Brave Heart
3 Capítulo 3 - A Missa
Notas iniciais
Tudo bem com vocês?
Segue mais um post de BH e espero que gostem.
Neste, Dimitri aparece para Rose e sua família.
Aguardo os comentários. Por favor, não sejam leitores/as fantasmas. A participação de vocês é um fator importante para o desenvolvimento de nossas ideias!
Pela manhã bem cedo, seguimos para a capela para assistir a missa do Padre João Bonifás, que era um antigo amigo da família. Como era de costume, a missa era celebrada totalmente em latim, o que não era necessariamente um problema para eu agora, já que estava acostumada com as celebrações no convento.
Sentamo-nos no meio da fileira de bancos, como eu estava lembrada de pequena e aguardamos a chegada do padre. Meu pai não nos acompanhou a missa, alegando que teria problemas a tratar, em seu escritório. Ao meu lado, Katherine estava sentada com um aspecto sonolento e minha avó, conversava fervorosamente com sua colega de lado, provavelmente sobre sua vida de riquezas em Paris. Um pouco depois da morte de minha mãe, foi que ela resolvera se mudar para longe.
Sem mais opções, me concentrei em minhas orações. Com o crucifixo preso em minhas mãos, me ajoelhei tomando cuidado para não sujar o vestido novo e fechei meus olhos. Não tive muito tempo para permanecer daquela forma, pois logo uma sombra negra, pairou sobre minha visão, me obrigando a abrir os olhos. Quando o fiz, não consegui evitar a surpresa. Um homem muito alto de aproximadamente dois metros, estava caminhando na fileira de bancos a minha frente. Seu cabelo era castanho e passava um pouco a altura dos ombros. Ele vestia-se totalmente de preto, contrastando um pouco com sua pele, mesmo não sendo tão pálido assim. Bem na minha frente, ele resolveu parar para se sentar, me obrigando a me afastar e voltar ao banco. Quando seus olhos cruzaram com os meus, não consegui evitar um calafrio passar por meu corpo. Seu rosto era perfeitamente esculpido e seus olhos eram de um intenso marrom, quase negros. Um esboço de sorriso malicioso se fez em seus lábios, quando ele notou o grande crucifixo, apertado entre meus dedos. Automaticamente afrouxei meu aperto, mas não rápido o suficiente. Minha avó ao meu lado, havia também cessado sua conversa, percebi.
-Posso me sentar, senhorita? – Ele ofereceu, gesticulando para o banco a minha frente. Sua voz era carregada com um forte sotaque, que de primeiro momento, não consegui identificar.
-Sinta-se a vontade – respondi da melhor forma que pude, tentando desviar o olhar, mas era impossível. O homem então sorriu satisfeito consigo mesmo, de uma forma bastante arrogante e ameaçadora a meu ver. Ele não parecia ter muito mais do que minha idade, embora seus traços fossem severos. Virei-me então em direção a minha avó em busca de algum apoio, mas quando meus olhos se encontraram com os de minha avó, ela sorriu de uma forma misteriosa, parecendo satisfeita sobre o meu gesto. Para meu alívio, o homem então se sentou e não demorou muito para que o Padre entrasse na capela. A missa então começou e eu pude me concentrar em apenas o som da voz do padre e minhas orações, já que o homem parecia imóvel como uma rocha em minha frente.
Quando saímos da igreja, segui com Katherine e minha avó, para a casa de uma de suas amigas. Durante todo o caminho, elas conversavam alegremente sobre alguma coisa, que não me esforcei muito para entender. Katherine caminhava em silêncio, apensa brincando com a manga de seu vestido, enquanto cantarolava uma canção.
A casa da Condessa de Lafeur, amiga de minha avó, era tão grande quanto eu me lembrava. Ela tinha quatro filhos homens e três dos seus, estavam casados. Minha avó estava fazendo um bom trabalho em menciona-los, durante o chá da manhã.
-Agora em casa, tenho somente Richard que por ventura, tem quase a mesma idade de Rosemarie. – Um cutucão singelo em meus pés, fez com que eu olhasse em direção a minha irmã sentada de frente para mim, a mesa de chá. Ela agora segurava o riso, provavelmente ciente das próximas palavras de minha avó.
-Richard é um cavalheiro disputado, presumo? – Minha avo insinuou, aguardando a resposta da Sra. Lafeur, que pareceu satisfeita consigo mesma, sobre citar seu filho mais novo, como se fosse algum prêmio de uma corrida de cavalos.
