Break the cycle

4 Capítulo 4-Dance of the Knights


Estavam nos limites de konoha, ao pé de uma enorme montanha. Boruto olhava ao redor desconfiado.

—Nunca estive aqui.

—Quase ninguém vem aqui. –Respondeu a mãe que largava a mochila no solo. –Eu vinha muito aqui treinar táticas com meu time. –Deu um sorriso ao lembrar dos amigos.

Boruto também tirava a mochila e a colocou do lado de uma árvore. Estranhava ver a mãe com seu traje ninja. Na verdade, estranhava ver a mãe como uma ninja.

—Antes de começarmos qualquer coisa, você deve me prometer que não irá contar sobre este treino para ninguém. Incluindo o seu pai.

—Está certo.

—Agora mostre-me tudo o que você sabe fazer. –A kunoichi colocou-se em posição de ataque.

O loiro correu em sua direção, mirando um soco descoordenado, parecia receoso. Hinata desvia facilmente e pressiona um ponto em suas costas.

—Não haverá rendimentos se você não vier com tudo. Você não está brincando com sua mãe, está mostrando suas habilidades para sua sensei.

Boruto apertou o ponto pressionado com as mãos. Aquilo havia de doer, mas como não foi injetado nenhum chakra a dor seria bem razoável. O filho então mirou-lhe um chute alto. Hinata poderia desviar facilmente se tivesse em forma, percebeu como os anos parados fizeram diferença, então apenas parou o golpe e pressionou um ponto em suas pernas.

O garoto pulou para trás um tanto trêmulo, então correu em sua direção com os punhos tentando alcança-la, finalmente estava levando a sério. Hinata dá um pequeno pulo para trás e o vê tropeçando, porém ainda mantendo o equilíbrio antes da queda.

Surge então por trás do garoto e pressiona um golpe em seu pescoço, que o faz cair.

—Taijutsu não consiste apenas em tentar atacar o inimigo com mais força possível. –A mulher senta-se com as pernas cruzadas do lado do garoto caído. –Como você se sente?

—Meu corpo todo formiga! O que você fez? –Pareceu assustado.

—Pressionei pontos de relaxamento. O byakugan permite você enxergar os pontos que o corpo libera chakra, porém depois de tanto tempo, não preciso dele para saber onde ficam. –Olhou pro céu. –Sua constituição é idêntica ao seu pai.

—Isso não é justo! –Tentou levantar, porém falhou. Seus braços tremulavam assim que sentiam a força do seu corpo sobre eles. –Você conhece todas minhas fraquezas, eu não posso me defender dessa forma!

—Autoconhecimento é importante. Você deve conhecer suas limitações, protege-las e não ultrapassa-las. Isso é mais importante do que saber a fraqueza do inimigo, uma vez que não adianta sabe-la e não ter como atacar este ponto.

Com muita dificuldade o loiro sentou-se do seu lado.

—Você é incrível, mãe!

Hinata sorriu.

—Você devia me chamar de sensei enquanto estivermos treinando.

—C-Certo!

—Outra coisa, o seu inimigo saber suas fraquezas nem sempre é algo ruim. Você pode prever seus movimentos, baseado no que ele sabe.

—Eu sou horrível nessa parte de tática... –Fitou o chão cabisbaixo.

—Insegurança é uma fraqueza que o impede até mesmo de tentar. Você é capaz, Boruto.

Os olhos azuis a encaravam, pareciam curiosos.

—Sabe, essa é a primeira vez que dizem isso sem o complemento “afinal, você é filho do Hokage-sama!” –Imitou uma voz que devia ser de seu sensei.

Hinata riu. Boruto a acompanhou, e então reparou no sorriso tão cheio de vida que puxara de Naruto. Porém com suas inseguranças e com mesmos temores, viver à sombra do pai, se sentir incapaz...

—Vamos começar do básico. –Assumiu a posição de lótus. –E por isso digo, respiração. –Fechou os olhos.

Boruto a imitou.

—Inspire, sinta o ar passar por seu corpo e então expire. –Assim o fez. Ouviu a respiração do filho. –Mais devagar, conheça seu corpo. Não pense mais em nada, apenas respire.

Hinata sentiu uma presença que a incomodava, porém não sentia nenhuma intenção de ataque. Estariam sendo vigiados?

Após algum tempo, levantou-se.

—Está bom por enquanto, Boruto. Quero ver seus reflexos, levante-se.

Obedeceu-a. A kunoichi simulou um empurrão, que fez o loiro se jogar para trás evitando o contato com a mão. Descoordenado, pensou.

