Brave Heart
32 Capítulo 32 - O Bordel
Alguma coisa estava muito errada.
Lancei novamente meu olhar à cabeceira da cama, somente para comprovar minhas suspeitas. Já se passava da meia noite e Dimitri, não havia ainda retornado.
Sem querer esperar mais, me coloquei de pé em um salto e segui para o vasto armário de vestidos. Se meu marido tinha problemas, eu iria ajuda-lo.
Assim que me troquei, desci rapidamente os degraus da casa grande e busquei Marie, que logo trouxe em sua companhia, um cocheiro para acompanhar-me ao lugar onde o outro criado havia seguido com Dimitri.
–Senhora, eu creio que não seja uma boa ideia. – O idoso homem repetiu mais de uma vez, a me ver posta em frente à carruagem.
–Por favor, apenas me leve. – Ajeitei minhas saias e voltei-me para Marie que ainda usava seu pijama flanelado de cor clara. Seu olhar era preocupado. –Fique tomando conta da casa. Eu voltarei assim que puder. – Apertando sua mão, voltei-me ao criado.
–Agora, por favor, apenas me guie ao lugar onde seu senhor seguiu. – Sem mais delongas, aproximei-me da porta, onde o criado resmungava palavras cujo significado, eu não me inclinei a ouvir. Não importava.
***
Definitivamente, a entrada do tal bordel como Dimitri havia mencionado, não era de nada convidativa. As paredes de sua entrada eram de um cinza escuro, possivelmente dado a grande quantidade de sujeira impregnada nos expostos tijolos. Haviam algumas pessoas na frente do local. Um grupo de quatro homens e uma mulher no centro, cujo decote de seu vestido abarrotado era tão escandaloso, que me fez engolir em seco. Era parecia feliz, ou ao menos fingia de uma forma impressionante. Enquanto os homens deslizavam suas mãos por seu corpo, ela se arqueava de uma forma inoportuna e bastante inapropriada.
Olhando para ambos os lados da rua antes de saltar diante a eles, respirei fundo.
–Senhora, se me permite dizer, isso não é lugar para uma dama da alta sociedade. –O cocheiro voltou a se pronunciar. Desta vez, bem próximo do meu ouvido, enquanto segurava minha palma enluvada.
Lancei lhe um olhar aborrecido. Se Dimitri estaria naquele lugar repugnante, eu iria saber maiores detalhes. Novamente meus olhos se desviaram para a jovem moça e assim de tão perto, pude ver melhor seus traços. Ela tinha um longo cabelo vermelho e algumas sardas no rosto. Seus olhos eram de um profundo verde e ela sorria de uma forma apreciativa, enquanto um homem do meio de seu grupo, lhe estendeu um bocado de moedas douradas. Ouro.
Negando com minha cabeça duas vezes, desviei o olhar e ajeitei minhas saias, prestes a adentrar o escuro ambiente. Felizmente ninguém parecia ter notado minha presença, dado ao entretenimento por assim dizer, que eles tinham no momento.
–Me espere aqui fora, sim? – Desviei o olhar do cocheiro e segui através dos degraus.
A pesada porta de madeira abriu facilmente. De frente a entrada, havia o que se esperava de uma pequena recepção que estava vazia. Música era ouvida bastante alta daqui, possivelmente originada de diversos instrumentos tocando em harmonia, ou quase. Com um pigarreio, segui em direção ao balcão de madeira maciça que por sua vez, estava quase que totalmente coberto com poeira. Não me atrevendo a tocar aquela gordurosa superfície enquanto aguardava por alguém, apenas limitei-me a deslizar meus olhos pelo local.
Um vaso de planta estava próximo à porta e embora eu apostasse seriamente que os cuidados com a higiene não seriam os melhores, a planta parecia estranhamente bem cuidada. Seus galhos eram de um verde brilhante, sendo assim notado mesmo através da escassa iluminação do recinto.
