P.O.V. Alec.

Eu estava passando quando eu vejo a fumaça saindo por debaixo da porta. Posso sentir o cheiro, é adocicado quase enjoativo.

Então me ocorreu que este era o quarto onde Renesmee Cullen estava alojada. Mas, temos sprinklers no Castelo, detectores de fumaça.

Bati á porta, mas ninguém respondeu. Então, decidi entrar.

Quando eu abri a porta ela estava cantando, dançando, rebolando. Mas, como estava de costas ela não me viu. E havia aquele cheiro doce. De repente eu vi um ramo de ervas queimando.

—Cullen!

Ela tirou os fones do ouvido e se virou pra mim.

—Oi. Feche a porta.

Ela moveu a mão e a porta se fechou atrás de mim.

—O que é aquilo?

—Feitiço de privacidade. Enquanto a sálvia queimar, posso falar, cantar e até gritar livremente sem ninguém me ouvir.

—Estou te ouvindo.

—Mas, está dentro do quarto. Se for lá pra fora, não vai ouvir nada por mais que tente.

A ruiva revirou os olhos castanhos.

—Eu não acredito que confundiram você, você com um bruxo.

Ela falou, mas então deu um tapa estalado na própria testa.

—Ai isso foi tão... indelicado.

—Eu nem me lembro mais.

—Mas, porque cargas d'água os mortais iriam pensar que você e a sua irmã eram bruxos?

—Eu não sei.

—Talvez, porque você e a Jane são gêmeos e nasceram os dois vivos e a sua mãe provavelmente sobreviveu ao parto. Mas, se quer saber eu acho que isso foi mais tipo um milagre considerando a época em que vocês nasceram.

—Eu já fui chamado de muitas coisas, mas nunca de milagre.

—Você não acha que você e a sua irmã são um milagre?! Quer dizer, nascer em mil setecentos e tanto, de parto natural, os dois terem nascido vivos, não terem pego nenhuma doença e vivido tanto tempo enquanto humanos. É um milagre pra mim.

Ela fez uma longa pausa.

—E então, o que vocês fazem pra se divertir aqui?

—Não sei.

Ela de repente, deu um pulo.

—A fontana! Fica na Itália não fica?

—Fontana? Você quer dizer a Fontana Di Treve?

—Isso. Vamos! Vamos na Fontana do amor!

—Estamos em Volterra. A Fontana Di Treve fica em Roma!

—E dai? É na Itália não é? A gente vai de Metrô, de avião!

—E o sol?

Ela começou a caminhar nervosamente pelo quarto.

—Fazer ou não fazer? Eis a questão.

—Eu acho que é...

—Eu sei como é! Devo fazer isso? Provavelmente não.

—Ir a Fontana Di Treve?

—Fazer você sair no sol.

Eu levei um tempo para processar aquela informação. Existe um meio de vampiros caminharem ao sol?!

—Espera, existe um meio de vampiros caminharem ao sol?!

—Não posso fazer isso. Libertá-los neste mundo. Isso seria um pecado.

Eu a parei.

—Existe um meio de vampiros caminharem ao sol sem se expor?

—Não posso fazer isso. Não posso deixar esse segredo cair nas mãos daqueles... cretinos desgraçados. Eles não merecem isso. E vê se tira a mão de mim!

Ela me empurrou e saiu batendo a porta. E eu fui atrás dela.

Ela saiu correndo e como estava cercado de humanos não podia correr mais depressa do que uma velocidade humanamente possível.

Quando finalmente cheguei até ela, ela estava no sol.

—Você e os seus malditos mestres vão apodrecer na escuridão! Pra sempre! Assassinos!

Ela saiu correndo portão afora sem que ninguém pudesse fazer nada.

Sem ter outra opção, eu voltei para o meu quarto. Eu me deitei na minha cama inutilizável e fiquei contemplando o teto.

—O que foi que aconteceu?

—Existe um meio. Meu Deus!

—Um meio de que? Pra que?

—Um meio de sairmos ao sol, sem sermos expostos. Sem sermos detectados.

—O que?! Como?

—Eu não sei. Ela não disse. Ela estava considerando dar isso de presente para mim, mas decidiu que jamais poderia nos libertar neste mundo.

—Nos libertar neste mundo?! O que isso quer dizer?

—Acho que você ouviu o berro que ela deu. Nós e os nossos mestres demoníacos vamos apodrecer na escuridão para sempre.

—Talvez haja algo nos livros.

Quando chegamos ao quarto, tudo havia sumido. As roupas, as malas e os livros.

—Pra onde foram as coisas?

