Breaking the Rules
18 O Namorado Quase Perfeito
O namorado quase perfeito.

Gajeel
... 87... 88... 89... 90!
Emergi na água e a Pirralha estava em choque.
— Como você consegue ficar um minuto e meio prendendo a respiração?! – ela disse eufórica – Eu quase não aguento ficar dez segundos!
— Isso é fácil – falei e ela me olhou com atenção – Basta você ser tão incrível quanto eu!
A Pirralha jogou água na minha cara e saiu correndo. Porem era difícil correr quando você estava com água acima da cintura. A alcancei facilmente e mergulhei com ela ainda se debatendo em meus braços.
— Me solta Gajeel! – ela gritou assim que emergimos.
— Só se você disser que me ama. – falei próximo ao ouvido dela.
Comecei a fazer cócegas nela e ri da gargalhada que ela dava. Mas parei assim que notei uma presença na praia. Minha mãe estava parada na porta de vidro e olhava tudo ao redor.
Não havia notado o tempo passar, ainda era cedo, mas havia passado tempo suficiente para ter acabado o efeito do calmante. E a partir de agora até o resto do dia, minha mãe seria um bloco de gelo, me evitando o máximo possível, se isolando e só falando quando necessário. E seria assim hoje, amanhã, e todos os dias em que eu dissesse a verdade a ela.
Comecei a caminhar de volta a praia. Só agora percebendo que eu ainda estava vestido com a roupa que dormir. A Pirralha vinha logo atrás. Minha mãe voltou o olhar pra mim mas logo em seguida abaixou a cabeça.
— Gajeel... – disse ela assim que cheguei perto – Onde estão minhas coisas de pintura? Meu cavalete, minhas telas e tintas...
— Seu cavalete está no carro... Não deu para trazer telas, mas eu trouxe seu bloco de folhas para pintura. Eu tenho que ir ao mercado, se quiser eu trago telas e...
— Não. O bloco está bom. Se você puder pegar. – ela se afastou da porta dando passagem.
Fui em direção as escadas e subi para o meu quarto. Só tirei as roupas molhadas e coloquei uma bermuda e camiseta qualquer. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e desci novamente com as chaves do carro na mão.
Minha mãe continuava perto da porta de vidro, olhava para o mar. Enquanto ia para o carro pegar as coisas de pintura, a Pirralha apareceu me seguindo.
— Ela vai ficar bem? – perguntou – Digo, e se ela tiver outra crise?
— Ela não vai. – falei abrindo o porta malas – Ela vai passar o resto do dia trancada, me ignorando e só falando caso seja de extrema necessidade.
Aproveitei e abri o portão, já que teria que sair daqui a pouco.
— É sempre assim? – ela disse enquanto voltávamos para dentro da casa.
Eu ia subir as escadas com o cavalete, porem minha mãe interrompeu-me o tirando de minhas mãos e subindo sem dizer nada.
— Na maioria das vezes, é sempre assim... – falei depois de um longo suspiro.
— Posso ir com você no mercado?
— Não, não quero que ela fique sozinha. – voltei a caminhar para fora da casa.
— Mas você não disse que ela está bem? – disse Levy me seguindo.
Virei- me para encará-la nos olhos.
— Apenas fique. – falei sério e ela apenas assentiu com a cabeça.
Ótimo. Pois minha paciência tava começando a se esgotar. E ainda era dez da manhã.
— Pode comprar uma coisa para mim? – disse Levy quando entrei o carro.
— O que você quer?
— Bem... Aquelas coisas... – ela disse desviando o olhar.
— Que coisas?
— Aquelas que usamos em um momento íntimo... – seu rosto já estava vermelho.
Fiquei pensando em coisas que geralmente são usadas em momentos íntimos e que poderiam fazer a Pirralha se envergonhar. Meus olhos se arregalaram quando minha ficha caiu. Olhei espantado para ela.
— Você quer um consolo?! – falei e acho que minha voz saiu uma mistura de surpresa, constrangimento e raiva.
Surpresa por que eu nunca, em toda a minha vida, imaginaria que ela pudesse pedir uma coisa dessas tão diretamente.
Constrangimento por que é um assunto que causa constrangimento.
E raiva por que... Bem...
— Por que você quer um consolo?! Você não precisa de um consolo! Você tem a mim! Tenho certeza que sou o suficiente pra...
