[Pov Dimitri]

Rose ainda estava adormecida quando a deixei na cama grande. Seus braços estavam embaixo do espesso travesseiro e seu corpo, estava parcialmente coberto por um dos lençóis da cama. Suas costas estavam nuas, implorando ardentemente que a tocasse. Que tocasse sua pele. Perguntei-me novamente, como um homem como eu, poderia ter tido tanta sorte, como uma mulher como ela.

Rose se moveu minimamente e então, ajeitando as abotoaduras de minha camisa, fui ao seu encontro.

Puxei o cobertor para cobri-la e então, Rose voltou a se mover. Não conseguindo conter um impulso primitivo, deslizei meus lábios por suas costas, me deliciando com o toque sedoso. Rose se agitou e eu percebi que tinha finalmente a acordado.

–Não estrague o momento. – Sussurrei contra sua pele arrepiada. – Se eu fingir que está dormindo, não vou ter a coragem de despir-me e entrar com você embaixo dos cobertores.

Ela voltou a se agitar e então, notei que estava rindo. Uma doce e suave risada rouca.

–Mas isso me faz cócegas. – Rose se contorceu em uma graciosa bola em torno de sua barriga comprimida, conforme se encolhia mais. Passei uma mão por sua cintura e ela se afastou o suficiente, para que eu pudesse deitar ao seu lado.

Com suas costas em meu peito, comecei a beijar seu ombro distraidamente. Eu nunca cansaria disso.

–Sabe que penso que meu compromisso, pode ser adiado. – Mordi o topo de seu ombro e Rose ofegou.

–Não quero estar entre seus compromissos e você. – Ela sussurrou, encontrando minha mão por cima de sua pele.

Com certa urgência, comecei a desabotoar meu terno recém-colocado, mas Rose se virou para me encarar. Seus olhos eram brilhantes círculos marrons, em expectativa.

–Vai procura-lo? – Ela perguntou de repente, não necessitando aprofundar-se em detalhes. Eu já sabia muito bem, a quem ela se tratava. Desviei o olhar.

–Eu vou enviar alguém para ele. – Tirando minhas mãos de seu corpo, sentei na cama. Meu sangue havia sofrido uma abrupta mudança de temperatura.

Rose repetiu o gesto, enrolando um lençol ao redor dos seios nus.

–Vai me evitar assim? – Ela perguntou depois de uma breve pausa, e não consegui evitar seu olhar.

–Desculpe. – Fui sincero. – Mas é bastante complicado.

Rose se apoiou em meu peito e em seguida, começou a deslizar suas mãos pelo meu pescoço.

–Eu sei que o é, mas você é bom o suficiente, para lidar com toda essa situação.

–Eu tenho medo, Rose. –Esclareci a garganta. – Medo de que não dê nada certo e ele ainda me odeie.

Rose se levantou e me fitou com intensos olhos castanhos.

–Se isso acontecer, eu vou estar lá pra você. – Seu sorriso iluminou minha alma. – Eu sempre vou estar lá pra você, não importa o que aconteça.

Com um impulso, busquei seus lábios duramente. Rose passou suas mãos pelo meu pescoço e com a calma que eu não sentia, deslizei seu corpo para o colchão e então o cobri com o meu, tomando cuidado para não machuca-la.

–Sabe que a pouco, eu estava me perguntando como eu poderia ser tão sortudo? – Beijei seu pescoço, clavícula, e ela se arqueou pra mim de olhos fechados.

–Não sou nenhuma coisa extraordinária. – Rose riu. Um suave ronrono.

–Para mim você é Rose. Sempre será. – Não querendo estender aquela conversa por muito tempo, uni nossos lábios, enquanto afastava os lençóis para o lado.

***

–Eu quero que repita o que exatamente, eu ordenei a você. – Dobrei o papel em branco mais de uma vez, enquanto observava Thiago parado a minha frente. O novo criado, teria que acatar muito bem minhas ordens.

–O Senhor me pediu para ir ao endereço desta nota, e perguntar sobre Benjamin Belikov, mas tendo a certeza que ninguém iria saber de onde vim, ou o a quem respondo. – Thiago baixou a cabeça, em sinal de obediência.

Sem muita paciência, o dispensei com um gesto de mãos.

Respirando fundo e bastante distraído, mal notei quando alguém bateu na porta.

–Meu marido, posso entrar? – Rose apareceu na soleira, somente com o pescoço para dentro. Seu formoso cabelo castanho estava amarrado no topo de cabeça. Algumas mechas delineavam seu rosto.

