Brave- A Alegria do Lírio Violeta
2 Cap 2 – FAMÍLIA
Notas iniciais
Capitulo 4 – Familia (2.0)
QUASE CINCO ANOS DEPOIS NO INICIO DE JUNHO
P.O.V Lily Potter______________________________________________________
Finalmente, Violett vai sair daquela cidade de muggles.... Desde o segundo ano ela e os pais pensam em mudar-se para perto da minha família, uma área de feiticeiros. Ela estava bem feliz, mas também triste, afinal aquela casa foi sempre a sua.
Mas eu estou muito feliz por ter uma das minhas melhores amigas mesmo ao meu lado.
— Então estrela...- A minha mãe acorda-me do transe em que me encontrava ao ler a carta que Violett havia escrito. – Estás a ler o que, estrela?
Reviro os olhos e ela senta-se ao meu lado. Desde que entrei na equipa de quidditch, no primeiro ano, e apanhei a snitch em todos os jogos, a minha mãe chama-me estrela. Ela quer que eu jogue na mesma equipa que ela no futuro.
— Mãe, já te disse que não gosto que me chames isso. Eu já vou para o quinto ano... – Aconchego-me nela, que me envolve. Ela dá uma gargalhada baixinho e abraça-me com mais força.
— É que é tão bom ter uma filha tão talentosa, com quem eu posso partilhar a mesma paixão... É maravilhoso.- ela beija-me a bochecha e aperta-me.
— Mãe....- eu rio e tento soltar-me.
Ela tira-me a carta e lê-a. Não me importo, era só sobre a mudança da casa e como ela está ansiosa, não é grande coisa.
— Vai ser bom teres a tua amiga aqui ao lado, ainda mais por ser uma rapariga...- ela fala a ler a carta e eu bato-lhe no braço a brincar.
— Hey!
P.O.V. Violett Kirtch______________________________________________________
Fecho a última caixa do meu quarto. Está vazio, nunca o vi de tal maneira. Demorou Junho inteiro a encaixotar tudo, principalmente devido à minha preguiça, e pela quantidade de coisas também.
— PAIIIIIIIIIIIIEEEEEEE!- Grito
Ouço os seus passos ficarem cada vez maiores.
— Então, já acabou?! Finalmente! A carrinha está lá fora.- Ele sorri ao ver o quarto vazio, com tudo em caixas.- Vou ter saudades, deste quarto em especial...- ele passa a mão na parede com as marcas do meu crescimento.- Estás tão grande...
Sorrio e abraço-o com força.
— Vamos, ajuda-me a levar as caixas papá... – pego uma das caixas, tenho que ser forte, por ele e pela mãe...
Ele pisca-me o olho e pega duas caixas. Saímos do meu quarto e, ao dirigir-me para a saída, reparo que a casa já está toda vazia, só faltam as minhas coisas. Pouco a pouco, esvaziamos o quarto e enchemos o camião com todas as nossas coisas.
Voltamos para dentro e vejo minha mãe sentada no chão mesmo no meio da pequena casa, sento-me ao seu lado e pouso a cabeça no seu ombro.
— Vou ter saudades desta casa... – ela sussurra- Mas vai ser melhor lá, vais ter a tua amiga, vai haver mais gente como tu...- beija-me a testa.
— Obrigada mãe...
— Por quê?- ela dá uma risadinha. Sinto o meu pai aproximar-se, ele abraça-nos às duas.
— Por tudo o que vocês fazem por mim... Quer dizer... Sem vocês provavelmente estaria a apodrecer sei lá onde. E olha para mim agora, olha para nós... Vamo-nos mudar para uma casa, na rua da minha melhor amiga. Eu tenho uma amiga! E vamos ter uma casa de dois andares... Vocês são loucos...- rio.
O meu pai abraça-nos com muita força e chora.
— Não me agradeças a mim, mashmallow, agradece ao meu salário.- a minha mãe faz-nos rir com o comentário.
— Pai! Pára de chorar...
P.O.V Joy Longbottom__________________________________________________-
Hoje vou para a casa dos Potter, vamos ajudar Violett a fazer a mudança. Fiquei um pouco invejosa com a ideia, também queria as minhas melhores amigas sempre comigo. Durante estes últimos 4 anos, em Hogwarts, eu e o meu pai começamos a dar-nos bem... Quer dizer, falamos mais mas não é nada como a relação da Violett com os seus pais ou a dos Potters... Simplesmente conversamos, eu e ele até somos parecidos.
