Notas iniciais
Vou adicionar um capítulo por dia até chegar aonde eu parei. Beijinhos e boa leitura!

Castigo.

Levy

— Vamos aos fatos. Você estava numa casa noturna para maiores de dezoito anos, com uma identidade falsa, sozinha, e com 0,3 g de álcool no seu organismo. Sendo que, você havia dito que iria dormi na casa de sua amiga para estudar. Muito bem, o que você tem a dizer sobre isso?

O ar presente naquela sala estava pesado. Depois que segui minha mãe, sem dizer nada ela apenas me mandou fazer o teste do bafômetro, e revirou minha bolsa, achando lá meu celular, minha carteira que continha dinheiro e a identidade, e um spray de pimenta que eu sempre carregava.

Depois disso, ela apenas sentou em sua poltrona e ficou me encarando por longos 5 minutos. Eu já sabia o que ia dizer, então apenas continuei de cabeça baixa, com um ar de arrependida. Ela precisava acreditar nisso.

— Eu te fiz uma pergunta, Levy.

— Bem mãe, eu...

— Cala a boca! Eu ainda não terminei!

— Eu posso explic...

— Eu mandei você falar?! Não! Então cala a boca!! Não tem que explicar nada! Eu te dei educação pra você me respeitar, não para mentir! O que eu fiz para merecer isso?! Eu aqui cansada, trabalhando a noite toda, e você “curtindo” uma baladinha?!? Eu te fiz alguma coisa para você me tratar desse jeito?! Eu dou tudo o que você pede! Pra que? Pra no final você me dá essa facada!! Me diga Levy, eu sou uma péssima mãe?? Responde!

— Não mãe! Voc....

— Cala a boca!!!

— Mas...

— Sem mais!! Fica quieta!

“Que bipolar...”

Depois de uma longa briga da minha mãe, que ficou o tempo todo dizendo o quanto eu era ingrata, e me mandando calar a boca depois que me pedia pra falar, acabei por não ter um castigo certo. Ela apenas disse que eu estava proibida de sair de casa.

Pelo jeito consegui fazer com que ela caísse na minha desculpa. E qual foi ela? Simples, para ela eu nunca havia aprontado antes, e era a filha perfeita. Que sempre obedecia e só tirava notas boas. Então, apenas disse que aquela foi a primeira vez que eu havia mentido para ela, disse que queria saber como era quebrar as regras uma vez na vida, então por isso fiz aquilo, e que estava terrivelmente arrependida.

Ela ficou um tempo em silencio, refletindo acredito eu. Enquanto isso eu chorava e pedia desculpas milhões de vezes. No final, voltamos para a casa juntas. Num silencio total.

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— Então ela disse que pensaria num castigo pra mim. Mas é provável que não seja nada demais, foi meu primeiro erro. E eu sempre fui a filha que ela sempre quis, no máximo vou ficar umas duas semanas sem sair de casa, e talvez sem celular ou internet.

— Depois de toda essa encenação, você merecia o prêmio de melhor atriz! – disse Juvia.

Já era segunda feira e estávamos no intervalo do colégio. Juvia, Kana e eu somos melhores amigas. A Juvia está comigo desde o primário, e a Kana conheci no fundamental. Somos inseparáveis, e sempre saímos juntas sexta ou sábado a noite.

— Veja que ironia do destino, justo quando vocês não estão comigo eu sou pega! Isso é a prova de que vocês não podem me abandonar.

— Ou isso significa que você tem que parar de ir nesses lugares. E parar de nos arrastar junto!

— Como se você não gostasse, Juvia. – disse Kana, enquanto comia chocolate.

— Juvia não gosta. Juvia acha esses lugares muito perigosos!

— Juvia, você está falando em terceira pessoa de novo.

— Deixa Kana, você sabe que quando ela fica nervosa ela fala assim. Ela gosta de curti uma festa tanto quanto eu, mas não admite.

— Não sei do que vocês estão falando....

— Enfim, Kana como foi com o seu pai e a nova namorada dele?

— Ah foi fácil. Falei que meu pai estava falido e a procura de uma mulher com dinheiro para sustentá-lo. Então ela foi ao banheiro e nunca mais voltou... Era apenas mais uma interesseira.

