Brave Heart

2 Capítulo 2 - Contratempos Familiares


Notas iniciais
Boa tarde gente! =D
Gostaria de agradecer em meu nome e da Kah Belikov, a todos os comentários que a fic recebeu.
Segue novo post e aguardamos os comentários.
Beijos a todas!

Abri meus olhos preguiçosamente, notando uma tímida fresa de sol, entrando pela janela. Quando sentei na cama, percebi que Katherine já havia levantando. Sua cama tinha os lençóis esticados e sem nenhuma ruga aparente. Uma batida tímida na porta, me fez levantar e rapidamente, vestir meu robe. Quando abri a porta, me deparei com o rosto de Carlota. Ela havia vindo me ajudar com a vestimenta.

–Katherine já acordou? – Perguntei, enquanto observa através do extenso espelho, Carlota apertar ainda mais meu espartilho, me fazendo implorar por ar. Eu não estava acostumada a usa-lo, quando minha vestimenta no convento, era uma simples túnica comprida, acompanhada de um espécie de manto branco, cobrindo grande parte do meu cabelo. Por insistência do meu pai, eu havia deixado minha vestimenta de lado quando vim para cá, dando espaço a roupas normais, como uma jovem de minha idade, deveria usar. No primeiro momento senti repulsa pelo ato, mas Alberta me fez entender que seria melhor assim, a fim de evitar especulações desnecessárias de nossos vizinhos.

–Sua irmã está desjejuando com vosso pai. – Carlota disse gentilmente, após dar o último laço em meu espartilho. Voltei-me para ela, que prontamente me ajeitou a roupa nova. Sorri diante da visão de meu corpo no espelho. O vestido azul claro de cetim e renda, havia me caído bem afinal.

Desci as escadas ansiosa, para ver a figura de meu pai. Desde que eu havia retornado a Delano, vi meu pai apenas na ferroviária e por míseros minutos, quando ele foi junto de um empregado me buscar. Meu pai havia alegado, que estava atrasado para uma reunião de trabalho e conversaríamos melhor em outra oportunidade. Ontem anoite, tive uma prévia ideia de como suas reuniões, deveriam proceder afinal.

–Bom dia papai.– O saudei antes de me sentar com ele e Katherine à mesa da sala de estar.

–Bom dia Rosemarie. – Ele me respondeu mecanicamente, mal me olhando. Já Katherine sorriu ao me ver, mas estava ocupada demais com um pedaço de bolo com creme. Parte de seu rosto estava agora lambuzado de glacê. –Você não deveria consumir essa quantidade de açúcar exagerada. –Os olhos atentos de meu pai, pausaram criticamente em minha irmã. – Nenhum cavalheiro gosta de mulheres desleixadas.

–Eu acho bobagem papai. Katherine ainda é apenas uma menina. – Tentei argumentar enquanto me servia do buli, de um pouco de chá.

–Não acredito nisso. – Meu pai disse rispidamente. Quando meus olhos encontraram com os seus, pude notar que uma parte do seu rosto, estava bastante vermelha. Provavelmente resultado de sua noite mal dormida, no sofá da sala. Rapidamente desviei o olhar, temendo que ele soubesse sobre o que eu havia visto. –Sua irmã diferente de você, logo terá um casamento digno e um dote apropriado.

Abri e fechei os olhos, tentando entender aquilo.

–Pai, Katherine tem apenas doze anos. – Meu tom de voz saiu um pouco mais duro, do que eu esperava. –Mamãe nunca estaria de acordo. – Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, meu pai se sobressaltou e levantou muito rápido do lugar, fazendo com que sua xícara caísse e derrubasse todo o café na toalha branca. Katherine me olhou de forma assustada.

–Sua mãe está morta e não pode mais decidir coisas, sobre essa casa. –O tom de suas palavras era duro, não restando qualquer brecha para argumentos. –Se eu digo que Katherine precisa começar a pensar em um bom casamento, espero que todos nessa casa, estejam de acordo comigo. –Seus olhos passaram de mim para Katherine. –Está de acordo, Katherine? – Seu tom agora era um pouco mais calmo. Talvez com medo de assustar de vez minha irmã.

–Estou de acordo papai. – A voz da menina não era mais do que um sussurro. Cerrei minhas mãos em punho, tentando me controlar a aquilo.

