Brave Heart
20 Capítulo 20 - O Baile (Parte II)
Notas iniciais
POR FAVOR, vamos com calma e bastante atenção a leitura.
**Nos vemos lá embaixo**
Uma música então soou. Era uma melodia doce, provavelmente originada de algum instrumento musical como o violino. Olhei ao redor em busca do som, notando que agora Karoline também conversa avidamente, com outra acompanhante. Dimitri ainda permanecia ao lado de Ronald, limitando minhas opções. Eu queria tanto ter um momento a sós com ele, onde possivelmente arriscaria uma resposta de sua parte, sobre os nomes citado a pouco, por sua madrinha.
Sem querer parecer intrometida, acabei por resolver dar uma volta a sós no grande salão. Não demorou para que eu avistasse um singelo palco, onde alguns músicos, exibiam gloriosamente seus instrumentos musicais. Parei-me bem de frente a um, que com habilidade, deslizava seus dedos pelas cordas de um enorme violoncelo.
–O som é agradável não é? – Mal consegui reparar, quando Dimitri se postou ao meu lado. Virei-me para encara-lo e percebi que ele me oferecia uma taça de bebida.
–Ah com toda a certeza. – Respondi, enquanto pegava a taça de sua mão firme. Dimitri apenas limitou-se a me encarar, sorrindo com lábios cerrados.
–Pelo visto se livrou da conversa empolgante, em que estava. – Ironizei, fazendo com que meu marido abafasse uma risada ao meu lado. Não evitei sorrir também.
–Você também não me pareceu bastante feliz. – Seu comentário também irônico me fez virar os olhos, mesmo que eu sentisse o rubor de minhas bochechas.
–Estava me espionando? – Fingi indignação e desta vez, o sorriso de Dimitri foi amplo, exibindo seus dentes brancos. Meu coração pulsou tão forte no peito, que senti como se me faltasse ar.
–Na verdade estou de olho em você. – Dimitri então desviou o olhar para o músico a nossa frente, enquanto sorvava de sua bebida. Antes que eu pudesse questiona-lo sobre aquilo, ele mesmo continuou. – Tem muitas pessoas se perguntando, o que diabos estamos fazendo aqui e isto, inclui você.
–Posso saber o por quê? – Novamente Dimitri estava instigando minha capacidade investigativa. Eu morreria naquela hora, por mais alguma informação.
Ele pareceu considerar aquilo, através de um singelo sorriso, enquanto observava minhas feições. Possivelmente se questionando, sobre o quanto poderia compartilhar comigo.
–Digamos que não sou muito bem vindo por aqui. – Dimitri deu de ombros, como se não se importando com suas próprias palavras.
–E eu posso saber o por que? – Mal consegui perceber, que havia feito a mesma pergunta duas vezes. Maldito cérebro confuso.
Aquilo não passou despercebido de Dimitri, que abriu um sorriso malicioso. – Está repetitiva minha querida. – Desviando o olhar, percebi que estava prestes a perder novamente sua atenção. Firmei então meus dedos na taça, tomando uma próxima decisão: — Eu gostaria de caminhar até o jardim. Acompanha-me? – Forcei o melhor sorriso que pude, arrancando um olhar surpreso e desconfiado de meu marido.
Dimitri ponderou por um momento, mas logo ergueu seu braço, para que eu o pegasse.
Caminhamos em silêncio para fora do acúmulo constante de pessoas e paramos, bem abaixo de uma árvore com galhos firmes e bastante florida. A temperatura preferencialmente aquela noite, não estava tão severa, me possibilitando andar sem um xale, enquanto me apoiava nos braços de Dimitri.
–A festa está bastante animada – Iniciei a conversa, não sabendo ao certo como faze-la. Dimitri apenas limitava-se a me observar, como se tentando entender meu propósito.
–É verdade. – Ele respondeu calmamente, dirigindo seu olhar à entrada lateral ao jardim, por onde havíamos saído. – Nem consigo me lembrar da última vez que não fosse nosso casamento, onde me enfiei em um evento assim. – Ele então juntou suas sobrancelhas, enquanto voltava a me observar. Suas duas mãos agora, estavam em seus bolsos e sua postura, tranquila.