— Gajeel... – ela me cortou e seu rosto parecia confuso, apesar de ainda estar vermelho – Do que você está falando?
— De você!
— O que tem eu?
Será que não sou bom o suficiente para você? Você nem se quer sabe do que sou capaz! Como pode ter coragem de me pedir isso?
— Você disse que... Disse que queria aquela coisa intima e começou a ficar vermelha! Você não precisa disso! Por que quer isso pra começo de conversa?!
Será que preciso lhe mostrar meus dotes? Aqueles que não são culinários, é claro...
— Como assim por quê? Eu preciso disso todo mês!
— Espera... – todo mês?!— Como assim todo mês?!
— Do que você está falando afinal? Eu só quero que me traga absorventes. É vergonhoso pedir isso diretamente, sabia?
Quando minha ficha caiu, quem começou a ficar extremamente vermelho fui eu. Por quê? Bem, talvez seja porque eu realmente imaginei que ela iria pedir que eu comprasse um consolo. E por que ao imaginar isso eu fiquei indignado, pois imaginei ser insuficiente para ela. E eu estava pensando seriamente em sair daquele carro e mostrar para ela o porquê dela não precisar de um consolo.
— Absorventes. – falei ligando o carro o mais rápido que conseguia – É apenas absorvente.
— Afinal de contas o que é um consolo?
Pisei fortemente no acelerador, agradecendo mentalmente por já ter aberto o portão e não precisar parar para explicar o que diabos é a porra de um consolo!
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Absorventes.
Sempre me perguntei como a mulher consegue usar uma coisa dessas. Fico imaginando que a sensação não deve ser agradável... É como se você nunca tivesse saído das fraudas. Apenas diminuíram de tamanho e de frequência.
Fico me perguntando também, por que as mulheres não podem ter o mesmo padrão?
Sério, existe uma prateleira só de absorventes no mercado; Será que é por que existem muitas marcas? Nem tanto. As marcas eu acho que posso contar nos dedos. O motivo de a prateleira ser grande é que cada marca tem: absorvente diário sem abas; absorvente diário para fluxo médio sem abas; absorvente diário para fluxo intenso sem abas; absorvente noturno sem abas; absorvente noturno para fluxo médio sem abas; absorvente noturno para fluxo intenso sem abas;
E claro, tinha toda essa categoria novamente, só que com abas. Então acrescente ai: absorvente diário com abas; absorvente diário para fluxo médio com abas; absorvente diário para fluxo intenso com abas; absorvente noturno com abas; absorvente noturno para fluxo médio com abas; absorvente noturno para fluxo intenso com abas;
E também tinha algo chamado protetor diário que tinha opções com perfume e sem perfume.
E não podemos esquecer os absorventes internos, que tinha em quatro tamanhos: mini, pequeno, médio e grande. E também do tal coletor menstrual que se resume em um tipo de copo que você insere na região vaginal e eu não quero nem saber como essa coisa funciona.
A questão é: Qual o motivo de existir tantas opções de absorventes se você só vai usá-lo uma vez ao mês?
E eu lhe digo a resposta: É para ferrar com o homem que de boa vontade vai comprar absorventes para a namorada e se depara com quinhentas mil opções sem saber qual é a que ela usa.
Após dez minutos analisando aquela prateleira, optei por pegar dez pacotes de absorvente. Quatro eram diários, dois com abas e dois sem abas, um comum, dois para fluxo médio e um para fluxo intenso. E quatro noturnos, no mesmo padrão. Eram de duas marcas que vi na televisão – se passou na televisão então deve ser boa. E os outros dois eram absorventes internos, um tamanho mini e um pequeno.
Exagero? Talvez. Mas eu não sabia qual ela usava, não tinha como perguntar, e não vai ser eu que vou pagar. Então sem problemas.
Após o mercado, também passei na farmácia e comprei medicamentos básicos para diversos tipos de dores. A sociedade ficava a vinte minutos de carro e eu não estava afim de voltar para lá tão cedo, então fiz compras o suficiente para dois meses.
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Cheguei a casa e o portão estava apenas encostado, sem trancar. Por que eu estava com a chave que tranca o portão e sai feito um louco esquecendo-se de trancá-lo. Ou melhor, não querendo voltar para trancá-lo.
Estacionei o carro e abri o porta malas. Peguei apenas uma das várias caixas de compras, e ia entrar e chamar a Pirralha para me ajudar. Porem parei na porta assim que ouvi risos vindo lá de dentro. E depois vozes. Vozes muito conhecidas por mim...
