P.O.V. Alec.

Ela me levou até o hotel onde estava hospedada. Era um hotel cinco estrelas.

—Você não é boba.

—É claro que não. O quarto da frente é seu.

—Meu? Sabia que eu viria?

—Talvez. Vou te ajudar a tirar as etiquetas das roupas.

—Porque uma cama de casal se é só você?

—Eu sou espaçosa.

—Estou vendo.

O banheiro estava lotado de loções, cremes, perfumes. E todos de marcas famosas. Sephora, Victória Secret e assim vai.

—Você tem muitas coisas.

—Esse é seu jeito de dizer que eu sou mimada? Sou mesmo. Esse hábito de fazer compras, o gosto pela moda eu peguei da tia Alice.

—Você é incrível.

—Nossa! Obrigado. Agora, vamos passear.

Visitamos todos os pontos turísticos da cidade. E na hora do almoço, fomos a um restaurante.

O garçom começou a falar. Falar italiano.

—Desculpe, eu não falo italiano.

Ele começou a insultá-la.

—O que?

Então, eu falei:

—Onde estão os seus modos? Isso não é maneira de se tratar uma dama.

O homem de meia idade, baixinho, gordo e careca ficou com cara de tacho. Acho que ele não esperava que eu falasse italiano.

—Vamos á outro restaurante.

—Tudo bem.

Nós levantamos e saímos.

—O que foi que aconteceu?

—Ele era um idiota.

—Estava me xingando não estava?

—Estava.

Fomos a outro restaurante, um onde a garçonete foi bastante educada.

—E o senhor?

—Não. Eu estou numa dieta especial.

—Se mudar de ideia.

—Eu chamo. Então, porque ravióli ao cogumelo?

—Porque a minha mãe me ensinou a gostar. Era o prato preferido dela quando ela... bom, você sabe.

—Sei.

—Ela comeu isso no primeiro encontro com o meu avô. Ela comeu e ele ficou olhando.

—Você gosta de comida humana?

Como estava de boca cheia, se limitou a mover a mão dizendo um mais ou menos. Ela engoliu e respondeu:

—Depende da comida.

—E o...

Eu apontei para o anel.

—Não precisa ser necessariamente um anel. Pode ser qualquer tipo de joia. Pulseira, colar, anel. É um amuleto. O feitiço de proteção o torna um amuleto.

Ela deu outra garfada.

—O que você gosta de comer?

—Comida que não faz bem á saúde.

Disse dando risada. E eu ri com ela. A quanto tempo eu não dava uma risada?

Depois que ela terminou de almoçar, pediu a conta e pagou no cartão.

—E os seus pais?

—O que tem os meus pais?

—Não vão ficar preocupados?

—Eles sabem que não estou mais em Volterra ou no Castelo de São Marcus.

Quando ela falou Castelo de São Marcus, fez uma careta.

—O que há de errado no Castelo?

—Triângulo de Expressão. O mais poderoso que eu já senti. A cidade forma o triângulo, o Castelo é uma das pontas.

—E as outras duas?

—Uma propriedade, uma mansão.

Quando ela falou os nomes das duas outras propriedades, eu sabia que elas também pertenciam aos Volturi.

—No dia em que nos conhecemos, sua mãe falou deste tipo específico de magia. Expressão. Canalizar o poder de sacrifício. Massacre.

—É.

—Não fica tentada?

—A usar?

—É.

—Nem a pau! Expressão não é magia. É uma coisa profana. Os praticantes são consumidos por ela, a expressão acaba tomando vida própria. Não se pode controlar uma coisa dessas, ela mata sua humanidade. É como ser comido vivo, aos poucos.

—Não parece muito agradável.

—É porque não é. É pior que magia negra.

—As minhas lentes...

—Posso dar um jeito nisso. Vem comigo.

Ela fez o que imagino que tenha sido um feitiço e então falou:

—Vai se olhar no espelho.

Fui até o banheiro e...

—Caramba!

Os meus olhos estavam azuis. Voltei para o lugar onde ela me esperava.

—Você é que é um milagre.

—Eu escrevi esse feitiço ontem. Precisava de uma cobaia.

—Então, sou sua cobaia?

—É.

Disse rindo.

—Você é incrível, sabia?

Ela deu de ombros.

—Vou ao banheiro e já venho.

P.O.V. Renesmee.

Estava escovando os meus dentes quando vejo o reflexo dele pelo espelho.

—Até que enfim. Está sozinha.

Demitre e eu lutamos, quebramos o banheiro inteiro. Ele ficou por cima de mim, então peguei a seringa e injetei nele.

—Tenha uma boa, morte GPS ambulante.

Eu o empurrei e sai correndo, tropeçando.

—O que aconteceu?

—Demitre.

—Mas, que...

—Eu não me preocuparia com ele Alec. Ele não vai passar de amanhã á noite.

—O que?

—Injetei veneno nele. Ele já era.

—Veneno?

—Não é a mordida que mata. É o veneno. Vamos.

P.O.V. Aro.

Demitre retornou, mas estava fraco. Quase morrendo.

—O que aconteceu?

—Ela... me injetou alguma coisa.