–Faz tempo que está na cidade? – Arrisquei a pergunta, não me sentindo confiante demais para encarar seus olhos.
Dimitri novamente ponderou a pergunta, demorando alguns minutos para respondê-la.
–O suficiente digamos, para me casar com você. – Sua resposta vaga era intrigante a ponto, de eu quase forçar-lhe uma resposta direta. Ao invés, apenas sorri.
–Vejo, mas disse-me a pouco, que estava na Rússia – Ainda sorrindo, esperei que ele entrasse em meu jogo. –Quanto tempo ficou lá?
–Basicamente a minha vida toda. – Dimitri deu de ombros, respondendo um pouco mais rápido desta vez. – Eu fui embora daqui, ainda menino.
–E por que motivo? – Sem perceber, dei um passo em sua direção. Eu estava absorta na conversa, querendo saber o verdadeiro motivo, da morte de seus pais.
Dimitri considerou minha aproximação e sem que eu previsse, deu um passo em minha direção, fechando ainda mais, a distância entre nós. Minha respiração então, tornou-se irregular. Eu estava bastante ciente do número restrito de pessoas e que estavam bastante distantes, de onde nós estávamos, em nossa falsa privacidade.
Dimitri elevou muito demoradamente sua mão até meu rosto e voltou a me tocar a pele. A sensação estranha se apoderou novamente de mim. Agia como uma ânsia cega. Uma ânsia que eu não entendia o significado.
–Muita coisa aconteceu Roza. – Sua voz agora era baixa, enquanto ele tocava meu rosto. Seus dedos vagando pela minha pele, fazendo-a formigar. –Coisa que ainda não estou preparado para te contar.
–Mas por que? Sou sua esposa. – Eu quase implorei a ele, no mesmo tom. Meu cérebro estava prestes a se transformar em névoa, graças ao seu toque quente. Eu precisava me focar.
Aquilo pareceu florescer algo dentro de Dimitri, que esboçou um sorriso.
–Sim, é minha esposa. – Ele repetiu a si mesmo, enquanto deslizava sua mão livre para minha cintura e me puxava para mais perto de si. Adrenalina se estendia por todo o meu corpo, como um fio cego, desde a ponta dos meus dedos dos pés, até o fio de meus cabelos compridos. Quando dei por mim, estava ansiando pelo que Dimitri estava prestes a oferecer. Seus olhos se dirigiram aos meus lábios com tamanha intensidade, que fechei meus olhos, inalando seu hálito fresco.
Mas tão cedo quanto aquela sensação apareceu, ela evaporou completamente, quando Dimitri se afastou e beijou minha testa. Sem entender ao certo o que estava acontecendo, busquei seus olhos e deparei-me com um sorriso gracioso de sua parte. Naquele momento, quando nossos olhos se encontraram, a já conhecida intensidade, pareceu fortalecer ainda mais, a linha invisível de nossa conexão.
–Acho que está ficando tarde. – Dimitri comentou depois de uma curta pausa. Seus olhos pareciam sorrir pra mim, de uma forma cúmplice. Ele então voltou a segurar meu rosto com suas duas mãos. –Vamos embora?
–Sim – Sorrindo timidamente, concordei. –Acho que já podemos ir embora.
Dimitri então beijou meu rosto e se afastou alguns passos.
–Vou avisar Ronald e Karoline que estamos indo embora. Acompanha-me? – Ele questionou-me de forma sugestiva.
–Se não se importa, eu gostaria de ficar lhe esperando aqui. – Arrisquei, mesmo sabendo que Dimitri poderia livremente me contradizer. Ele então ponderou por um momento, e logo suspirou.
–Está bem. Eu Já volto. – Voltando a sorrir, começou a caminhar em direção a porta, não muito longe de nós.
Respirei fundo, enquanto tentava controlar as milhares de borboletas, que pareciam ter invadido meu estômago. Tocando-o, tentei focar meus olhos em algum outro ponto, que não fosse às costas largas de Dimitri.
