe. De minha casa até o colégio eram exatos quinze minutos.
— Kana, irei deixar esses livros contigo, é o que vamos usar amanhã no trabalho. – falei.
— Tudo bem. – ela respondeu.
Depois que deixei Kana em casa, fui seguindo meu caminho. Mas ao virar a esquina, notei que um carro, um tanto quanto suspeito, me seguia. Achei que fosse paranóia minha, então ignorei.
Até que o carro parou, e um cara, aparentemente novo, de cabelos loiros e bagunçados, e com uma cara de psicopata, saiu de dentro dele.
Fiquei atenta quando percebi que ele começava a andar atrás de mim, acelerei meus passos quando ele se aproximou mais. Ele acelerou também, chegando a me puxar pelo braço na tentativa de me arrastar para dentro do carro. Mas eu consegui me soltar, e corri. Corri o suficiente para despistá-lo. E quando achei que estava livre, vejo o carro novamente. Dessa vez o cara loiro estava em pé no telo solar, e ria histericamente enquanto apontava uma arma na minha direção. Não pensei duas vezes e comecei a correr mais rápido.
Tentei despistá-los indo para caminhos diferentes, que seria contra mão para eles. Mas isso não adiantava, eles continuavam a me seguir.
— Não atira nela, idiota!! – gritou o motorista do carro. – Precisamos dela viva!
— HAHAHAHAHA!!!! – riu o loiro – Relaxa Racer! Não vou matá-la! Machucar, talvez... HAHAHA!!
Senti meus olhos lacrimejarem e a adrenalina dominar meu corpo. E depois de dar tantas voltas sem rumo, resolvi retornar o caminho de casa. Eu estava atrasada o suficiente, e se eu tivesse sorte, então talvez..."
Não sei da onde estava tirando tantas forças. Havia me afastado muito do caminho de casa, já devo estar correndo há uns dez minutos.
— “Ele tem que está lá! Ele tem que está lá!”— pensava enquanto acelerava o passo.
Cortei caminho pulando o jardim de uma casa, não adiantaria muito, mas chegaria primeiro que eles.
Eu não sabia o que fazer. Meu celular estava dentro da mochila, e se eu parasse, não conseguiria continuar depois.
Meu coração entrou em desespero quando cheguei à rua atrás da que eu morava.
— “Por favor... Por favor... Esteja ai!”— ele tinha que está. Era minha única esperança...
Senti alivio assim que virei à esquina e o vi. Sentado em frente à porta de casa, com os braços cruzados, a cabeça jogada pra trás e os olhos fechados.
Não pensei duas vezes.
— Gajeel!!! — gritei.
Minha visão estava tão turva, que tudo o que houve a seguir, parece que foi em câmera lenta.
Gajeel olhou confuso para mim, não entendendo o porquê do meu grito, o porquê do meu desespero. Escutei o barulho de pneus raspando no asfalto, e uma risada histérica. Sabia que eram eles.
Gajeel se levantou em um salto e veio em direção a calçada. Esticou sua mão esquerda para mim, enquanto a direita ia para dentro do casaco que usava, e de lá sacou uma arma.
Apenas estiquei minha mão em direção da sua, e quando ele me tocou, me puxou com força para trás de si.
Escutei um tiro.
Quando cai, acabei ralando os joelhos e a palma das mãos.
Ouvi mais um tiro...
E depois outro...
E então o barulho do carro derrapando.
Quando me virei, só tive tempo de ver o cara loiro voar para fora do carro, enquanto o mesmo capotava para longe. Gajeel havia atirado em duas, das quatro rodas. Ele se ajoelhou em minha frente, tampando minha visão.
— Pirralha olha pra mim! – ele disse segurando meu rosto com as duas mãos. – Você se machucou?! Quem são eles?! Responda!!!
Não conseguia. Eu tentava, mas a voz não saia. Eu mal o via na minha frente.
— Fala comigo pirralha! Diz alguma coisa Levy! – Gajeel enxugou minha lagrimas, fazendo com que eu tivesse uma visão mais clara.
Escutei o barulho de um estalo alto e vi fumaça um pouco mais adiante. Pessoas saiam de suas casas, olhando confusas para tudo.
— Olha pra mim!! – Gajeel disse elevando a voz. – Presta atenção em mim, não neles!!
Ainda segurando meu rosto, Gajeel forçou que eu o encarasse. Finalmente prestei atenção em seus olhos. Eles ardiam num tom vermelho escarlate. E estava tão ofegante quanto eu.
— Atenção em mim! Consegue entender o que eu digo? – acenei que sim e ele respirou fundo, procurando se acalmar. – Você está bem Levy? Está machucada?! – ele disse um pouco mais calmo.