Uma audível gargalhada quase me fez saltar do lugar. Seguindo um impulso, segui para um dos lados da recepção e deparei-me com um grande recinto onde homens e mulheres, dançavam e bebiam alegremente. Seguramente haviam mais de vinte pessoas ali. Rezando mentalmente para que Dimitri não estivesse dentre o grupo, que tinham mulheres seminuas sentadas em seus colos, dei dois passos para trás, batendo firmemente em algo, ou melhor, alguém.
–Oh me desculpe. – Me virei em um salto e foi ai, que tudo aconteceu. Um homem bastante alto, com cabelos castanhos, me encarava de forma bastante confusa. Mesmo através de sua notável surpresa, eu pude ver a tão conhecida semelhança. A semelhança com Dimitri.
O jovem homem tinha cabelos castanhos como os dele, e embora mais curtos, eram incrivelmente parecidos em perfil. Os duros traços do rosto, os olhos castanhos de um tom quente e suas maças perfeitamente esculpidas, eram dignos de uma semelhança cega.
–Está bem? – Não notei estar sendo segurada por seu braço, até que a realidade me golpeou. Sua voz emitia um grave som e embora não tivesse o mesmo peso do sotaque de Dimitri, era graciosa aos ouvidos.
–Estou sim. – Da melhor forma que pude respondi, me afastando em seguida de seu aperto. Milhares de perguntas começaram a bombardear minha cabeça em uma velocidade alucinante. Mesmo assim, forcei-me a manter a calma. –Me desculpe por ter tropeçado no senhor. – Esclareci minha voz.
Ele voltou a franzir o cenho, surpreso.
–Que mal lhe pergunte, mas não acredita que esse lugar é inapropriado para a senhorita?
Abri e fechei minha boca um par de vezes, ainda sentindo-me afetada com tamanha semelhança. Como eu iria responder a isso? Será que ele estava com Dimitri? Possivelmente já estariam conversando?
Opinando pela via mais segura, respondi:
–Eu estou procurando a alguém.
–Sim. E esse alguém seria quem exatamente? — Ele perguntou pausadamente, como se não tivesse certo, sobre minhas reais intensões.
–Estou procurando, hum.. – Comecei com minha descrição, quando um som quase ensurdecedor, se fez bem próximo de nós. –Oh meu Deus. – Gritei, quando meus olhos capturaram uma cena de briga no balcão de bebidas.
Sem que eu me desse conta, mãos estavam ao meu redor e logo, um imenso corpo me cobriu protetoramente, segundos antes de minhas costas encontrarem a parede dura. Chocada demais com tudo aquilo, lancei um olhar ao local onde a briga havia se originado, e percebi que tudo havia tomado uma grande proporção. Antes a discussão entre dois homens, agora, uma grande discussão em massa, com direito a garrafas voando pelos arredores e mulheres gritando.
–Meu Deus. – Minha voz morreu completamente. Girando minha cabeça, notei com certo assombro, que o homem que tinha seu corpo protetoramente contra o meu, se tratava se meu cunhado. O irmão de Dimitri.
–Vou te tirar daqui. – Benjamin me puxou pela mão e andando bem próximo de meu corpo, me guiou para o outro lado do recinto, já que a entrada pela qual eu havia passado estava repleta de pessoas gritando.
Cruzamos o grande salão bastante lentamente, tomando cuidado para não esbarrar em nada, ou melhor, nos grandes homens bêbados gritando. O choque transparecia minhas feições. Eu nunca havia presenciado uma cena como aquela em minha vida.
Benjamin sorriu sem humor, logo que atravessamos o recinto.
–Você realmente não é daqui. Pergunto-me por qual motivo uma moça como você, estaria metida nisso tudo. – Sem se preocupar em me olhar, se limitou a me guiar por um extenso corredor com tijolos expostos, similar ao da entrada do bordel.
–Eu vim buscar a alguém. – Respondi vagamente, mal notando o timbre de minha voz.
Alcançamos outro salão no final do corredor, que se parecia mais como uma cozinha improvisada. Demos a volta e paramos em frente a uma escada. Durante todo o processo, pessoas passavam por nós com expressões despreocupadas. Perguntei-me se aquele tipo de comportamento seria normal naquele ambiente. Baseado no que estava vendo, eu não duvidaria.
