Brave Heart

6 Capítulo 6 - Mudanças


Notas iniciais
Oi gente!
Tudo bom? =)
Segue mais um post.
Obrigada a todos os comentários!!!
Com certeza, essa semana consigo estar postando o 7 =)
Não deixem de comentar!!! Nos vemos lá embaixo.

Como era de se esperar, meu pai estava parado em frente à lareira, enquanto bebia de seu meio copo de uísque. Sua expressão era serena, mas pude notar um ar de tensão em seus traços, quando ele percebeu minha presença. Muito lentamente, se virou em minha direção.

–O que você quer? – Ele despejou de uma vez, voltando a sua posição inicial, após dar um gole longo em sua bebida.

–Como pode fazer isso? – Não ponderei minhas palavras, embora fizesse o impossível, para manter meu tom. –Como pode marcar um casamento de sua filha, com um homem perigoso, como o Senhor Dimitri Belikov?

Ele então se virou totalmente, para me encarar. Sua expressão nada boa. Ele claramente não estava surpreso, por eu ter descoberto o passado sombrio, de meu futuro cunhado.

–O que eu faço ou não, não diz respeito a você, menina insolente. – Suas palavras eram duras, assim como eu esperava que fosse, o reflexo de seu coração. Eu mal conhecia reconhece-lo depois de tudo. Meu pai era um homem velho e amargurado. Uma triste realidade.

–Mamãe nunca teria. – Comecei, mas ele deu um passo à frente, me interrompendo por completo.

–Sua mãe está morta! – Não sabia dizer se era necessariamente a bebida ou o simples fato de Abe ser insuportável, mas meu pai havia aumentado significamente seu tom de voz, para comigo. –Ela não toma mais decisões nesta casa!

–Mas ele matou a própria família, pai – Eu quase implorei, juntando minhas duas mãos juntas. –Não pode fazer isso com sua própria filha.

Ele voltou a me olhar. Dessa vez por um longo tempo, até que voltasse a falar.

–Você não sabe o que diz – Totalmente indiferente a aquilo, Abe continuou. – Você não mora mais nesta casa e não lhe devo satisfações.

–Eu não vou permitir! Está matando-a! Não percebe? – Pausei para respirar. — É claro que não – Respondi minha própria pergunta depois de um tempo, me sentindo mesquinha demais para calar-me. – Você simplesmente não se importa.

O baque veio com toda a força, assim como o gosto de sangue em minha boca. Quando dei por mim, eu estava caída ao chão. Lágrimas descendo com força pelos meus olhos. Abe se aproximou com a mão erguida, me fazendo encolher em minha posição. E então, tudo se tornou confuso.

A porta de seu escritório foi aberta com um chute violento e um homem bastante alto, adentrou o cômodo. Sua expressão era severa e seus olhos brilhavam em fúria. Com uma agilidade fora de comum, arrastou meu pai para longe de mim e lhe socou a face. Pego obviamente desprevenido, Abe balbuciou para trás por um segundo, antes que outro soco lhe atingisse, do outro lado do rosto.

Percebendo o pior, me levantei sob meus pés e tentei apartar a briga, mas parecia impossível. Meu pai levou um terceiro soco em seu rosto e foi quando, eu notei que não éramos os únicos no cômodo. Katherine e Alberta gritavam desesperadamente. Aproximei-me e sem alternativa, toquei o ombro do agressor.

–Pelo amor de Deus, pare. Vai mata-lo – Gritei usando toda a força de meus pulmões cansados. Sua pele era como rocha, embaixo de minhas mãos trêmulas. Ouvi Alberta e Katherine gritando meu nome, mas não me importei. Abe parecia muito mal e eu não conseguia vê-lo, se mexendo no lugar. Estava derrotado.

Demorou um longo instante para que ele se virasse e quando o fez, dei vários passos para trás, temendo o pior. O grito ficou preso em minha garganta quando percebi com cautela, de quem se tratava. Dimitri Belikov.

Percebendo meu medo e choro, sua expressão mudou quase que drasticamente. Ele ainda aparentava estar bastante irritado, mas dessa vez, eu sabia que não iria mais longe com aquilo. Seus olhos estavam presos nos meus, enquanto eu tentava me manter em pé.

Alberta se aproveitando da distração de Dimitri, se aproximou com Katherine ao seu lado e juntas, começaram a ajudar meu pai a se levantar do lugar. Seu rosto sujo de sangue, respingava por todo o carpete claro. Uma rápida olhada para a porta e pude notar que minha avó, estava parada ali e estática permanecia, ao lado de outras duas criadas.

