Brave Heart

23 Capítulo 23 - Quebra Cabeça


Notas iniciais
Olá gente!

Demoramos, mais aparecemos.

OBRIGADA a todos os comentários :)

**Leiam as notas finais**

Minhas mãos enluvadas mexiam-se nervosamente por cima da saia do vestido marinho, enquanto eu seguia em uma das várias carruagens de Dimitri, para a última aula de etiqueta com Madame Florence e suas acompanhantes. Dimitri havia saído cedo naquele dia, alegando ter recebido uma intimação para comparecer com seu advogado na delegacia local, para tratar das últimas pendências sobre a briga no Baile de Máscaras. Pela sua expressão confiante e pouco perturbada antes de sair, deduzi que ele estava lidando muito bem com sua situação atual. Era um problema a menos, pelo qual teríamos que lidar.

Por outro lado, ele havia insistido mais de uma vez, que eu deveria me manter fora de qualquer eventualidade e informações que poderiam decorrer, ao longo do processo delicado. Resolvi acatar seu pedido somente por que tinha coisas mais importantes a tratar, como planejar a melhor forma de contar a minha irmã e vó, sobre minha mudança repentina de cidade, ou melhor, de país.

Um nó se formou quase que instantaneamente em minha garganta. Eu não fazia a menor de ideia de como contar isso a elas ou pior, como eu lidaria com meu pai depois disso. Abe de acordo com as recentes informações, ainda estava viajando e isso de certa forma me preocupava. Eu só esperava ansiosamente, que ele não tivesse se metido em problemas.

Além de todas as eventualidades é claro, eu não poderia esquecer sobre as recentes declarações de meu marido na noite passada. Após nossa breve conversa e suas desculpas que eu havia aceitado parcialmente até então, eu havia decidido por dormir em meu próprio quarto, até que conseguíssemos colocar um verdadeiro ponto final, sobre todo o caos momentâneo. Dimitri havia sido bastante sincero e esclarecedor sobre alguns pontos, como o fardo que carregava sobre a morte do pai e o notável interesse que possuía referente a mim, desde que havíamos nos conhecido.

Não consegui evitar que um sorriso se formasse em meus lábios, com a lembrança de seus olhos castanhos e profundos, no dia em que eu o havia visto pela primeira vez. Não era difícil mesmo para mim, assumir que Dimitri era um jovem bastante formoso. Arrogante sim e algumas vezes até rude, mas tinha um brilho diferente nos olhos cada vez que nos olhávamos, mesmo que no começo não tenha sido intencional para ambos. Na verdade essa tal parte ainda era um mistério para mim. Eu não sabia ao certo como me sentia em relação às investidas graduais de meu marido. Assim como eu não sabia o que realmente esperar, quando ele resolvesse por fim, que deveríamos nos portar ao pé da letra, como marido e mulher.

A meu ver, o casamento era algo bastante complexo. Teoricamente ele era constituído por um marido e mulher, que deveriam estar tão apaixonados um pelo outro, que concordariam em assinar um grosso e espesso caderno com seus nomes, concordando que viveriam pelo resto de suas vidas juntos, incapazes de amar ou trair-se mutuamente. Na prática e em pouco tempo, eu percebi que as coisas não eram exatamente assim.

O casamento era tratado como um verdadeiro comércio, onde moças das mais diversas nacionalidades e classes sociais, eram disputadas como um cavalo de prestígio. Dimitri por exemplo, havia aceitado somente minha mão, graças à dívida que meu pai tinha com ele. Não necessariamente, por outros propósitos. Meu sentimento ainda era de repulsa, mas não tão a flor da pele, como nos primeiros dias. Nossa situação atual era conflitante e eu não sabia exatamente o que esperar e o pior, como me sentir a respeito. Dimitri era um verdadeiro quebra-cabeça e eu ainda me questionava, se estava realmente disposta a juntar suas peças no quesito amor.