Benjamin que ainda segurava minha mão firmemente parou no saguão de entrada. Lá agora, um homem careca e barba rala, estava conversando avidamente com outro de similar aparência depreciativa. Este tinha as mãos ao redor da cintura de uma mulher morena, com pesados cachos caídos por seus ombros. A mulher notavelmente embriagada, achava graça de tudo o que eu tinha certeza absoluta, não entender metade.
–Não fique olhando, ou irão pedir para que se junte a eles. – Benjamin ao meu lado, soprou através de uma gargalhada abafada, bem próximo do meu ouvido. O som inesperado me fez cambalear um pouco, aumentando ainda mais seu sorriso. – Vem vamos, vou com você até a saída desse lugar.
Quando já havíamos começado a caminhar, não consegui conter minha curiosidade.
–Você está hospedado aqui? Está acompanhado? – Tentei ao máximo não transparecer minha necessidade de sua resposta. Ao que tudo indicava, meu marido estava ali também, e como não o havia visto, eu poderia esperar talvez o pior.
Ele me lançou um olhar sagaz, dando de ombros.
–Na verdade, estou só de passagem. Vim tratar de algumas coisas e logo, vou embora. E não. – Ele pausou rapidamente, enquanto me encarava de uma forma estranha. – Não estou acompanhado.
Eu estava prestes há aprofundar um pouco nossa conversa, quando chegamos à frente do bordel. A mão de Benjamin ainda estava em meu braço, quando avisei do outro lado da calçada, o cocheiro da casa grande.
–Esta é minha carona. – Me voltei para Benjamin e sua mão soltou meu braço. Novamente estremeci. A semelhança entre os dois irmãos, era algo inacreditável, mesmo sabendo com toda a certeza, que não eram da mesma idade.
A curiosidade estava afogando minha alma tanto como a preocupação por Dimitri. Por fim, cá estava eu, frente a seu irmão.
–Presumo que sua tarefa de espionar sobre seu marido não foi bem sucedida. – Ele riu sem humor, exibindo uma clara fileira de dentes brancos, perfeitamente alinhados.
–Eu, bem não estava procurando esse tipo de coisa. – Senti-me corar violentamente. Em pouco tempo, o homem bem que havia tentado deduzir bastante coisa ao meu respeito. Ou melhor, parte dela. Não era tão difícil assim perceber, que eu não fazia parte de toda essa coisa medonha e meus motivos por estar ali, não deveriam ser diferentes do que ele havia citado. Salvo que eu tinha a certeza que Dimitri não iria se rebaixar a tanto assim. Ou ao menos eu tinha.
No instante exato que estava prestes a comunica-lo de minha retirada, uma carruagem parou próxima a esquina, e automaticamente me tomou toda a atenção. De dentro, um homem perfeitamente vestido com um terno preto saia apressadamente da carruagem. Dimitri. Abri um sorriso e isso, captou a atenção de meu acompanhante automaticamente. Ele se virou e então dei um passo na direção de Dimitri, mas tudo aconteceu muito rápido.
De dentro da carruagem, uma mão enluvada em tom negro se postou graciosamente para que Dimitri a aceitasse. Freei bruscamente antes de dar o primeiro passo gradual. Tratava-se da mão de uma mulher. Meu sorriso descareceu por completo quase no mesmo instante, em que uma mão tocava meu ombro.
–Oh meu Deus. – Murmurei, mal ouvindo o som de minha voz.
Como se tivesse sido chamado, Dimitri olhou para cima e foi nesse instante, em que nossos olhos se encontraram. Uma mulher alta de olhos azuis e pele bastante pálida, estava ao seu lado, vestindo um escuro modelo púrpuro e um chapéu negro. Quando ela sorriu, pude perceber que ela estava apreciando e muito bem à companhia. Seus olhos então, se encontraram também com os meus.
