Brave Heart
26 Capítulo 26 - Outro Dia
Senti o cheiro de grama molhada.
Abri meus olhos preguiçosamente, dando-me conta, que mãos firmes estavam ao redor do meu corpo. Ajustei melhor minha visão e percebi de quem se tratava. Era Dimitri. A lembrança da noite anterior me veio à mente com toda a velocidade, fazendo com que um rubor crescesse em minhas bochechas.
Ele se mecheu um pouco, me puxando para mais perto de si. Sua expressão era relaxada e ele dormia pacificamente.
Toquei seu rosto com a ponta de meus dedos, tentando espantar meu constrangimento por tal ato. Ele era meu marido e o que havíamos feito afinal, não era algo pelo que eu devesse realmente me envergonhar.
E como se tivesse sido chamado, Dimitri abriu seus olhos castanhos lentamente, e então olhou para mim. Um sorriso se formou instantaneamente em seus lábios e uma sensação de paz me invadiu.
–Como você está? – Ele sussurrou gentilmente, deslizando seus dedos por meu ombro nu.
–Estou bem. – Respondi a altura, ainda tocando seu rosto.
–Não sente nenhum incomodo? – Ele franziu o cenho, preocupado.
–Na verdade eu acabei de acordar, mas me sinto... diferente. – Foi minha vez de franzir o cenho. –Sinto uma pontada de dor entre minhas pernas.
–Ah isso é normal. – Dimitri nos girou um pouco, de forma que ficássemos de frente um para o outro. –Logo vai passar. – Ele beijou minha bochecha e eu fechei meus olhos. Seus lábios então desceram para o meu pescoço e eu me prendi mais a ele, ansiando por seu toque. Dimitri então se afastou e sentou na cama, de costas para mim.
Puxei o cobertor para mais perto, sentindo frio.
–Temos que nos levantar, ou o cocheiro virá para nos pegar e estamos nessa situação. – Ele agitou seu cabelo castanho, fazendo com que ele ficasse ainda mais desalinhado.
–Tem razão. – Toquei minha testa. – Eu havia esquecido totalmente do lugar onde estávamos. Dimitri ficou de pé e começou a caminhar pelo cômodo em busca de suas roupas no chão. A visão de seu corpo totalmente nu, fez algo se esquentar dentro de mim.
Comecei a levantar, mas parei em seco. Dimitri pareceu notar isso, pois logo se virou para me encarar.
–Está tudo bem? – Ele perguntou, já com suas calças.
–Eu não sei onde estão minhas roupas. – Corei mais uma vez e foi ai que ele percebeu o que estava acontecendo.
–Está tímida? – Ele perguntou com um sorriso nos lábios. –Não precisa Roza. Eu sou seu marido. – Ele então se aproximou e tocou meu queixo. – Mas se for para se sentir mais a vontade... – Dimitri começou, mas logo o interrompi.
–Você tem razão. – Respirei fundo e joguei as cobertas para o canto, me levantando a seguir. Os olhos de Dimitri então faiscaram e resolvi desviar o olhar, antes que começasse a corar violentamente. Ele então chacoalhou um pouco sua cabeça e voltou a juntar suas roupas.
Assim que terminamos de nos vestir, juntei as sobras da noite anterior e as joguei no lixo. Dimitri me ajudou com a breve limpeza, mas ele prometeu que mandaria alguém da casa grande, para finalizar tudo na cabana. Não demorou, para que a carruagem finalmente viesse nos buscar. Dormi grande parte do caminho, enquanto ouvia Dimitri cantarolar uma canção em meus ouvidos, deslizando seus dedos por meus cabelos soltos.
Maria me ajudou com o banho assim que cheguei e não consegui desviar de seu olhar atento, sobre minha roupa manchada com um pouco de sangue seco. De qualquer forma ela não comentou nada, e eu preferi assim.
Quando desci para o café, encontrei Dimitri sentado em seu lugar de costume, lendo um jornal. Seu cabelo estava perfeitamente penteado para trás, e ele trajava uma camisa branca de linho e por cima, um colete cinza claro e calças da mesma cor. Seus olhos se iluminaram quando passaram por mim.
–Está com fome? – Ele me analisou de cima a baixo. Agradeci por Maria ter escolhido um modelo bastante bonito esta manhã. Meu vestido era em tom de verde claro decotado, com algumas partes em renda da mesma cor.
–Sim. – Respondi sorrindo, enquanto me sentava de frente a ele, na imensa mesa da sala de estar.
