Brave Heart

15 O Começo de uma nova Era


– Tsc, viu só o que você fez, pirralho imundo? Por você não ter conseguido guardar o nosso segredo, agora meu irmão está morto.

– Não... isso não pode ser verdade...

Rosinante estava caído no chão com sangue ao seu redor. Doflamingo estava com um aspecto sério, apesar de estar visivelmente calmo mesmo com seu irmão em tal estado. Dellinger não sabia o que fazer e Law foi se aproximando de Corazón, com as pernas trêmulas.

– Mas é verdade. – Doflamingo aproxima-se de Law. – Eu nunca quis ter que matar o Rosinante, mas você tinha que contar tudo? E depois ainda diz que gosta dele, tsc.

– Para... por favor...

– Parar? Agora não dá mais, você não percebe o que você fez, pirralho de merda? Isso é que dá querer desafiar os adultos! O CULPADO PELA MORTE DELE...

– Não, não, não...

– … É VOCÊ, LAW!

O dono da casa, Doflamingo segura com força os pequenos braços de Law, quase os quebrando. O garoto já se encontrava aos choros por ver Corazón daquele jeito, e tudo só piorou com a aproximação do mais velho. Ele sabia que seria culpado. Mesmo não tendo culpa, a culpa era dele, porém...

– Para...

… Uma voz baixa, quase sumindo e fraquejando muito surge, impedindo que o maior continuasse. O dono desta voz segura a calça de Doflamingo, mesmo estando no chão, e continua a falar.

– Não encosta nele... Doffy...

– CORA-SAN! – Exclama Law ao ver aquela cena, totalmente surpreso pelo outro estar vivo e conseguir falar, apesar das consequências.

– Tsc, que persistente.

Rosinante havia acordado! E a primeira ação que ele realiza é a de segurar na bermuda que Doflamingo usara. Em seguida, ele, lentamente, vai se levantando apoiando-se sempre nas roupas do irmão. Ao ficar totalmente de pé, ele agarra a camisa do outro e fica bem de frente para ele, deixando que a fúria de teus olhos azuis transparecesse e saísse em forma de uma frase.

– Você precisa de mais trezentos anos... se quiser me matar... DOFLAMINGO!!

É claro, devido ao estado em que se encontrava Rosinante não conseguiu gritar. Sua voz estava abafada e ele tossia constantemente. Sua respiração estava bem pesada e seu coração mais acelerado do que nunca, e para piorar, suas pernas tremiam tanto que ele estava quase caindo no chão novamente.

– Rosinante, você deveria ter continuado no chão. Só se levantou pra eu poder te finalizar, foi isso?

– Não... [tosse] eu só não vou permitir... [tosse] que você encoste um dedo sequer... [tosse] no Law...

– E você vai fazer o quê pra me impedir? Vai me bater?

– Não... eu vou pedir... [tosse]

– Pedir? Sua doença deve ter afetado o seu cérebro pra você achar que está em posição de pedir algo, Rosinante.

Sua visão estava quase ficando embaçada e ele pensou que fosse desmaiar de novo, então tratou de falar o mais breve possível. Doflamingo também estava aguardando saber o que era o tal pedido que o irmão faria.

– Eu quero fazer... [tosse] um acordo com você... [tosse com um pouco de sangue]

– Acordo? Olha aqui, se você acha que eu vou sentir pena de você só por ser o meu irmão, você está muito enganado. Eu não vou deixar você sair vivo daq–

– EU NÃO ME IMPORTO SE VOCÊ ME MATAR! [Tosse mais ainda até quase desmaiar] A única coisa que eu quero, Doffy, é que você deixe o Law fora disso!

– Affê, não acredito nisso...

– Cala boca e me escuta. Desde que eu comecei a trabalhar na fábrica com você... [tosse] eu notei o tipo de monstro que você é...