–Claro – Sorri, mesmo tendo os nervos por debaixo da pele, em verdadeiro conflito.

Ela então se aproximou, usando um gracioso vestido branco, com algumas rosas douradas na base.

–Está tudo bem? – Ela tocou minha testa e então fechei os olhos. Suas mãos deslizaram por meu cabelo.

–Sim está.

–Enviou o criado até seu irmão? — Ela insistiu.

–Sim, enviei. – Voltei a abrir meus olhos, somente para fitar os seus. Sua pele estava um pouco corada.

–Estava fora da casa? – Perguntei, passando minhas mãos em volta de sua cintura.

–Estava cuidando das rosas no jardim, junto de Katherine. – Rose mordeu o lábio. – Na verdade, estava tentando faze-la desistir de se intrometer no serviço do idoso jardineiro.

Franzi o cenho.

–Ela está se intrometendo no que exatamente?

–Está implicando com o jeito que ele as rega. Disse que é errado. – Pela forma que Rose juntou as sobrancelhas, tive a certeza que Katherine estava a pondo, louca.

–Deixe a menina com o jardineiro. – A puxei para mais perto de meu peito. –Ela precisa de uma distração e além do mais, o velho homem não deve de tudo se importar realmente.

–Provavelmente você está certo. – Ela respondeu depois de um tempo, beijando em seguida o topo de minha cabeça. Logo se distanciou. – Vou ajudar na cozinha. Logo o almoço estará pronto.

–Está bem. Vou terminar de resolver algumas coisas.

–Quando o criado voltar, você pode me informar? – Ela perguntou, antes de atingir a porta.

–Claro. O farei.

***

Não muito tempo depois da hora do almoço, antes que seguisse para meu escritório, Thiago apareceu na frente da porta principal.

–Vamos, siga-me. – Dando a volta, o guiei e logo fechei a porta. – Então, o que aconteceu?

–Eu fui ao lugar que o senhor mencionou. – Thiago tocou a testa brilhosa de suor. – Mas não quiseram me informar de nada, sobre o tal Benjamin. – O homem deu de ombros.

Fechando a mão em um punho, amaldiçoei.

–O que eles disseram? –Insisti, mesmo sabendo que seria em vão.

–O homem que me atendeu na recepção, disse que desconhecia qualquer Benjamin e quis saber quem havia me enviado.

–E você? – O instiguei erguendo uma sobrancelha.

–Desviei do assunto, conforme suas ordens, senhor. – Sua expressão era franca, me fazendo questionar mais de uma vez, que maldita pessoa havia me enviado a nota sobre a presença de Benjamin na cidade. Se ele possivelmente não gostaria de ter sido identificado, quem mais seria?

–Está dispensado. – Já bastante impaciente, gesticulei para que o homem me deixasse em paz.

Caminhei em direção a minha garrafa de bebida e sorvei um bocado, enquanto pensava na melhor forma de me aproximar de Benjamin. Mal estava ciente, quando passos se aproximaram de mim. Era Rose.

–Me desculpe por entrar assim, mas me pareceu que não ouviste a porta. – Rose sorriu timidamente, enquanto se aproximava.

–Esta tudo bem. – Respondi sem realmente olha-la. Depois de uma breve pausa, busquei seus olhos, que eram distantes e preocupados. – O que aconteceu?

–Nada. – Foi sua vez de desviar o olhar. – É só que estou um pouco cansada e indisposta.

–Se sente enferma? – Desviando de minha linha de pensamentos, caminhei até ela e segurei sua palma fria. –Está gelada.

–Estou bem – Rose sorriu. – É apenas algo que devo ter comido durante o almoço.

Livrando-se do meu aperto, ela deu a volta no escritório.

–Mas me conte, como foi com seu irmão? Encontrei o criado, quando estava prestes a bater.

–Ele não conseguiu muita coisa. – Levei minhas mãos nervosamente ao meu cabelo. – Eu acredito que terei que ir pessoalmente.

–Quer que eu o acompanhe? – Rose sugeriu, me fazendo sorrir.

–De forma alguma, minha esposa irá a um lugar como aquele. – Diminuindo nossa distância, a abracei. – Estou preocupado com você. Quer que eu chame o doutor?

–De forma alguma. – Ela riu suavemente. – Estou perfeitamente bem. Quando irá?

–Essa noite. – Lhe respondi com convicção, enquanto respirava profundamente.