–Me soltem – Abe cuspiu as palavras e mais que rapidamente, Katherine e Alberta se afastaram. Sem saber ao certo o que estava fazendo, me coloquei entre meu pai e o jovem cavalheiro.

–Pai, por favor. – Implorei. –Já é o bastante. – Eu sentia parte do meu rosto adormecida. Talvez pelo golpe. Talvez pelo simples fato da pulsação acelerada do meu coração. Um reflexo artimanho, de minha mente confusa.

–Saiam todos – Ele gritou com um louco, enquanto se apoiava em uma das cadeiras da sala. Pude notar que sua camisa branca, estava bastante suja de sangue. Percebi que Alberta e Katherine imploravam com o olhar, para que eu as seguisse, embora não me mexesse um centímetro do lugar onde estava. –O que está fazendo, parada ai? – Abe se referiu a mim desta vez., Dimitri deu um passo à frente e sem que eu previsse, seu peito tocou em meu braço.

–Eu não vou embora. – Respondi com a única força que consegui juntar. – Não vou deixar que se matem – Me voltei para a porta, onde minha avó era arrastada por uma criada, ao lado de Katherine. – Fechem a porta, por favor.

Abe pareceu ainda mais irritado por minha intromissão, mas não me importei. Eu sabia que teríamos outra conversa a sós e esta, não tardaria.

Ele então se voltou ao homem próximo de mim.

–Posso saber por que invadiu minha casa e socou-me a face? – Abe continuo em seu tom agressivo.

–Não lhe invadi a casa – Dimitri cuspiu suas palavras. –Estava de saída e vi agredir a própria filha.

Abe para meu espanto, sorriu de forma fria. Irônico ou não, Dimitri pareceu estar me defendendo.

–E você acha que pode vir na minha casa, me dizer o que devo fazer ou não com minhas filhas? – Ele tocou o queixo que parecia ter sido deslocado e deu um passo vacilante para frente. Sem me importar com a proximidade, dei outro para trás, encostando-me a Dimitri.

–Pai, por favor. – Voltei a falar, mesmo sabendo ser um gesto suicida.

–Cale-se –Ele ordenou e desta vez, senti minha mão sendo puxada com força e em seguida, fui arrastada para o lado. Dimitri entrou na minha frente. Sem entender nada, me senti miseravelmente sem opções, enquanto tentava inutilmente me aproximar. Estava tudo acabado.

–Me admira você falar em intromissão, na vida de suas filhas. – Dimitri sorriu de forma cruel e eu senti meu coração se apertar. – Não pareceu esclarecer as coisas dessa forma, quando me vendeu uma delas.

As palavras destilavam de sua boca como veneno. Senti meus joelhos fraquejarem, mas me neguei a cair. Vendeu uma de suas filhas? Seria este o motivo por Abe aparecer de repente com esse pedido de casamento, absurdo? Ele teria vendido Katherine? O pensamento me enojava e a cada segundo passado ali, não me restava dúvidas de que ele havia enlouquecido.

–Como você pode? – Toquei minha boca em espanto, dando vários passos para trás.

–É uma pena que você não conheça realmente, seu querido pai. – Dimitri comentou de forma fria. Seus olhos brilhando pela raiva e satisfação pessoal, em quebrar corações. De repente, voltei a me sentir sozinha. Ele não havia por fim me salvado e sim, estava atrás de seus próprios interesses.

–Eu não tive escolha – Abe tocou seu cabelo, parecendo abalado percebi, por ter que me dar explicações daquele tipo. Em sua mente, ele acreditava seriamente que um casamento como aquele, fosse dar certo? – Ou era Katherine, ou era você.

–E como eu estava em um Convento, resolveu lidar com a mais nova. – Conclui de forma amarga, sentindo lágrimas voltarem a se formar em meus olhos.

Meu pai então mudou o peso de seu corpo para a outra perna, enquanto Dimitri, tinha os olhos inexpressivos. Eu soube ali, que tinha que tomar uma decisão. Encarei meus próprios pés.

–Eu vou avisar uma única vez. – A voz carregada de sotaque de meu cunhado, me fez voltar o olhar para cima. Ele agora apontava o dedo no peito de meu pai. –Não estou habituado a este tipo de acordo, mas vou deixa-la decidir desta vez, notando que seu pai é um palerma. – Um soluço involuntário escapou de mim. Eu já tinha ideias claras, sobre suas próximas palavras. –O trato não vai ser rompido, mas se ela quiser tomar o lugar dar irmã, eu aceito. – Seus olhos escuros se dirigiram aos meus, mas rapidamente, ele os desviou. –Independente de qualquer que seja a decisão dela, não quero voltar aqui e notar outra marca além desta que agora, ela tem no rosto. – Instintivamente toquei meus lábios e senti dor. Provavelmente estavam feridos.