– Vai direto ao assunto e para de ficar enrolando! Eu sei que você e o pai desse garoto infernal tinham um plano pra me botar na cadeia, e é exatamente por isso que eu preciso matar vocês dois aqui.

– Se você sabe de tudo isso... [tosse] por que não me matou antes...? [tosse]

– Porque antes você não representava nenhum perigo pra mim. Mesmo você tendo várias provas contra mim, eu sabia que você não ia usá-las tão cedo. Além disso você é meu irmão, mesmo sendo um traidor eu queria te manter vivo até o último segundo.

– Então que tal você me dar mais um tempo?

Rosinante tenta falar com mais calma, sem usar nenhum tipo de tom de briga, afim de tentar convencer o mais velho a aceitar seu acordo. Doflamingo hesita em responder, olhando bem no fundo dos olhos azuis do outro, mas logo volta a falar.

– Por que eu faria isso?

– Do jeito que eu estou agora, graças a minha doença, eu não vou viver por muito tempo. Eu não ligo em morrer, mas o Law não tem nada a ver com essa história...

– O que você tá sugerindo...?

– Doffy, eu sei que você não quer me matar, então me dá uma chance. [tosse] Eu vou queimar todos os arquivos que eu tenho contra você, eu vou parar de te perseguir e eu vou levar o Law pra morar comigo.

– Hã? É mais fácil eu te matar aqui e queimá-los eu mesmo. Quem me garante que você vai fazer isso?

– Mesmo se eu entregar todos os arquivos que eu tenho contra você, eu sei que você não vai ser preso. Eu sei que você pode subornar quem você quiser pra abafar isso, então não tem sentido eu continuar com isso... entende o que eu quero dizer?

– Então, se eu deixar você morar com o Law você vai esquecer tudo o que eu fiz com ele? E não vai mais me perseguir sobre o lance dos doces com veneno?

– Eu não vou esquecer, eu vou sumir da sua vida. Você nunca mais vai me ver, nem a mim e nem ao Law. Não é um acordo ruim, Doffy.

– Quem me garante que isso é verdade?

Antes que pudesse responder, Rosinante perde um pouco do equilíbrio das pernas graças a doença, porém, antes que ele caísse no chão, o irmão mais velho o segura pelos braços, impedindo a queda. Doflamingo começa a olhar para o outro com um pouco de pena da situação, mas seus pensamentos são interrompidos quando o mais novo volta a falar.

– Viu, só? Você gosta de mim...

– Foi só por impulso, não se sinta especial. – Ele logo solta o irmão de seus braços, mas acaba fraquejando um pouco.

– Você não precisa me matar, eu sei que você não quer. Eu vou ficar fora do seu caminho pra sempre, desde que você nunca mais faça nada contra o Law.

– Eu posso mesmo acreditar nisso?

– Eu tenho outra saída? Você sabe onde eu moro, eu não vou fugir. E mesmo se eu fugisse você me acharia rapidinho.

Doflamingo volta a empurrar o mais novo contra a parede, pressionando uma de suas mãos contra o pescoço do outro, e com o outro braço, ele se prepara para dar o golpe que mataria definitivamente Rosinante, que permaneceu em silêncio, o encarando.

Com o punho fechado em forma de soco, Doflamingo fica olhando para o irmão com um olhar ameaçador por debaixo dos óculos. E assim, ele dispara o braço com a maior força que conseguia, mas ao invés de acertar Rosinante, o soco acaba acertando a parede, há poucos milímetros de seu rosto e causa uma rachadura no cimento.

– Suma daqui antes que eu mude de ideia...

Abrindo um pequeno sorriso no rosto, Rosinante separa-se do irmão e pega Law pelo braço, correndo com ele pela casa até encontrar a saída. Assim que os dois saíram da mansão, o loiro entrou em seu carro junto com o garoto, ligando a ignição e fugindo com ele.