Repentinamente, os olhos de Dimitri passaram de mim para Benjamin e foi ai, que sua expressão se tornou, chocada. Seus olhos estavam muito abertos, enquanto ele alternava de mim para Benjamin. Claramente ele estava tão perdido quanto eu.
–Rose. – Ele apressou seus passos em minha direção, quando notou a mão de seu irmão recém-descoberto, em meu ombro. Meu corpo se tornou rígido.
Quando ele finalmente nos alcançou, sua expressão se tornou fria.
–O que está fazendo? – Bruscamente, Dimitri puxou meu braço, me arrastando para longe. Aturdida, demorei a notar que seu tom, se referia a Benjamin.
–Eu que me pergunto, o que merda você está fazendo aqui. – Benjamin firmou seus olhos frios em meu pulso, que era segurado por Dimitri. – Solte-a.
–Ela é minha esposa e não devo explicações a você. – Dimitri também se adiantou um passo e foi ai, que resolvi agir.
–Pelo amor de Deus, parem. – Me colocando protetoramente entre eles, eu supliquei. Levantando a cabeça lentamente, meus olhos se encontraram com os pálidos da jovem mulher que a pouco, havia descido da carruagem. Ela não havia mudado em nada sua postura, bem ao lado da carruagem onde haviam parado. Era como se na verdade, estivesse bastante indiferente ao que ocorria.
Certa aglomeração de pessoas curiosas, se formou ao nosso redor. Se era possível ouvir risadas de escarnio abafadas, como se estivessem se preparando para um grande ringue aberto.
Olhando a Dimitri e Benjamin nos olhos, respirei fundo.
–Pelo amor de Deus, vamos conversar como pessoas civilizadas. – Minha voz estava saindo mais ácida do que eu esperava. Afinal, eu ainda tinha muitas dúvidas, principalmente a acompanhante de meu marido, a àquela hora da noite.
–Está bem. – Dimitri se livrou de meu braço e logo, se pôs dois passos para trás. Encarei Benjamin, que tinha os olhos cerrados.
–Como ousa fazer isso com ela? – O tom de Benjamin era amargo.
Dimitri voltou a dar um passo a frente, quando me joguei sobre ele.
–Pare agora! – Sem me importar com o público que agora claramente tínhamos, eu empurrei seu peito. – Esta tudo bem. Ele estava somente me protegendo.
Dimitri que até então parecia não ter me visto, se focou em meus olhos. Sua expressão raivosa se dissolveu.
–Me desculpa Roza. – Segurando meu rosto, ele beijou minha fronte. –Vamos para casa.
Tremendo, virei de costas. Eu não estava me sentindo bem e suspeitava seriamente, ser grande parte graças ao nervoso.
–Benjamin, pode nos acompanhar? – Sussurrei, sentindo-me pequena.
A expressão do irmão de Dimitri passou de surpresa, lentamente para curiosa. No meio de toda aquela confusão, eu havia esquecido, que não havíamos sido apresentados devidamente.
–E antes que pergunte, eu não a estava traindo. – Foi à vez de Dimitri se pronunciar diretamente a Benjamin. – Rose é minha vida e eu jamais, poderia fazer isso.
Minha cabeça então começou a girar. Sem apoio aparente, me apeguei a primeira coisa, ou melhor, pessoa que estava perto. E então, tudo ficou negro.
Notas finais
Quem iria imaginar, que ela fosse ir atrás do Dimitri U_U
Pior, para sorte dela, trombou justo com quem? O irmão dele hahahaha
E ai, o que vocês acharam?
Sim, a Tasha apareceu... vamos ver no que vai dar essa coisa toda.
Gente, perdão pela demora dos posts, mas é complicado pra mim postar sempre... Rs...Como esse capítulo estava escrito, então tudo bem :)
Aguardo o comentário de vocês.
Sei que muita gente não comenta U_U
Ah concordo que uma vez ou outra tudo bem, mas tem leitores que não vejo a cara a 72.000 anos U_U
Então por favor queiram deixar um "oi" pra gente!!!!! Não demora nem dois minutos.
Dai depois agente para de escrever e reclamam U_U... Pensem nisso.
Beijos e até depois
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