–Está de acordo, Rosemarie? – Sua voz foi um pouco mais dura dessa vez. –Rosemarie? Responda quando falo com você! – Ele insistiu com raiva, notando minha rebeldia em aceitar aquilo.

–Estou de acordo – Respondi fitando seus olhos. As palavras saiam como farpas de minha garganta. Rasgando conforme passavam. –Estou de acordo papai.

–Ótimo. – Ele sorriu triunfante, voltando a sentar como se nada tivesse acontecido.

O resto de minha manha foi miserável, mesmo eu tentando não pensar muito nos planos de meu pai. Perto da hora do almoço, segui com Katherine e Alberta para uma venda próximo de onde morávamos. Grande parte das pessoas que havíamos trombado na rua, se mostraram bastantes curiosos, sobre minha visita repentina a cidade. Tentei não corresponder a todos os olhares, principalmente aos especulativos das idosas senhoras, sobre eu ainda ser solteira e não estar usando uma roupa apta a igreja.

–Ele só estava dizendo que será breve, mas não necessariamente, Katherine irá casar amanhã. – Alberta insistiu pela segunda vez, observando meu olhar emburrado.

–Eu tenho a impressão que nem você acredita nisso. – Fitei seus olhos, que observavam atenciosamente Katherine a nossa frente, passeando despreocupada, com sua boneca de pano em mãos.

–O que eu acredito ou não, não creio que seja apropriado comentar. – Alberta disse vagamente. –Seu pai deve saber o que está fazendo.

–Eu não estou tão certa disso. Você viu como ele se virou contra mim, com o simples fato de eu ter citado nossa mãe. – Apertei a pequena cruz que estava por cima da renda do vestido.

–Seu gênio é muito parecido com o dela, Rosemarie – Alberta então soltou um riso engasgado, provavelmente presa em alguma lembrança. –Ela tinha o mesmo brilho que você tem nos olhos, quando acha que está certa sobre alguma coisa.

–Sinto muita falta dela. – Respondi depois de uma longa pausa. Katherine agora havia parado em uma pequena banca de frutas, escolhendo uma maça.

–Todos nos sentimentos, menina. – Alberta voltou a me fitar. –Sua irmã já é o oposto de você.

–O que quer dizer? – Perguntei em tom divertido, mesmo já sabendo a resposta. O que eu tinha de impulsiva e rebelde, Katherine tinha de calma e paciente.

–Você sabe o que quis dizer. – Ela então sorriu e logo agitou sua grande cesta de frutas, para que seguíssemos.

–--X---

Já se passavam das duas da tarde, quando retornamos a Casa Grande. Para nossa total surpresa, meu pai estava sentado à mesa de estar, terminando uma gorda coxa de frango. Meus olhos se abriram um pouco diante da surpresa.

–O Senhor chegou cedo. – Apontei tirando minha manta de meus ombros e a entregando a Alberta, assim como Katherine ao meu lado.

–Tenho horário em minha própria casa? – Meu pai perguntou ironicamente, depois de uma longa pausa.

–Não é isso pai. Apenas não achávamos que o senhor estaria encerrando suas inúmeras atividades no escritório, tão cedo. – tentei argumentar da melhor forma que pude. Meu pai me lançou um olhar significativo, insinuando que não havia engolido muito bem meu discurso improvisado.

–Pois bem. Sentem-se – Ele gesticulou com suas mãos sujas de molho, para que sentássemos junto a ele na mesa.

–Eu não estou com fome. – Katherine tomou a iniciativa por mim, antes que eu pudesse para-la.

–Não perguntei se esta com fome e sim, mandei sentar – Suas palavras eram ríspidas, demonstrando a possível impaciência.

Juntas, sentamos a mesa uma de frente para a outra, aguardando os empregados começarem a servir. Satisfeito que havíamos começado a comer, nosso pai recomeçou seu diálogo.

–Então como eu estava dizendo, gostaria que se aprontassem, pois sua avó chega hoje de Navio. – Pausei meu garfo no prato e o olhei com expectativa. Katherine estava sorrindo.

–Isso é certo? – Perguntei, enquanto puxava pela memória, que ainda faltavam alguns dias para que minha avó completasse mais um ano de vida.