– C-Cora-san... – Law estava com o rosto completamente molhado devido o choro, seu corpo inteiro tremia, doía e sua mente estava cansada de passar por tanta coisa. Sua voz estava baixa e mesmo assim ele conseguiu chamar pelo outro, que já estava dirigindo, com uma feição séria e preocupada.

– Law, são muitas horas de viagem daqui até a minha casa. Dorme um pouco.

– M-Mas você não pode dirigir assim! Você precisa ir pro hospital, seu rosto tá sangrando e você tá quase desmain–

– Não se preocupa, eu não vou dirigir até lá. Eu só quero ficar um pouco afastado da casa do meu irmão, aí eu pego um táxi. Se eu for dirigir nesse estado eu vou colocar a sua vida em risco. – Embora Rosinante esteja falando com a maior seriedade que conseguira, seus olhos estavam quase fraquejando e derramando lágrimas.

Assim que se afastaram da mansão, ambos pegaram o primeiro táxi que apareceu e o loiro deu o endereço ao motorista. Com tudo certo, ele encostou o rosto na janela do carro e começou a chorar baixinho, para Law não perceber, mas falhou miseravelmente.

– Não fica assim, eu não quero te ver chorando...

– E eu não quero que você me veja assim... – Ele pusera a mão no rosto para enxugar suas lágrimas, mas começa a tossir incansavelmente. A tosse ia ficando cada vez mais forte, o que fez com que o garoto se preocupasse ainda mais.

– Você precisa de um médico urgente! Depois a gente vai pra sua casa, mas antes vamos parar no hospital, por favor!

– Law... pega o meu celular no bolso da minha calça e liga pra um cara chamado Rosquinha. Minhas mãos estão meio trêmulas ainda...

– Rosquinha? – Apesar de estranhar o apelido incomum, ele decide obedecer e faz o que o outro pedira. Assim que ligou para o número, Law deu o celular pra ele.

"Alô, Bolinho?"

– Sengoku, eu preciso que você vá pra minha casa agora. Longa história.

"Você já voltou da casa do seu irmão? E a sua voz tá meio estranha, você tá chorando?"

– Eu tô voltando agora, depois eu te explico tudo com calma. E traz o kit médico.

"V-Você ficou doente? Rosinante, você precisa ir ao hospital, não tem como eu ficar te tratando sozinho o tempo todo!"

– Só faz o que eu te pedi. Eu preciso desligar, tchau. – Assim que ele desliga o celular, Law volta a falar.

– Quem era esse?

– Ele é médico e é amigo meu. Depois eu te explico o lance todo...

– Que bom!! Ele vai cuidar de você na sua casa? – Law fica feliz por ver que Corazón iria mesmo se cuidar. – Apesar de eu achar melhor você ir pra um hospital de emergência...

– Não é pra mim, é pra você. O seu estado é muito mais perigoso que o meu, o seu corpo tá todo marcado e cheio de arranhões. Argh, não quero nem pensar nisso...

– D-Do que você tá falando? Você quase morreu agora pouco, Cora-san! Por favor vai pra um hospital, essas marcas nem doem mais em mim. Eu não quero ver você morrendo de novo na minha frente e por minha culpa!

– Sua culpa? SUA culpa?! – Ele vira de frente para Law, olhando bem no fundo de seus olhos e com um pouco de raiva. – Nunca mais fale uma coisa dessas! Eu não sei o que o Doffy falou pra você, mas é tudo mentira. A CULPA NÃO É SUA!

(...)

Com Rosinante conseguindo fugir com Law até sua casa, na Mansão dos Donquixotes, Doflamingo estava conversando com o filho. Estava completamente nervoso, com vontade de esmurrar as paredes, mas tentou se acalmar. O garoto permanecia com medo de tudo o que acontecera, inclusive de como o pai estava agora.

– É v-verdade que você matou os pais do Law...?