–Olhe quem está ali. – Uma voz masculina e bastante grosseira, tirou-me de meus devaneios. Percebi que um homem com não mais de quarenta anos e um denso bigode negro, aproximava-se de mim, ao lado de sua acompanhante. Pelo traje e ar esnobe que carregava, percebi que era um homem de bastante poder aquisitivo.
–Rosemarie Belikov correto? – O homem parou a poucos passos de onde eu estava, parecendo intrigado a meu observar. Ele então tirou um charuto do bolso de sua calça grafite, enquanto me aguardava.
–Sim, sou eu mesma. – Forcei um sorriso, tentando recordar mentalmente, de onde o conhecia. Joseph então acendeu o charuto e uma densa fumaça acinzentada, cobriu parcialmente suas feições.
–Muito prazer minha jovem. Sou Joseph Marvell. – Disse, erguendo instintivamente sua mão e em seguida, ergui a minha, para cumprimenta-lo. O homem então a pegou e com um beijo demorado em minha palma enluvada, fez-me quase retroceder ao toque inusitado.
–Creio que ainda não fomos formalmente apresentados, mas sou amigo de seu marido. – Ele sorriu de uma forma aberta, quase grosseira.
–Muito prazer Sr. Marvell – Forcei um sorriso, logo olhando ao redor em busca de Dimitri. Quando meus olhos voltaram-se para o homem a minha frente, notei que ele olhava de uma forma bastante descarada, para o decote de meu vestido. Automaticamente senti-me corar, enquanto mudava a direção de meus olhos, para sua acompanhante, ainda usando uma máscara e parecendo bastante indiferente a tudo aquilo. Percebi que em uma de suas mãos, ela segurava uma garrafa escura de vinho. Mesmo com a espessa máscara, ela não conseguia esconder que era bastante jovem.
–Minha querida dama, não se importa em me esperar lá dentro certo? Preciso conversar com a Sra. Belikov, por um momento. – Joseph então tocou o rosto da jovem com a ponta de seus dedos, e quando os braços dela deixaram os dele, notei que ele cambaleava um pouco. Sinal de que provavelmente, havia atravessado seus limites, com a bebida.
–Claro meu Lorde. – Ela respondeu, estampando um sorriso amplo e bastante falso a meu ver, antes de beijar-lhe os lábios de forma bastante grosseira, antes de lhe passar a garrafa de bebida, antes em suas mãos.
Voltando meus olhos desesperadamente pela entrada, onde Dimitri havia partido, tentei processar alguma forma de sair dali, antes que aquele homem insistisse em algum diálogo inoportuno. Alguma coisa, não me parecia certa.
–É realmente muito bonita Rosemarie. – Joseph então se aproximou alguns passos, fazendo com que eu caminhasse instintivamente para trás. Sem que me desse conta, acabei encostando no tronco da enorme árvore.
–Muito obrigada pelo elogio Sr, mas acho que preciso ir. Meu marido me espera. – Disse rápido demais, tentando me esquivar daquela conversa estranha, mas mal consegui dar dois passos, quando Joseph segurou meu braço com força, mantendo-me no lugar. Encarando-a de forma alarmada, tentei me soltar, mas isso, pareceu divertir o homem ainda mais.
–Não me admira que Dimitri esteja satisfeito com seu próprio casamento. – Ele sorriu maliciosamente, ignorando minha tentativa de soltar-me dele. – És uma joia bastante rara, cara Rosemarie.
–Sr. Joseph, eu acredito que meu marido não ficará satisfeito, com a forma que está segurando meu braço. – Tentei soar calma, quando na verdade estava prestes a começar a gritar. As mãos fortes do homem, estavam realmente machucando minha pele.
–Seu marido está bastante ocupado com os negócios. – Ele então aproximou seu rosto do meu, fazendo com que uma ânsia se formasse em meu estomago, enquanto eu sentia o forte odor de álcool, inalando de sua garganta. – Dimitri se preocupa tão mais com o trabalho, que tenho certeza que não daria conta, se sua linda esposa sumisse por algumas horas.