Acenei negativamente com a cabeça. Foi quando prestei atenção em seu ombro esquerdo. Ele sangrava. Em desespero de falar algo, apenas soluços e ofegos saíram da minha boca.
— Não, não. Não liga pra isso! – ele disse alisando meu rosto. Isso fez com que eu respirasse fundo e obrigasse meu corpo a se acalmar.
Ele me analisou antes de pegar o celular do bolso e discar algum numero.
— Capitã! Envia viaturas para sua casa imediatamente!
Tirei o celular da sua mão e o coloquei na viva-voz. Ele me olhou confuso, mas depois sorriu minimamente ao me ver mais calma, e de volta para esse mundo.
— Responda Gajeel! O que houve?!— gritou minha mãe.
— Perseguição e acidente. Alguém estava perseguindo sua filha, mas o carro capotou.
— Onde está Levy?!?
— Está bem. Estou com ela na minha frente. Ainda está em choque, mas aparentemente bem.
— Envie viaturas e ambulância para o meu endereço! Agora!! — gritou mais ao fundo — Quero falar com ela, Gajeel!
Ele olhou para mim e eu neguei com a cabeça.
— Ela não consegue falar.
— Estou chegando!
A ligação encerrou e Gajeel se levantou me puxando junto. Minhas pernas bambeavam.
— Entre dentro de casa e não saia. – ele falou virando as costas e indo em direção a confusão de pessoas.
— G-Gajeel... – falei enquanto me arrastava e abracei suas costas. – Não quero ficar sozinha...
Olhei para frente com a intenção de ver o que acontecia, e o corpo do cara loiro estava jogado ao chão. E contorcido de uma forma que um corpo normal e com ossos no lugar, não conseguiria ficar.
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— Ai! – ele reclamou pela décima vez. – Como pode ter a mão tão pesada?! Tem certeza que sabe o que está fazendo?
— É lógico que sei! Eu já disse, cuidava dos ferimentos de meu pai. Eu sei o que estou fazendo. Teve sorte da bala só ter pegado de raspão.
— Ai!
— Para de reclamar!
— Você está costurando meu ombro, como quer que eu não reclame?!
Depois que entramos em casa, e eu me recuperar do choque, não aguentei ver o braço do Gajeel sangrando e peguei o kit de primeiros socorros. Por sorte a bala apenas raspou em seu braço. Nada que alguns pontos não resolvam. Todo o susto já havia passado. Bem, de certa forma eu não estava tão assustada assim. Mas corri tanto que a falta de ar nos pulmões me impediam de falar. Não era trauma nem nada.
— Prontinho!
— Você não serve como enfermeira.
— Cala a boca!
O silencio reinou no lugar, e senti-me sendo encarada enquanto guardava as coisas de volta ao kit.
— O que foi? – perguntei olhando para Gajeel.
— Você está bem? – ele me analisava procurando qualquer indicio de algo fora do lugar.
— Ei – chamei sua atenção o fazendo olhar pro meu rosto – Estou bem. – lhe sorri – De certa forma aquilo foi assustador, mas nada que me deixe em choque. Foi mais cansativo do que qualquer outra coisa. E não ligue para o fato de eu estar chorando. Quando fico nervosa, não consigo controlar as lagrimas. De qualquer forma, estou bem.
— Ótimo. – ele disse e ia descendo a manga da camisa do lado esquerdo, que eu havia levantado para fazer o curativo.
— Não coloque essa blusa de novo, esta suja de sangue! – eu disse.
Ele então rasgou o pedaço da camisa que pegava na ferida.
— Pronto.
— Você é mais teimoso que eu! – disse me levantando e indo até o quarto da minha mãe.
— Sou nada! Você é mil vezes mais teimosa!
Gajeel veio me seguindo, parando em frente a porta do quarto e me observando enquanto andava pra lá e pra cá.
— O que está fazendo? – perguntou ele.
— Você precisa limpar essa ferida direito, e colocar algo limpo antes que infeccione! – falei enquanto colocava uma camisa e uma toalha em suas mãos.
— De quem é isso?
— Era do meu pai. Agora trate de lavar esse braço!
Gajeel encarou a roupa em suas mãos. Depois olhou para mim novamente. Repetiu esse gesto mais um vez antes de me encarar com uma cara tediosa, jogar a camisa e a toalha na minha cabeça. E sair virando as costas.
— Ei! Qual foi a parte do “vai lavar essa ferida” que você não entendeu?! – falei correndo atrás dele e parando em sua frente. Impedindo que voltasse para a sala.
— Não. – ele disse segurando em minha cabeça e me tirando do caminho.
— Não uma ova! – gritei indo para sua frente novamente. – Você vai lavar essa ferida! Por bem ou por mal!
