Brave Heart

13 Capítulo 13 - Memórias Inoportunas


Notas iniciais
Segue capítulo POV DIMITRI.
Por favor, não deixem de comentar!!! Os leitores aumentaram e os comentários diminuiram.
Lembrem-se que são vocês que mantem a fic.
Contribuam para a imaginação das duas humildes autoras! =)

LEIAM AS NOTAS FINAIS!!!!
SE NÃO COMENTAREM, NÃO TEM MAIS FIC

#CHATEADA!!!

POV Dimitri

Mesmo com a imensidão daquela casa, eu era capaz de ouvir seus passos urgentes de um lado a outro, no andar de cima. Rosemarie estava aborrecida e não fazia nenhuma objeção, em esconder seu descontentamento de mim, principalmente agora, que eu havia pedido para meus criados a livrarem de seus antigos pertences. Rosemarie não era capaz de entender, que sua antiga vida naquela casa com seu pai moribundo e falido, estava acabada de uma vez por todas.

Com um suspiro pesado, soltei o papel que estava em minhas mãos e me dirigi mais uma vez, a janela de meu escritório, perdido em meus próprios pensamentos.

Abe Mazur a minha frente, blefava de forma estrondosa. Apenas virei os olhos diante de tal ato, me certificando de que ele iria perder. Lancei mais uma vez um olhar as cartas de minha mão e então, sorri triunfante.

–Não vai jogar? – Ele apressou-se a dizer, limpando sua testa suada com as costas da mão, graças à preocupação iminente, pelo jogo perdido.

–Na verdade estou tentando entender qual motivo, o trouxe a minha residência nesse dia chuvoso. –Fui objetivo, fitando seus olhos por cima das quatro cartas em minhas mãos. – Sabe que sou um homem bastante ocupado e dificilmente, tenho tempo a perder com asneiras.

Abe praguejou silenciosamente, a notar a tensão em seus ombros.

–Eu soube que o Senhor tem recebido bastante lucro, com o comércio. – Ele tentou desviar o assunto, forçando um sorriso desencorajador.

Lancei lhe um olhar cético.

–E não vejo o que meus negócios em particular, têm haver com o Senhor. – Mudei as cartas de posição entre meus dedos, desviando o olhar para a garrafa de uísque bem próxima de nós agora. Com um gesto de cabeça curto, sinalizei para que meu serviçal se aproximasse. Ele logo meu serviu com uma quantia generosa e então, serviu meu indesejado convidado.

Depois de um longo gole em sua própria bebida, como se analisando cuidadosamente suas palavras, ou simplesmente tomando coragem para pronuncia-las, Abe voltou a falar — Desculpe-me pela intromissão. — Ele então deixou o copo em cima da mesa parcialmente vazio, e voltou a me fitar. Seus olhos eram uma mistura de desespero e falsa dignidade. – Eu apenas citei a grande melhora nos negócios de sua família. – Como cerrei um pouco meus olhos em sua direção pela menção indesejada, ele se redimiu. — Pelos negócios de vossa senhoria em particular, gostaria de lhe pedir um empréstimo em meu nome.

Instantaneamente ergui minhas sobrancelhas para o homem a minha frente, não acreditando em suas próprias palavras. Ele pareceu considerar isso, enquanto engolia o que parecia ser um caroço em sua própria garganta, apenas esperando uma resposta minha ou talvez, que eu o jogasse para fora de minha casa. A segunda opção parecia tentadora, mas limitei-me a aguardar por mais informações.

–E o que levou o senhor a pensar, que eu lhe favoreceria desta forma? – Coloquei meu copo para o lado, claramente o descartando para que o criado de pronto o pegasse. A outra mão ora ocupada pelas cartas, agora tocava meu próprio queixo pensativamente.

Abe pareceu engasgar, mas não se intimidou.

–Eu tenho duas filhas Milorde e agora, uma sogra prestes a chegar a minha casa. – De pronto o interrompi.

