Breaking the Rules
3 Cinema
Cinema.

Levy
Fiquei encarando aquela pessoa na minha frente por longos 15 minutos. Depois que minha mãe foi embora, e eu me recuperei do choque, fui almoçar para vê se acordava daquele pesadelo. Porém, ao sentar à mesa e ver aquele homem sentado com os braços cruzados e olhos fechados, como se não se importasse com nada, não consegui comer. Apenas o encarava a procura de qualquer coisa que demonstrasse no que ele estava pensando, ou apenas demonstrasse que tudo aquilo era mentira.
— Eu sei que sou bonito, mas se continuar a me encarar assim sua comida vai esfriar. – ele disse enquanto levantada uma sobrancelha e me encarava.
— Não se preocupe Sr. Convencido, se esfriar eu esquento de novo.
— Tudo bem Senhorita Ironia, só que eu não gosto de ser observado. Então pare agora mesmo. – sua voz soou rouca e penetrante me causando um arrepio. Posso até dizer que foi amedrontadora.
Tenho a impressão de que viver com esse cara, não vai ser uma coisa boa...
~~~~~~~~~~**********~~~~~~~~~~
Hoje faz pouco mais de duas semanas que ando sendo vigiada por um cara que se diz ser meu “Guarda Costa”. Não posso dizer que nossa relação é boa ou ruim. Ele tem que me vigiar e relata tudo para minha mãe depois. Não sei o que ele escreve em seu relatório, mas pretendo descobrir.
Ele chega a minha casa uma da tarde, nesse horário eu ainda estou esquentando o almoço pois acabei de chegar do colégio. E vai embora as nove e meia da noite em ponto, o que me dá trinta minutos de liberdade, pois minha mãe chega as dez da noite. Nos finais de semana ele também me vigia.
Ele não faz nada a não ser ficar sentado na sala assistindo TV e reclama por ter que ficar cuidando de mim enquanto poderia fazer algo melhor. Apenas ignoro isso e o deixo falando sozinho. Fico no meu quarto é só saio de lá para comer ou ir ao banheiro. Não nos falamos muito, mas parece que quando circulo pela casa ele observa cada movimento meu, estou tomando cuidado com isso.
Hoje testarei sua paciência. Estou livre do castigo de não sair de casa então pretendo ir ao shopping com as meninas. Elas querem ver um filme que estreou essa semana, e de acordo com minhas informações, ele deverá ir junto. Já alertei as meninas sobre isso, e Juvia está louca para conhecê-lo. Ela diz: “Quem sabe assim você não toma juízo!” – Estou com certas duvidas de como devo torturar a Juvia por ter esse tipo de pensamento. Como a Kana diz: “Não me dê juízo, me dê vodka.”
Eu e Gajeel não conversamos muito, tudo se resume em um “Oi” ou “Bom dia” que eu dou quando ele chega, e que muitas vezes é respondido apenas com um resmungo. Não gosto muito de conversar com ele, pois sua voz ainda me arrepia. Pelo pouco tempo de convivência, descobri que ele é chato, ignorante, arrogante, grosso e imbecil.
Mas talvez eu esteja sendo um pouco cruel, não o conheço o suficiente então não posso dizer com toda a certeza que ele.....
— Ei Pirralha! – gritou da sala.
— O que é?! – gritei de volta.
— Suas amiguinhas chegaram.
— "Obrigada por avisar Ser, mas o que custa ter vindo dizer sem precisar gritar??"
Como eu estava dizendo, ele é chato, ignorante, arrogante, grosso e imbecil!! Esqueça o que eu disse, com certeza ele não tem nada de bom!
Fui até a sala cumprimentar as meninas, eu já estava arrumada e pronta para sair. Usava um vestido simples da cor rosa bebê, com um cardigã marrom claro e sapatilha preta. No meu cabelo tinha apenas uma faixa da mesma cor do vestido. Peguei meu celular e coloquei na minha bolsinha de lado, indo correndo pra sala.
— Onde elas estão? – perguntei ao chegar na sala e encontrar Gajeel sentado no sofá, totalmente desinteressado ao programa que passava na televisão.
— Na porta. – ele respondeu sem desviar os olhos da TV.
— Porque você não abriu? – respondi me dirigindo a porta.
— Eu abri, vi quem era e fechei de novo.
— E porque fez isso?! Oi meninas! Entrem. – me dirigi para frente dele tampando sua visão.
— Não to no clima para aguentar piralhas hoje.
— Não me importo! – falei colocando as duas mãos na cintura — A casa é minha, as amigas são minhas! E quando elas tocarem a campainha é para deixá-las entrar.
— Como você mesmo disse, a casa é sua e as amigas também – ele disse se levantando ficando de frente para mim. Eu era um pouco mais baixa que a altura de seu ombro. – Então você é quem deve fazer as honras de atender a porta. – ele cruzou os braços e sorriu ironicamente.