Claro que existiam algumas exceções como, por exemplo, o casamento de meus pais. Antes da morte precoce de minha mãe, nossa vida era um verdadeiro mar de rosas. Estava estampado na face de Abe, o quanto ele amava e idolatrava minha mãe. Motivo pelo qual, ele entrou em verdadeiro desespero quando ela se foi, se entregando enfim a bebidas e jogo, quase que diariamente. Outra decisão drástica sua, foi mandar-me ainda criança para o Convento de freiras, incapaz de dar continuidade a minha educação. Katherine minha irmã mais nova, havia tido um futuro menos promissor, graças a sua idade ainda muito precoce, quando eu fui embora.

Em partes eu entendia a intromissão repentina de minha avó. Assim como todos nós naquela casa, minha avó acima de qualquer um, sentia falta de sua filha e como uma espécie de penitência cega, ela se propôs a tentar nos criar da melhor forma, como fora ensinada. De acordo com os recentes acontecimentos e se Abe não se impusesse na educação e criação de Katherine, eu acreditava seriamente que ela estaria logo com passagens só de ida e de navio, para a França.

–Senhora? – O cocheiro perguntou-me pela segunda vez. Desviando o olhar da estreita janela, virei-me para encara-lo.

–Eu já estou saindo, obrigada – Aceitando sua mão erguida já do lado de fora da carruagem, rumei para a entrada da casa de Madame Florence. Respirando fundo, empurrei os vestígios de pensamentos ainda pairando sobre minha cabeça.

Ela me aguardava sentada nas poltronas da sala de chá, com mais quatro acompanhantes suas. Quando os olhos experientes encontraram com os meus, ela sorriu de forma cortes.

–Minha doce Rosemarie. – Madame Florence, pois se então de pé para me cumprimentar. Passei minha bolsa para a outra mão e lhe saldei com um breve abraço e um beijo do rosto. Apesar dos pormenores eu simpatizava com Madame Florence. Ela me lembrava em alguns pontos de minha avó.

–Boa tarde Senhoras – Saudei o restante de suas acompanhantes com um breve aceno de mãos. –Espero não ter lhes feito esperar muito por minha presença, mas meu marido saiu a pouco.

–De forma alguma Rosemarie. – Madame Florence gesticulou com uma mão, para que nos aproximássemos de suas acompanhantes nas poltronas, que cercavam uma pequena mesa de especiarias e doces caseiros.

–Fico agradecida. – Respondi, aceitando o chá que já me era servido.

–Como está o Conde? Ouvi rumores sobre a briga do Baile de Máscaras, o qual eu estava presente, mas tive que me ausentar cedo em virtude de uma dor de cabeça. – Madame Florence perguntou, antes de bebericar seu chá.

Mudando a xícara de uma mão a outra, resolvi lhes contar parte da verdade.

–Meu marido está bem. – Dei de ombros. – Está se curando de um corte em seu rosto.

A verdade expressada por meus lábios acarretou em quatro pares de mãos, indo em direção aos lábios de quatro jovens senhoras, ao nosso redor. Notavelmente um pouco de sangue, as estaria enjoando. Não consegui evitar virar os olhos.

–Fico satisfeita que seu marido esteja bem. Eu estava comentando agora pouco com minhas amigas, o quão preocupada realmente estávamos. – Ela disse desviando parcialmente seu olhar, para um dos doces da vasta mesa.

–Pobre Conde. O homem bruto lhe marcou o rosto perfeito, com uma cicatriz. – Uma das jovens senhoras de cabelos vermelhos, resolveu se pronunciar. Seu rosto era parcialmente coberto por sardas, quase não perceptíveis pela maquiagem.

–Agradeço a preocupação. – Foi minha vez de bebericar o chá. –Mas minha visita tem outro propósito além é claro, de informa-las sobre o bem estar do Conde. – Não consegui evitar um pigarreio, diante dos olhar insinuante da jovem ruiva. Era uma situação bastante desconfortável.

–Ah sim é claro. – Madame Florence interferiu para que eu prosseguisse. Ela comia agora uma torta de limão.

–Eu vim lhes informar que diante de alguns dias, eu e meu marido estaremos nos mudando para Londres. – Com um sorriso, conclui minha mensagem.