O meu pai decidiu vir de férias de verão mais cedo, então fui buscá-lo à estação de pó de flu para não ter que ficar sozinho.
— Hey, filhinha como estão a ir as férias?- ele arrasta a mala e sorri.
— Meio chatas, mas às vezes vou para casa da Lily pela lareira e fico com ela. – pego nos livros que ele trazia, para ajudar a levar alguma coisa.
— Que bom Joy...- ele sorri e faz um feitiço para que as malas desapareçam e apareçam em casa.- Antes de irmos para casa, que tal passearmos um pouco, hum?
—__
Sinto uma brisa fresca com o cheiro da maresia e o sol brilhante. Debaixo dos meus pés, um prado enorme e verde, à minha frente uma grande ravina para o mar. Assusto-me com a sua profundidade e sua proximidade e caio no prado verde coberto por flores.
Aparatar deixa-me enjoada, o que não ajuda muito também.
— Ups, quase caímos no mar...- ele ri e senta-se ao meu lado.
— Onde estamos?- questiono, olhando à minha volta .
Ele inspira o ar e sorri.
— Estamos na Escócia. Eu vinha aqui o tempo todo com a minha avó. Era o meu porto seguro...- ele deita-se na relva e eu faço o mesmo.
O silêncio reina durante longos minutos. Observamos as nuvens dançarem umas com as outras. Sinto a brisa fresca acalmar-me e o sol acolher-me.
— Joy?
— Diz, Pai.- sussurro ainda a olhar para as nuvens.
— Eu sei que nunca digo isto, mas eu amo-te, amo muito... – olho para o céu. Sinto o seu olhar fixado em mim
— Quer dizer ...eu também te amo, pai.- Eu digo embaraçada, nunca ninguém me havia dito estas palavras " eu amo-te" e sabe muito bem...
— Eu sei que nunca o digo.... e eu sei que não somos próximo e eu nunca estive muito presente na tua vida, mas Joy tu és a minha alegria... Eu amo-te, okay,... E quero que saibas isto. Sempre... Tu e a tua mãe são tudo o que tenho e são tudo o que amo.- ele beija-me a testa e eu sorrio.
Mais silêncio.
— Pai...?
— Diz.
— Sabe bem ouvir isso.
—__
Eu e o meu pai passamos horas ali juntos, conversámos sobre imensas coisas, ele contou-me histórias sobre quando estava em Hogwarts, sobre mim, sobre a sua avó, sobre os seus pais... É muito agradável saber coisas sobre ele, é como se, de repente, ele fosse outra pessoa.
Ele olha para o relógio:
— Devíamos fazer isto mais vezes, filha! És uma ótima companhia mas a mãe deve estar muito preocupada. Já passaram quase duas horas... e ainda tens de ir à casa dos Potter... Importas-te se eu for também? Já não vejo o Harry há algum tempo.- Ele levanta-se e oferece-me a mão para me ajudar a levantar.
— Claro que não.- sorrio. Estava muito feliz, muito feliz mesmo.
Ele oferece-me o braço para seguir-mos caminho. Todo o nervosismo que sentia perante o meu pai, desapareceu. Agora sinto-me feliz, agora somos uma família.
Chegamos à sala. Ainda estou zonza da viagem, de mão dada à do meu pai, quando dou conta do cenário à minha frente: a minha mãe e um homem desconhecido, ambos sem camisola, beijavam-se.
Foram pequenos segundos que pareceram horas sem fim, o meu rosto fica cada vez mais quente e não consigo evitar chorar.
— Hannah. – O meu pai gagueja. Surpreendida, a minha mãe empurra o homem.
Permaneço imóvel, sem saber o que fazer. Corro para a lareira o mais rápido possível.
— Joy!- ouço o meu pai a chamar.
— Potters!– grito e atiro o pó de flu.
P.O.V.Lily Potter ______________________________________
Estamos todos na mesa a almoçar, o meu pai fez uma grande refeição para os nossos convidados: a Violett e a sua família..