— Um pouco de educação seria legal! Mamãe não te ensinou isso não? – eu deveria ter ficado quieta. Depois dessa frase, Gajeel me olhou de uma forma que fez me sentir três vezes menor que ele.
— Só vou falar uma vez e espero que você entenda. Se você gosta da sua língua, não fale mal da minha mãe novamente.
— D-Desculpe...
— Onde você vai? – falou analisando a roupa que eu vestia. A atmosfera aterrorizante já havia sumido, mas eu ainda estava em choque.
— Nós vamos ao shopping. – Falou Juvia, despertando-me do transe.
— Você não pode sair, está de castigo. – disse Gajeel segurando em minha cabeça e me empurrando para o lado e voltando a se sentar no sofá – Vá para o quarto brincar de boneca.
— Corrigindo, eu 'estava' de castigo. Estava do verbo, não estou mais. Ele acabou hoje. Tenho permissão para sair e nós vamos ao shopping. E quando digo “Nós”, quero dizer eu, as meninas e você. A não ser que queira ficar, eu não me importo. – sorri e voltei para as meninas. Abraçando-as apertado.
Depois daquilo não houve mais diálogo entre eu e o Gajeel. Acho que esse foi o mais longo que tivemos... Ele nos seguiu até o ponto de ônibus. Era duro ser adolescente e não ter carro, Kana teve a idéia de pedir para o Gajeel nos levar no carro da policia, mas não tinha como. Primeiro por que ele não estava com o carro, e segundo por que ele não poderia fazer isso. E não acho que seria uma boa idéia chegarmos ao shopping numa viatura.
Gajeel se manteve afastado o tempo todo. Parecia que não se importava com nada, mas sentia-o observando-nos de longe.
— Ele parece ser uma pessoal legal. – disse Juvia enquanto estávamos na fila da pipoca. – Um pouco arrogante, mas legal.
— Anda se drogando Juvia?
— Concordo com a Kana, qual você anda usando? É injetável? Pó ou seringa?
— Idiotas. Eu não uso drogas!
— Você viu a cena de hoje não é? Mesmo que eu tente, ele não me dá chances de conhecê-lo. Acho que vamos ficar só nisso. Prefiro assim, não quero me envolver muito com ele. Criar uma “amizade” não me parece uma boa idéia. De qualquer forma, daqui a pouco isso acaba. Minha mãe não pretende deixar ele na minha cola pra sempre. Não mesmo.
— Vocês brigam assim todo dia? – perguntou Kana.
— Não, na verdade acho que essa foi nossa primeira conversa. Costumo me trancar no quarto depois de almoçar, acabo sempre dormindo. E ele fica na sala assistindo TV ou fazendo sei lá o que.
— Eu o achei bonitinho... – disse Juvia.
Eu e Kana a encaramos assustadas com aquela revelação.
— O que foi? — disse Juvia nos encarando de volta.
— Isso está passando dos limites, Kana! Vamos combinar uma noite, invadir a casa dela e destruir todas as drogas! E interná-la depois.
— Irei procurar por uma clinica de reabilitação! O estado é grave!
— Querem parar com isso! Eu não uso drogas! Apenas disse que ele é bonitinho. Nada demais. E por favor, não pensem na hipótese de “eu estar a fim dele”, por que isso não existe! Vocês sabem a quem meu coração pertence...
— Gray-sama!!! – dissemos Kana e eu em uníssono, com uma voz melosa e juntando as mãos, fazendo com que Juvia corasse. Rimos e ela nos bateu.
Gray era o grande amor de Juvia, mas falamos dele outra hora.
Quando entramos na sala do cinema, ela estava bastante cheia. Achamos três lugares numa das fileiras do meio que ficam no canto. Eu e as meninas nos sentamos ali. Gajeel se sentou duas fileiras mais a frente.
O filme começou. Quando estava meio que na metade, o casal sentado na fileira da frente começou a se pegar.
— “Que coisa, vai para um motel!”— pensei, e joguei uma pipoca neles, mas ela não os acertou. – “Como posso ser tão vesga!?”
Achei melhor ignorá-los e voltei a prestar atenção no filme. Mas não dava, o barulho dos beijos deles começava a incomodar. Não que eu esteja com inveja. Eu já havia beijado antes, mesmo que isso já faça um tempo... Tipo, um ano... Meu primeiro beijo foi aos 13 anos, com um amigo chamado Jet. Só que ele mudou de cidade três dias depois. Mas eu não ligava muito pra isso. Era feliz por nunca ter me apaixonado, não era de “ficar” com muitos caras. Acontece que às vezes em algumas festas eu acabo perdendo a noção e exagero. Às vezes não me lembro o que houve, mas são momentos raros. Juvia sempre me salva nisso.