Gajeel deu um sorriso zombeteiro. Levantando a sobrancelha e logo após soltando aquela risada que eu odiava! Porque sim, eu odeio aquela risada!
— Gihihi! Nesse caso vai ter que ser por mal Baixinha. – ele falou cruzando os braços e me encarando desafiante.
Respirei fundo e pensei num plano. É lógico que eu não tinha a mínima idéia de como obrigar Gajeel a fazer algo. Mas teria que tentar.
Totalmente sem idéias, resolvi fazer a coisa mais lógica, ou talvez mais idiota, que eu poderia fazer.
O empurrar.
— Arg! Vamos lá! Você prefere que seu braço caia?!
— Já acabou com a massagem?
— Como pode ser tão pesado?! – “Ele nem sequer saiu do lugar!”
— Você está há uns cinco minutos nisso. Até que é persistente.
Okay. Eu tinha que mudar minha estratégia. Empurrar não estava tendo muito efeito.
O encarei pensando em possibilidades de eu o vencer com força bruta. Todas foram anuladas.
Mas uma lâmpada pareceu se acender quando olhei para sua camisa suja. É, isso poderia dar certo!
Me dirigi até a lavanderia, que ficava logo após a cozinha. Peguei o objeto desejado o colocando em cima da pia e ligando a torneira logo em seguida.
Voltei a procura de Gajeel, e ele já estava na sala. Provavelmente pensa que eu desisti.
— Desistiu? – ele falou cruzando os braços e com aquele sorriso zombeteiro no rosto.
Não fiz questão de respondê-lo, e voltei para a lavanderia. O balde já estava cheio o suficiente para o que eu desejava. Então desliguei a torneira, e me dirigi para a sala.
Gajeel estava sentado, e de costas para mim. Simplesmente perfeito. E sem mais enrolação, virei o balde cheio d’água direto na sua cabeça, e a propósito, a água estava gelada.
O barulho de ‘splash’ e o suspiro assustado de Gajeel, se tornou musica para meus ouvidos.
Certo que a água também pegou no sofá, e eu teria que secar isso depois. Mas ver o choque na cara do Gajeel, não tem preço!
— Aqui está a toalha. O banheiro é a primeira porta a esquerda.
Após isso, Gajeel finalmente me encarou. Eu estava com um sorriso vitorioso no rosto, e ele... Com um olhar tão assassino, que senti minha espinha se arrepiar.
— Corre... – ele falou com a voz bem mais rouca e amedrontante que o normal.
É lógico que eu corri, e ainda dei um grito estridente. Mais minhas curtas pernas, que ainda estavam doloridas e cansadas, não deixaram eu ir tão longe.
— Você vai pagar por isso. – Gajeel disse enquanto me carregava em seu ombro, como um saco de batatas.
— Por favor, não me mate!!
— Não se preocupe, seu castigo não será hoje. – ele disse dando um forte tapa na minha bunda, e logo após me jogou no sofá. Justo no lugar molhado.
— Isso doeu... – eu disse passando a mão no lugar do tapa.
— E isso foi gelado! – ele disse torcendo seu cabelo, fazendo a água respingar no chão.
Ele pegou a toalha e a camisa, e se dirigiu pro banheiro. Apesar do tapa, no final acabei ganhando. Um ponto para a Levy!
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Eu secava o sofá com um secador, quando Gajeel retornou do banheiro pouco minutos depois que entrou, com a toalha enrolado nos cabelos, e a camisa na mão.
— Lavou bem? – perguntei desligando o secador e o encarando.
Eu tentava encarar apenas seu rosto, mas era meio complicado. Porque? Bem, havia um homem de um metro e noventa de altura, pele morena, e com mais quadradinhos no abdômen do que no cubo mágico parado na minha frente. Não consegui não olhar. E o rubor em minhas bochechas foi inevitável.
— Não coube. – ele falou jogando a camisa na minha cara.
Tirei-a do meu rosto e olhei para frente, o que de certa forma foi agradável. Minha visão estava sendo totalmente preenchida pelo corpo bem delineado do Gajeel.
— Belos músculos... – falei respirando fundo, e encarando seu rosto.
Era uma cena cômica vê-lo com a toalha na cabeça. Mas seu olhar selvagem, o sorriso malicioso, a pele bronzeada e os ombros largos e forte, tornavam o ar cômico em algo... Encantador.
— Pare de babar, se não entra mosca. – ele disse enquanto segurava meu queixo o empurrando para fechar minha boca.
Desde quando eu estava de boca aberta?!?
— Gihihi! Pelo menos tem bom gosto. – ele disse me deixando completamente estática de vergonha. Pegou seu casaco o vestindo em seguida. E saindo pela porta de entrada de casa.
Sabe aquela ar encantador? Então, foi substituído por um totalmente cretino e insolente!
Eu odeio esse cara!
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