–Novamente não compreendo o que exatamente, tenho a ver com seus problemas pessoais. – Aumentei um tom minha voz, me limitando a fita-lo com firmeza. Desde que eu voltará para aquela maldita vila na Pensilvânia, recebia com frequências visitas de cavalheiros e bancários, atrás de meu dinheiro ou algum investimento oportuno, quando na verdade eu não estava nenhum pouco interessado em negócios com aquela gente.

O homem pareceu ainda mais nervoso. Lancei então um olhar ao meu relógio de madeira vindo da França recentemente, sentindo-me impaciente com aquela ladainha toda.

Se o Senhor já acabou, tenho coisas a fazer. — Levantei-me então de meu lugar e comecei a andar em direção a porta, sinalizando para que o criado o acompanhasse até a saída.

–Penso que como não lhe falta de forma alguma dinheiro, vossa senhoria poderia ser generoso para que eu zelasse pelo nome de minha própria família. – Cerrei um pouco meus olhos, começando a me sentir extremamente irritado com o homem pidão. Mesmo assim, não cessei meus passos em direção à porta.

Como um ato que me pareceu desespero, ele gritou:

–Eu tenho duas filhas mulheres senhor Conde.

Voltei-me com ira suficiente para lhe arrastar pessoalmente para fora de minha casa caso fosse necessário, mas suas próximas palavras me fizeram parar em seco.

–Uma delas inclusive, está apta ao casamento. Penso que seria uma boa opção ter uma mulher nessa casa grande.

Diante de tal situação, não consegui evitar esboçar um sorriso irônico.

–Está oferecendo-me uma de suas filhas? – A passos lentos e precisos, aproximei-me do notável homem desesperado, a minha frente. Quando cheguei suficientemente perto, apenas aguardei.

–Estou. Como garantia de meu próprio pagamento. – Ele continuou em seu tom engasgado, fazendo-me virar os olhos diante da cena patética.

–Cuidado com suas palavras homem. – Apontei então um dedo em seu peito. –Elas poderão um dia se voltar contra você.

–Não me importo. – O homem então voltou a suar. Desta vez, de forma frequente, mas eu vi determinação em seus olhos. –Prefiro vender uma de minhas filhas a fim de dar-lhe um bom casamento, a falência. – A dor com que ele pronunciava a última palavra, fez me ter certeza que aquele homem, jamais abriria mão do prestigio de seu atual papel na sociedade. A verdade era que eu sabia bem pouco sobre sua família Mazur, mas o suficiente, para montar-lhe um perfeito perfil. Sua herança era de família e bastante era confirmado, de que ele estava perdendo gradativamente seus lucros, desde a morte da esposa há vários anos atrás.

A verdade é que eu pouco me interessava por seus problemas pessoais, mas de repente, a ideia de ter uma acompanhante em minha casa, pareceu-me algo a se pensar. Por muito tempo permaneci sozinho por escolha própria eu diria. Meu coração e minha vida não tinham espaço algum, para nada mais do que sofrimento e reserva pessoal. Automaticamente, o rosto assustado da jovem que eu havia visto recentemente na igreja, voltou a minha mente.

–Eu acredito que está apostando alto, meu caro. – Tentei por mais uma vez, colocar algum juízo na cabeça do homem, mesmo que eu não me importasse com sua final decisão. – Mas diga-me uma coisa. – Perguntei entretido, enquanto voltava a sentar, mas desta vez, em uma poltrona bem próxima de minha escrivaninha. Cruzei então minhas pernas. – Disse-me que tem duas filhas. Presumo não serem da mesma idade.

–Sim milorde. A mais nova se chama Katherine. – Ele se apressou a dizer.

–Diga-me sobre a mais velha. Qual nome dela? – Perguntei com interesse, enquanto me debruçava um pouco na cadeira.

O homem pareceu se questionar mentalmente.

–Receio que infelizmente minha filha mais velha, não esteja disponível. – Sua voz não passava de um sussurro. –Ela é devota de Deus.

–Ora meu caro, no final todos nós somos. – Deduzi sorrindo ironicamente. – Mas me diga, qual nome dela?

–Rosemarie. – Ele desviou o olhar, como se sentisse ânsia de si próprio.