— Fico tão contente que as nossas meninas sejam amigas... é tão bom para a Violett relacionar-se com pessoas como ela — A sua mãe fala a sorrir.
Gosto mesmo muito dos pais da Violett, são tão serenos comparados aos meus...
— Sim eu também acho. – A minha mãe responde.
Perco-me na conversa ao reparar nos olhares que James e Violett trocam. Não me agradam e mando Albus distrair James, quebrando os olhares.
A conversa é interrompida por um barulho repentino como o de uma explosão e, num ápice, um corpo é arremessado da lareira. Levanto-me e corro até à lareira. A minha mãe levanta-se também. Ao aproximar-me, reparo na cara conhecida que sai da lareira: Joy, que chorava copiosamente.
— Joy? Joy! estás bem?! – sento-me ao seu lado e ela abraça-me com força. Violett aproxima-se, chocada com a cena. Nem eu ou Violett alguma vez vimos Joy a chorar, ela é a forte no grupo, quem nos mantem de pé... Vê-la assim parte-me o coração.
— L...l... lily... – ela soluça e chora.
— Querida, está tudo bem...- a minha mãe abraça-a, preocupada.
— Vamos pro meu quarto. – Eu sugiro e Violett ajuda-me a levantá-la e a guiá-la até ao meu quarto. Só consigo pensar em como posso aliviar a dor da minha amiga.
Joy senta-se na minha cama e deita-se sobre, enroscando-se, como o Ying quando vai dormir. Sentamo-nos ao seu lado e Violett acaricia a sua cabeça.
— Podemos fazer alguma coisa que para te ajudar?- tive coragem de lhe perguntar. Ela diz que não com a cabeça enquanto soluça cada vez mais ao pensar no que lhe aconteceu. Violett olha para mim com as sobrancelhas franzidas, uma expressão de quem não sabe o que fazer. Por vezes não precisamos de palavras mas sim de sentir a presença dos outros.
Ver a minha amiga neste estado, e não poder fazer "nada" é uma merda.
—_____
São agora 3 horas da tarde, passaram-se duas horas e as nossas cabeças já começaram a inventar teorias sobre o que deve ter acontecido. Joy acaba por adormecer, Violett fica com ela enquanto eu desço para dar notícias. A minha teoria é que o pai dela fez alguma merda para ela ficar assim.
Desço as escadas lentamente, abalada com a situação.
— Lily...- Ouço a sua voz, a minha cara começa a ficar quente e começo a encher-me de raiva. De impulso, tiro a minha varinha e aponto-a.
— O QUE LHE FEZ?! — chego perto do professor Neville. Ele tinha os olhos vermelhos e o corpo curvado. Recuo ao vê-lo assim.
— Lily Luna Potter... baixa essa varinha agora!- ouço a minha mãe gritar. Não obedeço e avanço em direcção a ele.
— FALE!- grito
Ele arregala os olhos.
— Eu não fiz nada, Lily... Eu juro...- ele gagueja, a sua voz está diferente e eu baixo a varinha lentamente. A minha mãe aproveita para ma tirar das mãos.
— Desculpe... É que... Desculpe.- sento-me no sofá e ponho as mãos no rosto... o que será que lhe aconteceu... Sinto a presença do meu pai ao meu lado, que me abraça com um braço.
— Não faz mal... Só estás a tentar proteger a tua amiga.- Ouço a voz fraca de Neville que se senta à minha frente. – Como é que ela está?
Respiro fundo para engolir todo o meu orgulho.
— Muito mal... Nunca a vi assim. Ela adormeceu agora,...- olho para a mãe da Violett- Violett está com ela lá em cima...
Sinto o carinho que o meu pai me faz e logo me sinto melhor, muito mais calma.
— Posso ir ter com ela...?- Ele pergunta e eu afirmo que sim com a cabeça.- Podes-me mostrar o caminho?
Afirmo novamente e levo-o até ao meu quarto, abro a porta e Violett levanta-se rapidamente, zangada ao ver Neville entrar. Reparo como as expressões de Neville mudam completamente ao ver a filha ali deitada, toda suja por pó de flu com a face inchada e completamente exausta do seu próprio choro, ele parece destroçado...
— Violett...- chamo-a. Ela sai do quarto.
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