–Tenho cara de bobo da Corte? – Novamente uma pergunta irônica. Como fiquei em silêncio, meu pai resolveu continuar. – Ela estará aqui por volta das oito horas e quero que a recebam bem, ou ela irá espalhar pelos quatro cantos de Paris, que as estou matando de fome. – Pelo tom enojado de meu pai, não era de se esperar que ele odiasse minha avó materna. Quando minha mãe havia morrido, ela tentou nos levar para morar com ela e realmente só ficamos, pois meu pai havia decidido com toda a sai crença, que seriamos muito bem criados na Pensilvânia.

–Tudo bem. – respondi por mim e por Katherine, que agora parecia comer a comida com pesar. Havíamos comido algumas frutas na feira, antes de vir para casa.

–--X---

O grande relógio de pêndulo apontou oito horas e meu estômago disparou em borboletas flutuantes. Eu estava ansiosa para rever minha avó materna. Da última vez que eu havia a visto, fora em uma visita sua, quando Katherine havia completado oito anos e ela veio de Paris, nos trazer chocolates. Vovó era herdeira de uma fortuna ainda maior que a nossa, que meu avô Charles havia deixado a ela, depois de sua morte. Ela vivia na França cercada de empregados, prata e joias.

Toquei o joelho de Katherine, que parecia ainda mais ansiosa que eu, em ver nossa avó. Na idade em que ela estava, uma mãe fazia muita falta e eu sabia melhor do que ninguém, sobre isso.

–Está ansiosa para ver a vovó? – Sussurrei baixo, observando nosso pai no sofá de frente a nós, quase dormindo. Sua mão direita estava apoiada em sua bengala vinda da Índia e ele parecia exausto.

–Muito. – Katherine sussurrou esperançosa.

Não tivemos tempo para muita conversa, pois logo a porta foi aberta e uma esbelta senhora, adentrou o cômodo, usando um chapéu maravilhosamente bonito, em tom negro.

–Vovó – Levantei ao mesmo tempo em que Katherine e quase tropeçamos uma na outra, ao ir em direção a nossa avó. Meu pai em compensação, quase conseguiu cair sentado, pelo susto.

–Estamos felizes em vê-la – Deixei que Katherine fosse a primeira a abraça-la. Minha avó abriu um sorriso sincero e eu notei traços de saudade.

–Como cresceu, Katherine. – Ela então, tocou os cachos castanhos de Katherine com os dedos, como se fossem raros e preciosos. Quando seus olhos passaram por mim, ela soltou um longo suspiro. – E veja só você menina. Está sem aquela roupa horrível do Convento. – Virei os olhos e ela veio me abraçar. Atrás de nós, senti um leve pigarrear. Meu pai havia acordado.

–E vejo que você está ainda mais barrigudo, do que da última vez que nos vimos, Abe Mazur. – Estava claramente estampada no rosto de minha avó, a desaprovação que mantinha sobre meu pai.

–Você também está maravilhosa. – Ele ironizou, me permitindo soltar o ar preso em meus pulmões. Desviando o olhar de minha avó, meu pai solicitou a presença de nossa empregada no cômodo. – Alberta, por favor, leve as bagagens da Sra. Hathaway para o quarto de hospedes. – Ela então sinalizou com a cabeça e começou a subir os degraus.

Minha avó então, se sentou graciosamente em uma das poltronas marfim, de frente para o sofá onde estávamos eu e Katherine.

–E então Abe Mazur, como está tratando afinal, minhas netas? – Minha avó perguntou diretamente, depositando suas mãos em seu colo com uma graça treinada por ano, que eu de certa forma invejava. Abe por sua vez, ajustou sua gravata e sua posição com a mão apoiada na bengala. Sinal de que ele estava nervoso.

–Estou tratando minhas filhas, da melhor forma que eu acredito estar correta. – Sua voz saiu sem nenhum traço de oscilação, embora eu notasse seus dedos trêmulos e com nós brancos, enquanto ele apertava sua bengala.

–E suponho que isso, envolva a sua filha mais velha em um lugar para solteironas e sua filha mais nova, sem uma educação refinada, que uma jovem mulher deveria ter, em sua idade.

As palavras eram duras e meu pai sabia disso, tanto quanto eu. Ele soltou um longo suspiro e retomou a fala, calmamente.

–Eu sei muito bem o que estou fazendo Joaquina e, por favor, não ouse se intrometer na forma como educo minhas filhas. – Suas palavras eram duras, mas contrastavam com seus atos, extremamente calmos e cautelosos. De alguma forma peculiar, minha avó não estava conseguindo faze-lo surtar.