Entrei e deparo-me com minha mãe e a Pirralha na sala da casa rindo e conversando. Levy estava sentada no sofá enquanto minha mãe estava de frente para ela, pintando alguma coisa em seu cavalete.
— Até que fim chegou! – disse a Pirralha se levantando e vindo em minha direção – Eu estou morta de fome! O que trouxe de bom para comer?
Porém eu continuei parado olhando para a sala de estar. Não liguei para a Pirralha revirado a caixa que eu carregava, apenas observava minha mãe com um pequeno – quase imperceptível – sorriso no rosto enquanto fazia o que mais amava fazer. Não era raro vê-la sorrir. Sempre foi uma pessoa de riso fácil. Porem, levando em consideração que nos último ano, todas as vezes que contava a verdade para ela, ela simplesmente me ignorava o resto do dia, nem se quer olhando na minha cara ou socializando com outras pessoas, vê-la conversando e rindo para Levy, uma pessoa que tecnicamente ela nem conhecia, foi de fato uma grande surpresa.
— Você não trouxe só isso não é? – ouvi a Pirralha dizer – Sério, cadê a comida? Tem mais coisas no carro?
Eu ia ignorá-la novamente. Mas então minha mãe me encarou nos olhos, e eu não vi rancor, raiva ou desgosto. Ela me olhou e sorriu como quem dizia que estava tudo bem. E todo peso que eu sentia carregar em minhas costas, com o pensamento de que ela me odiava, foi se esvaindo como um dente-de-leão ao ser assoprado.
— Vai me dizer que você passa horas fora de casa, e não volta com nada comestível? – disse ela.
— Gajeel, já vai dar meio dia! Estou acordada desde as oito horas da manhã! Tenho fome sabia? – falou a Pirralha.
— Temos fome. – corrigiu minha mãe.
— Se as donzelas pararem de reclamar e me ajudarem a trazer as compras, talvez consigamos comer antes da uma da tarde. – disse indo em direção a cozinha.
Enquanto as garotas arrumavam as compras, eu preparava uma macarronada. Não era só elas que estavam com fome.
— Gajeel... – escutei Kim dizer – Por acaso você assaltou a seção de absorvente do mercado?
— Não. A Pirralha me pediu para trazer e eu não sabia qual escolher então trouxe um de cada. – falei simplesmente.
Nem me virei para ver a cara envergonhada que Levy provavelmente estaria. O momento em que o molho vermelho começa a ferver é sagrado e precisa ser mantido em constante movimento para que não grude e não queime.
— Podem parar seus afazeres. O almoço está servido! – falei colocando uma travessa de macarrão ao molho em cima da mesa.
— Graças a Deus! – disse dramaticamente minha Pirralha favorita.
Comemos a refeição maravilhosa que minha modesta pessoa preparou em harmonia. Em seguida minha mãe se ofereceu para lavar a louça e eu e Levy terminamos de guardar as compras.
— Bem – começou Kim – Vou terminar minha pintura antes que a inspiração suma. Comportam-se crianças.
Ela voltou para a sala. E Levy fez menção de se levantar também.
— Acho que vou procurar algo para fazer nesse lugar tedioso...
— Não, você não vai. – falei segurando sua mão e a puxando de volta para a mesa – Não pense que me esqueci que quando sai daqui minha mãe estava magoada e indiferente e quando voltei, ela estava totalmente... Ela. O que aconteceu?
— Nada, eu apenas fui conversar com ela ao invés de ficar morrendo de fome esperando você voltar.
— Vocês conversaram? E o que conversaram? Como a fez voltar ao normal?
Levy se levantou dando a volta na mesa e se sentando no meu colo.
— Apenas conversamos, aceite isso. – disse dando um beijo na minha bochecha.
Achei que seria o fim da conversa e ela tomaria a iniciativa para o começo de um beijo. Pobre ilusão...
— E a propósito – ela voltou a falar — Não pense que eu me esqueci da conversa estranha de hoje de manhã. Afinal de contas o que você achou que eu estava pedindo?
— Nada... – falei virando o rosto para o outro lado.
Ela tinha que tocar nesse assunto?
— Você falou algo sobre consolo... Eu não entendi nada.
Sim, ela tinha que tocar no assunto.