Aproveitei de sua deixa para pensar sobre sua posição atual. O homem ainda tinha um olhar perdido, notavelmente esperando uma resposta positiva vindo de minha parte. Novamente a ideia de uma companhia não me soou tão ruim assim. Mulheres eram objetos fáceis a se agradar. Com apenas algumas joias e guarda roupa farto, ela esquentaria a cama de um homem. A resposta óbvia, era se realmente eu estava disposto a aquilo. A ideia de menina mais nova não me atraia porém, eu tinha tempo para espera-la crescer caso a mais velha não me aceitasse.

Antes que eu me arrependesse por completo, acabei despejando minhas próximas palavras.

–Está feito. – Levantei-me e apertei a mão do homem falido.

Pisquei duas vezes, ciente da batida tímida na porta de meu escritório. Rapidamente passei uma mão nervosamente pelo cabelo.

–Entre – Completei com voz firme, indo em direção a minha mesa. Logo meus convidados chegariam e eu, ainda tinha vários assuntos a tratar.

Mal tive tempo de sentar-me, quando os olhos castanhos de Rosemarie, cruzaram com os meus. Ela estava parada em frente à porta recém-fechada. Suas duas mãos cruzadas na frente de seu corpo, coberto por um lindo vestido cor pêssego, que eu havia pedido a Madame Florence escolher, para seu perfil voluptuoso.

–Em que posso ajuda-la? – Perguntei de pronto, me lembrando de novo breve diálogo de mais cedo, sobre suas roupas velhas.

–Eu não sei o que vestir. – Ela admitiu mordendo o lábio rosado. Desviei rapidamente o olhar, mudando um pouco minha posição na cadeira.

–Não estou entendendo. Parece-me bem vestida. – Apontei um uma mão para si e ela virou os olhos, notavelmente perdendo o fio de paciência, que deveria estar ensaiando antes de vir até mim. Uma das poucas coisas que havia percebido sobre Rose até agora, era que além de péssima mentirosa, ela tinha um controle bastante peculiar, sobre suas atitudes.

–Não me refiro aos meus trajes agora. – Ela apontou para si. Uma mecha de seu cabelo castanho caiu de seu penteado atrás da nuca, a fazendo levar de pronto à mão para trás da orelha. – Eu me refiro ao que vestir, quando meu marido receber os convidados.

Ao notar sua expressão perdida e ligeiramente confusa, decidi que ela falava a verdade.

–Vejo que subjuguei seu dom para roupas. – Comentei com sarcasmo. – Ele vai muito mais além, do que imaginei.

Os olhos de Rose cerraram um pouco, em aparente desafio.

–Meu marido não está ajudando. – Ela comentou com amargura mas logo, algo pareceu instalar dentro de si e sua expressão mudou gradativamente para apreciação. – A não ser é claro, que meu marido não faça questão alguma se eu vier receber seus convidados, da forma que eu achar conveniente.

Sorri, percebendo seu sarcasmo e tom desafiador.

–Não será necessário. –Prontamente me levantei, tomando minha decisão. Rapidamente assinei uma breve nota e arrastei Rose para fora do cômodo, a puxando pelo braço.

–Que decisão? – Seus olhos confusos, fitaram os meus com medo.

Sem responder nada a ela, chamei o criado próximo de nós quando já estávamos no salão principal.

–Providencie a carruagem imediatamente. Estou indo com minha esposa até a casa da Madame Florence. – Disse rispidamente, notando a expressão de Rose suavizar um pouco. Pensará ela, que eu a estaria indo vestir pessoalmente? Não consegui evitar surgir um esboço de sorriso satisfatório em meus lábios. Ah sim, não seria uma má ideia, mas não por agora.

A casa da Madame Florence não ficava relativamente muito longe de minha propriedade. Como nossas casas eram ao redor da cidade, uma nota demoraria muito mais a chegar, do que nossa iniciativa de ir pessoalmente.

Rose encarava a pequena janela da carruagem com pesar. Era como se na verdade, não estivesse ainda ciente, do que realmente estava fazendo ali. Seus cabelos castanhos parcialmente cobertos por um chapéu níveo, brilhavam com alguns últimos, feixes de sol do dia. Durante toda a viagem ela mal olhou em minha direção, mas não me importei, eu tinha outras coisas a pensar.

