Brave Heart

5 Capítulo 5 - O Noivado


Notas iniciais
Olá meninas!
Tudo bem?
Sei que estou demorando um pouco para postar, mas infelizmente não estou conseguindo dar conta de mais de uma postagem, pela semana.
De qualquer forma, obrigada a todos os comentários. Estarei respondendo assim que possível.
Sobre o capítulo: Muita gente quer me matar, sobre a ideia da irmã da Rose estar casando com o Dimitri, mas a fic é assim mesmo. Vocês irão entender logo. Outra coisa, mesmo com essa confusão " ", a fic ainda é ROMITRI! então por favorzin tenham paciência comigo rs.
Lembrem-se que são vocês, que mantem nossa imaginação funcionando. PORTANTO, não deixem de participar conosco da fic, comentando e RECOMENDANDO.
Beijos e até lá embaixo.

Tentei não parecer tão enojada, quanto realmente me sentia por dentro. Meu pai havia enlouquecido. Era somente essa a resposta que pairava em minha cabeça, para tudo o que estava acontecendo. Como ele poderia obrigar Katherine, que mal havia largado as bonecas, a se casar com um homem arrogante e provavelmente muito ruim, como Dimitri Belikov? Não que eu realmente tivesse algo concreto sobre ele, mas estava disposta a saber bem mais, do que eu sabia por agora. Algo não se encaixava em sua personalidade ameaçadora e meus sentidos aguçados, não costumavam me trair em relação a isso.

Sem muito sucesso ao retirar as rugas da barra do meu vestido, resolvi descer para a cozinha. O cheiro de carne temperada, já subia por minhas narinas a topo vapor. Era sinal de que o almoço estava quase pronto. Katherine ainda permanecia estática a frente de sua casa de bonecas no chão e isso, fez meu coração se apertar. A pobre menina estava sofrendo e eu não tinha muito a fazer. Carlota em silêncio, penteava os cabelos sedosos da menina, que usava um modelo justo demais para seu corpo magro, cor de vinho e rendas. A minha vestimenta ao contrário, era de um tom mostarda com rendas. Ambos, escolhidos pela minha avó.

-Bom dia menina. – Alberta me chamou, quando me viu parada na porta da cozinha. –O almoço está quase pronto. Se quiser, tem um pedaço de bolo de cenoura.

-Não tenho fome, obrigada – Respondi suavemente. Minha cabeça estava girando, enquanto eu pensava em alguma forma de livrar Katherine daquilo. Alberta pareceu notar meu desconforto.

-Vejo que não está feliz com o noivado de sua irmã. – Ela continuou, me olhando por cima do ombro, enquanto mexia em uma grande panela de barro.

-Meu pai não pode obriga-la a se casar. Não tão jovem. – Tive que controlar um pouco minha voz, para que não saísse tão agressiva, quanto parecia por dentro.

-É assim que as coisas funcionam, menina – Alberta disse, depois de um longo suspiro. -Só estou esperando sinceramente, que esse homem a faça feliz. Será um bom casamento. – Alberta então se virou e eu pude ver em seus olhos, que ela não acreditava em uma só palavra, que estava pronunciando veemente.

Não tive tempo para argumentar, pois meu pai entrou na cozinha um pouco antes de eu me sentar em uma das cadeiras. Seu traje estava impecável e estranhamente, ele havia opinado novamente pelo preto.

-Vejo que já está pronta. – Ele olhou em minha direção. — Logo seu cunhado irá chegar a esta casa e não a quero com os empregados, sujando suas roupas com gordura.

-Estou longe das panelas – tentei argumentar em tom amargo, mas o olhar de Alberta, estava implorando para que eu ficasse calada. Com um longo suspiro me levantei do lugar.

-Aguarde na sala de estar com sua avó. Katherine deve estar descendo. – O tom de meu pai era cortante, o que me fez perguntar novamente, por que eu havia aceitado voltar para casa e não passado o resto de meus dias, naquele Convento.

Quando cheguei à sala, minha avó estava conversando com Katherine, que já havia descido. Os olhos de minha irmã eram distantes e pareciam desfocados de qualquer coisa. Minha avó por sua vez, estava entusiasmada com a situação atual. Revirei meus olhos.

-Olá Rose! – Minha avó me saudou com um fervoroso gesto de suas mãos. – Estou ensinando a sua irmã, como uma verdadeira dama, deve se portar na frente de um cavalheiro.

-Ela parece bastante entusiasmada – Respondi forçando um sorriso. Minha avó pareceu ignorar meu sarcasmo aparente.