—Injetou? Com uma agulha?

—Sim, mestre. Estou sentindo tanto calor.

Ele estava febril. Um vampiro com febre?!

A febre foi apenas o princípio. O princípio do fim.

Demitre começou a ter alucinações e então, ele morreu.

—Por Deus! O que é isso?!

P.O.V. Alec.

Veneno de híbrido. Veneno de lobisomem.

—Quanto tempo ele tem?

—Ele não vai passar desta noite. Febre, alucinações poderosas, demência e finalmente a morte. É uma agonia que você nem consegue imaginar. E considerando que ele não sua, talvez a febre o cozinhe vivo. Consegue imaginar? Os órgãos do seu amigo virando lava.

—Credo. Você também consegue ser cruel.

—Ele me atacou. Foi legítima defesa. Sempre carrego algumas seringas comigo. Uma mordida de um híbrido e nem mesmo a sua névoa vai te salvar. Ser mordido por um dos meus híbridos é sentença de morte.

P.O.V. Athenodora.

Ver um dos vampiros mais poderosos que eu conheço sucumbir a uma febre é chocante.

—Nenhum de nós está seguro. O que quer que seja esta coisa, matou Demitre em menos de um dia.

—É veneno, minha cara. O veneno de um ser híbrido. Parte vampiro, parte filho da lua. A reação de Demitre foi exatamente igual á daqueles que seriam mordidos pelas criaturas se tivéssemos confrontado os Cullens naquele dia.

—Seriam mordidos?

—A visão de Alice Cullen. Ela previu um massacre. Quando Isabella Cullen nos disse que era correr ou morrer, não estava brincando.

—Meu Deus!

—Nós levaríamos alguns deles conosco. Carslile e Jasper, mas fora eles... não haveriam mais baixas do lado deles, o nosso Clã no entanto seria dizimado.

—Meu Nosso Senhor.

Disse minha amiga benzendo-se.

—Como é possível algo tão profano?

—A criança Sulplícia. A híbrida os gerou. Só Deus sabe como.

Disse Caius.

—E permitiu que ela vivesse senhor meu marido?

—Que escolha eu tinha? Morrer?! Ver minha esposa e minha guarda serem massacradas e depois morrer?!

—E a pior notícia ainda não foi contada. Perdemos Alec. Ele se bandeou para o lado dela!

—O que? O meu irmão deixou a guarda?

—Deixou. Foi correr atrás da híbrida, mandei Demitre atrás dele, para tentar convencê-lo a voltar, colocar um pouco de juízo na cabeça dele, mas a híbrida o matou com uma agulhada.

Jane olhou para o corpo de Demitre estirado no chão. Seu rosto cinza, cheio de veias.

—Tenho que encontrá-lo. Ele precisa saber disso.

—Jane, querida... é muito arriscado.

—Ele é meu irmão!

Vociferou para mim.

—Me perdoe, senhora. Eu não quis ofendê-la.

—Não ofendeu. Admiro sua lealdade. Aro contou-me que se recusou a usar seu dom em seu irmão.

—Depois que descobrimos o que podíamos fazer... Alec e eu fizemos um pacto, uma promessa de que jamais usaríamos nosso poder um contra o outro não importando o porque ou quem mandasse.

Sulplícia realmente admirava a lealdade de Jane ao irmão.

—Se vai atrás dele, pelo menos tenha cuidado. Só Deus sabe o que aquela criatura é capaz de fazer. E estará sem o vosso poder. Assim como a mãe, ela é imune.

—Eu sei. E agradeço a preocupação minha senhora.

—Jane?

—Sim?

—O senhor meu marido mencionou que a híbrida encontrou uma maneira de fazer os nossos andarem no sol. É verdade?

—É. Ela fez com o meu irmão. Mas, ele se recusou a compartilhar o segredo, disse que os Mestres não mereciam o privilégio de caminhar ao sol.

—E quem é ela para julgar?

Então, aquela voz fala:

—E quem é você para julgar?

—Você tem muita coragem de voltar aqui!

Sulplícia avançou sob a híbrida, mas a transpassou, a atravessou como se ela fosse um fantasma.

—Mas, eu não estou aqui.

—Deus! O veneno é contagioso!

—Não. Não é. Isso não é uma alucinação.

—Então, o que é?

—Feitiço. Oh, o rastreador. Bom, ele me atacou. No banheiro. Vejam que tarado nojento. E eu só queria ajudar. Queria que vocês parassem de ser tão burros. Eles não se importam. E um dia Aro, essa sua necessidade compulsória de consumir tudo e todos a sua volta... vai consumir você também. E olha que eu sou vidente.

—Onde está o meu irmão?

—O seu irmão é o único dentre todos vocês que tem o mínimo de inteligência.

—Onde ele está?!

Então, Alec apareceu na sala.

—Olá, irmã.

—Alec! Você está bem? Ela o tem como refém?

—Refém? Jane, você é a refém. Eu estou livre.

—Temos que ir. Temos um compromisso.

—Que compromisso?

—O mundo á luz do dia, é muito mais bonito.

Ela fechou os olhos, fez as mãos em forma de gota, bateu um vento e eles se foram.