–Oh, mas que notícia estupenda! – Madame Florence depositou o resto de sua torta em cima de um guardanapo e juntou as mãos, notavelmente feliz. –Eu felizmente já tive oportunidade de ir a Londres e lhe digo que foi uma experiência maravilhosa. – Ela piscou duas vezes, em um olhar sonhador.

–Eu nunca estive fora da Pensilvânia – Sorri

–Eu tenho certeza que irá adorar. – Outra jovem Senhora de cabelos bastante negros e trajando um vestido azul claro, quase da mesma cor de seu chapéu, resolveu se pronunciar. Seu nome era Winnie, pelo que eu me lembrara. – Eu também já fui a Londres na casa de familiares de meu marido e achei incrível a breve estadia.

–Sabe a data exata que irá partir? – Madame Florence perguntou depois de uma breve pausa. Ela havia voltado a encher sua xícara com chá.

–Ainda não sei. – Dei de ombros graciosamente. – Mas pretendo saber em breve.

–Pois bem. – Ela ajeitou as próprias saias em um gesto automático. – Irei separar alguns modelos de inverno para que possa levar na viagem. Londres é conhecida como a cidade da neblina. Quase sempre esta chovendo ou faz frio e o inverno minha cara, é bastante rigoroso. – Ela completou sabiamente.

Já se passavam das duas horas da tarde, quando finalmente consegui desprender-me do interrogatório insaciável de senhoras bastante dispostas, a querer saber mais notícias sobre minha viagem. Após despedir-me de todas uma a uma, segui para a entrada da casa, onde minha carruagem esperava. Antes que colocasse os pés dentro, o cocheiro me interrompeu.

–Senhora, o Conde me enviou esta nota, para que lhe entregasse em mãos.

–Ah obrigada – Sorri para o jovem serviçal, pegando de suas mãos a nota dobrada e em seguida, abrindo-a.


Minha querida Rose;


Lamento pela nota inesperada, mas eu estava passando a pouco, em frente à nova doceria no centro, e não consegui evitar lembrar-me de você.

Por isso, gostaria de convida-la para um chá comigo às quinze horas. Sinta-se livre para declinar o convite, mas eu gostaria muito que não o fizesse, levando em consideração é claro, que temos que conversar sobre ontem anoite.

Dimitri


Fechando a nota calmamente entre meus dedos, respirei fundo. Dimitri sabia exatamente como convencer-me a fazer suas vontades. Mesmo assim, não consegui evitar sorrir.


***

Dimitri estava atrasado.

Encarando minha xícara de chá morna em cima da mesa, respirei fundo. As pessoas a minha volta, pareciam entretidas em seu próprio mundo, enquanto andavam de um lado a outro, com seus minúsculos pratos forrados de doces franceses e croissants.

–Sra? – Um simpático atendente da loja, aproximou-se de minha mesa. –Posso lhe oferecer outro chá?

Eu estava prestes a recusar sua oferta, quando meus olhos focaram na figura esbelta e com longos cabelos cacheados, prestes a entrar na loja. Katherine. Ao seu lado, uma senhora com um pouco mais de quarenta anos e cabelos loiros, a acompanhava de perto. Provavelmente se tratava de uma dama de companhia contratada por minha avó. Mas na verdade não foi exatamente isto que acabou me chamando mais a atenção e sim, o jovem com quem ela conversava avidamente ao seu lado. Richard Lafeur.

Prendi a respiração.

O jovem garçom estava prestes a se retirar, quando lhe toquei o braço.

–Pode por gentileza me fazer um favor? – Lancei meu melhor sorriso, embora o tenha pego sem dúvida alguma, desprevenido.

Ele por sua vez limitou-se a sorrir.

–Claro Senhora. Em que posso ajuda-la? – Ele respondeu prontamente, ignorando meu gesto inusitado.

–Pode pedir para que aquela jovem que está ali. – Apontei com meu dedo, não ligando de repente para os olhares alheios. – Vir me encontrar? – Voltei a olhar para o atendente que não pestanejou e logo, seguiu em direção a Katherine e seus acompanhantes.

Não demorou muito para que ela me avistasse e sorrisse de forma bastante desajeitada, como se tivesse sido pega de surpresa. Ela estava sem dúvida alguma, omitindo-me informações. Cerrei um pouco meus olhos.