— Você falava como se eu quisesse comprar consolo, mas por que eu compraria consolo? Quem vende consolo? Que eu saiba, consolo é aquilo que você dá de graça para uma pessoa quando ela está em algum momento difícil.
— Quer parar de repetir essa palavra em cada frase?
— Só se você me explicar o que houve hoje mais cedo.
Encarei-a novamente. Seu olhar dizia que ela não me deixaria em paz até eu dar uma explicação. O problema era que eu não estava nem um pouco afim de explicar.
— Não foi nada – falei.
Ela iria protestar porem coloquei um dedo na frente de seus lábios impedindo que falasse.
— Sobre consolo, apenas ignore isso. Eu entendi errado e... Você não precisa de consolo nenhum! E caso precise, me use para consolá-la. Simples assim.
— Eu continuei não entendendo nada. – ela disse após eu afastar meu dedo de seus lábios – Mas você também não dirá nada alem disso, então não vou insistir.
— Fico feliz em saber que você já me conhece bem.
Eu teria lhe dado um beijo caso ela não tivesse se afastado fazendo-me parar no meio do ato.
— Vou procurar sua mãe. A presença dela é agradável e eu não tenho nada melhor para fazer.
Ela já estava quase fora da cozinha quando perguntei.
— Vai me deixar no vácuo mesmo?
— Considere isso como um castigo por me enrolar e não me contar tudo.
— Já disse que você anda sendo uma Pirralha muito malcriada?
— O tempo todo! E adivinha só... – ela disse por cima do ombro – Eu não me importo com isso.
E saiu desfilando e me ignorando com um êxito excelente.
Depois de um tempo raciocinando o fora que eu levei, decidi subir e tomar um banho. Afinal, até agora não tive tempo de tomar um. E ainda tinha o sal no meu cabelo que já deve ter ressecado ele todo.
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O resto do dia se resume em paz e tédio completo. Kim passou o dia pintando e conversando – sobre mim – com a Pirralha. Ela não teve ataques, passou o dia rindo, e eu tentava imaginar o que a Pirralha havia conversado com ela – e eu iria descobrir.
Quando anoiteceu, passei o dia na cozinha preparando a janta e o almoço de amanhã. Não existe nada mais prazeroso do que cozinhar! — na verdade existe, mas não estou em pratica disso no momento e o que me resta é apenas a cozinha.
Surpreendentemente minha mãe não precisou de remédios para dormir. Geralmente ao anoitecer, ela ficava eufórica demais, ficava ansiosa esperando meu pai, e Mira lhe dava os remédios para dormir. E quando ela sabia da verdade, também os tomava pois não conseguia dormir por causa da depressão que a fazia ter insônia. Mas hoje, ela simplesmente se levantou do sofá dizendo que iria dormir pois estava cansada. E uma hora depois quando fui conferir, ela realmente estava dormindo. Tão calmamente que parecia que nada a poderia atormentar. E novamente perguntei para Levy o que elas haviam conversado, como resposta ela disse:
— Diga que me ama e eu lhe digo o que falei.
— Chantagista.
Me deitei no sofá com as mãos atrás da cabeça, não demorou um segundo para a Pirralha pular em cima de mim se sentando em meu colo. Ela anda fazendo isso com muita frequência.
— Não é chantagem! É que tive a idéia de um pedido bem interessante... – disse ela colocando o dedo indicador nos lábios pensativa.
— O que é?
— Qual a frase mágica? – ela sorriu sapeca.
— Eu te a... marro e lhe faço cócegas caso não diga o que é! – falei com um falso tom ameaçador.
— Frase errada. – ela disse desfazendo o sorriso.
Puxei-a para mais perto, nossos narizes se tocando e podíamos sentir a respiração um do outro.
— Por que não me conta hm? – falei roucamente — Quem sabe eu não abra uma exceção e... – aproximei minha boca do ouvido dela e sussurrei — Realize o seu desejo.
Levy apenas suspirou, e falou de olhos fechados apreciando a sensação dos meus beijos em seu pescoço.
— E você? Não tem algo que queira também?
— No momento? Queria poder ler a sua mente.
— Felizmente você não pode – ela disse rindo — Vai ficar na curiosidade.
— Mais uma vez, você esta muito malcriada... – falei voltando a encará-la.
— E posso ser muito mais... – ela disse aproximando nossos lábios.
