Brave Heart
12 Capítulo 12 - Capricho
Notas iniciais
Tudo bem com vocês?
Primeiramente OBRIGADA a todos os comentários!!!
Vocês são maravilhosas!!!
Sobre as postagens, realmente nos perdoem pela demora, mas como algumas sabem, eu tive um surto de criatividade e graças a Deus voltou!!! Particularmente Fernanda linda, obrigada pela indicação do livro, que se vera reproduzido em algumas partes dessa nossa fic.
Bom então é isso e POR FAVOR! Se passou pela fic, deixe um comentário pra gente poxa!!! Os leitores aumentaram significamente e os comentários diminuiram!!! O que acontece :(
IMPORTANTE: Recebemos nossa primeira recomendação #chorei #superfeliz OBRIGADAAAAAA QUEEN!!
Depois agente para de escrever e vocês reclamam! #chateada
Depois da terceira ou quarta tentativa de Dimitri me ajudar a tocar o piano, ele havia perdido a paciência por fim e se limitado a pedir que eu me retirasse, pois teria assuntos a tratar com alguns cavalheiros, que já deveriam estar a caminho de sua propriedade. Prevendo uma negação de sua parte, me limitei somente a sair de seu escritório, mas antes, lancei novamente um último olhar especulativo ao grande retrato na parede, contendo as quatro pessoas.
Sem muitas opções, segui para meu quarto e antes que chegasse a porta pelo corredor, notei que a mesma criada jovial de sardas que parecia me seguir por todo o lugar, estava trancando a mesma porta que eu havia me certificado ter fechado, antes de sair a pouco. Quando ela me viu, pareceu levemente surpresa, mas logo sua expressão se suavizou e ele baixou sua cabeça.
–Precisa de algo, senhora? – Ela perguntou timidamente.
–Qual seu nome? – Perguntei gentilmente, embora não soubesse de pronto, o que ela estava fazendo em meu quarto. Graças há muito tempo no Convento, eu havia me habituado à mania de trancar as portas do cômodo, com exigente frequência.
–Marie – Ela respondeu depois de um segundo, passando a nítida impressão, de que estava se decidindo ou não sobre me passar tal informação.
–Por que está acuada e o que fazia em meu quarto? – Insisti em minha gentileza, embora estivesse fervilhando em curiosidade por dentro.
A menina então ergueu seus olhos castanhos para mim de forma bastante jovial e suas sardas espalhadas pelo rosto, se fizeram ainda mais reluzentes, pela fraca luz de sol, que entrava no corredor.
–Me desculpe senhora, eu apenas estou seguindo ordens do Conde. – A notar suas bochechas levemente tingidas em escarlate, me peguei imaginando que talvez, não se tratara de uma simples arrumação. Tão logo quanto apareceram minhas dúvidas, espantei tais pensamentos nuviosos para longe. Aquela casa sombria estava mexendo com minha cabeça de uma forma insana e isso, não era nada bom.
–Deixe para lá Marie – Com um gesto rápido de mão, pedi que ela se retirasse e quando finalmente ela o fez, adentrei em meu próprio quarto e com um suspiro pesado, fechei minha porta.
Não sei por quanto tempo fiquei absorta no livro que estava lendo, mas uma batida singela em minha porta, fez-me sentar imediatamente na enorme cama, depositando com algum cuidado, o volume agora dividido ao meio, por um marca página florido.
–Por favor, entre. – Pedi, ciente de que talvez pudesse ser meu marido. Para minha surpresa, tratava-se de Marie.
–Senhora com sua licença, mas o Conde pediu para informa-la, que não almoçará em casa. Portanto, caso queira que seu. – Rapidamente a interrompi.
–Não tenho fome agora, mas ficaria feliz com apenas uma xícara de chá e talvez, alguns biscoitos. – Sorri e voltei a minha posição inicial, notando que a criada assinalava em concordância, antes de voltar a fechar a porta.