– Argh... – Doflamingo suspira fundo, tentando ficar calmo e conseguir falar direito. Em seguida, ele se agacha, põe as mãos nos ombros do garoto e fala bem no fundo de seus olhos. – É, fui eu. Grandes merdas, o pai desse pirralho tinha dívidas com muita gente, era um idiota total, ele não faz diferença nenhuma na vida de ninguém importante.

– P-Por quê? E-Eu tinha te defendido...

– Como é que é? Você vai ficar contra mim, Dellinger?

– Eu...

– Você vai ficar contra o seu próprio pai pra defender o Law? Não era você quem sempre odiou esse garoto, tanto quanto eu?

– M-Mas, você matou... e também o tio... você mat–

– CALA BOCA! Escuta aqui, daqui há pouco você faz quinze anos. Sabe o que eu fazia na sua idade? Me preparava pra comandar a fábrica da família! Eu como herdeiro tive que aturar muita coisa dos meus pais enquanto o Rosinante não fazia nada da vida, que nem você. Foi por isso que ele se tornou um covarde desse jeito!

– Não fala assim dele... por favor...

– Dellinger, você é o meu herdeiro. A partir de hoje eu vou precisar te ensinar algumas coisas importantes sobre a vida que você vai levar quando fizer dezoito.

– Me ensinar..? V-Você quer que eu aprenda sobre o seu trabalho?

– Eu serei obrigado a te ensinar mesmo se você não quiser. As coisas que você ouviu hoje aqui são fruto da dificuldade que é comandar uma fábrica desse nível, então eu vou te dizer exatamente o que eu faço e não quero ouvir choro. Entendeu? E não quero mais falar sobre o que aconteceu aqui.

Doflamingo acabou contando para o filho tudo o que fazia de forma resumida. Falou dos doces com drogas, de outros planos e da traição que Rosinante e o pai de Law cometeram contra ele. Também mencionou a parceria com Vergo e centenas de coisas ilegais e imorais que faziam juntos, deixando o garoto mais assustado ainda.

Depois de ser obrigado a prometer que não mencionaria nada desse assunto nunca mais, Dellinger retornou para seu quarto. Lá ele viu o colchão que Law dormia no chão e Bepo, o brinquedo que o garoto acabou não levando consigo quando fugiu com Rosinante. O loiro deitou-se no colchão, abraçou Bepo e começou a chorar.

– Por quê...? Por que tudo isso?! Por que o Law e o meu tio fizeram isso contra o meu pai..?

(…)

Do outro lado da casa, Doflamingo terminava de descontar toda sua raiva dando socos incessantes nas paredes, pouco se importando se alguém ouvia ou não. As veias de sua testa estavam sobressaindo-se e ele só conseguia pensar no motivo de não ter conseguido finalizar o golpe contra o irmão.

Depois de grande parte de sua raiva passar, ele sentou-se na cama e pegou um retrato. Um retrato dele, do irmão e da família juntos, felizes. Seu coração batia acelerado e suas mãos tremiam, sem saber o que fazer, precisando conversar com alguém urgente. Foi aí que ele ligou para Vergo.

"Doffy! Como vai? Tá tarde já."

– Vergo... desculpa te incomodar, eu só precisava falar com alguém...

"O-O que houve? Você tá bem? Aconteceu alguma coisa? Sua voz tá estranha, você tá chorando, Doffy?"

– Desculpa... eu não fui capaz de fazer isso...

"Fazer o quê? Me conta, eu tô preocupado com você, nunca te vi nesse estado! Tem a ver com o Rosinante?"

– Ele me olhou nos olhos e eu comecei a lembrar de quando nós dois éramos crianças...

"Doffy..?"

– Vergo, eu não consigo ficar com raiva dele... não consigo...

"Eu tô indo aí, vamos conversar melhor. Eu não gosto de te ver assim..."

– Desculpa, é que é muito difícil...

Notas finais
A hora que todos esperavam: Law e Corazón morando juntos!!