— E como o Tiozão ficou?

— Ah, ele está bem, quando havia voltado e viu que ela não estava mais lá, ele apenas pagou a conta do restaurante e fomos juntos pra casa.

— O tio Gildarts é muito namoradeiro... Mas acredito que um dia ele vai achar a mulher certa!

— Se a Kana deixar... E falando nisso, de que sabor é esse chocolate? — disse Juvia.

— Licor.

— Kana!! – berrou Juvia, o que nos assustou e chamou a atenção de metade do intervalo.

— O que eu fiz?!

— Licor? Qual o seu problema?! Tem 16 anos e parece que precisa ser internada numa clinica para alcoólatras!

— Mas é só chocolate!

— De licor! Me dê isso aqui! – Juvia pegou a caixa do chocolate e jogou tudo no lixo.

De certa forma eu concordava com ela, a Kana bebia demais.

— Por que você fez isso!?! – choramingou Kana.

— Porque você está bebendo muito ultimamente! Não me surpreenderia se te visse tomando perfume! Você vai parar com isso, seja por bem ou por mal! Entendeu?!

— Sim... Desculpa...

Juvia era assim. Posso dizer que ela é a mais normal de nos três, e a mais responsável também. E quando ela se irrita, sua palavra se torna lei. Ela é o que considero de minha segunda mãe.

O sinal finalmente tocou e voltamos pra sala. Teríamos mais duas aulas e depois voltaríamos pra casa. De certa forma eu estava um pouco nervosa. Pelo o que pude entender, hoje minha mãe me diria qual seria o meu castigo. Não tenho a mínima idéia do que possa ser, mas ainda acredito que não vá ser nada demais. Eu sou perfeita, genial, um amor de filha! Aconteceu que eu tive um pequenino azar, mas todo mundo erra um dia. É só eu me comportar direitinho por um tempo, e tudo vai voltar ao normal. Ela vai acabar esquecendo isso. Pelo menos, assim espero...

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Departamento de Policia de Magnólia – 9:30h

— Sargento Lucy, agora que se acalmou, poderia mais uma vez me explicar o que houve? – disse a delegada, que sentada em sua poltrona tentava resolver novamente mais uma discussão entre aquela dupla.

Estava um dia aparentemente calmo, até que sua sala é invadida por dois de seus agentes que vivem em pé de guerra. Enquanto uma esperneava e discutia alguma coisa, o outro apenas estava sentado como se não se importasse.

“Ele é muito desleixado, e ela cabeça quente.” – pensou a delegada.

— Como eu havia dito Delegada Sarah, eu e meu excelentíssimo parceiro, Cabo Gajeel, estávamos em uma perseguição no Parque do centro da cidade. Eu estava comandando obviamente, pois da ultima vez que ele comandou conseguimos causar um engarrafamento. Estávamos apenas perseguindo um homem que havia assaltado a bolsa de uma senhora. E este cara aqui me desobedeceu completamente, tomando a decisão de segui-lo sozinho e tomando um caminho diferente do qual eu havia mandado seguir, detalhe que o caminho que ele seguiu era contramão, e saiu atrás do cara, o atropelando num cruzamento. Por sorte o ladrão não se machucou, e estaria tudo bem, pois ele o havia pegado apesar de tudo, só que o meu excelentíssimo parceiro, quando o apreendeu, esqueceu de dizer os direitos dele!

— Mas pegamos o ladrão, não pegamos? – falou Gajeel de uma forma tranquila, apesar da cara emburrada.

— Mas tivemos que soltá-lo!! Por que alguém não disse os direitos dele!! Que é a coisa mais fácil de decorar, e você no mínimo deveria saber isso!

— Eu esqueci! Quando o prendi você imediatamente chegou já com cinco pedras na mão, me xingando e me chamando de irresponsável! Não deu tempo de falar os direitos dele.

— Você foge de sua formação, não obedece minhas ordens, e ainda atropela o meliante. Queria que eu chegasse e falasse o que? “Parabéns pelo trabalho irresponsável que quase causou uma morte!” – Lucy disse essa ultima parte afinando a voz como se fosse uma menininha.

— Okay, parem de discutir. – tentou Sarah, mas foi ignorada pelos dois.