Porém ela se afastou novamente. Não só os lábios mas também o corpo, voltando a posição inicial.
— Ah! Lembrei de uma coisa!
Apenas soltei um resmungo esperando que ela continuasse a falar essa coisa tão importante que ela se lembrou.
— Queria te perguntar isso há um tempo – sua voz soou receosa — Acho que tive... Medo, sei lá... – ela disse dando uma risada nervosa.
— O que é?
Levy hesitou em começar a falar. Respirou fundo algumas vezes e manteve os olhos em todos os lugares, exceto em mim.
— O que eu... – ela começou, e eu imaginei o que seria — O que nos... – ela hesitou novamente antes de olhar para mim com o sorriso mais falso que ela já deu — Vamos comer amanhã?
— Teve medo de me perguntar qual vai ser o almoço? – falei erguendo uma sobrancelha.
— É...
— Você já mentiu melhor.
— Não estou mentindo, quero mesmo saber o que vou comer amanhã.
Apesar de parecer convincente, eu sabia que ela mentia. As mãos se mexiam nervosamente e ela evitava me olhar nos olhos. Apenas o tom de voz parecia convincente.
— Não era isso que iria me perguntar. – falei depois de examiná-la.
— Era sim... Já que não quer falar eu vou ir dormir – ela disse se levantando — Boa...
Puxei-a novamente pelo braço, ela acabou caindo sobre mim.
— O que você queria perguntar?
— Era só isso, eu vou...
— Levy, olha pra mim.
Ela hesitou, mas me encarou nos olhos. Podia ouvir seus batimentos acelerados.
— Por que está nervosa?
— Não estou... – ela disse desviando os olhos novamente.
— Então não desvie o olhar.
Preciso ressaltar que ela também estava extremamente vermelha? E isso é fofo...
— O que foi? – perguntei.
— Nada... – ela disse abaixando a cabeça.
Sentei-me no sofá com ela no meu colo e fui distribuindo beijos em seu pescoço.
— Fala... Fala pra mim o que você queria perguntar.
— Não era nada...
— Não? Então não se importa de eu lhe fazer uma pergunta, certo? – falei cessando os beijos e a encarando nos olhos.
Ela apenas balançou a cabeça positivamente e eu continuei.
— O que eu sou pra você? — seus olhos se arregalaram e se possível ela ficou mais vermelha — Era isso não era?
— Sim... Mas não precisa me responder. – ela abaixou novamente a cabeça e tentou se levantar — Eu já vou dormir então...
— Para de tentar fugir.
Sua tentativa de se levantar foi impedida com sucesso quando a segurei firmemente pela cintura impedindo que se levantasse.
— Quer saber o que você é para mim? – seus olhos fitavam o meu com curiosidade — Eu não posso te falar. – ela franziu a testa — Porque não há como te falar.
Ela estava um misto de curiosidade e confusão. Então eu tinha que explicar o que quis dizer. Respirei fundo e contei até três antes de continuar.
— Eu teria que passar a noite toda, e talvez o dia, ou o resto da semana falando o que você significa para mim, e mesmo assim seria insuficiente... Eu não posso te dizer o que você é para mim, porque é coisa demais, entende? Mas posso resumir em uma palavra. Quer saber qual é?
Ela balançou a cabeça freneticamente em concordância, ri de sua reação. Eu estava ferrado.
— Tudo. Você é tudo para mim, Pirralha.
E então, finalmente, ela me beijou. E fiz questão de segura-la bem próximo para que não escapasse de mim novamente. Depois de um longo tempo naquela pegação inocente, nos afastamos em busca de ar.
— Então... – ela começou – Nós somos namorados?
— Não. Eu nunca te pedi em namoro. – falei seriamente.
É lógico que eu estava brincando. Mas como ela ainda tinha coragem de fazer uma pergunta daquelas depois de tudo? Sério, estávamos quase se comendo no sofá! Digo, era apenas uma pegação inocente. Super inocente.
— É que... Eu pensei que...
— Sério que você pensou isso? – soltei um suspiro — O que eu preciso fazer pra você parar de duvidar e acreditar no que eu digo?
— Você poderia demonstrar mais... – ela disse baixo.
— Demonstrar mais? – falei indignado – Levy eu não sou como os adolescentes da sua escola. Eu não sei ser romântico ou fofo. Mal sei ser delicado. Eu não vou te dar flores e ursinhos, e fazer um texto enorme para postar em uma rede social todo mês, por que eu não sou assim. E eu esperava que você não fosse também.
