Brave Heart
15 Capítulo 15 - O Retrato
Notas iniciais
POV — Rosemarie
Na manhã seguinte Ivan saiu cedo com Dimitri, com a promessa em seu olhar, de que nos veríamos em breve em Londres. Mesmo com toda a conversa do dia anterior, eu negava a ideia de me sentir completamente calma, sobre aquilo. Afinal, por mais que eu não estivesse morando com minha família, eles estavam relativamente perto de minha nova casa e isso de certa forma, era algo reconfortante. Já em Londres, eu provavelmente teria que me contentar com cartas e mais cartas, se quisesse saber algo sobre Katherine e possivelmente, sobre meu pai. Eu duvidara que Dimitri por mais paciente que estivesse sendo, me permitiria hospedar alguém, além de pessoas de seu próprio interesse.
Pisquei duas vezes com a lembrança. Eu ainda me sentia magoada e traída pela reação de meu pai e sua postura de venda de suas filhas, mas por outro lado, eu tinha que admitir que ele era peça fundamental, em minha criação desde menina. Ele e minha mãe, haviam feito um excelente e árduo trabalho, em dar a mim e Katherine, tudo o que um dia havíamos precisado.
Uma batida da porta me tirou de meus devaneios.
–Pode entrar – Pedi, ajeitando o cetim do vestido alaranjado. Mais um, dos modelos que Dimitri havia escolhido a dedo. Pelo reflexo do espelho da penteadeira, percebi que se tratava de Marie, uma das empregadas da casa.
–Bom dia Senhora. – De forma simples, ela me cumprimentou. – Podemos lhe servir o almoço?
Prontamente virei-me para a criada, que tinha os olhos brilhantes. As sardas em seu rosto pareciam ainda mais vívidas aquela manhã. Provavelmente, reflexo do bom tempo lá fora.
–Meu marido já está em casa? – Perguntei, não sabendo ao certo sobre a presença de Dimitri e muito menos, se ele já havia voltado.
–Vosso marido pediu para que um mensageiro lhe trouxesse uma nota, ainda há pouco. – Com passos vacilantes, a criada se aproximou de mim e logo, entregou um pequeno bilhete em papel pardo, dobrado perfeitamente, que estava dentro do bolso de sua saia. Antes de abrir a nota, lhe lancei um olhar curioso, que logo passou despercebido.
Querida Rose;
Infelizmente não poderei partilhar de sua amistosa companhia no almoço, pois estou resolvendo assuntos, que não podem tardar de minha atenção. Dessa forma, enviarei uma carruagem para busca-la para sua primeira aula de etiqueta, pontualmente às quinze horas. Esteja pronta.
Vejo-te mais tarde.
Dimitri.
Voltei a dobrar o papel, tentando não transparecer o meu incomodo, pela noticia sobre a aula de etiqueta. Eu ainda não estava certa, se realmente precisava daquilo. Segundo Dimitri, eu não estava apta à vivência na alta sociedade e suas normas e regras absurdamente chatas e extravagantes e isso de certa forma, estava por me irritar a paciência.
Com um breve aceno de cabeça, comuniquei minha decisão à criada. -Obrigada pelo aviso. Pode servir o almoço.
Pontualmente às quinze horas, um homem vestido um traje perfeitamente passado em tom verde musgo, abriu a porta de uma das diversas carruagens de Dimitri, para que eu entrasse. Durante todo o caminho, me peguei pensando arduamente sobre minha possível mudança não tardia e meu relacionamento com meu atual marido. A iniciação da conversa sobre uma criança na noite anterior, acabou por me deixar preocupada. Por mais que Dimitri se colocasse gentil até agora, sobre a parte de divisão de quartos, eu não estava acreditando tão seriamente, que isso se prorrogaria por muito tempo. Dimitri me havia parecido bastante encantado com a ideia de um herdeiro, vindo de seu amigo. Talvez não demorasse afinal, para ele resolver ter o seu próprio. Como sua esposa, eu lhe deveria uma criança, caso ele solicitasse.
Um calafrio involuntário se fez passar por toda a extensão de minha espinha. Eu não tinha experiência alguma como uma mulher casada e para ser bastante honesta a respeito, eu não tinha intensão alguma de ser tocada pelo jovem cavalheiro que fazia jus ao papel de meu marido.
–Senhora? – Uma voz ligeiramente atenciosa me fez tirar os olhos da estrada e me dar conta, de que havíamos parado. Virei-me para o criado e sorri, logo dando minha mão, para que me ajudasse a sair da carruagem. Respirando fundo, segui para o mesmo lugar, onde havia estado no dia anterior.