–Já mandei os criados buscarem o resto das coisas, na cabana. – Dimitri bebericou seu café.
–Ah que bom. – Comentei, tendo minha atenção em uma fatia grossa de pão.
–Rose, estava pensando se você não gostaria de visitar sua irmã e avó na casa delas, hoje à tarde.
Pausei a faca em seco com manteiga na ponta, que estava usando em minha fatia de pão.
–Está sugerindo que façamos uma visita a elas? – Ergui uma sobrancelha desconfiada. Dimitri havia sido bastante claro, sobre minha distância com meu pai, em particular.
–É exatamente isso. – Ele não abalou sua postura. – Recebi um telegrama de Londres, informando que nossa casa está pronta. – Ele me fitou, depositando sua xícara vazia na mesa. – Vamos partir semana que vem.
–Mas já? – Perguntei surpresa. – Eu sabia que iriamos em breve, mas em quatro dias?
–Eu sei também, que você está preocupada com a situação de sua irmã e um possível matrimônio precoce. – Dimitri me interrompeu suavemente. – Mas não posso demorar a partir minha querida, tenho negócios a tratar. –Dimitri estava se desculpando, eu percebi.
–Está bem. Vamos visita-las então, para que eu possa dar a notícia.
Ele concordou com um curto gesto de cabeça.
***
Logo depois do almoço, segui com Dimitri para a casa de minha família. Eu havia enviado uma nota mais cedo, avisando sobre a visita repentina. Dimitri havia tirado o dia de folga para me acompanhar e eu não me opus de nenhuma forma. Nosso casamento parecia finalmente estar dando certo, e ambas às partes, estavam cooperando como podiam.
–A Sra. Hathaway e sua neta, estão descendo. – Alberta minha antiga ama, me saudou com um grande sorriso, antes de fechar a porta da biblioteca. Apertei a mão de Dimitri, que estava sob minha perna.
–Está tudo bem? – Ele perguntou, tocando meu queixo.
–Estou um pouco ansiosa. – respirei fundo. – Não é como se eu estivesse já preparada, para dizer Adeus pela segunda vez.
–Londres vai fazer muito bem para você – Ele sorriu daquela forma que fazia meu coração saltar. – Terá a companhia de novas amigas e também, de Vasilisa, a esposa de Ivan. Ela é uma ótima companhia, tenho certeza.
Fui responder, mas a porta da biblioteca logo foi aberta. Minha avó e Katherine, vieram ao meu encontro com um abraço caloroso.
–Você está tão bem, minha querida. – Minha avó beijou ambos os lados do meu rosto. –Eu te disse que o casamento, seria uma ótima escolha. – Os olhos dela passaram de mim, para Dimitri que estava ainda sentado atrás de mim.
–Obrigada vovó. – Resolvi não prorrogar aquele assunto. – Minha irmã. – Fui em direção a Katherine a abracei. –Não pense que esqueci o que vi ontem. Vamos conversar a respeito. – Sussurrei gentilmente em seu ouvido, para que ela soubesse que tinha a mim.
Katherine apenas sorriu e logo nos afastamos.
–Bem, a que devo a visita tão inesperada do Conde e minha querida neta? – Minha avó perguntou, logo que se acomodou em uma das poltronas, de minha antiga sala de estar.
–Sra Hathaway, viemos avisa-las que estaremos partindo em quatro dias, para Londres. – Dimitri ajeitou seu paletó enquanto falava. –Eu gostaria que Rosemarie viesse se despedir da família, antes que isso acontecesse.
–Ah, de acordo. – Minha avó respondeu. – Fico muito feliz com a partida de vocês. Londres é um lugar maravilhoso.
–Você ficará cuidando de Katherine aqui? – Sem que eu percebesse, acabei interrompendo a conversa entre os dois. Como Dimitri não se manifestou, não vi problema.
Antes que ela respondesse, Alberta nos serviu chá e algumas especiarias.
–Meu plano inicial era levar Katherine para Paris, mas ela agora resolveu que quer se casar. – Minha avó parecia bastante surpresa com aquilo, enquanto mexia seu chá, com uma colher pequena.
–Se casar? – Perguntei atônita, quase derrubando minha xícara na saia do vestido. – Katherine ainda não debutou, para casar.
–Teoricamente você também não, minha querida. – Com um sorriso calculado, minha avó completou. – E está ai, casada com um dos homens mais influentes da Pensilvânia.