— Eu nunca te pedi flores ou ursinhos, Gajeel. Apenas gostaria que você demonstrasse um pouco mais que gosta de mim. E que não sou apenas um passatempo...
Ela se levantou e desta vez eu não a impedi. Porém ainda não havia terminado de falar.
— Passatempo? Eu me arrisco por você, ensino você a me bater, te apresento a minha família, decido mudar de cidade com uma mãe instável só para garantir sua segurança, te mostro o meu ponto fraco, passo dez minutos escolhendo um absorvente pra você, e você ainda acha que é apenas um passatempo? Acho então que sou um cara com um hobbie meio masoquista.
Enquanto discutíamos, – quando o momento de pegação foi para discurção? – subimos a escada e já estávamos na porta do quarto dela quando paramos de andar. Um encarando o outro.
— Eu nunca te pedi nada disso. – ela falou irritada – Apenas queria saber se você me considerava sua namorada ou não. Apenas queria... ter um relacionamento normal.
— Tsk! Nós nunca vamos ser normais!
— Boa noite.
E ela bateu a porta antes que eu pudesse dizer algo. Fechei os olhos e tentei raciocinar por que a noite havia acabado daquele jeito.
O que ela queria que eu fizesse? O que mais eu poderia fazer para que essa Pirralha insuportável entendesse que eu gostava dela? E eu nem sequer estava sendo orgulhoso! Na verdade eu esquecia do meu orgulho quando estava com ela. Eu a deixava dominar, a deixava sempre decidir tudo para que eu não corresse o risco de forçar demais. Evitava fazer qualquer coisa contra a vontade dela só para não correr o risco de perdê-la. O que mais ela queria que eu fizesse? O que ela quer que eu demonstre?
Abri os olhos novamente encarando a porta de madeira. Ela quer que eu demonstre algo? Tudo bem irei demonstrar algo. Mas vai ser do jeito do Gajeel.
Sem hesitação abri a porta do quarto e a fechei logo em seguida. A Pirralha já estava deitada, e enquanto eu caminhava em direção a cama dela, fui tirando minha camisa, meu elástico de cabelo e os jogando pelo quarto, junto com os chinelos. Ficando apenas de bermuda, deitei no espaço vago da cama.
— O que está fazendo? – ela disse assim que me deitei.
— Indo dormir. – falei encarando-a.
Ficamos um tempo em silencio. Até que ela afastou as cobertas e ia se levantar.
— Se vai ficar aqui, então vou dormir na sala.
— Não, você não vai – falei puxando-a novamente para a cama.
Cobri-nos com o lençol novamente. Havia deitado a Pirralha em cima de mim, e a vi ofegar quando passei um braço pela sua cintura, e entrelacei minhas pernas na dela, impedindo qualquer meio de fuga.
— Você vai ficar aqui! E vai dormir aqui! Porque você é a minha Namorada e eu quero dormir com você! — falei dando ênfase na palavra namorada.
O silencio prevaleceu no quarto. Apenas o som de nossas respirações preenchia o local. Não sei quantos minutos se passaram naquela posição. Tentei ignorar o fato de ela estar vestindo apenas um pijama de tecido fino e eu estar apenas de bermuda, e o toque da pele dela arder em contato com a minha de tão quente. E acho que tive um bom sucesso em ignorar isso. Depois de um tempo afrouxei o aperto e ela deslizou o corpo, porém continuou com a cabeça deitada em meu peito.
— E também – falei quebrando o silencio – Você é um pé-no-saco! E não estou a fim de ver a sua chatice por estar brigada comigo logo de manhã.
— Eu odeio você...
— Eu também te odeio.
E é assim que se faz as pazes com a sua namorada quando ela resolve ter um ataque só porque você nunca usou a palavra “namorada” na frente dela — lógico que ela não precisa saber que você a chama assim mentalmente — Apenas a siga e faça o que ela quer antes que o dia amanhece e ela acorde emburrada com você. E se ela não disser o que quer diretamente, se vire para descobrir o que é. Improvise.
Depois de um ano convivendo com Mirajane, aprendi que é melhor fazer as pazes na hora, do que deixar para o dia seguinte. Mulheres geralmente são insuportáveis quando tem uma birra do dia anterior enfeitando a sua áurea naturalmente maligna.
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