Brave Heart

34 Capítulo 34 - Um Quase Acidente


Notas iniciais
Olá gente! Eu sei que andamos sumidas, mas muitas coisas aconteceram. Leiam as notas finais. Boa leitura

–Senhora, tem certeza mesmo, que não quer que eu chame o doutor? – Marie perguntou pela quinta vez naquela manhã. Toquei meu rosto coberto pelo suor frio e fechei meus olhos. Por Deus, eu me sentia pior do que da última vez.

–Estou bem. – Me forçando a levantar da poltrona, respirei fundo. – Meu marido ainda não voltou? – Dimitri a meu pedido, havia saído cedo em busca do paradeiro de seu irmão.

–Não senhora. Ele ainda não retornou. – Marie se aproximou com um pano branco encharcado de água e molhou minhas palmas. – Eu insisto mais uma vez senhora. – Ela começou, mas dessa vez a interrompi.

–Marie apenas me deixe, sim? – Gesticulando com a mão agora livre, desviei o olhar.

Relutantemente, a criada se retirou na biblioteca e então, segui em direção a janela. Era uma linda manha de sol, atípica de Londres.

–Rose? Posso entrar? – Katherine minha irmã mais nova, apareceu na soleira da porta. Seus cachos volumosos tomaram minha atenção por um momento.

–Claro que sim. – Ajeitei a trança de meu cabelo e ela então sorriu.

–Marie me informou que está doente. O que aconteceu?

–Estou apenas um pouco indisposta. – Desviando o olhar, voltei a encarar o jardim. Katherine sentou-se silenciosamente em uma das poltronas e aguardou. –Na verdade, eu acho que são os nervos.

–O que quer dizer? Apropósito, quem eram as pessoas em nossa casa durante a noite?

–Eram amigos de meu marido. – Respondi sem emoção. Eu estava preocupada por Dimitri e Benjamin e ainda mais preocupada, pelo fato de sua amiga da noite passada. Eu não fazia idéia de quem era aquela mulher e muito menos, o que ela queria.

–E isso quer dizer o que exatamente? – Katherine insistiu.

–Isso quer dizer que... – Comecei, mas logo fui interrompida com a porta da biblioteca sendo aberta. Dimitri apareceu às pressas na soleira, parecendo um pouco cansado. Sem pronunciar uma só palavra, ele adentrou enquanto movia nervosamente suas mãos, em seu cabelo castanho.

–Dimitri? – Me aproximei dele e então, Katherine nos deixou a sós. Ele me encarou exasperado.

–Não o encontrei Rose.

–Oh – Toquei meus lábios. – Você foi a aquele lugar e procurou por ele?

–Sim e inclusive – ele voltou a tocar a testa – Fui a outros a sua procura, mas ele não deixou rastros.

–Mas que coisa. – Virando de costas, tentei colocar minha cabeça a pensar.

–De qualquer forma Rose. – Dimitri tocou meu ombro. – Eu não acredito que ele queira ser encontrado. – Seu sorriso era morto.

–Bom, ele esta vivo e bem. – Dei de ombros, tentando parecer menos preocupada, do que eu realmente estava. Era loucura e eu sabia, mas havia uma estranha conexão entre nós, cuja eu ainda não sabia ao certo como explicar. Espantando meus pensamentos incoerentes, me voltei para Dimitri e forcei um sorriso.

–E você, como esta se sentindo? – Ele me olhou fundo nos olhos, com aquela intensidade que somente ele tinha.

–Eu estou bem. – Assim que desviei o olhar, Dimitri me firmou no lugar pelos ombros.

–Roza, eu entendo sua preocupação por mim, mas você precisa consultar um médico. –Ele soltou um longo e pesado suspiro.

Quando o olhei de soslaio de forma desconfiada, ele concluiu sorrindo– Eu a conheço o suficiente também, para saber quando está mentindo.

–Tudo bem. Irei a um médico, mas não hoje. Preciso resolver umas coisas.

–Que coisas? – Dimitri insistiu de forma confusa.

–Como, por exemplo, quem era aquela mulher de cabelos escuros com você, quando me encontrou? A trouxe para casa, não pode ser uma simples conhecida.

Dimitri sabia que eu tinha um ponto e por isso, não iria desistir tão fácil.

–Natasha é uma amiga e eu já lhe disse isso.

–Amiga de que tipo? Amiga da família? Cresceram juntos ou eram vizinhos?

Foi à vez de Dimitri desviar o olhar e foi exatamente nesse precioso segundo, que cerrei os meus.