—Não importa Jane. Nós matamos tantos, dizimamos clãs inteiros. Clãs que sabíamos que não haviam cometido crime algum. Nós merecemos isso. Merecemos apodrecer.

—Para de falar asneira!

—Não é asneira!

—Ela falou qual era esse meio?

—Não.

P.O.V. Aro.

Jane veio até mim.

—Jane, minha querida.

—Mestre. Há algo que o senhor deve saber.

Eu toquei a mão dela e pude ver. A conversa entre ela e Alec.

Um modo da nossa raça sair ao sol sem se expor.

—Traga-a aqui.

—Ela se foi.

—Se foi?

—Sumiu. As malas, a garota. Tudo se foi.

—Então devemos encontrá-la.

—Mas, não podemos. Não agora pelo menos. Está sol.

P.O.V. Alec.

Acho que sei para onde ela foi. Ela foi para a capital.

De repente, uma caixinha de camurça apareceu na minha cômoda e havia um bilhete.

Use com sabedoria.

Eu abri a caixa e havia um anel dentro. Era discreto, pequeno com uma pedra azul.

—Um anel?

Coloquei-o no dedo e até que era bonitinho. Eu precisava sair um pouco, espairecer, mas devido ao sol não podia sair do castelo.

Caminhei pelo jardim, me sentei e passei a mão pelo cabelo. Só então, notei que... não estava brilhando.

—O que?!

Olhei para minhas próprias mãos e elas não brilhavam. Nada de exposição.

Tirei o anel e voltei a brilhar, coloquei-o e parou.

—O anel. É o anel.

Eu nem sei quanto tempo fiquei no jardim, olhando, contemplando, mas foi a voz de Jane que me despertou dos meus devaneios.

—Você conseguiu! Descobriu o segredo!

—Chame de presente.

—O que é? Como é?

—Se eu contar, você vai correndo contar para os Mestres não vai?

—É claro!

Então, me veio o estalo. Como se uma lâmpada se acendesse. Não posso libertá-los neste mundo, ela disse. Quando ela disse liberta-los era aos Mestres que ela se referia, não a nós.

—Ela estava falando deles. Aro, Marcus e Caius.

—O que?

—Ela não estava falando de nós. Você, eu, Demitre, Félix. Estava falando dos Mestres. Ela não vai dar o segredo aos mestres. E nem eu.

—Alec!

—Porque essa revolta Jane?! Quando ela fez aquele feitiço em você e em Chealsea, Aro se quer se importou em encontrar uma forma de salvar vocês duas! Uma terceira opção. Ela me mostrou coisas Jane, coisas que eu não pensei que fossem possíveis. Coisas que eu não via antes.

—Que coisas?

—Nós não somos nada para eles Jane! Somos apenas troféus. Eles não se importam com ninguém além deles mesmos!

Eu sai de lá correndo. Fiz as minhas malas e fui até a sala dos Tronos.

—Alec, meu querido...

—Estou indo embora. Estou deixando a Guarda e você também. Sou e sempre serei grato por ter me salvado e a minha irmã, mas... Vá pro inferno! E leve os seus irmãos com você!

Eu estava de luvas, para esconder o anel. Me virei para sair.

—Jane.

—Vai mesmo quebrar nossa promessa? O nosso voto?

O olhar de Jane se alternou entre mim e o Mestre Aro.

—Jane?

—Eu não posso. Sinto muito, Mestre.

—Mande o Dimitre atrás de mim, e é muito provável que ele não volte nunca mais.

Peguei as minhas malas e depois viajei para Roma. E imagine a minha cara quando eu a encontrei sentada na beirada da Fontana Di Trevi.

—Achei que você não vinha.

—O seu segredo tão bem guardado é...

—Fica quieto. Dimitre está aqui.

—Desgraçado.

—Você, meu amigo precisa urgentemente de roupas novas. Vem, vamos dar uma voltinha.

Ela me arrastou de loja em loja, me fez experimentar montanhas de roupas.

E pediu a minha opinião.

—Porque você pediu a minha opinião?

A híbrida deu o sorriso mais lindo e mais natural que eu já vi em muito tempo.

—Você não é um boneco Alec. Você é uma pessoa. Tem o direito de gostar, de não gostar. De querer ou não querer.

—De onde você saiu?

Ela deu risada. Não, foi uma gargalhada.

—Eu acho que você sabe. Bom, agora que você tá usando uma roupa deste século, que tal descobrir o que tem de legal pra fazer nessa cidade?

—Parece interessante.

—Você já esteve aqui antes?

—Já, mas eu não estava aqui á passeio.

—Imagino que não.