Brave Heart

27 Capítulo 27 - A Decisão De Abe


Notas iniciais
Oi my Lovers...

Como vocês estão???

Nos vemos nas Notas Finais!

Abe me encarava com uma expressão fria.

Respirei fundo pela segunda vez, antes de começar meu diálogo.

–Vovó me disse que o Senhor esteve viajando – Esbocei um sorriso da melhor forma que pude.

–Sim. Eu estive. – Seu olhar era impenetrável e eu não duvidara que ele estivesse lendo minha mente. Mexi minhas mãos em meu colo, de forma bastante desconfortável.

–E como foi tudo por lá? – Perguntei depois de um momento. Como Dimitri preveu, nossa conversa não seria das melhores, mas graças a Deus, ele nos tinha dado privacidade no escritório de Abe.

–Eu já havia ido as Índias. – Abe foi seco em seu argumento, não me restando outra dúvida ao não ser, ir direto ao ponto.

Antes que eu começasse, ele se levantou e foi até seu bar, onde encheu um copo de cristal pela metade, com um líquido marrom. Após engolir tudo em um único gole, ele se voltou para mim.

–Por que não fala simplesmente o que quer? – Ele sorriu de forma irônica. – Eu já sou um homem vivido o suficiente, para saber que seu marido idiota só teria permitido que você estivesse aqui comigo, se o assunto fosse realmente sério.

Mordi meu lábio, não gostando da forma de como ele se referia a Dimitri. Depois de tudo e inclusive me agredir, Dimitri foi o único que se manteve sempre ao meu lado da forma mais paciente possível.

–Eu quero levar Katherine para Londres. – Falei de uma única vez, recebendo um olhar curioso de Abbe.

–Eu ouvi rumores no mercado mais cedo, sobre a partida do Conde e inclusive, achei que esse fosse o motivo de sua visita tão... – ele pausou para escolher melhor suas palavras. – Inusitada.

–Pai... – Comecei, mas Abe foi mais rápido, dando a volta na pequena mesa de bebidas.

–Mas eu jamais esperaria ouvir que você, quisesse levar sua irmã para morar com você e o Conde – Pelo olhar que ele me deu, percebi que o tinha pego desprevenido.

–O senhor não passa muito tempo em casa. Sendo assim, seria bom a minha companhia para Katherine. – Mantive meu tom neutro.

–Você não pareceu muito interessada nesse ponto, quando resolveu se casar e assim, se mudar com aquele idiota. – Ele me desafiou.

Meu sangue ferveu e eu levantei da poltrona, onde estava sentada.

–O senhor também não me pareceu justo, quando vendeu uma de suas filhas. Não nos deu escolha! Não me deu escolha!

–Eu poderia ter facilmente lidado com isso. Katherine era jovem o suficiente para Dimitri não querer se deitar com ela e com isso, eu ganharia tempo para poder tira-la de lá, mas você. – Ele caminhou em minha direção com um dedo apontado. –Você foi lá e se ofereceu, acabando de vez com minhas chances de pagar a ele de volta o dinheiro. – Abbe começou a caminhar em círculos.

–Me desculpe por não saber do seu plano mirabolante. – Virei os olhos. – Mas agora está feito e não tenho a intensão de me separar dele.

Ele parou em seco, me olhando de uma forma enojada.

–Você o ama. – Abe então começou a caminhar em minha direção e antes que eu pudesse fugir, segurou meu rosto com uma de suas mãos. – Você ama aquele idiota e não consegue negar isso nem mesmo para si mesma.

Afastei-me bruscamente.

–Não ouse mais colocar suas mãos em mim. – Perdi o controle, sentindo o rubor de minhas bochechas aumentarem relativamente. Dei dois passos para trás. –Eu não posso amar alguém, se nem ao menos sinto isso vindo de minha família, desde que minha mãe morreu.

Lágrimas começaram a encher meus olhos, atrapalhando um pouco minha visão. Mesmo assim eu não me intimidei.

–Katherine não vai a lugar algum. – Abe me deu as costas e voltou a caminhar em direção a sua mesa de bebidas, como se não estivesse acontecendo nada demais.

–Como o senhor pode ser tão egoísta? – Sibilei trincando meus dentes. –Estou tentando dar a Katherine uma infância que eu não tive, desde que o senhor cansado de mim, me jogou em um convento contra a minha vontade.

– Katherine é minha filha e eu decido para onde ela vai ou deixa de ir. – Abe se voltou para mim com seus olhos transbordando toda a raiva que sentia.