— Pelo menos eu peguei o cara. E eu não ia matá-lo, bati na lateral da bicicleta dele, foi tudo minimamente calculado.

— Mas você não pensa que poderia ter acontecido algo mais grave? E o que adianta ter o pego se o soltamos 20 minutos depois?!

— Eu disse para pararem... – tentou Sarah mais uma vez.

— Tsk! Eu já disse que não sirvo pra esse cargo. Eu fico o dia todo parado numa moto esperando alguma coisa e vendo crianças correndo pra lá e pra cá!! Isso me irrita, eu quero me tornar um oficial e ir para as ruas de verdade! Perseguir bandidos de verdade! E não esses ladrãozinhos que não sabem nem limpar a bunda! Só a noite tem alguma ação, e ainda assim tenho que receber ordens!

— E você acha que é fácil assim?! Tem 1 ano que você foi transferido pra cá, achou que ia aparecer aqui e já ia ganhar um carro e um posto alto? Você não tem experiência ou maturidade o suficiente para um cargo importante.

— Acabou a discussão... – falou Sarah.

— Falou a Senhora de 40 anos de experiência! Você tem o que? A mesma idade que eu, ou até mais nova! Tá falando o que, aposto que também preferia um cargo melhor do que ficar sentada olhando pirralhos.

— Eu prefiro sim algo melhor, mas não fico reclamando disso! Eu tenho paciência o suficiente para me esforça e conseguir algo com meus próprios méritos.

— Parem de discutir...

— Gihihi! Bunny girl, você pode ter tudo menos paciência.

— Já falei para não me chamar assi.... !!!

— Calem a boca!! – gritou Sarah.

Ambos pararam a discussão e olharam para sua superior, que se encontrava em pé com as duas mãos espalmadas na mesa, e com uma cara nada agradável.

— Sentem-se. – ela disse se acalmando, e os dois se sentaram imediatamente. – Ótimo, agora que consegui a atenção de vocês, vamos aos fatos. Cabo Gajeel, o senhor mais uma vez desobedeceu as ordens da Sargento Lucy e parece que o senhor continua não satisfeito com a sua atual posição. De certa forma o que o senhor fez não foi o certo, mesmo tendo pegado o culpado. Porem acho o senhor um bom policial, é apenas um pouco imprudente. Sargento Lucy, a senhorita também é uma boa policial, só precisa ser um pouco mais paciente. E gritar menos também. Vocês já estão um bom tempo como parceiros, e ainda não me arrependi de ter colocado os dois juntos, vocês tem certa sincronia, só precisam saber encontrar ela.

— Duvido muito, eu não consigo trabalhar com esse ignorante. – disse Lucy.

— E eu não consigo me concentrar com ela no meu ouvido. – resmungou Gajeel.

— Mandei falarem? – disse Sarah arqueando uma sobrancelha e fazendo os dois abaixarem a cabeça. – Gajeel, quero que recite os Direitos de Miranda

— Certo. – ele respirou fundo e então continuou — Você... Você tem o direito de permanecer em silencio, e a um advogado. E qualquer coisa que falar pode ser usado contra você, ou algo do tipo...

— “Ou algo do tipo” ? – falou a Delegado, olhando-o com uma das sobrancelhas erguidas.

— É, deu um branco agora.

— Tsk! Idiota... – disse Lucy cruzando os braços.

— Fica na sua Loira.

Sarah respira fundo, fechando os olhos e massageando as têmporas. Não estava com paciência para aqueles dois. E ainda tinha o problema da filha para resolver, não havia acreditado completamente na historia que ela contou, queria vigiá-la, mas não tinha tempo para isso.

— Tive uma ideia! – exclamou Sarah, com um sorriso aterrorizante no rosto. – Já que estão com problemas para se relacionarem, irei separar vocês.

— Perfeito! – disseram os dois ao mesmo tempo.

— Irei dar uma missão especial para cada um de vocês, irão ficar um tempo fora das ruas. Ela será sigilosa. Falarei particularmente com cada um. Por enquanto podem se retirar.

— Obrigada, delegada Sarah. Com licença. – disse Lucy.

— Até delegada. – falou Gajeel e saiu fechando a porta.

