Breaking the Rules
8 Descobertas
Descobertas.
Gajeel
— Gajeel...
Disse uma voz doce e suave ao pé do meu ouvido.
— Gajeel...
Repetiu a voz. Abro meus olhos a sua procura e encontro um meigo sorriso envolto de cabelos curtos e azulados.
— Hum... Levy...
— Gajeel... Você precisa acordar.
— Hum... não quero. Quero dormir mais. – disse abraçando seu pequeno corpo.
Ela deu uma gargalhada leve e gostosa de se ouvir, e voltou a me chamar.
— Gajeel, você vai se atrasar...
— Não vou não.
— Gajeel...
— O que Levy...?
— Gajeel acorda...
— Não...
— Acorda! – falou uma voz um pouco mais distante. Parecia feminina mais não era a pirralha.
— Hum... não...
— Gajeel! Levanta logo!
Alguém puxou minhas cobertas me derrubando no chão.
— Hum...
— Vamos lá! Levanta logo, sua mãe quer tomar café com você!
— Mamãe...?
— É! Sua mãe! Que não sou eu, mas ela esta te esperando! – disse a pessoa cujo ousou acordar-me.
Sentei-me no chão se espreguiçando e dando um longo bocejo.
— Despertou? Pare de sonhar e levanta logo! Sabia que você fala dormindo?
— Eu não estava sonhando e eu não falo dormindo, Mira.
— Fala assim, e Levy não é aquela garota que veio aqui uma vez? Uma baixinha de cabelo azul.
— Não conheço nenhuma Levy.
— Não é o que parecia... Você ficava dizendo “Levy, fique mais um pouco!” “Oh Levy eu não quero acordar!” – ela disse fazendo uma voz grossa tentando me imitar. Joguei um travesseiro na cara dela e ela apenas deu mais risadas!
— Cala a boca! Eu não disse nada!
Ainda rindo, Mira saiu do meu quarto, e eu pude me levantar para fazer minha higiene pessoal. Após tomar banho, lavar o cabelo e escovar os dentes, vesti minha farda. Fazia tempo que eu não a usava. Olhava-me no espelho enquanto prendia o cabelo em um rabo de cavalo.
— Que merda... – falei indignado, batendo as mãos na parede — Estou sonhando com a filha da minha chefa... Tsk! Era só o que me faltava...
Ao descer as escadas e ir em direção a cozinha, encontro minha mãe sentada à bancada de mármore, que ficava no centro da cozinha, enquanto Mira fritava ovos.
— Oh! Bom dia filho!
— Bom dia gatinha. – falei dando um beijo em sua testa — Dormiu bem?
— Como sempre, dormi feito uma pedra! Eu ainda acho que essa garota me da algum sonífero. Você precisa investigá-la. – ela disse essa ultima parte em um sussurro, para que só eu ouvisse, mas alto o suficiente para que Mira escutasse também.
Não aguentei segurar a risada. Adorava ver minha mãe fazendo esses tipos de brincadeira. Ela sempre implicava com a Mira, desde minha época colegial. Porem, eu sabia que ela sentia um grande carinho pela branquela.
— Farei isso gatinha. – sussurrei de volta.
Sentei-me na outra cadeira da bancada, e Mira me entregou um prato com ovos, bacon e torradas.
— Gajeel... Porque está usando o uniforme do seu pai? – Mamãe perguntou enquanto passava sua mão delicadamente em mim. Parou ao ver meu crachá. – Oh! Ele é seu! Não é do seu pai.
— Não mãe, esse uniforme é meu...
— Desde quando está trabalhando na policia?
— Não é que eu esteja trabalhando, mas... Hoje será tipo um treinamento sabe? Algo como... Para que eu posso ter uma noção de como é... O trabalho de verdade.
— Havia me esquecido que você estava prestando um estagio na policia...
— É mãe, a senhora esqueceu...
— Mas é só uma simulação, certo?
— É, apenas uma simulação.
— Entendi... Mudando de assunto, seu pai saiu cedo de novo... Nem deu tempo de tomar café em família...
Odiava ter esse tipo de conversa. Odiava ter que mentir para minha mãe... Só que era melhor ela continuar vivendo em sua própria realidade, do que saber a verdade. Odiaria ver ela daquele jeito novamente...