A forma explicita e descarada sobre suas reais intensões, fizeram-me agir em alerta. Com uma força que achei não ser capaz de ter, o empurrei e desta vez, o homem cambaleou alguns passos para trás, soltando-me momentaneamente. Voltei a escapar mas não fui longe, pois as mãos firmes voltaram a se firmar em meus braços, virando-me bruscamente em seguida.
–Sr. Joseph, por favor me solta – Gritei audivelmente ao homem que me apertava com força, enquanto eu me debatia.
–És tão bonita Rosemarie. – Aproximando seu rosto de meu pescoço, ele fechou ainda mais a distancia entre nós. O rosto de Dimitri surgiu em minha mente. Seu sorriso tímido e forma como me olhava há alguns minutos atrás, não chegavam nem perto de como esse bruto homem estava me tratando agora. –Imagino como seria em minha cama.
Abrindo meus olhos em pratos e reunindo forças mais uma vez, empurrei Joseph e prontamente lhe acertei a face, com um soco firme. Foi à vez dele abrir seus olhos em notável espanto, enquanto dava vários passos para trás.
–Sua vadia maluca. – Cuspindo fogo pelas ventas, o homem voltou a vir em minha direção, mas foi derrubado no chão com força, por outro homem. Dimitri.
Comecei a gritar em busca de ajuda, mas as poucas pessoas que ali estavam, preferiam limitar-se a observar a situação, ao invés de tentar separar os dois homens, lutando como selvagens.
Eu estava prestes a tentar separa-los, quando um barulho de vidro se fez bastante alto. Um grito de puro desespero escapou de minha garganta, quando percebi de onde ele se originava. Joseph com ajuda da garrafa, havia acertado Dimitri na cabeça. Olhei ao redor em busca de algo para tentar ajuda-lo, quando deparei-me com um grosso pedaço de madeira. Apanhando-o do chão, segui em direção aos dois homens. Algumas pessoas agora se estavam se aproximando, mas não o suficiente.
Dimitri mesmo aturdido e sangrando, estava lutando. Joseph então tentou acerta-lo mais uma vez com o que restará da garrafa, mas fui mais rápida. Pegando impulso suficiente, acertei a cabeça de Joseph em cheio com a madeira, fazendo com que seu corpo caísse no chão desacordado. Em seguida, ajoelhei-me em frente à Dimitri.
–Meu Deus. Está bem? – Notei um corte em sua testa, que jorrava bastante sangue. Ele limitou-se a me olhar, enquanto um sorriso se esboçava em seus lábios.
–Você o acertou em cheio. – Ele comentou ainda sorrindo, mas seus olhos estavam prestes a se fechar. Em pânico, segurei suas duas mãos.
–Não pode fechar os olhos. Está ferido. – Disse em notável alerta, não conseguindo evitar meu pânico crescente.
–O que aconteceu aqui? – Virei à cabeça em direção a voz já conhecida, notando agora o considerável número de pessoas ao nosso redor. Algumas delas, tentando ajudar Joseph que estava desacordado. Ronald se aproximou de Dimitri e analisou a ferida.
–Precisamos de um médico. – Gritei, me negando a deixa-lo ali. Dimitri apenas me observava sem dizer nada, exercendo uma leve pressão em minhas mãos.
–Eu estou bem. – Ele disse com voz fraca. –Não é uma garrafa que vai me derrubar. – Tentando se sentar, Dimitri foi empurrado gentilmente por seu padrinho.
–Vai ficar ai deitado, até que a carruagem chegue, para levarmos você para casa. – Ronaldo suspirou alto, olhando ao redor. Seus olhos se encontraram com Karoline. –Precisarei dar alguns pontos.
–É médico? – Perguntei sentindo-me aliviada.
–Sim eu sou. – Ronald limitou-se a sorrir para em seguida, virar-se para Dimitri. – Não foi nada muito grave, mas precisamos estancar o sangue. – Ele concluiu sabiamente.
–De acordo. – Respondi rapidamente, notando que Dimitri ainda me observava. Seus dedos ainda pressionados com os meus. – Você vai ficar bem. – Sorri para ele otimista.