Passava-se das três horas da tarde, quando finalmente decidi abandonar a leitura. Uma olhada rápida para meu vestido, denunciava que provavelmente teria que troca-lo, caso decidisse ir para o andar debaixo. Como a criada não havia mencionado nada sobre meu marido estar ausente no jantar, decidi que era melhor me trocar.
Quando abri meu recém-armário de vestidos, minha boca caiu e meus sentidos se embaraçaram prontamente. Precisei erguer minha mão com dedos trêmulos, para acreditar no que via. No lugar de meus poucos vestidos ganhados recentemente de meu pai, estavam novos modelos coloridos e muito mais, extravagantes e cheios de pedras e pérolas por toda a extensão. Um a um, os selecionei a dedo e os tirei do cabide, somente para me certificar de que realmente nenhum, me pertencia realmente.
Com uma piscadela, olhei mais abaixo do armário e me deparei com vários pares de sapatos novos e também alguns poucos lenços, em uma gaveta meio aberta. Não havendo sinal algum de meus antigos pertences, bufei de forma irada, caminhando em direção à escadaria.
–Marie! – Chamei pela criada, quando finalmente alcancei o ultimo degrau do andar debaixo. Não demorou que ela parecesse. – Onde por diabos, estão meus pertences? – A criada apenas a olhou de forma culposa, permanecendo em silêncio.
–Eu falei com você. – Tentei controlar o tom de minha voz, embora eu beirasse a histeria. Por mais que meus pertences fossem restritos em número, eram meus pertences e diversos deles como alguns sapatos e lenços que eu havia trazido, foram me dados pela minha irmã caçula e Alberta, em respeito ao meu casamento. De forma alguma, isso iria passar despercebido.
A criada voltou a me fitar e antes que pudesse me responder por tal feito, à porta principal foi aberta. Meu marido entrou e tirou seu chapéu de forma indiferente, embora eu estivesse ciente, de que ele percebera nossa presença ali. Quando finalmente Dimitri ergueu seu olhar, vestia a mesma máscara de indiferença habitual.
–Posso saber o motivo da histeria, em minha casa? Da-se para ouvir o grito de minha esposa, do outro lado do jardim. – Ele continuou em tom gélido e um tanto entediado.
–Eu gostaria de saber quem sumiu com minhas coisas. – Apontei para a criada, percebendo que a mesma, voltava a se encolher.
Dimitri passou rapidamente seus olhos de mim para Maria, que continuava de cabes baixa e logo, soltou um longo suspiro.
–Ela os jogou fora. – Ele deu de ombros, como se fosse à coisa mais comum a se dizer.
–Jogou fora? – Repeti incrédula, sentindo um toque gélido passar por meu sangue. –Mas por que ela jogou fora? – As palavras repetidas, tinham um tom amargurado em minha língua.
Dimitri voltou a me olhar mas desta vez, depois de uma longa pausa insignificante. Com toda a calma que eu não tinha, ele tirou seu paletó preto e o entregou a Maria, que prontamente o pegou. Em seguida, suspirou.
–Você não precisava daquelas coisas. – Ele pronunciou com aparente nojo pela lembrança. — Seus vestidos eram ultrapassados e nem vou comentar, sobre seus sapatos.
–Era o que eu tinha no Convento. – Vociferei, cerrando um pouco meus dentes. Eu não estava conseguindo acreditar, no que estava ouvindo. A pouco mais de algumas horas, aparentávamos estar nos entendendo mas agora, estava tudo indo por água baixo – Os lenços foram dados de presente por Katherine.
Dimitri começou a caminhar em direção a biblioteca e o segui.
–Você não tinha esse direito! – Pausei em frente a ele na porta, não permitindo sua passagem. Senti-me pequena demais diante do homem daquele perfil, parado na soleira. Soltando o ar devagar pelas narinas, Dimitri aproximou seu rosto um pouco mais perto do meu, sua voz soando ameaçadora.