-Vocês duas tem sorte de me ter por perto, pelo menos por agora. – Ela continuou esbanjando sua graciosidade desnecessária. –É claro que seria muito melhor, se eu pudesse levar vocês duas comigo, para a França. Quando sua irmã se casar, irei conversar com o seu pai sobre seu futuro.

-Vovó, nós já conversamos sobre isso. – Me uni a elas, sentando em uma das poltronas vazias. –Eu vou voltar para o Convento.

Ela então soltou um som estrangulado e me olhou de uma forma, que parecia que eu realmente há havia ofendido.

-Não acredito que está pensando sobre isso ainda. – Ela me alertou. – Sua irmã está fazendo um bom casamento e você, não pode pensar que ficará a vida toda trancada naquele lugar, para velhas senhoras.

-Vovó, por favor. – Depositei minhas duas mãos em meu colo e isso, pareceu atrair a atenção de Katherine, que me observou com olhos curiosos, embora ainda estivesse calada.

-Eu estive longe da educação de vocês por muito tempo, mas agora, irei compensar o tempo perdido. – Seu tom decidido me fez pestanejar.

Eu estava prestes a protestar, quando percebi que Katherine havia ficado ainda mais pálida, encarando algo atrás de mim. Virei-me e deparei com a figura alta, de meu futuro cunhado observando Katherine. Ele estava parado como uma rocha e silencioso, como um gato. Quando seus olhos cruzaram com os meus, ele sorriu de forma gélida.

-Oh bom dia, Sr. Belikov – Minha avó se levantou rapidamente, diante da oportuna intromissão. – Por favor, deixe seu casaco com a criada e una-se a nós. – Ele então pareceu extremamente irritado quando a empregada se aproximou e isso, me intrigou de certa forma. Ele parecia relutante sobre se desfazer de seu casaco. Seria uma mania estranha?

-Obrigado– Ele disse rispidamente e a criada logo pegou seu casaco e se afastou. Com uma mudança brusca de humor, ele se voltou para nós. –Bom dia Senhoras. – Seus olhos então pousaram nos assustados, de Katherine. Estremeci.

-Por favor, sente-se – Minha avó se referiu a ele com exemplar educação, para logo em seguida, me olhar de forma zangada, me fazendo levantar do lugar.

-Bom dia, Sr. Belikov – Disse em tom neutro, não o encarando nos olhos. Eu era incapaz de fazê-lo, quando o percebia me observar da mesma forma estranha e habitual. Não sabendo ao certo o que estava fazendo, ergui minha mão direita para que ele a pegasse e imediatamente, eu me arrependi de fazê-lo. Em um gesto inesperado, ele a levou aos lábios e depositou um beijo quente em minha mão fria.

-Bom dia, Senhorita Mazur. – Por uma batida de coração, seus olhos ficaram presos aos meus e eu senti uma urgência, em liberar minha mão da sua. Tão perto assim, era possível sentir um forte cheiro de colônia.

Eu estava prestes a força-lo a me soltar, quando meu pai apareceu no cômodo e o distraiu o suficiente, para que ele mesmo o fizesse.

-Bom dia Sr. Mazur. – Dimitri sorriu de forma irônica e eu voltei a me questionar, sobre a real amizade, que eles aparentavam ter. Pela primeira vez, observei pelo pai oscilar em sua expressão. Ele parecia um tanto inseguro.

-Bom dia. – Meu pai respondeu simplesmente.

Uma serviçal logo adentrou ao cômodo, logo atrás de meu pai. –Senhor Mazur, desculpe-me pela intromissão, mas vim lhe informar que seus convidados já chegaram.

-Encaminhe-os para a sala de estar. –Ele despejou depois de uma longa e inquietante pausa e em seguida, se voltou para nós. — O almoço está sendo servido. Queiram me acompanhar por gentileza.

Adentramos na sala de estar para almoçar e não gostei da forma, de como minha avó havia escolhido nossos lugares. Sentei-me ao lado de Katherine e minha avó estava ao lado de Dimitri, que se localizou de frente a mim. Meu pai por sua vez, estava sentado em uma extremidade. Quando a amiga de minha avó e seu filho Richard entraram, percebi que seria quase impossível, mantermos uma conversa, com ele sentado tão longe. Sua mãe se sentou ao lado de minha avó na mesa e ele, ao lado de Katherine. Richard me saudou com um leve aceno de cabeça, o qual correspondi.

-Sejam bem vindos a minha casa – Eu estava tão absorta em meus próprios pensamentos, que mal vi quando meu pai havia se levantado e erguia uma taça de vinho, para que brindássemos. –Como todos sabem, minha filha mais nova Katherine, foi pedida em casamento pelo Senhor Belikov. – Ele pausou e seus olhos encontraram com os meus. – Estamos muito felizes com o convite. – Dessa vez, pela minha visão periférica, pude observar que a Condessa amiga de minha avó, franzia seu lábio inferior, de forma desconfortável. Preferi ignorar aquilo.