Pulou ao seu lado e desferiu um chute, que foi desviado com este pulando na direção oposta. Repetiu o procedimento com socos, chutes e ameaças de pressionar pontos. Ele era rápido, podia ver, porém seus movimentos eram previsíveis, deslocava-se sempre no sentido de evitar o golpe da forma mais intuitiva. Observando-o, fez o movimentar até certo ponto. Quando ameaçou um chute, o pequeno saltou para trás, porém tropeçou na própria mochila.

—Seus reflexos são bons. –Adiantou. –Mas você deve estar consciente até nessa hora, não deixar que a intuição aja por si só. –E o sentido do garoto era aguçado, não deixou levar nenhum golpe. –Contra ataque, estudo do ambiente, mesmo sendo mais fraco são itens que podem levar a uma vitória numa batalha de taijutsu.

—Você acha que posso vencer até o Metal Lee com isso? –Boruto pareceu empolgado.

—Claro. Lembra-se das histórias do seu tio Neji?

—Sim!

—Ele era do mesmo time do Rock Lee. Eles eram rivais e nunca conseguiram decidir quem era o melhor. –Sorria lembrando do primo. Por mais que ele negasse, sabia do apreço que este tinha pelo companheiro.

—É verdade?

—Claro. Por mais que Lee-san seja forte, Neji sabia estudar o ambiente. Ainda mais depois que perdeu para o Naruto-kun no exame chuunin justamente por isso.

O rosto do rapaz se fechou, parecia mal agouro falar do pai.

—Sabe, essa batalha todos já consideravam ganha por Neji.

O pequeno arquejou a sobrancelha em desconfiança.

—É sério isso?

—Claro. –Estendeu as mãos para o filho se erguer. –Naruto nunca foi um bom aluno da academia.

Boruto parecia em choque com a nova informação. Era como se não conhecesse o próprio pai.

—Ele sempre pareceu tão foda em tudo o que faz. Não consigo imaginar papai fracassando em algo. -Hinata riu.

—O ninja mais imprevisível de todos os tempos. Você nunca ouviu essa história, Boruto?

—Já, mas o que isso tem a ver? Ele bolava planos incríveis, não?

—Também, mas o que era incrível não era seu planejamento, e sim eles darem certo de uma maneira bizarra. E imprevisível nunca se referiu aos planos dele.

O garoto parecia um pouco confuso.

—Te contarei mais outros dias, agora voltemos para o treino. Lembre-se de tudo que eu lhe disse hoje. –Colocou-se em posição de ataque. –Venha!

O garoto parecia ponderar, e então correu em sua direção enquanto fazia um bushin. Jogou uma kunai explosiva no solo erguendo uma nuvem de fumaça.

Hinata bloqueou o chute a sua esquerda do que sabia ser o bushin e então repeliu a kunai vindo de cima de uma árvore pegando-a com as mãos nuas.

Pulou em cima de uma árvore próxima e mirou no tronco da árvore que Boruto estava, pulando da sua que explodiu.

Desceu animada.

—Quem diria que você se dava tão bem com kunais. –Parabenizou-o enquanto bloqueava seu chute aéreo.

Boruto rolou no campo reduzindo o impacto da queda e afastando-se da oponente.

—Mas você não caiu...

—Hyuugas conseguem enxergar bem mesmo sem o byakugan, você talvez já tenha notado isso. Mas sua estratégia foi muito boa, enquanto seu bushin distrai o oponente você arma uma armadilha na árvore próxima a tua com um selo explosivo e linhas. Quando o inimigo tenta um ataque de longa distância você desvia na última hora se pendurando nas linhas e explodindo a árvore em que o inimigo se encontra. Você bolou uma estratégia em muito pouco tempo, devo parabenizar por isso. –Sorriu.

—Até que foi divertido. Quem sabe eu supero o Shikidai nisso! –Ria em alusão ao filho de Shikamaru.

—Quem sabe? Você parece ter talento. Mas me responda Boruto, a quanto tempo você está sentindo a presença de alguém?

—Desde que chegamos.

Sorriu. Os instintos do filho de fato eram afiados.

—Não se mecha. –Jogou uma kunai que passou raspando pelo rosto de Boruto e som de metal colidindo ecoou no local.

Hinata ativou o byakugan e duas bestas de chakra se formam em suas mãos.

—Boruto, saia daqui e vá procurar Kiba ou Shino! Rápido!

O loiro não questionou e saiu em retirada.

—Se você pretende encostar em um único fio de cabelo de Boruto, escolheu a pior hora possível. –Ameaçou enquanto avançava ao desconhecido.

Notas finais
Gente, fiquei tão feliz por ainda ter gente acompanhando