–Espero que esteja mesmo, pois não estou de acordo com sua filha mais nova, dentro de um Convento. – Foi minha vez de me mecher desconfortavelmente em meu lugar.

–O que sugere com sua vasta experiência? –Meu pai sugeriu irônico. As bochechas de minha avó de repente, se tornaram um pouco coradas. Sinal de ele a estava desconcertando levemente.

–Rosemarie arrumar um marido e dar filhos para esta família. – O contrário do que imaginei, minha avó preferiu ignorar as provocações de Abe. Eu me sentia como em uma batalha de tiros cruzados. Katherine ao lado, parecia entediada. Provavelmente, já estava mais acostumada do que eu, a ouvir esse tipo de discussão entre meu pai e o resto das pessoas. Abe era uma pessoa extremamente não sociável, quando queria ser. E minha avó, não se atrevia a baixar sua cabeça a seres que julgasse inferiores a ela.

–Rosemarie escolheu a castidade minha senhora. – Dessa vez, Abe se levantou de onde estava sentado. Suas pernas falharam um pouco e o vi forçar seu aperto, em sua bengala.

–Quer ajuda pai? – Me ofereci prontamente, ficando de pé ao seu lado. Com um único gesto de mão, ele não me permitiu se aproximar.

–Estou bem Rosemarie. Apenas cansado pelo exaustivo dia de trabalho. – Seus olhos de dirigiram a minha avó e logo, passaram por mim e Katherine– Vocês duas, façam companhia a avó de vocês. Peçam a Alberta, para que providencie chá e biscoitos. Estou indo me deitar.

Seguimos para a sala de estar, onde nos foi servido por Alberta chá, alguns biscoitos e um delicioso bolo de cenoura, com cobertura de chocolate derretido. Minha avó se contentou apenas com o chá, alegando que fazia mal as pessoas comer doces, próximo da hora de dormir. Eu e Katherine nos contentamos então, com algumas bolachas e um mísero pedaço de bolo, tentando seguir seu exemplo, ou simplesmente não irrita-la.

–Estou impressionada, que não tenham me procurado em todos esses anos. –Minha avó então, elevou delicadamente a xícara de porcelana húngara, aos lábios pintados em tom rosado.

–Não tivemos problemas em viver aqui. – Prontamente respondi, não encarando seus olhos. A verdade era que tínhamos sim, mas se eu começasse a contar a ela as coisas que havia visto nas últimas horas, tinha certeza que travaria uma guerra. Minha avó materna poderia ser uma mulher, mas tinha direito e posição social o suficiente, para nos tirar a força se fosse preciso, da casa de meu pai. Sua oferta embora em partes tentadora, implicava em muitas outras coisas. Como por exemplo, eu ser empurrada para um casamento e meu pai piorar em nossa ausência. Perde-lo de forma culpada, não fazia parte de meus planos. Por outro lado, estaríamos morando em Paris e bem longe do nosso vilarejo na Pensilvânia. Katherine poderia ter uma educação em parte feminina, não deixando a desejar se decidisse constituir família algum dia.

–Não posso me basear no que diz Rosemarie. – Seus olhos atentos como os de minha mãe, me fitaram intensamente. – Afinal, não está convivendo diariamente nesta casa.

Prendi a respiração. Eu sabia que ela tinha razão, mas temia pelo que Katherine pudesse dizer. Eu não estava a tempo demais ali, para saber exatamente até que ponto, Katherine sabia de algo.

–Está tudo bem aqui vovó. – A voz suave de minha irmã mais nova, ecoou no cômodo desconfortavelmente silencioso.

–Por agora vou aceitar isso filha. Mas pretendo ficar por uns dias, analisando de perto o comportamento de seu pai. – Sua mensagem era clara e eu senti pesar. –Mas agora estou muito cansada e preciso descansar. Amanhã iremos à missa pela manhã. – Ela não deixou espaço para argumentos, enquanto se levantava de sua cadeira. Bem diferente de meu pai, ela se equilibrava perfeitamente, independente de sua idade, vários anos mais velha que ele.

–Boa noite vovó. – Respondi seguida de Katherine, que também havia levantado e seguia para as escadas.

Notas finais
Vish! Parece que a avó da Rose está disputando com o pai dela ¬¬ kkk
O que acharam?
E coitada da pobre Kathe... o pai dela pela muito pesado ¬¬''

Beijos