O jantar então começou a ser servido e todos continuamos em silêncio. Entre um pigarreio ou outro, me vi encarando os olhos de minha avó em silêncio, enquanto os de minha irmã continuavam desfocados. Eu me negava a olhar para frente, onde o Conde nos observava como um corno, a sua carniça.

Logo após a sobremesa, todos nós seguimos para a sala, onde seria entregue o anel para Katherine. Ela seguiu a frente com Dimitri ao seu lado e eu, tentei me aproximar de Richard, já que sua mãe parecia entretida com alguns vasos egípcios da coleção de meu pai.

-Olá – Disse timidamente, enquanto diminuía meus passos, esperando que ele fizesse o mesmo.

-Olá Srta. Rosemarie. – Ele respondeu formalmente demais, para o que eu esperava.

-Apenas Rose – Sibilei baixo e ele sorriu. – Preciso me conte o que sabe sobre o futuro marido, de Katherine.

Sim, aquilo o havia pegado desprevenido, percebi. Um vislumbre rubro cruzou suas feições.

-Não seria mais apropriado perguntar ao seu pai? – Ele questionou, me fazendo virar os olhos. Sem muitas esperanças, puxei seu braço quando iniciamos o corredor, o fazendo me acompanhar, já que éramos os últimos da fila.

-Sabe que meu pai está ocupado demais e preciso que me conte sobre o que sabe. –Insisti, tocando seu braço com minha mão. Percebendo seu espanto pelo meu gesto bruto, tentei melhorar minha desastrosa abordagem. –Me desculpe Sr. Richard, se estou sendo grosseira, mas me preocupa muito a felicidade de minha única irmã. – Toquei meus lábios, o fazendo pensar que estava prestes a começar a chorar. Richard então como eu esperava, tocou meu ombro e me encarou com compaixão.

-Não tem com o que se preocupar. – Ele sorriu. – Eu apenas sei o que as pessoas comentam sobre sua família.

-E isso quer dizer o que exatamente? – Ele abriu a boca para falar, quando seus olhos cruzaram com os de alguém, bem atrás de mim. Minha avó. Quando meus olhos cruzaram com os dela, tentei pensar em alguma abordagem rápida, já que provavelmente sua cabeça, estava trabalhando em um processo rápido e impiedoso, de informações sobre aquela cena inusitada. Para minha sorte, Richard foi mais rápido.

-Senhora Hathaway, queira por gentileza se juntar a nós. Estávamos agora mesmo comentando sobre o quão intrigante é este quadro. –Só quando Richard citou, me virei e notei que bem atrás de mim, estava o quadro que minha mãe havia pintado, ainda quando eu era criança. Era uma pintura bem simples e com traços bastante desuniformes, mas estranhamente, me recordei do rosto de minha mãe, ao pincelar a tela. Precisei de um pouco de controle, para vestir minha máscara de indiferença, ao olhar minha avó.

-Foi à mãe de Rosemarie, que o pintou. — Claramente ao notar sua expressão, percebi que ela não havia acreditado em uma só palavra, do que ele havia dito, mas teve a curiosidade de observar o quadro. O pior de tudo, era que eu tinha certeza, que ela estava pensando sobre o que exatamente, eu fazia com Richard tão próximo a mim e sua mão em meu ombro, que fiz questão de balançar, para que caísse.

-Minha mãe tinha gosto pelas artes. – Comentei forçando um sorriso, que logo foi morto pelo olhar que minha avó, dirigiu a mim. Claramente ela aprovaria uma união entre eu e Richard, mas certas regras, tinham que ser obedecidas a risca.

-Seu pai nos aguarda na sala – Ela disse por fim, me obrigando a mecher minhas pernas novamente. Dei graças aos céus, por sua amiga não estar junto dela, ou seriam duas, para quem eu deveria me explicar depois.

Foi-nos servido chá e café, acompanhado de alguns biscoitos, enquanto agudávamos que meu futuro cunhado de pronunciasse. Após ter sido pega com Richard, percebi que minhas investidas em descobrir a verdade, estavam esgotadas. Eu teria que me contentar em receber a informação de outra pessoa, ou simplesmente entregar Katherine a sorte. Obviamente, a segunda opção estava fora de cogitação.

Eu havia acabado de depositar minha xícara na mesinha de centro, quando Dimitri se distanciou de meu pai e com um passo a frente, chamou Katherine. Meu sangue instantaneamente gelou e tive que controlar minhas mãos em meu colo, para que me mantivesse sentada.