Logo Katherine aproximou seus lábios do ouvido de Richard, que prontamente olhou em minha direção. Não precisei me esforçar muito, para notar o brilho instantâneo mesmo de longe, que seus olhos refletiam. Como eu temia, Richard ainda não havia seguido em frente.

–Rose, eu não esperava encontra-la aqui. – Katherine se aproximou para me cumprimentar com um beijo no rosto, logo que me levantei do lugar onde estava sentada.

Ignorando sua primeira observação, levei meus olhos a Richard que estava ao seu lado.

–Sr. Lafeur, que surpresa encontra-lo aqui e acompanhando minha irmã mais nova. – A irritação em minha voz, quase não foi omitida por completo. Eu não precisava necessariamente ser uma vidente, para saber o que estava acontecendo ali. Katherine estava sendo exposta como gado, na alta sociedade.

Richard pareceu um pouco constrangido durante um momento, mas logo se recompôs, exibindo um perfeito sorriso de dentes brancos.

–Eu quis muito vir a esta inauguração que é de um conhecido de minha família e então, convidei sua irmã para acompanhar-me.– Se não fosse é claro as reais circunstâncias envolvidas e também, a vontade de minha avó em ver Katherine casada, eu não suspeitaria de suas intensões. Mas este não era o caso e Richard Lafeur sabia muito bem disso. Tão bem, quanto Katherine ao meu lado, parecendo bastante desconfortável.

Lancei lhe um olhar de advertência. Eu não estava feliz com sua atitude e não estava a fim, de omitir meu protesto. Katherine tocou sua garganta desconfortavelmente e presumi que dela, eu não teria muito sucesso em tentar tirar alguma informação. Não agora. Respirando fundo, voltei a encarar Richard, que sorria de uma forma estranha.

–Agradeço seu gesto em convidar minha irmã para tal evento, mas eu gostaria muito que o Senhor nos desse um momento, para que possamos conversa em particular. — Forcei meu melhor sorriso, enquanto Katherine ao meu lado, se mexia desconfortavelmente ao observar Richard, de forma pouco abatida pelo meu incentivo. Na verdade, eu estava suspeitando seriamente que se eu olhar não estava em outro lugar, a não ser no decote de meu vestido de renda.

Sem pestanejar, ele respondeu:

–Ah sim é claro. Vou cumprimentar alguns amigos. Sintam-se a vontade. – Unindo suas mãos em um gesto indiferente, ele rumou para longe.

–Sente-se – Disse já se paciência, para Katherine que me olhava de forma preocupada.

–Rose, eu. – Ela começou, mas a interrompi sem nenhuma censura.

–Você sabe onde está se metendo? – Ergui uma sobrancelha desconfiada para ela, enquanto olhava ao redor. Para a minha sorte, não havíamos recebido muitos olhares curiosos.

–Eu apenas vim a uma loja de doces. – Ela deu de ombros. – Vovó disse que seria bom se eu aparecesse em público com ele. Que poderia ser bom na hora, de eu arrumar um bom casamento.

–Se eu bem conheço nossa avó, é exatamente isso que ela esta arrumando, sem que você se quer, tenha percebido. – Respirando fundo, pedi que um garçom se aproximasse para nos servir chá. A primeira xícara ele entrou a Katherine e a segunda, a mim.

–Não é que eu esteja sendo chata ou qualquer outra coisa, mas Katherine, eu já vi esse filme. – Peguei as mãos de minha irmã por cima da mesa. Minha voz agora era uma mistura de preocupação e zelo.

–Acha mesmo que a vovó quer alguma coisa a mais, além dos passeios que tenho o acompanhado? – Seus olhos brilharam em desilusão.

–Passeios? – Fechei meus olhos e logo os abri, negando-me a deixar transparecer minha raiva.

–Sim. – Ela começou sem jeito. – Eu já fui há alguns eventos com o Richard. – Seu rosto instantaneamente recebeu uma leve coloração escarlate. A coisa era bem pior, do que eu estava imaginando.

Segurando meu impulso suicida ao máximo, para não espremer a xícara entre meus dedos, respirei fundo.