— O desculpe mamãe... Ele está... Trabalhando em um caso complicado...
— Certo...
— Bem, agora preciso ir! – falei me levantando após tomar o café — Tenha um bom dia!
— Você também, boa sorte no simulado! – ela me deu um abraço apertado e eu lhe beijei na cabeça.
— Obrigado! Até mais minha gatinha!
— Até mais querido.
Fui me dirigindo até a porta, e Mirajane me esperava segurando meu coldre e minhas chaves.
— Boa sorte hoje Mira. Tome – falei entregando uma certa quantia de dinheiro. — Compre tintas novas. Vi que as delas estão acabando.
— Pode deixar. Boa sorte no trabalho.
— Valeu, estou indo então.
Estava bom demais pra ser verdade, meu dia não havia começado bem... E Mira estava muito quieta. E lógico que assim que dei as costas ela soltou uma piadinha.
— Não se esqueça de controlar seus sonhos Gajeel!
Antes de subir na moto, mostrei meu belíssimo dedo do meio para ela. E assim, segui para o trabalho. Teria que passar no departamento antes, trocar minha moto por uma viatura. Estava adorando essa investigação! Finalmente Sarah havia deixado eu fazer algo nas ruas. E eu finalmente estava chegando perto daquele cara...
Cheguei ao primeiro destino de hoje. Era uma casa... Bem, na verdade era um trailer grande que ficava em um terreno meio abandonado com vários outros trailers. Bati na porta uma vez mas ninguém atendeu. Já esperava por isso, eram oito horas da manhã, muitos ainda estão dormindo e seria imprudente bater na porta das pessoas a essa hora. Mas eu sou policial, eu posso.
Bati mais algumas vezes, dessa vez mais forte, e escutei alguém reclamando e me xingando de todos os tipos. Pelo menos o cidadão resolveu acordar. Ao abrir a porta e olhar para mim, ele calou a boca.
Tinha olhos castanhos, ordenados por olheiras enormes. Cabelos loiros desgrenhados e que não vinham um pente a anos. Uma barba para fazer e ele fedia fortemente a álcool!
— O que um policial faz no meu humilde trailer? – ele disse com uma voz rouca. Acho que era fumante também.
— Senhor Stefan, o senhor reconhece esse homem? – disse mostrando a foto de um dos homens que perseguiram a pirralha. Era o loiro chamado Zancrow e que havia falecido no acidente.
— Olha Sr. Policial, eu não sei o que esse moleque fez dessa vez, mas não estou nem ai. Não vou tirá-lo da cadeia. – ele disse enquanto fechava a porta.
— Ele está morto. – falei, assim o impedindo de continuar.
Ele fechou os olhos e pareceu pensativo por algum tempo. Quando os abriu novamente, parecia ter decidido alguma coisa.
— Eu não me importo. Zancrow deixou de ser meu filho quando se meteu com aquele traficante...
— Oh, parece que finalmente chegamos ao ponto que eu gostaria. – falei empurrando ele para dentro e entrando no trailer. – Eu não to nem ai se você se importa com a morte do seu filho ou não. Mas quero todos os detalhes que tiver sobre como ele foi parar no mundo das drogas.
Fechei a porta do trailer e encarei o homem a minha frente. Ele fez cara de quem não diria nada, mas eu sabia que ele falaria. Por bem, ou por mal...
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— Cheguei. – falei entrando na sala de Sarah.
Não fiz questão de bater na porta antes, e ela me olhou feio por causa disso, mas ignorei.
— Trouxe um presentinho pra você. – falei jogando uma pasta com meu relatório de hoje.
— O que você descobriu? – ela perguntou abrindo a pasta e dando uma pequena folheada.
— O cara era um bêbado e não pareceu se importar com a morte do filho, ele tinha repulsa da própria cria. Moravam em uma casa na comunidade humilde de Magnólia, só moravam os dois e o pai trabalhava na empresa de refrigerantes enquanto o filho estudava. Até que Zancrow começou a cabular as aulas e a sair escondido a noite. Stefan começou a sentir falta de algumas coisas dentro de casa e resolveu seguir o filho em uma das saídas noturnas. O viu comprando drogas e o levou para dentro de casa na pancada. As brigas pioraram e por se sentir um pai inútil, Stefan começou a se afundar no álcool, enquanto o filho se afundava nas drogas. Stefan foi despedido e um dia quando chegou em casa descobriu que o filho a havia vendido por drogas. Eles nunca mais se viram desde então, mas a policia já havia procurado Stefan algumas vezes quando o filho ia preso, e ele sempre ignorou todas as vezes.