-Richard já recebeu várias propostas, inclusive de seu pai, sobre casamento com diversas pretendes. Mas ele, ainda está indeciso. – Os olhos da mulher então cruzaram com os meus e eu tive que segurar minha xícara com força, para que ela não se espatifasse no chão. Sua insinuação era clara, assim como seus olhos avaliativos sobre mim.
-Imagino mesmo – Minha avó respondeu vagamente, enquanto bebericava de seu chá de ervas.
-Imagino que deve ser complicado para seu pai, Rosemarie. – Como eu temia, os olhos de água da amiga de minha avó, caíram sobre mim.
-Não entendo o porquê, minha Senhora. – Continuei em minha linha de respostas vagas, contrastando com minha cabeça.
-Tem somente duas filhas, pois infelizmente sua mulher faleceu ainda jovem. – A falsa lamentação da mulher ao tocar seu peito, me fez quebrar um biscoito ao meio, antes mesmo de conseguir leva-lo a boca. Isso não a interrompeu, de continuar seu discurso. – E ainda assim, a mais velha decidiu ir para um Convento e não lhe dar a graça de ter frutos de um casamento. – Virei os olhos, me sentindo desconfortável, com o rumo daquela conversa. Eu sabia das implicâncias da sociedade sobre uma mulher seca.
-Com todo o respeito. – Comecei a protestar, mas ela continuou a falar, me ignorando totalmente.
-E ainda a mais nova, não é graciosa o suficiente para conseguir um marido. – Aquilo me bastou. Eu estava prestes a levantar do lugar, quando senti a mão firme de minha avó em meu braço por baixo da mesa, me fazendo permanecer onde estava. Lancei um olhar a minha irmã, que parecia pálida demais. Cerrei um pouco meus lábios.
-Acredito que isso possa se resolver cara amiga, com minha permanência por algum tempo aqui. – Minha avó concluiu sabiamente, recebendo um sorriso aprovador por parte da Condessa Lafeur. Permanência por algum tempo? Senti pena de Katherine.
-Fico feliz com sua permanência e creio que suas netas também ficarão. – Novamente a mulher passou seus olhos por mim, mas desviei o olhar.
Não muito tempo depois, pedi para me retirar com Katherine da casa da Condessa, alegando uma dor de cabeça insistente. Minha avó e muito menos a jovem Senhora, se opuseram. Provavelmente, estavam apenas nos aguardando ir embora, para começarem a tramar seus planos insanos e dispensáveis. Eu temi por isso.
Quando mais me aproximava de minha casa, mais a dor de cabeça se fazia real. Um calafrio passou por mim, quando me recordei dos acontecimentos de hoje na missa. Os olhos escuros do homem alto passaram por minha mente, assim como a conversa sobre minha avó morando em nossa casa. Ela com toda a certeza, se colocaria relutante em minha volta ao Convento e eu teria problemas sérios a partir dai.
Girei a maçaneta e o sorriso de Alberta, iluminou suas feições. Ela estava agora varrendo o hall de entrada. Katherine passou por ela como um fantasma e seguiu para seu quarto.
-O que houve com a menina? – Alberta perguntou chocada.
-A Condessa amiga da vovó, disse que Katherine não é graciosa o suficiente, para arrumar um marido. – Virei os olhos.
-Isso é bobagem – Alberta tapou sua boca, achando tudo aquilo uma besteira. –Sua irmã é ainda muito jovem, mas com toda a certeza, receberá muitos convites de casamentos.
-Eu sei – Soltei um pesado suspiro, observando o caminho por onde Katherine havia passado.
-Mas e sobre você, menina? O que andaram tramando para você? – Alberta pareceu ainda mais intrigada sobre quaisquer acontecimentos a meu respeito.
-Estou duvidando seriamente que nesse exato momento, minha avó não esteja negociando meu noivado com o filho da Condessa. – Suspirei, passando minhas mãos delicadamente pelo tecido rosa da saia do vestido.
Alberta então caiu em riso, me deixando espantada. Claramente ela desaprovava esse tipo de intromissão, principalmente por parte da minha avó. Mas mesmo assim para ela, parecia ser algo engraçado. Bem diferente de meu ver.
---X---
Alguns dias se passaram e caímos em uma exaustiva rotina. As aulas de Katherine eram ministradas em casa, agora por uma nova professora, que minha avó fez questão de contratar. Eu já não via meu pai mais entrar ou sair de casa e suspeitava seriamente, que ele não havia aparecido também e isso, me preocupou. Tentei algumas vezes perguntar isso a Alberta, mas a mesma se mostrava relutante em responder, aguçando ainda mais minhas dúvidas.