POV – Dimitri
Joseph ainda estava por se gabar se sua nova conquista. Escuta-lo falar sobre aquela meretriz, estava por me enojar. Eu definitivamente não entendia a lógica por detrás de alguns comportamentos mundanos. Satisfazer seus próprios interesses e desejos, definitivamente estavam no topo da lista de prioridades de muitos, inclusive de Joseph que por agora, exibia como um troféu, a conquista de uma meretriz fora de seu casamento de mais de anos, com sua esposa Isabel, que permanecia em casa e inofensiva, cuidando de seus três filhos ainda crianças.
Cruzei uma perna por cima da outra e logo acendi um charuto, apenas o aguardando me introduzir na conversa.
–Esta como uma aparência horrível, caro amigo. – Joseph tomou a iniciativa, como eu esperava.
–Primeiramente não somos amigos. Estamos aqui apenas para tratar de negócios.– Sorri de forma irônica, encarando minha própria fumaça exalada pelo charuto, em pausas. O homem cortou de forma brusca seu sorriso, mas poi-se a me ouvir os argumentos. – Em segundo lugar e já respondendo sua possível próxima pergunta, não vejo muito valor em se conquistar uma mulher, cujo corpo vende por dinheiro. –Percebendo sua forma um pouco abalada e uma risada abafada do homem a sua frente, cujo havia participado de sua conversa sem cabimento, continuei a falar – Sinto muito em desaponta-lo meu Senhor, mas ela não está fazendo nada demais, que não seja o próprio trabalho.
Dei de ombros e então, Joseph corou de tal forma, que não pude evitar sorrir. Sem mais argumentos pertinentes vindo dele, me pus a levantar. Peguei meu casaco da cadeira e prontamente meu lacaio se aproximou. Eu tinha planos para verificar Rose na casa de Madame Florence, antes de rumar para minha própria casa. As aulas de etiqueta no mínimo eram mais interessantes, do que aquela reunião acabada.
Eu estava prestes a atravessar a porta, quando uma voz aborrecida, me fez parar no lugar.
–Ela pelo visto, não está sendo diferente de sua atual esposa, como as pessoas andam comentando por ai.– A menção de Rose sendo citada naquela conversa estúpida, me fez cerrar os olhos. Com calma excessiva, me voltei para o cavalheiro inescrupuloso. Dando dois passos à frente, me aproximei o suficiente, para que ele engolisse sua própria saliva.
–Se eu fosse o Senhor, não levantaria falso testemunho desta forma. – Mesmo com uma vontade inexplicável de lhe partir o rosto ao meio, pelo simples fato de tal ofensa a Rosemarie, contive meu impulso. –Minha esposa esta casada comigo por livre e espontânea vontade e é assim que esta conversa irá terminar Joseph.
–Mas as pessoas estão comentando sobre a falência da família Mazur. Alguma coisa deve estar mal explicada – Como um homem suicida e completamente idiota, Joseph resolveu continuar e tudo então, havia se tornado vermelho em minha frente. Com agilidade, segurei sua camisa e baixei dois tons em minha voz, enquanto lhe encarava os olhos verdes. Uma gota de suor, desceu por sua testa. Houve aglomeração em nossa volta mas nenhum, poi-se a se intrometer.
–Esta conversa acaba por aqui. Não ouse comparar seu caso de indecência em seu próprio casamento, onde sua mulher e filhos estão lhe esperando em casa, com o meu. És um homem desavergonhado que tem algum dinheiro e por isso, se acha com sorte, quando não tem. Não quero nunca mais o ouvir envolvido em tais mexericos ou temo que não terá língua para a próxima manchete de jornal.
Com um empurrão bruto, lhe joguei do outro lado do escritório e parti.
–--X---
Quando finalmente cheguei à casa de Madame Florence, não demorei a encontrar Rose. Ela estava no meio de uma estreita roda de mulheres casadas, na sala de estar de Madame Florence e parecia bastante entediada com tudo aquilo. Não consegui disfarçar um sorriso espontâneo ao vê-la com tal expressão. Sem alcançar a linha de seus pensamentos, eu tinha absoluta certeza, que ela estava me torturando mentalmente por obriga-la a tal feito. Quando finalmente seus olhos se encontraram com os meus, ela soltou um pesado suspiro, que não passou despercebido por suas novas colegas.
–Boa tarde Senhor Belikov. – Madame Florence se levantou e logo, suas acompanhantes também. Rose permaneceu ao lado dela, mesmo querendo correr dali.
–Boa tarde Senhoras. – Sorri de forma cortes, dirigindo meu olhar a Rose, para logo em seguida voltar a encarar Madame Florence. – Vejo que minha esposa está cercada de belas mulheres. – A forma como Rose ergueu sua sobrancelha para mim, me fez aumentar ainda mais meu sorriso. Obviamente ela achava aquilo desnecessário.