A carruagem não tardou a chegar e logo, cruzamos os grandes portões da casa grande. Ronald seguiu com Dimitri para seu quarto, enquanto eu aguardava ansiosamente na sala de estar com Karoline, por alguma notícia. Nossos empregados já haviam nos servido café e também alguns petiscos, para ajudar na espera. Nada disso realmente estava me importando.
–Dimitri vai ficar bem. – Não percebi estar andando em círculos, até que ouvi a voz de Karoline.
Não tive tempo para responder, pois assim que abri minha boca, Ronald apareceu na porta.
–Dimitri está bem e inclusive arrisco dizer, que está bastante mal humorado. – Ele virou os olhos, me fazendo rir.
–Então ele está bem. – Juntei minhas mãos em forma de prece. – Posso vê-lo?
–Sim. Ele está acordado e perguntou de você. – Ronald então baixou as mangas de seu traje de festa, e se aproximou de sua esposa. –Vamos embora agora, mas amanhã passo para verificar os pontos de Dimitri. – Ele voltou a sorrir e percebi ali, a tamanha simpatia que nutria por aquele homem que tão pouco conhecia.
–Obrigada pela ajuda – Retribui seu sorriso e tão logo, os acompanhei até a porta.
Já no andar de cima, bati duas vezes, antes de entrar no quatro de Dimitri. Ele estava somente com sua camisa branca e as calças pretas, já deitado na cama. Quando seus olhos cruzaram com os meus, ele pareceu aliviado.
–Eu disse que estaria bem. – Ajeitando-se melhor em seu lugar, Dimitri pediu para que eu me aproximasse. Notei que Marie estava dentro do quarto, somente quando Dimitri dirigiu seu olhar a ela que tão logo, se retirou silenciosamente.
Aproximando-me de seu leito, apenas aguardei, enquanto meus olhos vagavam pelo curativo em sua testa.
–O que é isso no seu braço? – Dimitri se sentou bruscamente, levando suas duas mãos aos meus braços. Sem entender ao que ele se referia, deixei meu olhar vagar até o ponto onde ele observava. Notei vários pontos roxos, feitos por marcas de dedos.
–Não é nada – Bruscamente puxei meu braço, percebendo a fúria brilhar dos olhos de Dimitri. Notavelmente ali, ele havia sido o mais prejudicado. Eu poderia lidar com aquilo.
–Ele machucou você. – Seus olhos agora estavam abertos em pratos. – Aquele maldito patife machucou você. – De espanto, sua expressão mudou para suicida.
–Eu estou bem. – Levei minhas duas mãos a seu peito, quando preferi sua real intensão. Dimitri estava prestes a levantar da cama, para sabe Deus o que fazer. –Ele apertou meu braço forte e foi só isso. – Forcei um sorriso, voltando a fitar seu curativo. – De nós dois, eu acho que você merece uma atenção maior.
Dimitri ponderou por um momento, apenas se deixando manter parado por minhas mãos espalmadas, em seu peito. Sua respiração estava irregular e eu temia pelo que ele pudesse fazer, caso resolvesse sair daquele quarto. Com cuidado, sentei ao seu lado na cama e baixei minhas mãos, para as duas.
–Eu estou bem. Isso é uma coisa boba. – Forçando um sorriso, apertei gentilmente seus dedos nos meus.
Encarando nossas mãos juntas, Dimitri logo ergueu seu olhar para o meu, com intensidade. Os traços de ira haviam sido transformados quase que completamente, em compaixão e foi ai, que meu próprio coração, resolveu se acelerar. Soltando de suas mãos, levei as minhas até seu rosto. Dimitri fechou os olhos, apreciando o toque.
–Você não faz ideia do quanto, eu esperei por isso. – Sua voz era baixa e carregada de sotaque, fazendo meu coração se acelerar ainda mais, com o peso de suas palavras.