–Só não me diga por tudo que é mais sagrado, que trouxe a nossa casa, uma antiga amante! – Minha voz antes controlada, saiu como um rugido voraz.

Dimitri se encolheu um pouco, antes de voltar a falar.

–Rose, não é bem. – Houve uma batida na porta e quando isso aconteceu, nos dois desviamos nossos olhares.

–Senhor Belikov, tem um homem na porta, procurando pelo senhor. – A voz de Marie era ouvida de modo abafado.

Dimitri se recompôs e respirando fundo, se voltou para mim enquanto segurava meus ombros.

–Roza, eu amo você acima de qualquer pessoa nesse mundo. Não se preocupe com uma simples amiga. – Beijando minha fronte ele sorriu e então se afastou.

***

Alguns dias se passaram, até que finalmente me permiti sair de casa. As buscas por Benjamin ainda aconteciam diariamente por Dimitri, mas sem algum retorno. Aparentemente, seu irmão já havia saído da cidade, o que era realmente muito triste. Por causa do nervoso refletido em minha aparência e saúde, não consegui ser de muita ajuda. Conseqüentemente Dimitri e Benjamin, ainda estavam brigados. Já a amiga de Dimitri, finalmente também havia partido logo depois de nossa breve conversa, o que na verdade, era um tremendo alívio. Embora ele tenha comunicado isso somente quando eu mencionei durante um jantar, eu resolvi deixar o assunto de lado. Tudo estava resolvido e em paz outra vez.

–Katherine, se resolver experimentar outro vestido, peço a Marie para ser sua dama de companhia. Meus pés estão protestando esses sapatos novos. – Girando mais uma vez meu pé direito, eu ajeitei o chapéu.

Katherine ergueu sua cabeça por detrás das volumosas araras, e soltou um suspiro exasperado. Suas bochechas aderiram a nota tonalidade escarlate, graças ao esforço de colocar e tirar roupas.

–Está bem. – Sua voz se quebrou, enquanto ela dava a volta. Katherine tinha um evento importante naquela semana. Iria a um aniversário de uma das filhas de um conhecido de Dimitri que era bastante influente, nos ramos políticos. Felizmente ela e as duas filhas do mesmo, haviam criado um laço de amizade, o que era muito bom para Katherine que a cada dia, estava passando pelo processo de amadurecimento. Já se passava de algumas semanas que ambas visitavam uma a casa da outra, para um chá no meio da tarde.

–Não, fique. Eu vou encontrar Dimitri e Marie pode te fazer companhia. – Sorrindo de forma encorajadora, me despedi de ambas com a promessa de um pouco mais tarde, a carruagem voltar para apanhá-las.

Eu estava prestes a entrar na carruagem, quando recordei que a famosa confeitaria de doces, ficava na rua detrás. Algo dentro de mim se remoeu e foi então, que resolvi agir.

–Me espere aqui está bem? Irei comprar algumas coisas do outro lado da rua e já volto. – Lancei um olhar rápido ao cocheiro que me aguardava pacientemente. O homem então sinalizou em entendimento.

Meu atendimento no extenso balcão foi rápido e com ágeis dedos, apontei para alguns bolos e doces, para que levasse para comer mais tarde.

–Mas que coisa! – Resmunguei, quando um pouco de creme gotejou na manga do meu vestido. Freneticamente comecei a tentar limpar aquilo, mas me pareceu uma tarefa impossível. Quanto mais eu limpava, mas o doce parecia impregnar no fino tecido.

–Senhora, cuidado! – O som veio tão alto que meu último pedaço de bolo, se partiu no chão. Meu peito inflou, mas o grito não saiu graças ao susto de braços firmes me puxando em direção a calçada. Eu estava a salvo.

A carruagem passou bem perto dos meus pés, e precisei de um momento para me recompor. Onde diabos eu estava com a cabeça, enquanto atravessava a rua?

–Você está bem?

Meu sangue congelou. Ergui o olhar. Benjamin me encarava com um olhar dividido entre duro e preocupado. Exatamente, como Dimitri fazia.

–Oh meu Deus, você está vivo – Sem que eu conseguisse me controlar abri um sorriso. – Quer dizer que não foi embora.

Sua expressão mudou para confusa, em questão de segundos. Só então depois de um momento, ele se permitiu sorrir.

–Oh pelo amor de Deus, você estava prestes a ser atropelada e eu que mereço estar vivo? – Um toque de escárnio, me fez virar os olhos. –Olhar antes de atravessar, poderia ser interessante.