–Conte-me sobre isso. – Sugeri, enquanto brincava com a pequena colher de metal.

Katherine abriu seus lábios para começar, quando fomos interrompidas por uma figura alta e esbelta, parada ao nosso lado na mesa. Dimitri.

–Muito boa tarde, minhas senhoras. – Dimitri abriu um sorriso misterioso ao me fitar e em seguida, minha irmã. –Perdoe-me pelo atraso minha querida, mas houveram alguns contratempos. – Pela ênfase em tom grave, eu percebi que não eram lá coisas boas. – Mas vejo que sua irmã, esta lhe fazendo companhia.

Katherine tinha os olhos atentos , variando de mim para Dimitri, que agora me beijou a face, em um gesto amoroso. Reprimi a urgência de retribuir tal feito. Eu estava preocupada com outros assuntos.

Dimitri deve ter percebido minha expressão pouco amigável, pois logo sentou ao meu lado, depositando sua mão em minha perna, por debaixo da mesa. Mesmo assim, mantive minhas mãos unidas em cima da mesa, observando Katherine.

O silêncio pairou de uma forma bastante confortável.

–Interrompi algo? – Dimitri sugeriu, depois de alguns segundos agonizantes. Foi quando seus olhos encontraram os meus e eu vi ali, nítida preocupação.

–Está tudo bem – Forcei um sorriso para tranquiliza-lo. Foi quando uma quarta pessoa, aproximou-se da mesa. Mentalmente praguejei aos sete ventos, mas era tarde demais.

–Sr. Belikov. – Richard de pé, cumprimentou Dimitri que antes de se levantar, lançou-me um olhar significativo. Dei de ombros.

–Sr. Lafeur. – Ele ergueu uma de suas sobrancelhas. A ironia que eu tanto estava acostumada, estava voltando as suas feições enquanto cumprimentava Richard, com um aperto seco de mãos. –A que devo a honra?

–Eu vim buscar minha acompanhante, para que o Sr. Tenha privacidade com vossa esposa. – Richard pigarreou e eu recordei-me com um virar de olhos, o quão jovem ele realmente era.

–Mas que gentileza. – Dimitri voltou a me olhar por um breve momento, mas pude ver o vislumbre de curiosidade. –Está de acordo, meu amor?

Pestanejei por um momento. Era a primeira vez que Dimitri me chamara daquela forma e ainda mais, em público. O fitando minuciosamente desta vez, percebi do que se tratava. Estava ciumento.

Precisei reprimir uma vontade quase insuportável de rir. Seria Dimitri tão bobo, para não perceber que Richard estava cortejando não a mim e sim, Katherine?

Espantando meus pensamentos para quando estivéssemos sozinhos, respondi: — Já conversei com minha irmã. Obrigada Sr. Lafeur.

Antes de Katherine se levantasse de onde estava sentada, lhe lancei um olhar significativo, para que ela não esquecesse sobre nossa conversa. Preocupação queimou em mim, quando percebi que minhas preocupações em Katherine casar-se prematuramente, ainda não poderiam ser descartadas.

Quando já estávamos sós eu e Dimitri, soltei um longo e pesado suspiro. Ele mudou de lugar e sentou-se bem de frente a mim, aguardando silenciosamente por algum incentivo meu.

–Estou preocupada – Basicamente resmunguei, desviando o olhar.

–Preocupada com o que exatamente? – Dimitri mantinha o olhar fixo em mim, deixando-me ligeiramente desconfortável. Sua expressão ciumenta havia se alterado bem pouco. Não consegui evitar comentar.

–Não precisa ter ciúmes de Richard. – Mordi o lábio, enquanto o buscava com os olhos. Ele e Katherine, junto de sua acompanhante que antes havia partido com qualquer desculpa, estavam sentados em uma mesa distante de nós.

–Eu tenho motivos para tal? – Dimitri ergueu sua sobrancelha e eu não consegui olha-lo de forma surpresa.

–Eu não estou ouvindo isso. – Peguei o pedaço de bolo que estava em minha mesa e cortei um pedaço, com o auxílio de um garfo.