Ele então se voltou para mim, dando um leve empurrão em Abe, que parecia querer explodir em raiva, a qualquer momento. Claramente meu pai devia algo de grande valor ao homem, pelo tamanho de seu desespero. Senti uma pontada de simpatia por ele, mas não o suficiente, para sentir piedade por seus atos.

–Se quiser partir comigo, lhe darei casa e uma vida bastante diferente, da que leva aqui. – Seus olhos eram sombrios e eu me perguntei, quando havia entrado naquela situação? Lágrimas começaram a rolar de meus olhos, sem que eu tivesse controle. Tudo aquilo, estava me fazendo beirar ao pânico. –Me certificarei que nunca mais pise nessa casa ou tenha qualquer contato com este homem. – Dimitri enrugou o nariz e novamente senti meu coração se apertar.

Teria ele pena de mim e Katherine, ou simplesmente escolhido a melhor opção para ser sua esposa? Katherine ainda era uma criança. Dificilmente seria apta a uma vida de muitas complicações, que leva um matrimônio. Eu seria esta melhor opção? Antes de voltar para a casa de meu pai, levava uma vida tranquila em um convento. Duvidara seriamente, que teria melhores chances de me adaptar do que Katherine. Mas uma coisa eu sabia. Eu era responsável por ela. Era responsável por fazer de sua vida a melhor possível. Jamais me perdoaria se algo de ruim acontecesse com minha jovem irmã. E foi por essa conclusão que respirei fundo, ciente do que teria que fazer.

Encarei os olhos conflituosos de meu pai, pela possível oferta. Realmente, ele estava abrindo uma exceção, percebi.

–Pai, pode nos dar licença por favor? – Disse sem ter coragem de enfrenta-lo. Minhas pernas tremiam tanto, que tive medo de não conseguir me manter de pé.

Ele pensou por um momento, mas logo resolveu partir. O caminho até a porta foi com grande dificuldade graças aos seus ferimentos, mas duvidara eu, que ele gostaria de alguma ajuda. Quando a porta foi finalmente fechada, me voltei para Dimitri que novamente, me olhava de uma forma inexpressiva. Era como se na verdade, aquilo não fosse de nenhuma importância para ele. Eram apenas, negócios.

–Se eu trocar de lugar com ela, teremos que ter um segundo evento para noivado? – Segurei minhas mãos tremulas na frente do meu corpo, buscando algum conforto.

–Não – Ele respondeu friamente. – Não me importa de nada formalidades banais, mas independente de aceitar a oferta ou não, quero que saiba que caso a aceite, estará vivendo sob os meus termos.

A ênfase que ele havia dado a aquela pequena frase, fez meu estomago se apertar. Estaria eu, fazendo um trato com o diabo? Eu não duvidara que sim.

–Sim eu sei. – Voltei a desviar o olhar, sem saber ao certo, o que mais era de se esperar, que eu dissesse. Meu estômago se contraiu em uma pesada bola, conforme a consciência caia sobre mim.

–Será minha esposa. Dividirá minha casa e minha cama. Terá seus vestidos e frequentemente poderá ver sua avó e irmã, caso eu ache apropriado é claro. Mas de forma alguma, poderá ter contato com seu pai.

Seus termos eram claros e eu não fazia ideia do que esperar. Com medo de que me acovardasse ao ato, respondi prontamente.

–Temos um acordo. – Respondi brandamente, encarando seus olhos. Ele então sorriu de forma maliciosa e eu senti minhas pernas falharem. –Aceito trocar de lugar com Katherine.

–De acordo. – Ele respondeu depois de um tempo. – Enviarei meus criados aqui pela manhã, levar suas coisas.

–O casamento não seria daqui a alguns dias? – Minha voz quase falhou por completo.

–Precisarei logo fazer uma viagem e não quero espaço para mais formalidades. – Ele gesticulou com uma mão, de forma bastante gélida. –Nos casaremos amanhã mesmo em minha propriedade.

Abri meus olhos em pratos. Eu precisaria de algum tempo para digerir aquilo. Notando meu choque aparente, ele resolveu voltar a falar.

–Não se preocupe com sua vestimenta. Tudo será providenciado. O que me interessa é que fique vivendo o mínimo possível aqui, com seu pai. Agora você me pertence –E com um breve aceno, ajeitou sua roupa perfeita e abriu a porta da biblioteca, me deixando sozinha ali.

Notas finais
O que acharam?
A Rose será que fez uma boa troca? E essa violência pra cima do Abe?