— Mas Zancrow sempre foi liberado por alguém nas vezes que foi preso. – perguntou Sarah depois de todo o meu relato.
— Ah sim, ele era liberado por alguém que usava o nome de Stefan, fingindo ser pai dele. – falei dando lhe um sorriso torto. Havia me surpreendido nessa parte da historia – Agora, tenta adivinhar quem era...
— Vamos ver... Alguma dica?
— Hm... Um cara grande de cabelo laranja e cara de batata...
Ela se levantou em um pulo batendo as mãos na mesa.
— Richard Hoteye!
— Bingo!
— Como descobriu isso?
— Stefan descobriu. Ele disse que um dia foi tentar visitar o filho em uma das prisões, com o pensamento de que ele estava arrependido do que fez, e descobriu que o filho já havia sido solto por “ele”. Então ele pesquisou um pouquinho e descobriu com quem o filho estava envolvido. O que foi fácil. Ele só precisou voltar para a antiga casa, que estava sendo usada como uma mini fabrica de cocaína.
— Então... Zancrow vendeu a casa para que ela fosse usada como fabrica. Isso quer dizer que ele vendeu a casa para...
— Hoteye. Era ele quem comandava aquele pedaço. Zancrow não conhecia os outros membros da gangue, muito menos o líder, ele ficava mais com o Hoteye, e depois que o prendemos, ele foi encarregado pelo resgate junto com Racer.
— E morreu. – Sarah falou se sentando novamente. – Fico realmente surpresa com toda essa sua descoberta, e nem é onze horas ainda.
— Falar com Stefan foi fácil, só precisei usar o bom senso – falei levantando meu punho direito. – E a persuasão. – disse levantando o esquerdo.
Sarah me encarou tediosamente, como se já esperasse por isso.
— Você bateu no pobre homem?
— Não bati, só ameacei. E ele falou tudo. E claro, eu fui até a antiga casa que era usada como fabrica. Está desativada há meses. Ainda tem algumas coisas por lá, mas nada que podemos usar como provas.
— Entendo... Lucy investigou sobre Racer. É ele quem rouba os carros, troca as placas e as documentações, e cuida de tudo relacionado a transporte de trafico.
— Só tem uma coisa me incomodando Sarah... E acho que você já percebeu isso.
— O que?
— Está fácil demais.
— Eu percebi, e cheguei à conclusão de que, Ele está fazendo de propósito.
— E porque chegou a essa conclusão?
— Ah Gajeel, ele sabe de você. Ele sabe dos incidentes que nos liga. Ele sabe o quão desesperados somos por vingança. Deixar pistas, provas, respostas para perguntas que fazemos a anos, tudo isso é um plano Dele. Ficaríamos tão focados com a nossa vingança, que esta começando a aparecer numa bandeja, que acabaríamos esquecendo-se da Dele, e isso deixaria seu caminho livre para nos atingir novamente.
— É por isso que vou para a segunda parte do plano...
— Sim, vamos reforçar nossa guarda. E reforçar a guarda daquela que esta sendo mais ameaçada... Tudo por minha culpa...
— Não se preocupe Sarah. – falei a encarando seriamente. – Eu protegerei Levy com a minha vida. E juntos vamos vingar a morte do meu pai, e do tio Mike.
— Sei que posso contar com você. É o único que conhece minha dor... – ela falou sorrindo – E então, já decidiu o que vai ser?
— Ah sim, e entre ensinar e aprender, eu prefiro ensinar. No estilo Gajeel, é claro!
— Não está a fim de assumir suas origens de pirralho rebelde? – ela disse com um sorriso irônico no rosto.
— Deixei de ser pirralho quando aprendi a atirar!
— Isso não muda nada, Levy também sabe fazer isso!
— A pirralha sabe atirar?! – perguntei surpreso.
— Mike ensinou a ela o básico. E não chame minha filha de pirralha, pirralho!