–Mas por que você quis isso? – Voltei minha indignação para Katherine e logo senti a mão de Dimitri na minha perna, como um gesto de cuidado.
–Eu achei que fosse a melhor decisão. – Ela deu de ombros. – Você está casada e eu não posso ir para Paris. – Os olhos de Katherine começaram a marejar.
–Já conversamos sobre isso. – Minha avó a advertiu. – Não pode ficar morando aqui com seu pai. Ele mal fica em casa e as pessoas começariam a falar.
–Eu não acredito que a Sra. A esta pressionando. – Me levantei abruptamente do sofá e foi ai que Dimitri resolveu se intrometer. Ele entrou na minha frente, antes que eu pudesse dar mais um passo.
–Roza se acalme. – Ele segurou minhas mãos nas suas.
–Ela está forçando Katherine a se casar. – Minha voz não saiu mais do que um sussurro assustado. Dimitri me abraçou, não se importando com as duas pessoas ao nosso redor.
–Calma, amor. Vamos resolver isso. – Ele então se distanciou de mim e se voltou para minha avó.
–Pelo que eu vejo aqui, Katherine ou irá com a Sra. para Paris, ou irá se casar com o jovem Lafeur. Está correto? – Dimitri tinha a voz controlada.
–Sim – Minha avó respondeu sem pestanejar. Notei pela sua feição, que ela estava ansiosa com o possível argumento que viria de meu marido.
–Então proponho o seguinte – Dimitri juntou suas mãos e foi para o lado de Katherine, que tinha a expressão tão pálida quanto uma folha de papel. – E se a menina fosse morar comigo e minha esposa em Londres? Assim ela não ficaria sozinha e estaria por tempo integral, ao lado de sua irmã mais velha.
Abri tanto meus olhos em surpresa, mas nem eu ou Katherine, conseguimos nos espantar tanto quanto minha avó. Definitivamente Dimitri, havia nos pego desprevenidas.
–Está se oferecendo como responsável pela menina? – Ela perguntou confusa.
Os olhos de Dimitri encontraram com os meus.
–Minha esposa é muito ligada a Katherine, e presumo que a distância entre elas, trará sérios problemas para Rose. Ela pode não chegar a se adaptar em Londres, e eu não posso simplesmente pegar o navio e voltar para Pensilvânia. Creio que seria a melhor opção.
Minha avó pareceu considerar aquilo. Seus olhos passaram diversas vezes por mim e Katherine.
–Vou ter que conversar com o pai delas. – Ela se voltou para Dimitri, caminhando pela sala. – Não que eu realmente veja problemas para Katherine acompanhar vocês, mesmo por que em Londres as opções de casamento para a menina, serão muito melhores do que aqui. – Ela pausou para me fitar. – Mas Rose sabe que tem um pai e mesmo ausente, precisa dar permissão para que Katherine parta com vocês.
Voltei-me para Dimitri. Seu rosto era inexpressivo. Eu sabia o tanto que ele estava fazendo por mim. Não era difícil imaginar, que Dimitri queria que fossemos somente eu e ele para nossa nova casa, mas ele estava me dando a escolha. Ele sabia como eu era ligada a minha irmã mais nova e faria de tudo para protegê-la. Mas ao mesmo tempo, eu vi um brilho de reprovação em seu olhar e esta parte, eu tinha certeza estar ligada a minha obrigação com meu pai. Dimitri não gostava de Abe e não escondia isso de ninguém, mas ele sabia que precisaríamos conversar com ele, se quiséssemos levar Katherine.
***
Assim que chegamos a nossa casa, Dimitri seguiu para seu escritório, alegando precisar enviar uma nota a Ivan sobre nossa breve partida. Aproveitei o tempo livre para me ocupar com a leitura, e finalizar o livro que há poucos dias havia começado.
–Esse livro me parece interessante. – Senti o peso da cama mudar e logo Dimitri estava ao meu lado, observando a capa escura do livro.
–Esse é muito bom mesmo. – Me neguei a dar atenção a ele logo agora, que faltavam apenas três páginas para terminar o livro.
Dimitri pareceu notar minha atenção presa no livro, pois logo se deitou ao meu lado, depositando sua cabeça em meu colo.
–Sinto sua falta. – Ele beijou minha perna por cima do cetim claro. Sua voz era quente, assim como seus lábios.
–Mas estive aqui o tempo todo. – Lhe lancei um olhar rápido. – Já enviou a carta para o Ivan?