–Oh não diga. – Voltei a rir e ele então abriu ainda mais seu sorriso.

–O que faz sozinha por esses lados?

–Eu vim comprar doces. – Automaticamente minha cabeça girou ao redor e então, vi a pequena bandeja espatifada no chão. –Mas acho que eles não sobreviveram.

–Antes eles do que você – Benjamin continuou me encarando, fazendo com que por um momento, eu me sentisse desconfortável, enquanto ele parecia decidir se voltava a falar ou não.

–Bom, se esta tudo bem eu devo partir.

–Hey, espere – Segurei seu braço e ele automaticamente virou encarando minha mão sob o tecido. Sua expressão era ilegível. – Será que podemos conversar? Você desapareceu por vários dias. Como está vivendo?

Benjamin mordeu seu lábio inferior, enquanto voltava a me olhar nos olhos.

–Eu não acho que seja uma boa idéia. Seu marido deve estar esperando em casa. – Seu tom amargo não deixou dúvidas sobre quem ele se referia.

–Ora vamos, só quero conversar por um momento está bem? – Repeti enquanto rezava silenciosamente para que ele me ouvisse. Talvez essa fosse minha última chance de unir os dois irmãos.

Depois do que pareceu uma eternidade, Benjamin suspirou.

–Tudo bem, mas não vamos ficar no meio da praça. Pessoas costumam iniciar mexericos por muito menos. Ainda mais, quando se tem uma bela dama segurando o braço de um homem dessa maneira. – Seu tom divertido e ao mesmo tempo diabólico, me fez corar totalmente.

–Esta bem – Tirei a mão, enquanto olhava para ambos os lados. – O que sugere?

–Quem são seus acompanhantes?

Precisei de um momento para pensar no que ele se referia.

–Ah sim, minha irmã e dama de companhia estão na outra rua.

–E suponho que uma carruagem as espera.

Abri a boca para confirmar, mas Benjamin simplesmente mexeu a cabeça e desta vez, foi sua vez de segurar uma de minhas mãos.

–Vamos deixar uma coisa bem clara minha jovem. – Seu rosto se aproximou um pouco mais e então, senti o rubor voltar com força. – Eu não sou nenhum pouco a favor dessa conversa, ainda mais, pois envolve meu irmão. – Como fiz menção de voltar a falar, ele me interrompeu – Mas estou disposto a conversar com vossa senhoria, desde que seja em absoluto sigilo. Não quero Dimitri envolvido em parte alguma em meus assuntos.

Pisquei algumas vezes. O que eu iria dizer? Fazer o que Benjamin me pedia, envolvia mentir para Dimitri e isso, eu não sabia se estava ou não, preparada para fazer. Mas que opções eu tinha? Benjamin estava absurdamente furioso com Dimitri e seu irmão, ainda o procurava. Quem sabe com um pouco de jeito, eu conseguiria unir os dois novamente.

–Temos um acordo. Vamos agora? Temos algum tempo até que elas saiam da loja de roupas.

–Não tão rápido assim.

–O que? – Perguntei confusa.

–Não posso agora. Tenho um compromisso e isso vai levar um tempo. Envio uma nota para você amanhã no endereço de Dimitri e nos encontramos.

–Mas? – A idéia de esperar me aterrorizada ainda mais, quando eu suspeitava seriamente que Benjamin poderia estar usando aquela desculpa para me despistar, e fugir novamente.

–Não vou fugir. – Ele respondeu a minha pergunta não feita. – Qual horário Dimitri costuma sair?

Pensei por um momento.

–Geralmente às nove da manhã. Às vezes um pouco mais cedo.

–Excelente. – Benjamin enfiou suas mãos no bolso. –Fique com meu relógio assim tem a prova de que voltarei para pega-lo.

Quando o metal fez contato com minha luva, eu estremeci.

–Está bem. – Voltando a gesticular a cabeça, tentei acalmar os nervos. – Amanhã então?

–Sim. Amanhã.

Notas finais
E ai, o que acharam? Pelo visto as coisas vão ficar meio complicadas pra Rose. Será que ela vai conseguir enrolar o Dimitri e encontrar o irmão dele? Queria agradecer pelos comentários. Logo estaremos respondendo a todos :) Por favor gente vamos comentar. Temos muitos leitores e quase nenhum comentário :( desse jeito agente perde o fio da inspiração. Beijos e até a próxima que prometemos não ter mais uma longa pausa Anastácia B.