Sem saber ao certo o que dizer, apenas limitei-me a delinear os traços fortes de seu rosto com os meus dedos, não esquecendo nenhum ponto. Dimitri tinha o rosto perfeitamente esculpido e livre de qualquer imperfeição. Seu cabelo castanho estava solto livremente por seus ombros como seda, fazendo com que minhas mãos ansiassem pelo toque. Quando finalmente passeis meus dedos por seus lábios carnudos, ele resolveu abrir os olhos e foi ai, que percebi o quanto queria senti-lo sob os meus.
Dimitri aproximou então seu rosto com cautela, como se analisando minha reação, para não assustar-me. Fechando meus olhos, logo senti a leve pressão que seus lábios exerciam. Uma mistura de deliciosas sensações se mesclaram dentro de mim, quando Dimitri separou seus lábios e com sua língua, invadiu completamente minha boca. Me espelhando em seu próprio gesto, logo tinha minhas mãos presas em sua camisa, enquanto o puxava para mais perto. Dimitri por sua vez, levou suas duas mãos a minha cintura, puxando-me para seu colo, aprofundando ainda mais as sensações dentro de mim, quando resolveu aumentar a intensidade de seu beijo.
Em poucos segundos estávamos ofegantes, fazendo com que Dimitri se distanciasse um pouco, para que eu respirasse.
Nossas testas estavam juntas uma da outra, enquanto meu peito subia e descia rapidamente, graças a pouco ar que me restará. Dimitri pareceu achar aquilo engraçado.
–Eu acho que fui rápido demais com você. – Beijando meu rosto, ele diminuiu um pouco a pressão de seus dedos em minha cintura.
–Eu estou bem. – Respondi da melhor forma que pude, observando o rubor de seus lábios após o beijo. Minha própria voz era débil. Sem esperar por um incentivo vindo dele, o beijei.
Dimitri voltou a pressionar minha cintura, me ajeitando melhor em seu colo, enquanto devorava com fome meus lábios. Desta vez, consegui controlar melhor minha respiração, recebendo-o com tudo o que tinha. Mal tomei nota, quando suas mãos começaram a vagar pela lateral do vestido bem na altura de minhas coxas, exercendo uma leve pressão.
–Roza é melhor pararmos por aqui, a não ser que queira acordar em minha cama, pela manhã. – Dimitri se distanciou o suficiente, para encarar meus olhos. Vendo-o assim tão perto, pude perceber o brilho selvagem que o carregava. Suas duas mãos novamente em meu rosto, queimavam.
–É isso que as pessoas fazem em sua lua de mel? – Sem jeito, perguntei a ele o que estava em dúvida há muito tempo. Dimitri sorriu com meu incentivo.
–Também. – Ele respondeu depois de alguns tempo, como se tentando escolher suas próximas palavras.
–Tem mais? – Perguntei, não sabendo ao certo se seria capaz de suportar maior prazer, do que já estava sentindo ali, em seus braços.
Dessa vez Dimitri gargalhou, mas não de uma forma ofensiva e sim, curiosa.
–Na lua de mel Roza, as pessoas fazem amor. – Ele beijou os dois lados de meu rosto com ternura.
Sem aviso prévio, a lembrança do dia de nossa noite de núpcias, invadiu minha mente.
–Eu achei que fosse me machucar naquele dia. – Pensando alto, acabei desabafando com Dimitri.
–Na verdade eu nunca seria capaz de machucar você – Ele soltou um longo suspiro. –Mas sua rejeição, me deixou irritado. – Dimitri desviou o olhar, mas voltei seu rosto para o meu, usando minhas mãos.
–Então queria fazer amor comigo? – Encarando seus olhos, continuei
–Sim eu queria. – Ele respondeu, baixando ainda mais sua voz, carregando seu sotaque – Mas não tanto como quero agora.
–Se isso for como o que estamos fazendo agora, eu também quero. – Ingenuamente conclui, recebendo outro sorriso de Dimitri.
–Ah, é bem melhor do que estamos fazendo agora. – Ele voltou a beijar minhas bochechas quentes com ternura. – Mas acho que já tivemos emoções demais por um dia.