–O que ele estava fazendo aqui e com sua irmã? – Dimitri bebeu de seu próprio chá morno, resolvendo mudar sua abordagem.

–Richard está cortejando Katherine – Respondi depois de engolir o primeiro pedaço de bolo. Meus olhos não buscaram, os de Dimitri.

Sua risada contida, me fez fita-lo.

–Sua irmã mais nova está sendo cobiçada. – Ele cruzou uma de suas pernas e pareceu realmente, divertido.

–Isso não é engraçado. – Lhe lancei um olhar suicida, não me importando com as pessoas ao nosso redor. – E isso não é coisa de Katherine e sim, de minha avó.

–Não vou mentir que a menina a meu ver ainda é jovem, e alguns maridos, podem não ser pacientes como eu sou. – Dessa vez, foi Dimitri que me lançou um olhar bastante significativo. Eu sabia muito bem, ao que ele se referia. Desviei o olhar. – Mas de qualquer forma, não acho que cabe a você se intrometer nessa confusão toda, Roza.

Pisquei duas vezes.

–Mas ela é minha irmã. – Para minha surpresa, minha voz saiu bastante controlada. – Eu não posso deixa-la unir-se a um... – Pausei, enquanto buscava a melhor maneira de descrever Richard.

–A um homem – Dimitri completou por mim parecendo desinteressado, enquanto finalizava seu chá com um só gole. –E não é algo que você tenha controle Rose.

Fiz menção de protestar, mas ele foi mais rápido.

–E além do mais, sua avó está desempenhando o papel de mãe, já que você está casada comigo. – Ele buscou meu olhar. — E pode até agir de forma que não lhe agrade, mas ela ainda gosta de você e sua irmã. Caso contrário, não se moveria de Paris para tão longe.

Suas palavras eram duras, mas eu sabia que ele tinha razão. A ideia de Katherine casada, era algo com que eu não poderia lidar. Não agora com ela tão menina.

–Eu não vou aceitar isso. – Limpei meus lábios com o espesso guardanapo, evitando contato visual. –Tem que haver outra maneira.

–Talvez você devesse olhar ao redor, ao invés de apontar o dedo. – A voz tranquila de Dimitri, me fez erguer o rosto. Olhando além de si, vi Katherine conversando com Richard. Suas bochechas estavam levemente tingidas em tom escarlate, e seu sorriso, denunciava que ela apreciava algum comentário feito por seu acompanhante. Ele por sua vez, estava levemente debruçado sobre a mesa em tom confidente, com um sorriso de apreciação. Ambos pareciam bastante entrosados em uma conversa particular.

–Eu quero ir embora. – Conclui de mal humor. A ideia de Katherine casada, sem ao menos concluir a idade esperada para fazê-lo, me enojava.

–De acordo. Quero te levar a um lugar de qualquer forma. – Dimitri para meu espanto resolveu encerrar o assunto, sem mais delongas. De certa forma, eu me senti aliviada.

Notas finais
Galera demoramos um pouco, mas postamos. Queria dizer que estamos com previsão mesmo de uma postagem pela semana e em casos esporádicos, vamos fazer duas ou mais. Como por exemplo, no caso do recebimento de uma recomendação. Então por favor não nos matem, mas está complicado. Rs. Então para compensar, estamos tentando postar capítulos mais longos.

Sobre o capítulo:

E essas "reflexões" da Rose heim?

Bom, wow, o que diabos aconteceu com a irmã da Rose?

Para quem apostou que o Richard não iria aparecer mais, acabou perdendo heim hahahaha.

Sem dúvida alguma a expressão ciumenta do Dimitri, foi minha parte mais engraçada de escrever. É claro que a Rose com ciúmes de certa forma da irmã mais nova, também foi engraçado.

O que vocês acharam disso? Será mesmo que isso é coisa imposta pela avó da Rose? Será que o Richard está gostando? Parece que está aceitando bem a irmã da Rose né? Mas também não tirou os olhos do decote dela hahahahaha.

Onde será que o Dimitri quer leva-la?

Hummmmm

Aguardamos os comentários e participação de vocês.

Beijos e até a próxima ♥ ♥