–Esta casa é minha e caso tenha se esquecido, resolveu viver aqui sob os meus termos. – Ele fez menção de apontar um dedo em meu peito, mas não me tocou realmente. -Se de por vencida, por ainda ter um quarto só para você, pois posso mudar de ideia, em um instalar de dedos. – Dimitri então brincou com seus dedos ameaçadoramente e logo abriu a porta da biblioteca.
–Mas poderia ter me perguntado antes – Minha voz saiu mais tremula do que imaginei.
–Não preciso pedir permissão para você, minha cara. – Um esboço de sorriso malicioso, cruzou suas feições. – Agora se já acabou de se explicar, tenho coisas a fazer.
Como Dimitri percebeu meu receio, ele me deu as costas, indo em direção a uma prateleira de livros próxima da janela e tirando de lá, um volume de capa escura. Para alguém que encarava os livros como uma distração qualquer, ele parecia bastante empenhado em seu papel. Humilhada demais para permanecer ali, dei as costas a ele e fui para meu quarto.
Durante o horário do jantar, mesmo com a insistência de Maria, decidi não descer para comer. Eu estava absurdamente insatisfeita com a decisão de meu marido, sobre escolher ou não, o que deveria me pertencer. Era como se no final das contas, eu fosse somente um brinquedo seu, fruto de um capricho de uma mesa de jogos.
***
No dia seguinte bem cedo, após vestir-me com um dos vestidos extravagantes de cor caqui, pertencentes ao meu novo armário de roupas, com ciente relutância me limitei a descer para o desjejum, sem ao menos trocar uma só palavra com meu marido, que como de costume recente, estava sentado à beira da mesa, bebericando seu café preto quentíssimo e lendo uma página do jornal.
Seus olhos logo pousaram em mim mas não me intimidei, sentando o mais longe dele possível. Vi um esboço de sorriso irônico em seus lábios, quando se deu conta que eu provavelmente iria ignora-lo e estava usando um de seus modelos escolhidos a dedo.
–Ficou muito bem em você. – Ele apreciou de forma desgostosa, me fazendo virar os olhos enquanto me servia de um pouco de chá.
–Senhora, deixe que eu faço isso. – Um criado até então encostado na parede próxima, deu um passo a frente, me tomando o bule fervente.
–Obrigada – Dirigi meus olhos agradecidos apenas em direção ao mero servo, não tendo culpa por meus problemas.
Longos minutos se passaram, até que Dimitri voltasse a falar. Desta vez, ele fechara seu jornal e o depositou na mesa, bem próximo de sua xícara branca.
–Vai me ignorar para sempre? – Ele perguntou, com falso arrependimento. Fitei seus olhos, somente para ter certeza de tal ato. Dimitri pareceu satisfeito.
–Não tenho nada para falar. – Dei de ombros, resolvendo que meu café estava encerrado. Levantando-me depressa, fui surpreendida enquanto girava sob meus pés, para ir para meu quarto. Alguém me segurara pelo braço, me fazendo girar novamente.
–Eu estou indisposta. – Disse a primeira frase que veio a minha mente, fazendo um sorriso irônico se mostrar nos lábios de Dimitri. Obviamente, ele não acreditava em nada, do que eu estava dizendo.
–Só estou deixando-a ciente, de que receberemos visita hoje e não a quero com esta expressão amarrada. – Notei que os olhos de Dimitri percorreram cada centímetro de meu rosto e inescrupulosamente, pararam no decote de meu vestido.
–Pois é a única que eu tenho. – Respondi em tom desafiante e Dimitri pareceu gostar disso, para a minha má sorte.
–Pois trate se muda-la ou irá se arrepender. Não quero mexericos voltados a nossa família – A forma como ele mencionava nossa família, fez um nó imenso se formar dentro de minha garganta. De todas as formas possíveis e impossíveis, eu estava ligada a ele agora e não tinha nada, que pudesse realmente fazer.
Notas finais
O que acharam?
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