Os olhos da robusta senhora, quase saltaram quando os depositou em Rosemarie. Com expressão cortês, ela logo se apresentou a minha jovem esposa.

–Boa tarde Senhora Belikov. – Ela cumprimentou Rose que até então, estava alguns passos atrás de mim, mesmo que eu insistisse ao subirmos os degraus da casa de Madame Florence, que ela deveria estar próximo de mim.

–Boa tarde Senhora. – Rose então pareceu tomar coragem e logo, aproximar-se alguns passos, ficando bem ao meu lado.

–Sr. Conde – Ela se reverenciou, me forçando a pegar sua mão, que prontamente o fiz.

–Senhora – Beijei a mão experiente, com vários anos a mais que minha própria idade.

–Em que posso ajuda-los? – Madame Florence há poucos anos, havia montado um ateliê bem próximo de sua residência, atendendo a alguns poucos clientes de nosso vilarejo e região da Pensilvânia. Com extremo bom gosto para roupas femininas, era uma pessoa de destaque e cobrava por isso.

–Preciso que dê algumas aulas de etiqueta, a minha esposa. – Com uma mão, toquei as costas quentes de Rosemarie, ignorando o calor feminino que elas transmitiam. Madame Florence rapidamente fitou Rose, que parecia ter visto um fantasma.

–Infelizmente não estou com tempo de sobra, meu jovem Conde. – Ela logo tentou se esquivar como eu sabia.

–Tenho certeza que irá conseguir um tempo para nós. – Levei então minha mão a bolso, tirando uma certa quantia de dinheiro. Com um sorriso forçado, fui a sua direção lhe entregando o dinheiro que ela prontamente pegou, sorrindo em seguida. Rose percebeu todo o ato com olhos astutos, mas não ousou se mover ou até mesmo, falar algum coisa.

–Como o Senhor é um homem muito generoso, estarei verificando novamente minha agenda. Aguardem por um momento. – A velha senhora experiente então se foi por uma porta atrás de si e logo, dois criados entraram no cômodo se dispersando. Limitei-me a observar a vasta vitrine com visão da rua, sentindo Rose se aproximar a passos rápidos.

–Está subornando a mulher? – Ela perguntou com aquele conhecido tom irritante. Não disfarcei um sorriso.

–Estou pagando por seus serviços. – Dei de ombros e ela pareceu ainda mais irritada.

– Pois não preciso de aulas de etiqueta. — Ela se defendeu.

Com sua petulância aparente, me voltei a ela. Seus olhos brilhavam determinados.

–Que eu saiba, você esteve tempo demais em um Convento para obter bons costumes – Dei de ombros, notando sua minuciosa avaliação — E de qualquer forma, nos mudaremos em breve e quero estar bastante seguro, sobre sua apresentação na sociedade Londrinha.

–Nós vamos para Londres? – Sua boca se tornou um grande ó. Abri um sorriso diante daquilo. Antes que eu tivesse chance de tortura-la com mais notícias, Madame Florence voltou para o salão.

–Creio que consegui um horário disponível. – Ela declarou alegremente, fazendo Rose ao meu lado, virar os olhos.

Depois de Rose provar dois modelos diferentes, ela pareceu resolver por fim um a levar. Com breves dicas e uma promessa de vê-la diante de alguns dias, Madame Florence se retirou e então, partimos de volta para casa. Durante todo o caminho, Rosemarie permaneceu em silêncio, provavelmente receosa em talvez me perturbar. Entre um olhar e outro que ela me dirigia, percebi que a jovem senhora, estava borbulhando com as notícias que havia dado a ela.

Notas finais
E ai, o que acharam do POV Dimitri?
Quem gostou levanta a mão!! o/

Vou perguntar e espero que todas se manifestem.
Querem mais povs do dimka ou somente da Rose?

Sobre a fic, este foi um capítulo bastante esclarecedor não acham? Alguém concorda ou descorda do Abe?

PARTICIPEM!!!