***

Encarei novamente meu reflexo no espelho do quarto.

Não que realmente eu me importasse com minha aparência especificamente esta noite em particular. Novamente eu teria que voltar aquele bordel e tratar eu mesmo, de procurar por Benjamin. Sua semelhança a mim era assombrosa e por mais que eu quisesse ignorar, eu não conseguia. Outro ponto importante de tudo aquilo, era a respeito da pessoa que enviou a nota naquela noite. Quem além de mim ou Benjamin propriamente dito, poderia se interessar com tal informação? Meu padrinho estava na Pensilvânia pelo que eu sabia, e com toda a certeza, iria me informar antes de enviar notas endereçadas por um remetente fantasma.

Algo ali não se encaixava, e eu estava disposto a decifra-lo.

Encarei Rose pelo reflexo do imenso espelho. Ela estava sentada na superfície de seda da cama grande, bastante entretida com um livro, ou ao menos assim aparentava. Seu cabelo escuro, estava solto quase na altura de sua cintura, coberta por uma camisola branca.

–Se eu não tivesse que sair, possivelmente estaria com você na cama. – Tentei dissipar a tensão de meus poros. Rose sorriu, virando seu rosto em minha direção. Pelo olhar apreciativo que ela lançou, eu percebi ter feito à escolha certa.

–Esta bastante formoso, meu marido. – Ela piscou, fechando seu livro em seguida. Um som oco surgiu.

–Obrigado. – Ajeitei meu paletó. Aproximei-me da cama para beija-la. Assim que nos separamos, voltei a falar. – Não me espere acordada. Eu não sei quanto tempo tomarei com essa conversa.

–Acha que ele vai ouvir você? – Ela mordeu o lábio, tornando seu aspecto quase irresistível.

–Eu não sei. – Voltei a mecher no cabelo, me distanciando alguns passos do leito. – De qualquer forma eu vou, mesmo que seja somente para observa-lo.

Ela então sinalizou.

–De qualquer forma, vou esperar por você

Antes que eu pudesse protestar, ela se ajoelhou na cama e puxou meu corpo. Não tendo o suficientemente força de vontade, rodeei sua cintura em silêncio.

–Está se sentindo melhor? – Sussurrei em seu ouvido.

–Estou sim. Eu te disse que era algo que eu havia comido.

–Fico feliz. – Beijei sua fronte e logo me distanciei. – Agora vou, antes que demore mais para voltar.

Rose apenas sinalizou e logo, voltou a abrir seu livro.

A viagem seguiu mais rápido do que eu havia previsto. Talvez, por que passei a maior parte do tempo, memorizando perguntas e respostas para o que poderia vir a seguir. Quando a carruagem enfim parou frente ao estabelecimento, respirei fundo antes de subir os três degraus, que levavam a recepção.

Exatamente da forma de como eu me lembrava, o lugar cheira insuportavelmente a cigarro e cerveja barata. Toquei meu nariz, mesmo sabendo que seria em vão.

–Boa noite. Procuro por um hóspede. – Sem necessitar de maiores formalidades, exigi. O homem de pouco cabelo e barba rala, me encarou durante um longo momento. Seus olhos perspicazes passaram desde minha cabeça, até a soleira de meus sapatos. Possivelmente, analisando de quem enfim se tratava. –Não ouviu? – Exigi mais de uma vez, perdendo minha paciência.

Antes que ele pudesse enfim responder, alguém do meu lado direito o fez.

–Eu sei quem está procurando e ficaria muito feliz, se pudesse acompanha-lo.

Aquela voz. Não, não poderia ser. Não depois de tantos anos.

Forçando-me a manter minha expressão desprovida de quaisquer emoções, eu poderia jurar que acabei falhando. Virando minha cabeça lentamente, senti meu sangue gelar por completo, quando meus olhos cruzaram com os azuis, dela.

Notas finais
Olá gente!
Bom, eu demorei um pouco vai, mas postei U.U

Sei que muita gente vai querer me matar depois dessa, mas era exatamente assim, que teria que terminar o capítulo.

Alguma sugestão? Por favor participem!

Outra coisa, recebemos uma nova recomendação!!!
OBRIGADA KAH MANDI SUA LINDA!

Aproveito para informar, que quem quiser recomendar a fic também, pode fazer. Eu ficaria IMENSAMENTE feliz!

Bom, então é isso... alguma suspeita? sugestão?

Beijos ♥