— Não aguento mais ouvir essa palavra. Então você já a perdoou? Sobre aquele lance de fugir e blábláblá.
— “Aquele lance” já é passado. Eu acredito que tenha sido um erro e que ela se arrependa... Minha Levy realmente não tem jeito de quem faz aquelas coisas.
— “Ela é completamente cega pela filha...”— pensei perplexo.
Sarah abriu uma gaveta e tirou uma papelada. Dando uma folheada nela antes de me entregar.
— Como anda sua mãe Gajeel?
Aquela pergunta me pegou de surpresa. Não falávamos muito sobre isso. Na verdade eu evitava falar da minha mãe. Doía-me lembrar de seu estado, e saber que eu não poderia fazer nada para ajudar.
— Ela está na mesma. – falei por fim — Alguns dias são bons, outros nem tanto... Porem, ela voltou a pintar. Mas apenas para ela mesma. Ela me proibiu de vender os quadros, diz que são lembranças que ela precisa guardar para não se sentir esquecida.
— Que profundo...
— São as palavras dela. Os quadros que ela anda pintando são todos recordações vagas que ela tem. Alguns são de pessoas, outros de paisagem... Mas fora isso, suas memórias continuam confusa.
— Qualquer dia eu passarei lá para vê-la. Quem sabe ela não se lembre de mim!
— Ah claro, me dê um dia de folga e quem sabe eu não te convido.
— Pare de reclamar! Foi você que pediu para trabalhar todos os dias.
— Tá tá. Vou embora então. – falei me levantando e indo em direção a porta. – Preciso dar uma aula! – disse balançando a papelada que ela havia me entregado.
— Não mate eles! – ela gritou antes que eu fechasse a porta.
Após trocar a viatura pela minha adorável motinha, voltei para casa. Por sorte nem mamãe e nem Mira estavam em casa. Assim eu não iria precisar dar uma desculpa.
Tomei um banho rápido só para tirar a fadiga, e coloquei uma roupa mais social. Uma calça cinza clara, uma camisa branca, um colete da mesma cor da calça e uma gravata preta. Era necessário isso para minha “entrevista de emprego”. Dei um jeito de esconder minha arma no meio dessas roupas, nunca saio sem ela. Prendi meu cabelo num rabo de cavalo – odiava fazer isso, marcava os fios – e dei uma olhada no espelho antes de sair. Só preciso de uma primeira impressão, então acho que essas roupas estão boas. De qualquer forma, eu iria conseguir. Sarah já deu jeito em toda essa burocracia, e a Diretoria sabia porque eu estava entrando disfarçado, mas os outros precisam funcionários precisavam me ver ao menos passando por todo o processo.
Por algum motivo eu estava ansioso por isso, talvez seja para ver a cara de surpresa da minha pirralha quando...
— Droga... – me repreendi antes de continuar aquela frase.
Por algum desgraçado motivo, eu andava pensando demais na Levy. Mas eu não tinha muita escolha, minha vida praticamente estava girando em torno dela... Só que chamá-la de “minha pirralha” estava se tornando algo inevitável e automático. Quando percebia já havia dito. E aquele sonho ainda me deixava indignado.
— Porque diabos de motivo eu tinha que sonhar com ela?! Justo ela? – eu falava de frente pro espelho — Uma pirralha problemática que é capaz de botar fogo na casa se tentar cozinhar, totalmente desastrada, folgada, curiosa, engraçada... Não! Engraçada não, ela é chata! E só sabe ficar falando coisas desnecessárias! É inteligente e meiga... Não! Quero dizer... Inteligente é um pouco, mas meiga não! Ela é doce que nem aquele bendito jiló! E é delicada como uma boneca de porcelana, mas apenas por fora por que acho ela uma garota de personalidade forte e... AH! Pare de falar com você mesmo Gajeel! Está pegando as maluquices daquela pirralha! Porque é só isso que ela é! Uma maldita pirralha na qual você está... Está... – estaquei encarando meu reflexo no espelho. Arregalei os olhos ao notar uma coisa que não costuma ser normal em mim...
Por que meu rosto tinha que estar tão corado?! E meu coração tão acelerado?!
Ah Droga! Isso não é nada bom...
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