– Mamãe deve estar decepcionada por ver o homem que se tornou, por não amar suas filhas. Eu queria que ela estivesse aqui para poder jogar na sua cara, a grande besteira que está fazendo, não só com sua vida, mas com a de Katherine também.

Sem deixar que ele dissesse mais alguma coisa, me virei e sai de seu escritório. Algumas lágrimas teimavam em rolar por meu rosto, Dimitri assim que me viu, rapidamente se levantou e me abraçou. Ele estava parado bem próximo a porta, em uma das cadeiras do corredor.

– Ele só pensa em si próprio, não percebe o quanto fará bem a Katherine ir conosco para Londres.

– Vou tentar ter uma conversa com ele. Porque você não sobe e fica um pouco Katherine — Dimitri tocou meu rosto. — Se ele não voltar atrás de sua resposta, você ao menos terá se despedido.

Ele me deu um beijo na testa, enquanto eu respirava fundo. Ouvi a porta do escritório abrir e logo se fechar. Limpei as lágrimas que ainda estavam em meu rosto e com determinação, subi as escadas de minha antiga casa em direção ao quarto de minha irmã. Mesmo que estivesse imensamente interessada que Kate fosse morar comigo e Dimitri, eu deixaria essa responsabilidade nesse momento com meu marido. Agora eu teria que me concentrar na conversa com minha irmã. Bati em sua porta e ouvi um leve entre. Sem pensar duas vezes, abri a mesma e a encontrei deitada em sua cama olhando fixamente para o teto branco.

– Papai não deixou não é mesmo.

– Dimitri está conversando com ele neste momento. — Tentei soar otimista. — Aproveitei para vir conversar com você.

– Eu não quero me casar com Richard, Rose. Mas também não quero ir com a vovó.

– Eu sei meu amor, mas se casar com Richard não é a melhor opção. Por mais que não queira ir com vovó. — Respirei fundo. — Não sabemos quais são as reais intensões dele. Nem todo marido é como o meu Kate, não sabemos se Richard terá a mesma paciência que Dimitri teve comigo.

– Eu não tenho outra escolha Rose.

– Podemos rezar para que papai pare com suas birras, e libere para que você vá conosco.

Ela assentiu e então nossa conversa se tornou algo mais leve, como vestidos e sapatos. Estávamos nos divertindo quando uma batida suave nos despertou de nossa brincadeira, Alberta entrou e disse:

– Rose, seu marido lhe espera na sala.

– Estou descendo. – virei-me para Kate e lhe abracei. Dei um beijo no rosto de Alberta e logo segui em direção à sala onde meu marido me aguardava. Dimitri tinha o semblante fechado, impenetrável. Eu sabia que boa coisa não tinha saído daquela conversa. Assim que Dimitri me viu, pegou minha echarpe e colocou sobre meu ombro, assim como seu chapéu. Dei uma ultima olhada para o escritório de meu pai, e sai daquela casa.

O cocheiro já estava a nossa espera, Dimitri me ajudou a subir na carruagem, ele se sentou ao meu lado, mas sua concentração estava do lado de fora. Ele ainda não havia me dado à resposta de meu pai, mas por hora eu resolvi deixar um pouco de lado e aproveitar o silencio para colocar meus pensamentos em ordem. Eu teria tempo suficiente já que nossa casa era um pouco afastada

Em dado momento, Dimitri me puxou para si, fazendo com que eu sentasse em seu colo. Suas mãos rodearam possessivamente minha cintura e ele colocou seu rosto na curvatura de meu pescoço, me deixando arrepiada com sua respiração. Passei minhas mãos por seu cabelo macio e sedoso, ele me deu um beijo em meu pescoço e sussurrou em meu ouvido:

– Porque você é tão linda? — Ele disse com voz entregue.

– Você só pode estar cego. – Eu disse tentando fazer uma piada, e não ligar para o rubor que se instalou em meu rosto. Dimitri soltou uma risada alta e gostosa de ouvir.

– Não, Roza. Estou enxergando perfeitamente, e você extremamente bela. Tão bela, que não consigo ao menos pensar em outra coisa a não ser estar em seus braços.

– Amor, nada te impede de passar o resto dos dias em meu braço. – Dimitri levantou seu rosto, e agora me olhava sem reação, seus olhos brilhavam intensamente, então ele disse:

– Fala de novo?

– O que? Que agora você pode passar o resto da sua vida em meus braços? — Perguntei surpresa.

– Não a outra coisa. – seus olhos brilhavam de expectativas, e foi só então que eu tinha notado que eu havia o chamado de amor.