Assim que ambos saíram, Sarah começa a rodar em sua cadeira giratória, rindo maleficamente.

— Isso será divertido..

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Levy

Quando cheguei em casa, vi o carro de minha mãe estacionando. Provavelmente assim que eu entrasse, ela estaria sentada no sofá com um rosto maligno preparando meu purgatório. Surpreendi-me quando abri a porta e a vi saindo da cozinha, ainda usando sua roupa social que normalmente trabalhava, com um grande sorriso no rosto e secando as mãos em um pano.

— Bom dia querida! – ela disse e me deu um beijo no rosto.

— Bom dia... tudo bem...?

— Tudo ótimo! Está com fome? Fiz uma macarronada, está quentinha.

— Vai almoçar em casa?

— Infelizmente não, preciso voltar pro trabalho.

— Que pena. – “Que bom, parece que ela já esqueceu tudo aquilo!”

Lógico, eu deveria ter suspeitado desde o inicio toda aquela alegria. Mas não imaginava que ela chegaria tão longe.

Fui andando para a cozinha, estava morta de fome e a macarronada da minha mãe é o meu prato favorito. Mas assim que entrei vi um ser desagradável, e que eu não gostaria de ver tão cedo, sentado num dos lugares da mesa de jantar. Estava com os braços cruzados e a cara mais emburrada, ou irritada, que eu já vi. Mas minha surpresa maior foi ver que ele não estava fardado como deveria estar. Usava uma calça jeans escura, uma camisa verde com uma jaqueta preta por cima, e seus longos cabelos estavam soltos, com uma faixa vermelha colocando sua franja para trás.

Voltei meu olhar para a sala, e vi minha mãe arrumando sua bolsa. Olhei novamente para a cozinha, e o encarei como se estivesse perguntando: Você não vai sair? Ela já está indo embora. – Mas ele não fez menção de se levantar. Apenas soltou um som de resmungo e virou o rosto para o outro lado.

Okay, já teve raros momentos em que minha mãe passava aqui em casa acompanhada de um ou uma policial, mas eram momentos raros. E era sempre por motivos de trabalho. E ambos sempre fardados. Mas agora não, minha mãe está usando sua roupa normal de quem vai passar o dia no escritório e que não vai para as ruas. E aquele ser está simplesmente normal.

Senhor, não me diga que minha mãe está saindo com esse cara!

— Levy querida, você está com uma cara confusa.

— De certa forma. Pergunto-me o que essa pessoa faz aqui.

— Ah! Gajeel, essa é minha filha Levy, e Levy esse é o Cabo Gajeel. Acho que você já o conhece.

— Infelizmente, tivemos um primeiro encontro não muito agradável... – falei. E o “Ser” voltou a nos encarar. Chamo-o assim porque ele tem uma cara assustadora. E nesse momento parece que ele vai me matar caso pisque.

— Parece que vocês não se dão muito bem. E isso é ótimo! Bem, deu meu horário. Preciso ir.

— Espera! Ele vai ficar aqui?!

— Sim querida. Gajeel será seu guarda costas.

— O que?! Por que isso??

— É para eu ter a certeza que você não fugirá novamente, sendo assim, ele irá te seguir e te vigiar onde você for. Agora beijinhos, preciso voltar ao trabalho. – disse ela afagando minha cabeça e dando um beijo nela.

Eu ainda me encontrava em choque.

— Divirtam-se! – deu mais um aceno com um sorriso enorme no rosto, e logo em seguida bateu a porta com uma força desnecessária.

Voltei meu olhar pro Ser, que continuava na mesma posição de quando cheguei.

— Não se preocupe, eu também te odeio. E odeio mais ainda estar aqui. E sim, estou com um ódio mortal por ter que vigiar uma pirralha como você. Então, não me dê dor de cabeça e não torne isso pior.

Comecei a encarar o nada. Eu estava chocada.

— Isso... Só pode ser brincadeira...

— Acredite, não é.

Sério mesmo? Vou ter que viver 24 horas com um armário atrás de mim? E que vai ficar reportando meus passos para minha mãe?

Eu devo ter sapateado no Sagrado Bacon do Santo Porco Alado para merecer isso, só pode...