O casal continuava na maior pegação. Tentei tacar outra pipoca, mas novamente não consegui acertá-los. Em compensação, acertei outra pessoa que estava sentado um pouco mais a frente. Ele não se importou, ou apenas não sentiu, então taquei de novo. Vi que ele respirou fundo, mas continuou ignorando. Taquei mais três até que ele se virou para o casal e falou algo que eu não consegui escutar. Logo depois, o casal se levantou e trocou de lugar com ele.
Senti uma luz vermelha piscando na minha frente e dizendo: “Perigo! Perigo!” — Mas não prestei atenção nela e joguei outra pipoca nele. Ela ficou grudada no cabelo, e ele simplesmente a retirou. Ficou uns segundos parado, e eu iria tacar outra se ele não tivesse se virado abruptamente e pegado o pacote de pipoca.
— O que você fez? – sussurrou Juvia.
— Nada, só estava treinando minha mira no escuro. – sussurrei de volta.
Kana segurou o riso, e Gajeel começou a comer minha pipoca. Uns minutos depois ele se virou de novo e pegou o refrigerante também.
Acabo de descobrir que além de chato, ignorante, arrogante, grosso e imbecil, meu vigia é folgado e vingativo.
~~~~~~~~~~**********~~~~~~~~~~
— Não curto muito pipoca salgada, mas até que aquela estava boa. Muito obrigado por me oferecê-la, Baixinha! – dizia Gajeel enquanto dava tapinhas na minha cabeça.
O filme havia acabado, estávamos caminhando pelo shopping. Ainda era um pouco cedo, então decidimos fazer umas comprinhas. Na verdade, Juvia decidiu fazer compras. Ela disse que precisava renovar seu guarda-roupa.
Juvia tinha um estilo meio hipster. No momento ela usava um short jeans, com meia calça preta e um coturno feminino também preto. Suéter cinza com o desenho de um bigodinho. Uma bolsa que ela usava de um lado só do ombro, e seus cabelos estavam presos em um coque frouxo.
Já a Kana era mais extravagante. Usava uma calça jeans clara que ficava justa ao corpo. Uma blusa preta da Jack Daniels e suspensórios da cor branca. Sapatilhas preta e seus cabelos preso em um rabo de cavalo alto.
Andamos em várias lojas, da minha parte foi de propósito. Percebi que Gajeel não gostava disso e quis vingar minha pipoca. Pedi para ele segurar as sacolas, mas ele foi grosso e disse não. Então Juvia pediu e ele acabou aceitando. Fiquei incrédula. Ela disse que tudo depende do modo como falamos. Não entendi muito bem o que ela disse, eu fui legal com ele! Eu apenas disse: "Ei Sr. Gosto De Roubar A Pipoca Dos Outros, já que não está fazendo nada carrega as sacolas vai!"— sim, fiquei ressentida com o lance da pipoca – Juvia falou quase a mesma coisa que eu: "Gajeel, poderia por gentileza carregar as sacolas para gente? Pense bem, quanto mais rápido formos aqui, mais rápido você volta pra casa!" — Realmente, não vi diferença.
— Viu baixinha? É assim que se pede um favor!
— Você está comunicativo demais pro meu gosto. Poderia por gentileza calar a boca!?
Idiota.
— Que horas são? – Kana perguntou depois de um tempo. Estávamos olhando nossa sexta vitrine de sapatos.
— Hm.... Nove horas. – disse Juvia.
Gajeel levantou em pulo do banco onde ele estava e foi direto para a saída. Mandando-nos ir embora. O seguimos, pois ele estava com nossas sacolas.
— Para que a pressa de ir embora? – perguntei.
— Por que nove e meia acaba meu trabalho e preciso ir embora.
— Pode ir! Não estamos de carona com você!
— Tudo bem. – ele disse e entregou as sacolas para as meninas. – Mas você vem junto. – falou e saiu me puxando para o ponto de ônibus. Já havíamos saído de dentro do shopping.
— Ei! Me solte!
— Preciso te deixar em casa antes de sua mãe chegar.
— Ela só chega as dez!
— Mas eu tenho que ir embora antes. – ele parou e me soltou. Me encarando com a carranca de sempre. – Eu não confio em você, então não adianta dizer que eu posso ir que vocês voltaram para a casa. Eu tenho um compromisso e preciso ir embora as nove e meia. Então não complique as coisas, pirralha!
No final acabamos indo embora. Juvia se intrometeu impedindo que eu arrancasse os cabelos dele fio por fio. Não entendo o por que da pressa dele de ir embora sempre no mesmo horário. Afinal, no dia que eu fui pega na boate já passava da meia noite.
Eu não entendo esse cara....
Fale com o autor