Break the cycle
3 Capítulo 3-Changes
Notas iniciais
Naruto fecha a porta atrás de Hinata e senta-se na cadeira do Hokage.
—Sente-se. –Disse com um semblante sério enquanto apoiava os braços na mesa e o queixo sobre a mão.
Hinata sabia que Naruto assumia essa postura quando era um assunto delicado. Ele não poderia falar sobre a mulher que acabara de sair, com uma mesa entre eles, poderia? Jogou-se na cadeira a frente dele.
—Quem é ela? –Adiantou-se.
—Filha do senhor do fogo, está passando as férias aqui. Mas escute, há algo sério que eu deveria ter lhe contado antes...
O coração dela palpitava e sentia o corpo estremecer. Naruto revirou em sua gaveta e pegara uma carta com envelope branco.
—O clã Hyuuga sabe sobre o byakugan de Himawari. Eles vieram conversar comigo... –Jogou a carta em cima da mesa.
Provavelmente a mesma que lhe enviaram, informando o conhecimento do byakugan da pequena e que em breve a buscariam para esta residir e ser criada com a família Hyuuga.
—O que? Como você não me contou isso antes? –Levantou-se e bateu na mesa com as duas mãos.
—Desculpe, eu não sabia como lhe contar...
—Eu já sabia disso. Eu acabei de falar com eles e eles sequer mencionaram que conversaram com você!
—O que você conversou com eles? –Naruto parecia preocupado.
—Eu não vou entregar Himawari! De jeito nenhum!
—É por isso que fiquei com medo de falar com você antes... Temos uma relação delicada com seu clã, Hinata. Você se lembra do trato que fizemos quando o Boruto nasceu.
Lembrava-se todos os dias e se aterrorizava com a ideia. Ao invés de seus familiares parabeniza-la pelo filho saudável, por sua recuperação apenas ameaçaram a pegar o garoto caso ele despertasse o byakugan. Embora as chances fossem ínfimas, eles tiveram de concordar que se o sangue dos hyuugas desperta-se, ele seria treinado por eles. Boruto não despertou, porém Himawari despertou com seus apenas seis anos.
—Então você concorda com eles? –Sentia-se decepcionada com o marido.
—Eu já pensei muito nisso. Mas talvez seja até melhor pra ela, o clã Hyuuga poderá a treinar bem.
—E nós não temos capacidade para isso?!
—Hina, eu não tenho tempo para isso, e você se retirou por muito tempo.
Sentiu o sangue subir.
—É claro que para você é mais fácil simplesmente que ela seja pega! Você nunca passa tempo com ela! –Bateu novamente na mesa e o tom da sua voz aumentava conforme as palavras saíam da sua boca.
—O que é isso agora? –O loiro parecia desconcertado.
—Eu não vou deixar Himawari ser tomada de mim! E se ela tiver que ir para o clã Hyuuga, eu vou junto! –Ameaçou com um quase grito.
Estava irritada, saiu da sala sem se despedir. Ouviu apenas um grito do marido chamando seu nome, mas sabia que ele não daria um passo atrás dela.
Correu para a sua casa, conturbada. Não podia acreditar na escolha de Naruto.
Abriu a porta e viu Boruto girando a irmã mais nova que ria. Fazia tanto tempo que não via os dois brincando que sentiu qualquer irritação e qualquer problema desaparecer.
Boruto se virou para trás assim que ouviu o som da porta.
—Pai?
—Não querido, sou eu... –Respondeu.
Boruto fez uma expressão triste, mas tratou logo de tirar do rosto.
—Bem vinda de volta. –Sorriu.
Himawari vinha zonza e correndo em sua direção.
—Mamãe, Boruto me mostrou os arremessos de kunai que aprendeu na academia hoje! –Contou sorridente.
—Ah, é mesmo? –Pegou-a em seu colo. –E como foi?
—Foi tão legal! Eu também quero kunais!
—Você ainda é muito nova para isso. Aliás, Boruto... Boruto? –O filho já havia saído da sala. Por que ele estava tão impaciente pelo pai?
Subiu as escadas com Himawari no colo e bateu na porta do loiro.
—Boruto, abra a porta.
Passou um tempo até ele abrir. Estava olhando para o lado. Hinata sabia que o menino estava chorando e tentou disfarçar o melhor possível. Mas ela sabia, mães sempre sabem.
Botou Himawari no chão.
—Por que não vai brincar com o senhor dentuço, Himawari? –Esperava que a filha saísse e fosse brincar com o coelho gigante de pelúcia.
A pequena parecia preocupada olhando para o irmão mais velho, mas pareceu entender a situação. Ela era esperta, pensou Hinata.
—Certo! Depois iremos fazer chá para vocês! –Correu pelo corredor se afastando.
Hinata entrou no quarto e se sentou na cama de Boruto.
—O que foi?
—O que foi o que? –Tentou parecer indiferente.
—Por que você está tão preocupado hoje?
—Não estou.
—Ansioso?
—Também não.
—Você combinou algo com seu pai, não?
A expressão do pequeno revelou qualquer coisa. Lábios mordidos e punhos cerrados.
—Ele prometeu que ia treinar comigo depois que eu voltasse...
Respirou fundo. Depois da discussão duvidava que o marido mandasse algum bushin no lugar.
—Ele está ocupado, você sabe. –Tentou confortá-lo.
—Eu menti para vocês dois. –Disse sério. –As notas saíram semana passada, e adivinha? Eu sou um inútil! –Lágrimas começaram a rolar do seu rosto enquanto as sobrancelhas loiras permaneciam franzidas. Ele estava bravo, era nítido, mas sua decepção era tanta que não conseguia conter o choro. –É até engraçado como eu consigo ir bem nas provas, mas não consigo fazer sequer bushins decentemente! E a prova de taijutsu está logo aí, e adivinha! Eu sou horrível! –Chorava agora com mais força. –Logo eu, o filho do “grande hokage” ... Decepção para vocês dois, não é?
Hinata se pôs de joelho a sua frente. Sabia tão bem o quão doloroso era não corresponder às expectativas e um pai ausente. Boruto tentava se mostrar forte, mas sabia o quão conturbado seu coração estava. Sabia muito bem, não conseguia não se lembrar de toda a insegurança da infância. Filha do líder do clã Hyuuga, um pai nada afetivo que só se importava com sua falta de habilidade.
E agora via tudo se repetir, com seu próprio filho. Não deixaria.
—Você além de ser filho do Hokage, é filho de uma Hyuuga. –Levantou-se e colocou a mão em seus ombros. Boruto olhava para baixo. –Taijutsu é nossa especialidade.
—Desculpa desonrar até o clã Hyuuga. –Respondeu ironicamente e mordeu os lábios.
—Você não vai. Eu irei treiná-lo.
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