Dimitri então tocou o enorme curativo em sua testa, me fazendo sentir pesar. Eu havia esquecido totalmente de sua briga e que consequentemente, ele estava machucado. Culpa cruzou minhas feições.
–Me desculpe. – Toquei a região próxima de seu machucado.
–Está tudo bem. – Dimitri rapidamente selou nossos lábios. – Amanhã eu estarei novo em folha e possivelmente, poderemos conversar mais sobre suas dúvidas, antes de continuarmos com esta conversa.
A forma como ele pronunciou dúvidas, me fez sorrir. Dimitri estava sendo paciente de uma forma, que eu jamais esperaria que ele fosse. Desde que eu havia chegado a sua casa, o havia avaliado como um homem rancoroso e que só pensara em si mesmo. Mas agora, o via como o motivo dos meus sorrisos e fonte de minhas alegrias.
–Estou de acordo. – Levantando-me de seu colo, ajeitei minhas saias. – Boa noite. – Ainda sorrindo, virei-me de costas para lhe dar privacidade.
–Rose espera – Dimitri chamou-me em seguida, fazendo-me virar para encara-lo.
–Tem todo o direito de recusar, mas não gostaria de dormir aqui está noite? – Sua voz era tranquila, embora eu avaliasse agora muito bem, sua incerteza.
Olhando-o ali tão desamparado, não consegui evitar a resposta.
–Está bem. – Sorri e logo voltei a caminhar em direção ao meu quarto.
–Mas está indo embora? – Ele voltou a me chamar, um tanto confuso.
–Eu não vou dormir usando este vestido sujo – Virei os olhos e então, Dimitri gargalhou.
–Está certo. Está certo. – Respondeu, antes de eu me virar.
Quando eu voltei ao seu quarto, Dimitri estava quase adormecido. Provavelmente cansado demais para tirar suas próprias roupas, ele preferiu permanecer da forma como estava. Quando percebeu minha presença, ele abriu um de seus olhos, indo um pouco para o lado, para que eu sentasse.
Respirando fundo, levei minhas mãos até meu robe para abri-lo, quando Dimitri pareceu desesperar-se.
–Não Roza. Não faça isso. – Ele sentou na cama, me olhando de uma forma assustada. Percebendo minha confusão, resolveu se explicar. – Eu prefiro que tire isto depois que conversarmos melhor. – Calmamente, ele tentou se explicar.
–Ah me desculpe. – Instantaneamente corei com minha idiota inocência. – Está certo. – Firmando meu nó, soltei meus cabelos e então deitei no lado, que me cabia da cama. Dimitri se colocou embaixo das cobertas, logo me puxando para si. Depositei minha cabeça em seu peito coberto pela camisa, respirando profundamente, enquanto observava a gasta chama da última vela acessa, prestes a cessar.
–Boa noite Roza. – Disse Dimitri, deslizando suas mãos por meu cabelo comprido.
–Boa noite Dimitri. – Sorri, sentindo-me satisfeita com o próximo passo que havíamos dado.
Notas finais
Em primeiro lugar, sei que muita gente estava esperando pelo beijo e com certeza, algo mais. Mas vamos nos lembrar da base da fic, onde Rose é uma menina que foi enviada para um Convento ainda muito pequena e depois de alguns dias em seu retorno, já foi para o altar com um homem até então bastante rude e lhe causava medo. Dimitri também embora não tenha se revelado muito ainda, tem um passado não muito bom, que aos poucos irá se mostrar.
Dessa forma, pedimos a paciência de vocês e que se lembrem que estamos tentando ao MÁXIMO fazer uma história coerente tanto com os personagens, quanto com a época em que ela se passa. Não tá fácil pra ninguém!!! Rs.
Sem dúvida alguma está foi a fic mais difícil que eu junto com a Kah escrevemos até agora. São muitos detalhes que para vocês que estão lendo pode não parecer nada, mas para nós, é bastante coisa.
Por fim, aguardamos a opinião de vocês e nos vemos na próxima postagem que espero seja logo. Não íamos postar esse capítulo tão rápido, mas como estão participando, vamos ser legais com vocês.
Beijos e até a próxima
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