Minha avó passava grande parte das tardes, tomando chá com suas amigas e especulando sobre novos possíveis pretendentes, tanto para mim, quando para Katherine. Argumentei algumas vezes sobre Katherine ainda ser bastante nova, mas minha avó sempre repetia que noivados, deveriam começar cedo. Estranhei também a ausência de cartas do Convento nesse período. Notavelmente meu período de férias estava cessando, mas não havia recebido nenhum comunicado sobre voltar. Em partes isso me deixou aliviada, uma vez que não queria deixar Katherine a mercê de minha avó, ainda mais sozinha.
Uma batida insistente em minha porta, me fez fechar o livro que estava lendo e me levantar da cama. Era Alberta e quando olhou para o meu corpo, se alarmou.
-Os convidados chegarão a menos de uma hora menina, e você ainda está usando roupas de dormir. – Alberta comentou em tom aborrecido, me empurrando gentilmente para o banheiro. – Irei chamar Carlota para que te ajude com o banho, enquanto busco seu vestido.
-Não estou em ânimo para festas. – Disse sem timbre de vós. Eu não via meu pai há vários dias e a única mensagem deixada por ele, dizia que estava fora da cidade, resolvendo alguns assuntos. Dentro de mim eu sabia que algo estava errado.
-Eu sei que sei pai não estará presente na festa, mas é importante que você esteja presente, como membro de sua família. – Ela disse de forma gentil. Minha avó havia decidido por si só, que daria uma festa em seu nome e no de Katherine, para comemorar ambos os aniversários, que eram próximos.
Ainda relutante, segui para o banheiro e com ajuda de Carlota, consegui me arrumar rapidamente. Meu vestido era de um azul pálido, contrastando com as presilhas prateadas em forma de borboletas, que eram de minha mãe. Unidas, formaram um volumoso e elegante coque. Já Katherine, escolheu um modelo em tons de salmon claro. Seu cabelo estava solto em ondas perfeitas, até o meio de suas costas. A carregada maquiagem em seu frágil rosto, dava um aspecto mais velho a ela. Com toda a certeza, isso havia recebido um toque especial, de nossa avó.
Pontualmente às oito horas, a carruagem parou em nossa porta e nos levou até o salão, que estava impecavelmente bonito e bem iluminado. A decoração era pitoresca, trazendo vários traços de contrastes e cores. Bem no centro, uma mesa gigantesca exibia as melhores e mais refinadas refeições, que eram tendência na Europa. Mesas circulares cobertas de uma toalha de cetim branco, estavam uniformemente espalhas pelo espaço amplo.
Pouco tempo depois de minha avó dar algumas ordens aos empregados, o salão foi aberto e vários rostos conhecidos adentraram. Dentre eles um em particular, tomou minha atenção. A Senhora Lafeur e seu filho mais novo Richard, estavam presentes. Quando seus olhos cruzaram com os de minha avó ao meu lado, ela se aproximou de nós. Seu marido e filho estavam bem atrás.
-Querida amiga. Meus parabéns – Com um abraço breve, ambas se cumprimentaram. Logo seus olhos pararam em mim. – Rosemarie minha jovem, gostaria que conhecesse meu filho Richard. – Com um passo a frente Richard se aproximou, pegando minha mão e beijando por cima da luva. Ele era um pouco mais alto do que eu e tinha expressivos olhos verdes. Diferente de sua mãe ruiva, ele tinha o cabelo loiro e algumas sardas se faziam presente, em seu rosto. De todo, sua aparência não era tão ruim, o quanto esperava.
-Muito prazer em conhecê-lo. – Fui cortes. Eu sabia que se a irritasse, minha avó seria capaz de me colocar sentada ao lado dele até o final da festa.
-Fico encantado em conhece-la – O jovem sorriu amplamente. – Minha mãe me falou bastante da Srta. –Ao nosso lado, senti minha avó pigarrear algo a sua amiga e logo todos se afastaram. Menos Katherine, que parecia entretida com alguma coisa não muito longe de nós. Segui seu olhar para ver do que se tratava e prendi a respiração, ao notar o foco de sua atenção. Meu pai estava entrando nesse exato momento no salão, acompanhado com o misterioso e grande homem, que eu havia visto há alguns dias atrás, na igreja.
Notas finais
O que será que o pai dela quer? Ainda mais com Dimitri ao seu lado.
Beijos e aguardo os comentários, para continuarmos com as postagens.
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