–Imagine Senhor Belikov. – Madame Florence então gesticulou com uma mão, um pouco envergonhada. – O Senhor é que é uma pessoa muito gentil.
Rose então virou os olhos e me obriguei a agir.
–De qualquer forma, não quero atrapalhar mais sua reunião particular. Apenas gostaria de levar minha esposa para casa. – Com um passo a frente e erguendo uma mão em direção a Rose, a vi vacilar, mas com um incentivo por parte de Madame Florence, ela pegou minha mão, que prontamente a beijei. Ela pareceu prestes a repelir o gesto, mas com ágil habilidade, puxei seu corpo para bem próximo do meu, a virando ao meu lado para encarar as mulheres a nossa frente.
–Sua esposa é uma Dama nata, Senhor Belikov. Pode ter passado bastante tempo em um Convento como ela a pouco partilhou conosco, mas ainda assim, não perdeu a essência de sua família. – Madame Florence então sorriu graciosamente enquanto, apenas gesticulei rapidamente, tocando as costas tensas de Rose.
–Foi um prazer Madame, mas se me dão licença Senhoras, vou acompanhar meu marido. Já está ficando tarde — Rose tomou a iniciativa e resolvi não me intrometer. A conversa a pouco com Joseph, ainda fervilhava em meus pensamentos.
–De acordo minha querida. – Madame Florence voltou a se aproximar para se despedir. – Nos vemos na próxima semana.
Assim que adentramos na carruagem, Rose buscou a estreita janela, como refúgio de seus próprios pensamentos. Não me opus ao gesto.
–Quando vamos para Londres? – Ela resolveu me perguntar, de repente. Seus olhos castanhos meio apagados, denunciavam seu verdadeiro entusiasmo com tudo aquilo.
–Diante de algumas semanas. Talvez mais. Talvez menos. – Me mexi um pouco em meu lugar, fixando meus olhos na mulher a minha frente. Suas bochechas estavam parcialmente rosadas e seu cabelo amarrado em um perfeito coque alto, refletindo os últimos vestígios do sol fraco, daquela tarde. Não conseguindo evitar um impulso, dirigi meu olhar ao ligeiro decote de seu vestido pêssego. Sim, era um suave decote mas não para um mulher voluptuosa como Rosemarie.
–Dimitri? – O som de sua pronuncia irritada, me fez erguer o olhar. Rose me encarava de forma curiosa. Graças a Deus, ela não estava tão ciente de meu olhar sobre seu corpo.
–Sim? – Desviei o olhar para minha própria janela da carruagem, fingindo desinteresse.
–Perguntei se eu poderia receber uma visita de minha família. – A menção de sua família me fez voltar a encara-la. Ela não precisava continuar, para eu saber de quem ela se referia. Sua avó, irmã e possivelmente o traste de seu pai.
–Abe Mazur não irá entrar em minha casa. – De forma bastante rude e expulsando todo o sentimento conflituoso de segundos atrás, me referi a ela. Rose então abriu e fechou sua boca duas vezes, antes de desviar o olhar. Provavelmente cansada demais, para insistir naquilo.
Assim que chegamos a casa, sem uma palavra a mais, Rose se dirigiu a seu quarto enquanto eu, segui para meu escritório. Servindo-me de um pouco de bebida, me deparei em frente à antiga pintura daquela casa. Os olhos castanhos e assustados de minha mãe ainda eram os mesmos, de como eu me lembrava. Os traços de Benjamin mesmo através das pinceladas desprovidas de sentimento do singelo pintor, ainda eram quase os mesmos que de meu próprio retrato. Já meu pai, sempre com aspecto arrogante, não deixava a desejar sobre minha última e irrevogável decisão. Ele precisou pagar pelo que havia feito.
Notas finais
Tudo bem com vocês?
Sei que muita gente quer nos matar, mas realmente falta de inspiração é uma merda.
Hoje de uma vez só, consegui escrever o capítulo o
Então antes da inspiração para o próximo sumir, acabei nem revisando este direito. Espero realmente esteja tudo ok. Se vocês acharem errinhos por favor nos comuniquem okay?
Sobre o cap. Bom.... Parece que diretamente ou indiretamente a Rose e o Dimitri tentem a se aproximar. Vocês viram como ele defendeu ela do Joseph? Quem gostou dessa cena levanta a mão!!! o. Para quem gostou, preciso avisa-las que cenas como essas vão ser um pouco mais comuns de agora em diante. Vamos por a prova o interesse do nosso querido Dimitri na Rose.
Bom acho que é só.... perdoem mesmo pela demora, mas vou tentar postar outro cap logo para compensar. :)
Sobre os reviews vocês são maravilhosas. OBRIGADA A TODOS! ESTAREI RESPONDENDO O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL.
**Por favor, se passarem pela fic, deixem um "oi" pra gente"
Beijos e até a próxima
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