Katherine timidamente se aproximou e um anel lhe foi lhe posto no dedo, sem nenhuma palavra trocada. Meu pai parecia apreensivo, enquanto Dimitri, bastante ciente de seus atos. Sua expressão era fria e desprovida de sentimentos, ao contrario da de Katherine, que parecia enfartar a qualquer momento. Meu coração saltou, enquanto observava aquela terrível situação. Claramente eram opostos. Além é claro da idade, muito diferente de ambos, Katherine mal tinha as formas de um corpo feminino definidas. Seus traços eram suaves e peculiares demais, para o que possivelmente seu noivo, esperaria. Isso estranhamente não pareceu fazer efeito algum, pois ele simplesmente, parecia desinteressado.

Assim que a pequena reunião se encerrou, segui ao lado de minha avó, para me despedir de Richard e sua mãe, enquanto meu cunhado, seguiu com Katherine e meu pai, para a biblioteca. Meu estômago revirava e a última coisa que precisava agora, era uma conversa com alguém.

Minha avó então seguiu para seu quarto e eu para a cozinha, sem muitas esperanças de conseguir descansar realmente. Alberta lavava uma pilha de pratos, enquanto outras duas criadas, organizavam a mesa e limpavam o chão. Quando ela me viu com os braços cruzados durante em meu peito, sua expressão se tornou preocupada.

-Menina, ainda não aceitou o casamento de sua irmã. – Ela disse pesadamente. As duas criadas então, trocaram olhares entre si, fazendo com que Alberta voltasse a falar. – Vocês duas, já encerraram por aqui. Vejam se o Conde precisa de algo e terminem de retirar os utensílios de chá da biblioteca e sala. Sem um segundo incentivo, elas seguiram de cabeça baixa, pela porta da cozinha.

Aproveitei para sentar na cadeira.

-Quer um pedaço de pudim? Você mal tocou na comida. – Ela largou a louça e secado suas mãos, se sentou de frente a mim na mesa.

-Elas te contaram isso também? – Franzi o cenho, enquanto sorria de forma drástica.

-As duas ali são fofoqueiras, mas não se meteriam a besta comigo. – Alberta piscou, me fazendo sorrir, pelo seu incentivo. –Eu te conheço, apenas isso.

A verdade era que eu mal havia tocado na comida. Eu me sentia enojada demais, para pensar em qualquer coisa, que não fosse Katherine.

-Aceito um pedaço de pudim. – Forcei um sorriso, tentando despistar a atenção de Alberta. Ela sorriu ao se levantar e logo, apareceu a minha frente, com um pedaço generoso de pudim e uma colher. Enquanto eu comia, recordei que talvez, ela pudesse ser a única a me passar alguma informação, sobre Dimitri Belikov. Alberta era velha e esperta o suficiente, para saber dos rumores que cercavam nossa pequena vila. Recordando minha falta de sorte com Richard, tentei uma abordagem diferente.

-Richard estava me contando sobre o Senhor Dimitri. – Disse suavemente, sem encara-la nos olhos. Alberta soltou um murmuro descontente.

-Seu novo amigo, não devia ficar lhe fazendo fofocas – Ela deu de ombros. Agora, já havia voltado a lavar a louça. – As pessoas falam demais.

Prendi a respiração. Como eu sabia, Alberta deveria saber muito mais, do que estava comentando comigo. Automaticamente me repreendi. Se eu oscilasse um pouco que fosse, tudo estaria perdido.

-Eu concordo. – Continuei em meu tom neutro. – Mas isso não é algo bom, sobre sua reputação, de qualquer forma. – Arrisquei fechando os olhos, ciente de que poderia ter falado demais.

Alberta então se virou e eu tentei me manter calma. Meu coração palpitava tanto em meu peito, que tive medo que ela pudesse escutar.

-Criança, o fato das pessoas comentarem que o Conde matou sua família, não quer dizer que isso, seja realmente verdade. – A colher que estava em minha boca caiu em seco e sem me importar com o que Alberta pensasse, abri meus olhos em espanto, tapando minha boca.

-Oh meu Deus – Me levantei aos tropeços da cadeira, sentindo uma urgência de acabar com aquilo. Alberta percebendo meu choque, me encarou assustada, ciente de que havia falado demais. Ela fez menção de ir ao meu encontro, mas comecei a ir em direção a saída da cozinha.

Notas finais
Matou a família?
O que vocês acham q a Rose vai fazer?
Gostaram da abordagem dela tanto com Richard e Alberta?

Beijos e aguardamos os comentários/recomendações.