–Já – Ele não se intimidou com minha mudança abrupta de assunto e logo, começou a mordiscar a parte da minha cintura.
–Dimitri – Ri diante das cocegas – Eu estou tentando terminar o livro. — Levantei ainda mais o livro, quando percebi que Dimitri iria tira-lo de minhas mãos.
–Depois você termina. – Ele então afundou seu rosto no decote do meu vestido e então o livro se espatifou no chão, misturando todas as páginas.
–Dimitri – Fingi indignação, só para conseguir seu peso sobre o meu na cama. – Eu estava terminando.
Ele então sorriu de uma forma linda, exibindo todos os seus dentes perfeitamente brancos.
–O livro não vai sumir – Ele virou os olhos extrovertidamente.
–Nem você. – Pisquei para ele, que apertou a bases da minha cintura com uma mão, enquanto a outra estava em meu pescoço.
–Depois de me fazer esperar tanto para te ter na minha cama, acho que o mínimo que posso pedir é isso. – Ele me puxou um pouco para cima, para soltar os nós apertados do espartilho. Não protestei. Ao contrário, acariciei seu rosto, recebendo seu olhar predatório que eu tanto amava.
–Eu estou disposta a ceder o que me pede. – Suavizei o máximo minha voz e quando Dimitri estava prestes a me beijar, o interrompi com um dedo. – Mas antes, precisamos conversar sobre Katherine e Abe Mazur.
–Rose. – Dimitri parou o movimento para fitar meus olhos. – Você tem certeza que quer falar sobre isso, agora? – Senti uma leve pontada de irritação em sua voz.
–Tudo bem. – Toquei seu rosto. – Mas quando você vai me dizer se poderemos falar ou não com Abe? – Eu praticamente supliquei a ele. Não que eu realmente não estivesse interessada em passar um tempo com meu marido, mas a história de Katherine ainda me deixava irritada.
Dimitri considerou por um momento e quando eu estava prestes a desistir de tenta-lo, ele me empurrou, e eu cai de costas na cama. Seu corpo automaticamente cobriu o meu.
–Eu sei que é importante pra você levar Katherine, então vamos negociar alguns pontos. – Dimitri voltou a beijar meu pescoço, fazendo minha pele estremecer.
–Que pontos? – Fechei meus olhos, enquanto espalmava minhas mãos em suas costas.
–Eu quero falar com Abe a sós. – Dimitri se afastou o suficiente para me olhar. Sua expressão era indecifrável.
–Tudo isso, por que não quer que me aproxime dele? – Franzi o cenho. – Dimitri, ele é meu pai.
–Você tem um ponto, mas mesmo assim, não gosto dele. – Dimitri desviou o olhar e eu me perguntei, por que tanta implicância da parte dele. Tudo bem que Abe era um homem difícil, mas não era para tanto.
–São só por alguns minutos. – Beijei seu queixo. – Faz tempo que não o vejo. Preciso saber como ele está.
–Roza. – Ele suspirou e virou os olhos, mas antes que ele firmasse seu veredicto, o beijei. Senti a empolgação crescente de Dimitri, mas logo me afastei. Uma resposta já havia se formado na ponta de minha língua.
–E além do mais, se não fosse por ele, você não teria me conhecido e não estaríamos casados.
Sorri da melhor forma que pude e percebi que havia ganhado, quando Dimitri fechou sua expressão. Então eu ri.
–Por favor. – Apertei seus braços fortes.
–Está bem Roza. Está bem. – Ele concluiu de mal humor e então, voltei a beija-lo, nos girando na cama grande.
Notas finais
Tudo bem?
Sim, eu sei... demoramos pra caramba né :(
Mas é que eu estava escrevendo em minha outra fic e acabei me empolgando, só um pouquinho rs.
Até o final da outra semana, eu prometo postar outro capítulo.
Agora sobre o post: Pelo visto, as coisas entre Dimitri e Rose estão melhorando bastante. O que vocês estão achando? Será que vai aparecer alguma coisa para atrapalhar isso?
E Dimitri ter liberado Abe heim? Tomara que ocorra tudo bem.O que vocês acharam da ideia do Dimitri em levar Katherine? Eu achei que foi legal da parte dele principalmente com a Rose.
Mais uma vez, obrigada pelos comentários gente. A Kah está respondendo o mais rápido possível ou eu mesma.
BEIJOS E BOM FINAL DE SEMANA ♥ ♥ ♥
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