– Ah a outra coisa? – eu me fiz de difícil.

– Sim, Rose. – Dimitri estava desistindo de esperar eu dizer novamente, quando eu me abaixei próximo de seu ouvido, dei um beijo no lóbulo de orelha e disse.

– Meu amor. – em cada, e comecei a distribuir beijos por todo o seu rosto, e cada beijo que eu dava eu dizia que ele era meu amor.

Antes de chegar a sua boca, eu parei e olhei em seus olhos e antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, Dimitri selou nossos lábios, e todo o sentimento que estávamos descobrindo foi demonstrado naquele beijo, que não podia ser comparado a qualquer outro. Tinha tanto carinho e companheirismo, que não havia como negar, Dimitri havia conquistado não só o meu corpo, mas o pedaço mais profundo de todo o meu ser. Eu estava perdidamente apaixonada por aquele Russo de olhos castanhos, e com o humor terrivelmente bipolar. Nos separamos aos poucos, ele encostou sua testa na minha enquanto nossa respiração se normalizava. Logo a carruagem parou e Dimitri disse:

– Preciso resolver algumas coisas pendentes, Roza. Prometo que assim que eu voltar conversamos, tudo bem?

Eu apenas assenti, por mais curiosa que estivesse, não poderia atrasar Dimitri só para que eu pudesse satisfazer minha curiosidade. O Cocheiro me ajudou a sair da carruagem, acenei para Dimitri enquanto via o mesmo partir, respirei fundo e segui até minha casa.

***

Havia se passado várias horas desde que Dimitri me deixara em frente a nossa casa, já estava entediada, não havia mais o que fazer. Assim que entrei, Maria me ajudou no banho, e trouxera algo que eu pudesse comer, já que não sentia fome. Logo após me deitar, me entreguei ao sono, acabei despertando quando ouvi o rangido da porta.

– Senhora?

– Olá Maria. – minha voz saiu um pouco rouca.

– Perdoe-me senhora, mas o Conde perguntou se a senhora pode se encontrar com ele no escritório.

– Diga a ele que só irei me recompor e logo estarei lá.

Ela assentiu e saiu me deixando sozinha. Desde que nos acertamos Dimitri vinha pessoalmente ao meu quarto, estranhei sua atitude, balancei a cabeça afastando qualquer possibilidade de que algo ruim tenha acontecido. Levantei-me, passei a mão em meu vestido para que pudesse desamassá-lo e caminhei para o grande espelho que havia em meu quarto. Meticulosamente prendi meu cabelo e assim que estava apresentável sai de meu quarto e fui até o escritório de Dimitri.

A porta como sempre estava fechada, bati delicadamente e logo abri a porta, antes mesmo que Dimitri pudesse responder. Ele estava de cabeça baixa lendo algum documento, aproximei-me passei a mão em seu cabelo. Ele por um momento fechou os olhos e aproveitou o carinho que eu estava lhe proporcionando. Vi um sorriso tímido, porém perfeito, surgir.

– Precisamos conversar, Roza. – ele disse ainda de olhos fechados. Eu sai de trás dele, e fiz com que ele afastasse a cadeira para que eu me sentasse em seu colo.

– Pronto. Agora você pode falar. – dei um sorriso verdadeiro para ele.

– Bom, tenho duas notícias para você. – ele disse sério.

– A primeira é que nossa casa está pronta. Chegou uma carta de Ivan hoje me avisando.

– Oh, isso é maravilhoso não? – eu disse ainda sorrindo.

– Sim. – Seu sorriso murchou um pouco e se tornou um pouco triste. – E bem a outra não é muito boa.

– Abe não deixou não é? – Ele abaixou o olhar e então ele balbuciou.

– Me perdoe Rose...

– Tudo bem. O que importa é que nós tentamos. – Eu me levantei e caminhei até a grande janela, o ouvi suspirar e então ele completou.

– Me perdoe por não ter preparado um quarto para Katherine.

Eu me virei atônita para ele e vi aquele sorriso raro que eu tanto amava, seus olhos brilhavam por mim, eu não me aguentei corri e me joguei em seus braços. Dimitri havia conseguido convencer Abe, eu não sabia como e nesse momento o que menos importava era isso. O importante era que Kate iria conosco para Londres.

Notas finais
Oi gente...

Eu espero que não tenham estranhado a escrita, pois resolvi dar o ar da graça... Nessa fic , eu só tive um outro capitulo escrito. Bom, espero que tenham gostado.

Queria mandar um beijo para a minha Sis, que está se matando em escrever em Paradise...

Amo vcs...